domingo, 7 de dezembro de 2008

Pelo Mundo: Crise econômica de 2008

A crise econômica de 2008-2011, também chamada de Grande Recessão,[1] é um desdobramento da crise financeira internacional precipitada pela falência do tradicional banco de investimento estadunidense Lehman Brothers, fundado em 1850. Em efeito dominó, outras grandes instituições financeiras quebraram, no processo também conhecido como "crise dos subprimes".

Alguns economistas, no entanto, consideram que a crise dos subprimes tem sua causa primeira no estouro da "bolha da Internet" (em inglês, dot-com bubble), em 2001, quando o índice Nasdaq (que mede a variação de preço das ações de empresas de informática e telecomunicações) despencou.[2]

De todo modo, a quebra do Lehman Brothers foi seguida, no espaço de poucos dias, pela falência técnica da maior empresa seguradora dos Estados Unidos da América, a American International Group (AIG).

O governo norte-americano, que se recusara a oferecer garantias para que o banco inglês Barclays adquirisse o controle do cambaleante Lehman Brothers,[3] alarmado com o efeito sistêmico que a falência dessa tradicional e poderosa instituição financeira - abandonada às "soluções de mercado" - provocou nos mercados financeiros mundiais, resolveu, em vinte e quatro horas, injetar oitenta e cinco bilhões de dólares de dinheiro público na AIG para salvar suas operações. Mas, em poucas semanas, a crise norte-americana já atravessava o Atlântico: a Islândia estatizou o segundo maior banco do país, que passava por sérias dificuldades.[4]

As mais importantes instituições financeiras do mundo, Citigroup e Merrill Lynch, nos Estados Unidos; Northern Rock, no Reino Unido; Swiss Re e UBS, na Suíça; Société Générale, na França declararam ter tido perdas colossais em seus balanços, o que agravou ainda mais o clima de desconfiança, que se generalizou. No Brasil, as empresas Sadia,[5] Aracruz Celulose[6] e Votorantim[7] anunciaram perdas bilionárias.

Para evitar colapso, o governo norte-americano reestatizou as agências de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, privatizadas em 1968,[8] que agora ficarão sob o controle do governo por tempo indeterminado.

Em outubro de 2008, a Alemanha, a França, a Áustria, os Países Baixos e a Itália anunciaram pacotes que somam 1,17 trilhão de euros (US$ 1,58 trilhão /≈R$ 2,76 trilhões) em ajuda ao seus sistemas financeiros. O PIB da Zona do Euro teve uma queda de 1,5% no quarto trimestre de 2008, em relação ao trimestre anterior, a maior contração da história da economia da zona.[9]


  1.  *Wessel, David. "Did 'Great Recession' Live Up to the Name?", The Wall Street Journal, 2010-04-08.
  2.  Segundo Paul Krugman, "para combater a recessão, o Fed precisa de mais do que uma recuperação rápida; precisa aumentar dramaticamente as despesas das famílias para compensar o moribundo investimento das empresas. E, para fazer isso, como Paul McCulley da Pimco coloca, Alan Greenspan precisa criar uma bolha imobiliária para substituir a bolha do Nasdaq. Paul Krugman em The New York Times, 2 de agosto de 2002. Dubya's Double Dip?. "Dubya" é um dos apelidos do ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, derivado da pronúncia texana da letra W: "dubya". Double diprefere-se ao padrão da curva de evolução do PIB, em que uma recessão é seguida de uma curta recuperação e de nova recessão.
  3.  Lehman CEO Fuld: Where Was Our Bailout?, Agência REUTERS, 6 de outubro de 2008, 15:57 ET
  4.  FRANCE-PRESSE, Islândia nacionaliza segundo maior banco do país., 7 de outubro de 2008, 09:21
  5. ↑ a b Ações da Sadia despencam quase 30% com perdas milionárias, Folha Online, 26 de setembro de 2008, 11h21
  6. ↑ a b BIANCONI, Cesar. Aracruz: perdas poderiam ser de R$ 1,95 bi em setembro. São Paulo: Agência Estado, 3 de outubro de 2008, 07h48
  7. ↑ a b Votorantim admite perdas de R$ 2,2 bi com operações de câmbio. São Paulo, Folha Online, 10 de outubro de 2008, 12h51
  8.  Governo americano assume o controle da Fannie Mae e Freddie Mac. O Globo, Valor Online, 8 de setembro de 2008, 8:19
  9.  [1]

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