quarta-feira, 29 de junho de 2011

Concentração é mesmo o X da questão?

Hoje estive lendo um artigo do Sérgio Rodrigues na edição online da revista Veja: 'Concentração dividirá o mundo entre senhores e escravos'. Lá ele afirma que o poder de concentração é que vai definir quem serão os senhores e quem serão os escravos digitais. Escrevi meu comentário mas não sei por que não foi aceito, deu erro de postagem através do Facebook - #VejaFail + #FacebookFail - após tentar algumas vezes acabei optando por deixar meu comentário aqui, em forma de postagem, afinal hoje o site da Veja, o seu site, ou o meu, o blog deste ou daquele, todos concorrem em pé de igualdade.

Se em um passado não muito distante a informação valia mais que dinheiro, acredito que hoje vale a mesma coisa. O que vale sim é o capital do conhecimento, este valorizou muito. Desde a Grécia antiga até os dias atuais, assistimos à oscilação da ciência caracterizada por momentos de estabilização e de rupturas. Participamos dessas mudanças quando discorremos sobre questões do racionalismo versus empirismo versus construtivismo ou quando confrontamos ciência antiga com a ciência moderna.

Sinto muito por ainda haver este conceito de hierarquia social, na qual necessariamente precisa haver os que mandam e os que obedecem. Acredito muito mais no trabalho em equipe, onde pode haver alguém pra organizar, mas hierarquicamente falando, todos estão na mesma posição. Não há ninguém melhor ou pior, não há senhores ou escravos.

Acredito sim que a capacidade de concentração é relevante, entretanto, tal qual os suportes de acesso à rede devemos ser multitarefa. Existem estudos que relacionam a hiperatividade com o sucesso online. Se há 10 anos crianças hiperativas eram consideradas problemáticas, hoje se sabe que estas pessoas têm melhor desempenho na internet e na lida com as tecnologias da informação.

Não vejo vantagem em mergulhar na primeira página de um livro e continuar imerso nele até terminar. Vejo sim um diferencial nas pessoas capazes de ler 10 livros ao mesmo tempo, de forma dinâmica. Assimilar conhecimento sem perder tempo e sem ‘criar gordura’. Nossa capacidade de concentração, quando conectados, exige estarmos ligados em vários temas distintos ao mesmo tempo, a várias plataformas e aplicativos simultaneamente.

O escravo digital é o mesmo escravo de sempre, apenas a caverna foi ganhando novas tecnologias, entretanto os cativos continuam os mesmos, desde que Platão os definiu. Qualquer um que fica olhando para uma parede o dia inteiro não pode produzir nada de valor indispensável à humanidade, pode sim produzir para outros cativos, como ele.

Olhar pela janela da vida real e saber processar as informações é tão importante quanto quando falamos da janela virtual, do universo digital. Como a informação está ao alcance de quase todos, precisamos saber usá-la fora do ciberespaço, a informação e o conhecimento tem grande poder de transformação. Estou desde 1995 na Internet e vejo claramente as mudanças que o virtual já provocou no material. A rede mundial está transformando a sociedade em uma velocidade jamais antes registrada. Viramos uma aldeia global.

Hoje todos somos prossumidores, consumimos, mas também produzimos. Se a revolução industrial escravizou, a revolução tecnológica está libertando as pessoas. Vivemos uma revolução (social) dentro de outra revolução (tecnológica), e tudo isto está transformando o mundo e a forma como o vemos.

A verdade, penso, é que nos dias de hoje só é ou se torna escravo quem quer. Ingressamos em uma era na qual, dentro em breve, não mais irão existir senhores nem escravos. Na Era da Informação e do Conhecimento, a tendência é equalização. Conectar é ligar e não separar. A sociedade conectada caminha para a consciência coletiva e quem quiser continuar sendo 'senhor de escravos' arrisca ficar no caminho, ser isolado, deixado para trás. Lembre-se que todo input gera um output.

Havendo senhores e escravos o fluxo de informação não flui de maneira natural, não há interatividade plena, isto é lógica. Se é tempo de evoluir, passa da hora de despertar! Na aldeia global não há mais lugar para caciques autoritários, o poder está nas mãos dos índios e de alguns pajés que desejam libertar seus semelhantes da subserviencia e da escravidão mental. No mundo conectado em rede o que vale é o conceito de interatividade, um todos e todos um. É UMA aldeia, não várias. Quanto a informação, ela parte de você, do seu vizinho, dos seus contatos nas redes sociais. As barreiras culturais, religiosas e linguísticas estão caindo. Se existe mesmo um Deus, acredito que sim, Ele é o mesmo para todos, independente da religião somos todos irmãos e irmãs, e com certeza foi Ele quem permitiu ao homem criar a internet.

Concordo que concentração é deveras importante, mas precisamos nos concentrar de forma multitarefa, sem perder o foco. O foco você encontra através do conhecimento, e este sim é indispensável. Concentre-se nisso, na busca do conhecimento, coloque no seu alvo o que lhe for útil, que for útil aos que estão próximos de você e estes por sua vez hão de seguir o exemplo.

Crie e não seja egoísta, compartilhe, divulgue. Esta coisa de senhores e escravos, esqueça, deixa para os anos de trevas que a humanidade viveu nos séculos passados. A lógica deve ser usada para o bem pensar direcionado ao que é comum, não para satisfazer desejos de uns poucos. O Planeta, e os recursos que ele nos oferece, pertence de forma igual a todos. Deixe os velhos conceitos de poder para os poderosos; que hoje estão tentando se equilibrar numa corda bamba, esticada sobre o abismo da coletividade, isto não é problema nosso e sim deles. É hora de romper com paradigmas ultrapassados, preconceitos, tabús e qualquer forma de pensamento reacionário. Desprograme-se, liberte sua mente! Conectados somos UM, juntos podemos tudo, sim, se eles podem nós também podemos!

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