domingo, 31 de julho de 2011

Podemos estar perto de reviver a crise de 1930

Professor de Economia em Princeton e Prêmio Nobel 2008
via Adital

"Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, o que está ocorrendo agora é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que alimentou a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o "impulso" que a economia precisava".

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Esta é uma época interessante, e digo isso no pior sentido da palavra. Agora mesmo estamos vivendo, não uma, mas duas crises iminentes, cada uma delas capaz de provocar um desastre mundial. Nos EUA, os fanáticos de direita do Congresso podem bloquear um necessário aumento do teto da dívida, o que possivelmente provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Enquanto isso, se o plano que os chefes de Estado europeus acabam de pactuar não conseguir acalmar os mercados, poderemos ter um efeito dominó por todo o sul da Europa, o que também provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais.

Somente podemos esperar que os políticos em Washington e Bruxelas consigam driblar essas ameaças. Mas há um problema: ainda que consigamos evitar uma catástrofe imediata, os acordos que vêm sendo firmados dos dois lados do Atlântico vão piorar a crise econômica com quase toda certeza.

De fato, os responsáveis políticos parecem decididos a perpetuar o que está sendo chamado de Depressão Menor, o prolongado período de desemprego elevado que começou com a Grande Recessão de 2007-2009 e que continua até o dia de hoje, mais de dois anos depois de que a recessão, supostamente, chegou ao fim.

Falemos um momento sobre por que nossas economias estão (ainda) tão deprimidas. A grande bolha imobiliária da década passada, que foi um fenômeno tanto estadunidense quanto europeu, esteve acompanhada por um enorme aumento da dívida familiar. Quando a bolha estourou, a construção de residências desabou, assim como o gasto dos consumidores na medida em que as famílias sobrecarregadas de dívidas faziam cortes.

Ainda assim, tudo poderia ter ido bem se outros importantes atores econômicos tivessem aumentado seu gasto e preenchido o buraco deixado pela crise imobiliária e pelo retrocesso no consumo. Mas ninguém fez isso. As empresas que dispõem de capital não viram motivos para investi-lo em um momento no qual a demanda dos consumidores estava em queda.

Os governos tampouco fizeram muito para ajudar. Alguns deles – os dos países mais débeis da Europa e os governos estaduais e locais dos EUA – viram-se obrigados a cortar drasticamente os gastos diante da queda da receita. E os comedidos esforços dos governos mais fortes – incluindo aí o plano de estímulo de Obama – apenas conseguiram, no melhor dos casos, compensar essa austeridade forçada.

De modo que temos hoje economias deprimidas. O que propõem fazer a respeito os responsáveis políticos? Menos que nada. A desaparição do desemprego da retórica política da elite e sua substituição pelo pânico do déficit tem verdadeiramente chamado a atenção. Não é uma resposta à opinião pública. Em uma sondagem recente da CBS News/The New York Times, 53% dos cidadãos mencionava a economia e o emprego como os problemas mais importantes que enfrentamos, enquanto que somente 7% mencionava o déficit. Tampouco é uma resposta à pressão do mercado. As taxas de juro da dívida dos EUA seguem perto de seus mínimos históricos.

Mas as conversações em Washington e Bruxelas só tratam de corte de gastos públicos (e talvez de alta de impostos, ou seja, revisões). Isso é claramente certo no caso das diversas propostas que estão sendo cogitadas para resolver a crise do teto da dívida nos EUA. Mas é basicamente igual ao que ocorre na Europa.

Na quinta-feira, os "chefes de Estado e de Governo da zona euro e as instituições da UE” – esta expressão, por si só, dá uma ideia da confusão que se tornou o sistema de governo europeu – publicaram sua grande declaração. Não era tranquilizadora. Para começar, é difícil acreditar que a complexa engenharia financeira que a declaração propõe possa realmente resolver a crise grega, para não falar da crise europeia em geral.

Mas mesmo que pudesse, o que ocorreria depois? A declaração pede drásticas reduções do déficit "em todos os países salvo naqueles com um programa” que deve entrar em vigor "antes de 2013 o mais tardar”. Dado que esses países "com um programa” se veem obrigados a observar uma estrita austeridade fiscal, isso equivale a um plano para que toda a Europa reduza drasticamente o gasto ao mesmo tempo. E não há nada nos dados europeus que indique que o setor privado esteja disposto a carregar o piano em menos de dois anos.

Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, isso é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que tornou grande a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o impulso que a economia precisava.

Mencionei que o Banco Central Europeu – ainda que, felizmente, não a Federal Reserve – parece decidido a piorar ainda mais as coisas aumentando as taxas de juros?

Há uma antiga expressão, atribuída a diferentes pessoas, que sempre me vem à mente quando observo a política pública: "Você não sabe, meu filho, com que pouca sabedoria se governa o mundo”. Agora, essa falta de sabedoria se apresenta plenamente, quando as elites políticas de ambos os lados do Atlântico arruínam a resposta ao trauma econômico fechando os olhos para as lições da história. E a Depressão Menor continua.

[Tradução: Katarina Peixoto / Sin Permiso]

sexta-feira, 29 de julho de 2011

É proibido proibir

Em 23 de julho o longa-metragem "A Serbian Film - Terror Sem Limites", uma produção de terror classe 'C', teve sua distribuição e exibição proibida, o filme foi censurado. Quem fez o pedido à justiça foi do presidente do diretório regional do Democratas, o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia. A liminar da decisão provisória, concedida pela 1ª Vara da Infância e da Juventude, a pedido do DEM, impede a exibição do filme. Pelas críticas o tal filmeco, além do roteiro repugnante, é mesmo uma porcaria, sessão de cinema pra fazer o bonequinho vomitar, levantar e ir embora da sala de exibição.

O polêmico ‘Serbian Film’ também já teve problemas em outros países, onde foi proibido ou exibido com cortes. Bom, não vi nem pretendo ver; mas acho que não preciso do estado para me dizer o que posso, ou não, assistir. A polêmica vem de cenas perturbadoras, que mostram pedofilia da pesada, como o estupro de um recém-nascido. Vejam bem, é uma produção cinematográfica, uma obra de ficção, não pode ser confundido com realidade. Deve ser uma bomba, só havia uma cópia disponível em película, a mesma que a decisão judicial mandou apreender e que está agora nas mãos da Justiça do Rio. Se fosse um filme com potencial de atrair público, certamente, haveria mais cópias por aí, não acham? A exibição de ‘Serbian Film’ ocorreria no festival RioFan.

Será que era mesmo necessário, um partido político, pedir na justiça para que o filme fosse censurado. Todo esse trabalho pra que as pessoas não vejam um reles e desprezível filmeco de ficção? Bom, é fato consumado, se alguém ia assistir, agora não pode, tá censurado e ninguém pia.

A Censura no Brasil ocorreu por quase todo o período posterior a colonização do país, tanto cultural, quanto política. Entretanto foi durante o regime militar - iniciado com o golpe de 64 - que foram elaboradas novas formas de perseguição. Após a promulgação do AI-5, todo e qualquer veículo de comunicação, bem como produto audiovisual destinado à exibição pública, deveria ter a sua pauta, ou roteiro, previamente aprovado e sujeito a inspeção local por parte de agentes do governo. Muitos materiais foram censurados nessa época de trevas, que parece esquecido mas faz parte da história recente da república.

No período em que os militares estiveram no poder, tentava-se fazer com que a população não soubesse, ou passasse a desconfiar, das torturas e mortes por motivos políticos. Até hoje existe grande número de pessoas desaparecidas durante a ditadura, gente desconhecida pela maioria, pois a censura usada na época cumpriu com eficiencia seu papel. A violência do Estado era notada apenas em confrontos policiais, ou quando conhecidos desapareciam, entretanto, de um modo geral, não era possível à maioria da população imaginar as proporções reais do que acontecia nos bastidores do poder. O silêncio era imposto para que menos pessoas se revoltassem e a governabilidade não fosse ameaçada.

De certa maneira, mas sob um aspecto diferenciado, e de certa forma 'mais brando', o Brasil ainda possui formas de censura desde sua redemocratização. Neste exato momento da história assistimos a tramitação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei 84/99, conhecido pela sociedade conectada como AI-5 Digital. O projeto de lei que se mostra, sob holofotes da mídia, como instrumento de repressão policial aos cibercrimes, parece mais um Ato Institucional, como aquele dos tempos da ditadura. Dentre outros prejuízos, à livre circulação do conhecimento, se este PL for aprovado poderá tornar-se crime baixar música pela internet, ou digitalizar músicas de terceiros, usar bots ou códigos em games e, dentre outros absurdos, até desbloquear um celular em casa. Já existe movimento organizado e um abaixo-assinado, com quase 200 mil assinaturas contra o PL 84/99.

Não para por aí! A Câmara analisa também o Projeto de Lei 591/11, do deputado Aureo (PRTB-RJ), que proíbe crianças e adolescentes de ingressar em espetáculos públicos classificados como inadequados à sua faixa etária, mesmo quando acompanhados por pais ou responsáveis. Atualmente, a Portaria 1.100/06 (MJ), garante o direito aos pais, ou terceiros devidamente autorizados, para que possam levar suas crianças e adolescentes em filmes e espetáculos recomendados a uma faixa etária superior; sendo que essa permissão vale apenas em casos de eventos com classificação indicativa inferior a 18 anos. A proposta altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), que hoje determina somente, mas satisfatoriamente, que nenhum espetáculo será apresentado sem o aviso prévio de sua classificação indicativa.

Os instrumentos de repressão são arquitetados partindo do princípio de que o governo precisa impor limites ao cidadão. Na política a repressão é um tipo de ação pública maquinada para conter e calar manifestações, geralmente de oposição, subversão e dissidência ao regime estabelecido. Este tipo de atitude é típico de regimes autoritários, absolutistas, totalitaristas e de ditaduras militares. Historicamente a censura já chegou a extremos, como quando passamos pela ‘Santa Inquisição’, promovida pela Igreja Católica entre os séculos XV e XVIII, que foi uma forma organizada e ampla de repressão política e religiosa. Durante a inquisição livros eram queimados, ojetos de arte e descobertas arqueológicas destruidas, pessoas eram torturadas e mortas com requintes de enorme crueldade.

O domínio das massas pelos que desejam a manutenção do poder requer inteligência, e não apenas a força bruta. Muitas vezes são usados pretextos nativos do puritanismo; questões de segurança nacional e ideologias claramente intolerantes, subjetivamente fascistas, para justificar estes atos autoritários perante a sociedade e contra ela própria. Muitas vezes essa estratégia de controle obtém resultado, ao criar nas massas um sentimento contrário àquilo que se deseja reprimir ou censurar. Desta forma os fatos são distorcidos pela desinformação e tornam-se perigosamente populares, fazendo com que as massas bovinizadas achem a censura algo bom, um 'mal necessário'. O Estado assume então a figura do patriarca; do chefe da família, muitas vezes alisando com uma mão, enquanto bate com a outra.

O paternalismo é uma armadilha, pois toda sociedade é unida por um conjunto de valores, doutrinas políticas e normas, tudo fundamentado na valorização positiva da pessoa do patriarca, representado pelo governo ou pela figura do chefe de estado. Este pai-estado exerce seu poder sobre a população combinando decisões arbitrárias e inquestionáveis, usando de sentimentalismo e distribuindo concessões tentadoras. O Estado paternalista limita as liberdades individuais do cidadão, com base em um padrão dominante de valores que fundamenta a arbitrariedade exercida por parte do Estado. Desta maneira se justifica a invasão da autonomia individual, baseando-se no principio de incapacidade ou mesmo idoneidade do cidadão para tomar determinadas decisões que o Estado julgue corretas.

Não se trata apenas da proibição de um filme de extremo mal gosto, com apologia à pedofilia e enredo doentio. Se o filme incita a pedofilia, religiões incitam intolerância para com outras religiões, homofobia incita violência, o fundamentalismo é a outra face do facismo e onde passa boi também passa boiada. O incentivo à intolerancia e o racismo podem acabar em tragédia, como ocorreu agora no massacre da Noruega, e aqui mesmo no Rio de Janeiro, quando 11 crianças foram mortas em uma escola pública no início de abril. A censura e o estado paternalista não puderam evitar estes crimes, são inócuos nestes casos, na verdade não logram sucesso em cumprir o papel paternal para o qual se apresentam. O que não podemos é nos deixar apanhar nesta arapuca, a censura não pode voltar de forma nenhuma, nem mesmo velada, como tem sido feita. As liberdades é que devem ser mais amplas e todos sabemos disso, mas o que me assusta é que ninguém pia.

Se a corrupção gera revolta, levante popular, isso não justifica a censura, que por sua vez gera ignorância, intolerância, e num processo de retroalimentação gera mais violência, na medida em que tabus e preconceitos são alimentados de maneira maquiavélica e irresponsável. O terror sem limites pode aí ir muito além da tela do cinema e virar realidade. Temos que piar enquanto é permitido e piar alto pra que sempre seja permitido piar. Penso como o Caetano Veloso, ‘é proibido proibir’.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

MEMORIAS: Gregório Bezerra

Mais de trinta anos após a publicação das Memórias (1979), de Gregório Bezerra, o lendário ícone da resistência à ditadura militar é homenageado com o lançamento de sua autobiografia pela Boitempo Editorial, acrescida de fotografias e textos inéditos, e em um único volume. O livro conta com a contribuição decisiva de Jurandir Bezerra, filho de Gregório, que conservou a memória de seu pai; da historiadora Anita Prestes, filha de Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, que assina a apresentação da nova edição; de Ferreira Gullar na quarta capa; e de Roberto Arrais no texto de orelha. Há também a inclusão de depoimentos de Oscar Niemeyer, Ziraldo, da adovogada Mércia Albuquerque e do governador de Pernambuco (e neto de Miguel Arrais) Eduardo Campos, entre muitos outros.

Em Memórias, o líder comunista repassa sua impressionante trajetória de vida e resgata um período rico da história política brasileira. O depoimento abrange o período entre seu nascimento (1900) até a libertação da prisão em troca do embaixador americano sequestrado, em 1969, e termina com sua chegada à União Soviética, onde permaneceria até a Anistia, em 1979. No exílio começou a escrever sua autobiografia.

Nascido em Panelas, no Agreste pernambucano, a 180 km de Recife, Gregório era filho de camponeses pobres, que perdeu ainda na infância, e com cinco anos de idade já trabalhava com a enxada na lavoura de cana-de-açúcar. Analfabeto até os 25 anos de idade e militante desde as primeiras movimentações de trabalhadores influenciados pela Revolução Russa de 1917, Bezerra teve papel de destaque em importantes momentos políticos da esquerda brasileira, e por conta disso totalizou 23 anos de cárcere em diversos presídios e épocas. Foi deputado federal (o mais votado em 1946) pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), ferrenho combatente do regime militar, e por essa razão protagonizou uma das cenas mais brutais da recém-instalada ditadura pós-golpe de 1964: capturado, foi arrastado por seus algozes pelas ruas do Recife, com as imagens tendo sido veiculadas pela TV no então Repórter Esso. A selvageria causou tamanha comoção que os registros da tortura jamais foram encontrados nos arquivos do exército.

Apesar da dura realidade, Gregório jamais cultivou o ódio ou o rancor. Era por todos considerado um homem doce, generoso. Não foi um homem de letras, mas um grande observador e um brilhante contador de histórias. Assim é que suas páginas são narradas, sem afetações ou hipocrisia, passando pelo interior da mata e do agreste nos tempos de estiagem e seca, pelo Recife, o exílio na União Soviética, a militância no PCB. Dizia ele: “Não luto contra pessoas, luto contra o sistema que explora e esmaga a maioria do povo”. Em 1983, o Brasil perdeu este que foi um de seus grandes defensores. Para sorte dos que estavam por vir, porém, ele deixou suas memórias recheadas de verdades e esperanças e que, acima de tudo, representam a história de muitos outros “Gregórios” que transformaram o seu destino na luta para transformar a realidade instituída.

Trechos do livro

“Foi o Natal mais farto e rico de alegria a que assisti durante os nove anos e dez meses de minha vida. Além disso, ganhei dois metros de algodãozinho para fazer duas camisas, porque só tinha uma e velha, que já estava virando farrapo. Aproveitei a cumplicidade de vovó e pedi-lhe que me fizesse uma camisa e uma calça, em vez de duas camisas. A velha topou as minhas antigas pretensões. Entretanto a costureira, que foi a minha tia Guilhermina, em vez de me fazer uma calça, fez uma ceroula grande, de amarrar acima do tornozelo. Deram-me para vestir. Achei bonita e até mais bonita do que uma calça, porque me fez lembrar do meu falecido avô, que, quando vivo, somente vestia ceroulas compridas amarradas no tornozelo. Calça só vestia quando ia à feira ou em visita aos domingos. Afinal, todos aprovaram a ceroula, menos minha irmã Isabel. Ganhei a “batalha” de anos atrás, quando pleiteei uma calça no sítio Goiabeira. Era feliz, agora, e me sentia homem. O Natal e Ano-Novo serviram para minhas exibições de ceroulas compridas e camisa fora da calça.”

“Voltei à rua, tentando ver se alguns operários haviam chegado. Não havia ninguém. Fiz um ligeiro comício para os pequenos grupos que se aglomeravam nas sacadas dos prédios vizinhos, concitando-os a pegar em armas, sob o comando do camarada Luiz Carlos Prestes. Fui aplaudido das varandas por alguns estudantes que ali moravam. Mas o apoio, infelizmente, não passou dos aplausos. Um oficial tentou prender-me, pedindo-me que, pelo amor de Deus, eu me rendesse. Ao chegar a dez metros de mim, apontei-lhe o fuzil e o fiz recuar. Vinha chegando um sargento radiotelegrafista que, de longe, perguntou-me o que havia. Respondi-lhe que, se quisesse lutar pela Aliança Nacional Libertadora, tinha um lugar a sua disposição; se não, caísse fora enquanto era tempo.”


Ficha técnica


Título: Memórias
Autor: Gregório Bezerra
Apresentação: Anita Prestes
Orelha: Roberto Arrais
Quarta capa: Ferreira Gullar
Páginas: 648
ISBN: 978-85-7559-160-4

via Ana Yumi Kajiki: comunicacao@boitempoeditorial.com.br - Boitempo Editorial

terça-feira, 26 de julho de 2011

Curiosidades de um País de Loucos

por José Paulo Grasso*, terça, 26 de julho de 2011 às 14:55

José Paulo Grasso
Coordenador do Movimento Acorda Rio
Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !

Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército.

Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

O SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00, equivalente ao que uma diarista cobra para fazer a faxina num apartamento de dois quartos.

PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE NOS TRÊS PODERES DA UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS

OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO.

OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, ESTADUAIS E VEREADORES.

TEMOS QUE DAR FIM A ESSES "CURRAIS" ELEITORAIS, QUE TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA OLIGARQUIA SEM ESCRÚPULOS, ONDE OS NEGÓCIOS PÚBLICOS SÃO GERIDOS PELA “BRASILIENSE COSA NOSTRA”

O PAÍS DO FUTURO JAMAIS CHEGARÁ A ELE SEM QUE HAJA RESPONSABILIDADE SOCIAL E COM OS GASTOS PÚBLICOS.

JÁ PERDEMOS A CAPACIDADE DE NOS INDIGNAR. PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE QUE SER ASSIM MESMO, OU QUE NADA TEM MAIS JEITO.

VALE A PENA TENTAR.

PARTICIPE DESTE ATO DE REPULSA.

REPASSE! NÃO SEJA OMISSO.

* José Paulo da Rocha Grasso é estudioso das áreas de turismo, economia e estatística – no Brasil e no mundo - empreendedor, dono de pousada no balneário de Búzios (RJ) criador e coordenador do Movimento Acorda Rio e Projeto Rio-Zeppelin.

sábado, 23 de julho de 2011

O Último Discurso de 'O Grande Ditador'

texto e filme de Charles Chaplin

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Desculpe! Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.

A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

O avião e o rádio nos aproximaram muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.

Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram ao povo há de retornar. E assim, enquanto morrem os homens,
a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão!

Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade!

No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa.

Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados tem subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganancia, ao ódio e à prepotência.

Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia vamos nos unir.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Levanta os olhos Hannah ! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Levanta os olhos, ...!

Ergue os olhos!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Os negócios ou as negociatas para o futuro do Rio

publicado no blog do Movimento Acorda Rio, em 13 julho, 2011, por José Paulo Grasso

Nas rodas de discussão, o assunto é exaustivamente o mesmo: a corrupção generalizada, que está entranhada em todas as divisões dos poderes constituídos. No Rio, uma tragédia pessoal do governador desencadeou uma avalanche de bilionárias denúncias, que em parte são levantadas e divulgadas ironicamente por um expert no assunto, um ex-governador que notoriamente praticou atos similares e que, descaradamente, supõe que ninguém deve se lembrar mais disso. Eleitor tem memória curta, já dizia o alcaide.

No município escândalos para todos os gostos estão sendo abafados, porque senão todas as jogadas armadas podem ser abortadas sem reeleição. Mesmo com este cenário, os vereadores e deputados continuam desfilando com total indiferença para com os interesses da coletividade e entupindo a pauta com datas festivas e premiações a pessoas suspeitíssimas, por méritos estapafúrdios. Ética é uma palavra definitivamente fora de moda.

Já aquela mídia “sem noção” que enxerga um Rio em franca recuperação deve andar de helicóptero, já que andar 10 km/h de carro é uma coisa que hoje em dia definitivamente certas pessoas não fazem mais, pois só desta forma se pode explicar o total descolamento do que acontece nas ruas e a insistência em se manter projetos estapafúrdios. Esta semana essa mesma imprensa nos brindou com um editorial “fantástico” sobre uma oportunidade de se conter a favelização. Lá entre as habituais pérolas “chapa branca”, como acenar com a urbanização de todas as favelas até 2020, destaca haver “recursos para bancar programas de urbanização, bem como verbas para obra de infraestrutura em vias públicas, saneamento, habitação e transporte (embora nesta última rubrica, ainda permaneçam demandas estruturais, como as da metrolização da via férrea, ao passo que, no entanto, que a adoção do bilhete único nos sistemas municipais e estaduais tenham sido um significante passo à frente)”.

Um conceito comprovadamente equivocado

Entrementes, não são exatamente essas demandas estruturais que estimulam a favelização? Por que um trabalhador em sã consciência trocaria um espaço decente longe do trabalho para morar numa favela íngreme, em cubículos exíguos, sem ventilação e pagando mais caro? Lembrando que o bilhete único apresentou problemas, porque a viagem demora mais do que o permitido (2 horas) entenderemos por que o centro da cidade fica cheio de gente que prefere dormir na rua a ir para casa. Será que esses senhores conhecem esta realidade? Daí a expansão das favelas e seu espantoso incremento (1020), o que, de quebra, ainda garante votos que elegem políticos bastante suspeitos, sem falar nos programas Favela Bairro, em que, “supostamente”, era “vintinho para o poder público e vintinho para o empreiteiro”, segundo confissão orgulhosa do próprio. Isto é fato consumado e explica o enorme interesse nesse tipo de projeto. Quem fiscaliza? Pobre reclama? No Pavão-Pavãozinho entregaram uns apartamentos com o costumeiro alarde. Vieram as chuvas e, curiosamente, no morro todo só houve problema nessas novas construções, porque o acabamento não resistiu à primeira chuva.

O problema é que este tipo de comportamento está se entranhando até no meio universitário, onde os professores que são amados por seus alunos correm o risco de se desmoralizarem por participar ativamente de obscuros processos. Dois escritórios de arquitetura querem impugnar o resultado do concurso Porto Olímpico, que definiu o projeto das instalações a serem construídas na região portuária do Rio para as Olimpíadas de 2016. Eles acusam o vencedor da disputa de ter acesso a informações privilegiadas sobre o concurso. O processo seletivo é promovido pelo IAB-RJ (Instituto dos Arquitetos do Brasil, unidade Rio) em parceria com a Prefeitura do Rio. Um dos perdedores afirma que o ganhador “coordena um outro concurso do IAB-RJ e a família dele é dona da construtora que vai executar a obra. São muitas ligações irregulares” (Folha de S.Paulo). E a hora que estourar um escândalo de malversação de verbas neste favela-bairro? Aliás, um país que pretende ser a quinta economia mundial não tem vergonha de condenar seus cidadãos a morar nesse tipo de “habitação” e isto ainda tem de ser endossado pelo IAB? Alguém explica por que este instituto e, consequentemente, a categoria, têm que apoiar e ratificar por concurso público um Centro de Convenções Internacional em que todos os envolvidos sabem que o conceito está comprovadamente equivocado, sendo que sua execução travará a revitalização econômica do município?


terça-feira, 19 de julho de 2011

Luís XIV, Colbert, Mazarin e a Classe Média

Suposto diálogo entre Colbert e Mazarin durante o reinado de Luís XIV, da França:
Colbert e Mazarin

Os personagens

Jean-Baptiste Colbert – Ministro de Estado e da Economia do rei Luiz XIV.

Jules Mazarin – Cardeal e estadista italiano que serviu como primeiro ministro na França. Era um notável coletor de arte e jóias, particularmente diamantes, e deixou por herança os "diamantes Mazarino" para Luís XIV, em 1661, alguns dos quais permanecem na coleção do Museu do Louvre, em Paris.

O diálogo

Colbert – Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar (o contribuinte) já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço.

Mazarino – Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado... O Estado, esse, é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se. Todos os Estados o fazem.

Colbert – Ah sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criamos todos os impostos imagináveis?

Mazarino – Criam-se outros.

Colbert – Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino – Sim, é impossível.

Colbert – E então os ricos?

Mazarino – Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert – Então como havemos de fazer?

Mazarino – Colbert, tu pensas como um queijo, como um penico de um doente. Há uma quantidade enorme de gente situada entre os ricos e os pobres: são os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tiramos. É um reservatório inesgotável.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Eli Pariser, na TED 2011, alerta sobre os "filtros-bolha"

Eli Pariser faz o alerta durante a TED 2011, precisamos ficar atentos aos "filtros-bolha" online. A medida em que empresas da Web se esforçam para fornecer serviços sob medida para nossos gostos pessoais (incluindo notícias e resultados de pesquisa), acontece uma perigosa e não intencional consequencia: Caímos na cilada dos "filtros-bolha" e não somos expostos à informações que poderiam desafiar ou ampliar nossa visão de mundo. Eli Pariser argumenta vigorosamente que isto, definitivamente, mostrar-se-á ruim para nós e para a democracia.


Fonte: http://www.ted.com/talks/lang/por_br/eli_pariser_beware_online_filter_bubbles.html

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pensando em trocar seu aparelho de TV?

Se você está pensando em adquirir um aparelho de TV novo, de alta tecnologia, precisa antes saber qual será o melhor momento para comprar. Geralmente o são as vendas pós-Natal que trazem as melhores oportunidades para fechar bons negócios, mas se você está comprando um segundo ou terceiro televisor, para sua casa, não há necessidade em esperar passar o Natal para conseguir um bom preço. Esperar pelo período de vendas pós-natalinas é mais indicado para quem quer uma TV LCD, plasma ou LED, com tela grande e preço melhor, já que - por exemplo no caso das novas telas 3D - estes aparelhos podem custar até perto de incríveis R$10 mil. Neste caso comprar no momento certo pode resultar em uma economia significativa.

As vendas de Natal são geralmente bem sucedidas e a maioria dos produtos que são novidade, entre os eletronicos, acaba se esgotando nas prateleiras. O que costuma 'encalhar' são os produtos mais caros. Por isso quando passa o período das festas de fim de ano, muitos varejistas reduzem os preços destes equipamentos, não só para atrair compradores como também para renovar estoques.

Outra forma de pagar menos para poder ter uma TV decente é comprar um modelo mais antigo. Sempre que os comerciantes recebem uma nova remessa eles fazem promoções e baixam preços para se livrar mais rapidamente dos modelos antigos. Agora, se você não faz questão de uma TV ultrafina, com acesso à Internet ou outras novidades, então a compra de um modelo com um ou dois anos de fabricação; que também lhe garante som e imagem de alta qualidade - além das funções básicas que você precisa - pode mesmo valer a pena.

Geralmente os modelos de TV mais 'antigos' podem ser encontrados por melhor preço no início do ano ou no período entre agosto e setembro, quando muitos varejistas recebem as novidades do mercado. Uma TV que acaba de ser lançada com certeza terá seu preço reduzido alguns meses depois. As novas tecnologias, lançadas consecutivamente, fazem com que aparelhos de TV, um ou dois anos mais velhos, saiam com preço mais camarada.

Já quando se trata de comprar uma TV 3D, esperar mais alguns anos pode ser a atitude mais sábia a ser tomada, a menos que você tenha alguns milhares de reais sobrando e não se importe em gastar. Existe grande interesse, por parte do consumidor, nas novidades em configurações 3D com home theater, mas o problema é que os aparelhos e mídias ainda são muito caros, além de que ainda há pouco conteúdo disponível para esta tecnologia. Outro fator negativo é que a maioria dos dispositivos 3D ainda requer o uso de óculos especiais, que podem custar até R$500,00 o par.

A verdade é que a tecnologia 3D ainda está engatinhando e os títulos de discos Blu-ray em 3D ainda são poucos. Algumas emissoras já anunciaram planos para lançar programação de TV 3D, mas no momento poucas canais transmitem à sua audiência conteúdo 3D. Que eu saiba, por enquanto apenas a Rede TV exibe conteúdo em 3D e no Carnaval passado a Globo também fez uma experiencia com esta tecnologia, mas as outras emissoras também devem seguir esta tendencia. Os pacotes HDTV por assinatura também devem começar em breve a oferecer transmissão 3D, entretanto fica sempre aquela dúvida se um pacote 3D não irá gerar um encargo adicional na fatura da TV por assinatura... os preços da tecnologia 3D, para as televisões com tela grande, ainda não são nada populares...

É lógico que se esperarmos sempre vai surgir modelo mais novo, melhor e até mais barato, entretanto quando precisamos mesmo comprar uma televisão não tem como esperar. Neste caso o negócio é planejar e fazer uma pesquisa cuidadosa no mercado. Pesquisando preços e sabendo calcular bem a relação custo/benefício, você pode conseguir fazer um bom negócio, comprar uma TV decente e ainda economizar. Pra que gastar mundos e fundos em uma tecnologia cara, e ainda em fase inicial, se podemos guardar um pouco do nosso suado dinheiro para outras coisas mais urgentes? Se você pensar bem existe muita coisa que pode ser feita, com alguns milhares de reais, que não seja comprar uma TV de última geração e depois ficar olhando pra ela com os bolsos vazios...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Domínio Público! Alimente-se de conhecimento sem pagar

O Brasil está entre os sete países com maior desigualdade social do Planeta. Nossa caixa postal e redes sociais alardeam insistentes propagandas para venda de seminários, congressos, livros e publicações diversas. Nada com preço camarada, muito pelo contrário... a realidade é que os livros são caros e o povo brasileiro ganha pouco, são os livros que de fato custam caro.

Será que vender um livro barato significa desvalorizar a obra? A maioria dos autores pensa que sim, ostentando humildade na aparencia, faturam alto com direitos autorais, editores idem. Ora! É mais uma vez o interesse de uns pouco indo de encontro ao interesse da maioria. Um livro de preço mais acessível a todos vai despertar o interesse pela leitura. Sem dúvida nenhuma os autores vão acabar ganhando igual, pois as vendas iriam aumentar.

Sem dúvida nenhuma assalariados e desempregados também tem acesso aos livros, em bibliotecas e através da internet; entretanto não é a mesma coisa que possuir uma obra, completa e original, para ler no conforto do lar ou mesmo nos intervalos de trabalho, dentro do transporte público, nas praças e parques. É inaceitável a velha desculpa de que se o livro for gratuito mesmo assim o pobre não se interessará em ler.

Alguns defensores do atual sistema de exclusão cultural argumentam que há muitas bibliotecas disponibilizando livros para empréstimo, a custo zero, no entanto vivem às moscas. Falso! Basta pesquisar, embora aparentemente correta, a opinião não se sustenta em si, até mesmo porque não há pesquisa para sua comprovação. O fato é que a apropriação do conhecimento por uma casta seleta de autores, editores e distribuidores não permitem ao leitor avançar na esfera conhecimento, da cultura. Mesmo os livros infantis, escritos sempre de maneira simples e divertida, contendo ilustrações atrativas, com histórias de fácil compreensão e assimilação, obras que propõem introduzir a criança às diversas esferas do saber, tem custo elevadíssimo de produção e acabam custando os olhos da cara ao consumidor final. São estes mesmos livros, infantis ou para estudos, dos mais simples aos mais avançados, romances ou livros para reflexão, que nos fazem repensar nosso modo de viver e a forma de construirmos uma vida mais equilibrada.

Não vão os autores, ou os editores, querer me crucificar, sei que muitas vezes trabalham duro para concluir suas obras, e inclusive, em alguns casos, revertem parte de seus lucros em prol de comprovadas ações de estímulo à leitura. Sei que a carga tributária é alta para impressão, encadernação e distribuição dos livros... Entretanto até que ponto lucrar sobre o conhecimento, que no bem da verdade é patrimonio da humanidade, ao passo que não existe mais obra original, pois tudo ou quase tudo, excluindo aí algumas publicações no campo das ciencias, já foi dito?

"Se há uma coisa que a natureza fez que é menos suscetível que todas as outras de propriedade exclusiva, esta coisa é a ação do poder de pensamento que chamamos de idéia... Que as idéias devam se expandir livremente de uma pessoa para outra, por todo o globo, para a instrução moral e mútua do homem, e o avanço de sua condição, parece ter sido particularmente e benevolmente desenhado pela natureza, quando ela as tornou, como o fogo, passíveis de expansão por todo o espaço, sem reduzir a sua densidade em nenhum ponto, e como o ar no qual respiramos, nos movemos e existimos fisicamente, incapazes de confinamento, ou de apropriação exclusiva. Invenções não podem, por natureza, ser objeto de propriedade." ~Thomas Jefferson (1813)

Fica difícil acreditar que realmente, como alguns líderes latino-americanos apregoam, o materialismo esteja sendo cada dia mais desmoralizado, pois eles mesmo se deixam levar pela ganância ao lucro, que é atitude indiscutivelmente mercantilista, materialista, capitalista. Os livros que poderiam ajudar a população a se incluir cultural e socialmente, estão cada vez mais inacessíveis e estão tornando-se artigo de luxo. Não é exagero! Existem publicações de livros confeccionados ricamente com capas duras e douradas, desenhadas, charmosas, que custam preços verdadeiramente abusivos e absurdos. Obviamente são obras destinadas aos ricos. Mas, e os livros – digamos - mais populares, por que até mesmo eles tem um preço assim tão impopular?

Grande parte da população brasileira é assalariada ou está desempregada. São pessoas trabalhadoras e honestas, pegam no batente de Sol-a-Sol; acordam cedo, dormem cedo. Pessoas que dão um duro danado e no final das contas mal conseguem reunir recurso financeiro suficiente para transporte, aluguel, água, luz, medicamentos, ou até pra alimentação, a fim de sobreviver com dignidade. Será que nossos irmãos e irmãs de jornada, menos favorecidos materialmente, permanecem fiéis ao hábito da leitura quando se sentem aviltados nas suas economias, em face da exploração comercial exacerbada do mercado editorial brasileiro?

Há pessoas que se deixam enganar com muita facilidade, acabam acreditando que “tudo que é bom tem que ser caro” e inadvertidamente ainda defendem essa idéia estapafúrdia. Da mesma forma existem muitas pessoas que vivem buscando cumprir o destino escrito na crença que "todos devemos plantar uma árvore, ter filhos e escrever um livro". Você tem filhos e planta árvores pra ganhar rios de dinheiro?

Os recentes filmes sobre a vida de Chico Xavier, e suas obras, tem faturado alto. Mas será que os que vão assistir estes filmes sabem que ao doar suas produções psicografadas, durante a sua missão do livro, o conhecido médium espírita brasileiro o fez pensando nos trabalhos em prol dos carentes e não para manter grupos de elite fechados em seus insofreáveis pendores de exploração comercial das coisas divinas, que nos vem por iluminação.

Dar de graça o que de graça receber

Nada contra o lucro, mas tudo contra o lucro abusivo. Que ser humano; digo aí humano não só como espécie mas também como entidade viva, com necessidades, sentimentos, como templo de um ser divino que habita a tudo e a todos, precisa de lucros extraordinários? Será que viver bem não basta mais, o engodo capitalista fez todos pensarem que para ter vencido na vida é precioso ser milionário? Tem gente até pior, que quer ser e é bilionária ou trilionária, claramente usurpando da riqueza comum. Quanto veludo, quanta energia, luxo e asfalto despendidos a troco da ignorancia, desinformação e aculturamento das massas... Não seria tudo; não estarão também autores, editores, os que defendem os lucros exorbitantes em qualquer ramo de negócio, e até grande parte dos leitores apenas fantoches, manipulados por uma falsa realidade criada através da manipulação midiática?

É assaz ainda lembrar a entrevista que Chico Xavier concedeu ao Dr. Jarbas Leone Varanda, publicada no jornal uberabense O Triângulo Espírita, de 20 de março de 1977 e veiculada no Livro “Encontro no Tempo”, organizado por Hércio M.C. Arantes, publicado pela Editora IDE em 1979. Chico Xavier advertiu que:

é preciso fugir da tendência à ‘elitização’ (...) É indispensável que o estudemos junto com as massas mais humildes, social e intelectualmente falando, e delas nos aproximemos (...) Se não nos precavermos, daqui a pouco estaremos em nossas Casas Espíritas, apenas, falando e explicando o Evangelho de Cristo às pessoas laureadas por títulos acadêmicos ou intelectuais (...)”.

Esta é apenas uma opinião modesta, é triste testemunhar tudo isso sem utilizar a ferramenta da indignação e propagar o que penso e sinto através deste blog, recomendando mudanças, não apenas em nível pessoal, mas amplamente, no campo das idéias. Acredito que faço a minha parte sem machucar minha consciência, graças a Deus! Pense, faça sua reflexão e sua escolha, acorde ou continue dormindo.

Independente da religião ou doutrina o Deus é um só e somos todos irmãos e irmãs de jornada. Meu objetivo primário não é ganhar dinheiro ou projeção social, é apenas fazer esta mensagem atingir o maior número de pessoas o quanto possível. É relevante a conscientização de todos quanto a importancia de compartilhar conhecimento, a evolução da espécie e do espírito humano depende da livre circulação da informação, de forma democrática.

É triste constatar que o conhecimento parece teimar em querer escolher as pessoas por suas posses, em mais uma armadilha do capitalismo selvagem e predatório. Acredito que o saber, da mesma forma que não ocupa espaço, nos vem por iluminação e deve ser distribuído de maneira o mais igualitária o quanto for possível. Acreditem, o conhecimento compartilhado é a chave para evolução humana, é o caminho que irá nos levar aos dias nos quais haverá a paz entre os povos, qualidade de vida digna para todos.

Vivemos em uma sociedade conectada em rede e também somos todos conectados espiritualmente. Se na Internet não existe um servidor central, no Astral existe um Deus, nosso 'mainframe' celestial. Todo saber emana do Criador, através da iluminação do Espírito Santo. Seguindo os ensinamentos do Cristo, Oxalá, devemos dar de graça aquilo que de graça recebemos. Compartilhe e seja feliz, pois tudo aquilo que você cobrar também lhe será cobrado, também o que você fizer um dia irá voltar para você, tenha certeza disso.

O custo dos livros em nosso país é muito alto, é verdade, custam caro demais para grande maioria da população. Entretanto até que esta situação se normalize, dentro da realidade vivida e não apenas na realidade programada, o produto editorial com preço abusivo não é motivo ou desculpa para não lermos.

Há muita coisa disponível pra download gratuito na rede, uma boa dica pra que está começando é o site http://www.dominiopublico.gov.br/. O "Portal Domínio Público" propõe o compartilhamento de conhecimento de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da Internet uma biblioteca virtual para download gratuito. Uma referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral. O portal permite a coleta, integração, preservação e o compartilhamento de conhecimento, promovendo o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal. Esta iniciativa do Ministério da Educação, lançada em 2004, contribui para o desenvolvimento da educação e da cultura, aprimorando a construção da consciência social, da cidadania e da democracia no Brasil.

Adicionalmente, o "Portal Domínio Público", ao disponibilizar informação e conhecimento de forma livre e gratuita, incentiva o aprendizado, a inovação e a cooperação entre geradores de conteúdo e usuários, ao mesmo tempo em que pretende induzir uma ampla discussão sobre as legislações relacionadas aos direitos autorais - de modo que a "preservação de certos direitos incentive outros usos", e haja uma adequação aos novos paradigmas de mudança tecnológica, da produção e uso do conhecimento.

"Uma biblioteca digital é onde o passado encontra o presente e cria o futuro."
~Dr. Avul Pakir Jainulabdeen Abdul Kalam (Presidente da Índia - 09/set/2003)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Crise terminal do capitalismo

por Leonardo Boff* - teólogo, filósofo e escritor - via Adital [reprodução]

Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários países europeus e árabes, os "indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: "não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

* Leonardo Boff é autor de Cuidar da Terra, Proteger a Vida: Como Evitar o Fim do Mundo, Record 2010

terça-feira, 5 de julho de 2011

Viral do site WikiLeaks - Existem coisas que não tem preço...

Uma paródia do fato de que empresas de cartão de crédito, e empresas de pagamento on-line, tem retidos mais de 15 milhões de dólares em doações para o site WikiLeaks.

Mais sobre Julian Assange...



Apoie o WikiLeaks: http://wikileaks.org/support.html

Via: The Daily Conversation: Follow them on Twitter: http://www.twitter.com/thedailyconvo

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Teatro e Resistência Política - Ontem e Hoje

Desde antes do golpe civil-militar de 1964, artistas, estudantes e intelectuais, unidos pelo objetivo de transformar o Brasil a partir da ação cultural, atuavam no CPC – Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes que, inspirado no pernambucano Movimento de Cultura Popular de Miguel Arraes, levou à população diversas manifestações artísticasvisando conscientizar as classes trabalhadoras a lutar pelas reformas de base e pela revolução social. Um dos principais nomes deste movimento foi Oduvaldo Vianna Filho que, com sua obra "A mais-valia vai acabar, seu Edgar", encenada no Teatro Jovem do Rio de Janeiro em 1962, dá início ao que se chamou o teatro político de resistência.

Com o golpe de 1964 e o incêndio provocado no prédio da União Nacional de Estudantes, o CPC é intensamente reprimido e dá lugar a um movimento teatral de oposição ao regime. Um conjunto de dramaturgos, entre eles Gianfrancesco Guarnieri, Carlos Estevam, Chico de Assis e Augusto Boal redigem textos que enfocam a repressão política, o papel da censura, o arrocho salarial, o milagre econômico, a supressão da liberdade, muitas vezes apelando para episódios históricos ou situações simbólicas e alegóricas.

A partir de 1969, com o Ato Institucional nº 5, a repressão e a censura ficam mais acirradas. Muitas peças são proibidas ou mutiladas. O espírito de resistência e denúncia vai unir, a partir de então, a classe teatral em assembléias, ciclos de leituras dramáticas e outras atividades.

Com a redemocratização do país em 1985, os textos políticos começam a abordar temas como a desigualdade social, a pobreza, as injustiças e a mercantilização do teatro.

O teatro de resistência continua até hoje e inúmeros grupos de jovens são os herdeiros dos combativos artistas dos anos da ditadura.

Heleny Guariba - Pra não esquecer jamais

O Teatro Resistente, neste 1º sábado do mês de julho de 2011, em solenidade no Memorial da Resistência, em São Paulo, rendeu homenagem à inesquecível diretora de teatro Heleny Ferreira Telles Guariba. Formada pela Universidade de São Paulo, fez inúmeros cursos de teatro na Europa, tendo regressado ao país em 1967 para dirigir o grupo de teatro de Santo André.

Presa em março de 1970, foi solta um ano depois, por falta de provas contra ela. Quando se preparava para prosseguir na Europa sua carreira teatral, Heleny foi novamente presa e, desde então, está desaparecida. Segundo testemunhos de companheiros de prisão, entre elas Inês Etienne Romeu, desaparecida há 40 anos, ela foi vista pela última vez em julho de 1971, na famosa casa da morte de Petrópolis.

Fonte: release: carta 'o berro' / Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política

Os Sábados Resistentes são promovidos pelo Memorial da Resistência de São Paulo e pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano.