sexta-feira, 22 de junho de 2012

#OcupaDosPovos :: Pela união da lutas sociais e independência




Nota de repudio às manobras partidárias contra tradicionais e novos movimentos 
via Occupy Brazil

O povo fica de fora, é manipulado, marcado e enganado enquanto chefes de Estado de todo o mundo, a mando de seus verdadeiros patrões, as corporações e bancos, negociam no Rio Centro o preço das florestas e oceanos; calculando lucros possíveis com ganancia e agindo com mesquinhez na hora de fazer esforços para preservar a saúde da Biosfera e a dignidade humana.

Existe resistência, sim, em toda a Terra, em todo Brasil, na periferia das cidades, nas florestas e no campo. Estamos organizados em assembleias livres, centros acadêmicos ou em formas mais tradicionais como sindicatos e movimentos sociais. Pela internet, ao redor de fogueiras, nas ruas ou em barracões, mesmo separados e diversos, compartilhamos ideais e sonhos de um mundo mais justo, livre e digno para todos.

No entanto, por diversas vezes, a resistência à violência do Capitalismo desumano e ecocida no Brasil tem sido enganada por grupos político-partidários que servem aos interesses dos grandes magnatas do mundo, mas fazem média e mídia com suas antigas bases, enquanto engessam as lutas delas. Prova disso, ao lado de tantos absurdos presenciados na Cúpula dos Povos, foi a manobra feita hoje por grupos “de esquerda” que na verdade estão a serviço do governo e do Capital, que enganaram mais de 500 manifestantes, entre grupos autônomos e representações estudantis não-alinhadas ao governo na manhã do dia 20 de junho.

Conforme articulado amplamente entre diversos grupos e indivíduos que tem acompanhado os debates da Cúpula dos Povos e as manifestações dos últimos dias na Cidade do Rio de Janeiro, hoje foi a data marcada para uma grande marcha saindo da Vila Autódromo até o Rio Centro, sede da conferencia dos chefes de Estado. Estava combinado, articulado entre grupos, que ônibus transportariam manifestantes que estão acampados e alojados em diversos pontos da cidade, como UFRJ e Ocupa dos Povo (#OccupyRioPlus20). Havia sido solicitado que as pessoas interessadas em participar do ato passassem seus nomes às “autoridades”, de modo a poderem passar pelos diversos bloqueios montado na cidade pelo Exército, de modo a chegarem até o ponto de encontro marcado para o início dessa manifestação democrática e constitucional. Tudo isso foi feito, mesmo que não haja nenhuma instrução nesse sentido no artigo 5o da Constituição Federal que versa sobre nossos Direitos Civis.

Vila Autódromo é uma comunidade consolidada e legítima que, como tantas outras no Brasil, está ameaçada pelo interesse de mega-especuladores imobiliários e seus aliados políticos que pretendem desalojar a população para a construção de megaobras olímpicas de necessidade altamente questionáveis. Durante a Rio Mais 20, a comunidade foi escondida com tapumes para que os líderes mundiais não vejam a nossa realidade. Também por isso foi escolhida como ponto de partida para a grande marcha que reúne movimentos de resistência do campo, das cidades e da floresta.

No meio do caminho, a Tropa de Choque apareceu para impedir a manifestação. Mas o revoltante é que antes disso, pessoas que deveriam estar colaborando com o movimento articularam o “furo” de mais de 10 ônibus, para esvaziar o ato, facilitar o trabalho das forças de repressão e, principalmente, evitar o encontro dos diversos grupos de resistência. A estratégia não funcionou completamente, pois muitos dos enganados por articuladores da Cúpula dos Povos conseguiram, mesmo assim se deslocar e se juntar ao movimento.

O episódio não é exceção. Constatamos que nesse momento a luta social vem sido duramente sabotada. É necessário entrarmos numa nova fase histórica de resistência. Apoiamos os movimentos campesinos que lutam por reforma agrária, apoiamos a luta indígena, quilombola, estudantil, operária, a luta por moradia, respeito e dignidade nas periferias do país. Cada grupo ou comunidade, com autonomia, deve buscar horizontalidade e independência em relação a falsos aliados e/ou líderes que jogam nos dois lados.

Nenhum partido, nenhuma central, nenhuma figura personal pode arrogar a si mesmo como depositário da herança de resistência mas que na verdade agem jogando com os dois lados, com privilegio para as classes dominantes. Ninguém tem o direito de tentar manipular ou cooptar a resistência. Pois essa resistência não nasceu há três década, mas há quinhentos anos. É a luta de Zumbi, Chico Mendes, Ganga Zumba, Paulo Freire, Cacique Nísio.

O Brasil começa a acordar. É hora de nos livrarmos de todos os grilhões internos para seguirmos na luta, unidos, todos nós estudantes, indígenas, ciberativistas, trabalhadores rurais, nações indígenas, sem teto. É hora de não nos contentarmos com migalhas. Sabemos que o problema das carências a que muitos de nós humanos estamos submetidos é resultado de má distribuição e da ganancia de uma pequena parcela da população mundial, não de produção.

É hora de voltar combater o latifúndio, que só produz miséria e destruição ambiental. Hora demudar hábitos de consumo para não ser cúmplice da opressão de ninguém. É hora de salvar as matas, rios e aquífero do veneno e da motosserra. É hora de não baixar a cabeça pra ninguém, nem confiar em falsas promessas de nenhum político. É hora ocupar os espaços, nos organizarmos de novas formas e decidirmos por nós mesmos.

As lutas do campo, do Xingu, de Rio Dos Macacos, de Pinheirinho, Vila Autódromo, Santuário dos Pajés, das Universidades Federais e de todos os focos de resistência do Brasil são uma só: a luta dos 99% contra o 1% que tudo controla.

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