segunda-feira, 31 de março de 2014

O que havia por detrás do Golpe de 64

Elite econômica que deu golpe no Brasil tinha braços internacionais, diz historiadora 



Martina Spohr, coordenadora do CPDOC/FGV, dá detalhes sobre a atuação do alto empresariado na deposição de Jango: “trabalho com a existência de uma elite orgânica transnacional e anticomunista”

Por Felipe Amorim e Rodolfo Machado, em Opera Mundi

Além de atuar no movimento civil-militar que conspirou e depôs o presidente João Goulart em 1964, a elite empresarial brasileira também manteve, ao longo de todos os anos sessenta, estreito vínculo com o capital estrangeiro, numa “relação íntima” com os interesses dos executivos norte-americanos. A afirmação é da historiadora Martina Spohr, coordenadora da área de Documentação do CPDOC da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e estudiosa do regime ditatorial que vigorou no Brasil até 1985.

Como muitos pesquisadores que se debruçam sobre o período, Martina concebe o 31 de março como um golpe classista e empresarial-militar. No mestrado, “Páginas golpistas: anticomunismo e democracia no projeto editorial do IPES (1961-1964)”, concluído em 2010 pela UFF (Universidade Federal Fluminense), Martina esmiuçou o projeto editorial do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, organização fundada com o objetivo público de defender a “livre iniciativa” e a “economia de mercado”, mas que funcionou, na prática, como um ponto de encontro de acadêmicos conservadores, empresários e militares empenhados em desestabilizar o governo de João Goulart (1961-1964).

No doutorado, em andamento na UFRJ (com uma bolsa-sanduíche na Brown University, nos EUA), Martina aprofundou a pesquisa sobre os civis que fizeram o regime militar. Por conta de seu trabalho na chefia do setor de Documentação do CPDOC/FGV, começou a colecionar indícios de que muitos dos empresários brasileiros que atuaram com destaque na conspiração pré-64 também buscavam criar uma espécie de rede empresarial anticomunista com fortes laços em todo o continente.

Um desses homens de negócios era o paulista Paulo Ayres Filho, empresário da indústria farmacêutica. Seu acervo particular — que reúne cartas, recortes de jornal, papéis importantes e cópias de grande parte da documentação do extinto Ipês-SP — foi doado, pelos herdeiros, ao CPDOC/FGV, que tradicionalmente trabalha com a organização e a preservação de arquivos particulares da elite brasileira. Esse material, tratado por Martina, faz parte do rol de fontes primárias que compõem a pesquisa provisoriamente intitulada “Elite orgânica transnacional: a rede de relações político-empresarial anticomunista entre Brasil e Estados Unidos (1961-1968)”.

“Trabalho com a existência de uma elite orgânica transnacional, que não estava só no Brasil e tinha seus braços internacionais. Personagens importantes do empresariado latino-americano estavam de alguma maneira envolvidos com norte-americanos”, afirma Martina, explicando que foi a partir de Paulo Ayres Filho, anticomunista ferrenho e um dos fundadores do Ipês, que pôde começar a mapear essa rede.

Prendeu em particular a atenção da pesquisadora uma série de correspondências “de cunho bastante pessoal, chegando mesmo a ser íntimo”, entre Ayres Filho e David Rockefeller, multimilionário e magnata do petróleo. David e seu irmão Nelson (vice-presidente dos EUA de 1974 a 1977) eram dois dos maiores entusiastas da Aliança para o Progresso, projeto político que sintetizava os interesses dessa “elite orgânica transnacional”: um programa anticomunista de integração regional levado a cabo pelos EUA no auge da Guerra Fria para lutar contra o que seus defensores chamavam de “cubanização” do continente.

Paulo Ayres Filho teve atuação destacada em um importante episódio que evidenciava o elo entre os altos capitalistas do continente. Em 1963, evento sediado em Nova York proporcionou um encontro informal de empresários das Américas congregando 67 homens de negócios de 11 países do continente. Na ocasião, cinco executivos brasileiros — quase todos importantes lideranças do Ipês — puderam estabelecer contato com os altos escalões da política e da economia dos Estados Unidos. Paulo Ayres Filho foi um deles. E o principal, diga-se: foi escolhido porta-voz do grupo de latino-americanos para encontrar pessoalmente o presidente John F. Kennedy.

Não por acaso, um dos temas preferidos pelos norte-americanos no encontro foi justamente a discussão da Aliança para o Progresso. Na documentação analisada, Martina Spohr pôde constatar que os empresários dos EUA tinham grande interesse em tornar o projeto conhecido (de maneira positiva, obviamente) no Brasil. Por outro lado, os brasileiros aproveitaram o ensejo para criticar certos aspectos da política externa econômica dos Estados Unidos que prejudicavam seus interesses comerciais.

Além disso, em entrevistas concedidas a jornais após a volta para o Brasil, também é possível perceber “uma certa militância política dos empresários brasileiros”. Uma tentativa, conforme explica Martina, de “conscientizar” a elite econômica brasileira, que se sentia “ameaçada” pelo contexto político do país. “Eles estavam chamando o empresariado a participar do processo. E os norte-americanos incentivavam esse tipo de discurso”, afirma a historiadora.

A pesquisa desenvolvida por Martina, entretanto, não fica restrita à atuação dos empresários brasileiros na conspiração que culminou com a derrubada de João Goulart. Até 1968 — ano que marca a radicalização da ditadura brasileira com a edição do AI-5, a chegada da linha dura ao poder e o consequente afastamento de muitos dos setores liberais que haviam apoiado o golpe —, Paulo Ayres Filho recorrentemente viajaria aos EUA para palestrar nas principais universidades do país, “com o objetivo de trazer algum tipo de legitimidade para o novo governo do Brasil”.

Apesar do apoio norte-americano, parcelas do establishment internacional estavam questionando o regime brasileiro pelo rompimento institucional e inconstitucional que representou o golpe de 64 e a tomada do poder pela força. “Havia uma busca desse empresariado para tentar justificar a ‘revolução’. E não só nos EUA; eles também foram para países como Alemanha e França”, assinala Martina Spohr.

”Companheiros da aliança”: selo brasileiro emitido em 14 de março de 1966 fazendo referência à Aliança para o Progresso (WikiCommons)

Ajustados e Desejaustados

Transcrição de um trecho do discurso de Martin Luther King, em 1963, na universidade de Western Michigan. Não é um sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade profundamente doente.

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Descriminalização e legalização da maconha corre o mundo

Legalização da maconha ganha impulso no mundo


AP  - 17/02/2014

MONTEVIDÉU - Em uma antiga mansão colonial na Jamaica, políticos analisam leis com menos restrições sobre o uso da maconha na terra de Bob Marley. No Marrocos, um dos maiores produtores de haxixe do mundo, dois importantes partidos políticos pensam em legalizar o cultivo da planta, pelo menos para fins médico e industrial.
Na Argentina, o chefe da agência que combate o tráfico de drogas, um padre católico que serviu muito tempo em bairros pobres, onde as drogas causam grandes estragos, pediu um debate público sobre a regulamentação da maconha.

Das Américas à Europa, ao Norte da África e além, a legalização da maconha vem sendo discutida. Principalmente depois que o Uruguai fez História como o primeiro país a legalizar a cannabis, em dezembro, seguido pelos estados de Colorado e Washington, nos Estados Unidos.

Cansados da violência associada ao tráfico de drogas e da ineficácia de práticas repressivas, os políticos estão animados com o incentivo, em sua maioria nos Estados Unidos, apesar da oposição dos conservadores. Alguns estão dispostos a testar políticas baseadas na saúde pública e não insistir na proibição, e há aqueles que vislumbram um setor potencialmente lucrativo na regulação da Cannabis.

- Vários países estão dizendo “isso nos desperta curiosidade, mas não acredito que podemos seguir esse caminho” - disse Sam Kamin, professor de Direito da Universidade de Denver, que ajudou a elaborar os regulamentos sobre a maconha no Colorado. - Aos Estados Unidos vai custar dizer “não podem legalizar, não podem descriminalizar”, porque isso está acontecendo aqui.

Os Estados Unidos, que muitas vezes condicionam a assistência a outros países para o progresso na luta contra o narcotráfico, estão sendo mais abertos a outras alternativas para essa luta.

O próprio presidente dos EUA, Barack Obama, disse recentemente à revista “The New Yorker“ que considera a maconha menos perigosa do que o álcool, e que é importante que sigam adiante com os experimentos com a legalização dos estados de Washington e Colorado, especialmente porque os negros são presos em maior proporção do que os brancos, mesmo que o nível de consumo seja semelhante.

Seu governo criticou as taxas de prisão por delitos relacionados com as drogas nos Estados Unidos e obrigou bancos a aceitarem o dinheiro de lojas quem vendem a maconha.

Estas medidas refletem o quanto mudou a posição do governo dos EUA nos últimos anos. Em 2009, o Departamento de Justiça disse que não iria perseguir as pessoas que usavam a maconha para fins medicinais. Em agosto, a agência disse que não iria mais interferir nas leis do Colorado e de Washington que regulam o cultivo e a venda de maconha para uso recreativo, mediante ao pagamento de impostos.

Funcionários do governo e ativistas de todo o mundo estão de olho e não deixam passar despercebido o silêncio do governo dos EUA diante as mudanças nesses dois estados e no Uruguai.

Existe “um sentimento de que os EUA não estão mais tão obcecados com a guerra contra as drogas como no passado” e que outras nações têm espaço de manobra para explorar outras alternativas, segundo Ethan Nadelmann, diretor da organização sem fins lucrativos "Drug Policy Alliance", com sede em Nova York.

O medo de retaliação dos EUA frustrou as reformas na Jamaica, incluindo uma campanha em 2001 para aprovar o consumo privado de maconha por adultos. Mas "as coisas mudaram", expressou Delano Seiveright, diretor da "Ganja Law Redorm Coalition-Jamaica".

No ano passado, um comitê legislativo jamaicano se reuniu com organizações a favor do consumo de maconha, em um hotel em Kingston, e discutiram os próximos passos, incluindo uma iniciativa de curto prazo para descriminalizar o porte de drogas.

Políticos influentes estão cada vez mais receptivos à ideia de limitar as restrições sobre o consumo da maconha. O ministro da Saúde disse que estava "totalmente a favor" de seu uso para fins medicinais.

Incentivados pelos experimentos do Uruguai, Washington e Colorado, legisladores de Marrocos aumentam a pressão para permitir o uso da maconha para fins médicos e industriais. Eles dizem que isso iria ajudar os pequenos agricultores, que vivem de seu cultivo, mas são obrigados a vender a planta para traficantes de drogas, sempre expostos às campanhas de erradicação.

Em outubro, legisladores do Uruguai, México e Canadá se reuniram no Colorado para ver de perto como o estado está tratando o tema. Eles visitaram um dispensário de maconha para fins medicinais e cheiraram plantas de maconha com códigos de barras, enquanto o proprietário do local acompanhava a visita.

- No México, existem espaços como este, mas patrocinados por homens armados - disse o legislador mexicano René Fujiwara Montelongo.

Não há pressão generalizada para que se legalize a maconha no México, onde dezenas de milhares de pessoas morreram em decorrência da violência do narcotráfico. Mas na Cidade do México, que é mais liberal, a ideia é suavizar ainda mais as leis, aumentando a quantidade de maconha que uma pessoa pode ter em sua posse para uso pessoal, permitindo que seja possível cultivar até três plantas e que os consumidores possam frequentar clubes para fumantes.

Os opositores, porém, temem que a legalização aumente o uso de drogas entre os jovens.

Vinte estados dos EUA permitem a maconha para fins medicinais e vários discutem a possibilidade de permitir o uso recreativo.

Alguns países europeus, como Espanha, Bélgica e República Tcheca liberaram as leis sobre a maconha, mas a Holanda, famosa por seus cafés onde é possível usar a droga, recuou e começou a fechar esses estabelecimentos que funcionam perto de escolas e proibir a venda da droga a turistas.

No entanto, existe uma campanha para legalizar o cultivo de Cannabis. Lá, é legal vender maconha, mas como não é legal cultivá-la, esses locais precisam recorrer ao mercado negro.

Na América Latina e no Caribe, onde alguns países descriminalizaram a posse de pequenas quantidades de drogas, da maconha à cocaína, há uma grande oposição à legalização.

Presidentes em exercício e ex-presidentes da Colômbia, México, Guatemala e Brasil pedem uma revisão ou até mesmo o fim da guerra contra o narcotráfico. O padre católico Juan Carlos Molina, que lidera a luta contra o tráfico de drogas na Argentina, diz que está seguindo a ordem da presidente Cristina Kirchner de mudar o foco e se concentrar no tratamento e não na repressão. Argentina também disse que está pronta para discutir abertamente sobre a possibilidade de legalização da maconha.

- Acredito que a Argentina mereça uma boa discussão sobre este tema. Nós somos capazes de fazê-lo. É uma questão fundamental para o país - disse Molina em entrevista à Rádio del Plata.

Fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/legalizacao-da-maconha-ganha-impulso-no-mundo-11619154#ixzz2xUzxjQg9


sábado, 29 de março de 2014

Espaço :: Colonização do Planeta Marte

Criar uma ocupação humana permanente em Marte, no ano de 2025, exigirá formação e treinamento Mars One - Marte 1, sediado na Holanda, anunciou hoje seus planos de construir postos avançados baseados em terra. A iniciativa irá replicar, simulando as duras condições de construção, uma isolada colônia no planeta vermelho.
 
sério. Para preparar seus futuras astronautas para a tarefa; o projeto de exploração espacial privada
Kristian von Bengston — cofundador da Copenhagen Suborbitals, é o homem a frente do esforço particular para construir e lançar um foguete sub-orbital tripulado — ele é o líder do empreendimento para estabelecer vários postos avançados de treinamento em locais ainda a serem determinados. 

Mais de 200.000 pessoas se inscreveram  para essa missão que vai colonizar Marte, mesmo sendo uma missão só de ida. Os colonizadores não voltarão à Terra. Dentre os inscritos já foram selecionados 1058 candidatos(as) aptos, destes serão escolhidos e treinados de 24 a 40 candidatos. As missões, programadas para iniciar em 2025, levarão 4 colonos (2 homens e 2 mulheres) por vez.

No momento Von Bengstone está procurando empresas de construção e patrocinadores. As primeiras colônias, inicialmente, serão simulações e não irão conter um sistema real suporte à vida, entretanto os mesmos vão ser adaptados, com implantação de novas tecnologias, de acordo com a demanda.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Codecs de vídeo para MAC OS X e Quicktime

Tal como em qualquer outro sistema operacional, para a reprodução de certo ficheiros multimídia é necessária a instalação de codecs. Bem, eu venho dar uma ajuda recomendando alguns softwares perfeitos para a função.

Codecs Mac OS X
  • Perian 1.1.4
Codecs Mac OS X
Este é o must dos codecs para Mac. É descrito como o “canivete suíço do QuickTime”. Ele permite reproduzir quase tudo no QuickTime. Aqui fica a lista completa de suporte do Perian:
  • Formatos suportados: AVI, DIVX, FLV, MKV, GVI, VP6, and VFW
  • Tipos de vídeo: MS-MPEG4 v1 & v2, DivX, 3ivx, H.264, Sorenson H.263, FLV/Sorenson Spark, FSV1, VP6, H263i, VP3, HuffYUV, FFVHuff, MPEG1 & MPEG2 Video, Fraps, Snow, NuppelVideo, Techsmith Screen Capture, DosBox Capture
  • Tipos de áudio: Windows Media Audio v1 & v2, Flash ADPCM, Xiph Vorbis (in Matroska), and MPEG Layer I & II Audio, True Audio, DTS Coherent Acoustics, Nellymoser ASAO
  • Tipos de áudio: Windows Media Audio v1 & v2, Flash ADPCM, Xiph Vorbis (in Matroska), and MPEG Layer I & II Audio, True Audio, DTS Coherent Acoustics, Nellymoser ASAO
  • Suporte AVI para: AAC, AC3 Audio, H.264, MPEG4, and VBR MP3
  • Suporte de legendas para SSA/ASS e SRT
Perian 1.1.4
Licença: Open Source
Sistema Operacional: 10.4.7 +
Download: Perian 1.1.4 [3.6 MB]
Homepage: Perian

  • Windows Media Components for QuickTime
Flip4MacO Perian consegue reproduzir quase tudo, mas é apenas “quase”. O que falta no Perian é o suporte a WMA e WMV, e a solução para isso é o Windows Media Components for QuickTime.

O Windows Media Components permite abrir ficheiros WMA e WMV diretamente no QuickTime. Há ainda o Flip4Mac, que tráz também um player.
E com isto, deve poder abrir todo o tipo de média no seu Mac. Espero que seja um post útil e fico à espera de mais sugestões.

Licença: Freeware
Sistema Operacional: Mac OS 10.4 +
Download: WM Components 2.2.3.7 [10,7 MB]
Homepage: Windows Media Components for Quick Time

quinta-feira, 27 de março de 2014

Sawabona :: O cumprimento com a mão sobre o coração

'Há uma "tribo" africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.

Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou bom".

Sawabona Shikoba!

SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
"Eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante pra mim"

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA, que é:
"Então, eu existo pra você"

segunda-feira, 24 de março de 2014

Regulamentação da maconha

Para deputado, “guerra às drogas” é um fracasso que apenas criminaliza jovens da periferia. “Parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”, acredita


Por Redação da Revista Fórum

O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) protocolou na tarde hoje (19) o projeto de lei 7270/2014 que visa regulamentar o plantio, o uso recreativo e a comercialização da maconha em todo o território brasileiro. Wyllys afirma que o “parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”.

Na defesa de seu projeto, Wyllys questiona a “legislação que proíbe a maconha e as outras drogas de um lado e, por outro lado, todo um sistema de produção e comercialização que funciona, sem qualquer impedimento, no mundo real”. O parlamentar também argumentou que quase sempre quem morre na mão da polícia ou de uma facção rival são “os pobres, favelados e na maioria dos casos, jovens negros” e que, logo depois que morrem, são substituídos e o comércio ilegal continua.

Jean Wyllys também declarou que é necessário haver um controle sobre a qualidade da substância comercializada. “Ninguém sabe a composição da droga que é vendida, sua qualidade não passa por qualquer tipo de fiscalização nem precisa se adequar a nenhuma norma, o consumidor não recebe qualquer tipo de informação relevante para a sua saúde e segurança, diversos processos de industrialização (como o prensado de maconha para fumo com amônia, altamente tóxica) são realizados sem qualquer fiscalização. Não há restrições à venda que impeçam o acesso dos menores de idade a esse comércio ilegal — seja como compradores, seja como vendedores ou ‘soldados’ do tráfico. Está tudo errado!”, criticou.

Wyllys reconheceu que o projeto é polêmico, mas disse esperar que a partir do seu PL seja realizado um debate nacional e declarou que o “Brasil precisa mudar”. Além da Câmara dos Deputados, no Senado também corre uma iniciativa que está sob relatoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que vai realizar uma série de audiências públicas podendo, posteriormente, construir um projeto de lei sobre o assunto.

Para conhecer o projeto de lei sobre a regulamentação e comercialização da maconha no Brasil, do deputado Jean Wyllys, clique aqui.

CC 3.0, exceto quando especificado ou para conteúdos reproduzidos de terceiros. O crédito à Portal Fórum é obrigatório. Por Bryan.com.br

domingo, 23 de março de 2014

Ter ou ser, eis a questão

Atualíssima, por sinal, apesar da idade do texto, escrito em 1976*.

Ter ou Ser?

No sentido e com o objetivo em mente de abordar e ampliar temas humanísticos de caráter filosófico e holístico vou fazer um resumo de uma obra sobre dois conceitos tão fundamentais que estamos em permanente imersão com eles diariamente. Tais conceitos expressam-se tão simplesmente por TER e SER .

O principal objetivo deste resumo é introduzir a análise de dois modos básicos de estar no mundo : o modo TER e o modo SER.

Somos uma sociedade de gente visivelmente infeliz: sós, ansiosos, deprimidos, destrutivos, dependentes – gente que se alegra quando matou o tempo que tão desesperadamente tentamos poupar.


A nossa experiência social é a maior alguma vez feita no sentido de resolver a questão de se o prazer poderá ou não ser uma resposta satisfatória para o problema da existência humana.

Pela primeira vez na História, a satisfação do prazer não constitui apenas o privilégio de uma minoria. Tornou-se acessível a mais de metade da população. Ser egoísta não se relaciona apenas com o meu comportamento mas com o meu caráter. Ou seja: que quero tudo para mim; que me dá prazer possuir e não partilhar; que devo tornar-me ávido, porque, se o meu objetivo é ter, eu sou tanto mais quanto mais tiver; que devo sentir todos os outros como meus adversários: os meus clientes a quem devo iludir, os meus concorrentes a quem devo destruir, os meus trabalhadores que pretendo explorar. Nunca poderei estar satisfeito, porque não existe fim para os meus desejos; devo sentir inveja daqueles que têm mais e receio daqueles que têm menos. Mas tenho de reprimir todos estes sentimentos para poder revelar-me (aos outros e a mim próprio) como o ser humano sorridente, racional, sincero e amável que toda a gente pretende ser.

A paixão pelo ter conduzirá a uma interminável luta de classes.

Na sociedade medieval, como em muitas outras altamente desenvolvidas e também nas sociedades primitivas, o comportamento econômico era determinado pelos princípios éticos. O capitalismo do século XVIII foi sujeito a uma mudança radical: o comportamento econômico foi separado dos valores éticos e humanos. Com efeito, a máquina econômica devia ser uma entidade autônoma, independente das necessidades e desejos do Homem. Foi um sistema que decorreu naturalmente e de acordo com as suas próprias leis. O sofrimento dos trabalhadores, assim como a destruição de um número sempre crescente de pequenas empresas em nome do crescimento de corporações cada vez maiores, foi uma necessidade que, ainda que pudesse ser lamentada, havia que aceitar como o resultado de uma lei natural.

O desenvolvimento deste sistema econômico não era já determinado pela pergunta: O que é bom para o Homem? Mas por uma outra: O que é bom para o crescimento do sistema?

Não é de considerar menos importante um outro fator: a relação das pessoas com a Natureza tornou-se profundamente hostil. Sendo, como somos, «fenômenos da Natureza», existindo dentro dela pelas próprias condições do nosso ser e transcendendo-a pela dádiva da razão, tentamos resolver o problema existencial desistindo da visão messiânica da harmonia entre a Natureza e a Humanidade, optando por conquistá-la, transformá-la, de acordo com os nossos interesses, até que essa conquista se tornou cada vez mais semelhante à destruição. O nosso espírito de conquista e a nossa hostilidade cegaram-nos para os fatos de que as fontes naturais têm os seus limites e podem eventualmente esgotar-se, e de que a Natureza pode voltar-se contra a violação humana.

A Sociedade Industrial despreza a Natureza. Uma nova sociedade só é possível se ao longo do processo do seu desenvolvimento surgir um novo ser humano, ou, em termos mais simples, se uma mudança fundamental ocorrer na estrutura do caráter do Homem Contemporâneo. Pela primeira vez na história a sobrevivência física da raça humana depende de uma alteração profunda do coração do Homem. Todavia, essa mudança terá de acompanhar a dimensão das alterações econômicas e sociais ocorridas, capazes de dar ao coração humano uma hipótese de mudar e coragem para o conseguir."

Numa cultura em que o objetivo supremo é o TER e ter cada vez mais até parece uma função normal da vida que para viver necessitemos de ter coisas.
TER e SER são dois modos fundamentais de experiência , a energia específica de cada um determina as diferenças entre o caráter dos indivíduos e os vários tipos de caráter social.

A grande diferença entre ser e ter é a que se estabelece entre uma sociedade centrada sobre as pessoas e uma sociedade centrada sobre as coisas. Imaginemos um indivíduo que procura a ajuda de um psicanalista e que começa assim o seu discurso: « Doutor, tenho um problema; tenho insônias e apesar de ter uma boa casa, uns filhos adoráveis e um bom casamento, tenho muitas preocupações.» O estilo do discurso mais recente indica o predominante grau de alienação. Ao afirmar «Eu tenho um problema» em vez de « Estou preocupado» a experiência subjetiva é eliminada: o eu ligado à experiência passa a ligar-se à posse. Transformei o meu sentimento em qualquer coisa que possuo: o problema. Mas «problema» é um termo abstrato para todos os tipos de dificuldades. Eu não posso ter um problema porque ele não é uma coisa que eu possua; todavia, ele pode possuir-me. Ou seja, eu transformei-me num «problema» e estou agora à mercê daquilo que criei. Este tipo de linguagem denuncia uma alienação inconsciente.

Um exemplo simples do modo de existência ser ou estar é referir uma outra manifestação do estar – a da incorporação. Incorporar uma coisa, por exemplo, comendo-a ou bebendo-a, é uma forma arcaica de possuir. Até certo ponto, durante a seu desenvolvimento, todas as crianças têm tendência a levar à boca aquilo que desejam. Esta é a forma infantil de tomar posse, quando o desenvolvimento físico não lhes permite ter outras formas de controlar os seus haveres. Consumir é uma forma de ter e talvez a mais importante de todas na atual sociedade industrial da abundância. Consumir tem características ambíguas: liberta a ansiedade, dado que aquilo que se tem não nos pode ser retirado; mas ao mesmo tempo exige que se consuma cada vez mais, porque tudo o que se consumiu depressa perde o seu caráter satisfatório. Os modernos consumidores podem identificar-se pela seguinte fórmula: Eu sou igual ao que tenho e ao que consumo.

O principal motivo pelo qual raramente vemos sinais do modo ser de existência, resulta do fato de vivermos numa sociedade voltada para a aquisição de bens e obtenção de lucros.

Os estudantes que se incluem no modo ter de existência, ouvem uma lição, escutando as palavras e entendendo a sua estrutura lógica e o seu significado. Mas o conteúdo não passou a fazer parte do seu sistema individual de pensamento, enriquecendo-o e ampliando-o.

A memória confiada ao papel é outra forma de alienar a lembrança. O escrever tudo aquilo de que queremos lembrar-nos dá-nos a certeza de ter essa informação e não tentamos gravá-la no cérebro. Estamos seguros da nossa posse; só que, quando acontece perdermos as nossas notas, perdemos igualmente a nossa memória de informações. A capacidade de lembrar abandonou-nos, quando o nosso banco de memórias se tornou uma parte exterior a nós, sob a forma de apontamentos.

Se considerarmos a multidão de informações que na sociedade contemporânea é necessário reter, teremos de considerar que uma certa dose de apontamentos e referências depositadas em livros é inevitável. Curiosamente alguns indivíduos analfabetos, ou que escrevem pouco, têm memórias, de longe, superiores, aos habitantes instruídos dos países industrializados. Entre outros fatos, isto sugere-nos que a instrução não constitui de forma alguma a tão alardeada benção, principalmente quando é utilizada na leitura de matérias que empobrecem a capacidade de experimentar e de imaginar.

Durante um diálogo enquanto as pessoas do ter confiam no que possuem , as do ser confiam no que são , de que estão vivas e de que algo de novo irá nascer, se tiverem coragem de se soltar e responder. Tornam-se totalmente vivos durante a conversa, porque não são sufocados pela preocupação ansiosa daquilo que têm. A sua vivacidade é contagiosa e muitas vezes ajuda a outra pessoa a ultrapassar o seu egocentrismo. O que é verdade para o diálogo é igualmente verdade para a leitura, que é – ou deveria ser – uma conversa entre o autor e o leitor. É claro que na leitura (do mesmo modo que na conversa) é importante quem estamos a ler (ou com quem estamos a falar). Outra diferença entre os modos de ter e ser encontra-se na forma como é exercida a autoridade. Antes de entendermos a autoridade nos dois modos, há que reconhecer que «autoridade» é um termo com dois sentidos totalmente diferentes: tanto pode ser «racional», como «irracional». A autoridade «racional» baseia-se na competência e ajuda a pessoa , que com ela aprende, a crescer. A autoridade «irracional» assenta no poder e serve para explorar o indivíduo que a ela está sujeito.

A autoridade segundo o modo ser, assenta, não apenas na competência que o indivíduo possui para executar determinadas tarefas, mas em igual medida, na própria essência de uma personalidade que atingiu um elevado grau de evolução e integração. Tais seres irradiam autoridade e não necessitam de dar ordens, ameaçar ou subornar. São indivíduos altamente desenvolvidos que demonstram, através do que são- e não pelo que dizem ou fazem – tudo o que os seres humanos podem vir a ser."

Ter conhecimento e saber

A diferença entre os modos de ter e ser na área do conhecimento é formulada em duas expressões: «eu tenho conhecimento» e «eu sei».Ter conhecimento é tomar posse e manter o conhecimento disponível (informação); Saber é fundamental e serve apenas como um meio durante o processo de pensamento criativo.

O Amor

O amor tem igualmente dois significados, que dependem de nos referirmos ao modo ter ou ser.
Pode ter-se amor? Para que tal fosse possível, ele teria de ser uma coisa, uma substância passível de ser possuída. A verdade é que não existe essa coisa chamada «amor». «Amor» é uma abstração, talvez uma deusa ou um ser de natureza diferente, embora nunca ninguém o tenha visto. Na verdade existe apenas o ato de amor. Amar é uma atividade criadora. Supõe preocupação com o outro, conhecimento, resposta, afirmação, gosto pela pessoa, a árvore, o quadro ou a idéia que se ama. Implica trazer à vida, aumentar a alegria, dele ou dela. É um processo de auto-renovação e autocrescimento.

As normas pelas quais a sociedade se rege, moldam também os traços de caráter social dos seus membros. Numa sociedade industrial eles são: o desejo de adquirir propriedades, de as manter e de as aumentar, ou seja, de extrair delas o lucro, e os proprietários são admirados e invejados como seres superiores. Mas a grande maioria das pessoas não tem qualquer propriedade no sentido de capital e de bens capitais e uma questão intrigante se coloca: como podem tais pessoas satisfazer ou mesmo enfrentar a sua ânsia de aquisição e posse de propriedade, ou como se podem sentir possuidores quando não têm absolutamente nada que lhes permita, neste contexto, referenciarem-se.

É claro que a resposta óbvia é que mesmo os indivíduos pobres em propriedades possuem qualquer coisa, e prendem-se às suas pequenas posses do mesmo modo que os donos do capital se prendem às suas. E tal como eles, os pobres vivem obcecados pelo desejo de preservar o que têm e de o ver aumentado, ainda que uma quantia ínfima poupando um escudo aqui, um escudo ali).

Talvez a maior satisfação não resida tanto na posse de bens materiais quanto na de seres vivos. Numa sociedade patriarcal, até o mais pobre dos homens da classe mais miserável pode ser proprietário, no seu relacionamento com a mulher, os filhos, os animais, em relação aos quais se sente dono absoluto.
Quer o objeto que se adquire seja um automóvel, um vestido ou um acessório, após algum tempo de uso, as pessoas cansam-se dele e é mais atraente desfazer-se do «antigo» e comprar o «último modelo». Aquisição posse e uso transitório deitar fora (ou, se possível, troca vantajosa por um modelo melhor) nova aquisição, constituem o ciclo vicioso da compra consumista, e o lema de hoje, poderia ser:«O novo é belo».

Talvez o exemplo mais gritante do fenômeno do consumismo seja o automóvel privado. O nosso tempo merece ser apelidado de «Idade do Automóvel», pois toda a sua economia tem sido construída à volta da sua produção, e toda a nossa vida é, em grande parte, determinada pela subida e descida do mercado de consumo automóvel.

O sentimento de propriedade manifesta-se, igualmente, noutros tipos de relação, por exemplo, para os médicos, dentistas, advogados, patrões, trabalhadores. As pessoas no seu discurso referem-se a eles como «o meu médico», «o meu dentista», «os meus empregados», etc., mas para além da sua atitude de posse em relação aos outros seres humanos, experimentam, igualmente, esta atitude com um número infindável de objetos. Vejamos, por exemplo, a saúde e a doença. Cada um fala da sua saúde com um absoluto sentimento de propriedade, referindo-se às suas doenças, às suas operações, aos seus tratamentos, aos seus medicamentos, às suas dietas. Consideram claramente a saúde e a doença como propriedades.

Ainda que me pareça ter tudo, eu não tenho – na realidade – nada, dado que as minhas posses e o meu controlo sobre um objeto não passam de um momento transitório durante o processo de viver.

Em resumo, a frequência e intensidade do desejo de partilhar, dar e sacrificar não devem surpreender-nos se levarmos em conta as condições de existência da espécie humana. O que é surpreendente é o fato de esta necessidade ter podido ser reprimida ao ponto de fazer dos atos de egoísmo a regra, nas sociedades industriais e de fatos de solidariedade a exceção. Mas, paradoxalmente, este mesmo fenômeno é causado pela necessidade de união.

Uma sociedade cujos princípios são a aquisição, o lucro e a propriedade, produz um caráter social orientado para o ter e, uma vez estabelecido o padrão dominante, ninguém quer um marginal ou um proscrito; a fim de evitar este risco, todos se adaptam à maioria, que tem apenas em comum o antagonismo mútuo.

Como consequência desta atitude preponderante de egoísmo, os dirigentes da nossa sociedade acreditam que as pessoas podem ser motivadas apenas pelo incentivo de vantagens materiais, ou seja, através de recompensas e que não reagirão aos apelos da solidariedade e do sacrifício. Portanto, com exceções dos tempos de guerra, estes apelos raramente são feitos, e as hipóteses de observar os possíveis resultados perdem-se por completo.

Apenas uma estrutura socioeconômica e um quadro da natureza humana radicalmente diferentes poderiam mostrar outra maneira de influenciar positivamente as pessoas.

* Erich Fromm

fonte, com algumas correções: http://www.dhnet.org.br/direitos/filosofia/erich_fromm_ter_ser.pdf

sexta-feira, 21 de março de 2014

Jesus é o 3º personagem histórico mais famosos do mundo

Ranking dos famosos foi preparado pelo Laboratório de Mídias do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Projeto Pantheon mapeou a produção cultural na Terra toda de 4.000 a. C. até 2010


Aristóteles, o filósofo grego, é a pessoa mais famosa do mundo. E Jesus Cristo está no terceiro lugar. Este é o ranking dos famosos, segundo um projeto criado para mapear a produção cultural do planeta pelo Laboratório de Mídias do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos Estados Unidos. O trabalho listou as pessoas que mais influenciaram a cultura no mundo.

O Projeto Pantheon coletou e analisou dados sobre a produção cultural na Terra toda de 4.000 a. C. até 2010. Devido à diversidade da produção cultural, o projeto estará sempre inacabado, informa seu site. “Essa incompletude, porém, é o combustível que leva nossa equipe a estar continuamente compilando, refinando, analisando e visualizando novos dados”, informou um comunicado do MIT, sediado na cidade norte-americana de Cambridge.

O Pantheon foi construído a partir de dados coletados na Wikipedia e na Freebase (base de dados preparada de forma colaborativa) e de informações de um livro sobre artistas e cientistas que mais contribuíram para a humanidade de 800 a. C. até 1950. A esses dados são aplicadas fórmulas matemáticas que dão peso às citações.

Pesquisas

No site do projeto, as pesquisas podem ser realizadas por país, época ou área cultural.
É possível procurar os jogadores mais famosos do Brasil ou as maiores estrelas pornôs do mundo. Segundo a equipe do projeto, você é famoso se uma página da Wikipedia em seu nome existe em mais de 25 idiomas.

O trabalho do MIT pode ser consultado no endereço na Internet, http://pantheon.media.mit.edu. (das agências de notícias).

Ranking dos mais famosos desde 4.000 a.C

1. Aristóteles
2. Platão
3. Jesus Cristo
4. Sócrates
5. Alexandre, o Grande
6. Leonardo Da Vinci
7. Confúcio
8. Júlio César
9. Homero
10. Pitágoras

Jogadores de futebol mais famosos

1. Cristiano Ronaldo (Portugal)
2. Pelé (Brasil)
3. Lionel Messi (Argentina)
4. Ronaldo (Brasil)
5. Ronaldinho (Brasil)
6. Diego Maradona (Argentina)
7. Zinedine Zidane (França)
8. David Beckham (Inglaterra)


Fonte: pantheon.media.mit.edu via O Povo Online e Genizah
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike

quinta-feira, 20 de março de 2014

O Futuro do Planeta Terra

Ciência ainda não sabe se o mundo terminará no céu ou no inferno


O texto traz a resenha de dois livros, digamos, "futurólogos", escrita por Helio Schwartsman num artigo pra lá de interessante publicado na Folha de S. Paulo de 19/05/13:


Por que o inferno é aqui, e o paraíso, também

RESUMO: O estudo de sistemas complexos, tão caro à ciência atual, está na origem de dois livros que tecem prognósticos opostos sobre o futuro da humanidade. Enquanto para John Casti os avanços tecnológicos podem nos levar ao descontrole e ao fim, para Peter Diamandis e Steven Kotler, eles nos aproximam de uma era de abundância.

O fenômeno é o mesmo --a complexidade--, mas, para um autor, ela trará a redenção da humanidade, na forma de energia e recursos inesgotáveis, enquanto, para o outro, implicará o colapso geral da sociedade. Para tornar as coisas um pouco mais complexas, é perfeitamente razoável sustentar que ambos estão certos.

Se queremos tornar a discussão pelo menos inteligível, convém começar pelo começo.

Numa definição para lá de problemática, "complexidade" é o termo que usamos para caracterizar sistemas compostos por muitas partes, que interagem de diversas maneiras, produzindo resultados que vão além da soma de seus componentes e são frequentemente imprevisíveis. O estudo de sistemas complexos e seus parentes, como a teoria do caos, emergência, dinâmicas não lineares, auto-organização, comportamento coletivo, abordagens holísticas etc., é a nova coqueluche da ciência.

O problema com a complexidade, como já insinuei no parágrafo acima, é que, além de ser complicada, ela anda perigosamente perto da imprevisibilidade ou, pelo menos, de diferentes graus de opacidade em relação ao futuro.

Para tornar o conceito um pouco menos abstrato, vale recorrer a um exemplo concreto. Pense numa carroça. Ela não é muito complexa. Você olha para o boi, as rodas, o eixo etc. e entende mais ou menos o que faz cada parte. Se ela quebrar, você pelo menos sabe qual peça precisa ser reparada ou substituída. Considere agora um avião moderno. Ele é complexo. Nenhuma de suas partes voa, mas elas interagem de forma a que o aparelho possa fazê-lo. E nem pense em consertar em casa o seu Airbus.

A complexidade não se limita a engenhocas. Ela também está presente em fenômenos naturais, como a meteorologia, e, principalmente, humanos. Há poucas coisas mais complexas do que a economia, por exemplo. Nela, milhões de agentes fazendo a mesma coisa quase sempre produzem efeitos qualitativamente diferentes dos que geraria uma única pessoa agindo deste modo.

INFERNO

4 veículos com diferentes níveis de complexidade
Como a complexidade se relaciona à destruição ou à salvação da nossa espécie? Seguindo o modelo de Dante, comecemos pelo Inferno. Aqui, nosso guia não é o poeta Virgílio, mas o matemático John Casti, especializado em teoria dos sistemas, que já lecionou em Princeton e nas universidades do Arizona e de Nova York, autor de "O Colapso de Tudo" [trad. Ivo Korytowski e Bruno Alexander, Intrínseca, 352 págs., R$ 29]. O subtítulo da edição brasileira é ainda mais ameaçador: "Os Eventos Extremos que Podem Destruir a Civilização a Qualquer Momento".

A primeira parte da obra traz uma explicação razoavelmente didática da complexidade e apresenta a noção de eventos X, que são acontecimentos relativamente raros, muito difíceis de prever (senão quanto ao "o quê", pelo menos quanto ao "quando") e que causam enorme impacto para grande número de pessoas. Estamos falando de coisas no patamar do 11 de Setembro ou da crise de 2008.

Não pretendo chatear o leitor descrevendo as propriedades matemáticas da complexidade e como ela se relaciona com os teoremas da incompletude de Gödel, mas creio que vale a pena destacar alguns dos sete princípios elencados por Casti, já que eles nos ajudam a entender melhor com que bicho estamos lidando.

O primeiro, que leva o nome de emersão, é justamente o fato de o todo diferir da soma das partes, como é o caso do seu Airbus.

O segundo princípio a merecer algum detalhamento é o mundialmente famoso efeito borboleta, um emblema da teoria do caos. A história de sua descoberta já revela suas propriedades.

O matemático Edward Lorenz testava modelos meteorológicos nos primeiros computadores --era 1960. Em certa ocasião, resolveu projetar cálculos no futuro, mas se serviu de dados que tinha numa planilha impressa para alimentar a máquina, em lugar de refazer tudo desde o princípio. No fim, os resultados do modelo original não batiam com os das projeções.

A diferença, Lorenz perceberia, tinha origem prosaica: na primeira conta, os dados numéricos iam até a sexta casa decimal, enquanto nas projeções iam só até a terceira, devido ao limite da impressora.

A diferença entre a terceira e a sexta casa --digamos, a diferença entre os números 0,506127 e 0,506-- bastou para "produzir" climas totalmente distintos. Como ela era pequena demais para ser detectada pelos instrumentos meteorológicos existentes à época, Lorenz concluiu que teria sido possível que o bater de asas de uma gaivota provocasse, semanas mais tarde, um furacão do outro lado do mundo. A gaivota, para fins poéticos, virou borboleta, o que não mudou o conceito que diz que sistemas caóticos são patologicamente sensíveis a mudanças minúsculas no estado inicial.

O terceiro princípio que me parece mais relevante é a chamada lei da variedade necessária. Ela basicamente postula que, numa interação entre dois ou mais sistemas, aquele encarregado de exercer a regulação sobre o(s) outro(s) precisa ter pelo menos o mesmo nível de complexidade do(s) controlado(s). Se eles estão em patamares diferentes, é muito possível que sobrevenha um evento X para reequilibrar o jogo.

Um exemplo concreto é o do coletor de impostos. De um modo geral, ele conta com uma variedade de ações para cobrar que é muito menor do que as disponíveis para contadores, advogados e contribuintes evitarem o pagamento.

Como não é muito sábio conferir superpoderes a agentes públicos, a melhor forma de reduzir a diferença é diminuir a variedade de instrumentos ao alcance dos sonegadores. Isso se faz reduzindo a quantidade de leis, decretos, portarias e regimes de exceção (a complexidade) do sistema tributário.

TRAGÉDIAS

Deixemos, porém, as questões teóricas e passemos ao ponto alto do livro de Casti, que é o guia das tragédias prestes a nos atingir. São 11 capítulos que fazem a alegria dos pessimistas, mostrando tudo o que pode dar errado. Os títulos e/ou subtítulos das seções são autoexplicativos: apagão digital, o esgotamento do sistema global de alimentos, um pulso eletromagnético destrói todos os aparelhos eletrônicos, o colapso da globalização, destruição da Terra pela criação de partículas exóticas, a desestabilização do panorama nuclear, o fim do suprimento global de petróleo, uma pandemia global, falta de energia elétrica e de água potável, robôs inteligentes sobrepujam a humanidade, deflação global e o colapso dos mercados financeiros mundiais.

São precisos altos níveis de paranoia para levar muito a sério certos cenários descritos pelo autor, como aquele em que um colisor de partículas acaba criando um buraco negro que suga o nosso planeta para sabe-se lá onde, ainda que eles sejam teoricamente possíveis.

Mas mesmo um realista tranquilo tem de admitir que vários dos casos levantados são não apenas verossímeis como prováveis. Ainda que não na escala imaginada por Casti, vários países já foram atingidos por blecautes mais ou menos generalizados. O problema fundamental é que os avanços tecnológicos cada vez mais complexos dos quais nos tornamos dependentes nos tornam extremamente vulneráveis a falhas nos sistemas.

Pior: como os próprios sistemas tendem a integrar-se e tornar-se dependentes uns dos outros, nossa vulnerabilidade aumenta: muitos dias sem energia significam não só falta de luz, mas também de água (que é bombeada), alimentos (que precisam ser resfriados), comunicações etc. Os distúrbios podem ser raros, isto é, os sistemas são individualmente seguros, mas, se dermos tempo suficiente, é certeza que eles ocorrerão.

Phytophthora ramorum, a praga
Para dar uma ideia mais precisa de "colapso", vejamos mais de perto o que ele tem a dizer sobre a falta de comida que cedo ou tarde nos matará a todos. Casti começa o capítulo lembrando que existem pragas botânicas e cita o terrível fungo Phytophthora ramorum, que pode destruir florestas inteiras de árvores e pula de uma espécie para outra. Imagine agora uma mutação no Phytophthora que o torne capaz de infectar grãos e não apenas árvores, e os dias da humanidade estão contados.

Na sequência, ele se põe a analisar outras ameaças que pairam sobre as culturas vegetais, como a misteriosa morte das abelhas (que são agentes polinizadores), a escassez de água, a erosão dos solos, as mudanças climáticas, o aumento dos preços de petróleo e a maior produção de biocombustíveis, o crescimento da população. Nesse mundo, até uma boa notícia, como o enriquecimento de nações mais pobres (e o consequente crescimento da demanda), se torna um problema.

Antes de comprar seu jazigo no cemitério mais próximo, convém dar uma olhadela no outro lado da complexidade. Para nos servir de guia na viagem ao paraíso, escolhi não Beatriz, mas Peter Diamandis e Steven Kotler, autores de "Abundância - O Futuro É Melhor do que Você Imagina" [trad. Ivo Korytowski, HSM, 424 págs., R$ 69].

Diamandis é um milionário com formação em engenharia espacial, genética e medicina. Kotler é jornalista científico. Ambos são seguidores do futurólogo Ray Kurzweil e membros ativos da Singularity University (SU), o "think tank" que pretende promover tecnologias que revertam para o bem da humanidade.

Quem leu "Cândido", de Voltaire, deve se lembrar do dr. Pangloss, o personagem doentiamente otimista inspirado em Leibniz. Pegue o otimismo de Pangloss, eleve-o a uma potência bem grande e você chegará perto do que diz o pessoal da SU. Para eles, estamos prestes a entrar numa era de superabundância, na qual tecnologias tornarão itens essenciais tão baratos que todos os habitantes da Terra terão acesso a bens e serviços até há pouco ao alcance apenas dos muito, muito ricos. E tudo isso no horizonte de uma geração.

O motor de tamanho progresso é a complexidade, mais especificamente o caráter exponencial do desenvolvimento tecnológico. Vale a pena dedicar algumas linhas a explicar melhor esse conceito.

Não faz muito tempo, o mundo era um lugar linear. Um músico até o século 19, por exemplo, recebia pelo número de execuções que fosse capaz de fazer. Sua plateia era limitada ao número de assentos no local de exibição e, se ele queria um par de trocados a mais, tinha de fazer uma apresentação extra.

Vieram, porém, o fonógrafo, a indústria do entretenimento, os computadores e entramos num universo exponencial. Hoje, um músico pode ficar milionário compondo uma única peça que faça sucesso. A casa cheia do mundo exponencial já não se restringe ao número de cadeiras no teatro, mas aos milhões, talvez até bilhões de terrestres que se disponham a baixar a canção em seus iPods.

A contrapartida disso é que a vida ficou mais difícil para os profissionais que não tiram a sorte grande (a maioria deles). Antes, eles tinham uma espécie de reserva de mercado, que era dada pela proximidade física necessária para escutar os sons emitidos pelos instrumentos. Essa barreira foi rompida. O trompetista do bar de jazz perto da sua casa concorre com todos os trompetistas do mundo, cujas performances estão disponíveis na internet.

LEI DE MOORE

A tecnologia, muito mais do que os músicos, se beneficia desse caráter exponencial. A rapidez e a precisão do computador para fazer contas permitem a criação de programas mais sofisticados, que ajudam a produzir componentes mais eficientes, que melhoram a performance dos computadores, que... No final do processo, temos coisas como a Lei de Moore, segundo a qual os aparelhos dobram sua rapidez a cada 18 meses. E pelo mesmo preço.

Isso, é claro, tem impacto na vida das pessoas. Num exemplo citado pelos autores, hoje, um guerreiro massai com seu smartphone tem acesso a mais informações do que dispunha o presidente dos EUA apenas 15 anos atrás.

Para Diamandis e Kotler, revoluções semelhantes estão para acontecer no acesso a água, alimentos, energia, educação e saúde. No que é provavelmente o aspecto mais interessante do livro, a dupla descreve dezenas de pesquisas, algumas bem adiantadas, que poderão em breve mudar a face do mundo. São coisas como membranas que dessalinizam a água, carne (sem colesterol) sintetizada em tubos de ensaio, reatores nucleares portáteis (e seguros) e telefones celulares que realizam exames de sangue e fornecem diagnósticos de doenças a seus donos.

No ensino, eles preveem nada menos do que "educação praticamente gratuita e personalizada para qualquer um em qualquer lugar". Isso seria possível graças à convergência da "computação infinita com a inteligência artificial, a banda larga ubíqua e os tablets de baixo custo". Evidentemente, uma população muito mais instruída seria capaz de fazer a tecnologia avançar muito mais.

Num exemplo bem escatológico, Diamandis e Kotler falam da verba que a Fundação Bill e Melinda Gates disponibilizou para reinventar a privada. A ideia aqui é desenvolver tecnologias que permitam às pessoas ir ao banheiro sem gastar água nem precisar construir esgotos e, é claro, sem contaminar todos à sua volta.

Em teoria, é possível queimar a matéria fecal e produzir energia suficiente para transformar a urina em água potável e alguns poucos resíduos sólidos. Na verdade, como a queima das fezes expelidas por um ser humano típico dá um megajoule por dia, até sobraria um pouco de energia para carregar o seu celular. As tecnologias para isso já existem. O desafio é juntar tudo a um preço acessível.

Vale destacar aqui que o mentor Kurzweil vai além do que dizem os autores de "Abundância" e prevê para breve uma singularidade tecnológica, na qual o passo dos avanços seria "tão rápido que pareceria infinito". Isso culminaria na criação de uma superinteligência artificial, que nos permitiria manipular características humanas como o desempenho intelectual e sensorial, levando a uma era transumana. Evidentemente, aqui já nos afastamos do terreno das especulações inspiradas na ciência para nos aproximar perigosamente da religião em estado puro.

Quem tem razão? Casti ou a dupla Diamandis/Kotler? O colapso ou a singularidade?

Como destacamos no início do texto, ambos são consequências lógicas possíveis da maior complexidade tecnológica que trouxemos para nossas vidas. Excluídos os cenários mais catastróficos, que impliquem a extinção da humanidade, dificilmente poderemos cravar que um dos lados tenha triunfado.

A razão é que não há linha de chegada definida. Eventos X deverão se alternar com conquistas tecnológicas com potencial para transformar nossas vidas, condenando-nos a uma espécie de maldição de Cassandra, na qual as previsões mais otimistas serão desmentidas por acontecimentos trágicos, e visões muito pessimistas serão rechaçadas por avanços claros.

Por ora, Diamandis/Kotler estão com a vantagem. Para começar, nós ainda estamos aqui. De resto avanços científicos e tecnológicos respondem pelo fato de vivermos hoje mais e, em termos materiais, muito melhor do que nossos antepassados. A expectativa de vida ao nascer saltou de 26 anos na Idade do Bronze para quase 70 anos hoje, chegando a 80 nos países desenvolvidos. A captura de calorias passou de cerca de 2.000 por pessoa por dia, a alimentação mínima necessária para sobreviver, para perdulários 228 mil no Ocidente.  

fonte: reprodução do blog  "o contorno da sombra" (sin permisso)

sexta-feira, 14 de março de 2014

Extrema direita e grupos neonazistas ganham espaço na Europa

A nova cara do conservadorismo: com grupos neonazistas, a extrema direita conquista espaço na Europa  ::  Quando a esquerda tem muito pouco a oferecer em alternativa ao escalpo de empregos e direitos sociais, o extremismo fascistoide fala grosso em seu lugar


As notícias sobre os distúrbios na Ucrânia no mês de fevereiro preocuparam não apenas pelo número de vítimas ou por questões geopolíticas, mas também por terem servido de alerta à obstinação de neonazistas entre a extrema direita no segundo maior país da Europa. Manifestações antissemitas e xenófobas, aliadas a uma forte rejeição ao passado soviético: bandeiras da SS nazista foram, durante os protestos, colocadas sobre a estátua tombada de Lênin.

Em meio a pichações da suástica e explosões perto das sinagogas, rabinos alertaram sobre possíveis ataques à comunidade judaica, estimada em 200 mil judeus, a terceira maior da Europa.

Entre os manifestantes com distintas reivindicações, estão os da extrema direita. Parte dela – e daqueles que definem a si mesmos como neonazistas – se concentra no partido Svoboda (Liberdade). O que preocupa, apesar do argumento de que os extremistas são uma minoria, é justamente o fato de a legenda ter representação parlamentar – 37 cadeiras. E essa onda está “apenas começando”. Pelo menos é o que afirma uma liderança do Right Setor, outro grupo ultranacionalista que despontou na Ucrânia e que promete “a grande reconquista”, apoiando-se nos valores da família e na moral cristã. Clique aqui para assistir à declaração do grupo (legendas em inglês).

O Right Setor e o Liberdade, membro da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus (AMNE), que reúne partidos nacionalistas conservadores daquele continente, não estão sozinhos. A ascensão da extrema-direita e de grupos neonazistas despertou o temor de que, com a crise econômica, a correlação de forças na Europa se iguale àquelas que sucederam a Primeira Guerra Mundial.

Há cada vez mais partidos de direita e de extrema-direita, além do crescimento de organizações neonazistas que conseguem se firmar como partido. Em sua mira, estão os jovens afetados pelo desemprego.

Na Grécia, por exemplo, destacou-se depois da crise econômica o partido extremista conservador Aurora Dourada, fundado em 1985. Em 2012, ele conseguiu eleger 18 entre 300 Parlamentares. Seu principal discurso se baseia na xenofobia: se as fronteiras do país forem fechadas e se todos os imigrantes forem expulsos, os postos de trabalho serão retomados pelos gregos. Na Grécia, uma das principais portas de entrada dos imigrantes na União Europeia, já é possível contabilizar agressões a estrangeiros, e seus autores se proclamaram membros da Aurora Dourada.

Na França, Marine Le Pen, líder do partido Frente Nacional, é a cara da extrema direita no país. Membro do Parlamento Europeu desde 2004, obteve 18% dos votos no primeiro turno das últimas eleições presidenciais, em 2012. Marine segue os passos do pai, líder histórico da legenda, Jean-Marie Le Pen que, em 2002, chegou ao segundo turno com Jacques Chirac. Acompanhando o atual conservadorismo europeu, ela apoia seu discurso na xenofobia e tenta desvencilhar a imagem do partido como simpatizante do nazismo. Seu pai, em 1987, havia classificado as câmaras de gás de Hitler como um “detalhe da história”. Com a crise, sua tese é de que, com o desemprego, o país não pode mais receber estrangeiros, ainda que a situação deles seja dramática. É crítica também à presença de massiva de muçulmanos na sociedade francesa. Para ela, as orações realizadas nas ruas, provocadas pela falta de mesquitas, são como uma “nova forma de ocupação”, semelhante à dos alemães nazistas.

No Reino Unido, é a vez do Partido da Independência (UKIP), com a defesa de fechar as fronteiras e deixar a União Europeia. Com nove cadeiras no Parlamento Europeu, conquistadas nas eleições de 2009, não tem representação no Parlamento britânico, mas conseguiu aproximadamente 25% do total de votos municipais nas eleições de 2013, segundo estimativa feita pela BBC.

Na Alemanha, onde partidos neonazistas são proibidos, existem organizações que atuam clandestinamente, como a NSU (Clandestinidade Nacional-Socialista, na sigla em alemão).

O governo alemão já admitiu, em diversas ocasiões, dificuldade em controlar essas instituições. Recentemente, dados de uma pesquisa do Ministério do Interior divulgada em artigo publicado na Carta Maior (Racismo na Alemanha) revelam que um em cada sete adolescente alemães, 14,4% do total, se consideram “muito racistas diante dos estrangeiros”, e 30% responderam “sim” ao serem questionados se há estrangeiros em excesso no país. A pesquisa mostrou também que 5% dos 44.600 jovens de quinze anos são membros de algum grupo de extrema direita e que 6.4% dos adolescentes homens têm pontos de vista antissemita.

Em dezembro de 2013, um dos partidos da extrema-direita alemã, o Partido Nacional Democrático (NPD), fundado em 1964, enfrentou um processo judicial por denúncia de proximidade ideológica ao nazismo. Com xenofobia extrema, seu discurso se concentra em ciganos e muçulmanos. O partido promete não descansar até que seja fechado o último albergue para imigrantes, pois temem um dia se tornarem “estrangeiros” em seu próprio país. No contexto da crise, desde 2011 o número de imigrantes a ingressar no continente europeu por conta do conflito na Líbia e na Síria. Do continente africano, tentam entrar pela Espanha, França, Itália e Grécia principalmente.

Na Noruega, o neonazismo chamou atenção para um problema latente em 2011, quando o jovem Anders Behring Breivik cometeu um atentado que matou 77 pessoas. Autor de um manifesto, se autodenomina nazista e foi condenado a 21 anos de prisão. Na ocasião, se desculpou com os seguidores por não ter conseguido mais vítimas.

Atualmente, bem como no passado, o extremismo conservador mostra seu poder de apelo magnificado pela rendição de parte da esquerda, que se ofereceu ao capital como “gestora confiável da crise”.

A verdade é que na Europa, como no resto do planeta – e com raras exceções na América Latina – o programa da esquerda tem nada ou muito pouco a oferecer em ternos de alternativa ao escalpo de empregos, direitos sociais e conquistas trabalhistas com o qual as elites e organismos internacionais pretendem exorcizar o maior colapso do capitalismo desde 1929. Quem fala grosso em seu lugar é o extremismo fascistoide, cujo discurso oferece as soluções radicais de um cardápio histórico conhecido, sendo a “caça aos miseráveis que concorrem com os nossos miseráveis”, o prato de resistência mais popular. Já contra o grande capital, nada; ou melhor, parceria remunerada pela vigilância bélica da ordem.

*Foto: Internet / Wikimedia Commons

quinta-feira, 13 de março de 2014

Segurança, conceito controverso

Como os EUA arriscam a proteção dos seus cidadãos, e se isolam internacionalmente, para proteger grandes corporações e o poder do Estado. 

por NOAM CHOMSKY

Um princípio orientador da teoria das relações internacionais diz que a maior prioridade do Estado é garantir a segurança. Como estratégia da Guerra Fria, George F. Kennan formulou que os governos são criados “para garantir a ordem e a justiça internas e para assegurar a defesa comum.” A proposição parece plausível, quase evidente, até que um olhar mais atento pergunte: Segurança para quem? Para a população em geral? Para o próprio poder do Estado? Para os setores dominantes na sociedade?

Dependendo do que queremos dizer, a credibilidade do princípio varia de desprezível a muito alta. A segurança do poder do Estado é extremamente alta, como revelam os esforços que os Estados desenvolvem para não serem transparentes às suas próprias populações.

Numa entrevista na TV alemã, Edward Snowden contou que chegou ao seu “ponto de rutura” ao “ver o diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, negar, sob juramento do Congresso”, a existência de um programa de espionagem interna conduzida pela Agência de Segurança Nacional. Snowden afirmou que “o público tinha o direito de saber desses programas. O público tinha o direito de saber o que o governo está a fazer em seu nome e contra ele”. O mesmo poderia ser dito por Daniel Ellsberg, Chelsea Manning e outras figuras corajosas que atuaram segundo o mesmo princípio democrático.

A posição do governo é bem diferente: o público não tem o direito de saber, porque a segurança seria severamente prejudicada. Existem boas razões para ser cético diante de tal resposta. A primeira é quase totalmente previsível: quando um ato de governo é revelado, o governo, por reflexo, declara motivos de segurança. Em consequência, o resultado é pouca informação.

Uma segunda razão para o ceticismo é a natureza das provas apresentadas. O estudioso de relações internacionais John Mearsheimer escreveu que “o governo Obama, previsivelmente, alegou a princípio que a espionagem da NSA teve um papel fundamental em frustrar 54 planos terroristas contra os Estados Unidos, o que implica que violou a quarta emenda à Constituição por um bom motivo”.

Isso era mentira, no entanto. O general Keith Alexander, diretor da NSA, admitiu ao Congresso que poderia reivindicar apenas um caso bem-sucedido [em que uma ação terrorista foi frustrada por espionagem]: o que envolveu a captura de um imigrante somali e três comparsas que vivem em San Diego e tentaram enviar 8,5 mil dólares a um grupo terrorista na Somália…

A visão básica por trás desta atitude foi bem expressa pelo cientista político Samuel P. Huntington, de Harvard: “Os arquitetos do poder nos Estados Unidos devem criar uma força que possa ser sentida, mas não se veja. O poder permanece forte quando no escuro; exposto à luz do sol, começa a evaporar”.

Nos Estados Unidos, como em outros lugares, os arquitetos do poder compreendem isso muito bem. Aqueles que trabalharam com a enorme massa de documentos confidenciais na história oficial das Relações Exteriores dos Estados Unidos, por exemplo, dificilmente podem deixar de notar que, muito frequentemente, a principal preocupação não é a segurança nacional, em qualquer sentido, mas a segurança do poder do Estado.

Muitas vezes, a tentativa de manter o sigilo é motivada pela necessidade de garantir a segurança de setores sociais poderosos. Um exemplo são os “acordos de livre comércio”, rotulados de forma errada porque não são sobre o comércio como um todo e sim sobre os direitos dos investidores.

Estes instrumentos são regularmente negociados em segredo, como a atual Parceria Transpacífica (Trans-Pacific Partnership – TPP) mas não totalmente em segredo, é claro. Eles não são segredo para as centenas de lobistas corporativos e advogados que estão a escrever as disposições detalhadas, cujo impacto foi revelado para o público através do WikiLeaks.

Como o economista Joseph E. Stiglitz concluiu, o Escritório de Representantes do Comércio dos EUA “representa os interesses corporativos”, não os do público: “A probabilidade de que o que emergir das próximas negociações sirva aos interesses dos americanos comuns é baixa; e as perspectivas para os cidadãos comuns noutros países são ainda mais sombrias.”

A segurança das grandes empresas é uma preocupação permanente das políticas governamentais nos EUA – o que nem sequer surpreende, dado o papel destas empresas na formulação de tais políticas. Em contrapartida, há provas substanciais de que a “segurança nacional” doméstica, no sentido em que o termo deve ser entendido, não é uma alta prioridade para a política do Estado.

Por exemplo, o programa de assassinato mundial por meio de drones do presidente Obama, é, de longe, a maior campanha terrorista do mundo. Mas qual o seu resultado? O general Stanley McChrystal, comandante das forças dos EUA e da NATO no Afeganistão, falou em “matemática insurgente”: para cada pessoa inocente que matar, cria dez novos inimigos.

Mas o próprio conceito de “pessoa inocente” diz-nos o quão longe nós estamos da Magna Carta, que estabeleceu o princípio da presunção de inocência – pensado um dia como o fundamento do direito anglo-americano. Hoje, a palavra “culpado” significa “alvo de assassinato por Obama” e “inocente” significa que “aquele a quem ainda não foi atribuído o status de culpado”.

A Brookings Institution acaba de publicar The Thistle and the Drone [“A Flor e o Drone”, em tradução livre], um estudo antropológico altamente elogiado sobre sociedades tribais. Escrito por Akbar Ahmed, tem como subtítulo “Como a guerra dos EUA contra o terror se tornou uma guerra global contra o Islã Tribal”.

A guerra, Ahmed adverte, pode levar algumas tribos “à extinção”, com custos graves para as próprias sociedades, como se vê agora no Afeganistão, Paquistão, Somália e Iémene. E, ao final, para os norte-americanos.

As culturas tribais, Ahmed aponta, baseiam-se em honra e vingança: “Todo ato de violência nessas sociedades tribais provoca um contra-ataque. Quanto mais duros os ataques contra os homens da tribo, mais cruéis e sangrentos os contra-ataques”.

O terror pode tornar-se um tiro pela culatra. Na revista britânica Foreign Affairs, David Hastings Dunn descreve como os cada vez mais sofisticados drones são uma arma perfeita para grupos terroristas. Drones são baratos, facilmente adquiríveis e “possuem muitas qualidades que, quando combinadas, tornam-se potencialmente o meio ideal para o ataque terrorista no século 21″, explica Dunn.

O senador Adlai Stevenson, referindo-se aos seus muitos anos de serviço no Comite de Inteligência do Senado dos EUA, escreve que “a vigilância cibernética e a coleta de metadados fazem parte da reação contínua ao 11 de Setembro. Os EUA são amplamente percebidos como em guerra contra o Islão, contra os xiitas, bem como os sunitas, no chão, com drones, e por procuração na Palestina, desde o Golfo Pérsico até a Ásia Central. Alemanha e Brasil ressentem-se de nossas invasões, e o que elas causaram?”

A resposta é que elas causaram, para os Estados Unidos, uma ameaça crescente e o isolamento internacional.

As ações militares por meio de drones são um dispositivo pelo qual a política do Estado põe em risco a segurança da população com conhecimento de causa. O mesmo é verdadeiro com relação a forças especiais para operações de assassinatos. A invasão do Iraque aumentou acentuadamente o terror no Ocidente, confirmando as previsões da inteligência britânica e americana.

Estes atos de agressão foram, mais uma vez, uma questão que pouco interesse despertou nos seus planejadores, orientados por diferentes conceitos de segurança. Mesmo o risco de destruição instantânea, através de armas nucleares, nunca foi levado realmente a sério pelas autoridades. Tratarei disso num próximo texto.

Artigo publicado no Alternet.
Tradução de Antonio Martins para o Outras Palavras.
Primeiro de dois artigos construídos a partir de palestra de Chomsky (em 28/2) para a Nuclear Age Peace Foundation.

Noam Chomsky
Linguista, filósofo e activista político americano
Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo e ativista político americano.

É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

segunda-feira, 10 de março de 2014

PBM 2014: hábitos de consumo de mídia pela população brasileira

Destaques e considerações sobre a pesquisa da Secom que investigou o consumo de mídia no Brasil


* Jornal Nacional é o programa de TV mais assistido (36%) e o telejornal mais assistido (45%). O Jornal da Record é o segundo telejornal mais assistido, com 16% das respostas. Os telejornais das duas outras grandes emissoras (Band e SBT) ficam com 3% e 4% das respostas e outros jornais da Globo se destacam, como o Jornal Hoje e o Fantástico (que é o segundo programa mais assistido da TV, com 21% das respostas). Isso significa que a Globo mantém um controle muito grande da emissão do discurso jornalístico.

* Facebook é o site mais acessado da Internet (64%) seguido de muito longe pelos portais (cuja permanência no mercado é um fenômeno brasileiro) G1, R7, IG, UOL, Terra etc. (2% a 6%) e pelo site Globo.com com 7%. As outras redes sociais são muito menos citadas nas respostas (Twitter, por exemplo, com apenas 2%). Mesmo quando a pergunta é para fontes de informação, o Facebook se destaca com 31% das respostas com Globo.com com 7% e portais abaixo de 5%.

* O tempo de atenção dedicado à TV e à Internet é mais ou menos o mesmo (por volta de 3 horas e meia diárias). A diferença é que a atenção da TV está altamente concentrada na Globo e na Internet ela está difusa nos contatos nas redes sociais (sobretudo no Facebook).

* A revistas impressas são muito pouco lidas (apenas por volta de 10% dos respondentes) e entre as revistas de política, a leitura se concentra em Veja (25%), seguida de Época (8%) e Isto É (6%) -- Carta Capital não aparece. A leitura de revistas parece ser claramente um fenômeno de classe média, com a leitura concentrada em quem tem curso superior (16%) e renda acima de 5 salários mínimos (12%)

* Os jornais impressos são lidos por apenas 17% dos entrevistados e o consumo é maior na classe média (renda acima de 5 salários, 33% e escolaridade superior, 32%) e muito concentrado nos jornais populares (Extra, Super Notícias e Meia Hora). Os jornais "sérios" oscilam entre 1% e 4% (Globo, 4%; Zero Hora, 3%; Folha, 2%; Estado, 1%). O baixo índice de respostas dos chamados "jornais de circulação nacional" (Folha, Estado e Globo) deve-se muito provavelmente ao fato de serem efetivamente lidos apenas nas suas cidades de origem (e a amostra não conseguir capturar esse alto consumo na micro-região).

* A confiança nas notícias das diferentes mídias tem a seguinte escala de confiabilidade: TV e jornal impresso (49% a 53%), revistas (40%) e sites, blogs e redes sociais (22% a 28%)

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Algumas considerações rápidas:

* A TV é a principal fonte de informação e o Jornal Nacional é o jornalismo de maior impacto no país. A Internet tem grande penetração, mas a maior parte da atenção está difusa nas redes sociais, o que significa que essa atenção está dispersa na opinião das centenas de contatos de cada um no Facebook. Outras pesquisas mostram que a maior parte do conteúdo informativo das redes sociais é compartilhamento de fontes jornalísticas tradicionais (jornais, revistas e portais), mas que são ressignificadas no ato de compartilhamento (ganham novo destaque e comentário).

* Os Twitteiros que me perdoem, mas embora o Twitter seja uma rede mais aberta, com mais qualidade de conteúdo e que permite mais facilmente seguir sem ser seguido, no Brasil ele tem 40 vezes menos impacto que o Facebook.

* Os jornais impressos "sérios" e de "circulação nacional" são mais lidos que as revistas, tem mais credibilidade, mas não têm alcance verdadeiramente nacional. São lidos apenas nas cidades de Rio e São Paulo -- ou seja, a batalha informativa acontece de maneira muito concentrada regionalmente, não apenas na emissão, como na recepção.

* Uma política que busque gerar mais democracia e pluralidade nos meios de comunicação precisa limitar o monopólio informativo da Globo que controla TV, tem o maior jornal impresso e os dois maiores sites que não são redes sociais (globo.com e G1). Na TV é preciso mais canais e mais distribuição de audiência (ampliando por exemplo a TV paga).

* Na Internet é preocupante o domínio do Facebook que é uma rede com políticas pouco transparentes de hierarquização de feeds e privacidade. A contínua grande audiência dos portais -- que não acontece fora do Brasil -- é um fenômeno a ser estudado.

http://observatoriodaimprensa.com.br/download/PesquisaBrasileiradeMidia2014.pdf

domingo, 9 de março de 2014

SXSW :: Julian Assange alerta sobre a espionagem militar na Internet

(Reuters/EFE) - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange   denunciou hoje (via Skype) em Austin (EUA),a "ocupação militar" da Internet a milhares de representantes de uma comunidade tecnológica cada vez mais preocupados com a proteção da privacidade na web.

O jornalista e programador da Austrália falou ao vivo via teleconferência no festival anual de tecnologia , música e conhecido como South By Southwest (SXSW), realizada em Austin, até o final do filme na próxima semana.

Assange, que permanece escondido na embaixada do Equador em Londres, desde 2012, para evitar a extradição para a Suécia, sob alegações de estupro e assédio sexual, se comunicava com o público via Skype.

Dois telões mostraram -lo em primeiro plano, com o logotipo da WikiLeaks na parte inferior, em uma conversa que durou mais de uma hora repetidamente interrompida por problemas técnicos.

"Levante a mão se você me ouvir", Assange disse aos participantes , após o som é cortado pelo moderador, que teve que dar perguntas escritas.

Durante a palestra , o fundador do WikiLeaks disse que os jornalistas que cobrem as questões de segurança nacional são "um novo tipo de refugiado" e observou que testemunhar "a forma mais agressiva de vigilância que o mundo já viu."

Também denunciou que chamou de "ocupação militar da internet" , o que mostra , segundo ele, o enorme poder das agências de inteligência e os empreiteiros militares dos EUA

Estas agências de inteligência , encabeçadas pela Agência de Segurança Nacional (NSA), e não o presidente Barack Obama, estão "vestindo as calças", segundo Assange, que criticou a "campanha da Casa Branca contra o ex-analista de a CIA, Edward Snowden, e os jornalistas que o ajudaram a divulgar milhares de documentos sobre a massiva espionagem NSA."

Ele mencionou que isso levou muitos dos jornalistas envolvidos a buscar refúgio em outros países para garantir sua segurança e liberdade.



Ele citou o jornalista Glenn Greenwald, EUA, que confiava em Snowden como fonte à divulgação de documentos confidenciais da NSA e que agora vive no Brasil, "um dos países mais preocupados com a NSA e espionagem global."

Ele citou outros jornalistas, como a estadunidense Laura Poitras, que também vive "no exílio", em Berlim, como o repórter britânico Sarah Harrison, que ajudou Snowden a sair de Hong Kong e procurar asilo em Moscou.

Ele disse , ainda, que seu confinamento na embaixada do Equador em Londres é "difícil" , mas se mantem "trabalhando mais" e vive em uma área onde "não há policiais, nem intimações."

"É, em certa medida, um território de ninguém", disse ele.

Lembrou, por outro lado, que a filtragem feita Snowden ajudou a limpar um pouco da "névoa" e a entender melhor o mundo em que vivemos.

Os participantes da conferência, incluindo Mark Trumpbour, da empresa de publicidade Spring Studios, de Nova York, destacaram a preocupação da comunidade tecnologica com a privacidade na web.

"Eu tenho estado muito preocupado com a vigilância do estado em que vivemos, e, meu papel como um tecnólogo no fenômeno", disse ele à Efe, Trumpbour, disse que esta "desapontado" com o fato de que o público em geral não parece muito preocupado.

Trumpbour, que usa a tecnologia para criptografar suas conversas, especialmente com outros países, disse que a filtragem de Snowden o levou a ter "consciencia" dos canais utilizados para se comunicar.

Andy Schwenemann, um relações publicas de Detroit, lamentou que Assange não aproveite para compartilhar seu discurso com "orientações" sobre a forma de proteger a privacidade.

"O monitoramento existe e não podemos escapar. Eu teria gostado que Assange tivesse aproveitado esta oportunidade para dizer-nos como nos proteger do parte mais diabólica dessa vigilância", declarou Schwenemann à EFE.

Meredith Rees, da editora Random House, disse que acredita que Assange está fazendo um trabalho importante e é "lamentável" ele ser considerado "um vilão".

O SXSW; famoso festival de tecnologia, música e cinema de Austin nasceu em 1986, quando Roland Swenson, um jovem de 31 anos que trabalhava como corretor em uma revista semanal alternativa, convenceu seus patrões a criar um festival de música local.

Aquele pequeno evento, que atraiu cerca de 700 pessoas, tornou-se uma das conferências mais maciças e influentes do planeta, injetando a cada ano mais de 200 milhões de dólares na economia local.