sábado, 9 de agosto de 2014

As Drogas, seus efeitos e riscos :: O que fazer?

Anualmente a ONU, através do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) dá ênfase à Campanha Internacional de Prevenção às Drogas. Em Viena, foi lançado o Relatório Mundial de Drogas contendo informações atualizadas do mundo todo sobre consumo, produção e tráfico de drogas


UM GUIA PARA TODOS


Secretaria Nacional Antidrogas

O que são drogas?
São substâncias utilizadas para produzir alterações, mudanças nas sensações, no grau de consciência e no estado emocional. As alterações causadas pelas substâncias variam de acordo com as características da pessoa que as usa, qual droga é utilizada e em que quantidade, o efeito que se espera da droga e as circunstâncias em que é consumida. Geralmente achamos que existem apenas algumas poucas substâncias extremamente perigosas: são essas que chamamos de drogas. Achamos também que drogas são apenas os produtos ilegais como a maconha, a cocaína e o crack. Porém, do ponto de vista da saúde, muitas substâncias legalizadas podem ser igualmente perigosas, como o álcool, que também é considerado uma droga como as demais.

Quais os tipos de drogas que existem e que efeitos elas provocam?
As drogas atuam no cérebro afetando a atividade mental, sendo por essa razão denominadas psicoativas. Basicamente, elas são três tipos:

Drogas que diminuem a atividade mental – também chamadas de depressoras. Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais lenta. Essas drogas diminuem a atenção, a concentração, a tensão emocional e a capacidade intelectual. Exemplos: ansiolíticos (tranquilizantes), álcool, inalantes (cola), narcóticos (morfina)

Drogas que aumentam a atividade mental – são chamadas de estimulantes. Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais acelerada. Exemplos: cafeína, tabaco, anfetamina, cocaína, crack;

Drogas que alteram a percepção – são chamadas de substâncias alucinógenas e provocam distúrbios no funcionamento do cérebro, fazendo com que ele passe a trabalhar de forma desordenada, numa espécie de delírio. Exemplos: LSD, ecstasy, maconha e outras substâncias derivadas de plantas.


AS DROGAS E SEUS EFEITOS:

Drogas que diminuem a atividade mental

Substância
Origem
Conhecida como
Possíveis efeitos
Possíveis efeitos
Ansiolíticos ou tranqüilizantes
Substâncias sintéticas produzidas em laboratórios
Sedativos, calmantes, Valium, Lexotan, Diazepan, Dienpax, Librium, Lorax, Rohypnol, Dalmadorm
Alívio da tensão e da ansiedade, relaxamento muscular, sonolência, fala pastosa, descoordenação dos movimentos, falta de ar.
Em altas doses podem causar queda da pressão arterial.
Quando usadas com álcool, aumentar os seus efeitos, podendo levar a estado de coma.
Em grávidas podem causar mal formação fetal.
Álcool etílico
Obtido a partir de cana-de-açúcar, cereais ou frutas, através de um processo de fermentação ou destilação.
Álcool, “birita”, “mé”, “mel”, “pinga”, “cerva”.
Em pequenas doses: desinibição, euforia, perda da capacidade crítica;
Em doses maiores: sensação de anestesia, sonolência, sedação.
O uso excessivo pode provocar náuseas, vômitos, tremores, suor abundante, dor de cabeça, tontura, liberação da agressividade, diminuição da atenção da capacidade de concentração, bem como dos reflexos, o que aumenta o risco de acidentes.
O uso prolongado pode ocasionar doenças graves como, por exemplo, cirrose no fígado e atrofia (diminuição) cerebral.
Inalantes ou solventes
Substâncias químicas.
Cola de sapateiro, esmalte, benzina, lança-perfume, “loló”, gasolina, acetona, éter, tíner, aguarrás e tintas.
Euforia, sonolência, diminuição da fome, alucinações.
Tosse, coriza, náuseas e vômitos, dores musculares. Visão dupla, fala enrolada, movimentos desordenados e confusão mental.
Em altas doses, pode haver queda da pressão arterial, diminuição da respiração e dos batimentos do coração, podendo levar à morte.
O uso continuado pode causar problemas nos rins e destruição dos neurônios (células do sistema nervoso), podendo levar à atrofia cerebral.
O uso prolongado está frequentemente associado a tentativa de suicídio.
Narcóticos (ópio e seus derivados: heroína, morfina e codeína)
Extraídos da papoula ou produtos sintéticos obtidos em laboratório.
Heroína, morfina e codeína (xaropes de tosse, Belacodid, Tylex, Exilir paregórico, Algafan).
Dolantina, Meperidina e Demerol.
Sonolência, estado de torpor, alívio da dor, sedativo da tosse.
Sensação de leveza e prazer.
Pupilas contraídas.
Pode haver queda da pressão arterial, diminuição da respiração e dos batimentos do coração, podendo levar à morte.
Na abstinência bocejos, suor lacrimejamento, coriza, abundante, dores musculares e abdominais. Febre, pupilas dilatadas e pressão arterial alta.



AS DROGAS E SEUS EFEITOS:


Drogas que aumentam a atividade mental
Anfetaminas
Substâncias sintéticas obtidas em laboratório.
Metanfetamina, “ice”, “bolinha”, “rebite”, “boleta”.
Moderex, Hipofagin, Inibex, Desobesi, Reactivan, Pervertin, Preludin.
Estimulam atividade física e mental, causando inibição do sono e diminuição do cansaço e da fome.
Podem causar taquicardia (aumento dos batimentos do coração), aumento da pressão sanguínea, insônia, ansiedade e agressividade.
Em doses altas podem aparecer distúrbios psicológicos graves como paranóia (sensação de ser perseguido) e alucinações. Alguns casos evoluem para complicações cardíacas e circulatórias (derrame cerebral e infarto do miocárdio), convulsões e coma.
O uso prolongado pode  levar à destruição de tecido cerebral.
Cocaína
Substância extraída da folha de coca, planta encontrada na América do Sul
“Pó”, “brilho”, “crack”, “merla”, pasta-base.
Sensação de poder, excitação e euforia. Estimulam a atividade física e mental, causando inibição do sono e diminuição de cansaço e da fome. O usuário vê o mundo mais brilhante, com mais intensidade.
Pode causar taquicardia, febre, pupilas dilatadas, suor excessivo e aumento da pressão sanguínea.
Podem aparecer insônia, ansiedade, paranóia, sensação de medo ou pânico.
Pode haver irritabilidade e liberação da agressividade.
Em alguns casos podem aparecer complicações cardíacas, circulatórias e cerebrais (derrame cerebral e infarto ao miocárdio).
O uso prolongado pode levar à destruição de tecido cerebral.
Tabaco (nicotina)
Extraído da folha do fumo
Cigarro, charuto e fumo
Estimulante, sensação de prazer.
Reduz o apetite, podendo levar a estados crônicos de anemia.
O uso prolongado causa problemas circulatórios, cardíacos e pulmonares.
O hábito de fumar está frequentemente associado à câncer de pulmão, bexiga e próstata, entre outros.
Aumenta o risco de aborto e de parto prematuro.
Mulheres que fumam durante a gravidez têm, em geral, filhos com peso abaixo do normal.

AS DROGAS E SEUS EFEITOS:

Drogas que produzem distorções da percepção

Maconha
(tetraídocanabinol
Substância extraída da planta Cannabis Sativa
Maconha, haxixe, “baseado”, “fininho”, “marrom”
Excitação seguida de relaxamento, euforia, problemas com o tempo e o espaço, falar em demasia e fome intensa. Palidez, taquicardia, olhos avermelhados, pupilas dilatadas e boca seca.
Prejuízo da atenção e da memória para fatos recentes; algumas pessoas podem apresentar alucinações, sobretudo visuais.
Diminuição dos reflexos, aumentando o risco de acidentes.
Em altas doses, pode haver ansiedade intensa; pânico; quadros psicológicos graves (paranóia).
O uso contínuo prolongado pode levar a uma síndrome amotivacional (desânimo generalizado)
Alucinógenos
Substâncias extraídas de plantas ou produzidas em laboratório
LSD(ÁCIDO LISÉRGICO,”acido”, “selo”, “microponto”),psilocibina (extraída de cogumelos) e mescalina (extraída de cactos).
Efeitos semelhantes aos da maconha, porém mais intensos. Alucinações, delírios, percepção deformada de sons, imagens e do tato.
Podem ocorrer “más viagens”, com ansiedade, pânico ou delírios.
Ecstasy metilenodióxime-tanfetamina
Substância sintética do tipo anfetamina, que produz alucinações.
MDMA, “êxtase”, “pílula do amor”.
Sensação de bem-estar, plenitude e eleveza. Aguçamento dos sentidos.
Aumento da disposição e resistência física, podendo levar à exaustão.
Alucinações, percepção distorcida de sons e imagens.
Aumento de temperatura e desidratação, podendo levar à morte.
Com o uso repetido, tendem a desaparecer as sensações agradáveis, que podem ser substituídas por ansiedade, sensação de medo, pânico e delírios.

O efeito de uma droga é o mesmo para qualquer pessoa?

Não. Os efeitos dependem basicamente de três fatores:

> da droga; do usuário; do meio ambiente.


Cada tipo de droga,tende a produzir efeitos diferentes no organismo. A forma como uma substância é utilizada, assim como a quantidade consumida e o seu grau de pureza também terão influência no efeito.

Cada usuário, com suas características biológicas (físicas) e psicológicas, tende a apresentar reações diversas sob a ação de drogas. O meio ambiente também influencia o tipo de reação que a droga pode produzir. Por exemplo, uma pessoa ansiosa (usuário) que consome grande quantidade de maconha (droga) em um lugar público (meio ambiente) terá grande chance de se sentir perseguido (“paranóia”). Já aquele que consome maconha, quando está tranquilo em casa, com amigos, terá menor probabilidade de apresentar reações desagradáveis.  

DEPENDÊNCIA
O que é dependência?
Dependência é o impulso que leva a pessoa a usar uma droga de forma contínua (sempre) ou periódica (frequentemente) para obter prazer. Alguns indivíduos podem também fazer uso constante de uma droga para aliviar tensões, ansiedade, medos, sensações físicas desagradáveis etc. O dependente caracteriza-se por não conseguir controlar o consumo de drogas, agindo de forma impulsiva e repetitiva.
Para compreendermos melhor, vamos analisar as formas principais em que ela se apresenta: a física e a psicológica.

A dependência física caracteriza-se por sintomas e sinais físicos que aparecem quando o indivíduo para de tomar a droga ou diminui bruscamente o seu uso: é a síndrome de abstinência. Os sinais e sintomas de abstinência dependem do tipo de substância utilizada e aparecem horas ou dias depois que ela foi consumida pela última vez. No caso dos dependentes de álcool,a abstinência pode ocasionar desde um simples tremor nas mãos a náuseas, até um quadro de abstinência grave denominado “delirium tremens”, com risco de morte, em alguns casos.

Já a dependência psicológica corresponde a um estado de mal-estar e desconforto que surge quando o dependente interrompe o uso de uma droga. Os sintomas mais comuns são ansiedade, sensação de vazio, dificuldade de concentração, mas que podem variar de pessoa para pessoa.Com os medicamentos existentes atualmente, a maioria dos casos relacionados à dependência física podem ser tratados. Por outro lado, o que quase sempre faz com que uma pessoa volte a usar drogas é a dependência psicológica, de difícil tratamento e não pode ser resolvida de forma relativamente rápida e simples como a dependência física.

Todo usuário de drogas vai se tornar um dependente?
De maneira geral, as pessoas que experimentam drogas o fazem por curiosidade e as utilizam apenas uma vez ou outra (uso experimental). Muitas passam a usá-las de vem em quando, de maneira esporádica (uso ocasional), apenas um grupo menor passa a usar drogas de forma intensa, em geral quase todos os dias, com conseqüências danosas (dependência).

O grande problema é que não dá para saber, entre as pessoas que começam a usar drogas, quais serão apenas usuários experimentais, ocasionais e quais se tornarão dependentes.

É importante lembrar, porém, que o uso, ainda que experimental, pode vir a produzir muitos danos à saúde da pessoa.

Por que os jovens têm dificuldade de reconhecer que o uso de drogas é nocivo e perigoso?
Em grande parte, isso se deve ao fato de que a maioria dos consumidores de drogas, legais ou ilegais, conhecem muitos usuários ocasionais, mas poucas pessoas (ou nenhuma) que se tornaram dependentes ou tiveram problemas com o uso de drogas. Por outro lado, o prazer momentâneo obtido com a droga e a imaturidade não favorecem maiores preocupações com os riscos.

PREVENÇÃO

Se não é possível acabar com a oferta de drogas, o que pode ser feito?
O importante é realizar um trabalho de prevenção, ou seja, diminuir a motivação que alguém possa vir a ter de usar drogas. Ainda, um trabalho de conscientização, revelando os danos, sociais, físicos e psicológicos, causados pelo uso de drogas.

Como podemos ajudar um jovem a ter uma atitude adequada com relação às drogas?
O que os pais podem fazer é tornar-se exemplo para os filhos. A maneira como os pais lidam com a questão tem muito mais efeito sobre o jovem do que as informações que são dadas.
As crianças e os jovens começam a aprender o que é droga quando observam os adultos em busca de tranqüilizantes ao menor sinal de tensão ou nervosismo. Aprendem também o que é droga quando ouvem seus pais dizerem que precisam de três xícaras de café para se sentirem acordados, ou ainda quando sentem o cheiro de fumaça de cigarros... Além disso, eles aprendem o que é dependência quando observam como seus pais têm dificuldade em controlar diversos tipos de comportamentos, como, por exemplo, comer de modo exagerado, fazer compras sem necessidade, trabalhar excessivamente.
Os adultos têm sempre “boas” formas de justificar esses comportamentos, mas na verdade trata-se de um modelo de comportamento impulsivo e descontrolado. E esses modelos de comportamento podem ser copiados pelos jovens na forma como se relacionam com as drogas.
Esse é o princípio básico de modelo de comportamento dependente que observamos em um imenso número de adultos e pais que, sem a menor consciência do que estão fazendo, “ensinam” aos filhos, alunos e jovens em geral que os problemas podem ser resolvidos, como que por uma passe de mágica, com a ajuda de uma substância.É importante que os jovens compreendam, por meio de nossas atitudes, qual é a atitude adequada em relação às drogas. Esse processo de aprendizagem começa na infância e continua até o final da adolescência.

Quais as razões que levam uma pessoa a usar drogas?
Muitas são as razões que podem levar alguém a usar drogas. Cada pessoa tem seus próprios motivos. Os pais não devem tirar conclusões apressadas se suspeitam ou descobrem se o filho(a) usou ou está usando drogas. É preciso que escutem com muita atenção o que o filho(a)tem a dizer, para compreender o que está acontecendo. Entre os possíveis motivos, destacamos:

*A oportunidade surgiu e o jovem experimentou.
O fato de um jovem experimentar drogas não faz dele um dependente. Porém, mesmo experiências aparentemente inocentes podem resultar em problemas (com a lei, por ex). Um jovem que usou drogas passa a ser tratado muitas vezes como “drogado” por seus pais ou professores.O excesso de preocupação com o uso experimental ,pode tornar-se muito mais perigoso do que o uso de drogas em si.
Diante dessa situação os pais não se devem desesperar. Reagir com agressividade e com violência pode até mesmo empurrar o jovem para o abuso e a dependência de drogas. Os pais devem alerta-lo sobre possíveis riscos e, se possível, conversar francamente sobre o assunto, aproveitando a oportunidade.

*O uso de drogas pode ser visto como excitante e ousado pelos jovens. Cabe aos adultos alertar os jovens sobre os riscos relacionados com o uso de drogas. Assim, quando se falar em riscos, a informação deverá ser objetiva, direta e precisa, caso contrário o efeito poderá até mesmo ser oposto ao desejado. Grande parte dos jovens conhece pessoas que usam maconha e que nunca se interessaram por outras drogas. Para eles, a afirmação de que “a maconha é a porta de entrada...” pode soar mentirosa e, como consequência, deixarão de ouvir os adultos em assuntos realmente importantes. Por outro lado, se o jovem que ouve essa afirmação nunca experimentou drogas e pouco conhece do assunto, ele pode ficar muito curioso, principalmente porque para os adolescentes assumir riscos faz parte do jogo, em que o próprio risco é transformado em desafio.
Por exemplo, alertar os jovens sobre os riscos de se consumir bebida alcoólica e depois sair dirigindo pode ser feito de forma clara, precisa e objetiva. Isso é muito mais educativo do que discursos dramáticos e aterrorizantes sobre os malefícios do álcool. Dizer de outra forma, tentar exagerar os riscos e perigos pode ser um estímulo ao uso de drogas, principalmente para os jovens.

*As drogas podem modificar o que sentimos.
Esse poder de transformação das emoções pode se tornar um grande atrativo, sobretudo para os jovens. A melhor maneira de tentar neutralizar a atração que as drogas exercem seria estimular os jovens a experimentar formas não-químicas de obtenção de prazer. Os “barato” podem ser obtidos através de atividades artísticas, esportivas, etc. Cabe aos adultos tentar conhecer melhor os jovens para estimulá-los a experimentar formas mais criativas de obter prazer e sensações intensas.

*Muitas pessoas acreditam que os jovens acabam consumindo drogas pela influência de colegas e amigos (pressão de grupo). Embora a “pressão do grupo” tenha influência, sabemos que a maioria dos grupos tem um discurso contrário às drogas; mesmo assim, alguns jovens acabam se envolvendo. Mais importante do que estar em acordo com o grupo é estar bem consigo mesmo . Os jovens que dependem muito da aprovação do grupo são justamente aqueles que têm outros tipos de problemas ( ex. sentem-se pouco amados pelos pais, não atraentes etc.)

*O uso de drogas pode ser uma tentativa de amenizar sentimentos de solidão, de inadequação, baixa auto-estima ou falta de confiança .É importante tentar ajudar o jovem a superar as dificuldades sem a necessidade de recorrer às drogas. Os pais devem dar segurança para seus filhos através do afeto. Eles devem se sentir amados, apesar de seus defeitos ou de suas dificuldades.

*Mas não existe uma pressão externa para consumir drogas?
Sim, essa pressão certamente existe. Nossa sociedade tem como um de seus maiores objetivos a felicidade. O grande problema é que tristeza, descontentamento e solidão passam a ser vistos como situações a serem eliminadas, quando, na verdade, elas fazer parte da vida e de ser compreendidas e transformadas. Desde muito cedo, as crianças têm um modelo de felicidade diretamente ligado ao consumismo: o que podemos comprar poderá nos trazer satisfação e felicidade. As propagandas de álcool, cigarro e chocolate veiculam esse modelo, para vender seus produtos. A crença ingênua de que “podemos comprar a felicidade” e de que “tristeza e solidão devem ser evitadas a qualquer preço” constituem o mesmo padrão de relação que os dependentes (consumidores) estabelecem com as drogas (produtos). Nesse sentido, podemos dizer que os “drogados” estão apenas repetindo o modelo de sociedade que lhes oferecemos.
Consumir drogas é uma forma de prazer. Isso não pode ser negado. Devemos ter em mente que existem maneiras de se obter prazer cujo preço a pagar pode ser muito alto.

Existem sinais para identificarmos se alguém está usando drogas?
Com freqüência os pais querem saber quais os sinais que indicam que um jovem esteja usando drogas. Não existe maneira fácil de confirmar a suspeita.
Tentar identificar no jovem sinais ou efeitos das diferentes substâncias só tende a complicar ainda mais as coisas. O clima de desconfiança que se instala nessas situações prejudica muito o relacionamento entre os familiares.
É normal e esperado que os jovens tenham segredos e que dificultem o acesso de outras pessoas da família, sobretudo os pais, questões de sua vida pessoal. Eles tendem também a experimentar situações novas, a assumir atitudes desafiantes e de oposição e até mesmo a apresentar comportamentos característicos de uma adolescência normal. A grande dificuldade dos pais é saber até que ponto essas atitudes e comportamentos estão dentro do esperado ou se já significam que o jovem está passado por problemas mais graves e necessitando de ajuda. O mais importante é que os pais tentem conversar com os filhos. Mesmo que o diálogo se torne tenso e cheio de conflitos, ainda assim é uma via de comunicação . Os pais devem se preocupar mais em ouvir do que em dar conselhos.
Quando o jovem se isola e o acesso se torna impossível, é um sinal de que é necessário procurar ajuda externa.

Deve-se conversar com os filhos sobre o uso de drogas?
Sim, na medida em que eles se mostrarem interessados pelo assunto.
Se o uso de drogas puder ser discutido de forma adequada à idade da criança ou do adolescente, vai deixar de ser algo secreto , perdendo muito de seus atrativos.Qualquer atividade vista como oculta do mundo dos pais e dos professores tende a ser vista pelos jovens como instigante e excitante.
A maioria dos pais tende a conversar com os filhos sobre drogas somente quando surgem problemas e conflitos. Entretanto, torna-se muito mais fácil conversar com os filhos sobre esses problemas e conflitos quando os pais já puderam superar no passado a barreira de falar sobre drogas. É importante também lembrar que conflitos e rebeldia fazem parte da adolescência normal e não indicam necessariamente envolvimento com drogas. Os conflitos dos jovens são necessários para que se tornem adultos, sendo responsabilidade dos pais ensinar seus filhos a lidar com os problemas. Os pais não devem se apavorar com as discussões, mas compreender a raiva e a revolta do jovem e mostrarem-se seguros com relação às suas próprias crenças e valores.

Como deve ser a informação que os pais devem dar a seus filhos a respeito de drogas?
O primeiro grande problema que se apresenta nessas situações é que normalmente os jovens são mais informados a respeito de drogas do que seus pais.
Quando falarem de drogas, os pais devem se basear em substâncias que eles realmente conhecem (por exemplo, álcool ou tranqüilizantes). Os pais em geral têm dificuldade em falar sobre drogas ilegais, mas grande parte das informações a respeito de drogas legalizadas (como álcool e tranquilizantes) tende a ser igualmente válida para as ilegais. Seria aconselhável que os pais pudessem adquirir conhecimentos básicos sobre as principais substâncias de uso e abuso em nosso meio, para que não transmitam informações sem fundamento ou preconceituosas, como são habitualmente veiculadas em jornais, revistas, televisão, etc. Não há problema no fato de os pais admitirem perante os filhos o seu desconhecimento a respeito de drogas, quando for o caso. Não precisam ter conhecimentos detalhados para poder ajudar seus filhos.
Relacionamentos familiares sólidos são mais importantes do que o conhecimento que os pais têm sobre drogas. Se no decorrer de anos de convivência, as relações familiares forem bem constituídas e solidificadas, dificilmente o uso de drogas virá a se tornar um problema. Por outro lado, se a qualidade dos relacionamentos for precária, os pais deverão ficar atentos não apenas aos problemas das drogas mas também a outros aspectos da vida familiar.
Infelizmente, quando isso acontece, os pais nem sempre têm consciência do distanciamento que existe entre eles. É comum nessas circunstâncias os pais terem atitudes autoritárias com os filhos,aumentando mais essa distância.
Com essas dificuldades, os pais devem recorrer a pessoas que possam ajudá-los.

Como os pais devem exercer sua autoridade?
 A maioria das crianças e adolescentes aceita a autoridade dos pais, sobretudo quando no ambiente familiar estão presentes a confiança e o afeto. Porém, à medida que o adolescente vai se desenvolvendo, a autoridade vai sendo transferida para eles mesmos até que se tornem responsáveis por suas próprias ações. Muitos pais têm dificuldades para abrir mão de sua autoridade conforme os filhos crescem, dificultando, assim, que eles possam se tornar responsáveis por si mesmos.
A autoridade dos pais desempenha papel importante no sentido de dar limites, como exigir que os filhos façam as lições de casa, fixar horários para atividades de lazer etc. Isso promove a organização interna do jovem, permitindo que ele possa cuidar de si mesmo à medida que vai se tornando adulto. Mas essa autoridade não deve ser confundida com autoritarismo ou rigidez. Para toda regra deve haver alguma flexibilidade a fim de que o jovem possa ir testando e sentindo seus limites. Por exemplo, se foi fixado um determinado horário para o jovem chegar de uma festa, um pequeno atraso não deve ser punido. Atitudes drásticas como violência ou expulsar de casa, não têm resultados positivos,não devem ser vista como solução para os problemas.

Quando se torna impossível conversar com os filhos, a quem os pais devem procurar?
Grande parte dos jovens é capaz de se abrir quando os pais passam a ouvir mais e falar menos. Mas quando os pais, apesar de tudo, não conseguem mais se comunicar com os filhos, devem recorrer a outras pessoas. Mas quais? Os pais devem procurar alguém que o jovem admire ou respeite. Pode ser um parente, um amigo da família, um professor, médico da família ou um profissional especializado.

O que pode ser feito ao se descobrir que um filho está usando drogas?
Não há uma resposta simples para essa questão. Existem muitas maneiras de se responder à pergunta. Alguns pontos devem ser destacados:
*Existe uma variedade muito grande de drogas.
*Drogas diferentes produzem diferentes efeitos, alguns são perceptíveis, outros não.
*Existem formas mais e menos perigosas de se consumir drogas (por exemplo, injetar é o pior).
*A lei é diferente para cada tipo de droga (é ilegal fumar maconha).
*Cada jovem é uma pessoa diferente e única e podem ser muitas as razões pelas quais alguém se envolve com drogas. Da mesma forma, existem variadas formas de ajudá-lo a interromper ou moderar o uso de drogas.
*Os pais têm maneiras diferentes de lidar com um filho que esteja usando drogas. Embora alguns sejam totalmente contra o uso de qualquer droga, a maioria acha aceitável o uso de bebidas alcoólicas e cigarro.
*Existem várias instituições de ajuda a pessoas com problemas com uso de drogas.   

TRATAMENTO
Dentre as pessoas que usam drogas, quem deve ser tratado?Só aos dependentes de drogas. Da mesma forma que não há sentido em propor tratamento a alguém que usa álcool apenas ocasionalmente, também não devemos falar em tratamento para usuários experimentais ou ocasionais de outras drogas.

O que é diminuição de prejuízos relacionados ao uso de drogas?
“Prejuízos” pode ser entendido como danos, riscos, perigos... Desta forma, diminuição de prejuízos é são medidas dirigidas a pessoas que não conseguem ou não querem parar de consumir drogas. Essa estratégia tem por objetivo reduzir as conseqüências negativas que o uso de drogas pode ocasionar. Um exemplo seriam as campanhas orientando as pessoas a não dirigirem após consumir bebidas alcoólicas. Também os programas de troca de seringas dirigidas a usuários de drogas injetáveis. As usadas são recolhidas e novas são colocadas à disposição. Por meio desses procedimentos ocorre redução importante da infecção pelo vírus da AIDS, assim como de outras doenças contagiosas. Estes programas não induzem as pessoas a utilizar drogas injetáveis.Constituem uma medida de saúde pública para o controle de epidemia mundial de AIDS.

Que tipos de ajuda terapêutica existem para os dependentes?
Existem diversos modelos de ajuda a dependentes de drogas: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentais; psicoterapias; grupos de auto-ajuda (do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos); comunidades terapêuticas; etc. Em princípio, pode-se dizer que nenhum desses modelos de ajuda consegue dar conta de todos os tipos de dependências e dependentes. É muito difundido o modelo que utiliza ex-dependentes de drogas como agentes “terapêuticos”, já que uma pessoa que passou pelo mesmo problema pode ajudar o dependente a se identificar com ela e compreender melhor seus problemas.
Os especialistas em dependência vêm realizando pesquisas para determinar que tipos de dependentes se beneficiam mais de um ou de outro tipo de  ajuda.
Entretanto, deve-se destacar que as abordagens medicopsicológicas (que associam ao mesmo tempo os recursos da medicina e da psicologia) têm se mostrado mais eficazes na maior parte dos casos.

O que vai ser tratado?
A maioria dos modelos de tratamento foca principalmente a dependência da droga. Embora esse seja realmente o ponto central que leva a pessoa a procurar tratamento, os dependentes frequentemente apresentam outros problemas associados ao uso abusivo de drogas. É muito importante que esses transtornos recebam a devida atenção, pois se não forem também tratados haverá uma grande probabilidade de a pessoa voltar a ser dependente. Por exemplo, dependente de drogas também apresenta depressão (é muito freqüente), deverá receber tratamento não apenas da dependência mas também da depressão,senão provavelmente voltará a usar  drogas novamente.

Quais os transtornos psiquiátricos mais associados às dependências?
A depressão é o transtorno que mais se associa ao abuso e à dependência de drogas. Os outros são o transtorno de ansiedade, o obsessivo-compulsivo, os de personalidade e, mais raramente, alguns tipos de psicoses. Mais recentemente descobriu-se que indivíduos com transtornos neurocognitivos (de aprendizagem ) estão mais propensos a se tornarem dependentes de drogas. Esses podem se manifestar através de problemas de atenção, memória, concentração ou linguagem, entre outros. A grande dificuldade decorre de esses sinais não serem identificados nem pelos familiares nem pela escola, podendo estar presentes desde a mais tenra idade.Exemplificando, muitos jovens considerados preguiçosos, desinteressados ou indisciplinados, na verdade podem apresentar um transtorno específico de aprendizagem ou de atenção. É importante ressaltar que esses transtornos prejudicam profundamente a auto-estima e o desenvolvimento atrasando ou impossibilitando o uso de suas potencialidades.
Se fossem diagnosticados de modo correto, esses distúrbios poderiam ser facilmente tratados, evitando assim conseqüências drásticas.Como exemplo disso, muitos dependentes de drogas que apresentavam transtorno de atenção, quando o problema foi adequadamente tratado, pararam de consumir drogas.

Os dependentes de drogas devem ser internados para tratamento?
Na maior parte dos casos, o tratamento do dependente de drogas não requer internação. Nos raros casos em que é necessária, ela deve ser decidida com base em critérios claros e definidos, estabelecidos por um especialista. A internação de um dependente de drogas sem necessidade pode levar até mesmo a um aumento do consumo. O aumento de consumo após uma internação indevida pode se dar por diversas razões, como sentimentos de revolta de um dependente ainda não suficientemente convencido, da necessidade de ajuda.

UNDCP PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O CONTROLE INTERNACIONAL DE DROGAS

Um comentário:

Blogger disse...

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