domingo, 7 de fevereiro de 2016

Estigmatizar quem abusa de drogas é marginalizar pessoas doentes




DROGAS: Preconceito e Estigma Matam

por Piti Hauer - via: PARANAPORTAL / UOL


Albert Einsten, em certo momento de sua vida, mencionou que era mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. E este preconceito de pessoas para com os Dependentes Químicos e/ou Adictos existe e este estigma é como ferro quente marcando vidas e comportamentos.

A dependência química é uma doença, considerada pela OMS, mas muitos a vêem como uma falta de caráter, como uma degradação moral, criando termos pejorativos, difamatórios e depreciativos como: “nóia”, “zumbi”, “maconheiro”, “crackeiro”, bêbado”, “chaminé”  e alguns pseudo-técnicos termos como “mentirosos inteligentes” e “manipuladores” para contextualizar, muitas vezes, uma história de um indivíduo, no caso, o dependente ou adicto,sem ao menos atentar do que é ou foi a sua vida.
                                                   
Este modelo moral sobre o consumo de drogas, caquético, ultrapassado e obsoleto ainda persiste no entendimento de uma grande parcela da população, até, inclusive, daqueles que se predispõe a ajudar ou tratar de dependentes químicos ou pessoas com transtornos mentais decorrentes do uso de substâncias psico-ativas; e a mudança para um processo de recuperação sadia, lento e doloroso, de uma sociedade, e seus dependentes químicos, é através da prevenção, informação e educação.
                                                   
Existem no Brasil, aproximadamente, 37 milhões de dependentes químicos em drogas lícitas e ilícitas, 50% da população brasileira faz uso do álcool e 12% são dependentes do álcool. Portanto, quando generalizamos o viés do preconceito para com o usuário de drogas sem observarmos os fatores ambientais, psicológicos, genéticos, sociológicos e culturais incorremos num erro de julgamento com a equivocada ideia de escárnio ao dependente das drogas, realçando ainda mais o retrógrado texto de Lei, que o criminaliza sem lhe oferecer a chance em um ambiente de tratamento para a sua recuperação e reinserção social, agregando ao indivíduo mais um componente de marginalização.
                                                 
Numa sociedade doente, imediatista, de valores efêmeros que rotula o usuário de drogas em um sub-produto, potencializando o conflito existencial do Homem com ele mesmo e que no Brasil duas em cada três famílias tem problemas com drogas, a complexidade da  doença da Dependência Química NÃO PODE E NÃO DEVE ser vista como uma falta de caráter, demonizando o indivíduo perante à sociedade, pois isto nada mais é que um reflexo de sua própria estrutura, excludente, indiferente e desumana.

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