quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Frases de Dom Paulo Evaristo Arns



Arcebispo Emérito da Arquidiocese de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, morreu nesta quarta-feira (14-12-2016) aos 95 anos. Arns estava internado desde o dia 28 de novembro em decorrência de uma broncopneumonia.

Doutor em teologia e letras, Arns teve sua trajetória - dentro e fora da Igreja - marcada pela defesa incondicional dos direitos humanos.

As frases que sintetizam a atuação de Dom Paulo

O LEGADO DA DITADURA

“Os efeitos da revolução ainda não acabaram. Foram herdadas dela, entre outras coisas, as relações que hoje temos com os operários e com as forças armadas. A revolução também agravou o problema da distribuição de renda. Como disse o próprio general Médici, o Brasil ficou mais rico, mas o povo se tornou mais pobre. A revolução empobreceu o povo e o Estado, que se tornou mais esbanjador e menos capaz de distribuir as riquezas.”
Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo" em 2008

O PÊNDULO DA HISTÓRIA

“Existe uma guinada conservadora em todo o mundo, tanto na política e na economia - por isso nós sofremos tanto no Brasil - quanto também na religião. O pêndulo da História vai para um lado, depois para outro lado. Mas não podemos, por causa disso, abandonar nossos deveres essenciais de defesa da dignidade humana e dos direitos da pessoa. Acredito que as correções da História virão, mas virão sempre sob pressão das pessoas.”
Em entrevista ao Jornal do Brasil em 1985



A JUSTIÇA SOCIAL

“Se o governo não der um jeito, e se os ricos não se convencerem de que os operários devem ganhar mais e ter a sua remuneração ajustada às reais necessidades das famílias, então o povo brasileiro vai explodir. É preciso fazer justiça social agora, porque chegou a hora em que velhinhos e crianças, ambas as pontas da vida, reclamam contra aqueles que estão no centro, que somos nós.”
Em entrevista à revista do Sesc em 2014

A VIOLÊNCIA

“Qualquer selvagem, qualquer pessoa desenvolvida pode normalmente descobrir a violência dentro de si; pode evitá-la e pode também fazer com que ela tenha a sua explosão numa guerra, numa revolução ou matando pessoas, fazendo com que a sua natureza se volte mais para a destruição do que para o bem. Tenho certeza de que são ondas que passam pelo mundo, ondas de guerra, de paz, de violência, ondas de mais colaboração e de mais solidariedade.”
Em entrevista à revista do Sesc em 2014

A VELHICE

“O idoso brasileiro ainda não recebeu da nação o respeito que merece. Mas em todo caso acho que o brasileiro não tem ainda o sentido do tempo; não descobriu a capacidade do idoso; não demonstra ainda o devido respeito por aquilo que foi feito, para o que pode fazer, para o que está fazendo ou que deve ainda fazer para a geração que vive agora e a que virá depois de nós.”
Em entrevista à revista do Sesc em 2014

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