sexta-feira, 31 de março de 2017

Força vital, a satisfação interior

Quanto a mim, por exemplo, minha filosofia nunca me faz ganhar nada, mas me poupou de muitas perdas. 

O homem normal, pelo contrário, está limitado, quanto aos prazeres da vida, às coisas exteriores, tais como a riqueza, a posição, a esposa, os filhos, os amigos, a sociedade etc.; nisso se funda a felicidade de sua vida. De modo que tal felicidade se desmorona quando essas coisas são perdidas ou o desiludem. 

Podemos caracterizar essa relação dizendo que seu centro de gravidade está fora dele. Por isso seus desejos e seus caprichos são sempre variáveis; quando seus meios permitirem, comprará prontamente coisas como casas de campo ou cavalos, dará festas ou empreenderá viagens; em geral, levará uma vida suntuosa, tudo isso precisamente porque busca em qualquer parte uma satisfação vinda de fora. 

É como um homem extenuado que espera encontrar em soluções e em remédios a saúde e o vigor cujo verdadeiro manancial é própria a força vital. 

Arthur Schopenhauer, in Aforismos Para a Sabedoria de Vida.

Você também pode curtir:

A Sabedoria da Vida

Nesta obra, o autor procura expor o que entende sobre viver com sabedoria e como tornar a vida agradável e feliz à medida das possibilidades de cada um. 

Segundo ele, embora vivendo em ambientes idênticos, as pessoas seriam capazes de reagir de uma maneira distinta diante de uma mesma circunstância, pois cada indivíduo dependeria de suas vontades, sensibilidades e de seus pensamentos.

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quinta-feira, 23 de março de 2017

A ditadura perfeita terá as aparências da democracia e os escravos terão amor à sua escravidão



Admirável mundo novo: até quando uma ficção?

Admirável mundo novo: a proximidade cada vez maior das ficções com o mundo real. Nosso destino se assemelhará à distopia de Aldous Huxley?

Um dos critérios de caracterizar um livro como “clássico” baseia-se no fato de suas ideias nunca envelhecerem. 

Admirável Mundo Novo, escrito por Aldous Huxley em 1932, é um deles. Suas mensagens mantém-se atuais, assim como outros clássicos de autores contemporâneos, como 1984, A Revolta de Atlas e A Revolução dos Bichos.

O livro narra uma sociedade planejada e construída para o bem coletivo. Uma sociedade que molda as pessoas desde antes de seu nascimento e por toda sua infância, com o objetivo de definir antecipadamente seus papéis internos determinados pelas suas castas sociais. Essa moldagem resulta em uma conformação mental generalizada de seus direitos e deveres, garantindo ao controle estatal a manutenção da ordem social, sem quaisquer ameaças de protestos. É um resultado clássico onde a personalidade não é própria, individual, mas uma personalidade representante de um coletivo.

Não há liberdade de pensamento. Não há estímulos para se pensar diferente. A ojeriza à literatura, disponibilizada apenas para determinadas castas, é construída através de condicionamento das crianças através de choques elétricos cada vez que tocam nos livros (lembra muito o proselitismo recente contra o hábito de leitura por um ex-presidente, uma de suas grandes contribuições para a atual idiocracia que vivemos). Um leve pensamento crítico, manifestado por um dos protagonistas, é motivo de chacota e ameaças concretas, assim como ocorre hoje nos casos de tentativa de censura e desqualificações sem argumentos promovidos pelo JEG*. A falta deste pensamento crítico na distopia de Huxley é uma das perdas da condição de humanidade dos cidadãos. O admirável mundo novo não seria tão admirável assim.


Uma das defesas dos ideólogos dessa sociedade é a proclamação da felicidade geral. Mas como uma ideia da felicidade pode ser construída sob os pilares da mentira? A droga “soma”, distribuída pelo governo, mantém a população despreocupada e feliz, reprimindo o pensamento independente e compelindo as pessoas a aceitarem e acreditarem na realidade existente. Pensamentos independentes seriam ameaças extremas à manutenção da sociedade. Quanto tempo falta para criarmos um índice de felicidade em nosso país? Qual seria a nota dada para este índice pelo Cypher, do filme Matrix, que dizia que a ignorância pode ser uma benção?

A inexistência de responsabilidade pelas suas escolhas também pode ser uma benção. No admirável mundo novo de Huxley não havia necessidade de preocupações, pois as ações eram dirigidas para a eliminação do imprevisível da vida social e para o hedonismo. Liberdades sexuais e a inexistência da instituição familiar propiciavam o alardeamento da ideia de que o mundo onde se vive é perfeito, uma utopia. Você não é você. Você é uma classe, um coletivo, uma raça, uma minoria. O Brasil pontuações extremas nesse tema, na medida que negros, LGBTs, índios e companhia já não podem pensar por si próprios como ser humano, mas sim como pertencente a uma casta. Joaquim Barbosa que o diga, após ser difamado pela mídia chapa branca porque seu julgamento pessoal “deu as costas” para sua “raça”, como se nisso houvesse algum sentido**. E quando não houver mais excluídos, o processo de criação ocorre novamente.

O livro, entretanto, deixa um viés de que o desenvolvimento tecnológico pode ser usado para calar a liberdade. Entendo porém, que é justamente a tecnologia que está, aos poucos, nos libertando das ideologias nocivas incorporadas na nossa mente através da Revolução Gramsciana, em função desse grande canal de comunicação mundial denominado internet. Sem ele, governos e grupos econômicos vivendo em simbiose - dependendo do local tendendo ao comensalismo ou parasitismo, já teriam dado passos mais largos para a construção dessa sociedade coletivizada. O que não impediu, entretanto, que nosso país tenha regredido várias casas nos últimos anos. Precisamos acordar logo! E tornar o mundo novo, futuro, realmente admirável.

A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão. – Aldous Huxley

*JEG: Jornalismo da Esgotosfera Governista
** Decidiu aposentar-se precocemente da presidência do STF em funções de ameaças que vinha recebendo


Huxley, Aldous

Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. 

Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. 

Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford. Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. 

Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários. 

Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos.


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quarta-feira, 22 de março de 2017

Explosões Rápidas de Rádio, sinal de vida alienígena?

Explosões de rádio misteriosas podem ser geradas por alienígenas



De todas as coisas inexplicadas em nosso Universo, as explosões rápidas de rádio são indiscutivelmente as mais estranhas. Elas são alguns dos sinais mais elusivos e explosivos já detectados no espaço, e apesar de durar apenas milésimos de segundo, elas podem gerar tanta energia quanto 500 milhões de Sóis .

No ano passado, os pesquisadores descobriram 16 desses sinais, todos provenientes da mesma fonte além de nossa Via Láctea e agora os físicos de Harvard disseram que sinais como estes poderiam ser evidência de avançada tecnologia alienígena.

“Explosões de rádio são extremamente brilhantes, dada a sua curta duração e origem, sendo que até o momento não identificamos uma possível fonte natural deles”, disse o físico teórico Avi Loeb do Centro Harvard de Astrofísica. “Uma origem artificial pode ser válida”, concluiu ele.

As explosões de rádio rápidas não são tão incomuns – desde que a primeira foi detectada em 2007, os pesquisadores estimam que 2.000 dessas coisas estão iluminando o Universo todos os dias. No início deste ano, mais seis delas foram detectados vindo do mesmo local, e os pesquisadores conseguiram achar a sua localização em uma galáxia anã, a mais de 3 bilhões de anos-luz da Terra.

As principais hipóteses da origem desses sinais estão nos eventos mais voláteis e explosivos do Universo: Buracos negros supermassivos que expelem material cósmico, explosões de supernovas superluminosas ou magnetares rotativos – um tipo de estrela de nêutrons. Mas infelizmente tudo isso é apenas especulação.

Com isso em mente, Loeb e sua equipe investigaram a possibilidade de que as explosões de rádio podem estar vindo de um enorme transmissor de rádio em um planeta alienígena distante, que transmite sinais através do Universo para impulsionar naves gigantes

Tudo bem, isso tudo pode parecer loucura. Mas os pesquisadores dizem que tal ideia está dentro das leis da física, então é claro que deve ser considerado

Claro, tudo isso é altamente especulativo, e os físicos não estão fingindo que eles têm todas as respostas em sua nova proposta. Mas eles dizem que a ciência não é uma questão de o que você acredita, é uma questão de evidência, e sempre vale a pena jogar um monte de ideias no ar para ver onde os dados se encaixam. [ScienceAlert]

quinta-feira, 16 de março de 2017

Ondas magnetosônicas



Satélites gravam o som do campo magnético da Terra


Os antigos acreditavam que a Terra estava cercada por esferas celestiais, que produziam uma música divina quando se moviam. Vivíamos, por assim dizer, num enorme instrumento musical.

Isso pode soar tolo, mas a ciência moderna nos provou que isso está certo em uma certa medida. 

Os satélites que gravam ondas sonoras que ressoam da magnetosfera da Terra – a bolha magnética que nos protege da radiação espacial – mostram que estamos realmente vivendo dentro de um enorme instrumento musical magnético.


(O som do campo magnético pode ser ouvido nos primeiros segundos do vídeo)

Bem, você já deve ter se perguntado como o satélites conseguiram gravar o som, sendo que no espaço não existe atmosfera. Obviamente, essas ondas não são exatamente o mesmo tipo de ondas sonoras que temos na Terra. O espaço é preenchido com plasma em vez de gás normal: um estado diferente de matéria feita de partículas carregadas.

Interações podem dar origem ao plasma equivalente de ondas sonoras: ondas magnetosônicas. Estas também são ondas de pressão, mas com algum magnetismo acrescentado.

Uma das diferenças entre o instrumento magnético da Terra e os que estamos mais acostumados é como ele muda com o tempo. A magnetosfera está quase sempre mudando – cresce e se encolhe em resposta direta ao vento solar. Podemos até imaginar que isso deve mudar as “notas” da magnetosfera, justamente como um instrumento musical funciona.

O problema é que você não pode simplesmente ouvir como as notas mudam, porque muitas vezes não é possível ter certeza o que desencadeou as ondas detectadas, simplesmente porque não temos satélites colocados em todos os pontos ao longo deste “Instrumento”.

E claro, não podemos realmente ouvir essas ondas magnetosônicas no espaço – os níveis estão muito abaixo do alcance da audição humana. Mas os satélites podem capturar o som e podemos então amplificá-los para torná-los audíveis. [ScienceAlert]

segunda-feira, 13 de março de 2017

Geoglifos: Amazônia já teve uso sustentável

Pesquisa com geoglifos indica que Amazônia teve uso sustentável há milhares de anos

10/03/2017 - por Peter Moon  |  Agência FAPESP

Pesquisa feita em grandes estruturas geométricas
de terra construídas por povos pré-colombianos
indica atividade agrícola com prática
de recuperação de florestas
Imagem: Sítio Jacó Sá, geoglifos/Salman Kahn
O desmatamento no leste do Acre para a expansão da pecuária tem revelado, nos últimos 30 anos, centenas de grandes estruturas geométricas de terra construídas por povos pré-colombianos.

Tais estruturas são chamadas de geoglifos. O fato de terem sido construídas pelo homem implica a existência de um grande povoamento na região há milhares de anos, assim como sugere que, no passado, a floresta havia sido parcialmente derrubada para o uso da terra pela agricultura. A arqueóloga inglesa Jennifer Watling, atualmente bolsista de pós-doutorado da FAPESP, estudou em seu doutorado – defendido na University of Exeter, no Reino Unido – qual teria sido o impacto ambiental das populações pré-históricas decorrente da construção dos geoglifos.

Ela estudou dois locais com geoglifos, o Sítio Arqueológico Jacó Sá e a Fazenda Colorada. O trabalho foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences e ganhou imediatamente visibilidade internacional, com reportagem publicada em veículos como The New York Times.

Saindo de Rio Branco, a capital do Acre, pega-se a BR 317 em direção a Boca do Acre (AM). Leva-se cerca de uma hora de carro para percorrer os 50 quilômetros até o sítio Jacó Sá. Ao longo do trajeto a estrada passa por pastos com gado nelore onde antes havia Floresta Amazônica primária, cujas franjas ainda são visíveis dos dois lados da rodovia lá na linha do horizonte.

Toda aquela porção do extremo ocidental do Acre era coberta por floresta primária até os anos 1980 e vem sendo desflorestada para a criação de gado. Metade da cobertura florestal na região já se perdeu.

Por ironia, não fosse o aumento da ocupação humana no Acre, os mais de 450 geoglifos pré-históricos hoje catalogados continuariam ocultos pela mata. A floresta evidentemente esconde muitos outros. Os geoglifos se espalham pelos vales dos rios Acre, Iquiri e Abunã, entre Rio Branco e Xapuri, e também ao norte de Rio Branco, na direção do Estado do Amazonas.

Do solo não é possível visualizar suas formas nem as suas dimensões. Em um avião, voando a 500 metros do solo, os geoglifos se tornam visíveis. Eles têm o formato de círculos, quadrados, retângulos, círculos concêntricos ou ainda círculos circunscritos no interior de grandes quadrados.

As dimensões são colossais: variam de 50 a 350 metros de diâmetro. No solo, os geoglifos são como grandes valas de até 11 metros de largura por 4 metros de profundidade. É impressionante o imenso volume de terra que teve que ser removido para a sua construção, o que implica um grande contingente populacional.

No sítio de Jacó Sá há dois geoglifos, ambos na forma de quadrados com cerca de 100 metros de lado, sendo que um deles tem um círculo perfeito circunscrito em seu interior. Quem quiser pode usar o Google Maps e entrar com as coordenadas 9°57′38"S 67°29′51”W para apreciar os dois geoglifos das alturas.

Imagem: Jennifer Waitling

Watling queria entender como seria a vegetação naquela região na época em que os geoglifos foram construídos. O local, antes do desmatamento, era dominado por bambuzais.

Watling se propôs a responder uma série de questões. “Será que a floresta de bambu predominava antes de haver geoglifos? Qual foi a extensão do impacto ambiental associado à construção dos geoglifos?”, pergunta a arqueóloga.

“Será que a região era coberta por florestas antes da chegada dos povos que construíram os geoglifos ou seria originalmente uma região de cerrado? Se era floresta, por quanto tempo as áreas desmatadas permaneceram abertas? O que aconteceu com a vegetação quando os geoglifos foram abandonados? Como foi o processo de regeneração da floresta?”, são outras questões levantadas.

Manejo florestal

Watling atualmente se dedica ao pós-doutorado, sob orientação do arqueólogo Eduardo Góes Neves, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).

A pesquisadora passou seis meses escavando nos sítios do Acre, entre 2011 e 2012. Usou técnicas de paleobotânica para obter respostas. Suas escavações em Jacó Sá e na Fazenda Colorada demonstraram que o ecossistema de bambuzais existe no local há pelo menos 6.000 anos, o que sugere que o bambu não foi introduzido pelos índios, mas fazia parte da composição paisagística original.

A presença do homem no local data de pelo menos 4.400 anos atrás. Já a presença de partículas de carvão, principalmente a partir de 4.000 anos antes do presente, implica a intensificação do desmatamento e/ou do manejo florestal pelos índios.

O maior acúmulo de carvão coincide com a época da construção dos geoglifos, entre 2.100 e 2.200 anos atrás. Apesar da relativa facilidade com que se removem bambuzais (quando comparado a mognos e castanheiras, por exemplo), Watling não achou evidências de desmatamentos significativos em qualquer período.

Segundo ela, isso quer dizer que os geoglifos não ficavam dentro de uma área totalmente desmatada. “Ao contrário, eles eram cercados pela copa das árvores. A vegetação local jamais foi mantida completamente aberta durante todo o período pré-Colombiano. Esta dedução é consistente com evidências arqueológicas indicando que os geoglifos eram usados em bases esporádicas em vez de continuamente habitados”, disse Watling.

Imagem: Jennifer Waitling

“As escavações arqueológicas não revelaram grande quantidade de artefatos, o que indica que os geoglifos não eram locais de habitação permanente. Os índios não moravam lá”, disse.

Outra constatação é que os geoglifos não foram construídos sobre floresta virgem que foi derrubada. Os dados paleobotânicos coletados por Watling sugerem que as estruturas foram erigidas em terrenos previamente ocupados, ou seja, em florestas antropogênicas, que foram derrubadas ou tiveram sua composição alterada pela ação humana ao longo de milhares de anos.

Isso faz sentido quando agora se sabe que a região era ocupada desde há 4.000 anos. Em outras palavras, seus habitantes tiveram 2.000 anos de manejo da floresta antes da construção dos geoglifos. Graças às pesquisas em outros geoglifos sabe-se que o povo que construía aquelas enormes estruturas cultivava milho e abóbora.

Os dados coletados por Watling indicam que a derrubada da floresta por meio de queimadas realizada entre 4.000 e 3.500 anos atrás foi seguida pelo aumento significativo da quantidade de palmeiras na composição da floresta.

Não existe nenhuma explicação natural para o aumento da quantidade de palmeiras, já que o clima na região era (e continua sendo) úmido e portanto favorável à colonização por parte de árvores de grande porte e o consequente adensamento da mata. A proliferação das palmeiras está ligada, segundo Watling, ao aumento do uso da terra pelo homem, o que é corroborado pelo depósitos de partículas de carvão.

As palmeiras têm diversos usos. Seus cocos são alimento, seus troncos servem para construir ocas e suas folhas para cobri-las. Segundo Watling, isso sugere que, após a limpeza da mata pelos primeiros habitantes da região, eles teriam passado a permitir a proliferação apenas das espécies vegetais que faziam uso. Em outras palavras, os antigos habitantes do local fizeram uso de técnicas primitivas de manejo florestal por milhares de anos.

A ausência de carvão a 500 metros de distância dos geoglifos significa que seu entorno não foi desmatado. “Isso sugere que os geoglifos não foram projetados para ser visíveis a distância, mas para ficar escondidos da vista, o que não deixa de ser uma conclusão inesperada”, disse.

Geoglifos

Os geoglifos estudados por Watling e colegas do Brasil e do Reino Unido foram abandonados há cerca de 650 anos, portanto antes da chegada dos europeus nas Américas. Em concomitância com o abandono dos geoglifos observa-se o declínio da participação de palmeiras no meio ambiente.

Os geoglifos impressionam pela beleza e precisão de suas linhas. Qual foi o povo responsável pela construção daquelas estruturas? Que técnicas usaram para erigir formas tão perfeitas?

A primeira imagem que vem à mente é a dos animais esculpidos no solo do deserto de Nazca, no Peru. Descobertos em 1927, eles teriam sido feitos há 3.000 anos. Vistos do solo, as figuras peruanas parecem linhas sem-fim que se perdem no horizonte.

Só de bem alto, a 1.500 metros de altura, suas formas começam a fazer sentido. Compõem um beija-flor, uma abelha e um macaco. Tais figuras ficaram famosas nos anos 70, quando o escritor suíço Erich von Daniken publicou o livro – que vendeu milhões de exemplares e foi transformado em filme – Eram os Deuses Astronautas?.

Von Daniken defendia a teoria de que certas civilizações, como a dos astecas, teriam sido visitadas por alguma forma de vida extraterrestre inteligente. Daí a justificativa de figuras que só fazem sentido quando vistas de grandes altitudes.

Contam os antropólogos, porém, que a intenção dos índios autores daquelas obras de arte milenares era enternecer os deuses, convencendo-os a fazer chover. Os geoglifos acreanos situam-se mil quilômetros a nordeste do desértico vale de Nazca. E no Acre, como se sabe, a falta de chuva não é um problema.

No pós-doutorado, Watling também estuda o impacto exercido sobre a floresta de um povoamento indígena no sítio arqueológico de Teotônio, na região do Alto Rio Madeira, em Rondônia. “Teotônio possui algumas das datações mais antigas da pré-história amazônica. Foi ocupado por pelo menos 5 mil anos”, disse.

O artigo Impact of pre-Columbian “geoglyph” builders on Amazonian forests (doi: 10.1073/pnas.1614359114), de Jennifer Watling, José Iriarte, Francis E. Mayle, Denise Schaan, Luiz C. R. Pessenda, Neil J. Loader, F. Alayne Street-Perrott, Ruth E. Dickau, Antonia Damasceno e Alceu Ranzi, publicado pela PNAS, pode ser lido por assinantes em: www.pnas.org/content/114/8/1868.abstract

sábado, 11 de março de 2017

Mês da Mulher: Elizabeth Eckford

Foto: Will Counts
Elizabeth Eckford ignora os gritos dos outros estudantes em seu primeiro dia, integrada em uma escola secundária de Little Rock, em 1957. 

No dia 4 de setembro de 1957, Elizabeth e outros oito estudantes negros tentaram entrar na Little Rock Central High School, reservada apenas para estudantes brancos. 

Uma multidão impediu a entrada, proferindo insultos desclassificantes contra Elizabeth, que foi sozinha por não ter sido informada que os alunos negros viriam em grupo.

Diante do impasse, no dia 24 de setembro de 1957, o presidente, Dwight Eisenhower, tentou convencer o governador Orval Faubus a aceitar as leis federais; mas as negociações fracassaram.

Sem alternativas, para fazer evoluir as negociações, o presidente americano enviou os homens  da Marinha para escoltar os nove alunos negros, para  que eles pudessem entrar na Little Rock Nine Central High School.

Como a maioria dos moradores da cidade estava enfurecido, o governador  radicalizou e decidiu fechar todas as escolas por um ano, em vez de permitir  a mistura entre os estudantes negros e brancos.

Em 1958, Elizabeth Eckford mudou-se para para St. Louis, no Missouri, para  fazer curso de História. Após a faculdade, ela tornou-se a primeira mulher americana afro-descendente, em St. Louis, a trabalhar em um banco.

Nos anos 60, Elizabeth voltou para Little Rock e trabalhou como professora substituta em uma escola pública. Hoje, a Little Rock Central High School abriga um museu que registra os eventos de segregação racial acontecidos e ratifica a sua política contra qualquer discriminação.

Em 1996, sete dos Little Rock Nine, incluindo Elizabeth Eckford, participaram do programa de televisão de Oprah Winfrey, onde  se reencontraram com alguns dos estudantes brancos que apoiaram o racismo naquele lamentável evento.

...
A fotografia  de Will Counts capta as chagas da desagregação racial - em Little Rock e em todo o Sul dos estados Unidos - e registra um momento épico do movimento dos direitos civis.

sexta-feira, 10 de março de 2017

A mentalidade de seita

Existe uma forte inclinação para as pessoas construírem mentalidades de seita dentro do caminho espiritual. E com esses “dragões” tenho lutado por anos, pois, embora nunca tenha tido a vontade e a aspiração para estar em uma seita, muitas vezes vejo esse impulso aflorar nas pessoas. E chegam a mim com certa frequência inúmeras pessoas que já foram profundamente afetadas por essa mentalidade. 

Existem, é claro, as organizações que se constroem deliberadamente como seitas. Mas acontece que muitas vezes a mentalidade de seita vem com a própria pessoa, independente da filosofia e intenção do grupo. 

Alguns possuem uma inclinação quase irresistível pela manipulação. Acontece que a mentalidade de seita é uma das grandes causas de corrosão espiritual da contemporaneidade. Neste tempo de grande cegueira é possível identificar a mentalidade de seita não apenas em grupo ligados a espiritualidade como também em determinados nichos de ideologia política.


UM GRUPO ÚNICO, UMA IDEOLOGIA ÚNICA

O grupo que você frequenta é único? Ele é superior a tudo o mais que é feito? Vocês são os únicos que salvarão o mundo. São os donos da verdade? Bom, se você pensa que seu grupo é único e exclusivo, se pensa que ninguém mais no mundo está fazendo algo à altura do que vocês fazem, pode ter certeza, você está tendo uma mentalidade de seita. Vocês foram escolhidos pelos anjos, pela Luz Infinita ou por um raio cósmico, por um espírito superior, para cumprir uma missão que mais ninguém conseguirá cumprir? Cuidado, você está tendo uma mentalidade de seita.

O LÍDER

O líder de seu grupo é um ser iluminado? Ele fala de uma forma diferente, tem aquele jeito de santo quando fala? Ele possui poderes cósmicos que mais ninguém possui e o simples toque de suas mãos é o suficiente para abrir os portões da eternidade? O líder de seu grupo é o detentor de toda a verdade? Ele precisa afirmar que é a reencarnação de alguém importante, ou é o ser indicado em uma profecia? Você o considera santo, perfeito, inalcançável? Cuidado, você está tendo uma mentalidade de seita.

VIDA SOCIAL

A sua filosofia lhe incentiva a frequentar única e exclusivamente o ambiente social do grupo que você frequenta? Você não vai mais ao cinema? Você não anda mais no shopping? Não vai mais a um show, nem pode ler outras coisas que não sejam os assuntos do “grupo”. Os membros do grupo e o líder consideram que você só deva ler os livros do grupo? O líder se sente profundamente ofendido quando você frequenta outro grupo, escuta ou lê outro líder? Você é orientado a manter-se fiel única e exclusivamente ao que é produzido no grupo? Cuidado, você está tendo uma mentalidade de seita.

O SEU TEMPO

O tempo que você dedica ao seu grupo é maior do que o tempo que usa para cuidar de você? Sua vida fora do ambiente do grupo está desorganizada? Sua casa está um caos e você não tem tempo para arrumar seu quarto pois está muito ocupado com o grupo? Você se sente culpado quando não está no grupo, quando tem que faltar um evento ou ritual para ir comer uma pizza com seu marido (esposa)? Cuidado, você está tendo uma mentalidade de seita.

DINHEIRO

Você se sente coagido a dar dinheiro? É forçado a deixar tudo o que tem para o grupo? Se sente em dívida eterna com Deus por não dar dinheiro suficiente para o grupo? Cuidado, você está em uma mentalidade de seita.

OS OUTROS

O que as pessoas do grupo falam das pessoas que estão fora do grupo? O que elas falam sobre quem saiu do grupo? Quem está fora é ignorante, excluído, negativo, pecador ou alienado? Quem saiu está fadado ao fracasso, doença, escuridão ou maldição eterna? Você acha que as pessoas que saíram do grupo são pessoas do mal? O líder se refere a elas como encarnações amaldiçoadas? O grupo acha que os outros grupos são inimigos? O grupo acha que outras crenças e filosofias são do mal? Gasta-se muito tempo falando mal de outros grupos e caminhos? Cuidado, você está em uma mentalidade de seita.

VIDA ÍNTIMA

O grupo dita regras morais sobre sua vida íntima? Diz como é o modelo ideal de relacionamento? O grupo diz que tipo de trabalho você deve ter? Que tipo de ideologia política deve seguir? Que tipo de roupa você deve usar na rua? Seu novo relacionamento afetivo precisa ser aprovado pelo grupo? Cuidado, você está em uma mentalidade de seita.

SAÍDA

O que acontece se você decide sair do grupo? Você vai ser ameaçado? Maldições terríveis cairão sobre você? Estará sendo influenciado pelas forças do mal? Cuidado, você está em uma mentalidade de seita.

Isso não significa que devemos deixar nossos grupos, nem mesmo colocar em questão nossas crenças e sim a nossa mentalidade. A mentalidade de seita é algo que aflora em um coração adoecido, carente e muitas vezes cheio de esperanças e projeções. 

O seu coração, a sua consciência e maturidade são os fatores mais importantes de nossa condução. Veja-se, avalie-se e nunca, nunca tenha medo de pensar, criticar, duvidar, avaliar. Em suas escolhas ideológicas, filosóficas e espirituais seja simples, seja humano. Tenha um olhar sereno sobre as coisas e quietude no coração.

MARIO MEIR (Academia de Cabala)
Fonte: Philippe Bandeira de Mello, no Fecbook

sexta-feira, 3 de março de 2017

A Internet é capaz de distorcer a percepção de tempo

Você abre o Facebook só para dar uma espiadinha e, quando se dá conta, está ali há horas. 

Como isso aconteceu?

Psicólogos da Universidade de Kent, no Reino Unido, fizeram uma pesquisa e descobriram que, quando pessoas navegam na internet ou usam a rede social, elas têm uma “percepção prejudicada do tempo”. E mais: a criação de Mark Zuckerberg é quem mais causa isso.

No estudo, intitulado de Internet and Facebook Related Images Affect the Perception of Time, cientistas tentaram entender como a “atenção” e a “excitação”, sentimentos que permanecem em primeiro plano durante os períodos em que estamos conectados, influenciam a nossa percepção das horas.

A conclusão foi que o Facebook faz com que as pessoas percam a noção do tempo – muito mais do que o resto da internet. Mas ambos são capazes de distorcer o tempo.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores monitoraram 44 pessoas. Elas foram expostas a 20 imagens: cinco fotos eram associadas ao Facebook (como imagens do dia a dia de alguém, de casamentos, de viagens etc), outras cinco eram de coisas genéricas da internet (como sites de interesse específico) e as demais eram neutras. Os participantes tinham que auto-avaliar o tempo que passaram olhando para cada uma das fotos.