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quarta-feira, 13 de junho de 2012

#OCUPAdosPOVOS :: #OccupyRioplus20





OCUPARIO vai receber todos os companheiros das ocupas do mundo que chegarem na cidade para manifestar junto durante a Cupola dos Povos e a RIo+20. 

Para atender a todos no melhor dos modos pedimos que informem data de chegada e número de visitantes enviando email para ocupario@gmail.com. Receberão as infos e os contatos direto com a OcupaRio. Nos vemos no OcupaRio!

OCUPARIO will welcome all people from occupy’s movements around the world in Rio de Janeiro to manifest together during people’s Summit and Rio+20. To help us best organize receive people, please inform date and numer of visitors to the address ocupario@gmail.com. You will receive infos about organization and local contacts. See you at OcupaRIO!

OCUPARIO invita tutte le occupazioni intorno al mondo a Rio de Janeiro, per manifestare insieme durante la Cupola dei Popoli e la Rio+20. Per otimizzare l’ccoglienza siete pregati di informare a ocupario@gmail.com il giorno di arrivo e il numero dei visitanti. Riceverete informazioni sull’organizzazione e i contatti locali. Vi aspettiamo a OcupaRIO!

OCUPARIO va a recibir a todos los compañer@s ocupas del mundo que llegarán a la ciudad para manifestarse en la Cumbre de los Pueblos y en Rio+20. Para atender a todos del mejor modo pedimos que informen la fecha de llegada y el número de visitantes enviando un e-mail a ocupario@gmail.com. Recibirán la información y los contactos directos con OcupaRio. Nos vemos en OCUPARIO!

OCUPARIO veut recevoir tous les compagnons provenant d’occupations de tout le monde qui viendront à Rio pour prendre part au “Sommet des Peuples” et à Rio+20. Pour qu’on puisse bien vous recevoir on vous en prie de nous informer la date d’arrivée et le nombre de personnes en écrivant a: ocupario@gmail.com. Vous rencontrerez des infos et contacts directement de OcupaRio. On se voit à OcupaRio!



Reunião geral segunda 11/06 – Ocupa dos Povos – Deliberações

Na reunião desta segunda, 11/06, contamos com um grupo bem maior de pessoas, inclusive companheiros de outros ocupas brasileiros e occupy´s internacionais. [Bem-vind@s tod@s!] Tentamos deixar todos a par do que vinha sendo feito nas reuniões anteriores e definir juntos os próximos passos. Tivemos muito dissenso, especialmente relacionado ao GT Infra que divergiu sobre anunciar hoje o local da ocupação ou aguardar o dia desta para fazê-lo, como vinha sendo consenso em reuniões anteriores. Decidimos por manter a segunda opção, por medidas de segurança. Os GTs se reuniram separadamente (Sinergia, Comunicação, Intervenção e Welcome – este último criado hoje na praça para melhorar a comunicação com os companheiros que estão chegando de fora do país) e depois voltamos para a assembleia coletiva e cada GT fez um breve resumo, que tento transpor abaixo (ata copyleft – gentileza complementar):

GT SINERGIA
Está organizando a lista de companheiros do Rio que possam receber companheiros de fora em suas casas. Há muitas pessoas chegando e isso é muito importante e urgente. Por gentileza, todos que puderem contribuir com essa questão, entrar em contato com o GT no link do facebook e/ou aqui na lista Ocupa dos Povos e/ou no email: ocupario@gmail.com.

GT INTERVENÇÃO
> Fará a intervenção que dará início à ocupação. Ela acontecerá dia 14 de junho, 18h30, e terá como PONTO DE ENCONTRO a Praça Paris (mapa aqui), onde nos encontraremos e seguiremos juntos para o local da ocupação. IMPORTANTE LEVAR PARA A INTERVENÇÃO: capa de chuva amarela, lanterna, pisca-´pisca, apitos, latas e, claro, BARRACA! Há um evento da intervenção no facebook.

GTCOM
> Precisa de pessoas disponíveis para compor equipes que atuarão por turnos – tanto na acampada, como nas ações pela cidade e dentro da cúpula dos povos. Também precisamos de conexão 3G para viabilizar o máximo de streamming. Temos modems que precisarão ser ativados (o que envolve grana, disseram R$ 200). Se alguém tiver conexão móvel ou souber maneiras interessantes de disponibilizar, fale com a gente. Temos 3 tendas gazebo para a acampada, 1 projetor, a sementeira (que precisa ter gente cuidando ao longo de toda a ocupação), e estamos registrando os equipamentos que as pessoas já trarão ou podem trazer para o Ocupa: filmadoras, computadores, celulares etc. Alimentaremos os canais principais (site ocupario.org / twiiter @ocuppyrio / Fanpage / Grupo de Discussão / GTs), incentivando que cada atuante no globo repasse às informações aos grupos de interesse.

Encerramos a assembleia com os informes dos GTs e marcando NOSSO PRÓXIMO E DEFINITIVO ENCONTRO PARA A PRÓXIMA QUINTA-FEIRA, DIA 14/06/12, 18H30, NA PRAÇA PARIS. LEVEM SUAS BARRACAS (e tudo o mais!).

OcupaRio (G.A.) Reunion 06/11, deliberations

On monday (06/11) meeting was present a good number of people, inclusive from other occupies from Brasil and around the world [Wellcome to everybody!!]
We related what has gone on in past reunions and activities and defined together next moves.

As a security measure we decided, after a good discussion, that the final camping place we’ll not be revealed till the day of the action and what is going to be divulgated are only meeting points were to concentrate.

After this the working groups (GT) had separated conversations, and then we reunited again for the GTs could report to everybody

GT SINERGIA
(sinergy, created to give logistic and other kind of help to ar friends coming from all over the world):
is organizing a list of people which can give hospitality in their houses, which is quite urget to realixe, given the big number o people is goin go show up in Rio. Please, everybody who is willing to help make contact with the GT via facebook and/or our mailing lists, or by writing to ocupario@gmail.com

GT INTERVENÇÃO (Intervention)
This group is responsable to actuate in the beginning of occupy actions. Has been decided that our occupation will happen on the 14th, the meeting point will be in Praça Paris at 18.30 (look on google map for directions – Praça Paris RIo de janeiro) and from there wi’ll move all together for the final occupation spot. Who can is kindly request to bring a yellow rain cup, flashlights, whistles, something to bit on and make a lot of noise, and naturallu, CAMPING TENTS!! A FB event will be organizes later on, and informed via mail list.

GT COMUNICAÇÃO (communications)
This working group needs people to cover all is activities. A turnation will regulate participation to cover the camp activities and other happenings and actions around the city. We got some equipment, but still need many things (as internet connection for the streaming, for example). Who is going to bring and use video/audio equipment, is kindly request to contact the group to coordinate cover of all activities (FB or mail). The group will be responsable for the main communication channels of OcupaRio (site ocupario.org / twiiter @ocuppyrio / Fanpage / Discussion groups on FB / GTs), and will be stimulating people all around the globe to make informations circulate.

The reunion ended with the decision that next meeting will be directly on Wednesday 06/14/12, 18h30, in PRAÇA PARIS, for the beginning of actions.


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Occupy Wall Street renasce no 1º de maio e ataca símbolos do consumo em NY


via operamundi / Efe

Com o fim do rigoroso inverno norte-americano, movimento voltou a ocupar ruas da maior metrópole dos EUA


Apesar de ser o berço do Dia do Trabalho, os Estados Unidos não têm a tradição de baixar as portas do comércio, nem fechar fábricas e escolas, como ocorre em quase todo o mundo. Ontem, porém, os manifestantes do movimento Occupy Wall Street mudaram este cenário, confiantes no lema que disseminam desde o ano passado: “Nós somos os 99% e podemos mudar o mundo”.

Após uma pausa devido ao rigoroso inverno no hemisfério norte, o movimento que protesta contra o sistema financeiro internacional e se espalhou pelo globo em 2011 voltou à ativa neste 1º de maio, com uma manifestação sem precedentes em Nova York.

O recado já havia sido dado, como noticiado no Opera Mundi: não ao consumo, ao trabalho, à escola. E eles cumpriram o que prometeram. Jovens, famílias inteiras com bebês de colo, idosos, mendigos, hipsters e engravatados ocuparam as ruas de Manhattan pacificamente, com guitarras, violões, bandeiras, cartazes, discursos, canções e gritos de protesto no simbólico ‘feriado’.

O movimento, que foi alvo de uma articulada repressão por parte da polícia norte-americana – que evacuou todos os ocupantes de suas bases, proibindo-os de ali voltarem a acampar – renasceu. A iniciativa começou cedo, com a ocupação do Bryan Park, na rua 42 com a 6a Avenida. O Occupy ainda realizou ações pontuais em alguns pontos de comércio e bancos (os vilões da crise americana de 2008, ajudados por Barack Obama para não quebrarem). Cartões-postais, como a ponte de Williamsburg, também foram ocupados.

Por volta das 14h (15h no horário de Brasília), centenas saíram em direção à Union Square, tomando a 5a Avenida, o símbolo-mor do consumismo nova-iorquino. Sempre acompanhados pela polícia, eles respeitaram até a rua 33 o cercadinho humano que os impossibilitava de tomar – literalmente – a avenida. Dado instante, porém, a multidão ficou irrefreável. A polícia perdeu o controle da situação – e a 5a Avenida foi, literalmente, ocupada. A liberdade, contudo, durou pouco, segundos. Centenas de policiais voltaram a cercar alguns manifestantes e prende-los.


Grande parcela dos ‘ocupadores’, entretanto, deu continuidade à caminhada e, por volta das 15h, já dominavam a Union Square, monitorada pelos homens da NYPD (o departamento de polícia de Nova York). “Loucura, era disso que eu estava falando”, dizia uma das manifestantes à amiga que empunhava a bandeira da anarquia, correndo em direção à praça. Lá, os discursos – e reivindicações – se misturavam, chamando atenção para os mais distintos assuntos: aborto, imigração, drogas, direitos de GLBT, cadeirantes. Todos, no fim, desembocavam no mesmo grito: o fim do capitalismo e dos privilégios ao 1% mais rico da população.

Encontro de classes

A professora Suzane, de 65 anos, que se recusou a dar o sobrenome por medo de retaliação, exaltou o Occupy como a “única salvação” para o sistema atual. “O dia de hoje é crucial para a história dos Estados Unidos. A única salvação para todo o mundo é a ocupação em Wall Street. Você tem aqui ricos, pobres, jovens e idosos, fora um monte de gente que não está aqui por medo de perderem seus trabalhos: gente da minha família inclusive. Em 65 anos nunca vi nada igual”, declarou Suzane.

Para a professora, o movimento é, sobretudo, “apolítico”. “Democratas ou republicanos, nós já vimos que nada acontece. A mídia, que deveria dar atenção a isso, é controlada pelo [Rupert] Murdoch, nada é noticiado. Por isso estamos aqui”. O jovem William, de 29 anos, que trabalha como operário em construção (e também se recusou a dar seu sobrenome), atendeu ao clamor do lema do “May Day” e “enforcou” o dia de trabalho para se juntar ao Occupy. Ele ressaltou a importância dos jovens – e da união com as diversas faixas etárias, raças e classes sociais.

William, entretanto, lembrou o medo de um grande número de trabalhadores que poderiam se juntar à causa e não o fazem por preverem represálias. “Eu acredito no Occupy, mas só não sei se ele consegue ser efetivo com esse número que temos aqui manifestando”, disse. A tese de represália – “num mundo cruelmente corporativista”, como pontuou Suzane – faz sentido. Diversos policiais empunhavam câmeras durante o manifesto – e, claro, que com intenções outras que a mera curiosidade ou o puro registro. Se negavam, no entanto, a explicar o uso da máquina.

Rumo ao coração financeiro

efe
Por volta das 16h30, um chamado do palco convocou as milhares de pessoas que ocupavam a Union Square e seus arredores para seguir em marcha ao Zucotti Park, em Wall Street, onde tudo começou. Os manifestantes passaram pela Broadway, interditando uma das principais avenidas de Manhattan, em meio às diversas grifes que pipocam pelo miolo do sofisticado bairro do SoHo. Moradores, turistas e comerciantes, em sua maioria, fotogravam, comentavam, aplaudiam. Outros, fechavam as portas, como uma loja da rede Starbucks.

A nova-iorquina Margie, 61 anos, dava de ombros ao cerco policial e sorria em meio à multidão, já a caminho do coração financeiro da cidade. Dizia-se feliz por participar e interagir com o ato “histórico”. “O que está acontecendo aqui é muito importante. E essa união, especialmente, pode mudar muita coisa. Eu espero que mude”.

Entretanto, nem tudo foram flores. Ainda no caminho, um policial questionado sobre como reagiriam quando os manifestantes chegassem a Wall Street, alterara: “Isso certamente não vai acabar bem”.

A exemplo de outras iniciativas do Occupy, como a caminhada na Ponte do Brooklyn e a marcha do Occupy Times Square, dezenas de manifestantes foram presos. A reportagem presenciou duas detenções, com direito a algemas e camburão. Uma das manifestantes presas, perguntada por alguém da imprensa porque estava sendo detida, limitou-se a responder, quase em silêncio, “porque eu sou contra”.

Próxima parada: Europa (e América do Sul)

Cidades como Paris também fizeram seu grito de resistência no 1o de Maio, mas foi apenas um ‘esquenta’ para a grande rede que irá se propagar em toda a Europa entre 12 a 15 de maio, quando eles prometem reativar a ‘revolução espanhola’ (que dominou as ruas e o Twitter com o hashtag #spanishrevolution no mesmo período do ano passado e que também está nas redes sociais sul-americanas com tags como: #OcupaRio, #12M e #15M, dentre outras...). O Occupy Wall Street, aliás (como o movimento dos ocupas aqui no Brasil), foi inspirado nos “indignados” espanhóis, que agregava o mesmo caldeirão de pessoas para se voltar contra o sistema.

Com o agravante da situação econômica na Europa – ainda pior que nos Estados Unidos –, a Espanha promete ser outra vez o epicentro do movimento. O país, onde uma em cada quatro pessoas está desempregada, vai fazer barulho. “O ‘May Day’ foi histórico e voltou para ficar. Mas a Europa vai queimar”, aposta o médico brasileiro Alexandre Carvalho, um dos idealizadores do Occupy.

sexta-feira, 27 de abril de 2012


Em 25 de Janeiro de 2011, os egípcios foram as ruas, tomaram a Praça Tahrir, e o ditador teve que deixar o poder. Em 15 de Maio, os espanhóis decidiram permanecer na Puerta del Sol, em Madri, depois da enorme manifestação que ganhou as ruas naquele dia. Estes acampamentos expandiram-se em poucos dias a toda a Espanha e, pouco depois, a outras cidades de continentes diferentes.

No dia 27 de Setembro, o Occupy Wall Street se instalou no coração financeiro do mundo, abalou as estruturas políticas dos EUA e inspirou milhares a ocuparem as praças de outra dezenas de cidades ao redor do mundo.

No dia 15 de outubro, milhões de pessoas saíram às ruas em mais de 1000 cidades em todo o planeta, sob o lema "Unidos Por Uma Mudança Global". No Brasil, algumas cidades se mobilizaram e praças públicas foram ocupadas em: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, dentre outras. Em todas elas, os acampamentos permaneceram por muitas semanas e meses, como espaços políticos de aprendizado, criatividade pulsante, e local privilegiado para experiências únicas de convívio humano.

O 12 de Maio (#12M) será um Dia Internacional de Mobilização, pessoas de todo o mundo tomarão as ruas para gritar contra o sistema capitalista e sua estruturação política que serve única e exclusivamente à manutenção dos interesses dos poderosos. Mais do que isso, mostraremos também que, perante esse sistema que não nos representa, construíremos outro, que contemple nossos sonhos, nossas lutas e nossas aspirações de futuro.

Junte-se a nós! Somos mulheres e homens cansadxs da exploração, da desumanização e da opressão que retira um pedaço de nossa alma e de nossa carne, todos os dias. Já chega!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Decisões coletivas: reunião Ocupa Rio 14.04.12 no MAM




1- Organizou-se um pequeno comitê para manter os canais de informação Ocupa Rio melhor atualizados com as agendas das diferentes iniciativas políticas apartidárias pelas cidades do Rio de janeiro e grande Rio. 

A intenção é enfatizar e promover o entendimento de que o Ocupa Rio não é um grupo, nem um coletivo, mas um espaço de ativismo político independente de partidos, e que se dá no encontro produtivo de movimentos, coletivos e ativistas independentes. 

Pedimos a todos ativistas e artivistas organizados em movimentos ou independentes que também que ajudem a divulgar suas iniciativas, encontros e reuniões, enviando a info sempre ao email ocupario@gmail.com e também como mensagem privada na página http://www.facebook.com/OcupaRio

2- Sobre o chamado Global 12M (12 de Maio) Local, debate, shows e publicação coletiva:

2.1- o local escolhido para as atividades do 12M foi o Largo da Carioca. 

2.2- os presentes se propuseram a organizar um debate Ocupa Rio e shows. 

O tema proposto é sobre o contexto da economia global e de iniciativas de autonomia local (cooperativas ecológicas, cooperativas de consumidores etc) e propostas de cooperação global independente de governos. Alguns nomes, instituições e movimentos foram sugeridos e serão contactados. 

Os interessados em ajudar com indicação e contato de nomes, por favor, enviar a info sempre ao email ocupario@gmail.com e também como mensagem privada na página http://www.facebook.com/OcupaRio

2.3- no 12 de Maio, será lançada publicação coletiva de formato e tamanho livres, de acordo com a colaboração recebida até o sábado dia 28 de abril pelo email ocupario@gmail.com. A publicação será aberta a todos os interessados. 

Favor enviar textos, poesias, quadrinhos e charges (tudo preferencialmente em Preto e Branco) com temas afins ao ativismo político apartidário de nível local ou global. 

Como ativismo político, entenda-se não apenas protestos e queixas sobre governos, mas também todo tipo de iniciativa colaborativa e de estímulo à autonomia das populações, por exemplo, na área de ecologia, educação, de identidade (movimento negro, LGBT, feministas, indígenas, quilombolas, etc), lutas urbanas e rurais por moradia, questões de direitos autorais, questões de patentes de sementes e remédios etc.

Lembre-se: enviar texto, poesia, charge, ou quadrinhos até dia 28 de abril para o email ocupario@gmail.com 

Para chegar ao público que não tem acesso ou costume de ler via computador, a intenção é lançar também em versão impressa no 12M, sem exagero de cópias para evitar o desperdício. Formas para financiamento colaborativo e cooperação com gráfica/impressoras estão sendo levantados. Os interessados em contribuir com impressão, materiais recicláveis e outras colaborações, favor se comunicar pelos canais indicados acima. 

2.4- Foi reforçado que o 12M é de livre participação, e que é desejável que todo tipo de coletivos, movimentos e associações de ativismo político produzam atividades independentes para o 12M e que será fortuito a convergência para o Largo da Carioca. 

Para viabilizar ou facilitar a iniciativa, os que quiserem colaboração e parceria com participantes do comitê de mobilização formado no encontro Ocupa Rio, por favor, contactar via email ocupario@gmail.com e por mensagem privada na página http://www.facebook.com/OcupaRio 

3- Segundo Ciclo de debates Ocupa Teoria: foi feito ata sobre este tema em separado e já está publicada no blog do GT Teoria: http://ocupateoria.wordpress.com/

Fonte: https://www.facebook.com/groups/274554705966670/permalink/281199471968860/ ~acessado em 18/04/2012 as 18h00.

Decisões coletivas: reunião Ocupa Rio 14.04.2012 no vão livre do MAM

Por favor divulguem em suas páginas, grupos e blogues !!!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

29 de outubro - Marcha Global de #RobinHood



Uma proposta para as assembléias gerais do movimento occupy, originada dos companheiros que ocupam a Wall St, em Nova Iorque.

Há pouco mais de oito anos atrás, em 15 de fevereiro de 2003, mais de 15 milhões de pessoas em sessenta países marcharam juntos para tentar impedir o então presidente dos EUA, George Bush, de invadir o Iraque. Uma parcela enorme da humanidade se uniu por um dia, sem temer qualquer represália, e vislumbrou o poder que um movimento - no qual o povo está unido - tem.

Agora temos a oportunidade de repetir esse desempenho em uma escala ainda maior.

Em 29 de outubro, às vésperas da Cúpula de Líderes do G20 na França, vamos nos levantar. Vamos nos unir às pessoas do mundo inteiro e exigir que nossos líderes, que vão participar do G20, façam como o personagem mítico #RobinHood e imponham imediatamente um imposto maior em todas as transações financeiras e negócios cambiais de 1% da população, que são os detentores da maioria dos recursos financeiros do Planeta.

É perfeitamente justo tirar mais dos ricos e distribuir entre os pobres. O que não podemos é permitir que continuem a tirar dos pobres para distribuir entre os ricos, tornando-os ainda mais ricos. As grandes fortunas devem ser taxadas sem dó nem piedade, pois para serem formadas seus detentores não mostraram qualquer compaixão ou respeito para com seus semelhantes.

Vamos enviara nossos líderes uma mensagem clara:

Nós queremos que vocês desacelerem um pouco o giro desse dinheiro - cerca de $ 1,3 trilhões de dólares fáceis - que circula todos os dias na panelinha do cassino glogal dos multimilhonários. Esse dinheiro que gira diariamente na especulação financeira - na crença ingenua e cruel da acumulação infinita - é dinheiro suficiente para financiar todos os programas sociais e iniciativas ambientais que existe ao redor do mundo. Basta de hipocrisia. Com estes recursos, que são verdadeiramente fartos, pode ser proporcionado um padrão de vida digno para todos na Terra.

Vamos levar essa idéia para cada célula do movimento Occupy e nos mobilizar junto com nossos companheiros, nas ruas, em 29 de outubro.

Não conseguimos impedir o Bush de fazer a guerra no Iraque e hoje americanos e iraquianos, dentre outros tantos, pagam um preço enorme pela burrice e pela ganância de seus líderes de então. Só quem ganha com as guerra é a indústria armamentista, que fatura trilhões com o derramamento do sangue de milhões de inocentes.

O argumento é um só:

Se nós elegemos nossos líderes eles devem trabalhar para nós e não para os que financiaram suas campanhas, pagando a conta de seus programas de TV, adesivos, broches, comitês de campanha e etc... afinal não é o dinheiro e sim o voto que lhes deu o poder. 

Se estes que pagam a conta dos políticos se unissem para votar, não elegem nem um síndico de prédio. É um absurdo, uma afrota, os políticos darem hoje mais valor ao dineiro de seus mecenas que ao voto de seus eleitores.

Basta de colocarem champagne, caviar, mansões, iates e jatinhos de luxo na nossa conta. Nós somos 99% e vamos juntos ocupar!

rssj

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Nós temos um sonho... ☀ We have a dream...



Martin Luther King , Jr.
(15/01/1929 - 4/04/1968)
"Eu Tenho Um Sonho" é o nome popular dado ao histórico discurso público feito pelo ativista político estadunidense Martin Luther King, no qual falava da necessidade de união e coexistência harmoniosa entre negros e brancos no futuro. O discurso, realizado no dia 28 de agosto de 1963 nos degraus do Lincoln Memorial em Washington, D.C. como parte da Marcha de Washington por Empregos e Liberdade, foi um momento decisivo na história do Movimento Americano pelos Direitos Civis. Feito em frente a uma platéia de mais de duzentas mil pessoas que apoiavam a causa, o discurso é considerado um dos maiores na história e foi eleito o melhor discurso estadunidense do século XX numa pesquisa feita no ano de 1999.

"...No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma.

Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos... De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro. E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire. Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York. Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania. Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado. Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia. Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee. Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade!

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, estamos dispostos a dar as mãos e cantar ao mundo que somos um único espírito:

"Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."


Opinião:

O sonho é nosso e nunca esteve tão perto de se realizar. O sonho de um mundo mais justo, realmente democrático, no qual as decisões são tomadas por todos e não apenas por uma casta seleta que se perpetua no poder. A mudança está em nossas mãos!

Este discurso feita há quase 50 anos está mais atual que nunca, pois a luta pelos direitos humanos e liberdades civis se ampliou, tomou corpo, forma e hoje se espalha como rastilho de pólvora pelas cabeças e corações de todos que antes se viam reprimidos e obrigados a seguir uma ordem mundial falida e insustentável. O discurso que Martin Luther King fez em 28 de agosto de 1963 nos degraus do Lincoln Memorial em Washington. Estas palavras valem para os quatro cantos do mundo.

O ativista político norte-americano se dirigiu na época, principalmente, aos negros, que sofriam muito com ranço do preconceito por parte das elites racistas nos Estados Unidos. Hoje este discurso vale para todos nós, inclusive para aqueles que na época tinham esta ilusão tola de fazer parte de uma eleite, que na verdade nunca existiu.

Se o tom da sua pele é branco, isto aconteceu porque quando o homem migrou da África para o norte da Europa, há cerca de 50 mil anos, devido a mudanças repentinas no clima do Planeta, desta forma, quando o homem migrou para o norte - terras mais frias e com menos incidência de raios solares – sua pele se tornou totalmente branca... Provas científicas nos mostram que os brancos, orientais e todas as demais raças humanas se originaram no continente africano, berço da humanidade. Por isto devemos partir do princípio lógico de que somos todos irmãos e irmãs, as diferenças são apenas superficiais.

Nossa luta hoje não é apenas por causa das mudanças climáticas e das profundas transformações que sofre nosso Planeta. Nossa luta de hoje não é apenas contra a corrupção. Como nos tempos da Roma antiga a luta da humanidade é contra uma casta que se apoderou da riqueza comum do Planeta, promovendo barbáries através de guerras sem fim, injustiças, segregação e exclusão social.

Os recursos naturais não são infinitos e a acumulação eterna de riquezas é injusta e ao mesmo tempo ingênua, pois é insustentável a médio e longo prazo. Não podemos ficar pagando a conta por incompetência de governantes que fazem vista grossa à corrupção e ao sofrimento de 99% da população mundial. Se um banco ou uma carteira de especulação, como são os fundos de ações, quebra nós não temos nada a ver com isso e não cabe a nós pagar por estas causas inescrupulosas e irresponsáveis que na verdade beneficiam apenas 1% dos habitantes da Terra. É hora de levantarmos nossas vozes em coro e dizer: “Não! Nós não vamos pagar pela sua crise!”

Se Martin Luther King tinha um sonho, hoje nós compartilhamos deste mesmo sonho. Hoje nós temos um sonho! E juntos, de mãos dadas, num só coração e com uma só voz, faremos este sonho virar realidade!

TODO PODER EMANA DO POVO E PELO POVO DEVE SER EXERCIDO!

Somos a mudança que queremos ver no mundo, não existe outra realidade que possa ser criada a não ser aquela realidade que nós mesmos criamos.


Me responda, qual é a Terra da Liberdade, qual é terra da democracia!?! Sem ter minha mente e minha alma assombradas pelo medo ou pelo fantasma secular da hipocrisia. Sem estar preso a nenhum partido político ou à qualquer armadilha ou amarra social, tendo a crença de que somos um e o Deus é um só, lhe digo: A Terra que deixaremos como herança às futuras gerações é o nosso verdadeiro legado. Assita o documentário a seguir e reflita, desprograme-se, liberte-se e junte-se ao movimento, vamos ocupar, pois ainda há tempo!


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

“Occupy Wall Street”: o movimento mais importante do mundo hoje

Naomi Klein
7/10/2011, Naomi Klein, Commondreams
Occupy Wall Street: The Most Important Thing in the World Today
via Coletivo da Vila Vudu

Foi uma honra, para mim, ter sido convidada a falar em Occupy Wall Street na 5ª-feira à noite. Dado que os amplificadores estão (infelizmente) proibidos, e o que eu disser terá de ser repetido por centenas de pessoas, para que outros possam ouvir (o chamado “microfone humano”), o que vou dizer na Liberty Plaza terá de ser bem curto. Sabendo disso, distribuo aqui a versão completa, mais longa, sem cortes, da minha fala.

Occupy Wall Street é a coisa mais importante do mundo hoje [1]

Eu amo vocês.

E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta “eu também te amo”, apesar de que isso é, obviamente, um bônus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles dissessem a você, só que bem mais alto.

Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: “Nós nos encontramos uns aos outros”. Esse sentimento captura a beleza do que está sendo criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão.

Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.

Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”.

Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou.

“Por que eles estão protestando?”, perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: “por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer.” E, acima de tudo, o mundo diz: “bem-vindos”.

Muitos já estabeleceram paralelos entre o Ocupar Wall Street e os assim chamados protestos antiglobalização que conquistaram a atenção do mundo em Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, global e juvenil fez mira direta no poder das corporações. Tenho orgulho de ter sido parte do que chamamos “o movimento dos movimentos”.

Mas também há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cúpulas como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. As cúpulas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete no mundo todo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro, foi fácil nos varrer completamente, pelo menos na América do Norte.

O Ocupar Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E vocês não estabeleceram nenhuma data final para sua presença aqui. Isso é sábio. Só quando permanecemos podemos assentar raízes. Isso é fundamental. É um fato da era da informação que muitos movimentos surgem como lindas flores e morrem rapidamente. E isso ocorre porque eles não têm raízes. Não têm planos de longo prazo para se sustentar. Quando vem a tempestade, eles são alagados.

Ser horizontal e democrático é maravilhoso. Mas esses princípios são compatíveis com o trabalho duro de construir e instituições que sejam sólidas o suficiente para aguentar as tempestades que virão. Tenho muita fé que isso acontecerá.

Há outra coisa que este movimento está fazendo certo. Vocês se comprometeram com a não-violência. Vocês se recusaram a entregar à mídia as imagens de vitrines quebradas e brigas de rua que ela, mídia, tão desesperadamente deseja. E essa tremenda disciplina significou, uma e outra vez, que a história foi a brutalidade desgraçada e gratuita da polícia, da qual vimos mais exemplos na noite passada. Enquanto isso, o apoio a este movimento só cresce. Mais sabedoria.

Mas a grande diferença que uma década faz é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom econômico alucinado. O desemprego era baixo, as ações subiam. A mídia estava bêbada com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não fechamento.

Nós apontávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava nossas democracias. Mas, para ser honesta com vocês, enquanto os bons tempos estavam rolando, a luta contra um sistema econômico baseado na ganância era algo difícil de se vender, pelo menos nos países ricos.

Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só há um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo.

A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando o mundo natural também. Estamos sobrepescando nos nossos oceanos, poluindo nossas águas com fraturas hidráulicas e perfuração profunda, adotando as formas mais sujas de energia do planeta, como as areias betuminosas de Alberta.

A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso. A nova normalidade são os desastres em série: econômicos e ecológicos.

Estes são os fatos da realidade. Eles são tão nítidos, tão óbvios, que é muito mais fácil conectar-se com o público agora do que era em 1999, e daí construir o movimento rapidamente.

Sabemos, ou pelo menos pressentimos, que o mundo está de cabeça para baixo: nós nos comportamos como se o finito – os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve suas emissões – não tivesse fim. E nos comportamos como se existissem limites inamovíveis e estritos para o que é, na realidade, abundante – os recursos financeiros para construir o tipo de sociedade de que precisamos.

A tarefa de nosso tempo é dar a volta nesse parafuso: apresentar o desafio à falsa tese da escassez. Insistir que temos como construir uma sociedade decente, inclusiva – e ao mesmo tempo respeitar os limites do que a Terra consegue aguentar.

A mudança climática significa que temos um prazo para fazer isso. Desta vez nosso movimento não pode se distrair, se dividir, se queimar ou ser levado pelos acontecimentos. Desta vez temos que dar certo. E não estou falando de regular os bancos e taxar os ricos, embora isso seja importante.

Estou falando de mudar os valores que governam nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para a mídia, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil.

É isso o que vejo acontecendo nesta praça. Na forma em que vocês se alimentam uns aos outros, se aquecem uns aos outros, compartilham informação livremente e fornecem assistência médica, aulas de meditação e treinamento na militância. O meu cartaz favorito aqui é o que diz “eu me importo com você”. Numa cultura que treina as pessoas para que evitem o olhar das outras, para dizer “deixe que morram”, esse cartaz é uma afirmação profundamente radical.

Algumas ideias finais. Nesta grande luta, eis aqui algumas coisas que não importam:

  • Nossas roupas.
  • Se apertamos as mãos ou fazemos sinais de paz.
  • Se podemos encaixar nossos sonhos de um mundo melhor numa manchete da mídia.

E eis aqui algumas coisas que, sim, importam:

  • Nossa coragem.
  • Nossa bússola moral.
  • Como tratamos uns aos outros.

Estamos encarando uma luta contra as forças econômicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E na medida em que este movimento crescer, de força em força, ficará mais assustador. Estejam sempre conscientes de que haverá a tentação de adotar alvos menores – como, digamos, a pessoa sentada ao seu lado nesta reunião. Afinal de contas, essa será uma batalha mais fácil de ser vencida.

Não cedam a essa tentação. Não estou dizendo que vocês não devam apontar quando o outro fizer algo errado. Mas, desta vez, vamos nos tratar uns aos outros como pessoas que planejam trabalhar lado a lado durante muitos anos. Porque a tarefa que se apresenta para nós exige nada menos que isso.

Tratemos este momento lindo como a coisa mais importante do mundo. Porque ela é. De verdade, ela é. Mesmo.
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Fonte / Nota da Vila Vudu:

[1] Discurso originalmente publicado no The Nation. Tradução para o português do Brasil, de Idelber Alvelar, da Revista Fórum.


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sábado, 1 de outubro de 2011

A filosofia por trás do movimento 'Ocupar Wall Street'

Os que clamam por austeridade são agentes financistas, para os quais é pecado ver diminuir a própria riqueza; os que pedem estímulos são eticamente corretos, mas não fazem um ataque direto aos financistas. A única solução real para a crise é, como receitou Keynes, “a eutanásia do rentista”. É esse impulso para desafiar diretamente Wall Street que mostra o quanto é razoável e necessário o movimento Ocupar Wall Street. O artigo é de Vijay Prashad.

Vijay Prashad - Counterpunch


É possível que os especuladores não façam tanto mal quanto as bolhas. Mas a posição é séria quando a empresa vira uma bolha, no redemoinho da especulação. Quando o desenvolvimento das atividades de um país vira subproduto das atividades de um cassino, o trabalho provavelmente será mal-feito. (John Maynard Keynes, 1936)

As análises do Relatório sobre Estabilidade Financeira Global do Fundo Monetário Internacional (REFG-FMI) são sempre muito sóbrias. O Relatório distribuído dia 21/9 passado avisa que a economia mundial está entrando em “uma zona de perigo”. O FMI rebaixa o crescimento estimado global, de patamar já baixo de 4,3%, para 4%, com o crescimento dos EUA cortado, de 2,7% para 1,8%. “Pela primeira vez desde outubro de 2008, no REFG-FMI, aumentaram os riscos para a estabilidade financeira global, o que assinala reversão parcial no progresso alcançado nos três anos anteriores.” [1] Em outras palavras, todas as medidas tomadas para estancar a hemorragia provocada pela crise do crédito global de 2008 em diante já deram o que podiam dar. E estamos de volta ao dia em que se fecharam as cortinas do Lehman (Brothers).

O FMI não podia ignorar a continuada crise política e econômica que sacode sem parar a eurozona, nem fingir que o crédito dos EUA não foi rebaixado. Nem, de fato, poderia fazer-se de cego para a turbulência dos mercados financeiros (...). Três processos obrigaram o FMI a ser mais atento: primeiro, os EUA terem-se mostrado incapazes de dar conta do trauma agudo no mercado imobiliário de moradias; segundo, os bancos europeus, que estão em curva de retroalimentação adversa entre as obrigações a pagar no “Club Med” (de Portugal à Grécia) e as próprias reservas; e, terceiro, as baixas taxas de juros que espantaram a finança privada, da luz do dia, para os calabouços sombrios e furtivos do sistema bancário (fundos hedge e tal).

Ambos, Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI, e José Viñals, conselheiro financeiro do Departamento de Mercados Financeiros e Monetários do FMI, pareciam mais nervosos que o usual. Viñals sabe dos riscos na eurozona. Foi vice-presidente do Banco da Espanha, cujas reservas financeiras estão em estado tão lamentável quanto as reservas de água da Cidade da Sujeira do filme Rango (2011)[2].

O mantra do mundo atlântico tem sido “austeridade”. Assume-se que, se os orçamentos dos governos forem purgados dos gastos de interesse social para preservar o equilíbrio, daí advirá o crescimento. Estranha economia. Problema crônico é a falta de demanda efetiva (“confiança do consumidor”), que é indexada, nos EUA a salários rebaixados com transfusões eventuais de “confiança” produzida por crédito barato que criou, como bolha que ainda não explodiu, o endividamento pessoal; em maio de 2011, chegava a $2,4 trilhões. Os cortes massivos no gasto do governo só farão encolher a demanda ainda mais, e não produzirão qualquer esperança de crescimento no curto prazo. Programas de austeridade nem sempre fazem aumentar a confiança dos consumidores, mas sempre fazem aumentar a confiança entre os financistas que amam a ideia de “finanças sólidas”.

O FMI identifica o problema com uma mão e, em seguida, enfia a outra mão no moedor de carne: a atual crise não pode ser resolvida, até que se administrem as dificuldades políticas. Os “líderes políticos nessas economias avançadas ainda não conseguiram mobilizar suficiente apoio político para implantar políticas suficientemente fortes de estabilização macrofinanceira.” As ferramentas financeiras e monetárias estão pressionadas. Faz falta estratégia de comunicação mais efetiva, para convencer o público a alinhar-se a favor de medidas de austeridade para dar solidez à finança; para isso, é preciso fazer baixar a retórica ideológica que afasta as pessoas do que o FMI entende que seja uma Razão apolítica. Mas a massa ignara não conhece a razão.

O que nem o FMI nem os governos do mundo Atlântico conseguem perceber, por razões políticas, é o poder de classe do capital financeiro, que controla os mercados monetários aos quais os governos e o FMI têm de recorrer para tomar empréstimos, se querem estimular gastos ou emprestar a países em dificuldades. A confiança dos financistas é emoção muito mais importante que a confiança dos consumidores.

Em tempo de crise, a abordagem humana deveria ser ampliar os estímulos ao consumo até o momento em que milhões de pessoas consigam sair da condição de vida nua. Para fazê-lo, os governos devem desejar, nas palavras do economista Prabhat Patnaik, “exercer adequado controle sobre o sistema financeiro para garantir que os empréstimos às pessoas sejam sempre financiados, de modo a que o Estado não se torne prisioneiro dos caprichos dos financistas.”

O debate entre austeridade e estímulos é conduzido como se se travasse entre dois conjuntos racionais de pessoas. Os que clamam por austeridade são agentes dos grupos financistas, para os quais é pecado ver diminuir a própria riqueza; os que clamam por estímulos são eticamente corretos, mas não movem ataque de classe direto aos financistas, deixando-se navegar em ilusões. A única solução real para a crise do Atlântico Norte é, como receitou John Maynard Keynes, fazer “a eutanásia do rentista”.

É esse impulso para desafiar diretamente Wall Street que mostra o quanto é razoável e necessário o movimento “Occupy Wall Street” , protesto que agita lower Manhattan (bem perto de onde George Washington foi empossado presidente).

Os cidadãos que decidiram acampar permanentemente e não deixar suas tendas, e que estão sendo brutalmente atacados e agredidos pela Polícia de NY, encontraram instintivamente solução muito melhor para o país, que (1) os que insistem em exigir “mais austeridade” (como os Republicanos mais conservadores – e, no Brasil, todos os jornais e jornalistas e especialistas de todos os canais de televisão, sem faltar um); e (2) muito melhor, também que os que clamam por “estímulos” sem jamais desafiar os mandarins das finanças, os quais mais facilmente mandarão a economia dos EUA p’rô brejo, do que admitirão perder o poder que têm sobre o sistema econômico mundial (Obama, dentre outros).

Sem luta contra o capital financeiro, ordenar “austeridade” é ato de crueldade; e ordenar estímulos é ilusão.

O FMI e os políticos norte-americanos não querem desafiar a classe financeira. De fato, o FMI até alerta contra qualquer “repressão financeira” (“Com os estados sob estresse financeiro e as economias lutando para se desalavancar, os políticos podem ser tentados a suprimir ou tentar escapar aos processos e informações do mercado financeiro.”) Deve-se evitar tudo isso, diz o FMI. Querem que a salvação lhes venha de países do Sul Global, os quais, diz o FMI, “estão em fase mais avançada do ciclo de crédito”. O FMI adoraria que China e Índia entregassem seus superávits ao Norte, como estímulo... Seria via excelente para que aqueles países passassem a exportar menos e a importar mais.

O mais estranho nisso tudo é que o FMI também agia como espada do capital internacional quando advogou que Índia e China se tornassem economias orientadas para exportar e dessem as costas às políticas nacional-desenvolvimentistas. Agora, a China está pronta para exportar bens de baixo custo para as economias atlânticas... E então, em vez de recomendar que China e Índia usem seus superávits como estímulos para criar demanda em seus próprios países (para arrancar suas populações mais rapidamente da miséria, investindo em infraestrutura, criando meios para prevenir catástrofes ecológicas)... O FMI prescreve que China e Índia resolvam “os desequilíbrios financeiros” mandando seus superávits para o Norte! Por que o FMI não recomendou que o Norte tomasse essas medidas, nos anos 1980s e 1990s, quando as flechas financeiras estavam miradas na direção do Sul?

Os chineses dizem agora que podem ajudar a resgatar a eurozona, se a Europa atender a algumas “condições” que os chineses imporão (na linguagem do FMI, na era dos “ajustes estruturais”, essas condições chamavam-se “condicionalidades”, como cortar todos os investimentos de caráter humano e social, nos anos 1980s, como precondição para receber empréstimos).

Os chineses querem que os europeus acabem com processos por desobediência a leis de mercado – que é outro modo de dizer que os chineses querem morder fundo na carne do regime de propriedade intelectual – um dos últimos mecanismos ainda restantes que garantem o crescimento sem empregos que ainda mantém os EUA à tona. Mas por que, agora, a China não estaria fazendo certo? Diz o FMI que a China, agora, não está fazendo certo, por causa de seu “boom de empréstimos induzidos pela política”, também chamado de “plano de estímulos de 2009-10” – e que foi construído e aplicado sem qualquer influência dominante do capital financeiro.

É muito mais fácil mostrar os chineses como agentes do mal, do que apontar o dedo aos financistas. Toda a conversa sobre revalorização da moeda e barreira ao livre comércio não passa de conversa fiada, de quem não tem argumento a oferecer.

Lá, em Wall Street, Manhattan, norte-americanos comuns decidiram enfrentar, de vez, o capital financeiro. Não precisam recorrer à xenofobia ‘econômica’, nem se escravizar a ilusões de que os Buffets do mundo seriam a vanguarda da luta por justiça social. Querem é tirar, do pescoço dos povos do mundo, a botina-tacão das finanças.

NOTAS

[2] Para uma visita virtual, ver Wall Street Journal, 26/9/2011

Fonte original:

Tradução: Vila Vudu


Fonte: Carta Maior: Postagem original em: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18566, 01/10/11