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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A informação como arma revolucionária




DA SEÇÃO MÍDIA & TECNOLOGIA :: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA
Por Marcelo Pimenta e Silva em 13/12/2011 na edição 672

Numa sociedade em que o indivíduo passa a ser um híbrido entre homem e máquina, apresenta-se um cenário em que as redes sociais redefinem as relações dos atores sociais com a política. 

As revoluções que explodem em sequência, seja em territórios dominados por regimes totalitários ou em países em crise econômica, trazem em comum como elemento propulsor a união pela reivindicação divulgada via internet.

Esse questionamento é deflagrado por movimentos oriundos da internet numa revitalização contracultural do ativismo dos anos 1960 e 70. Neste último exemplo, o que temos é a utilização das ferramentas tecnológicas de comunicação que, a partir do ciberespaço, como entendem alguns teóricos, produz uma nova concepção de sociedade, a sociedade midiatizada do século 21.

Tecnologias de comunicação desenvolvidas da convergência entre as telecomunicações e a informática originária nos anos 1970. Porém, esse novo formato de sociedade não é apenas um desenho de sociedade com base apenas na informática, mas o exemplo da relação entre as novas formas sociais surgidas na década de 1960 (a sociedade pós-moderna) e as novas tecnologias digitais.

Tecnologia como intermediária

Com isso, a sociedade global se caracteriza nas manifestações de ruptura social empregada no que ficou conhecido como contracultura. Um período em que a própria concepção de fazer política foi reformada pelos interesses individuais, ou seja, pela política partidária e ideológica, sofrendo um grave declínio, foram pautadas a partir de movimentos urbanos, novas políticas que produziam novas reivindicações como a questão ambiental, de gênero, racial e étnica.

Na consolidação dessa sociedade dita pós-industrial e plenamente midiatizada, temos um retrato fragmentado em múltiplos universos representativos do que seria uma “sociedade global” conectada no espaço virtual da internet. Um campo libertário e democrático para ideias, discursos e mensagens, que pode resultar numa força propulsora para redefinições políticas na sociedade “real”.

O psicólogo e pesquisador Rafael Brignol, que desenvolve estudos de psicologia social na observação dos meios de comunicação, compreende as redes sociais como uma “saída” por onde escapam pensamentos e onde ideias são articuladas na relação homem-máquina-homem porque a tecnologia atua como intermediária entre as pessoas, daí a identificação dos atores sociais em um determinado grupo ou “tribo”, como apontava Maffessoli em seus textos teóricos.


Redes sociais contra a censura

A possibilidade de não haverem barreiras para ações que visem a objetivos de comunidades e grupos próprios, fechados em interesses comuns, torna a internet um espaço plural de vozes e ideias sem limites geográficos ou obstáculos, como a censura e a repressão. Neste 2011, a queda de governos ditatoriais no mundo árabe foi um exemplo do alcance das mobilizações sociais que nascem no campo virtual e se transmutam em reivindicações na esfera pública tradicional. 

Portanto, esse instrumento, sem o vínculo com os poderes público e econômico e os padroões tradicionais de edição e transmissão, como os outros meios de comunicação, faz com que a informação possa estar ao alcance de qualquer pessoa, metamorfoseando o antigo “receptor” em agente na produção de informação, um poder que foi “revolucionário” neste ano.

Um poder que reage a qualquer forma de opressão e que, com o uso doméstico da tecnologia, proporciona a mais pessoas a possibilidade de produzir informação, distante dos “aspectos formais” mas de alto impacto funcional, ao denunciarem e exporem uma realidade antes mediada conforme os padrões de uma sociedade regida por governos ditatoriais.

O exemplo dessa revolução pela informação começou na Tunísia, onde o governo de Ben Ali tentou, como fazia há mais de vinte anos, usar da censura para silenciar as reivindicações do povo. A dominação do governo aos jornais e emissoras de rádio e TV ocorre em muitos países, árabes ou não. Contudo, a internet, e principalmente as redes sociais, fizeram com que mais pessoas compartilhassem a revolta pela situação em que viviam.

Dessa forma, vivendo na “era da informação”, o homem produz uma cultura modificada e global em que seu corpo está atrelado à máquina e suas manifestações políticas já não já não são dependentes apenas de uma voz em espaços locais, mas compartilhadas em redes que tornam todo o mundo num só espaço midiatizado.

O poder ditatorial utilizou da velha arma da censura para tentar manter a “ordem”. Quando a censura chegou à internet, com o bloqueio de sites como o YouTube, a revolta já tinha saído do campo virtual e ido para o campo “real”. O Facebook permaneceu acessível na rede mundial e foi através do compartilhamento de imagens que se espalharam pelo mundo que se conheceu a repressão policial, que deixou 60 mortos e centenas de feridos e a revolução ganhou ainda mais respaldo. 

Logo, num efeito dominó, típico da velocidade de informação atual, outros países aderiram aos protestos motivados pela internet e a propagada “primavera árabe” – referência da mídia à primavera de 1968, quando inúmeros movimentos sociais eclodiram no mundo – floresceu em mudanças políticas e sociais na região, influenciando, atualmente, revoltas de outros povos.

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[Marcelo Pimenta e Silva é jornalista e pesquisador]

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Introdução ao Ciberativismo :: A Política 2.0 :: Parte I




Cibernética, conceituando tecnicamente, é um apanhado de estudos realizados no sentido de compreender a comunicação e o controle de máquinas, seres vivos e grupos sociais, através de analogias com as máquinas cibernéticas¹. Enquanto isso, no campo da filosofia, subentende-se ativismo como ação propagandista de uma determinada ideologia, destinada a quebrar paradigmas que representam atividades meramente especulativas. O engajamento nesta prática visa a militância, exercida através de ações efetivas e argumetativas, pautadas na transformação de uma realidade². Ciberativismo, ou ativismo digital, como também é conhecido, trata-se de nova forma de ação política; uma maneira de fazer política através de suportes cibernéticos; buscando a veiculação de um ideal através de uma mídia de grande alcance, é o ativismo contemporâneo praticado em rede, através da internet.
“Entende-se por ciberativismo a utilização da internet por movimentos politicamente motivados pelo intuito de alcançar certas metas ou lutar contra injustiças que ocorrem na própria rede” ³.
O ciberativista, conectado a rede mundial de computadores, é o usuário da internet com habilidade política, presente em todas as redes sociais, este usuário ativo das novas tecnologias busca na conexão o exercício pleno de sua liberdade de expressão. O foco geralmente é de ordem política, social ou ambiental, visando sensibilizar a opinião do internauta, público-alvo do ciberativista, ao transmitir sua mensagem. Para a tarefa, hoje, a melhor ferramenta é um PC conectado. Através do computador o ativista faz seus estudos, cria e edita textos, sons e imagens, difunde conteúdo, faz propaganda de sua ideologia, além de organizar mobilizações em rede, movimentos e passeatas. ‘Em termos filosóficos, a produção envolvida é a produção de subjetividade, a criação e a reprodução de novas subjetividades na sociedade’4.

1- Wiener, Norbert – Cibernética e sociedade: o uso humano de seres humanos - 1968.
2- The Activist's Handbook – Shaw, Randy – 1996.
3- Rigitano, Maria Eugênia Cavalcanti – Redes e ciberativismo – 2003. Disponível em http://www.bocc.ubi.pt/pag/rigitano-eugenia-redes-e-ciberativismo.pdf - Acessado em 27 de fevereiro de 2010.
4- Hardt, M. e Negri, A. – Multidão: guerra e democracia na era do império – 2005 - p.101

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