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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

23 Frases de Friedrich Nietzsche

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu na cidade de Röcken em 15 de outubro de 1844, faleceu em Weimar, no dia 25 de agosto de 1900, ambas  na AlemanhaFoi um influente filósofo alemão do século XIX. Sua maior obra é o livro Assim falou Zaratustra, que influenciou significativamente o mundo moderno. Longe de ser um escritor de simples aforismas, é considerado um grande estilista da língua alemã, como o provaria Assim Falou Zaratustra, livro que ainda hoje é de dificílima compreensão estilística e conceitual.

Muito pode ser compreendido na obra de Nietzsche como exercício de pesquisa filológica, no qual unem-se palavras que não poderiam estar próximas ("Nascer póstumo"; "Deus Morreu", "delicadamente mal-educado", etc… ).

Adorava a França e a Itália, porque acreditava que eram terras de homens com espíritos-livres. Admirava Voltaire, e considerava como último grande alemão Goethe, humanista como Voltaire. Naqueles países passou boa parte de sua vida e ali produziu seus mais memoráveis livros. Detestava a arrogância e o anti-semitismo prussianos, chegando a romper com a irmã e com Richard Wagner, por ver neles a personificação do que combatia - o rigor germânico, o anti-semitismo, o imperativo categórico, o espírito aprisionado, antípoda de seu espírito-livre. Anteviu o seu país em caminhos perigosos, o que de fato se confirmou catorze anos após sua morte, com a primeira grande guerra e a gestação do Nazismo.

Seus principais interesses foram: epistemologia, ética, ontologia, filosofia da história e psicologia. Idéias notáveis: Morte de Deus, Vontade de Poder, Eterno retorno, Super-Homem, Perspectivismo, Apolíneo e Dionisíaco. Influências: Heráclito, Platão, Montaigne, Spinoza, Kant, Goethe, Schiller, Schopenhauer, Heine, Emerson, Poe, Wagner e Dostoiévski. Influenciados: Rilke, Jung, Iqbal, Jaspers, Heidegger, Bataille, Rand, Sartre, Camus, Deleuze, Foucault, Derrida e Sigmund Freud.

Conheça 23 frases e pensamentos do grande filósofo alemão Friedrich Nietzsche:

"A felicidade do homem está em 'eu quero'; a felicidade da mulher, em 'ele quer.' "

"Amamos a vida não porque nos habituamos com a vida, mas porque nos habituamos a amar."

"Aquele que luta contra monstros deve acautelar-se, para não se tornar também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."

"Aquilo que se faz por amor, parece ir sempre além dos limites do bem e do mal."

"As paisagens insignificantes existem para os grandes paisagistas; as paisagens raras e notáveis são para os pequenos."

"É necessário ter o caos aqui dentro para gerar uma estrela."

"Eis a fórmula da felicidade: um Sim, um Não, uma linha reta, uma meta..."

"Existo, logo penso."

"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar em ti."

"Há homens que nascem póstumos."

"Não é a força mas a constância dos bons resultados que conduz os homens à felicidade."

"Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas."

"Não há fatos, só interpretações."

"Não há nada que deprima mais o ser humano (mais depressa) do que a paixão do ressentimento."

"Não poríamos a mão no fogo pelas nossas opiniões: não temos assim tanta certeza delas. Mas talvez nos deixemos queimar para podermos ter de mudar as nossas opiniões."

"O filósofo, como o entendo, é um explosivo terrível na presença do qual tudo está em perigo."

"O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo."

"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Os argumentos céticos




Filósofo Cínico desconhecido, sec. 3 a.C
(Museus Capitolinos, Roma - CC0)
- A diferença entre seres vivos no que diz respeito ao prazer e à dor, ao dano e à utilidade é o primeiro argumento do qual se deduz que nenhum ser recebe as mesmas impressões dos mesmos sujeitos.

Toda espécie animal percebe o mundo com base nos tipos de órgãos dos sentidos que dispõe.

- O segundo tipo de argumento contra a verdade realça a subjetividade humana; O útil individual é sempre subjetivo. 

Os mesmos objetos dão origem a percepções muito diferentes, daí que nada de seguro pode ser dito sobre eles.

- A diversidade das impressões é condicionada pela diversa condição das disposições individuais; Um buquê de flores causa impressões diferentes numa garota apaixonada ou em uma recém viúva.

- Nem mesmo a condição dos loucos é contrária à natureza; por que a loucura deveria dizer respeito mais a eles do que a nós?

- A grande diversidade entre as leis e os costumes dos povos sugere a inexistência de valores universais.

- Cada povo acredita nos seus deuses e há quem acredite na providência e quem não acredite. Os egipcios embalsamam os seus mortos antes de sepultá-los, os romanos os cremam, e os peônios os jogam ao pântano.

- Mesmo noções aparentemente objetivas, como o peso, demonstram-se relativas; Uma pedra erguida no ar por duas pessoas desloca-se facilmente na água, seja por que, sendo pesada, torna-se mais leve pela água, seja por que, sendo leve, se torna mais pesada pelo ar.

- As percepções são sempre determinadas por um particular ponto de vista; O sol por causa da distância aparece pequeno, as montanhas vistas de longe, aparecem envoltas no ar e lisas, de perto, aparecem ásperas e cheias de fendas.

A forma dos objetos é sempre condicionada, seja pelo ponto especifico a partir do qual o observamos seja pela posição que ocupa no espaço.

- A natureza de muitas coisas varia com a quantidade; O vinho pode ser benéfico ou maléfico, depende do quanto se bebe.

- O hábito condiciona os juízos; Os terremotos não provocam espantos naqueles junto aos quais ocorrem continuamente.

- O conhecimento utiliza conceitos relativos; O que se encontra à direita não está à direita por natureza, mas é entendido como tal, tendo em vista a posição que ocupa em relação a um outro objeto, mudada a posição, não está mais à direita. Pai e irmão são termos relativos. Esses termos e conceitos relativos, considerados em si e para si, não são cognoscíveis.

Sendo assim, devemos sempre suspender nossos juízos (epoché) sobre a verdade e acreditar na impossibilidade de chegar a um juízo inopinável, universal e indiscutível.
____
Fonte: Blog "Fragmentos de Filosofia", por Giuliano Cézar - Imagem: Estátua de um filósofo Cínico desconhecido, nos Museus Capitolinos, em Roma. Cópia da era romana de uma estátua grega anterior, do século 3 a.C. (Escultura S 737)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Friedrich Wilhelm Nietzsche e Schopenhauer



Vítima de infecção pulmonar, o filósofo morreu em 25 de agosto de 1900, incógnito, deixando uma vasta e profunda obra, sem ser ouvido e muito menos compreendido por sua época. No entanto, tivera sua obra consagrada ao longo do século XX. 

Hoje ele tem o privilegio de ser citado entre os nomes dos mais importantes pensadores da história da humanidade.

Nietzsche começou sua carreira como filólogo clássico antes de se voltar para a filosofia. Decidiu que escreveria filosofia depois de deparar-se com a monumental obra de Arthur Schopenhauer, um momento decisivo em sua vida, o momento no qual Nietzsche encontrara seu educador, segundo ele, o filósofo modelo. 
“Se tentar descrever o acontecimento que foi para mim o primeiro olhar lançado sobre os escritos de Schopenhauer, devo primeiramente me deter a uma idéia que me perseguia em minha juventude, mais frequente e mais opressora que qualquer outra. Quando há pouco me comprazia em formular desejos, imaginava que o terrível esforço, o temível dever de ter de me ocupar de minha própria educação me seria poupado pelo destino, porque encontraria no devido tempo um filósofo que fosse meu educador, um verdadeiro filósofo que pudesse seguir sem hesitar, uma vez que poria nele mais confiança que em mim mesmo.”  
— Nietzsche, in Schopenhauer O Educador, pág. 21.
Não obstante, anos depois, Nietzsche se voltou contra a filosofia de Schopenhauer. Não poderia ser diferente, visto que para Nietzsche “mal se recompensa um mestre, se dele ficarmos sempre discípulos”: 
“(...) Vós me venerais! Mas que acontecerá se um dia vossa veneração desaparecer? Tomai cuidado para que uma estátua não vos esmague! Dizeis que acredita em Zaratustra, mas que importa Zaratustra? Vós sóis meus fiéis, mas que importam todos os fiéis? Vós ainda não vos havíeis procurado quando me encontrastes. Assim fazem todos os fiéis. Por isso é que toda fé é tão pouca coisa.” 
— Nietzsche, in Assim Falava Zaratustra. 

Texto de Fracisco Wiederwild


terça-feira, 18 de julho de 2017

O "Mito de Er" ou "Teoria da Reminiscência" (Platão)



O MITO DA REMINISCÊNCIA
por Marilena Chaui

É preciso explicar como, vivendo no mundo sensível, alguns homens sentem atração pelo mundo inteligível. Como, nunca tendo tido contato com o mundo das idéias, jamais tendo contemplado as idéias, algumas almas as procuram? De onde vem o desejo de sair da caverna? 

Mais do que isto, como os que sempre viveram na caverna podem supor que exista um mundo foram dela, se os grilhões e os altos muros não deixam ver nada externo? 

Para decifrar este enigma, Platão narra o Mito de Er, também conhecido como o Mito da Reminiscência, da anamnese, que vimos ser inseparável da antiga idéia da alétheia (o não-esquecido).

O pastor Er, da Panfília, é conduzido pela deusa até o Reino dos Mortos, para onde (como já vimos) segundo a tradição grega, sempre foram conduzidos os poetas e adivinhos. Ele encontra as almas dos mortos serenamente contemplando as idéias. Devendo reencarnar-se, as almas serão levadas para escolher a nova vida que terão na Terra. São livres para escolher a nova vida terrena que desejam viver. 

Após a escolha, são conduzidas por uma planície onde correm as águas do rio Léthe (esquecimento). As almas que escolheram uma vida de poder, riqueza, glória, fama ou vida de prazeres, bebem água em grande quantidade, o que as faz esquecer as idéias que contemplaram. As almas dos que escolhem a sabedoria quase não bebem das águas e por isso, na vida terrena, poderão lembrar-se das idéias que contemplaram e alcançar, nesta vida, o conhecimento verdadeiro. Desejarão a verdade, serão atraídas por ela, sentirão amor pelo conhecimento, porque, vagamente, lembram-se de que já a viram e já a tiveram. 


Por isso, no Mênon, quando o jovem escravo analfabeto se torna capaz, orientado pelas perguntas de Sócrates, de demonstrar o Teorema de Pitágoras, Platão faz Sócrates dizer que conhecer é lembrar, e o filósofo dialético, como o médico que faz o paciente lembrar-se, suscita nos outros a lembrança do verdadeiro. Se já não tivéssemos estado diante da verdade, não só não poderíamos desejá-la como, chegando diante dela, não saberíamos identificá-la, reconhecê-la.

Os intérpretes se dividem muito acerca do Mito de Er. Seria o mito uma alegoria para dizer que os homens nascem dotados de razão, que as idéias são inatas ao seu espírito, que a verdade não pode vir da sensação, mas apenas do pensamento? 

Ou seria o Mito de Er uma primeira apresentação da teoria platônica da imortalidade da alma que será exposta no Fédon? Por enquanto deixaremos a questão em suspenso e a ela voltaremos quando analisarmos a psicologia platônica. Aqui devemos enfatizar dois pontos.

● Em primeiro lugar, que Platão, através de dois mitos - o da caverna e o de Er - recupera a antiga noção da alétheia (o não-esquecido), ainda que a transforme profundamente, como vimos. 

Para um pensamento que toma a verdade como evidência, o verdadeiro é a retidão do olhar espiritual, isto é, a correspondência entre a idéia e a sua representação intelectual. Somos co-autores do verdadeiro.

● Em segundo lugar, que Platão precisa recorrer aos mitos para explicar por que, sem possuirmos conhecimentos verdadeiros, desejamos o conhecimento verdadeiro. Precisa explicar que, de algum modo, já estamos na posse de alguma noção (ainda que muito vaga) da verdade e que é ela que nos empurra para a dialética. 

Independentemente da discussão sobre o que Platão realmente pensava dos mitos que narrou, podemos dizer que possuem a função de afirmar que nascemos do verdadeiro e destinados a ele. Sem isto, a dialética seria uma técnica impossível, pois não teria o que atualizar em nossa alma.

Fonte: O Cortiço Filosófico
http://regisfilosofo.blogspot.com.br/2010/04/o-mito-da-caverna-e-o-mito-da.html | Marilena Chauí

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O Mito da Caverna



O MITO DA CAVERNA

No livro VII da República, Platão narra o Mito da Caverna, alegoria da teoria do conhecimento e da paidéia platônica.

Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um alto muro, cuja entrada permite a passagem da luz exterior. Desde seu nascimento, geração após geração, seres humanos ali vivem acorrentados, sem poder mover a cabeça para a entrada, nem locomover-se, forçados a olhar apenas a parede do fundo, e sem nunca terem visto o mundo exterior nem a luz do Sol. Acima do muro, uma réstia de luz exterior ilumina o espaço habitado pelos prisioneiros, fazendo com que as coisas que se passam no mundo exterior sejam projetadas como sombras nas paredes do fundo da caverna. Por trás do muro, pessoas passam conversando e carregando nos ombros figuras de homens, mulheres, animais cujas sombras são projetadas na parede da caverna. 

Os prisioneiros julgam que essas sombras são as próprias coisas externas, e que os artefatos projetados são os seres vivos que se movem e falam. Um dos prisioneiros, tomado pela curiosidade, decide fugir da caverna. Fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões e escala o muro. Sai da caverna, e no primeiro instante fica totalmente cego pela luminosidade do Sol, com a qual seus olhos não estão acostumados; pouco a pouco, habitua-se à luz e começa ver o mundo. Encanta-se, deslumbra-se, tem a felicidade de, finalmente, ver as próprias coisas, descobrindo que, em sua prisão, vira apenas sombras. 

Deseja ficar longe da caverna e só voltará a ela se for obrigado, para contar o que viu e libertar os demais. Assim como a subida foi penosa, porque o caminho era íngreme e a luz ofuscante, também o retorno será penoso, pois será preciso habituar-se novamente às trevas, o que é muito mais difícil do que habituar-se à luz. De volta á caverna, o prisioneiro será desajeitado, não saberá mover-se nem falar de modo compreensível para os outros, não será acreditado por eles e correrá o risco de ser morto pelos que jamais abandonaram a caverna.

A caverna, diz Platão, é o mundo sensível onde vivemos. A réstia de luz que projeta as sombras na parede é um reflexo da luz verdadeira (as idéias) sobre o mundo sensível. Somos os prisioneiros. As sombras são as coisas sensíveis que tomamos pelas verdadeiras. Os grilhões são nossos preconceitos, nossa confiança em nossos sentidos e opiniões. 

O instrumento que quebra os grilhões e faz a escalada do muro é a dialética. O prisioneiro curioso que escapa é o filósofo. A luz que ele vê é a luz plena do Ser, isto é, o Bem, que ilumina o mundo inteligível como o Sol ilumina o mundo sensível. O retorno à caverna é o diálogo filosófico. Os anos despendidos na criação do instrumento para sair da caverna são o esforço da alma, descrito na Carta Sétima, para produzir a "faísca" do conhecimento verdadeiro pela "fricção" dos modos de conhecimento. Conhecer é um ato de libertação e de iluminação.

O Mito da Caverna apresenta a dialética como movimento ascendente de libertação do nosso olhar que nos libera da cegueira para vermos a luz das idéias. Mas descreve também o retorno do prisioneiro para ensinar aos que permaneceram na caverna como sair dela. Há, assim, dois movimentos: o de ascensão (a dialética ascendente), que vai da imagem à crença ou opinião, desta para a matemática e desta para a intuição intelectual e à ciência; e o de descensão (a dialética descendente), que consiste em praticar com outros o trabalho para subir até a essência e a idéia. Aquele que contemplou as idéias no mundo inteligível desce aos que ainda não as contemplaram para ensinar-lhes o caminho. Por isso, desde Mênon, Platão dissera que não é possível ensinar o que são as coisas, mas apenas ensinar a procurá-las.


Os olhos foram feitos para ver; a alma, para conhecer. Os primeiros estão destinados à luz solar; a segunda, à fulguração da idéia. A dialética é a técnica liberadora dos olhos do espírito.

O relato da subida e da descida expõe a paidéia como dupla violência necessária: a ascensão é difícil, dolorosa, quase insuportável; o retorno à caverna, uma imposição terrível à alma libertada, agora forçada a abandonar a luz e a felicidade. A dialética, como toda a técnica, é uma atividade exercida contra uma passividade, um esforço (pónos) para concretizar seu fim forçando um ser a realizar sua própria natureza. 

No Mito, a dialética faz a alma ver sua própria essência (eîdos) - conhecer - vendo as essências (idéia) - o objeto do conhecimento -, descobrindo seu parentesco com elas. A violência é libertadora porque desliga a alma do corpo, forçando-a a abandonar o sensível pelo inteligível.

O Mito da Caverna nos ensina algo mais, afirma o filósofo alemão Martin Heidegger, num ensaio intitulado "A doutrina de Platão sobre a verdade", que interpreta o Mito como exposição platônica do conceito da verdade. Deste ensaio, destacamos alguns aspectos:

1) O Mito da Caverna estabelece uma relação interna ou intrínseca entre a paidéia e a alétheia: a filosofia é educação ou pedagogia para a verdade. O Mito propõe uma analogia entre os olhos do corpo e os olhos do espírito quando passam da obscuridade à luz: assim como os primeiros ficam ofuscados pela luminosidade do Sol, assim também o espírito sofre um ofuscamento no primeiro contato com a luz da idéia do Bem que ilumina o mundo das idéias. A trajetória do prisioneiro descreve a essência do homem (um ser dotado de corpo e alma) e sua destinação verdadeira (o conhecimento das idéias). 

Esta destinação é seu destino: o homem está destinado à razão e à verdade. Por que, então, a maioria permanece prisioneira da caverna? Porque a alma não recebe a paidéia adequada à destinação humana. Assim, a paidéia, alegoricamente descrita no mito, é "uma conversão no olhar", isto é, a mudança na direção de nosso pensamento, que, deixando de olhar as sombras (pensar sobre as coisas sensíveis), passa a olhar as coisas verdadeiras (pensar nas idéias). 

E, observa Heidegger, não foi por acaso que Platão escolheu a palavra eîdos para designar as idéias ou formas inteligíveis, pois eîdos significa: figura e forma visíveis. O eîdos é o que o olho do espírito, educado, torna-se capaz de ver.

2) O Mito da Caverna recupera o antigo sentido da alétheia como não-esquecimento e não-ocultamento da realidade. Alétheia é o que foi arrancado do esquecimento e do ocultamento, fazendo-se visível para o espírito, embora invisível para o corpo. A verdade é uma visão, visão da idéia, do que está plenamente visível para a inteligência e, por ser visão plena, a verdade é evidência.

3) A idéia do Bem, correspondente ao Sol, não só ilumina todas as outras, isto é, torna todas as outras visíveis para o olho do espírito, mas é também a idéia suprema, tanto porque é a visibilidade plena quanto porque é a causa da visibilidade de todo o mundo inteligível. 

A filosofia, conhecimento da verdade, é conhecimento da idéia do Bem, princípio incondicionado de todas as essências. Assim como o Sol permite aos olhos ver, assim o Bem permite à alma conhecer. A luz é a meditação entre aquele que conhece e o aquilo que se conhece.

4) O Mito possui ainda um outro sentido pelo qual compreendemos por que Platão é o inventor da razão ocidental. 

De fato, na origem (como vimos em nosso primeiro capítulo), a palavra alétheia é uma palavra negativa (a - létheia), significando o não esquecido, não escondido. Com o Mito da Caverna, porém, a verdade, tornando-se evidência ou visibilidade plena e total, faz com que a alétheia perca o antigo sentido negativo e ganhe um sentido positivo ou afirmativo. 

Em lugar de dizermos que o verdadeiro é o não escondido, Platão nos leva a dizer que a verdade é o plenamente visível para o espírito. A verdade deixa de ser o próprio Ser manifestando-se para tornar-se a razão que, pelo olhar intelectual, faz da idéia a essência inteiramente vista e contemplada, sem sombras. A verdade se transfere do Ser para o conhecimento total e pleno da idéia do Bem. 

Com isto, escreve Heidegger, a verdade dependerá, de agora em diante, do olhar correto, isto é, do olhar que olha na direção certa, do olhar exato e rigoroso. Exatidão, rigor, correção são as qualidades e propriedades da razão, no Ocidente. A verdade e a razão são theoría, contemplação das idéias quando aprendemos a dirigir o intelecto na direção certa, isto é, para o conhecimento das essências das coisas.

No entanto, julgamos que, contrariamente ao que diz Heidegger, o antigo sentido da alétheia não desapareceu inteiramente. Vejamos como e por quê.

domingo, 2 de julho de 2017

Documentários sobre filosofia



Os documentários são conduzidos por Alain de Botton, escritor e produtor famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana. De Botton iniciou um Ph.D em filosofia francesa em Harvard, mas acabou preferindo escrever ficção.  

Possui sua própria produtora, a Seneca Productions, que transmite regularmente programas e documentários na televisão britânica baseados em seus trabalhos.

Os vídeos são como biografias de Nietzsche e Heidegger, para você entender um pouquinho mais desses três que são tão importantes para a história. Os documentários são legendados em Português e estão disponíveis, na íntegra, abaixo:

Documentário sobre Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 -1900) foi um filósofo alemão do século XIX e um dos maiores nomes dessa área





Documentário sobre Martin Heidegger (1889 – 1976) foi um filósofo alemão do século XX que influenciou muitos outros, dentre os quais Jean-Paul Sartre






sexta-feira, 7 de abril de 2017

Hannah Arendt, Trump, populismo e totalitarismo



Por que se recorre a Hannah Arendt para explicar Trump

COMPARTILHADO DE DEUTSCHE WELLE | AUTORIA DE ELIZABETH GRENIER

O clássico de George Orwell "1984" não é o único que está celebrando o retorno: o ensaio filosófico "As origens do totalitarismo" também vem chamando atenção. Entenda por que a autora é tão relevante.

Hannah Arendt (1906-1975): uma das primeiras a analisar como o totalitarismo pôde se desenvolver no início do século 20 
- Wissenschaft des Judentums (Leo Baeck Institute) -

De origem judaica, Hannah Arendt (1906-1975) nasceu na Alemanha e deixou o país quando Adolf Hitler assumiu o poder em 1933. Ela passou um período como refugiada apátrida na França e foi deportada para um campo de internamento sob o regime Vichy. Em 1941, Arendt emigrou para os EUA, assumindo mais tarde a cidadania americana.

Tendo vivenciado de perto o quase colapso de uma civilização avançada, ela também se tornou uma das primeiras teóricas políticas a analisar como o totalitarismo pôde se desenvolver no início do século 20. As raízes do nazismo e do stalinismo estão descritas em seu primeiro grande livro, As origens do totalitarismo, publicado originalmente em inglês em 1951.

Desde então, o livro se tornou leitura obrigatória para muitos estudantes, e agora a densa obra política de mais de 500 páginas se tornou um best-seller. Ele tem voado das prateleiras americanas desde que Donald Trump subiu ao poder no país. Esses novos fãs de Arendt estão, presumivelmente, tentando entender para onde pode levar a presidência do republicano.

"Na compreensão de Hannah Arendt, Trump não é um totalitário; ele incorpora o que ela chama de 'elementos' do totalitarismo", explicou recentemente à DW Roger Berkowitz, professor e chefe do Centro Hannah Arendt de Política e Humanidade no Bard College em Nova York.

Berkowitz disse, no entanto, que fortes sinais de alerta não devem ser ignorados:

"Arendt acreditava que um dos elementos centrais do totalitarismo é que ele é baseado num movimento (...) e Trump afirmou explicitamente que seria o porta-voz de um movimento. Essa é uma posição muito perigosa para um político."

Soluções fáceis em tempos de ansiedade mundial

A análise de Arendt se concentra sobre os acontecimentos do período em que viveu. Embora as suas observações não possam explicar, obviamente, tudo sobre os complexos desenvolvimentos políticos de hoje, muitas delas ainda são bastante reveladoras: o populismo de direita a se espalhar pela Europa e EUA é uma reminiscência, em diferentes formas, da situação nos anos 1920 e 1930 que permitiu que nazistas e comunistas subissem ao poder.

Os livros de Arendt proporcionam uma visão sobre os mecanismos que levam tantas pessoas a aceitar prontamente mentiras, em tempos de incerteza global. Enquanto grandes jornais, como o New York Times e Washington Post, estão resgatando os escritos da filósofa, os usuários nas redes sociais compartilham amplamente frases como esta de As origens do totalitarismo:

"Num mundo incompreensível e sempre em mutação, as massas chegariam a um ponto em que, ao mesmo tempo, acreditariam em tudo e nada, pensariam que tudo seria possível e nada seria verdade."



Narrativas simplificadas, repetidas

Em tal contexto, narrativas simplificadas, repetidas – e falsas –, que põem a culpa em bodes expiatórios e oferecem soluções fáceis, têm preferência sobre análises mais profundas que levam a opiniões informadas. Essa abordagem foi aplicada por líderes totalitários como Hitler, escreveu Arendt.

Neste sentido, não é nenhuma novidade a estratégia de Trump de colocar a culpa generalizada em muçulmanos e mexicanos pelo terrorismo, crime ou desemprego, e reivindicar um veto de viagem ou um muro como uma solução fácil.

Segundo Arendt, no início do século 20, os líderes totalitários basearam a sua propaganda nesta suposição explicitada em As origens do totalitarismo

"Pode-se fazer com que as pessoas acreditem em determinado dia nas mais fantásticas declarações, e esperar que, no dia seguinte, elas se refugiem no cinismo ao receber provas irrefutáveis da falsidade dessas afirmações; em vez de abandonar os líderes que mentiram para elas, as pessoas iriam clamar que sabiam o tempo todo que a declaração era uma mentira e admirariam os líderes por sua esperteza tática superior."

Agora, Trump eleva essa abordagem a novos extremos. Mesmo que nunca tenha havido tantas pessoas dedicadas a expor as mentiras do novo presidente americano, a astuta tática presidencial é fazer com que tais relatos sejam desacreditados como vindos da mídia tradicional e "desonesta". Atualmente, as crenças do movimento liderado pelo magnata são apoiadas por fontes alternativas amplamente disponíveis.

Em 1974, Hannah Arendt declarou em entrevista: 

"Se todo mundo sempre mentir para você, a consequência não é que você vai acreditar em mentiras, mas sobretudo que ninguém passe a acreditar mais em nada."

A "banalidade do mal"

Num relato de Arendt, de 1961, sobre o julgamento de Adolf Eichmann, um dos principais organizadores do Holocausto, ela ganhou fama com a expressão "a banalidade do mal" ao descrever o seu ponto de vista que a maldade poderia não ser algo tão radical quanto se espera.

Em seu livro Eichmann em Jerusalém – Um relato sobre a banalidade do mal, Arendt explica como crimes foram cometidos por pessoas que obedeciam a ordens cegamente, para estar em conformidade com as massas. "Há uma estranha interdependência entre a irreflexão e o mal", escreveu a filósofa em seu clássico.

A definição de irreflexão elaborada num primeiro trabalho publicado em 1958, A condição humana, poderia muito bem ter sido escrita para descrever as ordens executivas assinadas apressadamente por Trump, como também os seus esforços para justificá-las: 

"Irreflexão – a imprudência negligente ou desesperançada confusão ou repetição complacente de 'verdades' que se tornaram triviais e vãs – parece ser uma das características mais notáveis de nosso tempo."

Desobediência civil

Claro, tais citações fora de seu contexto podem ser fáceis e confortáveis de compartilhar online, mas elas não refletem a totalidade das ideias de Arendt. Da mesma forma, aqueles que quiserem encontrar todas as respostas em As origens do totalitarismo estão fadados a se decepcionar.

Não foi Arendt quem escolheu o título, mas seu editor. Segundo Berkowitz, ela acreditava que o mundo era complexo e confuso demais para se identificar as raízes do totalitarismo.

Ao revisitar os escritos de Arendt, tentando impossivelmente prever se seremos tomados por novas formas de totalitarismo no futuro, pode-se encontrar consolo em outras observações da filósofa: ela considerava a desobediência civil uma parte essencial do sistema político americano – e os fortes movimentos de protesto atualmente no país demonstram isso novamente. Como na famosa frase da escritora: 

"Ninguém tem o direito de obedecer."

Fonte: http://www.dw.com/pt-br/por-que-se-recorre-a-hannah-arendt-para-explicar-trump/a-37399657


Você também pode se interessar em ler:

ORIGENS DO TOTALITARISMO
ANTISSEMITISMO, IMPERIALISMO, TOTALITARISMO.

Hannah Arendt primeiro se propõe a elucidar o crescimento do antissemitismo na Europa Central e Ocidental nos anos 1800 e prossegue com a análise do imperialismo colonial europeu desde 1884 até a deflagração da Primeira Guerra Mundial. 

A última seção discute as instituições e operações desses movimentos, centrando-se nos dois principais regimes totalitários - a Alemanha nazista e a Rússia stalinista. 

Arendt considera a transformação de classes em massas, o papel da propaganda para lidar com o mundo não totalitário e o uso do terror como fatores essenciais para o funcionamento desse tipo de regime. E no capítulo de conclusão, ela avalia a natureza de isolamento e solidão como precondições da dominação total.

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Aproveite e também inclua este clássico à sua biblioteca:

"1984" de George Orwell
TRADUÇÃO: HELOISA JAHN
 
Winston, herói de '1984', último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. 

Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. 

De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que 'só nos interessa o poder em si. 

Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade - só o poder pelo poder, poder puro.'


sexta-feira, 31 de março de 2017

Força vital, a satisfação interior



Quanto a mim, por exemplo, minha filosofia nunca me faz ganhar nada, mas me poupou de muitas perdas. 

O homem normal, pelo contrário, está limitado, quanto aos prazeres da vida, às coisas exteriores, tais como a riqueza, a posição, a esposa, os filhos, os amigos, a sociedade etc.; nisso se funda a felicidade de sua vida. De modo que tal felicidade se desmorona quando essas coisas são perdidas ou o desiludem. 

Podemos caracterizar essa relação dizendo que seu centro de gravidade está fora dele. Por isso seus desejos e seus caprichos são sempre variáveis; quando seus meios permitirem, comprará prontamente coisas como casas de campo ou cavalos, dará festas ou empreenderá viagens; em geral, levará uma vida suntuosa, tudo isso precisamente porque busca em qualquer parte uma satisfação vinda de fora. 

É como um homem extenuado que espera encontrar em soluções e em remédios a saúde e o vigor cujo verdadeiro manancial é própria a força vital. 

Arthur Schopenhauer, in Aforismos Para a Sabedoria de Vida.

Você também pode curtir:

A Sabedoria da Vida

Nesta obra, o autor procura expor o que entende sobre viver com sabedoria e como tornar a vida agradável e feliz à medida das possibilidades de cada um. 

Segundo ele, embora vivendo em ambientes idênticos, as pessoas seriam capazes de reagir de uma maneira distinta diante de uma mesma circunstância, pois cada indivíduo dependeria de suas vontades, sensibilidades e de seus pensamentos.

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Recomendado para você

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

As Dores do Mundo, de Arthur Schopenhauer




"Wheel of Life", 1940
A miséria, que alastra por este mundo, protesta demasiado alto contra a hipótese de uma obra perfeita devida a um ser absolutamente sábio, absolutamente bom, e também todo-poderoso; e, de outra parte, a imperfeição evidente e mesmo a burlesca caricatura do mais acabado dos fenômenos da criação, o homem, são de uma evidência demasiado sensível.

Há aí uma dissonância que se não pode resolver. As dores e as misérias são, pelo contrário, outras tantas provas em apoio, quando consideramos o mundo como a obra da nossa própria culpa, e portanto como uma coisa que não podia ser melhor. Ao passo que na primeira hipótese, a miséria do mundo se torna uma acusação amarga contra o criador e dá margem aos sarcasmos, no segundo caso aparece como uma acusação contra o nosso ser e a nossa vontade, bem própria para nos humilhar.

Conduz-nos a este profundo pensamento que viemos ao mundo já viciados como os filhos de pais gastos pelos desregramentos, e que se a nossa existência é de tal modo miserável, e tem por desenlace a morte, é porque temos continuamente essa culpa a expiar. De um modo geral não há nada mais certo: é a pesada culpa do mundo que causa os grandes e inúmeros sofrimentos a que somos votados; e entendemos esta relação no sentido metafísico e não no físico e empírico.

Imagem: Obra de Jean Delville — "Wheel of Life", 1940.

Adquira cultura, leia "As Dores do Mundo", de Schopenhauer

'As dores do mundo' apresenta uma série de reflexões sobre a existência, propondo uma nova forma de se pensar a dor e a felicidade. Temas como o amor, a morte, a arte, a moral, a religião, a política, o homem e a sociedade ilustram a teoria exposta por Schopenhauer na presente obra.

Indicada a todos os estudiosos e pensadores da conduta humana, quer ligados às áreas da própria filosofia, da sociologia, da religião, como a profissionais de toda e qualquer área em que se faça necessário o entendimento dos meandros que constituem a base do comportamento humano. O filósofo traz reflexões sobre a existência, cuja finalidade, segundo ele, seria a própria dor, constituindo-se o mundo num lugar de expiação.

Para Schopenhauer, faz-se necessário refutar as premissas estabelecidas pelos sistemas metafísicos que entendem o mal como algo negativo. Pois, do seu ponto de vista, ao contrário do bem, o mal é que deve ser considerado positivo, uma vez que somente ele se faz, de fato, sentir.

O autor tece aqui suas considerações fundamentando-se na teoria de que 'O bem, a felicidade, a satisfação são negativos porque não fazem senão suprimir um desejo e terminar um desgosto (...), em geral, achamos as alegrias abaixo da nossa expectativa, ao passo que as dores a excedem sobremaneira'.

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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Algumas frases célebres de Umberto Eco


Umberto Eco (Alexandria, 5 de janeiro de 1932 – Milão, 19 de fevereiro de 2016) foi um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano de fama internacional. Foi titular da cadeira de Semiótica e diretor da Escola Superior de ciências humanas na Universidade de Bolonha.

Ensinou temporariamente em Yale, na Universidade Columbia, em Harvard, Collège de France e Universidade de Toronto. Colaborador em diversos periódicos acadêmicos, dentre eles colunista da revista semanal italiana L'Espresso, na qual escreveu sobre uma infinidade de temas.

Eco é, ainda, notório escritor de romances, entre os quais O nome da rosa e O pêndulo de Foucault. Junto com o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, lançou em 2010 "N’Espérez pas vous Débarrasser des Livres" (“Não Espere se Livrar dos Livros”, publicado em Portugal com o título "A Obsessão do Fogo" no Brasil como "Não contem com o fim do livro" Brasil).





Algumas frases célebres de Umberto Eco:
"Existe apenas uma coisa que excita os animais mais do que o prazer, é a dor."

"Quando os verdadeiros inimigos são muito fortes, é preciso escolher inimigos mais fracos."

"Se a rendição à ignorância e chamá-la de Deus sempre foi prematuro, continua prematuro até hoje."

"É sempre melhor que quem nos incute medo tenha mais medo do que nós."

"Nem todas as verdades são para todos os ouvidos."

"O riso é a fraqueza, a corrupção, a insipidez da nossa carne."

"As pessoas nascem sempre sob o signo errado, e estar no mundo de forma digna significa corrigir dia a dia o próprio horóscopo."

"Nada inspira mais coragem ao medroso do que o medo alheio."

"Teme, Adso, os profetas e os que estão dispostos a morrer pela verdade, pois de hábito levam à morte muitíssimos consigo, freqüentemente antes de si, às vezes em seu lugar.

"O sono diurno é como o pecado da carne: quanto mais se tem mais se quer, contudo nos deixa infelizes, satisfeitos e insatisfeitos ao mesmo tempo."

"Alguém que é feliz a vida toda é um cretino. Por isso, antes de ser feliz, prefiro ser inquieto."

"Todos somos hereges. Todos somos ortodoxos. Não é a fé que um movimento oferece que conta. Conta a esperança que propõe."

"Os que os faz viver é o que os faz morrer."

"O primeiro dever do bom inquisidor é o de suspeitar antes dos que te parecem sinceros."

"Deus se nos manifesta de fato mais naquilo que não é do que naquilo que é, e por isso as similitudes das coisas que mais se distanciam de Deus nos conduzem a uma opinião mais exata sobre Ele, para que saibamos assim que Ele está acima do que dizemos e pensamos."

"A diferença não vem de palavras e obras, mas dos olhos com que a igreja julga as palavras e a obra."

"De dia cura-se o corpo com ervas boas e de noite se adoece a mente com ervas más."

"Rir do mal é não estar disposto a combatê-lo. Rir do bem é desconhecer a força com o qual o bem difunde-se a si próprio."

"Justificar tragédias como "vontade divina" tira da gente a responsabilidade por nossas escolhas."

"Não há plantas boas para comida que não o sejam também para cura. O excesso é que causa problemas."

"Apenas os pequenos homens parecem normais."

"Os que não podes amar, teme-os."

"Certas coisas se sentem com o coração. Deixa falar o teu coração, interroga os rostos, não escutes as línguas."

"Se há algo que excita mais os humanos que o prazer é a dor. Sob tortura, tudo o que ouvimos e lemos volta-nos a mente. Sob tortura dizemos não só o que quer nosso inquisidor, mas o que imaginamos possa-lhe dar prazer. Uma ligação diabólica se estabelece."

"Alguns reprimem com tanta veemência a ponto de impelirem muitos a se tornarem partícipes, por ódio a eles. Na verdade, um círculo imaginado pelo demônio. Que Deus nos livre."


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O relativismo e a verdade

Putnam (foto) nos diz que: (1) a verdade é independente da justificação aqui e agora, mas não de toda justificação. 

Afirmar que um enunciado é verdadeiro é afirmar que ele poderia ser justificado, e (2) presume-se que a verdade seja estável e "convergente"; se um enunciado assim como sua negação pudessem ser "justificados", mesmo em condições tão ideais quanto se possa esperar, não haveria sentido em pensar o enunciado como tendo um valor-de-verdade"(3)

Portanto, sem pretender formular uma exata definição de verdade, Putnam explica a noção de verdade como uma idealização da aceitabilidade racional e, portanto, como um conceito-limite objetivo e transcultural. Para Putnam (1983), a verdade é um ideal regulador em direção ao qual nossa investigação racional deve convergir. Para a maioria dos enunciados, existem condições epistêmicas melhores e piores, embora Putnam saliente que: 

"Não há uma simples regra geral ou método universal para saber que condições são melhores ou piores para justificar um juízo empírico arbitrário." (p. XVII)

Ainda que Putnam reconheça que a "verdade" é tão vaga e dependente do interesse e do contexto quanto nós, e que não há uma matriz fixa e a-histórica de padrões de racionalidade, uma tese central do seu realismo interno é que se trata de uma questão objetiva a de:

"qual seria o veredicto se as condições fossem suficientemente boas, um veredicto a que a opinião deveria ‘convergir’ se fôssemos razoáveis."(4) 

Em termos comparativos, "deve haver um sentido objetivo em que alguns juízos sobre o que é ‘razoável’ são melhores que outros."(5) Não importa qual seja o contexto histórico e cultural.

1. (Cf. Siegel, 1987) 
2. (Cf. Harré e Krausz, 1996) 
3. (Putnam, 1981, p. 56) 
4. (1983, p. XVIII) 
5. (Putnam, 1987, p. 74)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

1 minuto de reflexão com Albert Einstein





"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito." ~Einstein



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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

21 frases de Marco Túlio Cícero



Marco Túlio Cícero, em latim Marcus Tullius Cicero (Arpino, 3 de Janeiro de 106 a.C. — Formia, 7 de Dezembro de 43 a.C.), foi um filósofo, orador, escritor, advogado e político romano.

Cícero é normalmente visto como sendo uma das mentes mais versáteis da Roma antiga. Foi ele quem apresentou aos Romanos as escolas da filosofia grega e criou um vocabulário filosófico em Latim, distinguindo-se como um linguista, tradutor, e filósofo. Um orador impressionante e um advogado de sucesso, Cícero provavelmente pensava que a sua carreira política era a sua maior façanha. 

Hoje em dia, ele é apreciado principalmente pelo seu humanismo e trabalhos filosóficos e políticos. A sua correspondência, muita da qual é dirigida ao seu amigo Ático, é especialmente influente, introduzindo a arte de cartas refinadas à cultura Europeia. 

Cornelius Nepos, o biógrafo de Ático do século I a.C., comentou que as cartas de Cícero continham tal riqueza de detalhes "sobre as inclinações de homens importantes, as falhas dos generais, e as revoluções no governo" que os seus leitores tinham pouca necessidade de uma história do período. (wikipedia)


21 frases de Marco Túlio Cícero

“Nem chega a ser útil saber o que acontecerá: é muito triste angustiar-se por aquilo que não se pode remediar.” 

“Reconhece-se o amigo certo numa situação incerta.”

“Não há nada mais gratificante do que o afeto correspondido, nada mais perfeito do que a reciprocidade de gostos e a troca de atenções.” 

“No meio das armas, calam-se as leis.” 

“Prudência é saber distinguir as coisas desejáveis das que convém evitar.” 

“Para quem aspira ao primeiro lugar, não é indecoroso parar no segundo ou no terceiro.” 

“Os bens mal adquiridos esvaem-se de mau modo.” 

“Amar é consequência de uma atração espiritual acima de qualquer mera paixão humana.”

“Uma casa sem livros é como um corpo sem alma.” 

“O hábito de tudo tolerar pode ser a causa de muitos erros e de muitos perigos.”

“Não basta adquirir sabedoria; é preciso, além disso, saber utilizá-la.” 

“Os homens são como os vinhos: a idade azeda os maus e apura os bons.”

“Está em nossas mãos apagar inteiramente da nossa memória os infortúnios e as recordações desagradáveis.” 

“O amor é o desejo de alcançar a amizade de uma pessoa que nos atrai pela beleza.” 

“A dedicação contínua a um objetivo único consegue frequentemente superar o engenho.” 

“A ignorância é a maior enfermidade do género humano.” 

“Um bom amigo é mais digno do que cem familiares.” 

“Não há nada de tão absurdo que não saia da boca de algum filósofo.” 

“Assim como gosto do jovem que tem dentro de si algo do velho, gosto do velho que tem dentro de si algo do jovem: quem segue essa norma poderá ser velho no corpo, mas na alma não o será jamais.” 

“Fica sabendo que és um deus, se é deus aquele que possui força, sentimento e memória que prevê e que domina, modera e faz mover este corpo ao qual está ligado.” 

“O prazer dos banquetes não está na abundância dos pratos e, sim, na reunião dos amigos e na conversação.” 

Marcus Tullius Cicero