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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Ninguém sabe explicar direito o degelo na Antártida




Os mistérios do gelo: Ninguém sabe explicar muito bem o que está acontecendo na Antártida 

- via expresso.sapo.pt*

Três vezes maior do que a União Européia, a Antártida é em muitos aspetos ainda uma incógnita. Ao contrário do que acontecia no Ártico, tem sempre havido um ligeiro aumento da extensão de gelo marinho. Até que 2016 veio e trouxe um fato alarmante, agravado pelo icebergue histórico que  se soltou este ano. 
“A redução drástica agora notada é anômala e pode significar o início do aquecimento da Antártida. Pode ser um sinal de que o gigante está acordando. Mas isso só saberemos daqui a alguns anos”
Manteve-se adormecida durante décadas, enquanto o Ártico sofria um degelo acelerado em consequência das alterações climáticas. Mas a Antártida não parecia dar os mesmos sinais, ou pelo menos não os dava à mesma velocidade. Em finais do ano passado surgiram até notícias de um arrefecimento na região da Península Antártica durante os últimos 15 anos, contrariando a lógica do que tem vindo a ser frequente nessa área, que desde a década de 1950 registava um aumento médio anual das temperaturas na ordem dos 2,5 graus Celsius. 

Foi de uma das plataformas de gelo daquela península, a Larsen C, que há semanas se desprendeu um dos maiores icebergues da História, com quase 6 mil km quadrados. E onde, uma semana depois, foi possível observar uma outra fenda, ainda pequena e tímida, a desenhar-se rumo ao norte.

Embora a grandeza colossal do bloco de gelo agora à deriva no Mar de Wedell faça soar os alarmes quanto à possibilidade de o aquecimento global estar finalmente afetando o pólo sul, os cientistas hesitam em estabelecer uma ligação direta entre a perda de massa gelada da Larsen C e a doença do planeta. “Perguntar se isto está relacionado com o aquecimento global é como perguntar se o estão também uma tempestade ou uma semana inusual de calor. Sendo processos normais, não é possível dizer se sim ou se não”, afirmou Bryn Hubbard, investigador do Midas, projeto que monitoriza as mudanças climáticas na plataforma Larsen C.

“As plataformas têm uma dinâmica própria: é gelo flutuante que flui do continente em direção ao oceano e que, a partir de uma certa extensão, acaba por se fragmentar”, explica ao Expresso Gonçalo Vieira, coordenador do Programa Polar Português, admitindo que o desprendimento de icebergues — e mesmo o colapso de plataformas, como o da Larsen A em 1995 e o da Larsen B em 2002 — faz parte de processos que, apesar de longos, são cíclicos e inerentes ao sistema daquele continente. “O problema”, sublinha, “é saber se, uma vez colapsada a plataforma, nas condições atuais do planeta, haverá condições para esta se formar de novo”. E tal incerteza é a base para outras interrogações.

A principal está documentada: em 2016, a última primavera austral, registou-se uma redução sem precedentes da extensão de gelo marinho. Trata-se de uma camada de gelo fina, formada à volta do continente a partir da água do mar, que atinge a extensão máxima no inverno e a mínima no verão. 

Entre setembro e novembro de 2016, esse derretimento foi “anômalo”, tanto em extensão como em velocidade, chegando a perder 75 mil km quadrados de gelo por dia, 46% mais rápido do que a taxa média anual de fusão desde 1979. 

O fenômeno verificou-se em “todos os setores da Antártida, sendo maior nos mares de Wedell e de Ross”, especificou John Turner, da British Antarctic Survey e líder da equipe que reuniu estes dados.

Para Gonçalo Vieira, os trabalhos de Turner mostram que a anomalia está associada a uma temperatura do ar mais quente do que o normal no último verão austral, a par da baixa pressão atmosférica e consequente mudança no padrão do vento nos mares de Bellingshausen e de Amundsen, na Antártida Ocidental. “Ao contrário do que acontecia no Ártico, na Antártida tem sempre havido um ligeiro aumento da extensão de gelo marinho. A redução drástica agora notada é anómala e pode significar o início do aquecimento da Antártida. Pode ser um sinal de que o gigante está a acordar e a reagir mais rapidamente às mudanças climáticas. Mas isso só o saberemos daqui a uns anos”, reforça o especialista, que já realizou uma dezena de expedições ao continente gelado.

Três vezes maior do que a União Européia, a Antártida é em muitos aspetos ainda uma incógnita. É mais remota do que o Ártico, de acesso mais difícil e não tem população permanente, fora os milhares de cientistas que recebe anualmente. O seu estudo sistematizou-se em meados dos anos 50, tendo dado um salto em 2007 com o grande investimento que o Ano Polar Internacional trouxe à pesquisa. Hoje sabe-se que foi graças às suas características que o gigante tem conseguido proteger-se do impacto brutal das alterações climáticas noutras partes do globo: a latitude elevada, o fato de ser mais frio, de ter mais gelo — os glaciares chegam a ter 4 km de espessura — e de estar rodeado por um oceano enorme com correntes marinhas e ventos poderosos.

Mas por quanto tempo continuará a dormir? A Antártida Ocidental é já considerada um dos setores mais preocupantes. Não só possui menos gelo do que a Antártida Oriental, como a maioria da sua área continental, onde assentam os glaciares, se encontra abaixo do nível do mar. E isto leva a que o gelo fique à mercê dos efeitos do mar, aumentando a perda de massa para o oceano. Os estudos no glaciar da Ilha de Pine e no glaciar Thwaites mostram resultados “muito preocupantes” a esse nível, especifica Gonçalo Vieira. Quando um membro da sua equipe, Marc Oliva, documentou o arrefecimento da Península Antártica, isso não o deixou menos apreensivo. Quinze anos são quase nada em tempo geológico e o passado já demonstrou que, no que à Antártida diz respeito, é sempre preciso esperar para ver.

☞ Veja na postagem original mais gráficos e uma animação que explica a matéria acima, transcrita do jornal português Expresso.
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Fonte: *Expresso/Portugal: Ninguém sabe explicar muito bem o que está a acontecer na Antártida: os mistérios do gelo/Bruno Oliveira (tradução livre para o português do Brasil)

sábado, 24 de março de 2018

Eventos climáticos extremos estão mais frequentes do que nunca



Clima Extremo - Imagem: Furacão Ophelia (NASA)
Com raras exceções (esportes, bandas de rock dos anos 80), “extremo” é algo que você normalmente quer evitar. Considere, por exemplo, eventos climáticos extremos. Inundações, incêndios florestais e ondas de calor causam estragos em nosso planeta e, muitas vezes, em nossa economia.

Agora, um novo relatório, que analisou eventos climáticos extremos chegou a uma conclusão desanimadora (mas não surpreendente): eles estão acontecendo com mais frequência. Mas a notícia não é de todo ruim - podemos estar melhorando em diminuir seus impactos econômicos.

Em 2013, o Conselho Consultivo Científico das Academias Europeias (EASAC), umn grupo de 27 academias nacionais de ciências na Europa, divulgou um estudo intitulado “Tendências em Eventos Climáticos Extremos na Europa”. Esta semana, a EASAC compartilhou uma atualização do estudo que incorpora dados de 2013 a 2017.

Para o relatório original, o grupo examinou os extremos de temperatura, precipitação, seca e outras métricas relacionadas ao clima rastreadas entre 1980 e 2016. Eles descobriram que o número de eventos climatológicos globais (temperaturas extremas, secas e incêndios florestais) tem mais de dobrou desde 1980. No mesmo período, o número de eventos meteorológicos (tempestades) também dobrou, enquanto o número de eventos hidrológicos (inundações e movimentos de massa como avalanches e deslizamentos de terra) quadruplicou desde 1980 e dobrou desde 2004.

Resumindo: eventos climáticos extremos estão ocorrendo com muito mais frequência em todo o mundo. Os dados entre 2013 e 2017 indicam que é provável que eles aumentem e não sejam menos frequentes.

O relatório atualizado também analisou os potenciais propulsores desses eventos climáticos extremos, incluindo a enfraquecida Transição Meridional do Atlântico (AMOC). A AMOC, também conhecida como Corrente do Golfo, desacelerou à medida que o planeta se aqueceu, e alguns cientistas estão preocupados com o fato de que ela poderia parar completamente, o que alteraria de maneira drástica o clima da Europa. Os pesquisadores por trás deste estudo não sabem dizer se ela seria desligada completamente, mas sugerem que é melhor ficar de olho nela e observar.

Os pesquisadores também observaram os crescentes custos econômicos gerados por eventos como esses. Por exemplo, em 1980, a América do Norte perdeu 10 bilhões de dólares para tempestades. Em 2015, esse número chegou a quase US$ 20 bilhões.

Mas na Europa, embora as inundações dos rios tenham se tornado mais freqüentes, essas perdas financeiras estão se mantendo estáveis, e não estão aumentando.

Isso é só um pouco de notícia boa em um mar crescente de notícias ruins. Mas na verdade, os custos estáticos podem mostrar que os países tem implementado mais medidas protetivas, disseram os pesquisadores em um comunicado à imprensa.

Isso significa que pode ser possível "resistir ao clima", em nossas áreas populadas, para limitar o impacto de eventos climáticos extremos. Sim, é caro e está longe de ser infalível. Mas como esses eventos climáticos extremos não se tornarão menos frequentes, isso é uma boa notícia.

Referências: Science Daily, EASAC | Fonte: futurism.com (tradução livre)


segunda-feira, 5 de março de 2018

Anomalia climática sem precedentes é registrada no Ártico




Foto: Ralph Lee Hopkins/National Geographic
Aquecimento no Ártico (Polo Norte): os cientistas estão alarmados com aumento “maluco” da temperatura: Uma onda de calor alarmante e sem precedentes na história, no inverno ártico, está causando tempestades de neve na Europa e forçando os cientistas a reconsiderar até mesmo suas previsões mais pessimistas sobre as mudanças climáticas.

Enquanto a Europa “está tremendo” com uma onda de frio, em que já morreram mais de 40 pessoas, na zona ártica foram registradas temperaturas contínuas superiores a zero graus, o que, segundo os especialistas constitui uma anomalia inédita e sem precedentes.

Embora ainda possa revelar-se um evento isolado, a principal preocupação é que o aquecimento global está corroendo o vórtice polar, os ventos poderosos que uma vez isolaram o norte congelado.

O polo norte não tem luz solar até março, mas um fluxo de ar quente tem pressionado as temperaturas na Sibéria por até 35º C acima das médias históricas deste mês de fevereiro em pleno inverno no hemisfério norte. A Groenlândia já experimentou 61 horas acima do congelamento em 2018 – mais de três vezes mais horas do que em qualquer ano anterior.

Observadores experientes descreveram o que está acontecendo como “muito louco”, “estranho” e “simplesmente chocante”.

“Esta é uma anomalia entre todas as anomalias. É suficientemente distante do alcance histórico que é preocupante – é uma sugestão de que há mais surpresas na prateleira enquanto continuamos a provocar a besta brava que é o nosso clima”, disse Michael Mann, diretor do Earth System Science Center da Universidade Estadual da Pensilvânia. “O Ártico sempre foi considerado como um herdeiro por causa do círculo vicioso que amplifica o aquecimento causado pelo homem na região em questão. E está enviando um aviso claro (de que algo esta acontecendo)”.

Embora a maioria das manchetes da mídia mainstream nos últimos dias tenha se concentrado no clima inusitadamente frio da Europa em um tom alegre, a preocupação é que este não é tanto um retorno reconfortante aos invernos como o normal, mas sim um deslocamento do que deveria estar acontecendo mais ao norte .

Na estação meteorológica mais terrestre do mundo – Cape Morris Jesup na ponta norte da Groenlândia – as temperaturas recentes foram, às vezes, mais quentes do que em Londres e Zurique, em latitudes bem mais ao sul, que estão a milhares de quilômetros ao sul. Embora o recente pico de 6.1º C no domingo não tenha sido um recorde, quando deveria ser de -20º C, mas nas duas ocasiões anteriores (2011 e 2017), as altas duraram apenas algumas horas antes de voltarem mais para perto da média histórica. Na semana passada, houve 10 dias acima do congelamento durante pelo menos parte do dia nesta estação meteorológica de Cape Morris Jesup, apenas a 440 milhas (708 km) do pólo norte.

As temperaturas médias diárias, no Ártico este ano, foram até 20º C maiores do que a média:


“Os picos de temperatura mais elevada fazem parte dos padrões climáticos normais – o que tem sido incomum neste evento é que ele persistiu por tanto tempo e que tem sido tão quente”, disse Ruth Mottram, do Instituto Meteorológico Dinamarquês. “Voltando ao final da década de 1950, pelo menos, nunca vimos temperaturas tão elevadas antes no extremo do Ártico”.

A causa e o significado desse aumento brusco nas temperaturas estão agora sob escrutínio. As temperaturas muitas vezes flutuam no Ártico devido à força ou fraqueza do vórtice polar, o círculo dos ventos – incluindo o fluxo de ar – que ajuda a desviar as massas de ar mais quentes e a manter a região fria. À medida que esse campo de força natural flutua, houve muitos picos de temperatura elevada anteriores, o que faz com que os gráficos históricos do tempo de inverno do Ártico se assemelhem a um eletrocardiograma maluco.

Mas os picos de calor estão se tornando mais freqüentes e duradouros – nunca antes mais do que este ano. “Em 50 anos de reconstruções no Ártico, o evento de aquecimento atual é o mais intenso e um dos eventos de aquecimento mais longos já observados durante o inverno”, disse Robert Rohde, cientista principal da Berkeley Earth, uma organização sem fins lucrativos dedicada ao estudo e às ciências do clima.

A questão agora é se isso sinaliza um enfraquecimento ou colapso do vórtice polar, o círculo de ventos fortes que mantêm o Ártico frio, desviando outras massas de ar. O vórtice depende da diferença de temperatura entre o Ártico e as latitudes médias, mas essa lacuna está diminuindo porque o poste está se aquecendo mais rápido do que em qualquer lugar da Terra. Enquanto as temperaturas médias aumentaram em cerca de 1º C, o aquecimento no pólo – mais próximo de 3º C – está derretendo a massa de gelo. Segundo a Nasa, o gelo marinho do Ártico está agora a diminuir a uma taxa de 13,2% por década, deixando mais águas abertas e as temperaturas mais elevadas.

Alguns cientistas falam de uma hipótese conhecida como “ártico quente, continentes frios”, pois o vórtice polar torna-se menos estável – sugando um ar mais quente e expulsando frentes mais frágeis, como as que estão sendo experientes no Reino Unido e no norte da Europa. Rohde observa que esta teoria continua controversa e não é evidente em todos os modelos climáticos, mas os padrões de temperatura deste ano têm sido consistentes com essa previsão.

A mais longo prazo, Rohde espera mais variação. “Ao aquecer rapidamente o Ártico, podemos esperar que os próximos anos nos tragam ainda mais exemplos de clima sem precedentes”.

Derretimento do gelo no rio Chilkat, perto de Haines, no Alasca, inédito em pleno inverno
Fotografia: Michele Cornelius / Alamy

Jesper Theilgaard, meteorologista com 40 anos de experiência e fundador do website Climate Dissemination, disse que as tendências recentes estão fora de eventos de aquecimento anteriores. “Sem dúvida, esses eventos de aquecimento trazem problemas às pessoas e à natureza. A mudança de chuva e neve – derretimento e a geada tornam a superfície gelada e, portanto, é difícil para os animais encontrarem algo para comer. As condições de vida em tais tipos de clima alternativo são muito difíceis”.

Outros advertem que é prematuro ver isso como uma grande mudança para as previsões. “As mudanças atuais de 20º C ou mais acima da média experimentadas no Ártico quase certamente são principalmente devido à variabilidade natural”, disse Zeke Hausfather, da Berkeley Earth. “Embora tenham sido impulsionados pela tendência do aquecimento subjacente, não temos nenhuma evidência forte de que os fatores que impulsionam a variabilidade do Ártico a curto prazo irão aumentar em um mundo aquecendo-se. Se alguma coisa, os modelos climáticos sugerem o contrário é verdade, esses invernos de alta latitude serão ligeiramente menos variáveis ​​à medida que o mundo se aquecer”.

Embora seja muito cedo para saber se as mudanças globais para o aquecimento do Ártico devem ser alteradas, as recentes temperaturas aumentam a incerteza e aumentam a possibilidade de efeitos adversos acelerando as mudanças climáticas.

“Esta é situação de muito curto prazo para dizer se altera ou não as projeções globais para o aquecimento do Ártico”, diz Mann. “Mas sugere que possamos subestimar a tendência de eventos de aquecimento extremo a curto prazo no Ártico. E aqueles eventos de aquecimento iniciais podem desencadear um aquecimento ainda maior devido aos “laços de feedback” associados ao derretimento do gelo e ao potencial lançamento de metano na atmosfera (um gás de estufa muito forte) retroalimentando todo o processo”.
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Fonte: theguardian.com - Arctic warming: scientists alarmed by 'crazy' temperature rises
Tradução: Thoth3126 - Cientistas registram anomalia climática sem precedentes no Ártico (reprodução)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O maior deslizamento de gelo já filmado




A geleira, comparada com Manhattan
O fotógrafo americano James Balog e sua equipe estavam viajando pela Groenlândia. Eles tinham colocado câmeras em volta do Círculo Ártico e passaram horas juntando material sobre mudanças no gelo.

Enquanto eles estavam montando seu equipamento para um documentário, eles simplesmente esperavam que fizesse um tempo bom e tirar algumas belas fotos daquela paisagem glacial impressionante.

Eles não estavam esperando registrar nada emocionante. Então, de repente, bem em frente a eles, parte da camada de gelo começou a se mover...Testemunharam com seus próprios olhos o momento em que um pedaço de gelo de milhares de anos, do tamanho da ilha de Manhattan (em Nova Iorque), simplesmente quebrou e afundou no mar...



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sábado, 3 de dezembro de 2016

Clima :: Rachadura gigante na Antártida




Infelizmente, mais uma má notícia para a Antártida. Os cientistas da NASA fotografaram uma enorme rachadura dentro da plataforma de gelo Larsen, com cerca de 113 km de comprimento, mais de 90 metros de diâmetro e 500 metros de profundidade.
A fenda é semelhante a uma anterior que apareceu na Larsen B, o que fez com que a plataforma de gelo se separasse e se desintegrasse em 2002. Antes desso evento, a Larsen B tinha permanecido inalterada por quase 12.000 anos.

Plataformas de gelo são as partes flutuantes de geleiras na Antártica. Elas não são apenas extensões para o oceano, mas atuam como um apoio crucial para a calota de gelo polar. A maioria do gelo na Antártida não está na água, mas em terra, e sem plataformas de gelo, o gelo continental vai acelerar no oceano e derreter.
A fratura foi fotografada em 10 de novembro como parte da Operação IceBridge, um levantamento aerogeofísico de gelo da Antártida. A pesquisa vem acompanhando a mudança no Pólo Sul devido aos efeitos devastadores do aquecimento global. [IFLS]

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Fenômeno provocará mega furacões ao longo do século




A península da Flórida, nos EUA, e os países do Golfo Pérsico poderão sofrer com a chegada de poderosos furacões, causando um raro fenômeno que foi chamado de “ciclones do cisne cinza”. 

O termo se deve à teoria do cisne negro, que, por sua vez, vem da pesquisa de eventos imprevisíveis e de grande impacto. Dessa forma, os megaciclones “cisne cinza” representam um fenômeno meteorológico difícil de prever e que, ao longo do século XXI, causará tempestades nunca antes vistas no litoral dos EUA, Emirados Árabes e Austrália, entre outros países, de acordo com um estudo feito pela Universidade de Princeton e pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). 

O estudo foi realizado graças a um modelo computadorizado baseado em tempestades ocorridas no passado e em cálculos feitos em cima de mudanças climáticas. Os resultados são categóricos: nos próximos 85 anos, a baía de Tampa, na Flórida, e o Golfo do México sofrerão megafuracões muito mais poderosos que o famoso Katrina. 

Além disso, a região do Golfo Pérsico, que, até agora, desconhecia a força devastadora das tempestades tropicais, poderá ter “cisnes cinza” com ventos de até 413 km/h, afetando cidades muito populosas, como Dubai. 

Imagem: NASA

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ciência :: América Latina pode passar por dilúvio em 35 anos



Ciência afirma: América Latina passará por grande dilúvio em menos de 35 anos


Dentro dos próximos 35 anos, os territórios mais povoados do mundo poderão acabar inundados pelo aumento do nível do mar, segundo advertem cientistas russos. O vice-diretor do Instituto de Pesquisa Científica do Ártico e da Antártida, Alexánder Danílov, afirma que o problema mais grave é determinado pela mudança drástica da temperatura mundial. 

“Os cálculos sugerem que a temperatura se estabilizará rapidamente, mas que o nível do oceano mundial continuará crescendo por vários séculos”, acrescenta Danílov. 

Os territórios afetados serão a América Latina, Europa, Estados Unidos e Canadá, onde vive a maior parte da população mundial, mobilizando cerca de 150 milhões de pessoas em busca de refúgio. 

Até 2050, o nível dos oceanos poderá aumentar cinco metros, trazendo consequências catastróficas. “Esses cinco metros de crescimento do oceano são um sinal muito sério. Na realidade, os grandes territórios baixos, onde vive a maior parte da população do planeta, estarão em zonas de inundação”, afirma Natalia Riazánova, a responsável pelo Laboratório de Geoecologia do Instituto Estadual de Relações Internacionais de Moscou. 

Enquanto isso, o último relatório da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA afirma que o ano de 2014 registrou recordes de temperaturas na superfície terrestre. Em pelo menos 20 países, foi o ano mais quente da história já registrado, chegando às mais altas concentrações de gases do efeito estufa. 

Fonte: RT   |  Crédito da foto: Nomad_Soul/Shutterstock  |  Reprodução de: History

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Por quê a vida na Terra pode acabar em 100 anos?



Muita atenção! Em 100 anos a Terra pode se tornar um local inóspito ao ser humano.


Em um artigo publicado pela agência Reuters, o escritor David Auerbach resgatou uma teoria do microbiólogo australiano Frank Fenner (ganhador do Prêmio Mundial de Ciências Albert Einstein e da Medalha da Organização Mundial da Saúde por seu trabalho na erradicação da varíola). Ele afirmou que o nosso planeta se tornará absolutamente inóspito para muitas espécies (entre elas, a humana) em menos de um século e entrará em colapso no ano de 2100.

As causas? A superpopulação, a destruição do meio ambiente e as mudanças climáticas.

De acordo com o cientista, o mal já foi feito e é irreversível, já que não haverá nenhuma transformação radical ou estratégia que permita reverter o rumo de destruição do planeta provocado pela industrialização. A partir de sua perspectiva fatalista, o momento atual mostraria os primeiros efeitos do aquecimento global; em poucas décadas, eles causariam o esgotamento dos recursos naturais, o que, somado a um crescimento demográfico esmagador, desencadearia em guerras por alimentos que acabariam com a nossa espécie.

Fontes: Reuters,  MSN Noticias
Crédito da Imagem: Jackal Yu/Shutterstock.com

quarta-feira, 17 de junho de 2009

ONU pede ‘revolução energética’ para enfrentar o aquecimento global




Criar agenda mundial que permita transformação é o objetivo dos 500 especialistas que se reúnem em Viena

Mais de 1,6 bilhão de pessoas não têm acesso à eletricidade e o planeta enfrenta uma mudança climática por causa do uso excessivo dos combustíveis fósseis, uma dupla realidade que a ONU pediu nesta segunda-feira, 22, que seja enfrentada através de uma “revolução energética” para abrir o mundo às energias limpas.

Criar uma agenda mundial que permita essa transformação é o objetivo dos 500 especialistas que se reúnem até quarta-feira, 24, em Viena para tentar desenhar um futuro com menos emissões poluentes e com mais “justiça energética”. Matéria da Agência EFE.

O pedido foi feito por Kandeh Yumkella, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), na abertura do encontro.

Ao falar sobre as medidas adotadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, o diplomata leonês citou o Brasil como um exemplo de aplicação das atuais tecnologias para reduzir o problema.

Por outro lado, ele destacou o “vínculo entre baixa renda e pobreza energética” e assegurou que o acesso à energia é o “objetivo perdido” dentro dos Objetivos do Milênio da ONU, com os quais a organização quer combater a pobreza e o subdesenvolvimento antes de 2015.

Yumkella afirmou que “acesso à energia e mudança climática são duas faces de uma mesma moeda.”

Ele destacou ainda a necessidade de uma “revolução energética” que dê aos habitantes dos países em desenvolvimento acesso à energia, enquanto são potencializadas fontes alternativas, incluindo a nuclear.

Nesse sentido, afirmou que entre as tarefas da Onudi está evitar que os países em desenvolvimento cometam os mesmos erros que as nações ricas durante seu processo de industrialização.

Já o presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU, Rajendra Pachauri, afirmou que a revolução deve ser “dramática e acontecer muito em breve.”

Essa transição terá que ser feita rapidamente, já que, segundo este especialista, “se a intenção é estabilizar o aumento de temperatura (do planeta) em dois graus Celsius”, o crescimento das emissões de gases do efeito estufa deve se reduzir antes de 2015.

Além disso, lembrou, hoje em dia já há muitos países em desenvolvimento que não podem arcar com os preços do petróleo.

Os especialistas reconheceram que nesta mudança a atual crise econômica terá um impacto grande e que já foi possível notar uma redução, em alguns casos de até 40%, nos investimentos em energias limpas.


Este é um dado preocupante, já que o diretor da Onudi afirmou que as quedas de investimento industrial podem demorar até cinco anos para ser recuperadas.

“Por isso, dizemos que o amanhã é hoje. Temos que começar agora”, advertiu Yumkella, que inclusive viu na crise econômica uma oportunidade para essa “revolução da energia verde”.

Por sua parte, Pachauri, que em 2007 recebeu o Prêmio Nobel da Paz em nome do IPCC, lembrou que, se continuarem a ser ignorados “os sinais do que está acontecendo, vai haver crise em diversas zonas do mundo”.

Além disso, os dois representantes das Nações Unidas insistiram em que o investimento em energias renováveis é uma fonte de negócio e de emprego que pode ajudar a acelerar a recuperação econômica.

Pachauri calculou em US$ 50 bilhões ao ano o investimento necessário para desenvolver novas formas de acesso energético, um valor que vários presentes à conferência consideraram pequeno, em comparação com os pacotes de resgate de empresas e bancos aprovados pelos Governos de países ocidentais.

O economista ressaltou que os países desenvolvidos devem estabelecer suas “prioridades” e advertiu que o mundo “terá que enfrentar situações muito piores” se não forem adotadas medidas para combater o problema.

“Não podemos seguir fingindo que nosso estilo de vida é sustentável”, ressaltou.

Nesse processo, Yumkella expressou esperanças de que a conferência da ONU que será realizada em dezembro em Copenhague acabe com um acordo internacional para limitar as emissões de gases do efeito estufa.

*Matéria da Agência EFE, no Estadao.com.br.
Fonte: http://www.ecodebate.com.br/2009/06/24/onu-pede-revolucao-energetica-para-enfrentar-o-aquecimento-global/