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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Entre latas, leis e laços: Toni Reis transforma ironia em manifesto sobre família, fé e Constituição

Do altar ao Carnaval, da memória da mãe à Constituição Federal, ativista ressignifica ataques com humor e reafirma que amor não tem prazo de validade no Brasil de 2026

Do altar ao Carnaval, da memória da mãe à Constituição Federal, ativista ressignifica ataques com humor e reafirma que amor não tem prazo de validade no Brasil de 2026

Há textos que nascem como resposta. Outros, como abraço. O que Toni Reis escreveu é os dois. Com a leveza de quem aprendeu a transformar dor em pedagogia e preconceito em ironia fina, ele parte de uma lembrança íntima — a mãe abrindo conserva de pêssego aos domingos — para falar de algo muito maior: o direito de existir em família.

Quando Toni viu sua própria história virar caricatura em plena avenida, decidiu fazer o que sempre fez ao longo de décadas de militância: respondeu com afeto, Constituição e inteligência.

Se tentaram “enlatar” sua família, ele devolve com dignidade — lacrada pelo amor, temperada pela fé e garantida pela lei.

Toni Reis mora em Curitiba, é doutor em Educação, com Mestrado em Filosofia, ele possuí dois pós-doutorados, um na UFPR, sobre Políticas Públicas, e outro em Legislação. Mais recentemente se formou em História e há cerca de um mês voltou a atuar no campo da Filosofia. Ele promete nos brindar regularmente com novos estudos e artigos, e, vamos publicar, porque o conhecimento liberta.

Íntegra do texto de Toni Reis:

"Conserva de Famílias: não vence, não estraga e ainda vem com selo de Amor & Constituição

Eu sempre desconfiei que minha vida daria uma boa conserva.

Primeiro, porque eu adoro conserva. Minha falecida mãe fazia conserva de pêssego. E domingo, lá vinha ela, solene, abrindo aquele vidro como quem abria um sacramento. Era doce, era sagrado e era disputado. Talvez ali eu tenha aprendido que as melhores coisas da vida são aquelas que o tempo preserva.

Mas confesso: jamais imaginei que um dia a minha própria família viraria… uma latinha. 🥫

Sim, assisti ao desfile da Acadêmicos de Niterói, pensei na liberdade de expressão do Carnaval, e de repente: pronto. Estamos ali, enlatados. E quer saber? Com muito orgulho. Porque perder a pose, eu perco. Mas perder a trend, jamais.

Segundo um antropólogo chamado Petzold, existem 196 tipos de família no mundo. CENTO E NOVENTA E SEIS! Ou seja: tem famílias para todos os gostos — tradicional, moderna, conservadora, progressista, barulhenta, silenciosa, de sangue, de escolha… e também as em conserva premium, como a nossa. 😄

Eu, católico apostólico romano. David, meu marido, anglicano chiquérrimo, quase um príncipe William de Taubaté. 👑 Nossos filhos, batizados na Igreja Católica, com direito a carta do Vaticano desejando bênçãos divinas. Ou seja: temos até SACRAMENTO INTERNACIONAL.

Quando eu tinha 12 anos, falei pra minha mãe:
— Mãe, quando crescer vou casar com um homem lindo e ter dois filhos.

Ela respondeu:
— Para de falar besteira, menino, isso é coisa do demônio!

Anos depois, não só casei com um homem lindo… como tivemos TRÊS filhos. Ainda, minha mãe falou isso quando eu tinha 12 anos, mas quando eu tinha 32 ela se propôs a casar com o David (estrangeiro) para ele poder ficar no Brasil, “tudo pela felicidade do meu filho”.

Mas acima de tudo, trabalhamos dentro da Constituição Federal, que garante que todos são iguais perante a lei. Inclusive os enlatados.

Família, no fim das contas, é isso: É quem abre você com carinho. É quem não deixa você estragar. É quem preserva o seu melhor.

E quer saber o que aprendi viajando pela Amazônia?

Que a vida é curta demais para azedar.

Faça terapia. Tome seus remedinhos, se precisar. Viaje. Veja cachoeira. Beije na boca. Assista Carnaval. Vote. Debata. Mas, principalmente: respeite.

Porque o estresse tira muita coisa. Inclusive a alegria de viver.

2026 chegou.

O Brasil é nosso. A vida é bela. As famílias são infinitas. E o amor… ah, o amor não tem prazo de validade.

Agora, se me dão licença…

abre a conserva e toca o baile. 💃🥫"

Para contato com o autor use o WhatsApp: (41) 99602-8906 ou email tonireisctba@gmail.com 
Agradeço a atenção e fico à disposição para dialogar.

Atenciosamente,

Toni Reis
Educador, pesquisador e ativista em direitos humanos
Especialista em Sexualidade Humana
Mestre em Filosofia | Doutor em Educação
Pós-doutor em Políticas Públicas e em Diversidade e Legislação
Diretor-presidente da Aliança Nacional LGBTI+
Apoie o Pulso — contribua via PIX: (41) 99281-4340 (Ronald)
e-mail: sulpost@outlook.com.br 

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