Discípulo de Nise da Silveira, psicólogo carioca integra Psicologia Junguiana, terapias integrativas, estudos da religião e pesquisas sobre estados ampliados de consciência
Há mais de meio século se dedicando ao estudo da mente humana, da ciência da religião e dos estados ampliados de consciência, o psicólogo carioca Phillipe Bandeira de Mello consolidou trajetória singular ao integrar a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung às terapias integrativas, às pesquisas sobre espiritualidade e ao estudo de substâncias psicodélicas. Discípulo da psiquiatra Nise da Silveira, referência mundial na humanização do tratamento em saúde mental, ele continua desenvolvendo pesquisas, cursos e atividades voltadas à compreensão da psiquê e da consciência humana.
Em entrevista exclusiva ao blog, Phillipe apresentou alguns dos projetos que mobilizam sua atuação profissional no momento. Entre eles estão pesquisas envolvendo terapias assistidas por psicodélicos, terapia regressiva e estudos sobre experiências de vida passada, além do trabalho desenvolvido em uma comunidade espiritual de caráter multirreligioso, integrando práticas espirituais de diversas religiões.
Pesquisa e novas abordagens terapêuticas
Segundo o psicólogo, uma das áreas que mais têm despertado interesse atualmente é o avanço das terapias assistidas por psicodélicos, tema que vem sendo objeto de pesquisas científicas em diversos países.
"Faço parte dos quatro grupos. Hoje tem a terapia assistida por psicodélicos, que é uma das coisas. Eu trabalho com terapia regressiva, terapia de vida passada. A gente tem uma casa de ayahuasca bem revolucionária, multirreligiosa, com uma parte de Umbanda, mas muitas outras dimensões de estudos."
De acordo com Phillipe Bandeira de Mello, sua proposta reúne conhecimentos da psicologia, da espiritualidade e da ciência da religião em um ambiente aberto ao diálogo entre diferentes tradições religiosas e terapêuticas.
Novo livro em preparação
Durante a entrevista, o pesquisador revelou ainda que participa de um novo livro organizado pela Associação de Psicodélicos do Brasil, reunindo terapeutas e pesquisadores brasileiros da área.
"Isso - o trabalho - vai se transformar em livro, que vai ser publicado pela Associação de Psicodélicos do Brasil. Tem um artigo de vários terapeutas e pesquisadores, e tem um artigo meu nesse livro novo."
A publicação deverá apresentar diferentes perspectivas sobre o uso terapêutico de substâncias psicodélicas, tema que vem ganhando espaço no debate científico internacional. Phillipe já possui vários trabalhos de sucesso publicados em livros disponíveis tanto em formato físico quanto digital.
Integração entre ciência e espiritualidade
Ao longo de sua carreira, Phillipe Bandeira de Mello desenvolveu uma abordagem interdisciplinar que aproxima Psicologia Junguiana, psicologia transpessoal, terapias integrativas e ciência da religião. Além da atuação clínica, ministra cursos, palestras e formações voltadas a profissionais da saúde, terapeutas e pesquisadores interessados nos processos simbólicos da consciência.
Seu trabalho procura estabelecer pontes entre conhecimento científico, experiências subjetivas e tradições espirituais, mantendo o foco na ampliação da compreensão sobre a mente humana e seus potenciais de transformação.
Psicodélicos, os enteógenos
Phillipe explica sobre os psicodélicos, ou enteógenos, substâncias psicoativas de origem vegetal que quando usadas em microdoses podem servir como antidepressivo, além de outras finalidades para o tratamento da psiquê humana.
"E os psicodélicos estão entrando também no SUS, a terapia psicodélica, só que estão estudando como é que faz, porque a pessoa tem que ter uma boa qualificação para fazer esse tipo de trabalho, a terapia assistida por psicodélicos, tem isso também. Eu acho muito interessante as minidoses, como tem para esse projeto, está no meu livro lá desde mais de 20 anos atrás, a ideia de, porque as drogas psiquiátricas têm muitos efeitos colaterais, então uma investigação do uso dos enteógenos, que são essas plantas de origem milenar, usadas por seres humanos há muitos milênios, e que são assim, muito superiores e bem mais inócuos, em relação ao ser humano, aí você tem, disso aí você tem as minidoses dos cogumelos, tem o canabidiol, e tem um gel de ayahuasca também, que tem o nosso irmão que faz o nosso daime. O nosso ayahuasca, que ele prepara, é uma medicina muito interessante, um pouquinho, uma colherinha e já funciona como antidepressivo, como estabilizador do humor, várias coisas, ansiolítico, é isso, graças a Deus, então o Brasil está primeiro mundo aí nessa, na aplicação, no uso desses enteógenos - como a gente chama, eu tenho livro publicado, e isso eu proponho, tinha proposto isso há quase 30 anos atrás."



