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segunda-feira, 30 de setembro de 2024

O abuso psicológico que transcende todos os gêneros

Gaslighting: abuso psicológico que transcende, perigosamente, todos os gêneros


Gas Light 1944
 

O termo "gaslighting" tem ganhado destaque nas discussões sobre abuso psicológico, revelando uma dinâmica que transforma a percepção da realidade em um campo de batalha emocional. Originado do filme "Gas Light" (À Meia Luz, 1944), o conceito refere-se a uma manipulação tão intensa que a vítima é levada a duvidar de suas próprias experiências e sanidade.

No filme, um homem manipula sua esposa, tentando convencê-la de que suas percepções estão erradas. Ele faz isso, por exemplo, ao diminuir a intensidade das luzes a gás em sua casa, negando que isso realmente aconteça. O comportamento do protagonista exemplifica como um parceiro pode distorcer a realidade a tal ponto que a outra pessoa se torna uma sombra de si mesma, perdida em suas próprias inseguranças.

Prática perniciosa

A prática de gaslighting se traduz na manipulação de informações, frequentemente manifestando-se em frases como "você está louca!", "você está inventando isso" ou "não aconteceu isso". Esses enunciados têm o poder de corroer a autoconfiança da vítima, levando não apenas as mulheres, mas também muitos homens a se sentirem impotentes diante de um relacionamento que deveria ser de apoio e compreensão.

Embora a conversa em torno do gaslighting frequentemente gire em torno do abuso de homens contra mulheres, é crucial reconhecer que os homens também podem ser vítimas desse comportamento manipulativo. As consequências psicológicas são devastadoras, levando à perda de autoestima e à dúvida sobre a própria sanidade.

No dicionário

O dramaturgo britânico Patrick Hamilton, ao escrever a peça "Gas Light" em 1938, talvez não pudesse prever a relevância do termo no século XXI, onde a manipulação da verdade se torna cada vez mais comum, especialmente nas redes sociais e na mídia. Em um mundo repleto de desinformação e manipulações digitais, o gaslighting surge como uma prática alarmante que deve ser combatida.

Segundo Peter Sokolowski, editor do Merriam-Webster - dicionário online de termos populares - a busca por "gaslighting", detectada no final de 2022, não foi impulsionada por eventos específicos, mas reflete uma preocupação contínua com a manipulação psicológica nas relações humanas.

Abuso hitec

A "terceira faixa" sonora, uma evolução do sussurro ou do cochicho, representa uma forma insidiosa de manipulação psicológica, muitas vezes utilizada por abusadores que praticam gaslighting. Nessa dinâmica, o agressor insinua ou sussurra palavras que minam a confiança da vítima e, em seguida, nega que tenha falado algo, criando confusão e desorientação.

Essa técnica é uma forma de bullying psicológico que não apenas brinca com a sanidade das pessoas, mas também as empurra para a dúvida constante sobre a própria percepção da realidade. Para quem enfrenta essa situação, uma dica prática é tapar os ouvidos; isso pode ajudar a discernir se as "vozes de comando" ou "zoações" são fruto da própria mente ou de uma manipulação externa, uma orientação que recebi de uma fonte na polícia técnica.

Hoje, essa forma de abuso é potencializada pela tecnologia. Equipamentos como caixas de som Bluetooth e aparelhos celulares podem ser conectados a outros dispositivos, permitindo que agressores dispersem sons e mensagens de maneira discreta e invasiva. Isso torna a manipulação ainda mais eficaz e difícil de identificar, uma vez que os sons podem parecer oriundos do ambiente, confundindo ainda mais a vítima.

A facilidade de uso dessas tecnologias transforma o sussurro em um ataque psicológico contínuo, desafiando a saúde mental e a percepção da realidade de quem sofre essa forma de abuso.Pesquisas sobre o termo têm aumentado constantemente, indicando um crescente reconhecimento dos efeitos perniciosos dessa forma de abuso.

Desprodução do cenário

A peça de Hamilton, ambientada na Londres vitoriana, retrata um casal cuja relação é marcada por mentiras e manipulações. O personagem masculino, Jack Manningham, busca desestabilizar a esposa, Bella, ao afirmar que suas percepções são meras invenções. Esse enredo revela não apenas a crueldade do gaslighting, mas também a fragilidade das relações humanas quando a confiança é corroída. 

Desde 1944 muita coisa mudou e hoje esses abusos não vitimizam apenas as mulheres, embora infelizmente elas ainda sejam a maioria a ser vítima de abuso psicológico nojento. Os relacionamentos tóxicos hoje se estendem a todos os gêneros e com a revolução tecnológica, infortunadamente também transcendem as paredes e muros do lar, chegando às ruas e até ao trabalho das pessoas. 

A manipulação psicológica, embora frequentemente associada a uma dinâmica de gênero específica, transcende essas fronteiras. Reconhecer os homens como vítimas é um passo fundamental para uma compreensão mais ampla do fenômeno do gaslighting e suas consequências, bem como à real igualdade de gêneros.

Diante desse cenário, a sociedade deve se unir para desmantelar as estruturas que permitem a perpetuação do gaslighting, promovendo um ambiente de apoio e entendimento que possibilite a cura e a restauração da confiança nas relações interpessoais. Somos todos um em ressonância com o Universo.

Stresser

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Valentões, valentonas e o Bullying



O Bullying é exercido por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa


Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder.

O bullying se divide em duas categorias: 

a) bullying direto, que é a forma mais comum entre os agressores masculinos. 

b) bullying indireto, sendo essa a forma mais comum entre mulheres e crianças, tendo como característica o isolamento social da vítima. Em geral, a vítima teme o(a) agressor(a) em razão das ameaças ou mesmo a concretização da violência, física ou sexual, ou a perda dos meios de subsistência.

O bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer também no local de trabalho e entre vizinhos. Há uma tendência de as escolas não admitirem a ocorrência do bullying entre seus alunos; ou desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo. Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para humilhar os colegas.

As pessoas que testemunham o bullying, na grande maioria, alunos, convivem com a violência e se silenciam em razão de temerem se tornar as “próximas vítimas” do agressor. No espaço escolar, quando não ocorre uma efetiva intervenção contra o bullying, o ambiente fica contaminado e os alunos, sem exceção, são afetados negativamente, experimentando sentimentos de medo e ansiedade.


As crianças ou adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com sentimentos negativos e baixa autoestima. Tendem a adquirir sérios problemas de relacionamento, podendo, inclusive, contrair comportamento agressivo. Em casos extremos, a vítima poderá tentar ou cometer suicídio.

O(s) autor(es) das agressões geralmente são pessoas que têm pouca empatia, pertencentes à famílias desestruturadas, em que o relacionamento afetivo entre seus membros tende a ser escasso ou precário. Por outro lado, o alvo dos agressores geralmente são pessoas pouco sociáveis, com baixa capacidade de reação ou de fazer cessar os atos prejudiciais contra si e possuem forte sentimento de insegurança, o que os impede de solicitar ajuda.

No Brasil, uma pesquisa realizada em 2010 com alunos de escolas públicas e particulares revelou que as humilhações típicas do bullying são comuns em alunos da 5ª e 6ª séries. As três cidades brasileiras com maior incidência dessa prática são: Brasília, Belo Horizonte e Curitiba.

Os atos de bullying ferem princípios constitucionais – respeito à dignidade da pessoa humana – e ferem o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. O responsável pelo ato de bullying pode também ser enquadrado no Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que as escolas prestam serviço aos consumidores e são responsáveis por atos de bullying que ocorram dentro do estabelecimento de ensino/trabalho.

por:
Orson Camargo
Graduado em Sociologia e Política pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP
Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

domingo, 17 de agosto de 2014

Bullying pode causar traumas permanentes

"Quando feito de apelidos e piadinhas, o bullying pode até parecer uma brincadeira. Mas suas conseqüências não são. 

Segundo a pesquisadora Cleo Fante, ex-presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar (Cemeobes), se mal resolvido, o bullying pode deixar marcas para o resto da vida – tanto nos que o praticam quanto naqueles que dele são vítimas. 

“É um equívoco dizer que o bullying é uma brincadeira e que os alunos o superam sozinhos. Estamos falando de uma forma de violência deliberada”, diz. Mergulhada há cerca de dez anos no tema, Cleo é co-autora do livro Bullying: Perguntas e Respostas e autora de Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz, recém-adotado pela Secretaria da Educação de São Paulo como manual para a rede estadual paulista. Confira a seguir a entrevista com a especialista.     

O que caracteriza o bullying?

Para que uma ação seja considerada bullying, ela precisa ter certas características: ser repetida contra uma mesma pessoa, apresentar um desequilíbrio de poder que dificulte a defesa da vítima, não possuir razão aparente e contar com atitudes deliberadas e que tragam prejuízo – material, físico, emocional ou de aprendizado. Há estudos sobre bullying entre alunos e professores, porém, o mais conhecido é entre alunos, apenas.

Na sua opinião, as escolas sabem lidar com a questão?

A maneira de lidar com a questão varia muito. Independe da localização e dos recursos da escola. Depende, isso sim, dos valores que propaga. De modo geral, ainda há muito a melhorar, mas pelo menos a percepção social do bullying melhorou nos últimos anos.

O tipo e a localização da escola influem na incidência do fenômeno?

Nas pesquisas que realizei, não vi muita diferença entre escolas pobres e ricas, centro e periferia. Não posso generalizar, dizendo que as escolas públicas têm mais bullying que as particulares. O que se sabe é que as escolas que trabalham valores humanos, que colocam limites, que impõem autoridade aos estudantes, sofrem menos.

Há algum canal de denúncia oficial no país?

Sim, a partir de 2008, o Disque 100 [Disque Denúncia Nacionalde Abuso e Exploração Sexualcontra Crianças e Adolescentes, criado em 1997 pela Associação Brasileira Multidisciplinar de Proteção à Criança e ao Adolescente (Abrapia) e executado desde 2003 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos] passou a acolher denúncias de bullying. Foi uma conquista nossa, dos profissionais que desenvolvem um trabalho na área há quase dez anos. Desse trabalho, também são fruto os diversos projetos de lei espalhados pelo país que preveem que as escolas passem a preparar seus funcionários – não apenas professores – para identificar o bullying e para lidar com ele.



O que leva uma criança ou adolescente a praticar o bullying?

Nos estudos com que me envolvi, identificou-se que 80% dos agressores eram vítimas de violência em casa ou na própria escola. Eles reproduziam essa violência. Outras fontes apontadas pelas pesquisas são a permissividade e a falta de imposição de limites para crianças e adolescentes, a ausência de afeto e a influência da mídia, videogames e jogos virtuais. É um equívoco dizerem que bullying é coisa da idade, que com o tempo passa, que é brincadeira ou que os alunos superam sozinhos. Estamos falando de uma forma de violência que é deliberada, intencional, que é tramada, planejada. O bullying não pode ser explicado pela insegurança da adolescência.

Que tipo de trauma o bullying pode gerar às vítimas?

A curto e longo prazo, o bullying interfere na auto-estima, na concentração, na motivação para os estudos, no rendimento escolar e nos males psicossomáticos (diarréia, febre, vômito, dor de estômago e de cabeça) da vítima. A longo prazo, a vítima pode desenvolver transtornos de ansiedade e de alimentação (bulimia, anorexia, bruxismo, alergias, depressão e ideias suicidas). Se não houver intervenção, pode haver efeitos para o resto da vida. A vítima pode ser sempre insegura. Alguns têm resiliência, o poder de resistir e superar situações difíceis, mas outros penam.

E os agressores?

O agressor sofre, de imediato, um distanciamento dos objetivos escolares. Ele passa a ficar o tempo todo planejando o que fazer e se esforçando para manter o jogo de poder com a vítima. Aliás, ele pode ter várias vítimas, isso é o mais comum. O agressor, então, pode sofrer queda no rendimento escolar e até evasão – como ele deixa de aprender, pode ser reprovado e perder a motivação para estudar. A longo prazo, ele pode cair na delinquência e no uso ou tráfico de drogas. Além disso, pode praticar o bullying em outros ambientes, como o trabalho e a família, tendo problemas nas relações profissionais e sociais e até nos relacionamentos afetivos e amorosos – prejudicados pela questão do poder, que tenderá a acompanhar o agressor.

É possível que o bullying tenha algum efeito positivo na vida adulta? Imagine! Quanto mais cedo uma criança passa por situações de bullying, pior para ela."

Fonte: http://veja.abril.com.br/especiais_online/bullying/ping.shtml

Reflita, eduque seus filhos e ensine que situações de bullying são inaceitáveis! Mais respeito por favor!


"BULLYING NÃO É AMOR!" 

Livro de Silmara Rascalha Casadei

"Partindo de uma situação cotidiana da escola, em que um aluno recebe um apelido, a protagonista passa a vivenciar seus sentimentos de forma a tornar-se cada vez mais tímida, insegura e reservada.

Aos poucos, a situação transforma-se em desmotivação e ganha gravidade, porque a menina guarda para si tudo aquilo que os outros a julgam e não consegue mais perceber-se como alguém de valor. 

Bullying não é amor! pode auxiliar a construção da cultura da cooperação desde os primeiros anos, propagando valores como o respeito ao próximo, a comunicação e a valorização da individualidade."

Silmara Rascalha Casadei é autora de 32 livros infanto-juvenis. Membro da Academia de Letras da Grande São Paulo. Membro do Conselho de Paz do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de São Paulo. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Estado de São Paulo. Mestre e Doutora em Educação pela PUCSP,  Pedagoga, MBA em Gestão de Pessoas pela FGV. Garanta já o seu exemplar!