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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Quando a verdade é deslocada: gaslighting, poder simbólico e os limites da constelação familiar

Entre dor, autoridade emocional e ausência de validação científica, o Brasil precisa decidir quem protege a consciência do vulnerável

Entre dor, autoridade emocional e ausência de validação científica, o Brasil precisa decidir quem protege a consciência do vulnerável

Existem violências que não deixam hematomas. Não quebram ossos. Não sangram.

Mas deslocam a realidade.

O termo gaslighting nasceu da atmosfera sufocante do filme Gaslight (1944), onde um marido manipula a esposa até que ela duvide da própria sanidade. Hoje, o conceito descreve uma forma de manipulação psicológica em que a vítima é levada a questionar sua memória, sua percepção e até sua identidade.

Não é uma categoria ideológica. Não é uma pauta de gênero. É um mecanismo de poder.

No Brasil e nos Estados Unidos, o gaslighting não aparece isoladamente como tipo penal. Mas seus efeitos podem ser enquadrados como violência psicológica, constrangimento ilegal, perseguição, controle coercitivo ou abuso emocional — quando há prova de dano e intenção.

O direito exige evidência. Mas a ética exige vigilância.

A constelação familiar e o campo da controvérsia

A constelação familiar foi desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger entre as décadas de 1970 e 1990. Hellinger nasceu em 1925 e, como praticamente toda a juventude alemã da época, foi incorporado às estruturas obrigatórias do regime nazista durante o período de Adolf Hitler.

É importante afirmar com rigor histórico: não há documentação que comprove que a constelação familiar tenha sido criada como extensão da ideologia nazista.

Essa associação direta carece de base documental.

O que existe — e isso é verificável — é uma crítica científica consistente quanto à ausência de validação empírica robusta da prática. A constelação não apresenta metodologia replicável validada por estudos controlados amplamente reconhecidos na comunidade científica.

O debate não é moral. É epistemológico.

Quando a narrativa substitui o método

O ponto de tensão surge quando relatos indicam que, em determinadas sessões de constelação:

  • vítimas de violência foram levadas a “rever” sua posição no conflito;
  • houve indução de culpa;
  • traumas foram expostos em dinâmicas coletivas intensas;
  • o facilitador assumiu papel de autoridade interpretativa incontestável.

Se uma pessoa é conduzida a duvidar da própria experiência de violência, se sua dor é reinterpretada como “ordem sistêmica”, se sua memória é relativizada diante de uma narrativa imposta —

estamos diante de um território perigosamente próximo do gaslighting.

Isso não transforma automaticamente a constelação em crime. Mas impõe uma pergunta incontornável:

Quem protege o vulnerável quando a técnica não tem base científica sólida e a autoridade simbólica fala mais alto que a evidência?

O debate institucional brasileiro

Em 2023, o então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, solicitou análise institucional sobre possíveis abusos relacionados ao uso da constelação familiar, especialmente em contextos públicos e judiciais.

Não houve, até o momento, proibição legal da prática. Houve debate.

E debate é sinal de democracia funcionando.

No Senado, propostas de restrição foram discutidas, mas não resultaram em proibição formal. O tema permanece em tramitação e análise técnica.

Entre ciência e crença terapêutica

Toda prática que lida com sofrimento humano precisa ser submetida ao crivo da responsabilidade.

A diferença entre acolhimento e manipulação pode ser sutil quando:

  • não há protocolos científicos claros;
  • não há supervisão clínica estruturada;
  • interpretações subjetivas são tratadas como verdades inevitáveis.

Gaslighting não precisa ser agressivo. Às vezes ele se apresenta como revelação. Às vezes como “ordem”. Às vezes como destino.

Mas sempre opera deslocando a autonomia da vítima. Importante lembrar que: "A liberdade de pensamento na Constituição Federal de 1988 é um direito fundamental, garantido pelo art. 5º, IV, que estabelece ser livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato. A Constituição assegura a livre expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, proibindo censura, mas responsabilizando por abusos."

O Pulso ainda pulsa

O debate não é sobre demonizar práticas terapêuticas. Nem sobre blindar crenças pessoais.

É sobre garantir que ninguém seja levado a duvidar da própria dor sob o peso de uma autoridade simbólica.

Ciência testa narrativas. Justiça protege vulneráveis. E o jornalismo precisa iluminar zonas cinzentas.

Não há prova histórica de que a constelação familiar seja herança do nazismo. Há, sim, críticas científicas relevantes sobre sua validade. Há relatos problemáticos. Há investigações. Há debate público.

E há pessoas.

Pessoas que precisam ter sua realidade respeitada.

Quando a verdade é deslocada, a dignidade é o primeiro dano colateral.

Vivemos numa sociedade aonde parece no momento ser mais interessante, transformar o gado bovinizado, em gado de montaria. Mas, enquanto houver uma pessoa oprimida neste mundo o mundo será um lugar de opressão. Não existe pior forma de opressão do que o controle massivo da mente das pessoas. E enquanto houver perguntas sem respostas claras, o pulso ainda pulsa.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

O Instituto Hudson

Foto: James O'Gara (2016) / Flickr


"Você acha que esses tirinhos de festim assustam ingleses, judeus e norte-americanos? Claro que não.

Eu costumava mastigar o assunto para vocês, mas isso só me comprometia e vocês riam e ironizavam do lado de lá. 

Hoje dou os meus tirinhos de festim na esperança que vocês acordem.

Vocês já ouviram falar do Instituto Hudson e o grande lago amazônico?

O Instituto Hudson foi fundado pelo famoso Herman Khan (você lembra?). Foi considerado um dos homens mais inteligentes do mundo. Era uma espécie de Obama no passado.

“Americano”, mas criado em uma família judia, tornou-se peça chave nas estratégias militares para a defesa dos EUA em uma possível guerra nuclear. 

Trabalhar na Rand Corporation convidado pelo seu amigo Samuel Cohen (judeu), o inventor da bomba de nêutrons o fez uma espécie de mestre do governo americano. Dedicou-se ao desenvolvimento da bomba de hidrogênio nos Laboratórios Lawrence Livermore, onde trabalhou com a colaboração de Edward Teller (judeu), John von Neumann (judeu alemão), Hans Bethe (judeu) e Albert Wohkstetter (judeu). (Não digam que sou antissemita, estou descrevendo uma realidade).

Quando o ex, ministro Jarbas Passarinho visitou o Instituto Hudson disseram-lhe (pelos menos ele conta assim) que o grande lago projetado sobre a Amazônia nada mais era que uma estratégia para melhorar a navegação.

Eu te pergunto, porque um grupo de judeus envolvido com as pesquisas de bombas nucleares de Hidrogênio e nêutrons perderia tempo em projetar, sem uma encomenda do Brasil um lago na Amazônia?

As águas submergiriam e reservariam que tipo de riqueza de subsolo? 

Que efeito teria uma guerra atômica sobre as águas? 

Por qual motivo, judeus se dissimulam como pesquisadores norte-americanos? 

Vocês já leram sobre a casa Welzer (Belzer)e a descoberta da Venezuela?

Você já leu sobre os irmãos Pinzon? 

Você já leu sobre os Judeus ingleses e o Projeto da Guiana Inglesa?

Você já leu sobre a influencia dos ingleses sobre a marinha Brasileira? 

Você já leu sobre o Bolivian Sindicate?

 Vocês já leram sobre a emigração de Judeus para a Amazônia? 

Você já leu sobre a colônia alemã dita nazista na Amazônia?

Você já leu sobre o financiamento de capitalistas judeus (Companhia das Índias Ocidentais) para a invasão Holandesa no Brasil. Vocês já leram sobre Aboab da Fonseca e a emigração de judeus para Barbados, e a posterior fundação da cidade de New Amsterdã (New York)?

Eu te pergunto: Que esconde verdadeiramente esses interesses sobre a imensa área do Amazonas?

Você já leu do Coronel Roberto Monteiro de Oliveira, as ameaças históricas e atuais à soberania amazônica?"


Professor Wallace Requião

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Moro promoveu Delegados que ordenaram escuta ilegal

Delegados promovidos pelo ex-ministro bolsonarista Sérgio Moro teriam ordenado grampo ilegal, diz sindicância; Fato ocorreu no período que atuava como juiz em Curitiba

13 de julho de 2019 - Redação do Jornal Grande Bahia - atualizado pelo Pulso

Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Bolsonaro e ex-juiz da 13º Vara Federal de Curitiba. Escuta foi colocada em cela destinada à presos do Caso Lava Jato em Curitiba, no ano de 2014. Policiais acusados faziam parte da cúpula da operação à época dos fatos.


"Três delegados que atuavam na linha de frente do Caso Lava Jato em Curitiba e que, hoje (julho de 2019), compõem a cúpula da Polícia Federal (PF) e do Ministério da Justiça são acusados de terem ordenado grampos ilegais contra prisioneiros da operação, em 2014.

Dois desses delegados foram promovidos e nomeados para funções em Brasília neste ano, na gestão do atual ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Análise feita por uma sindicância da PF, e revelada na sexta-feira (12/07/2019) pela revista Veja e pelo site do jornal Folha de S.Paulo, aponta que uma escuta instalada em cela de presos da Lava Jato, em 2014, gravou irregularmente 260 horas de conversas.

Os grampeados foram o doleiro Alberto Youssef (que descobriu e denunciou o aparelho de escuta), o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e a doleira Nelma Kodama.

Ainda em 2014, o delegado Maurício Moscardi Grillo abriu uma primeira sindicância, mas esta concluiu que o aparelho estava inoperante. O delegado chega a tal conclusão sem ouvir o agente Dalmey Werlang, que era responsável por instalar esse tipo de escuta, e sem encaminhar o equipamento à perícia.

Segundo o relatório de Grillo, a escuta havia sido instalada legalmente em 2008, para investigar o traficante Fernandinho Beira-Mar.

Mas um novo depoimento de Dalmey, colhido em 2015 pelo delegado Mario Renato Fanton, mudou o rumo do caso.

Dalmey disse que instalou a escuta a pedido de três delegados que comandavam a Lava Jato: Igor Romário de Paula, Rosalvo Ferreira Franco e Márcio Anselmo.

Todos trabalham hoje em Brasília. Anselmo foi alçado a coordenador geral do departamento de repressão à corrupção e lavagem de dinheiro da PF em abril de 2018, quando o ministro da Justiça era Osmar Serraglio, no governo Temer.

Já os outros dois subiram com Bolsonaro no governo e Sérgio Moro na Justiça. Igor Romário virou diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF em 16 de janeiro. Já Rosalvo Ferreira Franco foi trabalhar ainda mais perto de Moro, assumindo o cargo de secretário de Operações Integradas do Ministério da Justiça em 2 de janeiro.


Nova sindicância

Com as revelações de Dalmey, foi aberta uma nova sindicância em 2015. Dessa vez, o equipamento foi enviado para análise de peritos, que apontou a existência das 260 horas de gravação.

Com o resultado desta segunda investigação, o então diretor-geral da PF, Leandro Daiello, abriu processos disciplinares contra Dalmey, pela instalação do grampo, e contra Grillo, por má condução na primeira apuração, mas poupou os outros três, sob argumento de que não havia indícios suficientes contra eles.

Ex-delegado acusado de vazar documentos recorre da demissão 

O advogado Ricardo Escobar, que defende o ex-delegado de Polícia Federal Sílvio de Oliveira Salazar, demitido pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, informa que seu cliente está recorrendo da decisão administrativa.

Em nota enviada ao Blog, Escobar diz que o processo disciplinar que levou à demissão “não obedeceu aos ditames da ampla defesa e do contraditório”.

Conforme este Blog divulgou, Moro demitiu o delegado Salazar, que foi processado sob a acusação de formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional e corrupção passiva.

Em sua decisão, Moro cita, entre outras irregularidades praticadas por Salazar, “publicar, sem ordem expressa da autoridade competente, documentos oficiais, embora não reservados” e “divulgar, através da imprensa escrita, falada ou televisionada, fatos ocorridos na repartição”.

Escobar afirma que “o vazamento precisa ser devidamente comprovado, por meio de correspondente processo administrativo e, ou judicial, em que se demonstre ter o servidor violado o seu dever legal de sigilo”.

Segundo a defesa de Salazar, o ato de demissão “já foi objeto de ação judicial anulatória que, ao final, provará a sua inocência”."

*Com informações do Brasil de Fato e Folha de S.Paulo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Os argumentos céticos

Filósofo Cínico desconhecido, sec. 3 a.C
(Museus Capitolinos, Roma - CC0)

- A diferença entre seres vivos no que diz respeito ao prazer e à dor, ao dano e à utilidade é o primeiro argumento do qual se deduz que nenhum ser recebe as mesmas impressões dos mesmos sujeitos.

Toda espécie animal percebe o mundo com base nos tipos de órgãos dos sentidos que dispõe.

- O segundo tipo de argumento contra a verdade realça a subjetividade humana; O útil individual é sempre subjetivo. 

Os mesmos objetos dão origem a percepções muito diferentes, daí que nada de seguro pode ser dito sobre eles.

- A diversidade das impressões é condicionada pela diversa condição das disposições individuais; Um buquê de flores causa impressões diferentes numa garota apaixonada ou em uma recém viúva.

- Nem mesmo a condição dos loucos é contrária à natureza; por que a loucura deveria dizer respeito mais a eles do que a nós?

- A grande diversidade entre as leis e os costumes dos povos sugere a inexistência de valores universais.

- Cada povo acredita nos seus deuses e há quem acredite na providência e quem não acredite. Os egipcios embalsamam os seus mortos antes de sepultá-los, os romanos os cremam, e os peônios os jogam ao pântano.

- Mesmo noções aparentemente objetivas, como o peso, demonstram-se relativas; Uma pedra erguida no ar por duas pessoas desloca-se facilmente na água, seja por que, sendo pesada, torna-se mais leve pela água, seja por que, sendo leve, se torna mais pesada pelo ar.

- As percepções são sempre determinadas por um particular ponto de vista; O sol por causa da distância aparece pequeno, as montanhas vistas de longe, aparecem envoltas no ar e lisas, de perto, aparecem ásperas e cheias de fendas.

A forma dos objetos é sempre condicionada, seja pelo ponto especifico a partir do qual o observamos seja pela posição que ocupa no espaço.

- A natureza de muitas coisas varia com a quantidade; O vinho pode ser benéfico ou maléfico, depende do quanto se bebe.

- O hábito condiciona os juízos; Os terremotos não provocam espantos naqueles junto aos quais ocorrem continuamente.

- O conhecimento utiliza conceitos relativos; O que se encontra à direita não está à direita por natureza, mas é entendido como tal, tendo em vista a posição que ocupa em relação a um outro objeto, mudada a posição, não está mais à direita. Pai e irmão são termos relativos. Esses termos e conceitos relativos, considerados em si e para si, não são cognoscíveis.

Sendo assim, devemos sempre suspender nossos juízos (epoché) sobre a verdade e acreditar na impossibilidade de chegar a um juízo inopinável, universal e indiscutível.
____
Fonte: Blog "Fragmentos de Filosofia", por Giuliano Cézar - Imagem: Estátua de um filósofo Cínico desconhecido, nos Museus Capitolinos, em Roma. Cópia da era romana de uma estátua grega anterior, do século 3 a.C. (Escultura S 737)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Vencendo a rigidez mental



RIGIDEZ MENTAL – QUANDO SUA FORMA DE PENSAR TE IMPEDE DE CRESCER

A psicóloga Jennifer Delgado Suárez nos explica os aspectos da rigidez mental.

Albert Einstein disse que “a mente que se abre a uma nova ideia nunca retorna ao seu tamanho original.” No entanto, abrir a mente é um exercício complicado, muito mais do que gostaríamos de admitir.

Na verdade, a rigidez mental já começamos a construir a partir do nascimento. Cada aprendizagem abre novas portas, mas também fecha outras.

À medida que crescemos e formamos nossa própria imagem do mundo, estamos cheios de estereótipos, preconceitos e crenças que são muito difíceis de remover. No entanto, a rigidez mental não se refere apenas às ideias, mas, acima de tudo, a maneira de pensar.

A rigidez mental nos torna prisioneiros, diminui nossa capacidade de adaptação, criatividade, espontaneidade e positividade. Nos prendemos a velhos padrões que nos impedem de crescer intelectualmente e emocionalmente.

Na verdade, as pessoas rígidas mentalmente são aquelas que:

Pensam que só há um “modo adequado” de fazer as coisas.

Assumem que a sua perspectiva é a única correta e que o resto está errado.

Não estão abertas à mudança porque isso assusta-as.

Se apegam ao passado e recusam se mover.

Mas se alguma coisa caracteriza pessoas com rigidez mental é o desejo de ter razão a todo custo. Elas não percebem que este desejo é extremamente prejudicial porque a possibilidade de estar errado e cometer erros é, justamente, a principal ferramenta de aprendizado e crescimento.

Nós não podemos crescer, não podemos realmente assimilar novos conhecimentos, seja a nível intelectual ou emocional, se não nos dermos conta de que o que sabemos ou cremos pode estar errado ou pelo menos insuficiente.

Na verdade, uma das principais características das pessoas que têm uma certa flexibilidade mental é ser capaz de perceber que decisões erradas não são “más decisões”, em última análise, qualquer decisão é boa se for seguida por uma outra decisão de vermos o lado positivo disso.

Flexibilidade mental é justamente saber que qualquer decisão que tomamos, sempre abre diante de nós um mundo de possibilidades.

Portanto, a flexibilidade mental é estarmos dispostos a equivocar-nos, não ter medo dos erros e tentar entender e abraçar as coisas novas ou pontos de vista diferentes dos nossos.

A Rigidez Mental como resistência inconsciente

A pessoa que desenvolve uma maneira muito rígida de pensar, de certa forma, estão se protegendo. De fato, a rigidez mental pode também ser entendida como uma resistência psicológica. Em certo ponto, quando uma ideia vai contra o que você pensa, você experimenta uma sensação estranha que lhe confunde, paralisa e faz com que você feche às razões.

Assim, muitas pessoas simplesmente rejeitam o argumento, sem analisar. No entanto, a boa notícia é que quando isso acontece é porque algo no seu interior se dá conta que há um problema, algo precisa ser resolvido, embora o processo seja doloroso.

De fato, em muitos casos, perceber que algo que você acreditava cegamente por anos não é verdade, ou pelo menos não é toda a verdade, pode causar uma dor enorme que pode dar lugar a uma crise existencial.


Como Abrir a Caixinha

A boa notícia é que a flexibilidade mental é uma habilidade que pode ser desenvolvida e aprendida.

1. Concentre-se em suas emoções

Quando você está tentado a rejeitar completamente uma ideia, observe como você se sente. Se você se sentir desconfortável com o que você ouve, é provável que a rigidez em sua maneira de pensar esconde uma resistência inconsciente.

Pergunte a si mesmo o que tem medo. Se você responder honestamente, irá descobrir muitas coisas. Na verdade, quanto mais medo você sente, mais iluminará essa resistência.

2. Alimente o desejo de crescer

A curiosidade continua sendo uma das ferramentas mais poderosas que temos à nossa disposição para crescer como pessoas.

Em vez de aceitar as velhas idéias, pergunta-se “por que”. Se começar a questionar tudo que você sempre deu como certo, não só encontrará respostas novas como também descobrirá um novo mundo, muito mais vasto.

3. Desenvolver empatia

Em alguns casos, você provavelmente não concorde com as idéias, as formas de pensar e atitudes dos outros. No entanto, em vez de rejeitá-los de imediato, tente se colocar no lugar deles para entender de onde vêm esse ponto de vista.

Se você rejeitar o que não sabe ou não gosta, você será a mesma pessoa de antes, mas se você tentar entender o outro, terá caminhado um passo além e crescerá.

4. Abrace os erros

Ter certa flexibilidade mental significa não ter medo dos erros, significa estar disposto a aproveitar as novas oportunidades, mesmo que isso signifique se equivocar.

Se trata de entender a vida como um contínuo aprendizado, onde cada erro não é um passo atrás, mas sim um passo a frente em nossa evolução, pois nos permite desfazermos velhos padrões já enraizados.

5. Não busque a verdade absoluta

Toda vez que assumimos uma verdade como um fato imutável, significa que paramos de olhar nessa direção e, portanto, começamos a morrer um pouco todos os dias nessa área. Assim, é importante não se prender a uma única maneira de ver as coisas e manter uma mente aberta.

O mais importante para se livrar da rigidez mental é não buscar a verdade absoluta, simplesmente, porque ela não existe.

(Autor: Tales Luciano Duarte )
(Fonte: yogui.co )


domingo, 14 de maio de 2017

"Mãe Desnecessária", Dalai Lama





"A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.

Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.

Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso.

Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro-me logo da frase, hoje absolutamente clara.

Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explicarei o que significa isso:

Ser "desnecessária" é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes, prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros... também.

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical.

A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.

Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.

Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado e o conforto nas horas difíceis.

Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.

Ao aprendermos a ser "desnecessários", nos transformamos em um porto seguro para quando eles decidirem atracar.

"Dê a quem você ama,

- Asas para voar...
- Raízes para voltar...
- Motivos para ficar... "

Dalai Lama 


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O relativismo e a verdade

Putnam (foto) nos diz que: (1) a verdade é independente da justificação aqui e agora, mas não de toda justificação. 

Afirmar que um enunciado é verdadeiro é afirmar que ele poderia ser justificado, e (2) presume-se que a verdade seja estável e "convergente"; se um enunciado assim como sua negação pudessem ser "justificados", mesmo em condições tão ideais quanto se possa esperar, não haveria sentido em pensar o enunciado como tendo um valor-de-verdade"(3)

Portanto, sem pretender formular uma exata definição de verdade, Putnam explica a noção de verdade como uma idealização da aceitabilidade racional e, portanto, como um conceito-limite objetivo e transcultural. Para Putnam (1983), a verdade é um ideal regulador em direção ao qual nossa investigação racional deve convergir. Para a maioria dos enunciados, existem condições epistêmicas melhores e piores, embora Putnam saliente que: 

"Não há uma simples regra geral ou método universal para saber que condições são melhores ou piores para justificar um juízo empírico arbitrário." (p. XVII)

Ainda que Putnam reconheça que a "verdade" é tão vaga e dependente do interesse e do contexto quanto nós, e que não há uma matriz fixa e a-histórica de padrões de racionalidade, uma tese central do seu realismo interno é que se trata de uma questão objetiva a de:

"qual seria o veredicto se as condições fossem suficientemente boas, um veredicto a que a opinião deveria ‘convergir’ se fôssemos razoáveis."(4) 

Em termos comparativos, "deve haver um sentido objetivo em que alguns juízos sobre o que é ‘razoável’ são melhores que outros."(5) Não importa qual seja o contexto histórico e cultural.

1. (Cf. Siegel, 1987) 
2. (Cf. Harré e Krausz, 1996) 
3. (Putnam, 1981, p. 56) 
4. (1983, p. XVIII) 
5. (Putnam, 1987, p. 74)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Diógenes, a Lanterna e a Internet




Alexandre, "o grande", em plena Ágora, perguntou a Diógenes o que poderia fazer por ele, cidadão tão ilustre. 

Então, olhando para Alexandre, Diógenes disse: "Não me tires o que não me podes dar!" (variante: "deixa-me ao meu sol"). 

Por conta disso foi enviado ao ostracismo. 

O ostracismo era uma punição existente em Atenas, no século V a.C, onde o cidadão, geralmente um político, que ameaçasse a democracia, era votado para ser banido ou exilado, por um período de dez anos.

Diógenes pegou uma lanterna e saiu pelo mundo, a procurar um homem honesto... Perambulou por tudo e todos... não encontrava; até olhar seu reflexo na própria lanterna, foi aí que se deu conta de que aquele homem honesto, que ele tanto procurava, era ele mesmo. 

Encontrei na rede um texto que faz uma bela analogia ao herói da verdade, o anarquista Diógenes, o qual reproduzo abaixo:



A Lanterna De Diógenes


Liberdade é o que internet nos dá. Mas ao terminar um texto recente sobre as maravilhas da Web, escrevi: “...é bom você aproveitar. Isso não deve durar muito mais tempo.” E várias pessoas perguntaram o que eu quis dizer.

Quando eu era garoto, meu pai me deu uma lanterna. Fascinado, eu andava com ela de noite ou de dia, firme no volante. Meu pai então começou a me chamar de Diógenes, referindo-se a Diógenes de Sínope, um filósofo grego que nasceu em torno de 400 antes de Cristo em Sinop, onde hoje é a Turquia. Dizem que Diógenes vagava pelas ruas de Atenas, na Grécia, com uma lanterna procurando “a verdade” ou “um homem honesto”. Diógenes era completamente desligado de bens materiais, vivendo como mendigo dentro de um barril. Dizia que assim era livre. Outro filósofo, Epicteto, escreveu sobre ele:

“Se quiseres que eu te mostre um varão verdadeiramente livre, apresentar-te-ei Diógenes. E de que modo chegou ele a ser livre? Destruindo em si tudo quanto o pudesse tornar presa da escravidão; desligado de tudo, completamente isolado, nada possuía. Dava tudo o que lhe pedissem, mas estava fortemente unido aos deuses e a ninguém era inferior em obediência, respeito e submissão para com a tal soberania. Estava aí a sua liberdade.”.



Diógenes era um anarquista. Quando Alexandre o Grande perguntou o que poderia fazer por ele, ouviu como resposta:

- Sai da frente que você está tapando o sol...

Com sua liberdade, Diógenes incomodava. Afinal, a vida em sociedade apoia-se na supressão das liberdades. Em nome do bem comum, leis e regras nos obrigam a renunciar a nossos desejos. Caso contrário seria o caos, não é?

Mas hoje em dia Diógenes não seria respeitado. Seria um pária, insuportável.

Muito bem. Com o desenvolvimento da sociedade tornamo-nos cada vez mais dependentes de pessoas e sistemas. Dependemos para comer, para morar, para brincar, para amar, para pensar. Ainda pagaremos um imposto para respirar, pode ter certeza.

E no auge dessa loucura surge algo independente: a internet. Uma rede de pessoas, a maior fonte de conhecimento da história da humanidade. Nela podemos navegar para onde quisermos. Podemos escrever nossa opinião e ler a opinião dos outros. Por ser livre, a internet é nossa lanterna de Diógenes: através dela podemos encontrar a verdade.

Mas, como aconteceu com Diógenes, a liberdade da internet incomoda. É perigosa. Enche a cabeça das pessoas de ideias... É preciso, portanto, criar regras. Primeiro as econômicas: para acessar isto ou aquilo, você tem que pagar. Depois as jurídicas: se fizer isto ou aquilo, você pode incorrer em alguma contravenção. E por fim as regras policiais: estamos te vigiando. Sabemos onde você esteve, o que você fez e o que você pensa...

Você sabia que neste exato momento está sendo discutido um projeto de lei que quer colocar “ordem” na internet? A justificativa é excelente: assim poderemos coibir os criminosos. Mas... O projeto de lei 84/99 (Lei Azeredo), que começou apoiado em regras jurídicas, agora incorpora regras policiais, introduzidas pelo Ministério da Justiça. Além de todos os dados de tráfego, como horários de entrada e saída do internauta, os provedores serão obrigados a registrar o nome completo, filiação e número de registro de pessoa física ou jurídica.

Vão saber tudo que você fez.

Daí para controlar o que será publicado e lido, é um nada.

Foi por isso que eu disse “...é bom você aproveitar. Isso não deve durar muito mais tempo.”. Aquele “isso” quer dizer li-ber-da-de.

Fica esperto, meu. Tem gente querendo apagar a lanterna.

Fonte: http://www.portalcafebrasil.com.br/artigos/a-lanterna-de-diogenes

sábado, 3 de maio de 2014

Desmistificando a construção das piramides do Egito




As Pirâmides do Egito, além de serem uma das obras mais belas e magníficas de todos os tempos, também guardam seus mistérios. O maior de todos eles é: Como elas foram construídas?





pg0Algumas pessoas acham que extraterrestres ajudaram os Egípcios a construir as pirâmides, outros pensam que eles tinham um tipo de conhecimento avançado ou que eles dominavam alguma magia negra, mas a verdade é menos interessante do que isso.

A Necrópole de Gizé é aquela famosa construção com três Pirâmides e a Esfinge. 

A mais chamativa de todas é a Pirâmide de Quéops, a maior das três. Ela tem 146 metros de altura, com uma base medindo 230 metros de cada lado. Durante milhares de anos, ela foi a maior construção humana já feita.

Uma construção tão grande, feita em um tempo tão antigo, realmente desperta certas dúvidas, mas quando os números são colocados no papel, as coisas parecem fazer mais sentido, ainda mais com as novas descobertas feitas por lá.


Os números da construção

pyramid_buildingA grande pirâmide foi construída com algo em torno de 2 milhões de blocos, cada um pesando em média 2,5 toneladas. 

A maior parte desses blocos veio de pedreiras próximas as pirâmides, apenas as pedras que compõem a câmara do Faraó e o revestimento externo são diferentes. Essas foram trazidas através do Nilo.

Como ninguém sabe quantas pessoas trabalharam nas obras das pirâmides, alguns cálculos feitos por matemáticos e engenheiros revelaram o possível número de trabalhadores. 

Segundo o estudo feito pela empresa de construção Daniel, Mann, Johnson, e Mendenhall seriam necessários 15 mil homens na construção, com um pico de 40 mil em alguns momentos. A obra completa levaria dez anos para ser terminada, com um expediente diário de dez horas. Nesse ritmo, 180 pedras seriam colocadas por hora, mas o número de horas trabalhadas em um dia pode aumentar, assim como o tempo de construção. 

Normalmente o Faraó começava a construção da pirâmide logo que tomava o trono para si, por isso a Grande Pirâmide pode ter sido construída em um período bem longo de tempo, algo em torno de 20 anos.


Água e areia

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Algo que faz muitas pessoas pensarem ser impossível que as Pirâmides tenham sido feitas por mãos humanas é o peso dos blocos, mas esse problema é facilmente resolvido. Uma nova descoberta revelou que areia molhada pode ter sido uma das grandes armas usadas pelos egípcios. 

Estudantes da Universidade de Amsterdã descobriram que areia molhada na quantidade certa faz com que o material sendo arrastado por ela tenha “metade do peso”. Ou seja, a força de tração necessária cai pela metade. 

thesetupinthO estudo conduzido pelos pesquisadores mostrou que a areia molhada não se acumula na frente do trenó, criando uma pista lisa, que facilita o movimento de maneira extraordinária. Usando essa técnica, o trabalho feito pelos egípcios cairia pela metade.

Como já foi provado em testes, apenas 20 pessoas são o bastante para arrastar um bloco de 2,5 toneladas pela areia, com a ajuda da água esse número cai pela metade. Ou seja, para que 180 pedras fossem levadas para a Pirâmide por hora, seriam necessário apenas 1800 homens as puxando.

O mais interessante é que uma das pinturas em uma das Pirâmides mostra uma cena bem clara, onde diversos homens puxam um estátua enorme em cima de um espécie de trenó de areia. Na frente de todos esses trabalhadores, é possível ver um homem jogando um líquido no chão (imagem acima)… Talvez o grande segredo da construção das Pirâmides não tenha sido alguma ajuda de fora da Terra, mas apenas um pouco de água.

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Clique aqui e veja também um artigo que explica como os blocos de pedra foram transportados até o local da obra, pelos antigos egípcios, segundo as mais recentes descobertas.

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domingo, 23 de março de 2014

Ter ou ser, eis a questão


Atualíssima, por sinal, apesar da idade do texto, escrito em 1976*.

Ter ou Ser?

No sentido e com o objetivo em mente de abordar e ampliar temas humanísticos de caráter filosófico e holístico vou fazer um resumo de uma obra sobre dois conceitos tão fundamentais que estamos em permanente imersão com eles diariamente. Tais conceitos expressam-se tão simplesmente por TER e SER .

O principal objetivo deste resumo é introduzir a análise de dois modos básicos de estar no mundo : o modo TER e o modo SER.

Somos uma sociedade de gente visivelmente infeliz: sós, ansiosos, deprimidos, destrutivos, dependentes – gente que se alegra quando matou o tempo que tão desesperadamente tentamos poupar.


A nossa experiência social é a maior alguma vez feita no sentido de resolver a questão de se o prazer poderá ou não ser uma resposta satisfatória para o problema da existência humana.

Pela primeira vez na História, a satisfação do prazer não constitui apenas o privilégio de uma minoria. Tornou-se acessível a mais de metade da população. Ser egoísta não se relaciona apenas com o meu comportamento mas com o meu caráter. Ou seja: que quero tudo para mim; que me dá prazer possuir e não partilhar; que devo tornar-me ávido, porque, se o meu objetivo é ter, eu sou tanto mais quanto mais tiver; que devo sentir todos os outros como meus adversários: os meus clientes a quem devo iludir, os meus concorrentes a quem devo destruir, os meus trabalhadores que pretendo explorar. Nunca poderei estar satisfeito, porque não existe fim para os meus desejos; devo sentir inveja daqueles que têm mais e receio daqueles que têm menos. Mas tenho de reprimir todos estes sentimentos para poder revelar-me (aos outros e a mim próprio) como o ser humano sorridente, racional, sincero e amável que toda a gente pretende ser.

A paixão pelo ter conduzirá a uma interminável luta de classes.

Na sociedade medieval, como em muitas outras altamente desenvolvidas e também nas sociedades primitivas, o comportamento econômico era determinado pelos princípios éticos. O capitalismo do século XVIII foi sujeito a uma mudança radical: o comportamento econômico foi separado dos valores éticos e humanos. Com efeito, a máquina econômica devia ser uma entidade autônoma, independente das necessidades e desejos do Homem. Foi um sistema que decorreu naturalmente e de acordo com as suas próprias leis. O sofrimento dos trabalhadores, assim como a destruição de um número sempre crescente de pequenas empresas em nome do crescimento de corporações cada vez maiores, foi uma necessidade que, ainda que pudesse ser lamentada, havia que aceitar como o resultado de uma lei natural.

O desenvolvimento deste sistema econômico não era já determinado pela pergunta: O que é bom para o Homem? Mas por uma outra: O que é bom para o crescimento do sistema?

Não é de considerar menos importante um outro fator: a relação das pessoas com a Natureza tornou-se profundamente hostil. Sendo, como somos, «fenômenos da Natureza», existindo dentro dela pelas próprias condições do nosso ser e transcendendo-a pela dádiva da razão, tentamos resolver o problema existencial desistindo da visão messiânica da harmonia entre a Natureza e a Humanidade, optando por conquistá-la, transformá-la, de acordo com os nossos interesses, até que essa conquista se tornou cada vez mais semelhante à destruição. O nosso espírito de conquista e a nossa hostilidade cegaram-nos para os fatos de que as fontes naturais têm os seus limites e podem eventualmente esgotar-se, e de que a Natureza pode voltar-se contra a violação humana.

A Sociedade Industrial despreza a Natureza. Uma nova sociedade só é possível se ao longo do processo do seu desenvolvimento surgir um novo ser humano, ou, em termos mais simples, se uma mudança fundamental ocorrer na estrutura do caráter do Homem Contemporâneo. Pela primeira vez na história a sobrevivência física da raça humana depende de uma alteração profunda do coração do Homem. Todavia, essa mudança terá de acompanhar a dimensão das alterações econômicas e sociais ocorridas, capazes de dar ao coração humano uma hipótese de mudar e coragem para o conseguir."

Numa cultura em que o objetivo supremo é o TER e ter cada vez mais até parece uma função normal da vida que para viver necessitemos de ter coisas.

TER e SER são dois modos fundamentais de experiência , a energia específica de cada um determina as diferenças entre o caráter dos indivíduos e os vários tipos de caráter social.

A grande diferença entre ser e ter é a que se estabelece entre uma sociedade centrada sobre as pessoas e uma sociedade centrada sobre as coisas. Imaginemos um indivíduo que procura a ajuda de um psicanalista e que começa assim o seu discurso: « Doutor, tenho um problema; tenho insônias e apesar de ter uma boa casa, uns filhos adoráveis e um bom casamento, tenho muitas preocupações.» O estilo do discurso mais recente indica o predominante grau de alienação. Ao afirmar «Eu tenho um problema» em vez de « Estou preocupado» a experiência subjetiva é eliminada: o eu ligado à experiência passa a ligar-se à posse. Transformei o meu sentimento em qualquer coisa que possuo: o problema. Mas «problema» é um termo abstrato para todos os tipos de dificuldades. Eu não posso ter um problema porque ele não é uma coisa que eu possua; todavia, ele pode possuir-me. Ou seja, eu transformei-me num «problema» e estou agora à mercê daquilo que criei. Este tipo de linguagem denuncia uma alienação inconsciente.

Um exemplo simples do modo de existência ser ou estar é referir uma outra manifestação do estar – a da incorporação. Incorporar uma coisa, por exemplo, comendo-a ou bebendo-a, é uma forma arcaica de possuir. Até certo ponto, durante a seu desenvolvimento, todas as crianças têm tendência a levar à boca aquilo que desejam. Esta é a forma infantil de tomar posse, quando o desenvolvimento físico não lhes permite ter outras formas de controlar os seus haveres. Consumir é uma forma de ter e talvez a mais importante de todas na atual sociedade industrial da abundância. Consumir tem características ambíguas: liberta a ansiedade, dado que aquilo que se tem não nos pode ser retirado; mas ao mesmo tempo exige que se consuma cada vez mais, porque tudo o que se consumiu depressa perde o seu caráter satisfatório. Os modernos consumidores podem identificar-se pela seguinte fórmula: Eu sou igual ao que tenho e ao que consumo.

O principal motivo pelo qual raramente vemos sinais do modo ser de existência, resulta do fato de vivermos numa sociedade voltada para a aquisição de bens e obtenção de lucros.

Os estudantes que se incluem no modo ter de existência, ouvem uma lição, escutando as palavras e entendendo a sua estrutura lógica e o seu significado. Mas o conteúdo não passou a fazer parte do seu sistema individual de pensamento, enriquecendo-o e ampliando-o.


A memória confiada ao papel é outra forma de alienar a lembrança. O escrever tudo aquilo de que queremos lembrar-nos dá-nos a certeza de ter essa informação e não tentamos gravá-la no cérebro. Estamos seguros da nossa posse; só que, quando acontece perdermos as nossas notas, perdemos igualmente a nossa memória de informações. A capacidade de lembrar abandonou-nos, quando o nosso banco de memórias se tornou uma parte exterior a nós, sob a forma de apontamentos.

Se considerarmos a multidão de informações que na sociedade contemporânea é necessário reter, teremos de considerar que uma certa dose de apontamentos e referências depositadas em livros é inevitável. Curiosamente alguns indivíduos analfabetos, ou que escrevem pouco, têm memórias, de longe, superiores, aos habitantes instruídos dos países industrializados. Entre outros fatos, isto sugere-nos que a instrução não constitui de forma alguma a tão alardeada benção, principalmente quando é utilizada na leitura de matérias que empobrecem a capacidade de experimentar e de imaginar.

Durante um diálogo enquanto as pessoas do ter confiam no que possuem , as do ser confiam no que são , de que estão vivas e de que algo de novo irá nascer, se tiverem coragem de se soltar e responder. Tornam-se totalmente vivos durante a conversa, porque não são sufocados pela preocupação ansiosa daquilo que têm. A sua vivacidade é contagiosa e muitas vezes ajuda a outra pessoa a ultrapassar o seu egocentrismo. O que é verdade para o diálogo é igualmente verdade para a leitura, que é – ou deveria ser – uma conversa entre o autor e o leitor. É claro que na leitura (do mesmo modo que na conversa) é importante quem estamos a ler (ou com quem estamos a falar). Outra diferença entre os modos de ter e ser encontra-se na forma como é exercida a autoridade. Antes de entendermos a autoridade nos dois modos, há que reconhecer que «autoridade» é um termo com dois sentidos totalmente diferentes: tanto pode ser «racional», como «irracional». A autoridade «racional» baseia-se na competência e ajuda a pessoa , que com ela aprende, a crescer. A autoridade «irracional» assenta no poder e serve para explorar o indivíduo que a ela está sujeito.

A autoridade segundo o modo ser, assenta, não apenas na competência que o indivíduo possui para executar determinadas tarefas, mas em igual medida, na própria essência de uma personalidade que atingiu um elevado grau de evolução e integração. Tais seres irradiam autoridade e não necessitam de dar ordens, ameaçar ou subornar. São indivíduos altamente desenvolvidos que demonstram, através do que são- e não pelo que dizem ou fazem – tudo o que os seres humanos podem vir a ser."

Ter conhecimento e saber

A diferença entre os modos de ter e ser na área do conhecimento é formulada em duas expressões: «eu tenho conhecimento» e «eu sei».Ter conhecimento é tomar posse e manter o conhecimento disponível (informação); Saber é fundamental e serve apenas como um meio durante o processo de pensamento criativo.

O Amor

O amor tem igualmente dois significados, que dependem de nos referirmos ao modo ter ou ser.
Pode ter-se amor? Para que tal fosse possível, ele teria de ser uma coisa, uma substância passível de ser possuída. A verdade é que não existe essa coisa chamada «amor». «Amor» é uma abstração, talvez uma deusa ou um ser de natureza diferente, embora nunca ninguém o tenha visto. Na verdade existe apenas o ato de amor. Amar é uma atividade criadora. Supõe preocupação com o outro, conhecimento, resposta, afirmação, gosto pela pessoa, a árvore, o quadro ou a idéia que se ama. Implica trazer à vida, aumentar a alegria, dele ou dela. É um processo de auto-renovação e autocrescimento.

As normas pelas quais a sociedade se rege, moldam também os traços de caráter social dos seus membros. Numa sociedade industrial eles são: o desejo de adquirir propriedades, de as manter e de as aumentar, ou seja, de extrair delas o lucro, e os proprietários são admirados e invejados como seres superiores. Mas a grande maioria das pessoas não tem qualquer propriedade no sentido de capital e de bens capitais e uma questão intrigante se coloca: como podem tais pessoas satisfazer ou mesmo enfrentar a sua ânsia de aquisição e posse de propriedade, ou como se podem sentir possuidores quando não têm absolutamente nada que lhes permita, neste contexto, referenciarem-se.

É claro que a resposta óbvia é que mesmo os indivíduos pobres em propriedades possuem qualquer coisa, e prendem-se às suas pequenas posses do mesmo modo que os donos do capital se prendem às suas. E tal como eles, os pobres vivem obcecados pelo desejo de preservar o que têm e de o ver aumentado, ainda que uma quantia ínfima poupando um escudo aqui, um escudo ali).

Talvez a maior satisfação não resida tanto na posse de bens materiais quanto na de seres vivos. Numa sociedade patriarcal, até o mais pobre dos homens da classe mais miserável pode ser proprietário, no seu relacionamento com a mulher, os filhos, os animais, em relação aos quais se sente dono absoluto.
Quer o objeto que se adquire seja um automóvel, um vestido ou um acessório, após algum tempo de uso, as pessoas cansam-se dele e é mais atraente desfazer-se do «antigo» e comprar o «último modelo». Aquisição posse e uso transitório deitar fora (ou, se possível, troca vantajosa por um modelo melhor) nova aquisição, constituem o ciclo vicioso da compra consumista, e o lema de hoje, poderia ser:«O novo é belo».

Talvez o exemplo mais gritante do fenômeno do consumismo seja o automóvel privado. O nosso tempo merece ser apelidado de «Idade do Automóvel», pois toda a sua economia tem sido construída à volta da sua produção, e toda a nossa vida é, em grande parte, determinada pela subida e descida do mercado de consumo automóvel.

O sentimento de propriedade manifesta-se, igualmente, noutros tipos de relação, por exemplo, para os médicos, dentistas, advogados, patrões, trabalhadores. As pessoas no seu discurso referem-se a eles como «o meu médico», «o meu dentista», «os meus empregados», etc., mas para além da sua atitude de posse em relação aos outros seres humanos, experimentam, igualmente, esta atitude com um número infindável de objetos. Vejamos, por exemplo, a saúde e a doença. Cada um fala da sua saúde com um absoluto sentimento de propriedade, referindo-se às suas doenças, às suas operações, aos seus tratamentos, aos seus medicamentos, às suas dietas. Consideram claramente a saúde e a doença como propriedades.

Ainda que me pareça ter tudo, eu não tenho – na realidade – nada, dado que as minhas posses e o meu controlo sobre um objeto não passam de um momento transitório durante o processo de viver.

Em resumo, a frequência e intensidade do desejo de partilhar, dar e sacrificar não devem surpreender-nos se levarmos em conta as condições de existência da espécie humana. O que é surpreendente é o fato de esta necessidade ter podido ser reprimida ao ponto de fazer dos atos de egoísmo a regra, nas sociedades industriais e de fatos de solidariedade a exceção. Mas, paradoxalmente, este mesmo fenômeno é causado pela necessidade de união.

Uma sociedade cujos princípios são a aquisição, o lucro e a propriedade, produz um caráter social orientado para o ter e, uma vez estabelecido o padrão dominante, ninguém quer um marginal ou um proscrito; a fim de evitar este risco, todos se adaptam à maioria, que tem apenas em comum o antagonismo mútuo.

Como consequência desta atitude preponderante de egoísmo, os dirigentes da nossa sociedade acreditam que as pessoas podem ser motivadas apenas pelo incentivo de vantagens materiais, ou seja, através de recompensas e que não reagirão aos apelos da solidariedade e do sacrifício. Portanto, com exceções dos tempos de guerra, estes apelos raramente são feitos, e as hipóteses de observar os possíveis resultados perdem-se por completo.

Apenas uma estrutura socioeconômica e um quadro da natureza humana radicalmente diferentes poderiam mostrar outra maneira de influenciar positivamente as pessoas.

* Erich Fromm

fonte, com algumas correções: http://www.dhnet.org.br/direitos/filosofia/erich_fromm_ter_ser.pdf

segunda-feira, 15 de julho de 2013

McDonaldization - A McDonaldização da sociedade

"A McDonaldização da sociedade" (em inglês: “McDonaldization”) é um termo empregado pelo sociólogo estadunidense George Ritzer no seu livro McDonaldization of Society (1995) para designar um fenômeno complexo. 

O autor descreve esse processo como o da assunção pela sociedade das características de um restaurante de comida rápida (em inglês: “fast food”). A McDonaldização é uma reelaboração do conceito de racionalidade. 

De fato, observa-se um deslocamento daquilo que é tradicional para outros modos ditos razoáveis de pensar e da administração científica. 

Lá onde Max Weber referenciara ao modelo de burocracia para representar a orientação dessa sociedade em transformação, Ritzer vê o “fast-food” como tendo se tornado o paradigma da representação contemporânea (Ritzer, 2004:553). Ritzer destacou quatro componentes fundamentais da McDonaldização: Eficiência (« Efficiency »): encontrar o método mais eficaz para cumprir uma tarefa; Quantificação (« Calculability »): o objetivo deve ser muito mais quantificável (a exemplo das vendas) do que qualitativo-subjetivo (como o gosto); Previsibilidade (« Predictability »): os serviços devem ser padronizados, normalizados; Controle: os empregados devem ser padronizados, normalizados, e, tanto quanto possível, substituídos por tecnologias não-humanas. 

Com esses quatro processos, essa estratégia aparentemente razoável, segundo esse ponto de vista, pode alcançar resultados nocivos ou irracionais. O processo de McDonaldização pode ser recaptulado desse modo: “Os princípios do fast-food tendem a dominar cada vez mais os vários setores da sociedade americana, bem como das sociedades de outros países” (Ritzer, 1993:1) Em publicações posteriores, Ritzer conceituou um processo cultural o qual nomeou “De-McDonaldização” como reação a McDonaldização. 

Exemplo desse fenômeno poderia ser percebido quando estádios de base-ball passaram a utilizar dispositivos nostálgicos em suas instalações. Em outro sentido, mais restrito, a McDonaldização pode referenciar a substituição dos restaurantes tradicionais por aqueles do McDonald. 

Medidas sugeridas por Ritzer para combater a McDonaldização: Evitar a rotina do cotidiano tanto quanto possível. Tentar fazer tantas coisas possíveis de um modo diferente a cada dia; Da próxima vez que você tiver uma emergência médica ou dentária, resista à tentação de consultar um “McDoctor” ou um “McDentis”; prefira um médico ou dentista da vizinhança, de preferência que trabalhe sozinho; 

Da próxima vez que você precisar de um par de óculos, vá à ótica local em vez de procurar os grandes centros óticos, frequentemente nos “shoppings”; Evite as grandes redes de cabeleireiros, prefira um cabeleireiro local; Utilize preferencialmente dinheiro, em vez de cartões de crédito ou débito; Retorno ao posto de correio todas as mensagens publicitárias, particularmente aqueles que foram endereçadas “ao ocupante” ou “ao residente”; 

Da próxima vez que você receber uma ligação comercial, coloque o telefone de lado e deixe aquela voz etérea falando sozinha; durante esse período algumas pessoas deixarão de ser contatadas; Não compre produtos artificiais como novos tipos de doces ou salgados; Procure restaurantes que utilizem utensílios de porcelana e metal, e evite aqueles que usam materiais plásticos, que prejudicam o meio ambiente; Organize grupos para protestar contra os abusos dos “sistemas McDonaldizados”; como vimos, esses sistemas merecem tais protestos; se você trabalha num desses sistemas, organize com seus colegas modos para tornar suas condições de trabalho mais humanizadas; Evite tanto quanto possível as comidas padrão (como em “Peça pelo número!”); 

Não faça seus passeios em um parque artificial de um condomínio fechado, prefira os parques públicos; É importante ficarmos atentos às tentativas de McDonaldização das crianças; Em vez de levar seu filho a um “McChild Care”, deixe-o com um vizinho que esteja interessado em uma grana extra; Mantenha seus filhos longe da televisão e de anúncios publicitários tanto quanto possível! Envolva-o em outras atividades mais interessantes."

Reprodução parcial de texto publicado originalmente no Flogão.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Mentes brilhantes e atitudes das Trevas

Postado por , em 12/02/12 (de ESQUERADA em ESQUERDA)

Esquerda: a prova que faltava!

Pessoas de Esquerda são mais inteligentes que as de Direita, aponta estudo

Um estudo canadense que inclui dados coletados por mais de 50 anos, diz que as pessoas com opiniões políticas de direita tendem a ser menos inteligentes do que as de esquerda. Ao mesmo tempo, adverte que as crianças de menor inteligência tendem a desenvolver pensamentos racistas e homofóbicas na idade adulta.

A pesquisa foi realizada por acadêmicos da Universidade Brock, em Ontário, e coletou a informação em mais de 15 mil pessoas, comparando o seu nível de inteligência encontrado na infância com os seus pensamentos políticos como adultos.

Os dados analisados ​​são dois estudos no Reino Unido em 1958 e 1970. Eles mediram a inteligência das crianças com idade entre 10 e 11 anos. Em seguida, são monitorados para descobrir suas posições políticas após 33 anos de idade. “As habilidades cognitivas são fundamentais na formação de impressões de outras pessoas e ter a mente aberta. Indivíduos com menores capacidades cognitivas gravitar em torno de ideologias conservadoras que mantêm as coisas como elas são, porque isso as fornece um senso de ordem”, dizem no estudo publicado no Journal of Psychological Science.

Segundo as conclusões da equipe, as pessoas com menor nível de inteligência gravitam em torno de pensamentos de direita, porque esse os faz sentir mais seguros no poder, o que pode se relacionaa com o seu nível educacional, inclui o jornal britânico.

Mas esta não é a única conclusão a que chegou o estudo

Analisados dados de um estudo de 1986 nos Estados Unidos sobre o preconceito contra os homossexuais, descobriu-se que pessoas com baixa inteligência detectado na infância tendem a desenvolver pensamentos ligados ao racismo e homofobia.

“As ideologias conservadoras representam um elo crítico através do qual a inteligência na infância pode prever o racismo na fase adulta. Em termos psicológicos, a relação entre inteligência e preconceitos podem ser derivadas de qual a probabilidade de indivíduos com baixas habilidades cognitivas apoiarem com ideologias de direita, conservadoras, porque eles oferecem uma sensação de estabilidade e ordem “, acrescentou.

“No entanto, é claro que nem todas as pessoas pessoas prejudicadas são conservadoras”, disse a equipe de pesquisa.