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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

O cérebro crente: porque a ciência é o único caminho para fora do realismo dependente da crença



por Michael Shermer *

O presidente Barack Obama nasceu no Havaí? Eu achei a questão tão absurda, sem mencionar a possibilidade de racismo em sua motivação, que quando eu foi confrontado com “birthers”¹ que acreditam em outra coisa, eu achei difícil até mesmo me concentrar em seus argumentos sobre a diferença entre uma certidão de nascimento e um certificado de nascido vivo. 

A razão é porque uma vez que eu formei uma opinião sobre o assunto, tornou-se uma crença, sujeita a uma série de vieses cognitivos para garantir a sua verosimilhança. 

Eu fiquei irracional? Possivelmente. De fato, é assim que a maioria dos sistema de crença funcionam para a maioria de nós na maioria do tempo.

Nós formamos nossas crenças a partir de uma variedade de razões subjetivas, emocionais e psicológicas no contexto do ambiente criado pela família, amigos, colegas, cultura e sociedade em geral. Depois de formar nossas crenças, nós as defendemos, justificando e racionalizando-as com uma série de razões intelectuais, argumentos convincentes e explicações racionais. 

Crenças vem primeiro; explicações para as crenças vem em seguida. No meu livro "Cérebro e Crença"², eu chamo esse processo, em que as nossas percepções sobre a realidade são dependentes das crenças que temos sobre ela, de “realismo dependente de crença”. A realidade existe independente das mentes humanas, mas nossa compreensão disso depende das crenças que temos em um determinado momento.

Eu moldei o realismo dependente de crença após o realismo dependente de modelo, apresentado pelos físicos Stephen Hawking e Leonard Mlodinow em seu livro "O Grande Projeto"³. Ali eles argumentam que, já que nenhum modelo é adequado para explicar a realidade, “um não pode ser dito mais real que o outro”. Quando esses modelos são unidos a teorias, eles formam visões de mundo completas.

Uma vez que tenhamos formado crenças e feito compromissos com elas, nós mantemos e reforçamo-as com uma variedade de tendências cognitivas que distorcem nossas percepções para caber nos conceitos da crença. Entre eles temos:

Viés de Ancoragem. Baseando muito fortemente em uma âncora de referência ou peça de informação quando tomamos decisões.

Viés de Autoridade. Valorizando a opinião de uma autoridade, especialmente na avaliação de alguma coisa que concemos pouco.


Viés da Crença. Avaliando a força de um argumento baseado na credibilidade de sua conclusão.

Viés de Confirmação. Procurando e encontrando evidências que confirmem as crenças já existentes e ignorando ou reinterpretando as evidências em contrário.

No topo de todas essas tendências, está o Viés Endogrupal, onde nós valorizamos mais as crenças dos que são membros de nosso grupo e menos nas crenças de quem é de diferentes grupos. Isso é resultado de nossos cérebros tribais nos levando não apenas para fazer tais juízos de valor sobre as crenças mas também de demonizar e descartá-las como sem sentido ou más, ou ambos.

O realismo dependente da crença é impulsionado ainda mais profundamente por um meta-viés chamado de Viés de Ponto Cego, ou a tendência para reconhecer o poder de tendências cognitivas em outras pessoas, mas ser cego para a sua influência em suas próprias crenças. 

Mesmos cientistas não estão imunes, sujeitos ao viés experimentador-expectativa, ou a tendência de observadores perceberem, selecionarem e publicaram dados que corroboram suas expectativas para o resultado de um experimento e ignorar, descartar ou não acreditar em dados que não.

Essa dependência na crença e sua série de tendências psicológicas é porque, na ciência, nós temos mecanismos internos de auto-correção. Controles duplo-cegos rigorosos são necessários, nos qual nem os sujeitos nem os pesquisadores sabem as condições durante a coleta de dados. 

Colaboração com os colegas é vital. Resultados são examinados em conferências e publicações revistas por pares. Pesquisa é replicada em outros laboratórios. Evidências de desconformidade e interpretações contraditórias de dados são incluídas na análise. Se você não buscar dados e argumentos contra sua teoria, alguém o fará, geralmente com grande alegria e em fórum público. Isto é o motivo de o ceticismo ser sine qua non da ciência, a única escapatória que nós temos das armadilhas do realismo dependente da crença criadas por nossos próprios cérebros crentes.

Michael Shermer
*Michael Brant Shermer nasceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 8 de setembro de 1954, ele é um psicólogo, escritor e historiador da ciência dos EUA, fundador da revista Skeptic Magazine e diretor da Skeptics Society. Shermer também é colunista da Scientific American (SciAm), revista de divulgação científica dos EUA. É notável por sua longa história ao apresentar informação científica a nível mensal para o público educado geral. Muitos cientistas famosos, incluindo Albert Einstein, tem contribuído com artigos nos últimos 168 anos. É a revista mensal continuamente publicada mais antiga dos Estados Unidos.

Notas:
1- Birthers é como são chamadas as pessoas que duvidam da legitimidade da presidência de Barack Obama por conta de uma teoria da conspiração que afirma que Obama não é nascido nos EUA (NdT)
2- The Believing Brain (Holt, 2011). Publicado em português com o título de Cérebro e Crença. São Paulo: JSN Editora, 2012.
3- The Grand Design (Nova Iorque: Bantam Books, 2010). Publicado em português com o título O grande projeto. São Paulo: Nova Fronteira, 2011
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Fonte: Scientific American - Tradução: Maurício Moura (reprodução) - Imagem: Pixabay (CC0)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Mentes brilhantes e atitudes das Trevas

Postado por , em 12/02/12 (de ESQUERADA em ESQUERDA)

Esquerda: a prova que faltava!

Pessoas de Esquerda são mais inteligentes que as de Direita, aponta estudo

Um estudo canadense que inclui dados coletados por mais de 50 anos, diz que as pessoas com opiniões políticas de direita tendem a ser menos inteligentes do que as de esquerda. Ao mesmo tempo, adverte que as crianças de menor inteligência tendem a desenvolver pensamentos racistas e homofóbicas na idade adulta.

A pesquisa foi realizada por acadêmicos da Universidade Brock, em Ontário, e coletou a informação em mais de 15 mil pessoas, comparando o seu nível de inteligência encontrado na infância com os seus pensamentos políticos como adultos.

Os dados analisados ​​são dois estudos no Reino Unido em 1958 e 1970. Eles mediram a inteligência das crianças com idade entre 10 e 11 anos. Em seguida, são monitorados para descobrir suas posições políticas após 33 anos de idade. “As habilidades cognitivas são fundamentais na formação de impressões de outras pessoas e ter a mente aberta. Indivíduos com menores capacidades cognitivas gravitar em torno de ideologias conservadoras que mantêm as coisas como elas são, porque isso as fornece um senso de ordem”, dizem no estudo publicado no Journal of Psychological Science.

Segundo as conclusões da equipe, as pessoas com menor nível de inteligência gravitam em torno de pensamentos de direita, porque esse os faz sentir mais seguros no poder, o que pode se relacionaa com o seu nível educacional, inclui o jornal britânico.

Mas esta não é a única conclusão a que chegou o estudo

Analisados dados de um estudo de 1986 nos Estados Unidos sobre o preconceito contra os homossexuais, descobriu-se que pessoas com baixa inteligência detectado na infância tendem a desenvolver pensamentos ligados ao racismo e homofobia.

“As ideologias conservadoras representam um elo crítico através do qual a inteligência na infância pode prever o racismo na fase adulta. Em termos psicológicos, a relação entre inteligência e preconceitos podem ser derivadas de qual a probabilidade de indivíduos com baixas habilidades cognitivas apoiarem com ideologias de direita, conservadoras, porque eles oferecem uma sensação de estabilidade e ordem “, acrescentou.

“No entanto, é claro que nem todas as pessoas pessoas prejudicadas são conservadoras”, disse a equipe de pesquisa.