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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Os argumentos céticos

Filósofo Cínico desconhecido, sec. 3 a.C
(Museus Capitolinos, Roma - CC0)

- A diferença entre seres vivos no que diz respeito ao prazer e à dor, ao dano e à utilidade é o primeiro argumento do qual se deduz que nenhum ser recebe as mesmas impressões dos mesmos sujeitos.

Toda espécie animal percebe o mundo com base nos tipos de órgãos dos sentidos que dispõe.

- O segundo tipo de argumento contra a verdade realça a subjetividade humana; O útil individual é sempre subjetivo. 

Os mesmos objetos dão origem a percepções muito diferentes, daí que nada de seguro pode ser dito sobre eles.

- A diversidade das impressões é condicionada pela diversa condição das disposições individuais; Um buquê de flores causa impressões diferentes numa garota apaixonada ou em uma recém viúva.

- Nem mesmo a condição dos loucos é contrária à natureza; por que a loucura deveria dizer respeito mais a eles do que a nós?

- A grande diversidade entre as leis e os costumes dos povos sugere a inexistência de valores universais.

- Cada povo acredita nos seus deuses e há quem acredite na providência e quem não acredite. Os egipcios embalsamam os seus mortos antes de sepultá-los, os romanos os cremam, e os peônios os jogam ao pântano.

- Mesmo noções aparentemente objetivas, como o peso, demonstram-se relativas; Uma pedra erguida no ar por duas pessoas desloca-se facilmente na água, seja por que, sendo pesada, torna-se mais leve pela água, seja por que, sendo leve, se torna mais pesada pelo ar.

- As percepções são sempre determinadas por um particular ponto de vista; O sol por causa da distância aparece pequeno, as montanhas vistas de longe, aparecem envoltas no ar e lisas, de perto, aparecem ásperas e cheias de fendas.

A forma dos objetos é sempre condicionada, seja pelo ponto especifico a partir do qual o observamos seja pela posição que ocupa no espaço.

- A natureza de muitas coisas varia com a quantidade; O vinho pode ser benéfico ou maléfico, depende do quanto se bebe.

- O hábito condiciona os juízos; Os terremotos não provocam espantos naqueles junto aos quais ocorrem continuamente.

- O conhecimento utiliza conceitos relativos; O que se encontra à direita não está à direita por natureza, mas é entendido como tal, tendo em vista a posição que ocupa em relação a um outro objeto, mudada a posição, não está mais à direita. Pai e irmão são termos relativos. Esses termos e conceitos relativos, considerados em si e para si, não são cognoscíveis.

Sendo assim, devemos sempre suspender nossos juízos (epoché) sobre a verdade e acreditar na impossibilidade de chegar a um juízo inopinável, universal e indiscutível.
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Fonte: Blog "Fragmentos de Filosofia", por Giuliano Cézar - Imagem: Estátua de um filósofo Cínico desconhecido, nos Museus Capitolinos, em Roma. Cópia da era romana de uma estátua grega anterior, do século 3 a.C. (Escultura S 737)

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

O cérebro crente: porque a ciência é o único caminho para fora do realismo dependente da crença



por Michael Shermer *

O presidente Barack Obama nasceu no Havaí? Eu achei a questão tão absurda, sem mencionar a possibilidade de racismo em sua motivação, que quando eu foi confrontado com “birthers”¹ que acreditam em outra coisa, eu achei difícil até mesmo me concentrar em seus argumentos sobre a diferença entre uma certidão de nascimento e um certificado de nascido vivo. 

A razão é porque uma vez que eu formei uma opinião sobre o assunto, tornou-se uma crença, sujeita a uma série de vieses cognitivos para garantir a sua verosimilhança. 

Eu fiquei irracional? Possivelmente. De fato, é assim que a maioria dos sistema de crença funcionam para a maioria de nós na maioria do tempo.

Nós formamos nossas crenças a partir de uma variedade de razões subjetivas, emocionais e psicológicas no contexto do ambiente criado pela família, amigos, colegas, cultura e sociedade em geral. Depois de formar nossas crenças, nós as defendemos, justificando e racionalizando-as com uma série de razões intelectuais, argumentos convincentes e explicações racionais. 

Crenças vem primeiro; explicações para as crenças vem em seguida. No meu livro "Cérebro e Crença"², eu chamo esse processo, em que as nossas percepções sobre a realidade são dependentes das crenças que temos sobre ela, de “realismo dependente de crença”. A realidade existe independente das mentes humanas, mas nossa compreensão disso depende das crenças que temos em um determinado momento.

Eu moldei o realismo dependente de crença após o realismo dependente de modelo, apresentado pelos físicos Stephen Hawking e Leonard Mlodinow em seu livro "O Grande Projeto"³. Ali eles argumentam que, já que nenhum modelo é adequado para explicar a realidade, “um não pode ser dito mais real que o outro”. Quando esses modelos são unidos a teorias, eles formam visões de mundo completas.

Uma vez que tenhamos formado crenças e feito compromissos com elas, nós mantemos e reforçamo-as com uma variedade de tendências cognitivas que distorcem nossas percepções para caber nos conceitos da crença. Entre eles temos:

Viés de Ancoragem. Baseando muito fortemente em uma âncora de referência ou peça de informação quando tomamos decisões.

Viés de Autoridade. Valorizando a opinião de uma autoridade, especialmente na avaliação de alguma coisa que concemos pouco.


Viés da Crença. Avaliando a força de um argumento baseado na credibilidade de sua conclusão.

Viés de Confirmação. Procurando e encontrando evidências que confirmem as crenças já existentes e ignorando ou reinterpretando as evidências em contrário.

No topo de todas essas tendências, está o Viés Endogrupal, onde nós valorizamos mais as crenças dos que são membros de nosso grupo e menos nas crenças de quem é de diferentes grupos. Isso é resultado de nossos cérebros tribais nos levando não apenas para fazer tais juízos de valor sobre as crenças mas também de demonizar e descartá-las como sem sentido ou más, ou ambos.

O realismo dependente da crença é impulsionado ainda mais profundamente por um meta-viés chamado de Viés de Ponto Cego, ou a tendência para reconhecer o poder de tendências cognitivas em outras pessoas, mas ser cego para a sua influência em suas próprias crenças. 

Mesmos cientistas não estão imunes, sujeitos ao viés experimentador-expectativa, ou a tendência de observadores perceberem, selecionarem e publicaram dados que corroboram suas expectativas para o resultado de um experimento e ignorar, descartar ou não acreditar em dados que não.

Essa dependência na crença e sua série de tendências psicológicas é porque, na ciência, nós temos mecanismos internos de auto-correção. Controles duplo-cegos rigorosos são necessários, nos qual nem os sujeitos nem os pesquisadores sabem as condições durante a coleta de dados. 

Colaboração com os colegas é vital. Resultados são examinados em conferências e publicações revistas por pares. Pesquisa é replicada em outros laboratórios. Evidências de desconformidade e interpretações contraditórias de dados são incluídas na análise. Se você não buscar dados e argumentos contra sua teoria, alguém o fará, geralmente com grande alegria e em fórum público. Isto é o motivo de o ceticismo ser sine qua non da ciência, a única escapatória que nós temos das armadilhas do realismo dependente da crença criadas por nossos próprios cérebros crentes.

Michael Shermer
*Michael Brant Shermer nasceu em Los Angeles, nos Estados Unidos, em 8 de setembro de 1954, ele é um psicólogo, escritor e historiador da ciência dos EUA, fundador da revista Skeptic Magazine e diretor da Skeptics Society. Shermer também é colunista da Scientific American (SciAm), revista de divulgação científica dos EUA. É notável por sua longa história ao apresentar informação científica a nível mensal para o público educado geral. Muitos cientistas famosos, incluindo Albert Einstein, tem contribuído com artigos nos últimos 168 anos. É a revista mensal continuamente publicada mais antiga dos Estados Unidos.

Notas:
1- Birthers é como são chamadas as pessoas que duvidam da legitimidade da presidência de Barack Obama por conta de uma teoria da conspiração que afirma que Obama não é nascido nos EUA (NdT)
2- The Believing Brain (Holt, 2011). Publicado em português com o título de Cérebro e Crença. São Paulo: JSN Editora, 2012.
3- The Grand Design (Nova Iorque: Bantam Books, 2010). Publicado em português com o título O grande projeto. São Paulo: Nova Fronteira, 2011
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Fonte: Scientific American - Tradução: Maurício Moura (reprodução) - Imagem: Pixabay (CC0)

sábado, 26 de agosto de 2017

A gigantesca muralha submersa do Google Earth




Muralha subaquática misteriosa, que circunda o planeta, encontrada no Google Earth

Surpreendentemente, há um vídeo no YouTube que retrata uma parede subaquática que circunda nosso planeta inteiro - e está embaixo da superfície dos oceanos da Terra.

O canal do YouTube Flat Earth Arabic descobriu esta parede que parece abranger dezenas de milhares de quilômetros, e a descoberta se encaixa perfeitamente ao lado dos achados do Google Earth, como UFOs, pirâmides, torres gigantes, petroglifos e cidades afundadas especialmente. 

Notavelmente, o enorme muro em questão foi destacado após descobertas recentes de uma pirâmide subaquática no litoral mexicano e após a descoberta de uma das maiores cidades maias antigas. Mais especificamente, há cinco anos que a americana Angela Micol descobriu pirâmides maiores do que aquelas no platô de Gizé, e várias outras estruturas subaquáticas que caíram com mandíbula foram encontradas utilizando o Google Earth.

Embora todas essas descobertas sejam extremamente fascinantes, pode-se argumentar que todas elas pálidas em comparação com a parede global submersa. Parece impossível que seja uma formação natural, e se ela for real, tudo isso provaria que havia civilizações antigas altamente avançadas, milhares ou mesmo milhões de anos antes das civilizações antigas que já conhecemos.



No entanto, porque as implicações são tão chocantes, a evidência que prova a realidade do muro deve estar além da contestação. Muitas dessas descobertas foram justamente explicadas por "falhas no Google Earth" antes, em grande parte porque o panorama criado pela costura de múltiplas imagens fotográficas  às vezes produz resultados realmente irreais e imprecisos.

O software de computador é excelente na criação de imagens aparentemente sem costura e sem falhas, mas às vezes deve fazer hipóteses e correções digitais para fazê-lo. Como mencionado, os céticos usaram esses "erros honestos" para oferecer contra-conclusões a descobertas subaquáticas anteriores, como uma pirâmide portuguesa Estima-se que tem mais de 20.000 anos de idade.

Além da costura digital, a iluminação, a perspectiva, a referência e inúmeras outras variáveis ​​são mais do que capazes de enganar os olhos e mentes humanos. No caso deste muro global submerso, um fundo em mudança combinado com um primeiro plano contínuo poderia ser o culpado:

Então, com tudo isso em mente, o que você diz? Glitch-ou Eureka !? Veja o vídeo abaixo:


 * Este conteúdo foi inspirado por um artigo incrível que pode ser encontrado aqui: https://simplecapacity.com/2017/03/mysterious-underwater-wall-that-encompasses-the-entire-planet-found-on-google-earth
Fonte: https://universocetico.blogspot.com.br/2017/08/muralha-subaquatica-misteriosa-que.html?m=1