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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Maquiagem de Juggalo confunde reconhecimento facial




Resumindo: A tecnologia de reconhecimento facial não é páreo para a maquiagem de Juggalo
por Kristin Houser/Futurism*

PROCURANDO UMA RAZÃO PARA SE TORNAR UM JUGGALO? 

O usuário do Twitter, @tahkion, descobriu uma nova maneira de enganar os sistemas de reconhecimento facial, programas de computador que analisam imagens ou vídeos dos rostos das pessoas com o objetivo de identificá-los. 

Em uma série de tweets, o blogueiro de ciência da computação WonderHowTo descreveu como a maquiagem facial preferida dos Juggalos - fãs inveterados do grupo musical Insane Clown Posse - confunde os sistemas a ponto de eles não identificarem pessoas com precisão.

LUGAR CERTO, PESSOA ERRADA

De acordo com o @tahkion, a chave para o sucesso da maquiagem é onde você coloca a tinta. Aumentar a área abaixo da boca, mas acima do queixo - como muitos Juggalos fazem - são truques para enganar sistemas de reconhecimento facial, que identificam o queixo muito mais perto da boca do que realmente é. Isso evita que o sistema cruze com precisão uma pessoa com maquiagem de Juggalo com uma imagem daquela pessoa sem maquiagem.

No entanto, como @tahkion explicou em uma resposta a outro usuário do Twitter, um sistema de reconhecimento facial poderia combinar duas imagens da mesma maquiagem de Juggalo - assumindo que eles usavam a maquiagem exatamente da mesma maneira em ambas as imagens.



SE ESCONDENDO EM PLENA VISTA

À medida que os sistemas de reconhecimento facial se tornam mais sofisticados, eles também estão se tornando mais comumente usados. A China está indiscutivelmente na vanguarda dessa tendência, usando a tecnologia de reconhecimento facial para impor leis e identificar criminosos, mas a tecnologia está rapidamente ganhando popularidade nos EUA também.

A Amazon tem sido criticada por defensores da privacidade e seus próprios funcionários por ajudarem as agências policiais dos EUA a implementar um sistema de reconhecimento facial e, em agosto, os EUA começarão a usar a tecnologia de reconhecimento facial para identificar pessoas que entram e saem da nação. .

Tentativas anteriores de confundir esses sistemas geralmente envolvem tecnologia complicada ou fornecem resultados mistos. Agora, qualquer pessoa que queira manter sua identidade em segredo precisa simplesmente investir em uma pintura corporal preta e branca e verificar um ou dois tutoriais de maquiagem de Juggalo.
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Fonte: futurism.com | The Digest: Facial Recognition Tech Is No Match for Juggalo Makeup (tradução livre) - Imagem: Face detection.jpg - Wikimedia Commons

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Julian Assange, Google e Wikileaks

Julian Assange conta seu encontro com Eric Schmidt, presidente do Google, discutindo os problemas políticos enfrentados pela sociedade – da Primavera Árabe ao Bitcoin – e as respostas tecnológicas geradas pela rede global para esses dilemas.

Depois da publicação de Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet e há mais de dois anos asilado na Embaixada do Equador em Londres, Julian Assange, fundador e editor do WikiLeaks, lança no Brasil seu segundo e mais recente livro, Quando o Google encontrou o WikiLeaks

Ao longo de 168 páginas, Assange discute as consequências da acumulação de poder pelo Google no século XXI e relata seu encontro com Eric Schmidt, presidente do grupo, em 2011. O resultado é um livro fascinante e alarmante, que revela os polos opostos em que esses dois personagens icônicos da atual “era tecnológica” se encontram e suas opiniões divergentes sobre o destino do mundo e das novas tecnologias.

Assange foi procurado pelo executivo quando cumpria prisão domiciliar em Norfolk, na Inglaterra. Na época, o Google estava a caminho de se tornar a empresa mais influente do planeta pelas mãos de Schmidt, uma pessoa de natureza analítica e inteligência sistemática. Ambos debateram questões contemporâneas – da Primavera Árabe ao Bitcoin – e as respostas tecnológicas surgidas na rede global para os atuais dilemas sociopolíticos. 

Para Julian Assange  o potencial libertador da Internet é baseado na ausência de poder estatal. Schmidt, por outro lado, defende que sejam levadas em conta questões de política externa e as relações entre governo e empresas de tecnologia. Tais diferenças estão no cerne de uma disputa ideológica acirrada sobre o futuro da internet, que só se intensificou com os anos.

O livro traz um alerta sobre a natureza ambivalente das tecnologias de informação e comunicação e lembra que redes digitais e seus dispositivos não são neutros. 

“Assange liga nomes, fatos e instituições, deixando evidente que o Google não é uma mera empresa inovadora que distribui aplicativos e constrói plataformas para nos alegrar e nos permitir fazer mais por nós mesmos. O Google se tornou uma corporação que integra o sistema de controle, vigilância e expansão do poder do Estado norte-americano”, analisa o sociólogo Sérgio Amadeu da Silveira, na apresentação. 


“Muitas pessoas pensam que o mundo da tecnologia é o mundo da ausência de relações de poder. Este livro mostra que elas estão enganadas. O poder não se faz por meio da tecnologia somente, mas está embutido na própria tecnologia.”

O Google não é a única empresa cujo posicionamento no mercado tem possibilitado um enorme poder político, mas é um exemplo dos perigos da internet corporativa. 


“Desde muito cedo, seus fundadores perceberam que o processamento de informações em grande escala os colocaria no centro de tudo”, afirma Assange. 


“À medida que cresce o monopólio do Google na área de busca e serviços de internet, e ele estende a vigilância industrial para a maior parte da população do planeta, dominando rapidamente o mercado de telefonia móvel e apressando-se para ampliar o acesso à internet no hemisfério sul, ele se torna praticamente a própria internet para muitas pessoas. A influência do Google sobre as escolhas e o comportamento de todos os seres humanos se traduz em um poder concreto de influenciar o rumo da história.”

O livro ganhou destaque na imprensa internacional, noticiado em jornais como The Guardian e The Independent, por fazer parte da empreitada de Assange para revolucionar as formas de acesso à informação. 

Quando o Google encontrou o WikiLeaks apresenta a conversa entre Schmidt e Assange em forma de diálogo transcrito, e inclui ainda um prefácio redigido pelo fundador do WikiLeaks especialmente para a edição brasileira.