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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cannabis, liberdade e redução de danos: o que acontece quando a ciência vence o preconceito?

Durante décadas, a maconha foi estigmatizada. Hoje, enquanto o mundo amplia o debate baseado em evidências, o Brasil ainda enfrenta o desafio de separar tabu social de ciência e entender que os usuários de drogas não são todos iguais, tampouco criminosos

 
Cannabis, liberdade e redução de danos: o que acontece quando a ciência vence o preconceito?

Há temas que parecem proibidos antes mesmo de serem discutidos. A cannabis, ou maconha, como é popularmente conhecida no Brasil, é um deles. Basta pronunciar a palavra "maconha" para que muitos abandonem o terreno da razão e caminhem diretamente para o julgamento moral. É como se uma planta carregasse, por si só, toda a culpa pelas contradições da sociedade moderna. Mas a realidade costuma ser muito mais complexa do que os slogans propagados pela parte reacionária da sociedade 

Nos últimos anos, pesquisadores de diversos países passaram a investigar algo que parecia impensável poucas décadas atrás: a cannabis poderia contribuir para reduzir danos causados por drogas muito mais perigosas, como cocaína, crack, metanfetamina, heroína e outros opioides?

A resposta da ciência não é simplista. Ela também não é ideológica. O que as pesquisas vêm mostrando é que, em determinados pacientes e sob acompanhamento profissional, a cannabis pode diminuir a fissura, melhorar o sono, reduzir a ansiedade, abrir o apetite, diminuir a insônia e facilitar processos de tratamento da dependência química.

Nem todo usuário é dependente

Talvez o maior erro cometido ao longo das últimas décadas tenha sido tratar todas as pessoas que fazem uso de drogas como se fossem iguais.

Não são.

Existe o uso ocasional. Existe o uso frequente. Existe o abuso. Existe a dependência química, reconhecida internacionalmente como uma condição clínica complexa.

Confundir essas realidades significa abandonar a ciência em favor do preconceito.

Da mesma forma, também não faz sentido colocar todas as substâncias no mesmo patamar. A medicina reconhece que diferentes drogas apresentam riscos muito diferentes. Cannabis, álcool, nicotina, cocaína, crack, metanfetamina ou fentanil produzem efeitos distintos, potenciais diferentes de dependência e impactos variados sobre a saúde.

Redução de danos não significa incentivo ao consumo

Um dos conceitos mais mal compreendidos é justamente o de redução de danos.

Seu objetivo não é incentivar o consumo de drogas.

O objetivo é reduzir mortes, overdoses, violência, infecções, sofrimento e exclusão social.

Quando um paciente consegue substituir uma substância extremamente nociva por outra comprovadamente menos perigosa, quando diminui o consumo ou consegue permanecer em tratamento por mais tempo, a saúde pública considera isso um avanço.

É exatamente essa lógica que levou diversos países a pesquisarem o papel terapêutico dos canabinoides.

O mundo mudou. O debate brasileiro ainda caminha.

Enquanto o Brasil ainda trata o tema quase sempre sob uma ótica moral, boa parte do mundo passou a enfrentá-lo como questão de saúde pública.

O Uruguai regulamentou toda a cadeia da cannabis há mais de uma década. Canadá fez o mesmo. Diversos estados norte-americanos, governados tanto por democratas quanto por republicanos, adotaram modelos de cannabis medicinal e recreativa.

Isso não significa que esses países tenham encontrado uma solução mágica para o problema das drogas. Não encontraram.

Mas significa que compreenderam algo fundamental: políticas públicas precisam ser avaliadas por resultados, não por preconceitos.

A experiência internacional demonstra que regulamentar a cannabis permitiu reduzir parte do mercado ilegal da própria substância, ampliar o controle sanitário, favorecer pesquisas científicas e fortalecer estratégias de redução de danos. Os efeitos sobre outras drogas continuam sendo estudados e variam conforme o contexto de cada país, mas o debate passou a ser guiado por dados — e não apenas por medo.

A guerra às drogas venceu?

Talvez esta seja a pergunta que poucas pessoas desejam responder.

Após décadas de combate internacional às drogas, o mercado ilegal continua movimentando centenas de bilhões de dólares por ano. Cocaína, metanfetamina, opioides sintéticos e inúmeras outras substâncias seguem circulando em praticamente todos os continentes.

Isso não significa que toda forma de controle deva ser abandonada.

Mas talvez seja um convite para reconhecer que respostas exclusivamente repressivas não resolveram um fenômeno profundamente humano, social, econômico e psicológico.

Uma questão de humanidade

Existe uma diferença enorme entre combater organizações criminosas e transformar usuários em inimigos da sociedade.

Cada história de dependência carrega uma biografia. Há sofrimento, traumas, vulnerabilidades, escolhas, contextos sociais e, muitas vezes, transtornos mentais associados.

É justamente por isso que ciência e filosofia podem caminhar juntas.

A primeira busca compreender os mecanismos biológicos do comportamento humano. A segunda nos obriga a perguntar quem somos quando preferimos condenar antes de compreender.

Talvez uma sociedade verdadeiramente madura não seja aquela que divide pessoas entre "boas" e "más", "caretas" e "usuárias". Talvez seja aquela capaz de reconhecer que liberdade também exige responsabilidade, informação de qualidade e políticas públicas baseadas em evidências.

No fim das contas, discutir cannabis nunca foi apenas discutir uma planta. É discutir a nossa capacidade de abandonar dogmas quando a realidade insiste em apresentar fatos novos.

O Pulso Eletromagnético é um espaço dedicado à reflexão crítica sobre ciência, sociedade, tecnologia, cultura e filosofia. Aqui, opiniões não substituem evidências, e evidências não dispensam o pensamento crítico.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

DROGAS :: CCJ do Senado aprova mudança na Lei



A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (29), o relatório do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que muda a lei sobre as drogas. Uma dessas alterações estabelece um parâmetro para diferenciar usuário de traficante. Pelo projeto, será considerado usuário quem portar drogas em quantidade suficiente para consumir por até cinco dias.

O volume da droga será calculado a partir de limites definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

O projeto terá uma tramitação longa no Congresso antes de ir à sanção presidencial. Depois de passar pela CCJ, o texto ainda vai passar por mais quatro comissões do Senado.

O projeto começou a tramitar na Câmara, onde já foi aprovado. Caso o Senado mantenha as mudanças, precisará voltar à Câmara, que decidirá se acata ou não as alterações feitas.

O parâmetro fixado não é absoluto. Caso a pessoa flagrada com alguma droga ilícita tenha menos que o suficiente para cinco dias, ainda assim ela poderá ser considerada traficante se, durante a investigação, for provado que estava traficando. O oposto também é verdadeiro: mesmo portando droga em volume maior, há possibilidade de alguém ser considerado usuário.

Em seu relatório, Valadares permite a importação de derivados da maconha para uso medicinal. A autorização da importação será dada a pacientes ou seus representantes legais em caso de tratamento de doenças graves.

A liberação dependerá da apresentação de prescrição médica e de autorização da Anvisa, que vai checar se aquele produto receitado é mesmo para uso medicinal. Valadares disse que essa alteração vai facilitar a importação dos remédios, que hoje depende de decisões judiciais.

O relator também incorporou à legislação uma lista de obrigações presentes em uma portaria da Anvisa que devem ser observadas pelas comunidades terapêuticas. Essas entidades oferecem tratamento para dependentes e, na maioria dos casos, têm cunho religioso. O texto também fixa critérios para a internação involuntária de dependentes.

Fonte: Rede Diário de Comunicações


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Medicina :: Maconha pode impedir avanço da AIDS



Maconha pode impedir que o vírus HIV se espalhe, diz estudo
Fonte: Terra – Saúde

A maconha tem sido usada há muito tempo como tratamento terapêutico efetivo contra alguns sintomas da Aids, como dores crônicas e perda de peso. No entanto, um estudo da Louisiana State University descobriu que a erva talvez poderia ser capaz de frear que a doença se espalhe ainda mais.

Segundo informações do site The Huffington Post, os cientistas administraram por 17 meses uma dose diária de THC, um ingrediente ativo da maconha, em macacos infectados com uma forma animal do vírus HIV. Ao longo deste período, eles observaram que os prejuízos ao sistema imunológico dos estômagos dos animais, uma das áreas mais comuns do corpo que sofrem com infecções, tinham sido reduzidos.

“Estes resultados revelam novos mecanismos que podem contribuir potencialmente para o controle da doença por meio da cannabis”, afirmou a líder da pesquisa, Dra. Patricia Molina. Ela explica também que enquanto o vírus HIV ganha força se espalhando por meio de infecções que matam as células do sistema imunológico, os primatas que participaram da pesquisa mantiveram altas taxas de células saudáveis ao longo do tratamento.

Estudos anteriores concluíram ainda que macacos infectados com o vírus HIV e tratados com THC tinham maior chance de sobreviver. Em 2012, outra pesquisa pontuou que componentes da maconha podem ser efetivos na luta contra o vírus HIV em pacientes terminais diagnosticados com a doença.

Um oncologista do Reino Unido também divulgou um levantamento no qual diz que a erva pode matar células cancerígenas em pacientes com leucemia. No Califórnia Pacific Medical Center, em São Francisco, nos Estados Unidos, cientistas sugeriram que os componentes da maconha podem também combater outras formas mais agressivas do câncer.

sábado, 19 de abril de 2014

Drogas :: Marcha da Maconha 2014: a um passo da legalização?

Em SP, debates no Grajaú e Casa FdE abrem programação, que tem presença luxuosa de Zé Celso. Caminhadas multiplicam-se pelo país, em 26/04/2014


"Anos antes de as manifestações e atos serem frequentes no cotidiano dos moradores de São Paulo da maneira como acontece desde junho de 2013, a Marcha da Maconha já reunia milhares de pessoas na avenida Paulista. Sua reivindicação vai muito além de simplesmente fazer uso livre de droga popular: diz respeito às políticas públicas proibicionista, violência e liberdades individuais. O grupo que a organiza se formou em 2007, em rede e por todo o Brasil. Em 2014, a moblilização acontece no dia 26 de abril, mas haverá também intensa programação entre os dias 19 e 26, na Semana Pela Legalização da Maconha.

Com os processos de legalização da maconha em curso no Uruguai e nos Estados Unidos, e em discussão em distintas partes do planeta e do Brasil, a Marcha da Maconha sairá às ruas não mais de forma defensiva, como fazia em épocas em que era inclusive proibida de existir, mas em um contexto de iminente fim da guerra, de florescimento de alternativas de políticas públicas mais respeitosas das liberdades individuais e dos direitos humanos.

O ato tem o apoio de figuras conhecidas e irreverentes do meio artístico brasileiro. Marcelo D2, rapper que já se envolveu em polêmicas por suposta apologia de psicoativos, enquanto cantava com sua antiga banda, Planet Hemp, voltou a apoiar o debate da legalização e convida todos para a marcha. Já Zé Celso, dramaturgo, diretor, ator e criador do Teatro Oficina, uma das pessoas mais importantes para o teatro brasileiro, também convida, em vídeo e cantando, para a “marcha de quem sonha”.


Haverá eventos em locais da periferia, debates sobre mídia, desmilitarização, encarceramento, feminismo, uso medicinal, atividades acadêmicas, shows e até uma visita à cracolândia. Além de divulgar a manifestação do dia 26, a semana também servirá para aprofundar as diferentes matizes da discussão sobre drogas sob um viés antiproibicionista. Um dos destaques da programação é o Domingo na Casa, edição Canábbica, na Casa Fora do Eixo (FdE). Serão 20, rodas de conversa sobre o uso medicinal da maconha, com a participação de diversos convidados que a discutirão sob o ponto de vista da medicina, da legislação e experiências de usuários.

Assim como em 2013, neste ano a organização novamente impulsionará blocos para que a Marcha seja composta por distintas vozes e bandeiras, de forma descentralizada e multicolorida. Entre os blocos confirmados, estão: Bloco Feminista, Bloco do Cultivo, Bloco Medicinal, Bloco da Diversidade Sexual, Bloco da Esquerda Canábica e Bloco da Limpeza."

Veja abaixo a programação:


Mais informações:

saopaulo@marchadamaconha.org
Gabriela – 9 95969718
Thaisa – 9 75817018
Rodrigo – 9 99696254