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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Cannabis, liberdade e redução de danos: o que acontece quando a ciência vence o preconceito?

Durante décadas, a maconha foi estigmatizada. Hoje, enquanto o mundo amplia o debate baseado em evidências, o Brasil ainda enfrenta o desafio de separar tabu social de ciência e entender que os usuários de drogas não são todos iguais, tampouco criminosos

 
Cannabis, liberdade e redução de danos: o que acontece quando a ciência vence o preconceito?

Há temas que parecem proibidos antes mesmo de serem discutidos. A cannabis, ou maconha, como é popularmente conhecida no Brasil, é um deles. Basta pronunciar a palavra "maconha" para que muitos abandonem o terreno da razão e caminhem diretamente para o julgamento moral. É como se uma planta carregasse, por si só, toda a culpa pelas contradições da sociedade moderna. Mas a realidade costuma ser muito mais complexa do que os slogans propagados pela parte reacionária da sociedade 

Nos últimos anos, pesquisadores de diversos países passaram a investigar algo que parecia impensável poucas décadas atrás: a cannabis poderia contribuir para reduzir danos causados por drogas muito mais perigosas, como cocaína, crack, metanfetamina, heroína e outros opioides?

A resposta da ciência não é simplista. Ela também não é ideológica. O que as pesquisas vêm mostrando é que, em determinados pacientes e sob acompanhamento profissional, a cannabis pode diminuir a fissura, melhorar o sono, reduzir a ansiedade, abrir o apetite, diminuir a insônia e facilitar processos de tratamento da dependência química.

Nem todo usuário é dependente

Talvez o maior erro cometido ao longo das últimas décadas tenha sido tratar todas as pessoas que fazem uso de drogas como se fossem iguais.

Não são.

Existe o uso ocasional. Existe o uso frequente. Existe o abuso. Existe a dependência química, reconhecida internacionalmente como uma condição clínica complexa.

Confundir essas realidades significa abandonar a ciência em favor do preconceito.

Da mesma forma, também não faz sentido colocar todas as substâncias no mesmo patamar. A medicina reconhece que diferentes drogas apresentam riscos muito diferentes. Cannabis, álcool, nicotina, cocaína, crack, metanfetamina ou fentanil produzem efeitos distintos, potenciais diferentes de dependência e impactos variados sobre a saúde.

Redução de danos não significa incentivo ao consumo

Um dos conceitos mais mal compreendidos é justamente o de redução de danos.

Seu objetivo não é incentivar o consumo de drogas.

O objetivo é reduzir mortes, overdoses, violência, infecções, sofrimento e exclusão social.

Quando um paciente consegue substituir uma substância extremamente nociva por outra comprovadamente menos perigosa, quando diminui o consumo ou consegue permanecer em tratamento por mais tempo, a saúde pública considera isso um avanço.

É exatamente essa lógica que levou diversos países a pesquisarem o papel terapêutico dos canabinoides.

O mundo mudou. O debate brasileiro ainda caminha.

Enquanto o Brasil ainda trata o tema quase sempre sob uma ótica moral, boa parte do mundo passou a enfrentá-lo como questão de saúde pública.

O Uruguai regulamentou toda a cadeia da cannabis há mais de uma década. Canadá fez o mesmo. Diversos estados norte-americanos, governados tanto por democratas quanto por republicanos, adotaram modelos de cannabis medicinal e recreativa.

Isso não significa que esses países tenham encontrado uma solução mágica para o problema das drogas. Não encontraram.

Mas significa que compreenderam algo fundamental: políticas públicas precisam ser avaliadas por resultados, não por preconceitos.

A experiência internacional demonstra que regulamentar a cannabis permitiu reduzir parte do mercado ilegal da própria substância, ampliar o controle sanitário, favorecer pesquisas científicas e fortalecer estratégias de redução de danos. Os efeitos sobre outras drogas continuam sendo estudados e variam conforme o contexto de cada país, mas o debate passou a ser guiado por dados — e não apenas por medo.

A guerra às drogas venceu?

Talvez esta seja a pergunta que poucas pessoas desejam responder.

Após décadas de combate internacional às drogas, o mercado ilegal continua movimentando centenas de bilhões de dólares por ano. Cocaína, metanfetamina, opioides sintéticos e inúmeras outras substâncias seguem circulando em praticamente todos os continentes.

Isso não significa que toda forma de controle deva ser abandonada.

Mas talvez seja um convite para reconhecer que respostas exclusivamente repressivas não resolveram um fenômeno profundamente humano, social, econômico e psicológico.

Uma questão de humanidade

Existe uma diferença enorme entre combater organizações criminosas e transformar usuários em inimigos da sociedade.

Cada história de dependência carrega uma biografia. Há sofrimento, traumas, vulnerabilidades, escolhas, contextos sociais e, muitas vezes, transtornos mentais associados.

É justamente por isso que ciência e filosofia podem caminhar juntas.

A primeira busca compreender os mecanismos biológicos do comportamento humano. A segunda nos obriga a perguntar quem somos quando preferimos condenar antes de compreender.

Talvez uma sociedade verdadeiramente madura não seja aquela que divide pessoas entre "boas" e "más", "caretas" e "usuárias". Talvez seja aquela capaz de reconhecer que liberdade também exige responsabilidade, informação de qualidade e políticas públicas baseadas em evidências.

No fim das contas, discutir cannabis nunca foi apenas discutir uma planta. É discutir a nossa capacidade de abandonar dogmas quando a realidade insiste em apresentar fatos novos.

O Pulso Eletromagnético é um espaço dedicado à reflexão crítica sobre ciência, sociedade, tecnologia, cultura e filosofia. Aqui, opiniões não substituem evidências, e evidências não dispensam o pensamento crítico.

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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Vacina contra nicotina. Fumar nunca mais?




Cientistas estão fazendo progressos em uma vacina contra nicotina, que poderá fornecer proteção vitalícia contra as propriedades viciantes da droga - O vício em nicotina tem sido objeto de muita discussão em sites como www.ProjectKnow.com, que também enfatizam o quão difícil é deixar o hábito. 

Essa vacina, entretanto, dá aos fumantes em todo o mundo uma esperança; acredita-se que este método poderia ajudar não só aqueles atualmente adictos, mas potencialmente prevenir o vício futuro.

O vício em nicotina ocorre quando a droga atinge o cérebro. Pesquisadores do Weill Cornell Medical College, em Nova York, criaram um anticorpo que destruirá a nicotina imediatamente após sua introdução no sistema. 

O conceito não é novo, o avanço aqui é o fato de que a nova vacina pode ser administrada uma vez e ter efeitos que durem por toda a vida. A nova vacina permite que o fígado produza anticorpos dominantes de nicotina, de forma constante ao longo de sua vida, interrompendo a ação da droga antes que ela tenha chance de ser assimilada por seu sistema. 

No que diz respeito ao seu corpo, a nicotina nunca entrou em seu sistema - o indivíduo vacinado recebe anticorpos que o impedem de sentir prazer ao fumar, já que eles bloqueariam a entrada da nicotina no cérebro.

A vacina provou ser eficaz em ratos e depois disso com primatas, parentes próximos dos seres humanos. Os estudos com ratos mostraram uma produção constante dos anticorpos, uma vez que receberam a vacina. 

Quando administrados tanto a vacina como a nicotina, a freqüência cardíaca manteve-se estável em relação aos camundongos, que ficavam relaxados apenas com nicotina. O plano é obter essa vacina, em uma forma que seja aceita pelo corpo humano, o mais rápido possível.

O Dr. Ronald Crystal, presidente do Genetic Medicine, no Weill Cornell, falou sobre o efeito da vacina: "Eles saberão se começarem a fumar de novo, eles não sentirão prazer, por causa da vacina contra nicotina, e isso pode ajudá-los a deixar de lado o hábito." 

Quanto às futuras aplicações, Crystal declarou: "Assim como os pais decidem dar a seus filhos uma vacina contra o HPV, eles podem decidir usar uma vacina para nicotina. É claro que teremos de pesar nos riscos versus benefícios, e pode levar anos de estudos para se estabelecer esse limite".

A vacina é uma má notícia para as empresas de tabaco, que reunem milhões de pessoas sob as brasas, mas é boa para a humanidade como um todo. Não podemos deixar de nos perguntar se isso poderia futuramente levar a outras vacinas de luta contra dependência. É possível fazer o corpo ou a mente humana pararem de desejar açúcar, cafeína, álcool ou drogas pesadas que arruinam a vida?

Science Translational Medicine

Fonte: Mike Awada | Astounte (tradução livre)


segunda-feira, 31 de julho de 2017

LSD no tratamento do Alcoolismo



O LSD pode ser Utilizado no Combate ao Alcoolismo

O ácido lisérgico (LSD), um dos mais potentes alucinógenos conhecidos, pode ser usado no tratamento de dependentes de álcool, sugere artigo publicado no Journal of Psychopharmacology

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega analisaram os resultados de seis estudos feitos nos anos 60 e 70 com pessoas que tomaram o alucinógeno enquanto tentavam se manter abstinentes da bebida. 

Um dos estudos relatados mostrou que o índice de abstinência foi de 59% entre as pessoas que ingeriram LSD, contra 38% no grupo de controle. Em outro, os que receberam a dose da droga psicodélica revelaram 15% mais chances de se manter sóbrios seis meses depois do tratamento.

Segundo os autores do artigo, os neurocientistas Pål-Orjan Johansen e Teri Krebs, as alterações sensoriais e as diferentes percepções psíquicas desencadeadas pelo alucinógeno parecem ajudar as pessoas a ver a si mesmas e a seus problemas de diferentes perspectivas. 

Assim, sugerem Johansen e Teri, o LSD pode agir como uma espécie de catalisador químico do “momento da clareza”, como denominam com base nos relatos de pacientes em tratamento. Os pesquisadores, porém, são enfáticos ao afirmar que o estudo explora apenas o potencial do LSD como estratégia de redução de danos no caso da dependência de álcool. 

O uso recreativo da droga pode causar dependência psicológica e desencadear surtos psicóticos. Os resultados, porém, reforçam outras pesquisas que apontam o potencial de uso terapêutico dos alucinógenos.

Recentemente, por exemplo, comprovou-se que a metilenodioximetanfetamina (MDMA), psicoativo do ecstasy, pode atenuar sintomas de transtorno de estresse pós-traumático e que a psilocibina, substância encontrada em cogumelos alucinógenos, pode aliviar a ansiedade e a dor em pacientes com câncer terminal. 

As principais dificuldades para estudar as drogas psicodélicas, afirmam os autores do artigo, ainda são a resistência de universidades e da indústria farmacêutica em financiar esse tipo de pesquisa e a burocracia para obter as drogas de forma legal.

Fonte: Mente e Cérebro / Psicologado


Dr. Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes da Unifesp, explica como políticas radicais de combate às droga pode prejudicar cientistas no estudo de substâncias alucinógenas, como o LSD, e seu uso no tratamento terapêutico de doenças. 

Xavier acredita que estudar essas substância não é fazer apologia às drogas e explora também as dificuldades que o dependente químico enfrenta para deixar o vício:


segunda-feira, 16 de março de 2015

Quando uma pessoa deve se preocupar com o alcoolismo?



O limite entre "beber socialmente" e alcoolismo. 65% dos acidentes de trabalhos envolvem álcool.

“Só bebo para fazer show e andar de avião. O problema é que eu faço muitos shows e viajo muito de avião”. O humor da frase de Tim Maia esconde um problema: a dificuldade de saber quando ´beber socialmente´ passa a ser alcoolismo.

Estima-se que 20% dos brasileiros, cerca de 32 milhões, bebem mais do que “socialmente”. O consumo de álcool é uma das três maiores causas de faltas ao trabalho e cerca de 65% dos acidentes de trabalho estão relacionados ao uso do álcool e outras drogas. Usuários de drogas faltam dez vezes mais ao trabalho, usam 16 vezes mais os serviços de saúde e solicitam cinco vezes mais indenizações. A produtividade de um usuário de álcool é 20% menor do que a de um trabalhador abstêmio e 70% dos usuários de drogas estão empregados.

O álcool deprime o Sistema Nervoso Central, o que afeta julgamento, nível de consciência, autocontrole e coordenação motora. A cada dose, ocorre um aumento de concentração de álcool no sangue, sendo que uma unidade de bebida alcoólica gera uma hora de efeitos físicos no organismo.

Inicialmente, há sintomas de euforia, evoluindo para tonturas, dificuldade na fala e na coordenação motora, confusão e desorientação. Níveis elevados podem levar à anestesia, coma e morte. Os sintomas físicos da intoxicação alcoólica são aumento da diurese, redução dos reflexos motores, náuseas, vômitos e aumento da frequência cardíaca e da pressão sanguínea.

Em médio e longo prazo, os efeitos são tolerância (necessidade de doses maiores para obter as mesmas sensações de prazer e relaxamento de antes), síndrome de abstinência (tremores, náusea, sudorese, ansiedade e irritabilidade quando sóbrio), dependência, complicações clínicas, risco de acidentes de trabalho e trânsito, problemas sociais, familiares, econômicos e judiciais.


Classifica-se como uso nocivo do álcool quando o indivíduo bebe quantidade acima do tolerável pelo organismo, seja este uso frequente, ou ocasional. Beber em quantidades acima das doses estipuladas é considerado uso nocivo do álcool e os riscos aumentam no sentido de causar problemas físicos, laborais, sociais, judiciais, familiares e levar à dependência. O uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas pode comprometer seriamente o funcionamento do organismo, levando-o a consequências irreversíveis.

A psicóloga Cristiane Sales, do Centro Psicológico de Qualidade de Vida, explica que um indivíduo deve procurar ajuda quando:

As pessoas próximas estão preocupadas com seu padrão de consumo.

Sai com amigos e bebe mais do que eles.

Bebe muito e não fica visivelmente embriagado.

Tem a percepção de que não tem controle sobre frequência e quantidade de consumo.

Sente vontade de beber pela manhã.

Fica irritado se alguém critica a maneira como bebe.

Acredita que o álcool possa estar fazendo mal à saúde.

Prejuízo por causa do álcool no trabalho, família, finanças, justiça, acidentes.

Se sente culpado pela forma de beber.

Já tentou parar ou diminuir sozinho, mas não conseguiu.

A dependência do álcool leva anos para se estabelecer, portanto se a pessoa perceber que seu padrão de consumo não está saudável deve parar antes de ter qualquer prejuízo.

Percebe-se que faz uso nocivo de bebidas alcoólicas e pretende controlar o consumo, ou tornar-se abstêmio, pode procurar ajuda de um serviço de saúde especializado, como o Centro Psicológico de Qualidade de Vida, que conta com profissionais preparados para oferecer orientação sobre o consumo do álcool a tratamento especializado para a dependência. 

Fonte: Notícia Online/ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

MITOS SOBRE O VÍCIO EM CRACK





Muito antes de ele trazer pessoas para seu laboratório, na Universidade de Columbia, para fumar crack, Carl Hart viu os efeitos da droga em primeira mão. Crescendo na pobreza, ele assistiu os parentes se tornarem viciados em crack, vivendo na miséria e roubando de suas mães. Amigos de infância acabaram em prisões e necrotérios.

Esses viciados pareciam escravizados pelo crack, como ratos de laboratório que não conseguiam parar de pressionar a alavanca para obter mais cocaína, mesmo quando eles estavam morrendo de fome. O crack fornecia a poderosa dopamina ao centro de recompensa do cérebro, de modo que os viciados não poderiam resistir a uma outra dose.

Pelo menos era assim que Dr. Hart pensava quando ele começou a sua carreira de pesquisador na década de 1990. Como outros cientistas, ele esperava encontrar uma cura para o vício neurológico, algum mecanismo de bloqueio da atividade da dopamina no cérebro, de modo que as pessoas não sucumbissem ao desejo de outra forma irresistível para a cocaína, heroína e outras drogas altamente viciantes.

Mas, depois, quando ele começou a estudar os viciados, ele viu que as drogas não eram tão irresistíveis, afinal.

“Oitenta a 90 por cento das pessoas que usam crack e metanfetamina não ficam viciadas”, diz o Dr. Hart, professor associado de psicologia. “E o pequeno número de pessoas que se tornam viciadas não se parecem com as populares caricaturas de zumbis.”, disse em entrevista ao NY Times.

Dr. Hart recrutou viciados oferecendo-lhes a chance de fazer 950 dólares, enquanto fumavam crack feito a partir de cocaína farmacêutica. A maioria dos entrevistados, assim como os viciados que ele conheceu crescendo em Miami, eram homens negros de bairros de baixa renda. Para participar, eles tinham que viver em uma enfermaria de hospital por várias semanas durante o experimento.

No início de cada dia, com pesquisadores assistindo através de um espelho unidirecional, uma enfermeira colocava uma certa dose de crack em um tubo – a dose variava diariamente. Apesar de fumar, o participante ficava de olhos vendados para que não pudesse ver o tamanho da dose desse dia.

Em seguida, depois do uso inicial, eram oferecidas a cada participante mais oportunidades, durante o dia, para fumar a mesma dose. Mas, a cada vez que a oferta era feita, os participantes também podiam optar por uma recompensa diferente, a qual poderiam obter quando finalmente deixassem o hospital. Às vezes, a recompensa era de US $ 5 em dinheiro, e às vezes era um voucher de R $ 5 para mercadoria em uma loja.

Quando a dose de crack era relativamente alta, o participante, normalmente, escolhia continuar a fumar durante o dia. Mas quando a dose era menor, era mais provável a escolha do prêmio alternativo.


“Eles não se encaixavam na caricatura do viciado em drogas que não conseguem resistir à próxima dose”, disse Hart. “Quando eles receberam uma alternativa para parar, eles fizeram decisões econômicas racionais.”

Quando a metanfetamina substituiu o crack como o grande flagelo da droga nos Estados Unidos, Dr. Hart trouxe viciados em metanfetamina em seu laboratório para experimentos semelhantes – e os resultados mostraram decisões igualmente racionais. Ele também verificou que quando aumentou a recompensa alternativa para US $ 20, os viciados em metanfetamina e crack escolheram o dinheiro. Os participantes sabiam que iriam receber o dinheiro somente no fim do experimento, semanas depois, mas eles ainda estavam dispostos a esperar, abrindo mão do prazer imediato da droga.

As descobertas feitas Dr. Hart o fizeram repensar tudo o que ele tinha visto na juventude, como ele relata em seu novo livro, “Alto Preço”. É uma combinação fascinante de memórias e ciência: cenas dolorosas de privação e violência acompanhadas por análise serena do histórico de dados e resultados de laboratório. Ele conta histórias horripilantes – sua mãe o atacou com um martelo, seu pai encharcado com um pote de calda fervente – mas então ele olha para as tendências que são estatisticamente significativas.

Sim, diz ele, algumas crianças foram abandonadas pelos pais viciados em crack, mas muitas famílias de seu bairro foram dilaceradas antes do crack – incluindo a sua. (Ele foi criado em grande parte por sua avó.) Sim, os primos se tornaram viciados em crack, vivendo em um galpão abandonado, mas tinham abandonado a escola e estavam desempregados, muito antes do crack.

“Parece haver muitos casos em que as drogas ilícitas têm pouco ou nenhum papel para a ocorrência daquelas situações degradantes”, escreve o Dr. Hart, agora com 46 anos. Crack e metanfetamina podem ser especialmente problemáticas em alguns bairros pobres e áreas rurais, mas não porque as próprias drogas são tão potentes.

“Se você está vivendo em um bairro pobre privado de todas as opções, há uma certa racionalidade em continuar a tomar uma droga que vai lhe dar algum prazer temporário”, disse o Dr. Hart em uma entrevista, argumentando que a caricatura de viciados em crack escravizados vem de uma má interpretação das famosas experiências com ratos.

“O principal fator é o ambiente, se você está falando de seres humanos ou ratos”, disse Hart. “Os ratos que continuam pressionando a alavanca para a obtenção de cocaína são os que foram criados em condições solitárias e não têm outras opções. Mas quando você enriquece o seu ambiente, dando-lhes acesso a doces e deixando-os brincar com outros ratos, eles deixam de pressionar a alavanca”.

“Guerreiros contra as drogas” podem ser céticos em relação a seu trabalho, mas alguns outros cientistas estão impressionados. “O argumento geral de Carl é persuasivo e referendado pelos dados”, disse Craig R. Rush , um psicólogo da Universidade de Kentucky que estuda o abuso de estimulantes. “Ele não está dizendo que o abuso de drogas não é prejudicial, mas ele está mostrando que as drogas não transformam as pessoas em lunáticos. Elas podem parar de usar drogas quando são fornecidos reforçadores alternativos”.

via NY Times (tradução: Visão Ampla).

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

DROGAS :: CCJ do Senado aprova mudança na Lei



A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (29), o relatório do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), que muda a lei sobre as drogas. Uma dessas alterações estabelece um parâmetro para diferenciar usuário de traficante. Pelo projeto, será considerado usuário quem portar drogas em quantidade suficiente para consumir por até cinco dias.

O volume da droga será calculado a partir de limites definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

O projeto terá uma tramitação longa no Congresso antes de ir à sanção presidencial. Depois de passar pela CCJ, o texto ainda vai passar por mais quatro comissões do Senado.

O projeto começou a tramitar na Câmara, onde já foi aprovado. Caso o Senado mantenha as mudanças, precisará voltar à Câmara, que decidirá se acata ou não as alterações feitas.

O parâmetro fixado não é absoluto. Caso a pessoa flagrada com alguma droga ilícita tenha menos que o suficiente para cinco dias, ainda assim ela poderá ser considerada traficante se, durante a investigação, for provado que estava traficando. O oposto também é verdadeiro: mesmo portando droga em volume maior, há possibilidade de alguém ser considerado usuário.

Em seu relatório, Valadares permite a importação de derivados da maconha para uso medicinal. A autorização da importação será dada a pacientes ou seus representantes legais em caso de tratamento de doenças graves.

A liberação dependerá da apresentação de prescrição médica e de autorização da Anvisa, que vai checar se aquele produto receitado é mesmo para uso medicinal. Valadares disse que essa alteração vai facilitar a importação dos remédios, que hoje depende de decisões judiciais.

O relator também incorporou à legislação uma lista de obrigações presentes em uma portaria da Anvisa que devem ser observadas pelas comunidades terapêuticas. Essas entidades oferecem tratamento para dependentes e, na maioria dos casos, têm cunho religioso. O texto também fixa critérios para a internação involuntária de dependentes.

Fonte: Rede Diário de Comunicações


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Cocaína causa dano cerebral após 2 anos de uso

Cocaína danifica cérebro após 2 anos de uso - Pesquisa da Unifesp, com dependentes e ex-dependentes indica alterações leves após 1 ano de uso


Imagem de mulher inalando cocaína sobre um espelho - Cocaína danifica o cérebro após 2 anos de uso :: Pesquisa da Unifesp, inédita no país, com dependentes e ex-dependentes indica alterações leves após 1 ano de uso

"A cocaína provoca alterações irreversíveis no cérebro depois de dois anos de uso contínuo, em média. Em alguns casos, danos leves já aparecem depois de 11 ou 12 meses de consumo.

A memória, a atenção, a concentração, a capacidade de raciocínio abstrato e o sentido de espacialidade são as funções cerebrais mais afetadas pela cocaína aspirada ou cheirada em forma de crack.

A radiografia dos estragos causados pela droga consta de pesquisa realizada, em 1999, pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) com 30 dependentes e ex-dependentes. Os pesquisadores utilizaram um tomógrafo computadorizado do tipo Spect, que fotografa o cérebro em atividade. Os voluntários também se submeteram a uma avaliação neuropsicológica.

"As alterações nas funções foram constatadas nos dois tipos de exames", diz o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador da pesquisa e diretor do Proad (Programa de Orientação e Assistência a Dependentes), do departamento de psiquiatria da Unifesp.

Segundo Silveira, trata-se do primeiro estudo do gênero no Brasil. Nos EUA, há pesquisas com metodologia semelhante, mas com número bem menor de dependentes.

A equipe de pesquisadores - que inclui Marcelo Fernandes, Antonio Barbieri, Eliseu Labigalini e Evelyn Doering- chegou a se surpreender com algumas das constatações. A primeira delas é que o tempo de uso tem mais importância que a quantidade de droga utilizada. Todos os que usaram cocaína por mais de 58 meses apresentaram alterações graves, independentemente da quantidade que usavam.

Outra surpresa: as alterações no cérebro dos dependentes de crack não eram maiores que aquelas encontradas em usuários de cocaína aspirada. Igualmente, os danos não diminuíam nos dependentes que tinham parado de usar 30 dias antes do exame.

Segundo Silveira, as alterações ocorrem por dois mecanismos que são simultâneos. Primeiro, a cocaína provoca uma constrição dos vasos sanguíneos, fazendo com que algumas regiões do cérebro recebam menor quantidade de sangue. Segundo, a vasoconstrição causa microderrames. Com isso, toda a rede de neurônio afetada deixa de funcionar. Por serem alterações relativamente pequenas, elas afetam especialmente as funções intelectuais e abstratas.
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As constatações da pesquisa podem beneficiar os dependentes levando-os a se esforçar por interromper o uso da droga, acredita Silveira. Tanto esse estudo como outros realizados nos EUA mostraram que, ao deixar de usar a droga, as alterações se estabilizam, cessando a evolução. Assim, os danos poderiam ser contornados.

Por outro lado, os pesquisadores acham que os resultados devem levar a novas estratégias de tratamento. Por exemplo, um dependente com dificuldade de abstração deverá receber terapia específica, pois assimilará apenas uma parte do que está sendo dito.

Os voluntários do estudo eram todos homens e estavam sendo atendidos pelo PROAD. Foram selecionados entre os que não faziam uso de múltiplas drogas nem eram dependentes de álcool.

A maioria deles usava cocaína duas vezes por semana, consumindo em média 4,5 gramas por vez. Um deles chegou a usar 19 gramas numa única ocasião.

Segundo Silveira, o Proad pretende agora repetir os mesmos exames com dependentes de álcool, maconha, Santo Daime e de outras drogas. "Os estudos com os dependentes de cocaína devem continuar", diz Silveira. "Há muitas alterações que ainda precisam ser explicadas."

Dependente tem problema para se localizar no espaço

Uma das funções cerebrais mais afetadas pelo uso da cocaína é a espacialidade, a capacidade de a pessoa se situar tridimensionalmente diante de um objeto ou no interior de algum local. Com a espacialidade alterada, um motorista pode ficar em dúvida se passará ou não por um túnel. Uma pessoa poderá cair da escada ao calcular mal a altura e a distância dos degraus.

"Nunca tinha notado essas alterações tão presentes em nenhum outro tipo de paciente", diz a psicóloga Evelyn Doering, que realizou os longos testes neuropsicológicos com os voluntários.

A espacialidade é uma função que está concentrada na região parietal, que fica na parte de trás e de cima do cérebro. A alteração apareceu quando os pacientes foram convidados a ordenar uma série de cubos seguindo um modelo que estava impresso num papel. "Sempre que apareciam figuras na diagonal, eles se atrapalhavam muito", diz.

Uma certa displicência na execução de algumas tarefas também foi observada em boa parte dos voluntários. Por exemplo, não observavam direito certas ações, depois não conseguiam repetí-las."

Fonte: FOLHA, por AURELIANO BIANCARELLI 
(reprodução com finalidade de esclarecer usuários de drogas sobre seus riscos)


sábado, 9 de agosto de 2014

As Drogas, seus efeitos e riscos :: O que fazer?



Anualmente a ONU, através do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) dá ênfase à Campanha Internacional de Prevenção às Drogas. Em Viena, foi lançado o Relatório Mundial de Drogas contendo informações atualizadas do mundo todo sobre consumo, produção e tráfico de drogas


UM GUIA PARA TODOS


Secretaria Nacional Antidrogas

O que são drogas?

São substâncias utilizadas para produzir alterações, mudanças nas sensações, no grau de consciência e no estado emocional. As alterações causadas pelas substâncias variam de acordo com as características da pessoa que as usa, qual droga é utilizada e em que quantidade, o efeito que se espera da droga e as circunstâncias em que é consumida. 

Geralmente achamos que existem apenas algumas poucas substâncias extremamente perigosas: são essas que chamamos de drogas. Achamos também que drogas são apenas os produtos ilegais como a maconha, a cocaína e o crack. Porém, do ponto de vista da saúde, muitas substâncias legalizadas podem ser igualmente perigosas, como o álcool, que também é considerado uma droga como as demais.

Quais os tipos de drogas que existem e que efeitos elas provocam?

As drogas atuam no cérebro afetando a atividade mental, sendo por essa razão denominadas psicoativas. Basicamente, elas são três tipos:

Drogas que diminuem a atividade mental – também chamadas de depressoras. Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais lenta. Essas drogas diminuem a atenção, a concentração, a tensão emocional e a capacidade intelectual. Exemplos: ansiolíticos (tranquilizantes), álcool, inalantes (cola), narcóticos (morfina)

Drogas que aumentam a atividade mental – são chamadas de estimulantes. Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais acelerada. Exemplos: cafeína, tabaco, anfetamina, cocaína, crack;

Drogas que alteram a percepção – são chamadas de substâncias alucinógenas e provocam distúrbios no funcionamento do cérebro, fazendo com que ele passe a trabalhar de forma desordenada, numa espécie de delírio. Exemplos: LSD, ecstasy, maconha e outras substâncias derivadas de plantas.


AS DROGAS E SEUS EFEITOS:

Drogas que diminuem a atividade mental

Substância
Origem
Conhecida como
Possíveis efeitos
Possíveis efeitos
Ansiolíticos ou tranqüilizantes
Substâncias sintéticas produzidas em laboratórios
Sedativos, calmantes, Valium, Lexotan, Diazepan, Dienpax, Librium, Lorax, Rohypnol, Dalmadorm
Alívio da tensão e da ansiedade, relaxamento muscular, sonolência, fala pastosa, descoordenação dos movimentos, falta de ar.
Em altas doses podem causar queda da pressão arterial.
Quando usadas com álcool, aumentar os seus efeitos, podendo levar a estado de coma.
Em grávidas podem causar mal formação fetal.
Álcool etílico
Obtido a partir de cana-de-açúcar, cereais ou frutas, através de um processo de fermentação ou destilação.
Álcool, “birita”, “mé”, “mel”, “pinga”, “cerva”.
Em pequenas doses: desinibição, euforia, perda da capacidade crítica;
Em doses maiores: sensação de anestesia, sonolência, sedação.
O uso excessivo pode provocar náuseas, vômitos, tremores, suor abundante, dor de cabeça, tontura, liberação da agressividade, diminuição da atenção da capacidade de concentração, bem como dos reflexos, o que aumenta o risco de acidentes.
O uso prolongado pode ocasionar doenças graves como, por exemplo, cirrose no fígado e atrofia (diminuição) cerebral.
Inalantes ou solventes
Substâncias químicas.
Cola de sapateiro, esmalte, benzina, lança-perfume, “loló”, gasolina, acetona, éter, tíner, aguarrás e tintas.
Euforia, sonolência, diminuição da fome, alucinações.
Tosse, coriza, náuseas e vômitos, dores musculares. Visão dupla, fala enrolada, movimentos desordenados e confusão mental.
Em altas doses, pode haver queda da pressão arterial, diminuição da respiração e dos batimentos do coração, podendo levar à morte.
O uso continuado pode causar problemas nos rins e destruição dos neurônios (células do sistema nervoso), podendo levar à atrofia cerebral.
O uso prolongado está frequentemente associado a tentativa de suicídio.
Narcóticos (ópio e seus derivados: heroína, morfina e codeína)
Extraídos da papoula ou produtos sintéticos obtidos em laboratório.
Heroína, morfina e codeína (xaropes de tosse, Belacodid, Tylex, Exilir paregórico, Algafan).
Dolantina, Meperidina e Demerol.
Sonolência, estado de torpor, alívio da dor, sedativo da tosse.
Sensação de leveza e prazer.
Pupilas contraídas.
Pode haver queda da pressão arterial, diminuição da respiração e dos batimentos do coração, podendo levar à morte.
Na abstinência bocejos, suor lacrimejamento, coriza, abundante, dores musculares e abdominais. Febre, pupilas dilatadas e pressão arterial alta.


AS DROGAS E SEUS EFEITOS:

Drogas que aumentam a atividade mental
Anfetaminas
Substâncias sintéticas obtidas em laboratório.
Metanfetamina, “ice”, “bolinha”, “rebite”, “boleta”.
Moderex, Hipofagin, Inibex, Desobesi, Reactivan, Pervertin, Preludin.
Estimulam atividade física e mental, causando inibição do sono e diminuição do cansaço e da fome.
Podem causar taquicardia (aumento dos batimentos do coração), aumento da pressão sanguínea, insônia, ansiedade e agressividade.
Em doses altas podem aparecer distúrbios psicológicos graves como paranóia (sensação de ser perseguido) e alucinações. Alguns casos evoluem para complicações cardíacas e circulatórias (derrame cerebral e infarto do miocárdio), convulsões e coma.
O uso prolongado pode  levar à destruição de tecido cerebral.
Cocaína
Substância extraída da folha de coca, planta encontrada na América do Sul
“Pó”, “brilho”, “crack”, “merla”, pasta-base.
Sensação de poder, excitação e euforia. Estimulam a atividade física e mental, causando inibição do sono e diminuição de cansaço e da fome. O usuário vê o mundo mais brilhante, com mais intensidade.
Pode causar taquicardia, febre, pupilas dilatadas, suor excessivo e aumento da pressão sanguínea.
Podem aparecer insônia, ansiedade, paranóia, sensação de medo ou pânico.
Pode haver irritabilidade e liberação da agressividade.
Em alguns casos podem aparecer complicações cardíacas, circulatórias e cerebrais (derrame cerebral e infarto ao miocárdio).
O uso prolongado pode levar à destruição de tecido cerebral.
Tabaco (nicotina)
Extraído da folha do fumo
Cigarro, charuto e fumo
Estimulante, sensação de prazer.
Reduz o apetite, podendo levar a estados crônicos de anemia.
O uso prolongado causa problemas circulatórios, cardíacos e pulmonares.
O hábito de fumar está frequentemente associado à câncer de pulmão, bexiga e próstata, entre outros.
Aumenta o risco de aborto e de parto prematuro.
Mulheres que fumam durante a gravidez têm, em geral, filhos com peso abaixo do normal.

AS DROGAS E SEUS EFEITOS:

Drogas que produzem distorções da percepção

Maconha
(tetraídocanabinol
Substância extraída da planta Cannabis Sativa
Maconha, haxixe, “baseado”, “fininho”, “marrom”
Excitação seguida de relaxamento, euforia, problemas com o tempo e o espaço, falar em demasia e fome intensa. Palidez, taquicardia, olhos avermelhados, pupilas dilatadas e boca seca.
Prejuízo da atenção e da memória para fatos recentes; algumas pessoas podem apresentar alucinações, sobretudo visuais.
Diminuição dos reflexos, aumentando o risco de acidentes.
Em altas doses, pode haver ansiedade intensa; pânico; quadros psicológicos graves (paranóia).
O uso contínuo prolongado pode levar a uma síndrome amotivacional (desânimo generalizado)
Alucinógenos
Substâncias extraídas de plantas ou produzidas em laboratório
LSD(ÁCIDO LISÉRGICO,”acido”, “selo”, “microponto”),psilocibina (extraída de cogumelos) e mescalina (extraída de cactos).
Efeitos semelhantes aos da maconha, porém mais intensos. Alucinações, delírios, percepção deformada de sons, imagens e do tato.
Podem ocorrer “más viagens”, com ansiedade, pânico ou delírios.
Ecstasy metilenodióxime-tanfetamina
Substância sintética do tipo anfetamina, que produz alucinações.
MDMA, “êxtase”, “pílula do amor”.
Sensação de bem-estar, plenitude e eleveza. Aguçamento dos sentidos.
Aumento da disposição e resistência física, podendo levar à exaustão.
Alucinações, percepção distorcida de sons e imagens.
Aumento de temperatura e desidratação, podendo levar à morte.
Com o uso repetido, tendem a desaparecer as sensações agradáveis, que podem ser substituídas por ansiedade, sensação de medo, pânico e delírios.



O efeito de uma droga é o mesmo para qualquer pessoa?

Não. Os efeitos dependem basicamente de três fatores:

da droga; do usuário; do meio ambiente.

Cada tipo de droga,tende a produzir efeitos diferentes no organismo. A forma como uma substância é utilizada, assim como a quantidade consumida e o seu grau de pureza também terão influência no efeito.

Cada usuário, com suas características biológicas (físicas) e psicológicas, tende a apresentar reações diversas sob a ação de drogas. O meio ambiente também influencia o tipo de reação que a droga pode produzir. Por exemplo, uma pessoa ansiosa (usuário) que consome grande quantidade de maconha (droga) em um lugar público (meio ambiente) terá grande chance de se sentir perseguido (“paranóia”). Já aquele que consome maconha, quando está tranquilo em casa, com amigos, terá menor probabilidade de apresentar reações desagradáveis.  

DEPENDÊNCIA

O que é dependência?

Dependência é o impulso que leva a pessoa a usar uma droga de forma contínua (sempre) ou periódica (frequentemente) para obter prazer. Alguns indivíduos podem também fazer uso constante de uma droga para aliviar tensões, ansiedade, medos, sensações físicas desagradáveis etc. O dependente caracteriza-se por não conseguir controlar o consumo de drogas, agindo de forma impulsiva e repetitiva.

Para compreendermos melhor, vamos analisar as formas principais em que ela se apresenta: a física e a psicológica.

A dependência física caracteriza-se por sintomas e sinais físicos que aparecem quando o indivíduo para de tomar a droga ou diminui bruscamente o seu uso: é a síndrome de abstinência. Os sinais e sintomas de abstinência dependem do tipo de substância utilizada e aparecem horas ou dias depois que ela foi consumida pela última vez. No caso dos dependentes de álcool,a abstinência pode ocasionar desde um simples tremor nas mãos a náuseas, até um quadro de abstinência grave denominado “delirium tremens”, com risco de morte, em alguns casos.

Já a dependência psicológica corresponde a um estado de mal-estar e desconforto que surge quando o dependente interrompe o uso de uma droga. Os sintomas mais comuns são ansiedade, sensação de vazio, dificuldade de concentração, mas que podem variar de pessoa para pessoa.Com os medicamentos existentes atualmente, a maioria dos casos relacionados à dependência física podem ser tratados. Por outro lado, o que quase sempre faz com que uma pessoa volte a usar drogas é a dependência psicológica, de difícil tratamento e não pode ser resolvida de forma relativamente rápida e simples como a dependência física.

Todo usuário de drogas vai se tornar um dependente?
De maneira geral, as pessoas que experimentam drogas o fazem por curiosidade e as utilizam apenas uma vez ou outra (uso experimental). Muitas passam a usá-las de vem em quando, de maneira esporádica (uso ocasional), apenas um grupo menor passa a usar drogas de forma intensa, em geral quase todos os dias, com conseqüências danosas (dependência).

O grande problema é que não dá para saber, entre as pessoas que começam a usar drogas, quais serão apenas usuários experimentais, ocasionais e quais se tornarão dependentes.

É importante lembrar, porém, que o uso, ainda que experimental, pode vir a produzir muitos danos à saúde da pessoa.

Por que os jovens têm dificuldade de reconhecer que o uso de drogas é nocivo e perigoso?
Em grande parte, isso se deve ao fato de que a maioria dos consumidores de drogas, legais ou ilegais, conhecem muitos usuários ocasionais, mas poucas pessoas (ou nenhuma) que se tornaram dependentes ou tiveram problemas com o uso de drogas. Por outro lado, o prazer momentâneo obtido com a droga e a imaturidade não favorecem maiores preocupações com os riscos.



PREVENÇÃO

Se não é possível acabar com a oferta de drogas, o que pode ser feito?
O importante é realizar um trabalho de prevenção, ou seja, diminuir a motivação que alguém possa vir a ter de usar drogas. Ainda, um trabalho de conscientização, revelando os danos, sociais, físicos e psicológicos, causados pelo uso de drogas.

Como podemos ajudar um jovem a ter uma atitude adequada com relação às drogas?

O que os pais podem fazer é tornar-se exemplo para os filhos. A maneira como os pais lidam com a questão tem muito mais efeito sobre o jovem do que as informações que são dadas.

As crianças e os jovens começam a aprender o que é droga quando observam os adultos em busca de tranqüilizantes ao menor sinal de tensão ou nervosismo. Aprendem também o que é droga quando ouvem seus pais dizerem que precisam de três xícaras de café para se sentirem acordados, ou ainda quando sentem o cheiro de fumaça de cigarros... Além disso, eles aprendem o que é dependência quando observam como seus pais têm dificuldade em controlar diversos tipos de comportamentos, como, por exemplo, comer de modo exagerado, fazer compras sem necessidade, trabalhar excessivamente.

Os adultos têm sempre “boas” formas de justificar esses comportamentos, mas na verdade trata-se de um modelo de comportamento impulsivo e descontrolado. E esses modelos de comportamento podem ser copiados pelos jovens na forma como se relacionam com as drogas.

Esse é o princípio básico de modelo de comportamento dependente que observamos em um imenso número de adultos e pais que, sem a menor consciência do que estão fazendo, “ensinam” aos filhos, alunos e jovens em geral que os problemas podem ser resolvidos, como que por uma passe de mágica, com a ajuda de uma substância.É importante que os jovens compreendam, por meio de nossas atitudes, qual é a atitude adequada em relação às drogas. Esse processo de aprendizagem começa na infância e continua até o final da adolescência.

Quais as razões que levam uma pessoa a usar drogas?

Muitas são as razões que podem levar alguém a usar drogas. Cada pessoa tem seus próprios motivos. Os pais não devem tirar conclusões apressadas se suspeitam ou descobrem se o filho(a) usou ou está usando drogas. É preciso que escutem com muita atenção o que o filho(a)tem a dizer, para compreender o que está acontecendo. Entre os possíveis motivos, destacamos:

- A oportunidade surgiu e o jovem experimentou.

O fato de um jovem experimentar drogas não faz dele um dependente. Porém, mesmo experiências aparentemente inocentes podem resultar em problemas (com a lei, por ex). Um jovem que usou drogas passa a ser tratado muitas vezes como “drogado” por seus pais ou professores.O excesso de preocupação com o uso experimental ,pode tornar-se muito mais perigoso do que o uso de drogas em si.
Diante dessa situação os pais não se devem desesperar. Reagir com agressividade e com violência pode até mesmo empurrar o jovem para o abuso e a dependência de drogas. Os pais devem alerta-lo sobre possíveis riscos e, se possível, conversar francamente sobre o assunto, aproveitando a oportunidade.

- O uso de drogas pode ser visto como excitante e ousado pelos jovens

Cabe aos adultos alertar os jovens sobre os riscos relacionados com o uso de drogas. Assim, quando se falar em riscos, a informação deverá ser objetiva, direta e precisa, caso contrário o efeito poderá até mesmo ser oposto ao desejado. Grande parte dos jovens conhece pessoas que usam maconha e que nunca se interessaram por outras drogas. Para eles, a afirmação de que “a maconha é a porta de entrada...” pode soar mentirosa e, como consequência, deixarão de ouvir os adultos em assuntos realmente importantes. Por outro lado, se o jovem que ouve essa afirmação nunca experimentou drogas e pouco conhece do assunto, ele pode ficar muito curioso, principalmente porque para os adolescentes assumir riscos faz parte do jogo, em que o próprio risco é transformado em desafio.

Por exemplo, alertar os jovens sobre os riscos de se consumir bebida alcoólica e depois sair dirigindo pode ser feito de forma clara, precisa e objetiva. Isso é muito mais educativo do que discursos dramáticos e aterrorizantes sobre os malefícios do álcool. Dizer de outra forma, tentar exagerar os riscos e perigos pode ser um estímulo ao uso de drogas, principalmente para os jovens.

- As drogas podem modificar o que sentimos

Esse poder de transformação das emoções pode se tornar um grande atrativo, sobretudo para os jovens. A melhor maneira de tentar neutralizar a atração que as drogas exercem seria estimular os jovens a experimentar formas não-químicas de obtenção de prazer. Os “barato” podem ser obtidos através de atividades artísticas, esportivas, etc. Cabe aos adultos tentar conhecer melhor os jovens para estimulá-los a experimentar formas mais criativas de obter prazer e sensações intensas.

- Muitas pessoas acreditam que os jovens acabam consumindo drogas pela influência de colegas e amigos (pressão de grupo)

Embora a “pressão do grupo” tenha influência, sabemos que a maioria dos grupos tem um discurso contrário às drogas; mesmo assim, alguns jovens acabam se envolvendo. Mais importante do que estar em acordo com o grupo é estar bem consigo mesmo . Os jovens que dependem muito da aprovação do grupo são justamente aqueles que têm outros tipos de problemas ( ex. sentem-se pouco amados pelos pais, não atraentes etc.)

- O uso de drogas pode ser uma tentativa de amenizar sentimentos de solidão, de inadequação, baixa auto-estima ou falta de confiança

É importante tentar ajudar o jovem a superar as dificuldades sem a necessidade de recorrer às drogas. Os pais devem dar segurança para seus filhos através do afeto. Eles devem se sentir amados, apesar de seus defeitos ou de suas dificuldades.

- Mas não existe uma pressão externa para consumir drogas?

Sim, essa pressão certamente existe. Nossa sociedade tem como um de seus maiores objetivos a felicidade. O grande problema é que tristeza, descontentamento e solidão passam a ser vistos como situações a serem eliminadas, quando, na verdade, elas fazer parte da vida e de ser compreendidas e transformadas. 

Desde muito cedo, as crianças têm um modelo de felicidade diretamente ligado ao consumismo: o que podemos comprar poderá nos trazer satisfação e felicidade. As propagandas de álcool, cigarro e chocolate veiculam esse modelo, para vender seus produtos. A crença ingênua de que “podemos comprar a felicidade” e de que “tristeza e solidão devem ser evitadas a qualquer preço” constituem o mesmo padrão de relação que os dependentes (consumidores) estabelecem com as drogas (produtos). Nesse sentido, podemos dizer que os “drogados” estão apenas repetindo o modelo de sociedade que lhes oferecemos.

Consumir drogas é uma forma de prazer. Isso não pode ser negado. Devemos ter em mente que existem maneiras de se obter prazer cujo preço a pagar pode ser muito alto.

Existem sinais para identificarmos se alguém está usando drogas?

Com freqüência os pais querem saber quais os sinais que indicam que um jovem esteja usando drogas. Não existe maneira fácil de confirmar a suspeita.

Tentar identificar no jovem sinais ou efeitos das diferentes substâncias só tende a complicar ainda mais as coisas. O clima de desconfiança que se instala nessas situações prejudica muito o relacionamento entre os familiares.

É normal e esperado que os jovens tenham segredos e que dificultem o acesso de outras pessoas da família, sobretudo os pais, questões de sua vida pessoal. Eles tendem também a experimentar situações novas, a assumir atitudes desafiantes e de oposição e até mesmo a apresentar comportamentos característicos de uma adolescência normal. 

A grande dificuldade dos pais é saber até que ponto essas atitudes e comportamentos estão dentro do esperado ou se já significam que o jovem está passado por problemas mais graves e necessitando de ajuda. O mais importante é que os pais tentem conversar com os filhos. Mesmo que o diálogo se torne tenso e cheio de conflitos, ainda assim é uma via de comunicação . Os pais devem se preocupar mais em ouvir do que em dar conselhos.

Quando o jovem se isola e o acesso se torna impossível, é um sinal de que é necessário procurar ajuda externa.

Deve-se conversar com os filhos sobre o uso de drogas?

Sim, na medida em que eles se mostrarem interessados pelo assunto.

Se o uso de drogas puder ser discutido de forma adequada à idade da criança ou do adolescente, vai deixar de ser algo secreto , perdendo muito de seus atrativos.Qualquer atividade vista como oculta do mundo dos pais e dos professores tende a ser vista pelos jovens como instigante e excitante.

A maioria dos pais tende a conversar com os filhos sobre drogas somente quando surgem problemas e conflitos. Entretanto, torna-se muito mais fácil conversar com os filhos sobre esses problemas e conflitos quando os pais já puderam superar no passado a barreira de falar sobre drogas. 

É importante também lembrar que conflitos e rebeldia fazem parte da adolescência normal e não indicam necessariamente envolvimento com drogas. Os conflitos dos jovens são necessários para que se tornem adultos, sendo responsabilidade dos pais ensinar seus filhos a lidar com os problemas. Os pais não devem se apavorar com as discussões, mas compreender a raiva e a revolta do jovem e mostrarem-se seguros com relação às suas próprias crenças e valores.

Como deve ser a informação que os pais devem dar a seus filhos a respeito de drogas?

O primeiro grande problema que se apresenta nessas situações é que normalmente os jovens são mais informados a respeito de drogas do que seus pais.

Quando falarem de drogas, os pais devem se basear em substâncias que eles realmente conhecem (por exemplo, álcool ou tranqüilizantes). Os pais em geral têm dificuldade em falar sobre drogas ilegais, mas grande parte das informações a respeito de drogas legalizadas (como álcool e tranquilizantes) tende a ser igualmente válida para as ilegais. 

Seria aconselhável que os pais pudessem adquirir conhecimentos básicos sobre as principais substâncias de uso e abuso em nosso meio, para que não transmitam informações sem fundamento ou preconceituosas, como são habitualmente veiculadas em jornais, revistas, televisão, etc. Não há problema no fato de os pais admitirem perante os filhos o seu desconhecimento a respeito de drogas, quando for o caso. Não precisam ter conhecimentos detalhados para poder ajudar seus filhos.

Relacionamentos familiares sólidos são mais importantes do que o conhecimento que os pais têm sobre drogas. Se no decorrer de anos de convivência, as relações familiares forem bem constituídas e solidificadas, dificilmente o uso de drogas virá a se tornar um problema. Por outro lado, se a qualidade dos relacionamentos for precária, os pais deverão ficar atentos não apenas aos problemas das drogas mas também a outros aspectos da vida familiar.

Infelizmente, quando isso acontece, os pais nem sempre têm consciência do distanciamento que existe entre eles. É comum nessas circunstâncias os pais terem atitudes autoritárias com os filhos,aumentando mais essa distância.

Com essas dificuldades, os pais devem recorrer a pessoas que possam ajudá-los.

Como os pais devem exercer sua autoridade?

 A maioria das crianças e adolescentes aceita a autoridade dos pais, sobretudo quando no ambiente familiar estão presentes a confiança e o afeto. Porém, à medida que o adolescente vai se desenvolvendo, a autoridade vai sendo transferida para eles mesmos até que se tornem responsáveis por suas próprias ações. Muitos pais têm dificuldades para abrir mão de sua autoridade conforme os filhos crescem, dificultando, assim, que eles possam se tornar responsáveis por si mesmos.

A autoridade dos pais desempenha papel importante no sentido de dar limites, como exigir que os filhos façam as lições de casa, fixar horários para atividades de lazer etc. Isso promove a organização interna do jovem, permitindo que ele possa cuidar de si mesmo à medida que vai se tornando adulto. Mas essa autoridade não deve ser confundida com autoritarismo ou rigidez. 

Para toda regra deve haver alguma flexibilidade a fim de que o jovem possa ir testando e sentindo seus limites. Por exemplo, se foi fixado um determinado horário para o jovem chegar de uma festa, um pequeno atraso não deve ser punido. Atitudes drásticas como violência ou expulsar de casa, não têm resultados positivos,não devem ser vista como solução para os problemas.

Quando se torna impossível conversar com os filhos, a quem os pais devem procurar?

Grande parte dos jovens é capaz de se abrir quando os pais passam a ouvir mais e falar menos. Mas quando os pais, apesar de tudo, não conseguem mais se comunicar com os filhos, devem recorrer a outras pessoas. Mas quais? Os pais devem procurar alguém que o jovem admire ou respeite. Pode ser um parente, um amigo da família, um professor, médico da família ou um profissional especializado.

O que pode ser feito ao se descobrir que um filho está usando drogas?

Não há uma resposta simples para essa questão. Existem muitas maneiras de se responder à pergunta. Alguns pontos devem ser destacados:

Existe uma variedade muito grande de drogas.

Drogas diferentes produzem diferentes efeitos, alguns são perceptíveis, outros não.

Existem formas mais e menos perigosas de se consumir drogas (por exemplo, injetar é o pior).

A lei é diferente para cada tipo de droga (é ilegal fumar maconha).

Cada jovem é uma pessoa diferente e única e podem ser muitas as razões pelas quais alguém se envolve com drogas. Da mesma forma, existem variadas formas de ajudá-lo a interromper ou moderar o uso de drogas.

Os pais têm maneiras diferentes de lidar com um filho que esteja usando drogas. Embora alguns sejam totalmente contra o uso de qualquer droga, a maioria acha aceitável o uso de bebidas alcoólicas e cigarro.

Existem várias instituições de ajuda a pessoas com problemas com uso de drogas.   


TRATAMENTO

Dentre as pessoas que usam drogas, quem deve ser tratado?

Só aos dependentes de drogas. Da mesma forma que não há sentido em propor tratamento a alguém que usa álcool apenas ocasionalmente, também não devemos falar em tratamento para usuários experimentais ou ocasionais de outras drogas.

O que é diminuição de prejuízos relacionados ao uso de drogas?

“Prejuízos” pode ser entendido como danos, riscos, perigos... Desta forma, diminuição de prejuízos é são medidas dirigidas a pessoas que não conseguem ou não querem parar de consumir drogas. Essa estratégia tem por objetivo reduzir as conseqüências negativas que o uso de drogas pode ocasionar. Um exemplo seriam as campanhas orientando as pessoas a não dirigirem após consumir bebidas alcoólicas. 

Também os programas de troca de seringas dirigidas a usuários de drogas injetáveis. As usadas são recolhidas e novas são colocadas à disposição. Por meio desses procedimentos ocorre redução importante da infecção pelo vírus da AIDS, assim como de outras doenças contagiosas. Estes programas não induzem as pessoas a utilizar drogas injetáveis.Constituem uma medida de saúde pública para o controle de epidemia mundial de AIDS.

Que tipos de ajuda terapêutica existem para os dependentes?

Existem diversos modelos de ajuda a dependentes de drogas: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentais; psicoterapias; grupos de auto-ajuda (do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos); comunidades terapêuticas; etc. Em princípio, pode-se dizer que nenhum desses modelos de ajuda consegue dar conta de todos os tipos de dependências e dependentes. 

É muito difundido o modelo que utiliza ex-dependentes de drogas como agentes “terapêuticos”, já que uma pessoa que passou pelo mesmo problema pode ajudar o dependente a se identificar com ela e compreender melhor seus problemas.

Os especialistas em dependência vêm realizando pesquisas para determinar que tipos de dependentes se beneficiam mais de um ou de outro tipo de  ajuda.

Entretanto, deve-se destacar que as abordagens medicopsicológicas (que associam ao mesmo tempo os recursos da medicina e da psicologia) têm se mostrado mais eficazes na maior parte dos casos.

O que vai ser tratado?

A maioria dos modelos de tratamento foca principalmente a dependência da droga. Embora esse seja realmente o ponto central que leva a pessoa a procurar tratamento, os dependentes frequentemente apresentam outros problemas associados ao uso abusivo de drogas. É muito importante que esses transtornos recebam a devida atenção, pois se não forem também tratados haverá uma grande probabilidade de a pessoa voltar a ser dependente. 

Por exemplo, dependente de drogas também apresenta depressão (é muito freqüente), deverá receber tratamento não apenas da dependência mas também da depressão,senão provavelmente voltará a usar  drogas novamente.

Quais os transtornos psiquiátricos mais associados às dependências?

A depressão é o transtorno que mais se associa ao abuso e à dependência de drogas. Os outros são o transtorno de ansiedade, o obsessivo-compulsivo, os de personalidade e, mais raramente, alguns tipos de psicoses. Mais recentemente descobriu-se que indivíduos com transtornos neurocognitivos (de aprendizagem) estão mais propensos a se tornarem dependentes de drogas. 

Esses podem se manifestar através de problemas de atenção, memória, concentração ou linguagem, entre outros. A grande dificuldade decorre de esses sinais não serem identificados nem pelos familiares nem pela escola, podendo estar presentes desde a mais tenra idade.Exemplificando, muitos jovens considerados preguiçosos, desinteressados ou indisciplinados, na verdade podem apresentar um transtorno específico de aprendizagem ou de atenção. É importante ressaltar que esses transtornos prejudicam profundamente a auto-estima e o desenvolvimento atrasando ou impossibilitando o uso de suas potencialidades.

Se fossem diagnosticados de modo correto, esses distúrbios poderiam ser facilmente tratados, evitando assim conseqüências drásticas.Como exemplo disso, muitos dependentes de drogas que apresentavam transtorno de atenção, quando o problema foi adequadamente tratado, pararam de consumir drogas.

Os dependentes de drogas devem ser internados para tratamento?

Na maior parte dos casos, o tratamento do dependente de drogas não requer internação. Nos raros casos em que é necessária, ela deve ser decidida com base em critérios claros e definidos, estabelecidos por um especialista. A internação de um dependente de drogas sem necessidade pode levar até mesmo a um aumento do consumo. O aumento de consumo após uma internação indevida pode se dar por diversas razões, como sentimentos de revolta de um dependente ainda não suficientemente convencido, da necessidade de ajuda.

UNDCP PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O CONTROLE INTERNACIONAL DE DROGAS