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domingo, 10 de março de 2019

Uma nova droga pode, possivelmente, ter curado a gripe





Estação da gripe

O vírus Influenza mata até 650.000 pessoas por ano e adoece muito mais - e mesmo se você receber sua vacina anual, você ainda pode pegar uma gripe que a vacina não protege contra.

É por isso que os médicos estão empolgados com um novo tratamento experimental que poderia fornecer ampla proteção contra muitas cepas da gripe, de acordo com a NPR, mesmo em níveis de infecção que atualmente são fatais. Há muitas ressalvas, incluindo que ainda não foram testadas em seres humanos, mas é possível que a nova molécula possa ser a tão esperada cura para a gripe.

Anticorpos

Um novo artigo publicado na revista Nature descreve o tratamento, que imita a maneira pela qual o corpo usa naturalmente anticorpos para combater vírus.

"Se você me dissesse há 10 anos que tínhamos uma pequena molécula que poderia fazer isso, eu ficaria completamente surpreso", disse Ian Wilson, biólogo do Scripps Research Institute e co-autor do estudo, na entrevista à NPR. "É uma prova do princípio de que drogas pequenas e gerenciáveis ​​podem se comportar como esses anticorpos realmente poderosos".

Teste com ratos

Os únicos pacientes que tomaram a nova droga até agora são ratos de laboratório. Mas mesmo quando os ratos foram expostos a níveis letais da gripe, 100% dos que foram tratados com o novo tratamento sobreviveram.

Promissivamente, de acordo com a NPR, o novo tratamento também foi eficaz no tratamento de células pulmonares humanas cultivadas em laboratório - potencialmente abrindo caminho para testes em humanos.

"É um estudo realmente interessante", disse à NPR Jesse Bloom, virologista do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, que não estava envolvido na pesquisa. "Precisamos de mais drogas na luta contra a gripe, e essa abordagem poderia fornecê-las."
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Fonte: Jon Christian/Futurism.com: "A NEW DRUG MIGHT, POSSIBLY, HAVE CURED THE FLU" (tradução livre) - Imagem meramente ilustrativa: U.S. NAVY MEDICINE/VICTOR TANGERMANN

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Por que desejamos doces quando estamos estressados?




Por que nós desejamos doces quando estamos estressados? - Um pesquisador do cérebro explica nosso desejo por chocolate e outros carboidratos durante tempos difíceis - por Achim Peters/scientificamerican.com*


Embora nosso cérebro seja responsável por apenas 2% do nosso peso corporal, o órgão consome metade de nossas necessidades diárias de carboidratos - e a glicose é seu combustível mais importante. Sob estresse agudo, o cérebro requer cerca de 12% a mais de energia, levando muitos a optar por lanches açucarados. 

Os carboidratos fornecem ao corpo a fonte mais rápida de energia. De fato, nos testes cognitivos, os sujeitos estressados ​​tiveram um desempenho ruim antes de comer. Seu desempenho, no entanto, voltou ao normal depois de consumir alimentos.

Quando estamos com fome, toda uma rede de regiões cerebrais é ativada. No centro estão o hipotálamo ventromedial (VMH) e o hipotálamo lateral. Estas duas regiões no tronco cerebral superior estão envolvidas na regulação do metabolismo, comportamento alimentar e funções digestivas. Existe, no entanto, um porteiro logo acima, o núcleo arcuatus (ARH) no hipotálamo. Se ele registra que o cérebro não tem glicose, esse porteiro bloqueia informações do resto do corpo. É por isso que recorremos aos carboidratos assim que o cérebro indica uma necessidade de energia, mesmo que o resto do corpo esteja bem suprido.

Para entender melhor a relação entre o cérebro e os carboidratos, examinamos 40 sujeitos em duas sessões. Em uma delas, pedimos aos participantes do estudo que fizessem um discurso de 10 minutos na frente de estranhos. Na outra sessão eles não foram obrigados a fazer um discurso. No final de cada sessão, medimos as concentrações de hormônios do estresse, cortisol e adrenalina, no sangue dos participantes. Nós também lhes fornecemos um buffet de comida por uma hora. Quando os participantes fizeram um discurso antes do bufê, ficaram mais estressados ​​e, em média, consumiram 34 gramas adicionais de carboidratos do que quando não faziam um discurso.

Então, e aquele chocolate? Se uma pessoa deseja chocolate à tarde, aconselho-a a comer chocolate para manter-se em forma e manter-se animado. Isso porque, no trabalho, as pessoas costumam ser estressadas e o cérebro tem uma necessidade crescente de energia. Se não comermos nada, é possível que o cérebro use glicose do corpo, destinado ao uso de células de gordura e músculos, e que secretam mais hormônios do estresse. Isso não apenas torna uma pessoa infeliz, mas também pode aumentar o risco de ataques cardíacos, derrame ou depressão a longo prazo. Alternativamente, o cérebro pode economizar em outras funções, mas isso reduz a concentração e o desempenho.

A fim de atender às necessidades aumentadas do cérebro, pode-se comer mais de tudo, como os sujeitos estressados ​​fizeram em nosso experimento, ou tornar mais fácil para o corpo e apenas consumir alimentos doces. Até os bebês têm uma preferência pronunciada pelos doces. Porque seu cérebro é extremamente grande comparado com seus corpos minúsculos, os bebês requerem muita energia. Eles obtêm essa energia através do leite materno, que contém muito açúcar. Com o tempo, nossa preferência por doces diminui, mas nunca desaparece completamente, mesmo quando nos tornamos adultos. A extensão em que essa preferência é preservada varia de pessoa para pessoa e parece depender, entre outras coisas, das condições de vida. Estudos sugerem que pessoas que experimentam muito estresse na infância têm uma preferência mais forte por doces mais tarde na vida.

Para alguns, o cérebro não pode obter sua energia das reservas do corpo, mesmo que haja depósitos de gordura suficientes. A causa mais importante disso é o estresse crônico. Para garantir que seus cérebros não sejam subutilizados, essas pessoas devem sempre comer o suficiente. Muitas vezes, a única maneira de sair de tais hábitos alimentares é deixar um ambiente permanentemente estressante. Assim, embora muitos tendam a ser duros consigo mesmos por comerem muitos doces ou carboidratos, as razões por trás desse desejo nem sempre se devem à falta de autocontrole e podem exigir uma análise mais profunda do estilo de vida e situações estressantes - passadas e presentes. Uma vez que a causa raiz do estresse é abordada, os hábitos alimentares podem, em última instância, resolver-se.
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Fonte: *tradução livre , para o português, de artigo originalmente publicado no site scientificamerican.com - Imagem: chocolate - pixabay (imagem gratuita)

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Após os 40 pessoas deveriam trabalhar menos, mostra estudo




Semana de trabalho com apenas três dias aumenta produtividade das pessoas que têm acima de 40 anos de idade.

Resultados de estudo mostram que capacidade cognitiva dessas pessoas aumenta com menos horas de trabalho.

No Brasil, a jornada semanal de trabalho está instituída em cinco dias, ou 40 horas de trabalho por semana. Para a maioria das pessoas começa segunda-feira e termina na sexta, entretanto há pessoas que trabalham ainda mais, tendo expediente também no final de semana, seja por contrato ou fazendo jornadas extras.

Um novo estudo mostra agora que esta carga horária de trabalho não é eficaz para quem tem mais de 40 anos de idade. O trabalho científico, publicano na série Melbourne Institute Worker Paper, da Austrália, afirma que a semana ideal para pessoas com mais de 40 anos deve ter apenas três dias.

Para o estudo, em que foram analisados os hábitos de trabalho de 6.500 pessoas (3.500 mulheres e 3.000 homens), a equipe do Melbourne Institute of Applied Economics and Social Research, da Universidade de Melbourne sujeitou os voluntários a três testes.

O primeiro teste passava pela leitura de determinadas palavras em voz alta. O segundo em recitar uma ordem numérica de forma decrescente. O terceiro continuai-se em ligar palavras e números. Para chegar às conclusões finais também foi levada em conta a qualidade de vida das pessoas analisadas, o seu bem-estar econômico, estrutura familiar e emprego.

Depois de considerados todos estes fatores, chegou-se à conclusão de que quem trabalhava, em média, 25 horas por semana alcançava melhores resultados. Os resultados cognitivos aumentavam para quem trabalhava por volta de 25 horas – quando comparado a valores mais baixos – e a partir daí começavam a decrescer devido ao estresse e fadiga.

Colin McKenzie, um  dos investigadores e professor de economia na Universidade de Keio afirmou que trabalhar "pode estimular a atividade cerebral mas, ao mesmo tempo, trabalhar muitas horas e  com determinados tipos de tarefas podem causar fadiga e estresse que a longo prazo podem danificar funções cognitivas".

Recentemente, na Nova Zelândia, uma empresa decidiu adotar a semana de quatro dias de forma a melhorar a produtividade dos seus empregados.
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Fonte: Melbourne Institute of Applied Economics and Social Research/Keio University/ABC News/UOL - Imagem: PxHere (CC0 - Domínio público)

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Vacina contra nicotina. Fumar nunca mais?




Cientistas estão fazendo progressos em uma vacina contra nicotina, que poderá fornecer proteção vitalícia contra as propriedades viciantes da droga - O vício em nicotina tem sido objeto de muita discussão em sites como www.ProjectKnow.com, que também enfatizam o quão difícil é deixar o hábito. 

Essa vacina, entretanto, dá aos fumantes em todo o mundo uma esperança; acredita-se que este método poderia ajudar não só aqueles atualmente adictos, mas potencialmente prevenir o vício futuro.

O vício em nicotina ocorre quando a droga atinge o cérebro. Pesquisadores do Weill Cornell Medical College, em Nova York, criaram um anticorpo que destruirá a nicotina imediatamente após sua introdução no sistema. 

O conceito não é novo, o avanço aqui é o fato de que a nova vacina pode ser administrada uma vez e ter efeitos que durem por toda a vida. A nova vacina permite que o fígado produza anticorpos dominantes de nicotina, de forma constante ao longo de sua vida, interrompendo a ação da droga antes que ela tenha chance de ser assimilada por seu sistema. 

No que diz respeito ao seu corpo, a nicotina nunca entrou em seu sistema - o indivíduo vacinado recebe anticorpos que o impedem de sentir prazer ao fumar, já que eles bloqueariam a entrada da nicotina no cérebro.

A vacina provou ser eficaz em ratos e depois disso com primatas, parentes próximos dos seres humanos. Os estudos com ratos mostraram uma produção constante dos anticorpos, uma vez que receberam a vacina. 

Quando administrados tanto a vacina como a nicotina, a freqüência cardíaca manteve-se estável em relação aos camundongos, que ficavam relaxados apenas com nicotina. O plano é obter essa vacina, em uma forma que seja aceita pelo corpo humano, o mais rápido possível.

O Dr. Ronald Crystal, presidente do Genetic Medicine, no Weill Cornell, falou sobre o efeito da vacina: "Eles saberão se começarem a fumar de novo, eles não sentirão prazer, por causa da vacina contra nicotina, e isso pode ajudá-los a deixar de lado o hábito." 

Quanto às futuras aplicações, Crystal declarou: "Assim como os pais decidem dar a seus filhos uma vacina contra o HPV, eles podem decidir usar uma vacina para nicotina. É claro que teremos de pesar nos riscos versus benefícios, e pode levar anos de estudos para se estabelecer esse limite".

A vacina é uma má notícia para as empresas de tabaco, que reunem milhões de pessoas sob as brasas, mas é boa para a humanidade como um todo. Não podemos deixar de nos perguntar se isso poderia futuramente levar a outras vacinas de luta contra dependência. É possível fazer o corpo ou a mente humana pararem de desejar açúcar, cafeína, álcool ou drogas pesadas que arruinam a vida?

Science Translational Medicine

Fonte: Mike Awada | Astounte (tradução livre)


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

O 1º Tricorder Médico




Primeiro Tricorder Médico escaneia, analisa e compartilha todos seus sinais vitais¹ - Um incrível dispositivo novo coloca toda informação sobre seu corpo para aonde ela pertence, em suas mãos

Compartilhe as informações com seu médico e com outras pessoas, para conversar sobre saúde - e fazer descobertas a respeito - em outro nível. 

Aprenda as formas de como as diferentes pessoas, locais, atividades, alimentos, bebidas e medicamentos afetam seu corpo. Você estando doente ou não.

Descubra conexões. Veja tendências. Analise efeitos colaterais. Descubra problemas com antecedência. E os rastreie. Seja mais saudável.

O Tricorder é real

Para você, que não é familiarizado com tecnologia, um tricorder é um dispositivo multifunções, de mão, usado para varredura por sensores, retenção e análise de dados. Este tricorder do mundo real, chamado Scout, usa seu smartphone e Bluetooth LE para emular uma Sala de Emergência em seu bolso.

O Scout está sendo produzido pela Scanadu Inc., uma startup da Universidade Singularity, baseada no NASA Research Park em Moffett Field, CA. A equipe da Scanadu é composta por médicos, cientistas, matemáticos, codificadores, biólogos moleculares, mecânicos, engenheiros elétricos e biofísicos.

Atualmente, o Scanadu possui um dispositivo protótipo projetado para medir seus sinais vitais. Eles precisam da aprovação da FDA e, portanto, estão chegando ao mundo para ajudar. Por US$ 199, você não só experimenta o primeiro Tricorder, você também se torna um explorador e um pesquisador no processo.

Como funciona?

Simplesmente coloque o Scanadu Scout em sua testa por 10 segundos e em um encaixe, suas estatísticas são exibidas no seu smartphone. Ao ajudar o Scanadu a coletar dados, eles podem arquivar sua aplicação no FDA para aprovação de mercado como uma ferramenta de diagnóstico de consumo geral, comercial.

Como uma ferramenta de pesquisa, o Scanadu promete que o produto não representará nenhum risco para os usuários e pode ser usado para coletar, armazenar e exibir todas as suas informações, mas sem fazer um diagnóstico específico de doença...


Fonte: Escrito por Kate Winter, para o site ASTOUNDE (tradução livre) - Vídeo: YouTube

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Neuroplasticidade, a capacidade do cérebro em se adaptar

Neuroplasticidade, também conhecida como plasticidade neuronal, refere-se à capacidade do sistema nervoso de mudar, adaptar-se e moldar-se a nível estrutural e funcional ao longo do desenvolvimento neuronal e quando sujeito a novas experiências.



Neuroplasticidade: O cérebro muda de acordo como é usado

As teorias sobre a neuroplasticidade formuladas por Merzenich e outros neurocientistas contemporâneos abriram perspectivas revolucionárias

Quando o assunto é neuroplasticidade, não há como deixar de mencionar os estudos pioneiros conduzidos por Michael Merzenich, professor emérito da University of California, San Francisco (UCSF).

Desde os anos 1960, quando ainda predominava entre neurocientistas a ideia de que o cérebro seria um órgão estático, pré-moldado sob estrita ordenação genética, Merzenich defende que é possível, ao longo de toda a vida, criar novos circuitos e conexões neuronais em resposta a estímulos e experiências, o que resultaria em mudanças funcionais.

As teorias sobre a neuroplasticidade formuladas por Merzenich e outros neurocientistas contemporâneos abriram perspectivas revolucionárias – tanto para crianças com dificuldades de aprendizado como para pessoas com lesão cerebral decorrente de trauma ou de doenças como acidente vascular cerebral (AVC).

Nas décadas de 1970 e 1980, por meio de experimentos com animais, Merzenich demonstrou que os circuitos neuronais e as sinapses se modificam rapidamente de acordo com a atividade praticada. Em um dos ensaios, rearanjou os nervos na mão de um macaco e observou que as células do córtex sensorial do animal rapidamente se reorganizaram para criar um novo mapa mental daquele membro.

No fim dos anos 1980, Merzenich integrou o grupo da UCSF que desenvolveu o implante coclear.

Em 1996, fundou a Scientific Learning Corporation, empresa que desenvolve softwares voltados a aprimorar o aprendizado infantil com base em modelos de plasticidade cerebral.

Também foi um dos fundadores, em 2004, e é atualmente cientista chefe na empresa Posit Science, que desenvolve softwares para treinamento cerebral com base nos resultados de suas pesquisas. O programa é conhecido como BrainHQ.

Nos últimos anos, Merzenich tem se dedicado a verificar se a prática de exercícios intelectuais pode ajudar a remodelar as funções cerebrais, possibilitando recuperar habilidades perdidas por causa de doenças, lesões ou envelhecimento.

Seus estudos já foram publicados em mais de 150 artigos científicos – muitos deles em revistas de grande impacto, como Science e Nature. Ele também recebeu diversos prêmios acadêmicos, como o Russ Prize, o Ipsen Prize e o Zülch Prize.

Em 2013, Merzenich publicou o livro Soft-Wired: How the New Science of Brain Plasticity Can Change Your Life, no qual apresenta estratégias para que pessoas comuns possam assumir o controle dos processos de plasticidade cerebral e, assim, melhorar sua qualidade de vida.

Merzenich esteve no Brasil no início de abril (2016) para apresentar uma palestra no 3rd BRAINN Congress, organizado pelo Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (BRAINN), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP e sediado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Na ocasião, concedeu uma entrevista à Agência FAPESP na qual falou sobre como mudanças positivas e negativas podem ser direcionadas no cérebro. Leia os principais trechos a seguir.




Agência FAPESP – Como o senhor define o conceito de neuroplasticidade?

Michael Merzenich – O cérebro foi construído para mudar de acordo com as experiências vivenciadas e a forma como é usado.

A esse processo contínuo chamamos de neuroplasticidade.

Quando trabalhamos para aprimorar uma habilidade, ocorre uma mudança na “fiação cerebral” (nas sinapses ou conexões neuronais), ou seja, são selecionadas as conexões que dão suporte ao comportamento ou à habilidade que estamos desenvolvendo.

Assim como quando exercito meu corpo obtenho uma série de benefícios e altero a regulação de uma série de processos bioquímicos, quando exercito meu cérebro altero todo o seu funcionamento, seu suprimento de sangue e de energia, bem como a força de suas operações.

Portanto, não apenas melhoro uma habilidade em si, mas todo o maquinário cerebral. Quando jogo pingue-pongue pela primeira vez, sou muito desajeitado.

Após um ano de prática intensa, fico muito habilidoso, consigo ver e acertar a bola com alta acurácia.

Por meio de mudanças físicas e químicas incrivelmente complexas, criou-se um cérebro com esse recurso.

Nosso cérebro será diferente daqui a uma semana e muito mais diferente ainda daqui a uma década. Pode ser uma mudança para frente ou para trás, ganhando ou perdendo habilidades. Depende do uso.

Agência FAPESP – O treinamento de uma habilidade favorece mudanças positivas, mas como as mudanças negativas são direcionadas?

Merzenich – Fazemos coisas ao longo da vida que degradam nossa habilidade de extrair informações úteis do mundo a nossa volta.

Por exemplo: como um humano moderno, passo várias horas por dia olhando para uma tela na qual coisas importantes para mim acontecem. Tudo que está fora daquela tela é desimportante, inútil, uma distração.

Estou sistematicamente treinando minha visão, estreitando meu ponto de vista, de modo que somente aquilo que está à frente de meu nariz é importante.

Fazendo isso, vou perdendo progressivamente a habilidade de processar a informação visual daquilo que está ao redor.

O cidadão médio em meu país, e isso foi bastante estudado por lá, já perdeu em torno de 30% do seu campo visual aos 60 anos e mais de 50% aos 80 anos.

As coisas acontecem e ele não vê porque o cérebro rejeita aquele estímulo.

Essa é uma das razões pelas quais os idosos sofrem mais acidentes de trânsito. Eles gradualmente vão regredindo a um campo visual mais estreito e, ao mesmo tempo, quando conseguem enxergar algo, respondem a esse estímulo de forma mais lenta.




Agência FAPESP – Mas é possível treinar uma pessoa de modo a fazê-la perder uma habilidade já adquirida, como entender a fala em outro idioma?

Merzenich – Sim. Posso treiná-la usando formas modificadas de som não articulado, que não correspondem à fala.

Treino o cérebro a mudar sua capacidade de processamento de sons, de forma que esse perde a capacidade de interpretar os elementos que se modificam rapidamente no fluxo acústico formado pela estrutura fonêmica, a estrutura elementar das palavras.

Essa interpretação é necessária para extrair o sentido das palavras.

Assim como posso refinar essa habilidade, posso destruí-la. Posso desafiar você a fazer distinções cada vez mais acuradas do que ouve, detalhadamente, em alta velocidade.

Posso treiná-la a fazer essa distinção mesmo quando a voz está baixa, ou o discurso está anormal e distorcido.

Ou posso fazer o oposto e degradar essa sua habilidade. Dar-lhe um cérebro que opera somente quando as coisas ocorrem morosamente.

Fazer com que não consiga mais interpretar os detalhes do som em determinadas frequências. Fizemos experimentos de treinamento não virtuoso com macacos e ratos e mostramos que isso é possível.

Agência FAPESP – Como o envelhecimento influencia as mudanças no funcionamento cerebral?

Merzenich – O cérebro opera de forma muito limitada quando somos crianças e, progressivamente, vai aperfeiçoando seu maquinário de modo a operar com cada vez mais precisão.

Os diferentes sistemas vão se tornando mais coordenados em suas ações e isso vai melhorando até o auge da vida – que no humano médio ocorre entre o 20º e o 40º aniversário.

Uma alta performance persiste um pouco mais nas mulheres, mas, quando entram na menopausa, ocorre uma rápida deterioração em decorrência das mudanças hormonais e elas alcançam o nível masculino por volta de 60 ou 65 anos.

Portanto, temos esse período da vida, de cerca de duas décadas, em que nosso cérebro opera em alta performance e depois deteriora.

Se aos 30 anos uma pessoa está operando abaixo da média da performance da população (no auge de seu funcionamento cerebral, atingiu 100% de sua capacidade), aos 60 anos ela pode estar só com 16% de sua capacidade e, aos 80 ou 85 anos, com 10%.

Ora, ninguém quer estar aos 85 anos com apenas 10% da capacidade cerebral e o que demonstramos é que essa deterioração é reversível.

De maneira simplificada, o cérebro do idoso é mais lento em suas decisões e menos fluente em suas operações do que na juventude porque lida com as informações de forma mais confusa e degradada. Vicissitudes ocorrem ao longo da vida, causam ruído no cérebro e podem acelerar o declínio.

Pode ser uma queda de bicicleta e uma pancada na cabeça, uma infecção cerebral ou exposição a toxinas.

Mas podemos treinar o cérebro velho e fazê-lo recuperar muitas de suas habilidades. Fizemos estudos com diversas populações e mostramos que é possível reverter esse declínio com treinamento.

Agência FAPESP – Como funciona o treinamento que o senhor desenvolveu?

Merzenich – O treinamento aplicado pela BrainHQ busca primeiramente exercitar os mecanismos cerebrais que controlam a neuroplasticidade.

Esses mecanismos também são plásticos e podem ficar subutilizados com a idade ou em decorrência de doenças. Mostramos que é possível treinar uma pessoa por 15 ou 20 minutos e, assim, regular processos bioquímicos nesse maquinário.

Como consequência, tudo que ela aprender ou fizer na hora seguinte será potencializado.

Vai aprender mais rapidamente, como se eu tivesse lhe dado uma droga que aumenta o nível de atividade cerebral.

Mas, ao contrário do que acontece com a droga, se eu aplicar o treinamento todos os dias, durante 15 dias, a mudança é duradoura.

A performance do maquinário cerebral é aprimorada e, quando olhamos um ano depois, o cérebro ainda está mais alerta, mais vivo, mais predisposto a mudar.

Em segundo lugar, o treinamento busca melhorar a maneira como o cérebro processa os detalhes daquilo que vemos, ouvimos e sentimos.

À medida que o cérebro fica ruidoso, vai mudando a forma como ele processa informação.

Vai perdendo a capacidade de interpretar de forma nítida os detalhes que se modificam rapidamente.

O treinamento visa reverter essa mudança negativa, pois todas as demais operações cerebrais dependem disso.

O limite da performance de qualquer operação mental complexa, como, por exemplo, a memória, será determinado pela claridade com que o cérebro representa a informação.

Se estou tentando gravar uma informação, quanto mais fielmente ela for representada no cérebro, mais facilmente eu consigo lembrar.

O cérebro é uma máquina de fazer previsões. Ele acumula informações ao longo do tempo e, continuamente, faz previsões do futuro e associações com o passado. Posso melhorar essa capacidade simplesmente aumentando a clareza das operações.

Para isso, treinamos o cérebro a manipular informações. Para elevar o nível de suas operações, posso dar uma tarefa em que o cérebro precisa não apenas vir com uma resposta certa, mas com várias possibilidades de resposta em uma alta velocidade e de maneira fluente.

Posso treinar o cérebro a rapidamente classificar informações, a rapidamente mudar as regras de suas operações quando as condições do meio exigirem isso.

Todas essas coisas são válidas de serem praticadas. O que comumente fazemos é avaliar em cada indivíduo onde estão as falhas: no controle de atenção, na habilidade de gravar informação, na forma como ele representa informação em sequência ou como manipula e organiza cadeias complexas de informação. Todas essas coisas são passíveis de treinamento.

O software que usamos lembra alguns jogos para celulares, pois propõe tarefas isoladas que devem ser cumpridas em 1 ou 2 minutos e oferece um certo número de tentativas.

O nível de dificuldade vai rapidamente se ajustando na medida em que o indivíduo vence uma etapa, um nível mais difícil se abre e o desafia para aumentar essa habilidade a um nível maior.




Agência FAPESP – O programa de treinamento pode ser usado para tratar doenças neuropsiquiátricas, como Alzheimer ou esquizofrenia?

MerzenichTemos diversos estudos que mostram que portadores de doenças como Alzheimer, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtornos de ansiedade ou depressão podem ser beneficiados.

Não estou falando de cura, mas de melhorar a qualidade de vida. Mas, pelas leis do meu país, não podemos lidar diretamente com condições médicas. O treinamento, nesse caso, precisa ser intermediado por um médico ou terapeuta.

Também temos estudos que mostram benefícios para pessoas com lesão cerebral causada por AVC ou por trauma, pessoas expostas a veneno, infecções cerebrais e estresse.

Sempre conseguimos obter uma melhora – em alguns casos bastante significativa e, em outros, mais limitada por causa da magnitude da lesão.

Em um dos estudos, aplicamos o treinamento em uma população grande de voluntários que tinham sofrido uma concussão.

Após dois meses, o cérebro havia voltado ao normal, enquanto o grupo que não passou pelo treinamento ainda apresentava alterações neurológicas um ano após a lesão. Também já testamos em pessoas sadias que desempenham funções em que a tomada de decisão pode envolver questões de vida e morte, como policiais e soldados.

Estatísticas indicam que policiais, de maneira geral, fazem más escolhas em 50% dos casos e isso causa grande impacto em uma cidade.

Nossos resultados mostram que com o treinamento é possível melhorar o processo de tomada de decisão.

Em uma pesquisa feita em parceria com uma empresa de seguros, treinamos 20 mil motoristas profissionais ou informais, nesse segundo caso, idosos, e reduzimos pela metade o número de acidentes de trânsito. Já treinamos cerca de 600 mil pessoas ao todo.

Agência FAPESP – Assim como acontece com os músculos, o cérebro perde os benefícios adquiridos quando o treinamento é interrompido?

Merzenich – Fizemos quase 30 ensaios clínicos para avaliar a duração do efeito e vimos que há sempre alguma duração significativa, em alguns domínios bem mais do que em outros.

Se você treina e muda a forma como o cérebro trabalha a atenção, isso é mais duradouro, pois é uma habilidade usada em muitas situações da vida real.

Já quando você treina a habilidade de ouvir, a deterioração é mais rápida.

Mas, certamente, se você atinge um nível de alta performance em alguma habilidade, algum tipo de treino de manutenção será necessário para manter o alto nível.

Em algumas populações em que o funcionamento do cérebro está mais propenso a se deteriorar, como é o caso de pessoas com pré-Alzheimer (prejuízo cognitivo leve) ou com doença de Huntington, o declínio ocorre mais rapidamente quando o treino é interrompido e logo retornam ao nível que teriam se nunca tivessem treinado.

Enquanto estiverem treinando, porém, conseguem se manter relativamente estáveis, mas não sabemos ao certo por quanto tempo.

É um grande desafio porque temos que mantê-los engajados e o treino precisa ser intenso, pois todas as habilidades do cérebro estão em risco.

Agência FAPESP – Como evitar que esse conhecimento seja usado de forma errada?

MerzenichO cérebro pode ser treinado a operar de forma destrutiva e há potenciais formas de abuso.

Muitos teriam interesse em manipular a plasticidade cerebral para propósitos egoístas.

Então é um desafio para nós pensar como isso pode ser controlado e como ter certeza de que esse conhecimento será usado para o bem-estar humano e não para a destruição.

Por exemplo, é possível tirar de casa um garoto de 10 ou 12 anos, um bom estudante, e transformá-lo em um assassino, um monstro.

O que ocorre nesse caso é a plasticidade cerebral direcionada para a destruição.

Agência FAPESP – É possível fazer o caminho reverso nesse caso?

Merzenich – É difícil e requer muito treinamento, mas é possível e esse é um dos meus esforços.

Tratar crianças com longo histórico de abuso e negligência, condições que danificam o maquinário cerebral que controla o aprendizado.

Essas crianças, ao mesmo tempo em que têm o maquinário cerebral de aprendizagem prejudicado, têm acesso a um repertório pobre, que não as prepara para a vida.

Claro que acabam malsucedidas. A menos que façamos algo para ajudá-las do ponto de vista neurológico, não há esperança para elas.

Mas o que a sociedade em geral faz? Culpa-as pelo seu mau desempenho.

Culpamos massivamente as crianças com infâncias terríveis por suas experiências. Isso é estúpido.


sexta-feira, 5 de maio de 2017

Einstein, Tagore e a verdade

A Verdade poderia existir como entidade, separada da consciência do ser humano? 

Esta questão filosófica e científica está nesse diálogo histórico entre o físico alemão Albert Einstein (1879-1955) e o poeta, pintor e músico indiano Rabidranath Tagore (1861-1941), ambos ganhadores do Prêmio Nobel. 

O encontro aconteceu em 14 de julho de 1930, em Berlim, quando foi registrado o diálogo abaixo, contido no livro “Science and the Indian Tradition: When Einstein Met Tagore” (Routledge, 2007), de David L. Goslin, traduzido pelo site Kryia Yoga Hariharananda Brasil. 

O livro ainda não possui edição brasileira, mas o diálogo em português consta na obra “Einstein Reflexões Filosóficas“, de Irineu Monteiro (Alvorada, 1985), disponível na Internet.


EINSTEIN: Você acredita no Divino como separado do mundo?

TAGORE: Sem separação. A personalidade infinita do Homem compreende o Universo. Não existe nada que não possa ser absorvido pela personalidade humana, e isso prova que a Verdade do Universo é a Verdade humana.

Eu tomo de um fato científico para explicar isso – Matéria é composta de prótons e elétrons, com espaços entre eles; mas a matéria pode parecer sólida. Similarmente a humanidade é composta de indivíduos, ainda assim eles tem interconecções de relacionamento humano, o que dá unidade ao mundo humano. O universo inteiro está ligado a nós de maneira similar, é um universo humano. Eu tenho perseguido este pensamento através de arte, literatura e da consciência religiosa do ser humano.

EINSTEIN: Existem duas concepções diferentes sobre a natureza do universo: (1) O mundo como unidade dependente da humanidade. (2) O mundo como realidade independente do fator humano.

TAGORE: Quando nosso universo está em harmonia com o Homem, o eterno, nós conhecemos isso como Verdade, nós sentimos isso como beleza.

EINSTEIN: Esta é uma concepção puramente humana do universo.

TAGORE: Não pode haver outra concepção. Este mundo é um mundo humano- a visão científica dele também é a visão do homem científico. Existe um princípio comum de razão e apreciação que lhe confere Verdade, o princípio comum do Homem Eterno, cujas experiências se dão através de nossas experiências.

EINSTEIN: Isto é realização da entidade humana.

TAGORE: Sim, uma entidade eterna. Nós temos que tomar consciência disso através de nossas emoções e atividades. Nós realizamos em nós o Homem Supremo que não tem limitações individuais através de nossas limitações. Ciência ocupa-se daquilo que não está limitado aos indivíduos; é o mundo humano impessoal das Verdades. Religião realiza estas Verdades e as liga às nossas necessidades mais profundas; nossa consciência individual da Verdade adquire significação universal. Religião adiciona valores à Verdade, e nós reconhecemos essa Verdade como boa através de nossa própria harmonia com ela.

EINSTEIN: Verdade, então, ou Beleza, não é independente do Homem?

TAGORE: Não.

EINSTEIN: Se não houvessem mais humanos, o Apolo de Belvedere não continuaria sendo belo?

TAGORE: Não!

EINSTEIN: Eu concordo no que se refere à concepção de Beleza, mas não em relação à Verdade.

TAGORE: Por que não? Verdade é realizada através do ser humano.

EINSTEIN: Eu não posso provar que minha concepção está certa, mas esta é minha religião.

TAGORE: Beleza está no ideal da harmonia perfeita que está no Ser Universal; Verdade a compreensão perfeita da Mente Universal. Nós indivíduos nos aproximamos disso através de nossos próprios erros e desatinos, através de nossa experiência acumulada, através de nossa consciência iluminada – de que outra forma, se não essa, podemos conhecer a Verdade?

EINSTEIN: Eu não posso provar cientificamente que Verdade precisa ser concebida como a Verdade que é válida independente da humanidade; mas eu acredito nisso firmemente. Eu acredito, por exemplo, que o teorema de Pitágoras na geometria determina algo que é aproximadamente verdadeiro independente da existência do homem. De qualquer forma, se existe uma realidade independente do homem, também existe a Verdade relativa a esta realidade; e de certa forma a negação da primeira gera a negação da existência da seguinte.

TAGORE: Verdade, que é uma com o Ser Universal, precisa essencialmente ser humana, senão o que quer que nós humanos concebamos como verdadeiro não pode ser chamado de verdade – ao menos a Verdade que é descrita como científica e que pode apenas ser alcançada através do processo da lógica. Em outras palavras, através de um orgão de pensamentos que é humano. De acordo com a Filosofia Indiana, existe Brahman, a Verdade absoluta, que não pode ser concebida pelo isolamento da mente individual ou descrita por palavras, mas que pode apenas ser realizada pela completa fusão do individual em seu infinito. Mas tal Verdade não pode pertencer à Ciência. A natureza da Verdade que nós estamos discutindo é uma aparência – dito isso, o que aparenta ser verdadeiro à mente humana, e portanto é humano, e pode ser chamado de maya ou ilusão.

EINSTEIN: Então, de acordo o seu entendimento, que pode ser o entendimento indiano, não é a ilusão do indivíduo, mas da humanidade como um todo.

TAGORE: As espécies também pertencem a uma unidade, à humanidade. Portanto a mente humana inteira realiza Verdade; a mente indiana ou a européia encontram-se em uma realização partilhada.

EINSTEIN: A palavra espécies é usada em alemão para todos os sêres humanos, na verdade, até mesmo os macacos e os sapos pertencem a isso.

TAGORE: Em ciência nós aplicamos a disciplina de eliminação das limitações pessoais de nossas mentes individuais e assim atingir aquela compreensão da Verdade que é a mente do Homem Universal.

EINSTEIN: O problema começa se por acaso a Verdade é independente de nossa consciência.

TAGORE: O que nós chamamos verdade reside na harmonia racional entre os aspectos objetivos e subjetivos da realidade, ambos os quais pertencem ao homem supra-pessoal.

EINSTEIN: Até mesmo em nossa vida diária nos sentimos compelidos a atribuir uma realidade independente do homem aos objetos que usamos. Nós fazemos isso para conectar a experiência de nossos sentidos de uma maneira razoável. Por exemplo, se ninguém está em casa, ainda assim a mesa permanece onde está.

TAGORE: Sim, permanece fora da mente individual, mas não fora da mente universal. A mesa que percebo é percebida pela mesma forma de consciência que eu possuo.

EINSTEIN: Se ninguém estiver na casa, a mente continuará a existir da mesma forma – mas isto já está invalidado do nosso ponto de vista – porque nós não podemos explicar o que significa a mesa estar lá, independente de nós.

Nosso ponto de vista natural em relação à existência da verdade separada da humanidade não pode ser explicado ou provado, mas é uma crença da qual ninguém pode se abster – nem mesmo seres primitivos. Nós atribuímos à Verdade uma objetividade super-humana; é indispensável para nós, essa realidade que é independente de nossa existência e de nossa experiência e de nossa mente – apesar de não conseguirmos dizer o que isso significa.

TAGORE: A ciência tem provado que a mesa como um objeto sólido é uma aparência e no entanto aquilo que a mente humana percebe como mesa não existiria se essa mente fosse anulada. Ao mesmo tempo é preciso admitir que o fato, que a última realidade física é nada senão uma série de centros circulatórios de força elétrica separados, que também pertencem à mente humana.

Na apreensão da Verdade existe um conflito eterno entre a mente humana universal e a mesma mente confinada no indivíduo. O perpétuo processo de reconciliação tem sido levado adiante através de nossa ciência, filosofia, em nossa ética. Em todo caso, se existir alguma Verdade absolutamente não relacionada à humanidade, então para nós é absolutamente não-existente.

Não é difícil imaginar uma mente para a qual a sequência de coisas acontecem não no espaço mas apenas no tempo, como a sequência de notas em música. Para tal mente, tal concepção de realidade é igual à realidade musical na qual a geometria de Pitágoras pode não ter significado. Existe a realidade do papel, infinitamente diferente da realidade da literatura. Para o tipo de mente possuída pela traça que come aquele papel, literatura é absolutamente não existente, ainda que para a mente do Homem literatura tenha um valor maior de Verdade que a realidade mesmo do papel. De uma maneira similar, se há alguma Verdade que não tem sensorialidade ou relação racional com a mente humana, permanecerá como nada enquanto permanecermos seres humanos.

EINSTEIN: Então eu sou mais religioso do que você!

TAGORE: Minha religião é a reconciliação do Homem Supra-pessoal, o espírito humano universal, no meu próprio ser individual.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Não somatize doença!



O que você não resolve em sua mente, seu corpo transforma em doença. Transformar (conflitos psíquicos) em afecções de órgãos ou em problemas psicossomáticos.

Somatizar

Todos nós sabemos, ou deveríamos saber que uma determinada somatização de quaisquer tipos de sentimentos e pensamentos negativos, situações mal resolvidas, palavras não ditas geram problemas ainda maiores do que somente o stress. Hoje em dia, já se é comprovado a total influência mental e emocional em seu estado de saúde.

Sabemos que obviamente não se trata somente disso, porém como o próprio título deste artigo diz o que você não resolve em sua mente seu corpo transforma em doença. E como isso funciona?

Muito simples você acumula dentro de si tudo que deveria se livrar. Stress acumulado, preocupações, sentimentos negativos, enfim, tudo o que não deve lhe pertencer. Isso gera a tal falada “somatização”. Você concorda comigo que se seu corpo está com algum problema, para que você saiba que ele não está bem, ele precisa “avisar”? Isso envolve: sistema muscular, sistema respiratório, sistema cardiovascular entre outros.

Sinais cerebrais

Apesar de mudar de pessoa para pessoa, a somatização é explicada cientificamente. Raiva, paixão, tristeza, medo e uma série de emoções causam alterações no organismo, liberando ou inibindo a produção de substâncias, como adrenalina, cortisol e serotonina.

Quando a pessoa fica durante muito tempo submetido a uma situação diferente, ela desencadeia mudanças no sistema nervoso autônomo, responsável pelos batimentos cardíacos, pela temperatura corporal, pela digestão, pela respiração e pela sexualidade. Além disso, provoca mudanças no sistema endocrinológico, que produz uma série de hormônios, e no sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo.

Desse modo, a bagunça no corpo começa e os sintomas aparecerem – o local escolhido depende da herança genética e racial de cada pessoa. 

“O indivíduo tende a somatizar nas áreas do corpo que já estão mais fragilizadas ou já tiveram um problema no passado. Depende das reações e da composição física de cada pessoa”, afirma o Dr. Leonard Varea. 

Então faça uma limpeza em seu “lixo” interior, livre-se do que pode lhe trazer danos maiores. Ame-se e resolva-se consigo mesmo para que seu corpo e sua mente não somatizem e lhe tragam possíveis novas doenças.

Fonte: Compartilhado de O Segredo


Saiba mais: 

O quanto as nossas emoções influenciam o nosso corpo



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sábado, 1 de outubro de 2016

O jejum e o funcionamento cerebral



Neurocientistas mostram o que o jejum faz ao seu cérebro e porque as indústrias farmacêuticas não vão estudar esse fenômeno

via "O Espaço do Conhecimento"
publicado originalmente por:  ON

Mark Mattson, o atual chefe do Laboratório de Neurociência do Instituto Nacional de Envelhecimento e também professor de neurociência na Universidade Johns Hopkins, um dos mais respeitados pesquisadores na área de mecanismos moleculares e celulares para desordens neurodegenerativas, deu um TEDx que deveria ser assistido (em inglês).

Existem exemplos incontáveis da manipulação de pesquisas publicadas pelas industrias farmacêuticas nos anos recentes. É por isso que o professor de medicina de Harvard Arnold Symour Relman disse ao mundo que a profissão medica foi comprada pela indústria farmacêutica.

Dr. Richard Horton, editor chefe da revista The Lancet, disse que muito da literatura cientifica publicada hoje é inverdade. Já a Dra. Marcia Angell, antiga editora chefe da New England Journal of Medicine, disse que a “a indústria farmacêutica gosta de ser mostrar como uma indústria baseada em pesquisam, como a fonte de drogas inovadoras. Nada poderia ser mais longe da verdade.”

E é por isso que John Loannidis, um epidemiologista da escola de medicina da Universidade de Stanford publicou um artigo intitulado “Porque a maioria dos achados de pesquisas publicadas são falsos” que subsequentemente se tornou o artigo mais acessado da história da PLoS.

Dr. Mattson comenta no final do vídeo:

“Porque a dieta normal é três refeições diárias mais lanches? Não é porque ela seja o padrão mais saudável de comer, isso é a minha opinião, mas eu acho que existe um monte de evidencia que mostra isso. Existe uma grande pressão que exista esse padrão de alimentação, existe muito dinheiro envolvido.
A indústria alimentícia – eles vão ganhar dinheiro de pessoas que pularam o café da manhã, como eu fiz hoje? Não, eles vão perder dinheiro. Se as pessoas jejuarem, a indústria alimentícia perde dinheiro. E a indústria farmacêutica?
Se as pessoas fizerem pequenos jejuns, se exercitem periodicamente e forem muito saudáveis, a indústria farmacêutica vai fazer dinheiro com pessoas saudáveis? ”



Principais pontos da palestra acima e a ciência da qual ela veio

Mark e sua equipe já publicaram vários artigos que discutem como jejuar duas vezes por semana pode diminuir o risco de desenvolver doenças como Parkinson e Alzheimer

“Já são bem conhecidas as mudanças que fazemos na dieta afetam nosso cérebro. Crianças que sofrem de epilepsia tem menos episódios quando são colocadas em dietas de restrição calórica ou jejuns.
Acredita-se que o jejum ajuda a iniciar medidas protetivas que ajudam a contrabalancear os sinais superexcitados que os cérebros epiléticos muitas vezes exibem (algumas crianças também se beneficiaram de uma dieta bem especifica com muita gordura e pouco carboidrato).
Cérebros normais, quando superalimentados, podem experimentar outro tipo de excitação descontrolada, impedindo o funcionamento cerebral.”

Basicamente, quando você olha para estudos sobre restrição calórica, muitos deles mostram um tempo de vida prolongado assim como uma habilidade aumentada de lutar contra doenças crônicas.

“A restrição calórica aumenta o tempo de vida e retarda doenças crônicas relacionadas a idade em muitas espécies, como ratos, camundongos, peixes, moscas, minhocas e leveduras. O mecanismo ou mecanismos pelo qual isso ocorre é desconhecido”

A frase acima é de uma revisão da literatura que tem mais de 10 anos. O trabalho apresentado aqui mostra alguns dos mecanismos que antes eram desconhecidos.

O jejum faz coisas boas ao cérebro, e isso é evidenciado pelas mudanças neuroquímicas benéficas que acontecem no cérebro quando em jejum. Também aumenta a função cognitiva, fatores neurotróficos, resistência ao dano e reduz a inflamação.

O jejum é um desafio para o cérebro, e o cérebro responde a esse desafio adaptando vias de resposta ao dano que ajudam o seu cérebro a lidar com o dano e o risco de doenças. As mesmas mudanças que ocorrem no cérebro durante o jejum imitam as mudanças que ocorrem com exercício regular. Ambas aumentam a produção de fatores neurotróficos que promovem o crescimento de neurônios, a conexão entre eles e a força das sinapses.

“Desafios para o cérebro, seja por jejum intermitente ou exercício vigoroso… é um desafio cognitivo. Quando isso acontece circuitos neurais são ativados, níveis de fatores neurotróficos aumentam, e isso promove o crescimento de neurônios (e) a formação e fortalecimento das sinapses…”


O jejum também pode estimular a produção de novas células nervosas de células tronco no hipocampo. Ele também menciona a produção de cetonas e que isso poderia aumentar o número de mitocôndrias nos neurônios.

O jejum também aumenta o número de mitocôndrias nas células nervosas; isso é um resultado dos neurônios se adaptando ao dano pelo jejum (pela produção de mais mitocôndrias).

Pelo aumento do número de mitocôndrias nos neurônios, a habilidade dos neurônios de formar e manter as conexões entre eles também aumentam, melhorando assim o aprendizado e a memória. 

“O jejum intermitente aumenta a habilidade das células nervosas de reparar DNA.”

Ele também entra no aspecto evolucionário da teoria – como nossos ancestrais adaptaram e foram selecionados para passar longos períodos de tempo sem comer.

Um estudo publicado na revista Cell Stem Cell por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia mostrou que ciclos de jejum prolongado protegem contra danos no sistema imune e, mais ainda, induz a regeneração do sistema imune.

Eles concluíram que o jejum altera as células tronco do estado dormente para o estado de auto-renovação. Ele ativa a regeneração baseada em células tronco de um órgão ou sistema.

Pesquisas clinicas em humanos foram realizadas usando pacientes que recebiam quimioterapia. Por longos períodos de tempo, os pacientes não comiam, o que reduziu as células de defesa. Em camundongos, ciclos de jejum “ligaram a regeneração, mudando as vias de sinalização das células tronco hematopoéticas, que são responsáveis pela geração do sistema sanguíneo e imune.”

Isso significa que o jejum mata as células imunes velhas e danificadas e quando o organismo reinicia ele usa as células tronco para criar células novinhas, completamente saudáveis.

“Nós não poderíamos prever que o jejum prolongado poderia ter um efeito tão impressionante na promoção de regeneração baseada em célula tronco do sistema hematopoético…
Quando você passa fome, o sistema tenta poupar energia, e uma das coisas que você pode fazer para poupar energia é reciclar muitas células imunes que não são necessárias, especialmente aquelas que estão danificadas. Nós começamos a notar em humanos e animais que as células de defesa diminui no jejum prolongado. Quando você é realimentado, as células retornam” – Valter Longo

Uma revisão de vários estudos sobre jejum foi publicada no The American Journal of Clinical Nutrition em 2007. Ela examinou estudos em humanos e animais e determinou que o jejum é uma maneira efetiva de reduzir o risco de doenças cardiovasculares e câncer. Também mostrou potencial em tratar a diabetes.

Antes de jejuar

Antes de começar a jejuar, tenha certeza que fez seu dever de casa. Pessoalmente, eu venho jejuando por anos e é algo fácil para mim.

Uma maneira recomendada de fazer – que foi testada pelo Michael Mosley da BBC para reverter seu diabetes, colesterol alto e outros problemas associados com a obesidade – é a que é conhecida como “dieta 5:2”.

No plano 5:2, você reduz sua comida para um quarto das suas calorias normais nos dias em jejum (que deve ser algo como 600 calorias para homens e 500 calorias para mulheres nas terças e quintas por exemplo), mas consumindo bastante água. Nos outros cinco dias da semana, você come uma dieta normal (no mesmo exemplo, 2400 para homens e 2000 para mulheres nos outros dias).

Outra maneira de fazer é restringir sua alimentação em algum horário específico, como só comer entre as 11 da manhã e 7 da noite e não comer fora desse horário.

Como você pensa sua dieta é, na minha opinião, uma das mais importantes, se não a mais importante parte de estar saudável. Como você pensa sobre o que você está inserindo no seu organismo é importante e eu acredito que isso irá eventualmente ficar firmemente estabelecido na literatura médica não influenciável no futuro.

Aqui está um vídeo em inglês do Dr. Joseph Mercola explicando os benefícios do jejum intermitente. Aqui um artigo que ele escreveu onde ele explica como o jejum pode ajudar você a viver uma vida mais saudável.

Fonte: http://oespacodoconhecimento.com.br/