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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Vacina contra nicotina. Fumar nunca mais?




Cientistas estão fazendo progressos em uma vacina contra nicotina, que poderá fornecer proteção vitalícia contra as propriedades viciantes da droga - O vício em nicotina tem sido objeto de muita discussão em sites como www.ProjectKnow.com, que também enfatizam o quão difícil é deixar o hábito. 

Essa vacina, entretanto, dá aos fumantes em todo o mundo uma esperança; acredita-se que este método poderia ajudar não só aqueles atualmente adictos, mas potencialmente prevenir o vício futuro.

O vício em nicotina ocorre quando a droga atinge o cérebro. Pesquisadores do Weill Cornell Medical College, em Nova York, criaram um anticorpo que destruirá a nicotina imediatamente após sua introdução no sistema. 

O conceito não é novo, o avanço aqui é o fato de que a nova vacina pode ser administrada uma vez e ter efeitos que durem por toda a vida. A nova vacina permite que o fígado produza anticorpos dominantes de nicotina, de forma constante ao longo de sua vida, interrompendo a ação da droga antes que ela tenha chance de ser assimilada por seu sistema. 

No que diz respeito ao seu corpo, a nicotina nunca entrou em seu sistema - o indivíduo vacinado recebe anticorpos que o impedem de sentir prazer ao fumar, já que eles bloqueariam a entrada da nicotina no cérebro.

A vacina provou ser eficaz em ratos e depois disso com primatas, parentes próximos dos seres humanos. Os estudos com ratos mostraram uma produção constante dos anticorpos, uma vez que receberam a vacina. 

Quando administrados tanto a vacina como a nicotina, a freqüência cardíaca manteve-se estável em relação aos camundongos, que ficavam relaxados apenas com nicotina. O plano é obter essa vacina, em uma forma que seja aceita pelo corpo humano, o mais rápido possível.

O Dr. Ronald Crystal, presidente do Genetic Medicine, no Weill Cornell, falou sobre o efeito da vacina: "Eles saberão se começarem a fumar de novo, eles não sentirão prazer, por causa da vacina contra nicotina, e isso pode ajudá-los a deixar de lado o hábito." 

Quanto às futuras aplicações, Crystal declarou: "Assim como os pais decidem dar a seus filhos uma vacina contra o HPV, eles podem decidir usar uma vacina para nicotina. É claro que teremos de pesar nos riscos versus benefícios, e pode levar anos de estudos para se estabelecer esse limite".

A vacina é uma má notícia para as empresas de tabaco, que reunem milhões de pessoas sob as brasas, mas é boa para a humanidade como um todo. Não podemos deixar de nos perguntar se isso poderia futuramente levar a outras vacinas de luta contra dependência. É possível fazer o corpo ou a mente humana pararem de desejar açúcar, cafeína, álcool ou drogas pesadas que arruinam a vida?

Science Translational Medicine

Fonte: Mike Awada | Astounte (tradução livre)


sábado, 30 de agosto de 2014

Curiosidade :: Cigarro um hábito milenar



Tudo indica que os primeiros fumantes foram os índios das Américas. Para alguns pesquisadores, os antigos moradores do nosso continente começaram esse hábito 8 mil anos atrás. Mas o cigarro como o conhecemos, com folhas de tabaco picadas e enroladas em papel, é uma invenção européia. 

Para entender essa história, é preciso voltar ao século 10. Data dessa época o primeiro registro arqueológico do uso de tabaco. Trata-se de um vaso de cerâmica, decorado com a imagem de um grupo de maias tragando folhas enroladas com uma espécie de barbante. 

As estratégias para enrolar as folhas variavam. Os astecas as colocavam dentro de tubos de cana, e outras tribos as envolviam em cascas de milho. Em 1492, Cristóvão Colombo desembarcou na América. Junto com ele veio o navegador espanhol Rodrigo de Xeres. Depois de provar um cachimbo dos índios das Bahamas, ele não ficou um único dia sem fumar. Na volta para casa, levou tabaco na bagagem. 


Logo os europeus criaram outras formas de consumir a folha. Ainda no século 16, surgiram os charutos, que eram caros e restritos aos ricos. Mas os trabalhadores de Sevilha arranjaram um jeito para dar suas tragadas: eles apanharam restos de charutos nas ruas, picaram tudo e enrolaram em papel. Nascia assim o cigarro. 

Passaram-se 300 anos até que ele se popularizasse. Em 1880, 58% dos usuários de tabaco mascavam fumo e só 1% preferia cigarros. A situação começou a mudar em 1881, quando o americano James Bonsack (1859-1924) inventou a máquina de enrolar o produto. Durante a Primeira Guerra, a distribuição nas trincheiras multiplicou o mercado. 

Hoje, 1,1 bilhão de pessoas fumam. Recentemente, vários países europeus (e também alguns estados do Brasil) aprovaram leis que proíbem o consumo de cigarro em lugares públicos.

Leia também: Redução de danos :: Cigarro eletrônico compensa?

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Redução de danos :: Cigarro eletrônico compensa?




Os cigarros eletrônicos, ou e-cigs
Os cigarros eletrônicos, chamados e-cigarretes, e-cigs ou apenas e-ciggy, nao são muito comuns no Brasil porque sua comercialização; bem como sua importação, propaganda, publicidade e promoção - inclusive na internet - é proibida pela ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária). Mas, mesmo assim, não é difícil adquiri-los aqui pela Internet, ou em lojinhas de contrabando do Paraguai.

Segundo dados de fevereiro de 2014, nos Estados Unidos, em menos de dez anos, as vendas do cigarro eletrônico atingiram 1,7 bilhão de dólares, 650 milhões de dólares na Europa. Alguns especialistas chegaram a dizer que o cigarro convencional sairia de circulação, devido ao sucesso de seu sucessor eletrônico.

Os e-cigs foram criados tendo em vista a reducao de danos, como uma opçao menos nociva à saude, para auxiliar os tabagistas que desejam largar o vício nos cigarros tradicionais. Isto pois os cigarros eletrônicos permitem que o fumante controle controle os níveis de nicotina que ingere.

Teoricamente o fumante poderia reduzir gradativamente os níveis de nicotina ingeridos, até chegar a zero. Entretanto um grupo de cientistas da AAPC (Associaçao Americana de Pesquisa para o Câncer) comprovaram recentemente; por meio de testes, expondo células brônquicas ao vapor dos e-cigarretes, que as células pulmonares sofrem alterações num padrao equivalente às daquelas expostas aos cigarros comuns.

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável. Estima-se que, no mundo, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas adultas sejam fumantes. No Brasil, segundo dados de 2008 da Pesquisa Especial de Tabagismo (Petab), do IBGE, 17,5% da população a partir dos 15 anos é fumante, o que equivale a 25,5 milhões de pessoas. 

Esse alto consumo de cigarro provoca 4,9 milhões  de mortes todos os anos, já que o tabagismo está ligado  a 50 tipos de doenças, entre elas câncer de pulmão e de faringe e problemas cardiovasculares. Ao fumar, são introduzidas no organismo mais de 4.700 substâncias tóxicas e pelo menos 69 são potencialmente cancerígenas.

Em carta aberta, mais de 50 pesquisadores e profissionais de saúde estão apelando à Organização Mundial de Saúde (OMS) para que “resista à ânsia de controlar e suprimir o uso de cigarros eletrônicos”.




A carta diz que os aparelhos “podem ser uma “inovação significativa para a saúde”.

Mas instituições ligadas à saúde, entre elas a Faculty of Public Health – a Faculdade de Saúde Pública da Grã-Bretanha – dizem que ainda é cedo demais para sabermos se os benefícios da tecnologia superam os possíveis riscos. A OMS disse que ainda não decidiu que recomendações fazer a governos sobre a questão.

A carta foi divulgada em antecipação a importantes negociações internacionais sobre políticas em relação ao tabaco que devem acontecer neste ano.

Grupos favoráveis ao cigarro eletrônico argumentam que o produto oferece uma opção de baixo risco para fumantes. Eles temem que os aparelhos sejam alvo de controle excessivo e que sejam excluídos de campanhas publicitárias. Na Grã-Bretanha, houve grande crescimento no mercado de cigarros eletrônicos, mas autoridades de saúde no país dizem que eles não são isentos de riscos.

Um relatório encomendado recentemente pela Saúde Pública da Inglaterra disse que cigarros eletrônicos requerem “monitoramento cuidadoso e controle de riscos” para que seus benefícios sejam maximizados. A carta foi assinada por 53 pesquisadores – entre eles, especialistas em políticas de saúde pública e especialistas como Robert West.

West publicou um estudo concluindo que cigarros eletrônicos têm mais probabilidades de ajudar uma pessoa a abandonar o fumo do que alguns métodos convencionais. Outros especialistas que assinam a carta trabalham em pesquisas sobre a ciência do tabaco e a supressão do hábito de fumar.





A carta diz: “Estes produtos podem estar entre as mais significativas inovações para a saúde do século 21 – salvando, talvez, milhões de vidas”.

“Se os reguladores tratarem produtos de nicotina de baixo risco da mesma forma como tratam produtos de nicotina tradicionais (…) estarão, erroneamente, definindo esses produtos como parte do problema”.

“Os reguladores deveriam evitar dar apoio a medidas que poderiam ter o efeito perverso de prolongar o consumo de cigarros”.

“A classificação desses produtos como tabaco nos preocupa bastante e pode trazer mais danos do que benefícios”.

“O potencial de produtos que diminuem os efeitos danosos do tabaco na redução do do fardo de doenças associadas ao fumo é muito grande”.

Os envolvidos na elaboração da carta citam um documento interno da OMS que se refere a cigarros eletrônicos como uma “ameaça (…) que pode resultar em uma nova onda da epidemia de tabaco”.

O tratado da OMS para o controle do tabaco cobre atualmente 178 países e 90% da população.

Cigarros eletrônicos são movidos a bateria e tentam imitar a experiência do fumar convencional. Os usuários inalam vapor de um líquido aquecido que contém uma concentração de nicotina.

West, professor da University College London, disse à BBC que esses produtos deveriam ser “regulamentados de maneira apropriada” e explicou que são muito mais seguros do que os cigarros convencionais. Ele pediu “regulamentação sob medida”, o que incluiria proibição de venda para menores de 18 anos e publicidade direcionada para os que já são fumantes.

Crítica

Um porta-voz da OMS disse que a organização “está trabalhando atualmente nas recomendações sobre regulamentação e marketing de cigarros eletrônicos”.

“Também estamos trabalhando com órgãos nacionais de regulamentação para considerar as opções regulatórias e com especialistas em toxicologia para compreendermos melhor o possível impacto dos cigarros eletrônicos e aparelhos similares sobre a saúde”.

A British Medical Association (Associação Médica Britânica, BMA, na sigla em inglês) pediu que os aparelhos sejam melhor regulamentados na Grã-Bretanha. A diretora da entidade, Vivienne Nathanson, disse à BBC que há evidências de que crianças que nunca fumaram estão começando a usar cigarros eletrônicos, influenciadas por campanhas de marketing.

“Como os cigarros na década de 50 e 60, realmente precisamos ficar atentos a isso e, eu acredito, proibir (a propaganda) para impedir que sejam anunciados de uma forma que atraia as crianças”, acrescentou.

Outro especialista, o professor Martin McKee da London School of Hygiene and Tropical Medicine, disse que seria “prematuro” advogar o uso de cigarros eletrônicos até que sua segurança tenha sido estabelecida.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando os sites:  

A QUÍMICA DO CIGARRO - INFOGRÁFICO