Translate

Mostrando postagens com marcador política de redução de danos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política de redução de danos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Redução de danos :: Cigarro eletrônico compensa?




Os cigarros eletrônicos, ou e-cigs
Os cigarros eletrônicos, chamados e-cigarretes, e-cigs ou apenas e-ciggy, nao são muito comuns no Brasil porque sua comercialização; bem como sua importação, propaganda, publicidade e promoção - inclusive na internet - é proibida pela ANVISA (Agencia Nacional de Vigilância Sanitária). Mas, mesmo assim, não é difícil adquiri-los aqui pela Internet, ou em lojinhas de contrabando do Paraguai.

Segundo dados de fevereiro de 2014, nos Estados Unidos, em menos de dez anos, as vendas do cigarro eletrônico atingiram 1,7 bilhão de dólares, 650 milhões de dólares na Europa. Alguns especialistas chegaram a dizer que o cigarro convencional sairia de circulação, devido ao sucesso de seu sucessor eletrônico.

Os e-cigs foram criados tendo em vista a reducao de danos, como uma opçao menos nociva à saude, para auxiliar os tabagistas que desejam largar o vício nos cigarros tradicionais. Isto pois os cigarros eletrônicos permitem que o fumante controle controle os níveis de nicotina que ingere.

Teoricamente o fumante poderia reduzir gradativamente os níveis de nicotina ingeridos, até chegar a zero. Entretanto um grupo de cientistas da AAPC (Associaçao Americana de Pesquisa para o Câncer) comprovaram recentemente; por meio de testes, expondo células brônquicas ao vapor dos e-cigarretes, que as células pulmonares sofrem alterações num padrao equivalente às daquelas expostas aos cigarros comuns.

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável. Estima-se que, no mundo, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas adultas sejam fumantes. No Brasil, segundo dados de 2008 da Pesquisa Especial de Tabagismo (Petab), do IBGE, 17,5% da população a partir dos 15 anos é fumante, o que equivale a 25,5 milhões de pessoas. 

Esse alto consumo de cigarro provoca 4,9 milhões  de mortes todos os anos, já que o tabagismo está ligado  a 50 tipos de doenças, entre elas câncer de pulmão e de faringe e problemas cardiovasculares. Ao fumar, são introduzidas no organismo mais de 4.700 substâncias tóxicas e pelo menos 69 são potencialmente cancerígenas.

Em carta aberta, mais de 50 pesquisadores e profissionais de saúde estão apelando à Organização Mundial de Saúde (OMS) para que “resista à ânsia de controlar e suprimir o uso de cigarros eletrônicos”.




A carta diz que os aparelhos “podem ser uma “inovação significativa para a saúde”.

Mas instituições ligadas à saúde, entre elas a Faculty of Public Health – a Faculdade de Saúde Pública da Grã-Bretanha – dizem que ainda é cedo demais para sabermos se os benefícios da tecnologia superam os possíveis riscos. A OMS disse que ainda não decidiu que recomendações fazer a governos sobre a questão.

A carta foi divulgada em antecipação a importantes negociações internacionais sobre políticas em relação ao tabaco que devem acontecer neste ano.

Grupos favoráveis ao cigarro eletrônico argumentam que o produto oferece uma opção de baixo risco para fumantes. Eles temem que os aparelhos sejam alvo de controle excessivo e que sejam excluídos de campanhas publicitárias. Na Grã-Bretanha, houve grande crescimento no mercado de cigarros eletrônicos, mas autoridades de saúde no país dizem que eles não são isentos de riscos.

Um relatório encomendado recentemente pela Saúde Pública da Inglaterra disse que cigarros eletrônicos requerem “monitoramento cuidadoso e controle de riscos” para que seus benefícios sejam maximizados. A carta foi assinada por 53 pesquisadores – entre eles, especialistas em políticas de saúde pública e especialistas como Robert West.

West publicou um estudo concluindo que cigarros eletrônicos têm mais probabilidades de ajudar uma pessoa a abandonar o fumo do que alguns métodos convencionais. Outros especialistas que assinam a carta trabalham em pesquisas sobre a ciência do tabaco e a supressão do hábito de fumar.





A carta diz: “Estes produtos podem estar entre as mais significativas inovações para a saúde do século 21 – salvando, talvez, milhões de vidas”.

“Se os reguladores tratarem produtos de nicotina de baixo risco da mesma forma como tratam produtos de nicotina tradicionais (…) estarão, erroneamente, definindo esses produtos como parte do problema”.

“Os reguladores deveriam evitar dar apoio a medidas que poderiam ter o efeito perverso de prolongar o consumo de cigarros”.

“A classificação desses produtos como tabaco nos preocupa bastante e pode trazer mais danos do que benefícios”.

“O potencial de produtos que diminuem os efeitos danosos do tabaco na redução do do fardo de doenças associadas ao fumo é muito grande”.

Os envolvidos na elaboração da carta citam um documento interno da OMS que se refere a cigarros eletrônicos como uma “ameaça (…) que pode resultar em uma nova onda da epidemia de tabaco”.

O tratado da OMS para o controle do tabaco cobre atualmente 178 países e 90% da população.

Cigarros eletrônicos são movidos a bateria e tentam imitar a experiência do fumar convencional. Os usuários inalam vapor de um líquido aquecido que contém uma concentração de nicotina.

West, professor da University College London, disse à BBC que esses produtos deveriam ser “regulamentados de maneira apropriada” e explicou que são muito mais seguros do que os cigarros convencionais. Ele pediu “regulamentação sob medida”, o que incluiria proibição de venda para menores de 18 anos e publicidade direcionada para os que já são fumantes.

Crítica

Um porta-voz da OMS disse que a organização “está trabalhando atualmente nas recomendações sobre regulamentação e marketing de cigarros eletrônicos”.

“Também estamos trabalhando com órgãos nacionais de regulamentação para considerar as opções regulatórias e com especialistas em toxicologia para compreendermos melhor o possível impacto dos cigarros eletrônicos e aparelhos similares sobre a saúde”.

A British Medical Association (Associação Médica Britânica, BMA, na sigla em inglês) pediu que os aparelhos sejam melhor regulamentados na Grã-Bretanha. A diretora da entidade, Vivienne Nathanson, disse à BBC que há evidências de que crianças que nunca fumaram estão começando a usar cigarros eletrônicos, influenciadas por campanhas de marketing.

“Como os cigarros na década de 50 e 60, realmente precisamos ficar atentos a isso e, eu acredito, proibir (a propaganda) para impedir que sejam anunciados de uma forma que atraia as crianças”, acrescentou.

Outro especialista, o professor Martin McKee da London School of Hygiene and Tropical Medicine, disse que seria “prematuro” advogar o uso de cigarros eletrônicos até que sua segurança tenha sido estabelecida.

Informações parciais. Confira o texto na íntegra, acessando os sites:  

A QUÍMICA DO CIGARRO - INFOGRÁFICO

terça-feira, 22 de abril de 2014

Drogas :: Não, a Maconha não vai apodrecer seu cérebro!




THE DAILY BEAST - 17/04/2014
Por Maia Szalavitz, jornalista especializada em neurociências


Por toda a Internet, as manchetes estão vociferando que maconha prejudica o cérebro. Mas o novo estudo, publicado no Journal of Neuroscience, não prova que o uso ocasional de maconha é ruim para o cérebro.

Para entender por que, tudo o que você precisa fazer é realmente ler a pesquisa e ser capaz de pensar criticamente. Você não precisa saber nada especial sobre fMRI ou quaisquer outras siglas assustadoras, e você não precisa ser um conhecedor das estruturas cerebrais. Você nem precisa entender todas as estatísticas.

Aqui está o primeiro grande problema. Os 20 usuários de maconha participantes, que usaram a droga pelo menos uma vez por semana, foram propositalmente escolhidos por ser saudáveis. Os que apresentaram algum problema relacionado à maconha ou problemas psiquiátricos ou outras questões foram excluídos do estudo.

Você está começando a ver o que está errado? Embora os participantes usuários de maconha tenham mostrado diferenças cerebrais, em comparação com os controles, não usuários, ambos os grupos apresentaram-se normais! Em primeiro lugar, se usuários apresentaram quaisquer problemas relacionados à maconha ou qualquer outro tipo de deficiência, eles não foram incluídos na pesquisa. Portanto, o cérebro diferente que os pesquisadores descobriram foi, por definição, não associado a problemas cognitivos, emocionais, mentais ou outros problemas.

"Estou desapontado que os cientistas ainda são capazes de publicar artigos de alto nível que só olham para neuroimagem, sem uma discussão sobre o comportamento", diz Carl Hart, professor associado de psicologia na Universidade de Columbia, que não participou da pesquisa. Hart lembra sobre as diferenças cerebrais naturalmente encontradas entre os sexos. "Há diferenças estruturais entre homens e mulheres em determinadas áreas", diz ele, mas elas não preveem diferenças na capacidade. "Nós não dizemos que isso significa que as mulheres são prejudicadas", acrescenta.

Os autores afirmam que as diferenças que eles viram poderiam significar que estes participantes estão em risco de futuros problemas, mas sabemos que 35 por cento dos jovens adultos entre 18 e 20 anos fumaram maconha no ano passado, com um total de 1 em cada 5 tendo fumado pelo menos uma vez no mês passado.


Uma vez que eles atinjam 26 anos de idade, no entanto, menos de 1 por cento têm problemas sérios com a maconha, suficientes para serem classificados como dependência. O que isto significa é que as mudanças cerebrais, seja qual forem, são vistas em usuários casuais, mas elas não significam dependência, caso contrário, todos os usuários casuais se tornariam viciados, ou pelo menos, uma proporção muito maior do que realmente acontece. 

Nós já tivemos várias gerações de adultos norte-americanos que sobreviveram a taxas muito mais altas de uso de maconha do que vemos agora sem encontrar uma grande epidemia de comprometimento cognitivo, esquizofrenia ou falta de motivação.

Infelizmente, este não é o único problema do estudo. "Somente o uso casual parece criar mudanças no cérebro em áreas que você não gostaria de ver alteração", disse o autor, Hans Breiter, professor de psiquiatria da Northwestern Feinberg School of Medicine. Mas note que Breiter diz "parece criar," em vez de "cria". 

Isso porque este tipo de estudo não pode determinar causa e efeito: ao mesmo tempo que mostrou que os usuários mais pesados pareciam apresentar mudanças mais extremas do que o usuários mais leves, isso não prova que doses mais elevadas causam maiores alterações cerebrais. Isso porque as diferenças pré-existentes no cérebro das pessoas pode levá-los a usar mais ou menos a maconha e os exames podem estar simplesmente detectando essas diferenças.

Será que isso implica que a maconha é completamente benigna e todos devem fumar o dia todo, todos os dias? Claro que não! Mas o que isso significa é que, à medida que consideramos mudanças políticas como a legalização, precisamos de uma imprensa muito mais cética e inteligente. A maconha em si pode ou não prejudicar a cognição, mas discussões superficiais sobre políticas de maconha, claramente, prejudicam a cognição, de uma forma que é prejudicial para a nossa saúde política.

The Daily Breast: http://www.thedailybeast.com/articles/2014/04/17/no-weed-won-t-rot-your-brain.html

Artigo científico: http://jn.sfn.org/press/April-16-2014-Issue/zns01614005529.pdf

segunda-feira, 24 de março de 2014

Regulamentação da maconha



Para deputado, “guerra às drogas” é um fracasso que apenas criminaliza jovens da periferia. “Parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”, acredita
Por Redação da Revista Fórum

O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) protocolou na tarde hoje (19) o projeto de lei 7270/2014 que visa regulamentar o plantio, o uso recreativo e a comercialização da maconha em todo o território brasileiro. Wyllys afirma que o “parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”.

Na defesa de seu projeto, Wyllys questiona a “legislação que proíbe a maconha e as outras drogas de um lado e, por outro lado, todo um sistema de produção e comercialização que funciona, sem qualquer impedimento, no mundo real”. O parlamentar também argumentou que quase sempre quem morre na mão da polícia ou de uma facção rival são “os pobres, favelados e na maioria dos casos, jovens negros” e que, logo depois que morrem, são substituídos e o comércio ilegal continua.

Jean Wyllys também declarou que é necessário haver um controle sobre a qualidade da substância comercializada. “Ninguém sabe a composição da droga que é vendida, sua qualidade não passa por qualquer tipo de fiscalização nem precisa se adequar a nenhuma norma, o consumidor não recebe qualquer tipo de informação relevante para a sua saúde e segurança, diversos processos de industrialização (como o prensado de maconha para fumo com amônia, altamente tóxica) são realizados sem qualquer fiscalização. Não há restrições à venda que impeçam o acesso dos menores de idade a esse comércio ilegal — seja como compradores, seja como vendedores ou ‘soldados’ do tráfico. Está tudo errado!”, criticou.

Wyllys reconheceu que o projeto é polêmico, mas disse esperar que a partir do seu PL seja realizado um debate nacional e declarou que o “Brasil precisa mudar”. Além da Câmara dos Deputados, no Senado também corre uma iniciativa que está sob relatoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que vai realizar uma série de audiências públicas podendo, posteriormente, construir um projeto de lei sobre o assunto.

Para conhecer o projeto de lei sobre a regulamentação e comercialização da maconha no Brasil, do deputado Jean Wyllys, clique aqui.

CC 3.0, exceto quando especificado ou para conteúdos reproduzidos de terceiros. O crédito à Portal Fórum é obrigatório. Por Bryan.com.br