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terça-feira, 22 de abril de 2014

Drogas :: Não, a Maconha não vai apodrecer seu cérebro!




THE DAILY BEAST - 17/04/2014
Por Maia Szalavitz, jornalista especializada em neurociências


Por toda a Internet, as manchetes estão vociferando que maconha prejudica o cérebro. Mas o novo estudo, publicado no Journal of Neuroscience, não prova que o uso ocasional de maconha é ruim para o cérebro.

Para entender por que, tudo o que você precisa fazer é realmente ler a pesquisa e ser capaz de pensar criticamente. Você não precisa saber nada especial sobre fMRI ou quaisquer outras siglas assustadoras, e você não precisa ser um conhecedor das estruturas cerebrais. Você nem precisa entender todas as estatísticas.

Aqui está o primeiro grande problema. Os 20 usuários de maconha participantes, que usaram a droga pelo menos uma vez por semana, foram propositalmente escolhidos por ser saudáveis. Os que apresentaram algum problema relacionado à maconha ou problemas psiquiátricos ou outras questões foram excluídos do estudo.

Você está começando a ver o que está errado? Embora os participantes usuários de maconha tenham mostrado diferenças cerebrais, em comparação com os controles, não usuários, ambos os grupos apresentaram-se normais! Em primeiro lugar, se usuários apresentaram quaisquer problemas relacionados à maconha ou qualquer outro tipo de deficiência, eles não foram incluídos na pesquisa. Portanto, o cérebro diferente que os pesquisadores descobriram foi, por definição, não associado a problemas cognitivos, emocionais, mentais ou outros problemas.

"Estou desapontado que os cientistas ainda são capazes de publicar artigos de alto nível que só olham para neuroimagem, sem uma discussão sobre o comportamento", diz Carl Hart, professor associado de psicologia na Universidade de Columbia, que não participou da pesquisa. Hart lembra sobre as diferenças cerebrais naturalmente encontradas entre os sexos. "Há diferenças estruturais entre homens e mulheres em determinadas áreas", diz ele, mas elas não preveem diferenças na capacidade. "Nós não dizemos que isso significa que as mulheres são prejudicadas", acrescenta.

Os autores afirmam que as diferenças que eles viram poderiam significar que estes participantes estão em risco de futuros problemas, mas sabemos que 35 por cento dos jovens adultos entre 18 e 20 anos fumaram maconha no ano passado, com um total de 1 em cada 5 tendo fumado pelo menos uma vez no mês passado.


Uma vez que eles atinjam 26 anos de idade, no entanto, menos de 1 por cento têm problemas sérios com a maconha, suficientes para serem classificados como dependência. O que isto significa é que as mudanças cerebrais, seja qual forem, são vistas em usuários casuais, mas elas não significam dependência, caso contrário, todos os usuários casuais se tornariam viciados, ou pelo menos, uma proporção muito maior do que realmente acontece. 

Nós já tivemos várias gerações de adultos norte-americanos que sobreviveram a taxas muito mais altas de uso de maconha do que vemos agora sem encontrar uma grande epidemia de comprometimento cognitivo, esquizofrenia ou falta de motivação.

Infelizmente, este não é o único problema do estudo. "Somente o uso casual parece criar mudanças no cérebro em áreas que você não gostaria de ver alteração", disse o autor, Hans Breiter, professor de psiquiatria da Northwestern Feinberg School of Medicine. Mas note que Breiter diz "parece criar," em vez de "cria". 

Isso porque este tipo de estudo não pode determinar causa e efeito: ao mesmo tempo que mostrou que os usuários mais pesados pareciam apresentar mudanças mais extremas do que o usuários mais leves, isso não prova que doses mais elevadas causam maiores alterações cerebrais. Isso porque as diferenças pré-existentes no cérebro das pessoas pode levá-los a usar mais ou menos a maconha e os exames podem estar simplesmente detectando essas diferenças.

Será que isso implica que a maconha é completamente benigna e todos devem fumar o dia todo, todos os dias? Claro que não! Mas o que isso significa é que, à medida que consideramos mudanças políticas como a legalização, precisamos de uma imprensa muito mais cética e inteligente. A maconha em si pode ou não prejudicar a cognição, mas discussões superficiais sobre políticas de maconha, claramente, prejudicam a cognição, de uma forma que é prejudicial para a nossa saúde política.

The Daily Breast: http://www.thedailybeast.com/articles/2014/04/17/no-weed-won-t-rot-your-brain.html

Artigo científico: http://jn.sfn.org/press/April-16-2014-Issue/zns01614005529.pdf

segunda-feira, 31 de março de 2014

Descriminalização e legalização da maconha corre o mundo



Legalização da maconha ganha impulso no mundo
AP  - 17/02/2014

MONTEVIDÉU - Em uma antiga mansão colonial na Jamaica, políticos analisam leis com menos restrições sobre o uso da maconha na terra de Bob Marley. No Marrocos, um dos maiores produtores de haxixe do mundo, dois importantes partidos políticos pensam em legalizar o cultivo da planta, pelo menos para fins médico e industrial.
Na Argentina, o chefe da agência que combate o tráfico de drogas, um padre católico que serviu muito tempo em bairros pobres, onde as drogas causam grandes estragos, pediu um debate público sobre a regulamentação da maconha.

Das Américas à Europa, ao Norte da África e além, a legalização da maconha vem sendo discutida. Principalmente depois que o Uruguai fez História como o primeiro país a legalizar a cannabis, em dezembro, seguido pelos estados de Colorado e Washington, nos Estados Unidos.

Cansados da violência associada ao tráfico de drogas e da ineficácia de práticas repressivas, os políticos estão animados com o incentivo, em sua maioria nos Estados Unidos, apesar da oposição dos conservadores. Alguns estão dispostos a testar políticas baseadas na saúde pública e não insistir na proibição, e há aqueles que vislumbram um setor potencialmente lucrativo na regulação da Cannabis.

- Vários países estão dizendo “isso nos desperta curiosidade, mas não acredito que podemos seguir esse caminho” - disse Sam Kamin, professor de Direito da Universidade de Denver, que ajudou a elaborar os regulamentos sobre a maconha no Colorado. - Aos Estados Unidos vai custar dizer “não podem legalizar, não podem descriminalizar”, porque isso está acontecendo aqui.

Os Estados Unidos, que muitas vezes condicionam a assistência a outros países para o progresso na luta contra o narcotráfico, estão sendo mais abertos a outras alternativas para essa luta.

O próprio presidente dos EUA, Barack Obama, disse recentemente à revista “The New Yorker“ que considera a maconha menos perigosa do que o álcool, e que é importante que sigam adiante com os experimentos com a legalização dos estados de Washington e Colorado, especialmente porque os negros são presos em maior proporção do que os brancos, mesmo que o nível de consumo seja semelhante.

Seu governo criticou as taxas de prisão por delitos relacionados com as drogas nos Estados Unidos e obrigou bancos a aceitarem o dinheiro de lojas quem vendem a maconha.

Estas medidas refletem o quanto mudou a posição do governo dos EUA nos últimos anos. Em 2009, o Departamento de Justiça disse que não iria perseguir as pessoas que usavam a maconha para fins medicinais. Em agosto, a agência disse que não iria mais interferir nas leis do Colorado e de Washington que regulam o cultivo e a venda de maconha para uso recreativo, mediante ao pagamento de impostos.

Funcionários do governo e ativistas de todo o mundo estão de olho e não deixam passar despercebido o silêncio do governo dos EUA diante as mudanças nesses dois estados e no Uruguai.

Existe “um sentimento de que os EUA não estão mais tão obcecados com a guerra contra as drogas como no passado” e que outras nações têm espaço de manobra para explorar outras alternativas, segundo Ethan Nadelmann, diretor da organização sem fins lucrativos "Drug Policy Alliance", com sede em Nova York.


O medo de retaliação dos EUA frustrou as reformas na Jamaica, incluindo uma campanha em 2001 para aprovar o consumo privado de maconha por adultos. Mas "as coisas mudaram", expressou Delano Seiveright, diretor da "Ganja Law Redorm Coalition-Jamaica".

No ano passado, um comitê legislativo jamaicano se reuniu com organizações a favor do consumo de maconha, em um hotel em Kingston, e discutiram os próximos passos, incluindo uma iniciativa de curto prazo para descriminalizar o porte de drogas.

Políticos influentes estão cada vez mais receptivos à ideia de limitar as restrições sobre o consumo da maconha. O ministro da Saúde disse que estava "totalmente a favor" de seu uso para fins medicinais.

Incentivados pelos experimentos do Uruguai, Washington e Colorado, legisladores de Marrocos aumentam a pressão para permitir o uso da maconha para fins médicos e industriais. Eles dizem que isso iria ajudar os pequenos agricultores, que vivem de seu cultivo, mas são obrigados a vender a planta para traficantes de drogas, sempre expostos às campanhas de erradicação.

Em outubro, legisladores do Uruguai, México e Canadá se reuniram no Colorado para ver de perto como o estado está tratando o tema. Eles visitaram um dispensário de maconha para fins medicinais e cheiraram plantas de maconha com códigos de barras, enquanto o proprietário do local acompanhava a visita.

- No México, existem espaços como este, mas patrocinados por homens armados - disse o legislador mexicano René Fujiwara Montelongo.

Não há pressão generalizada para que se legalize a maconha no México, onde dezenas de milhares de pessoas morreram em decorrência da violência do narcotráfico. Mas na Cidade do México, que é mais liberal, a ideia é suavizar ainda mais as leis, aumentando a quantidade de maconha que uma pessoa pode ter em sua posse para uso pessoal, permitindo que seja possível cultivar até três plantas e que os consumidores possam frequentar clubes para fumantes.

Os opositores, porém, temem que a legalização aumente o uso de drogas entre os jovens.

Vinte estados dos EUA permitem a maconha para fins medicinais e vários discutem a possibilidade de permitir o uso recreativo.

Alguns países europeus, como Espanha, Bélgica e República Tcheca liberaram as leis sobre a maconha, mas a Holanda, famosa por seus cafés onde é possível usar a droga, recuou e começou a fechar esses estabelecimentos que funcionam perto de escolas e proibir a venda da droga a turistas.

No entanto, existe uma campanha para legalizar o cultivo de Cannabis. Lá, é legal vender maconha, mas como não é legal cultivá-la, esses locais precisam recorrer ao mercado negro.

Na América Latina e no Caribe, onde alguns países descriminalizaram a posse de pequenas quantidades de drogas, da maconha à cocaína, há uma grande oposição à legalização.

Presidentes em exercício e ex-presidentes da Colômbia, México, Guatemala e Brasil pedem uma revisão ou até mesmo o fim da guerra contra o narcotráfico. O padre católico Juan Carlos Molina, que lidera a luta contra o tráfico de drogas na Argentina, diz que está seguindo a ordem da presidente Cristina Kirchner de mudar o foco e se concentrar no tratamento e não na repressão. Argentina também disse que está pronta para discutir abertamente sobre a possibilidade de legalização da maconha.

- Acredito que a Argentina mereça uma boa discussão sobre este tema. Nós somos capazes de fazê-lo. É uma questão fundamental para o país - disse Molina em entrevista à Rádio del Plata.

Fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/legalizacao-da-maconha-ganha-impulso-no-mundo-11619154#ixzz2xUzxjQg9


segunda-feira, 24 de março de 2014

Regulamentação da maconha



Para deputado, “guerra às drogas” é um fracasso que apenas criminaliza jovens da periferia. “Parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”, acredita
Por Redação da Revista Fórum

O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) protocolou na tarde hoje (19) o projeto de lei 7270/2014 que visa regulamentar o plantio, o uso recreativo e a comercialização da maconha em todo o território brasileiro. Wyllys afirma que o “parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”.

Na defesa de seu projeto, Wyllys questiona a “legislação que proíbe a maconha e as outras drogas de um lado e, por outro lado, todo um sistema de produção e comercialização que funciona, sem qualquer impedimento, no mundo real”. O parlamentar também argumentou que quase sempre quem morre na mão da polícia ou de uma facção rival são “os pobres, favelados e na maioria dos casos, jovens negros” e que, logo depois que morrem, são substituídos e o comércio ilegal continua.

Jean Wyllys também declarou que é necessário haver um controle sobre a qualidade da substância comercializada. “Ninguém sabe a composição da droga que é vendida, sua qualidade não passa por qualquer tipo de fiscalização nem precisa se adequar a nenhuma norma, o consumidor não recebe qualquer tipo de informação relevante para a sua saúde e segurança, diversos processos de industrialização (como o prensado de maconha para fumo com amônia, altamente tóxica) são realizados sem qualquer fiscalização. Não há restrições à venda que impeçam o acesso dos menores de idade a esse comércio ilegal — seja como compradores, seja como vendedores ou ‘soldados’ do tráfico. Está tudo errado!”, criticou.

Wyllys reconheceu que o projeto é polêmico, mas disse esperar que a partir do seu PL seja realizado um debate nacional e declarou que o “Brasil precisa mudar”. Além da Câmara dos Deputados, no Senado também corre uma iniciativa que está sob relatoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que vai realizar uma série de audiências públicas podendo, posteriormente, construir um projeto de lei sobre o assunto.

Para conhecer o projeto de lei sobre a regulamentação e comercialização da maconha no Brasil, do deputado Jean Wyllys, clique aqui.

CC 3.0, exceto quando especificado ou para conteúdos reproduzidos de terceiros. O crédito à Portal Fórum é obrigatório. Por Bryan.com.br


quarta-feira, 5 de março de 2014

Maconha do Urugai alimentará laboratórios multinacionais

Laboratórios estrangeiros interessados na maconha uruguaia

Empresários canadenses entraram em contato com políticos do país



Laboratórios estrangeiros consultaram o governo uruguaio sobre a futura produção de maconha no país, após a regulamentação em dezembro do mercado da droga, interessados na compra da planta para fins medicinais, informou a imprensa local.

Empresários canadenses entraram em contato com políticos uruguaios e organizações sociais para apresentar seus projetos de compra de cannabis, enquanto a JND (Junta Nacional das Drogas) mantém contato com laboratórios de Israel e do Chile, segundo informações do jornal El Observador.

"É verdade que nos consultaram para se instalarem no Uruguai, o que implica um grande desafio", declarou o secretário da presidência, Diego Cánepa, ao jornal, confirmando o interesse internacional.

"Apesar de este não ser o objetivo da lei, o Uruguai pode vir a ser um polo de biotecnologia. É uma área de inúmeras competências, mas que não tem sido desenvolvida", acrescentou.

 O Uruguai se tornou em dezembro o primeiro país a aprovar o controle do mercado da maconha e seus derivados, um inédito projeto promovido pelo presidente José Mujica.

Segundo a lei, os maiores de 18 anos podem cultivar a droga, consumi-la em clubes e comprá-la em farmácias, em todos os casos com limite e registro prévio do Estado.

Embora a lei já tenha entrado em vigor, o Poder Executivo trabalha em sua regulamentação para traçar todos os mecanismos necessários para a aplicação da lei.

Cánepa destacou que "até há um tempo pensava-se que a maconha medicinal só era utilizada como analgésico, mas agora há estudos sobre alguns de seus derivados que podem ser medicamentos", o que incentiva o aumento das pesquisas sobre as propriedades medicinais da planta.

A Junta Nacional das Drogas estima que em setembro a primeira leva de produção entrará no mercado.