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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Psicologia, espiritualidade e ciência da religião: Phillipe Bandeira de Mello compartilha cinco décadas de pesquisa

Discípulo de Nise da Silveira, psicólogo carioca integra Psicologia Junguiana, terapias integrativas, estudos da religião e pesquisas sobre estados ampliados de consciência

Há mais de meio século se dedicando ao estudo da mente humana, da ciência da religião e dos estados ampliados de consciência, o psicólogo carioca Phillipe Bandeira de Mello consolidou trajetória singular ao integrar a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung às terapias integrativas, às pesquisas sobre espiritualidade e ao estudo de substâncias psicodélicas. Discípulo da psiquiatra Nise da Silveira, referência mundial na humanização do tratamento em saúde mental, ele continua desenvolvendo pesquisas, cursos e atividades voltadas à compreensão da psiquê e da consciência humana.

Em entrevista exclusiva ao blog, Phillipe apresentou alguns dos projetos que mobilizam sua atuação profissional no momento. Entre eles estão pesquisas envolvendo terapias assistidas por psicodélicos, terapia regressiva e estudos sobre experiências de vida passada, além do trabalho desenvolvido em uma comunidade espiritual de caráter multirreligioso, integrando práticas espirituais de diversas religiões.

Pesquisa e novas abordagens terapêuticas

Segundo o psicólogo, uma das áreas que mais têm despertado interesse atualmente é o avanço das terapias assistidas por psicodélicos, tema que vem sendo objeto de pesquisas científicas em diversos países.

"Faço parte dos quatro grupos. Hoje tem a terapia assistida por psicodélicos, que é uma das coisas. Eu trabalho com terapia regressiva, terapia de vida passada. A gente tem uma casa de ayahuasca bem revolucionária, multirreligiosa, com uma parte de Umbanda, mas muitas outras dimensões de estudos."

De acordo com Phillipe Bandeira de Mello, sua proposta reúne conhecimentos da psicologia, da espiritualidade e da ciência da religião em um ambiente aberto ao diálogo entre diferentes tradições religiosas e terapêuticas.

Novo livro em preparação

Durante a entrevista, o pesquisador revelou ainda que participa de um novo livro organizado pela Associação de Psicodélicos do Brasil, reunindo terapeutas e pesquisadores brasileiros da área.

"Isso - o trabalho - vai se transformar em livro, que vai ser publicado pela Associação de Psicodélicos do Brasil. Tem um artigo de vários terapeutas e pesquisadores, e tem um artigo meu nesse livro novo."

A publicação deverá apresentar diferentes perspectivas sobre o uso terapêutico de substâncias psicodélicas, tema que vem ganhando espaço no debate científico internacional. Phillipe já possui vários trabalhos de sucesso publicados em livros disponíveis tanto em formato físico quanto digital.

Integração entre ciência e espiritualidade

Ao longo de sua carreira, Phillipe Bandeira de Mello desenvolveu uma abordagem interdisciplinar que aproxima Psicologia Junguiana, psicologia transpessoal, terapias integrativas e ciência da religião. Além da atuação clínica, ministra cursos, palestras e formações voltadas a profissionais da saúde, terapeutas e pesquisadores interessados nos processos simbólicos da consciência.

Seu trabalho procura estabelecer pontes entre conhecimento científico, experiências subjetivas e tradições espirituais, mantendo o foco na ampliação da compreensão sobre a mente humana e seus potenciais de transformação.

Psicodélicos, os enteógenos

Phillipe explica sobre os psicodélicos, ou enteógenos, substâncias psicoativas de origem vegetal que quando usadas em microdoses podem servir como antidepressivo, além de outras finalidades para o tratamento da psiquê humana.

"E os psicodélicos estão entrando também no SUS, a terapia psicodélica, só que estão estudando como é que faz, porque a pessoa tem que ter uma boa qualificação para fazer esse tipo de trabalho, a terapia assistida por psicodélicos, tem isso também. Eu acho muito interessante as minidoses, como tem para esse projeto, está no meu livro lá desde mais de 20 anos atrás, a ideia de, porque as drogas psiquiátricas têm muitos efeitos colaterais, então uma investigação do uso dos enteógenos, que são essas plantas de origem milenar, usadas por seres humanos há muitos milênios, e que são assim, muito superiores e bem mais inócuos, em relação ao ser humano, aí você tem, disso aí você tem as minidoses dos cogumelos, tem o canabidiol, e tem um gel de ayahuasca também, que tem o nosso irmão que faz o nosso daime. O nosso ayahuasca, que ele prepara, é uma medicina muito interessante, um pouquinho, uma colherinha e já funciona como antidepressivo, como estabilizador do humor, várias coisas, ansiolítico, é isso, graças a Deus, então o Brasil está primeiro mundo aí nessa, na aplicação, no uso desses enteógenos - como a gente chama, eu tenho livro publicado, e isso eu proponho, tinha proposto isso há quase 30 anos atrás."

Apoie o autor — contribua via PIX: 

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E-mail: ronaldstresser@outlook.com.br


segunda-feira, 31 de julho de 2017

LSD no tratamento do Alcoolismo



O LSD pode ser Utilizado no Combate ao Alcoolismo

O ácido lisérgico (LSD), um dos mais potentes alucinógenos conhecidos, pode ser usado no tratamento de dependentes de álcool, sugere artigo publicado no Journal of Psychopharmacology

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega analisaram os resultados de seis estudos feitos nos anos 60 e 70 com pessoas que tomaram o alucinógeno enquanto tentavam se manter abstinentes da bebida. 

Um dos estudos relatados mostrou que o índice de abstinência foi de 59% entre as pessoas que ingeriram LSD, contra 38% no grupo de controle. Em outro, os que receberam a dose da droga psicodélica revelaram 15% mais chances de se manter sóbrios seis meses depois do tratamento.

Segundo os autores do artigo, os neurocientistas Pål-Orjan Johansen e Teri Krebs, as alterações sensoriais e as diferentes percepções psíquicas desencadeadas pelo alucinógeno parecem ajudar as pessoas a ver a si mesmas e a seus problemas de diferentes perspectivas. 

Assim, sugerem Johansen e Teri, o LSD pode agir como uma espécie de catalisador químico do “momento da clareza”, como denominam com base nos relatos de pacientes em tratamento. Os pesquisadores, porém, são enfáticos ao afirmar que o estudo explora apenas o potencial do LSD como estratégia de redução de danos no caso da dependência de álcool. 

O uso recreativo da droga pode causar dependência psicológica e desencadear surtos psicóticos. Os resultados, porém, reforçam outras pesquisas que apontam o potencial de uso terapêutico dos alucinógenos.

Recentemente, por exemplo, comprovou-se que a metilenodioximetanfetamina (MDMA), psicoativo do ecstasy, pode atenuar sintomas de transtorno de estresse pós-traumático e que a psilocibina, substância encontrada em cogumelos alucinógenos, pode aliviar a ansiedade e a dor em pacientes com câncer terminal. 

As principais dificuldades para estudar as drogas psicodélicas, afirmam os autores do artigo, ainda são a resistência de universidades e da indústria farmacêutica em financiar esse tipo de pesquisa e a burocracia para obter as drogas de forma legal.

Fonte: Mente e Cérebro / Psicologado


Dr. Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes da Unifesp, explica como políticas radicais de combate às droga pode prejudicar cientistas no estudo de substâncias alucinógenas, como o LSD, e seu uso no tratamento terapêutico de doenças. 

Xavier acredita que estudar essas substância não é fazer apologia às drogas e explora também as dificuldades que o dependente químico enfrenta para deixar o vício:


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Croácia libera maconha para fins medicinais




A Croácia é o mais novo país a legalizar o uso de maconha para fins medicinais para pacientes que sofrem de doenças como câncer, esclerose múltipla ou Aids. A planta não é usada contra as doenças em si, mas para aliviar dores e efeitos colaterais de medicamentos utilizados no combate das doenças.

A legalização passou a valer nesta quinta-feira, mas até o momento nenhum remédio contendo elementos da planta estavam registrados no país, mas oito empresas farmacêuticas devem ser registradas para a manipulação dos elementos. Os pacientes estão liberados para receber até 750 miligramas de Tetraidrocanabinol (THC) por mês.

A nova lei, no entanto, não afeta os demais usos da substância. O plantio e cultivo doméstico da planta, por exemplo, permanecem ilegais.

O país, que é o mais jovem membro da União Europeia, contou com meses de debates e campanhas educativas até que a legalização se tornasse possível.

Fonte: Brasilpost