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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Reality?




A mídia de massa tenta implantar rituais consumistas em sua mente, liberte-se desses rituais. Os rituais criados pelos meios de comunicação, seja Ídolos ou Campeonatos de Futebol, são criados com a intenção de subverter a resistência.

Os reality shows são criados com a intenção de absorver a ansiedade do povo explorado. Reality shows de televisão, como Survivor e Big Brother, são criados com a intenção de criar uma falsa e suspeita comunidade. 

São espetáculos midiáticos desprezíveis, que ensinam as pessoas a desconfiar de seus concidadãos para ganhar prêmios e dinheiro.

O Big Brother é um dispositivo perverso, concebido para preencher os corações das pessoas com medo e paranóia. Os revolucionários devem evitar todos os pensamentos paranóicos, o sistema não é onisciente ou que tudo vê, na realidade o sistema é muito frágil.

Os revolucionários devem aprender a investir sua energia na criação de rituais que subvertem o sistema ao invés de reforçá-lo. Você deve aprender a preservar suas energias vitais para o que mais importa: a revolução.

Fonte: Tradução livre de Noam Chomsky (@NoamChomski, via twitter, de 15 a 16/02/12)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Perigos da obediência

Livro e filme retratam como a sociedade administrada e a manipulação da linguagem desenvolvem no indivíduo o ódio pelo outro

por Renato Mezan
 
Konstantin Shalev - SMV
Teria o mês de setembro alguma afinidade secreta com a violência? Diante do número de matanças que ocorreram ou começaram nele, poderíamos brincar com a ideia: em 2001, os atentados de Nova York; em 1939, o início da Segunda Guerra; em 1970, o massacre dos palestinos na Jordânia (o "Setembro Negro"); em 1792, grassa o Terror em Paris, que deu origem aos termos "septembriser" e "septembrisade", significando "massacre de opositores" - e haveria outras a lembrar.

Em setembro de 2009, um filme - "A Onda" - e um livro - "LTI - A Linguagem do Terceiro Reich" - de Victor Klemperer, trad. Miriam Bettina Paulina Oelsner, ed. Contraponto - nos convidam a refletir sobre a facilidade e a rapidez com que a violência se alastra, fazendo com que pessoas comuns se convertam em sádicos ferozes.

O primeiro transpõe para a Alemanha atual um fato que teve lugar em 1967, na cidade de Palo Alto (EUA). Querendo mostrar a seus alunos como o fascismo se apoderou das massas nos anos 1930, um professor põe em prática um "experimento pedagógico": durante uma semana, organiza com eles o núcleo de um movimento ao qual dão o nome de "Terceira Onda".

Sem lhes contar que ele só "existe" na escola, vai treinando-os com as técnicas consagradas pelo totalitarismo: exercícios de ordem unida, uniformes, adoção de um símbolo e de uma saudação etc. Os efeitos dessas coisas aparentemente inocentes não tardam a surgir: como num passe de mágica, o grupo adquire extraordinária coesão, que dá a cada integrante a sensação de ser parte de algo "grande" ou, pelo menos, maior que sua própria insignificância.

Aparecem também aspectos menos simpáticos: intolerância contra os que se recusam a participar, desprezo, ódio e logo agressões a supostos opositores (os alunos de outra classe, que estão estudando o anarquismo, passam a ser vistos como anarquistas, e portanto inimigos). Escolhido como chefe pela garotada, o professor se identifica com o papel; rapidamente, o "experimento" foge ao controle - dele e dos próprios integrantes - e termina em tragédia: na vida real, um rapaz perde a mão tentando fabricar uma bomba caseira - o que custou a Jones sua licença para lecionar - e, no filme... bem, não vou contar o desfecho.

Em "Psicologia das Massas e Análise do Ego", Freud desvendou os mecanismos psicológicos que nas "massas artificiais" criam a disciplina e o devotamento ao líder: instituindo-o no lugar do superego, os indivíduos que delas participam passam a obedecê-lo mais ou menos cegamente e, imaginando-se igualmente amados por ele, identificam-se uns com os outros, pois de certo modo são todos filhos do Grande Pai.

Instrumentos nesse processo, abdicam de sua capacidade de pensar por si mesmos; compartilhando a crença na doutrina proposta pelo chefe, que geralmente divide o mundo em bons (os adeptos da "causa") e maus (todos os demais), eles a transformam em instrumento de uma dominação capaz de os arrastar a atos que, se não fizessem parte do grupo, jamais teriam coragem de praticar.

Muito bem dirigido e interpretado, o filme mostra como a euforia de ser membro de algo supostamente tão "poderoso", e o desejo de agradar ao líder, vão dando margem a ações cada vez mais próximas da delinquência. Tudo se justifica em nome da "causa", que no caso é nenhuma: a "Onda" não tem conteúdo, a não ser ela mesma e uma vaga solidariedade entre seus membros, que se incentivam e protegem mutuamente.

Forças destrutivas

A medida que transcorre a semana, no íntimo dos adolescentes dão-se modificações de vulto. Por um lado, eles transferem seu entusiasmo juvenil para o movimento, que desperta neles qualidades até então adormecidas: mostram-se criativos, capazes de levar a cabo projetos que exigem organização e trabalho conjunto (como, por exemplo, a montagem de uma peça de teatro).

Por outro, a vibração dessa intensa energia como que dissolve os freios sociais e morais e libera forças destrutivas das quais não tinham consciência: ameaçam colegas, intimidam crianças, um rapaz esbofeteia a namorada que se recusa a participar do grupo, outro adquire um revólver, um terceiro tenta afogar um adversário no polo aquático...

Nas primeiras décadas do século 20, e em escala muitíssimo maior, os mesmos fenômenos ocorreram em várias sociedades européias. Os mais graves tiveram lugar na Alemanha, cujo führer arrastou o mundo para uma guerra que deixou dezenas de milhões de mortos e refugiados. Muito se escreveu sobre por que os alemães aceitaram seguir um demagogo enlouquecido e por 12 anos aplaudiram suas iniciativas e seus discursos delirantes, que Victor Klemperer - o autor de "LTI" - compara aos "desvarios de um criado bêbado".

Entre os motivos que os levaram a isso, o analisado por ele se destaca como dos mais importantes: a manipulação da linguagem. O estudo da LTI - sigla de "Lingua Tertii Imperii", ou do Terceiro Reich - é uma das mais originais contribuições à compreensão do fenômeno totalitário. Examinando cartazes, livros, jornais, revistas, conversas ouvidas e discursos de dignitários do regime, Klemperer (irmão do regente Otto) mostra como uma ideologia absurda e cruel se entranhou "na carne e no sangue das massas".

Impostas pela repetição e pelo controle absoluto dos meios de comunicação, as frases e expressões nazistas foram "aceitas mecânica e inconscientemente" pelo povo alemão, passando a moldar sua autoimagem e a justificar a barbárie, pelo método simples e eficaz de a fazer parecer natural.

Não é possível, neste espaço, mais do que uma breve referência aos recursos de que se valeram Goebbels (o ministro da Propaganda no regime nazista) e sua corja para obter tão fantástico resultado. Numa prosa límpida, que a tradutora Miriam Oelsner restitui com fluidez e precisão, o autor vai desmontando os ardis que inventaram.

Seu livro revela como a criação de novas palavras, o uso desmesurado de abreviações e de superlativos, a mescla de tecnicismo "moderno" e apelo ao "orgânico", o emprego de estrangeirismos bem-soantes, mas intimidadores, a ênfase declamatória, o exagero, a mentira, a calúnia e, ao mesmo tempo, a pobreza monótona de um discurso calculado para abolir toda nuança e toda reflexão se combinam para produzir alienação.

Até as vítimas do regime empregam, sem se dar conta, termos e expressões da "língua dos vencedores"! No filme, temos vários exemplos do poder ao mesmo tempo mobilizador e mistificador da línguagem. Um deles é a explicação dada pelo professor para o exercício de marchar no lugar: "melhorar a circulação".

Ritmo acelerado

O bater dos pés em uníssono cria um efeito de homogeneidade: a energia posta na pisada se espraia por entre os alunos, fazendo-os sentir-se parte de um só corpo e capazes de grandes feitos. O ritmo se acelera, uma expressão beatífica aparece no rosto de alguns, os olhos brilham -alguma coisa está de fato circulando, uma exaltação crescente- e, sem se darem conta, rendem-se à manipulação de que estão sendo objeto.

Em "O Triunfo da Vontade", Leni Riefenstahl utiliza a aceleração das respostas dos recrutas à pergunta "de onde você vem?" para sugerir que o movimento hitlerista está se expandindo irresistivelmente. - O que ambos - filme e livro - revelam sobre a capacidade do ser humano para obedecer sem questionar é confirmado por diversos experimentos científicos; para concluir essas observações, mencionemos o mais famoso deles.

Em 1961, por ocasião do processo Eichmann, Hannah Arendt falava da "banalidade do mal": o carrasco nazista não era um monstro, mas um homenzinho insosso como tantos que existem em toda parte.

O psicólogo Stanley Milgram decidiu por à prova a ideia de que, sob certas condições, qualquer pessoa pode agir como Eichmann: na Universidade Yale (EUA), convocou voluntários para o que ficou conhecido como Experimento de Milgram.

Em resumo, pedia aos "instrutores" que acionassem um aparelho de dar choques a cada vez que os "sujeitos" errassem na repetição de certas palavras. A voltagem iria num crescendo, atingindo rapidamente patamares que, era-lhes dito, poderiam causar danos irreversíveis ao cérebro. A máquina, é claro, estava desligada; do outro lado da parede, o ator que representava a pessoa sendo testada permanecia incólume, apenas gritando como se estivesse de fato sendo eletrocutado.

O objetivo do experimento não era avaliar a memória dele, mas até onde seriam capazes de ir os "instrutores". Para surpresa de Milgram, dois terços deles superaram o limiar além do qual o choque levaria a prejuízos irreparáveis.

Ao chegar ao nível perigoso, muitos se mostravam aflitos, mas cediam aos pedidos do psicólogo para prosseguir; mesmo cientes das consequências para o outro, a garantia de que nada lhes aconteceria bastava para continuarem a apertar os botões. O artigo em que Milgram discute sua experiência -cujo título tomo emprestado para estas notas- tornou-se um clássico da psicologia.

A experiência de Milgram
E=Experimentador, S=Sujeito, A=Ator
Ela foi reproduzida em outros lugares, com outros sujeitos, por outros cientistas -sempre com resultados próximos aos da primeira vez. A conclusão do psicólogo americano merece ser citada: "A obediência consiste em que a pessoa passa a se ver como instrumento para realizar os desejos de outra e, portanto, não mais se considera responsável por seus atos. Uma vez ocorrida essa mudança essencial de ponto de vista, seguem-se todas as consequências da obediência".

Outros experimentos, como o Experimento Prisional de Stanford, de 1971, confirmam os achados de Milgram e, a meu ver, também a análise de Freud sobre a submissão ao líder.

Nestes tempos em que, sob os mais variados pretextos, volta-se a solicitar nossa adesão a ideais de rebanho, impõe-se meditar sobre o que em nós se curva tão facilmente à vontade de outrem.

A "servidão voluntária" de que falava La Boétie nos idos de 1500 espreita nas nossas entranhas; já o sabia Wilhelm Reich, cujo alerta é hoje tão atual quanto em 1930: "O fascista está em nós".

Renato Mezan é psicanalista, professor titular da Pontifícia Universidade Católica de SP e colunista do jornal Folha de São Paulo.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1110200915.htm

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Os tentáculos do populismo



O termo populismo é utilizado na política para designar um conjunto de movimentos políticos que se propõe a colocar no centro de toda ação política o povo, enquanto massa de manobra, em oposição aos mecanismos de representação legítimos da democracia representativa. A gênese do populismo no Brasil esta ligada a Revolução de 1930, que derrubou a República e colocou no poder Getulio Vargas, que viria a ser a figura central da política brasileira até seu suicídio em 1954.

A política populista caracteriza-se por uma combinação de plebeísmo, autoritarismo e dominação carismática. Afirma-se através do contato direto entre as massas urbanas e o líder carismático, geralmente sobrepondo-se a intermediação de partidos e corporações. Para ser eleito e governar, o líder populista procura estabelecer um vínculo emocional, não racional, com o povo. Isto implica num sistema de políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio através da conquista da simpatia destas camadas sociais.

Desde suas origens, o populismo foi encarado com desconfiança pelas correntes políticas mais ideológicas, tanto da Esquerda quanto da Direita. Esta última sempre apontou para os aspectos plebeus, as práticas vulgares e as atitudes demagógicas, como concessão irresponsável de benefícios sociais e gastos públicos. A latência de governos populistas costuma deixar latente um caráter reacionário e desmobilizador das benesses populistas, que se contrapõe as lutas organizadas da classe operária e fazem tudo depender da vontade de um caudilho bonapartista.

Na América Latina, o populismo continua a ser um poderoso mecanismo de integração das massas populares à vida política, favorecendo o desenvolvimento econômico e social, mas dentro de uma moldura estritamente burguesa, pois esta integração é sempre subordinada a figura de um líder carismático e autoritário, fragmentando desta forma a identidade do país sujeitado a este tipo de governo.

O populismo encontra representantes tanto na Esquerda quanto na Direita e como exemplo podem ser citados governantes como Vargas, Perón, Hugo Chávez, Evo Morales e Lázaro Cárdenas, líderes que realizaram políticas nacionalistas de substituição de importações, estatização de certas atividades econômicas, imposição de restrições ao capital estrangeiro e concessão de direitos sociais. No entanto, os regimes populistas frequentemente dedicaram-se a repressão policial dos movimentos contrários a seu domínio, quando não realizaram sua ação reformista dentro de um quadro meramente capitalista.

Esta forma de governo acaba enfraquecendo a capacidade de ação política autônoma de grupos contrários ao governo, na medida em que toda ação política é referida à pessoa do líder populista, que se coloca idealmente acima de todas as classes. O populismo não é necessariamente de Esquerda, no sentido de que seu alvo não são apenas as massas destituídas; há políticos populistas de Direita, como, por exemplo Adhemar de Barros e Paulo Maluf, que têm como alvo de sua ação política a exploração das carências dos extratos mais baixos, ou menos organizados, da população urbana, com os quais estabelecem uma relação empática baseada na defesa de políticas autoritárias de "moral e bons costumes" e/ou "Lei e Ordem". O maior representante do populismo de direita no Brasil, até agora, talvez tenha sido o presidente Jânio Quadros.

Exemplo máximo do populismo no Brasil, Getúlio Vargas subiu ao poder através de golpe de Estado nos anos 30, a Era Vargas, ditadura que perdurou de 1930 até 1945, elegendo-se democraticamente presidente em 1951 e governando até suicidar-se em 1954. Apelidado de "pai dos pobres", sua popularidade entre as massas era atribuída a sua liderança carismática e a seu empenho na aprovação de reformas trabalhistas que favoreceram a classe operária. Entretanto, suas medidas apenas minaram o poder dos sindicatos e de seus líderes, tornando-os dependentes do Estado até hoje.

Trocando em miúdos o populismo não está com nada, é insustentável, utiliza-se de métodos retrógrados que ferem a liberdade e os princípios éticos. O populismo é um câncer que se aproveita da fraqueza mental das classes menos instruídas para formar uma estrutura de domínio e poder. O populismo fere a democracia plena, pois ao invés de dar solução a problemas sociais graves, apenas os mitiga, mantendo desta forma sua massa de manobra, o povo, dependente de suas políticas paternais e assistenciais. O populismo me parece mais uma ditadura velada que uma democracia legítima.