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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Neurociência comprova: O silêncio faz bem para o cérebro



Como a exposição ao silêncio pode beneficiar o seu cérebro (e a sua saúde)

Pesquisas recentes sugerem que a exposição prolongada e repetida ao silêncio pode resultar em melhora na saúde | Duas horas de silêncio por dia poderia melhorar a região do cérebro relacionada à formação da memória, envolvendo os sentidos

Nos últimos anos, os pesquisadores têm destacado o poder peculiar do silêncio para acalmar nossos corpos, aumentar o volume em nossos pensamentos internos e sintonizar nossa conexão com o mundo. Suas descobertas começam em pesquisas sobre o contrário do silêncio – o barulho.

Muito já se escreveu sobre a “poluição sonora”, uma expressão criada na década de 1960, quando os cientistas descobriram que a exposição diária ao barulho intenso das estradas e aeroportos estava ligada a uma variedade de problemas de saúde: doenças cardíacas, problemas de sono, pressão alta e, menos surpreendentemente, perda auditiva. Os sons podem ser tão intensos que podem até causar danos muito mais imediatos, forte o suficiente para rasgar um buraco em seus tímpanos.

Se a exposição excessiva a sons altos é ruim para nós, a falta de som significa a falta de danos físicos causados pela poluição sonora. O silêncio é neutro. Segundo um artigo de Daniel Gross publicado na revista Nautilus, diversas pesquisas recentes sugerem que a exposição prolongada e repetida ao silêncio pode resultar em saúde melhorada, assim como a exposição prolongada e repetida ao ruído pode debilitá-la.

Estudos de fisiologia humana ajudam a explicar: as ondas sonoras vibram os ossos da orelha, que transmitem o movimento para a cóclea em forma de caracol. A cóclea converte as vibrações físicas em sinais elétricos que o cérebro recebe. O corpo reage imediatamente e poderosamente a esses sinais, mesmo no meio do sono profundo. Pesquisas neurofisiológicas sugerem que os ruídos ativam primeiramente a amígdala cerebeloza, aglomerados de neurônios localizados nos lobos temporais do cérebro, associados à formação de memória e à emoção. A ativação solicita uma liberação imediata de hormônios do estresse, como o cortisol. Pessoas que vivem em ambientes barulhentos, muitas vezes experimentam níveis cronicamente elevados de hormônios do estresse.

Em 2011, a Organização Mundial de Saúde concluiu que os 340 milhões de habitantes da Europa Ocidental – aproximadamente a mesma população dos Estados Unidos – perderam anualmente um milhão de anos de vida saudável por causa do ruído. Eles até argumentaram que três mil mortes por doenças cardíacas eram, em sua raiz, o resultado de ruído excessivo.


Então, a primeira conclusão é que o silêncio é bom pelo o que ele não faz – não acorda, não nos irrita ou não nos mata. Mas quais seriam então seus benefícios pelo que faz?

O artigo de Gross cita algumas pesquisas com interessantes revelações e a maioria delas foi descoberta por acaso, como no caso do pesquisador Luciano Bernardi que realizava um estudo dos efeitos fisiológicos da música em 2006. Bernardi queria mostrar o impacto da música relaxante no cérebro, e, para sua surpresa, descobriu que entre as faixas musicais, em trechos de silêncio inseridos aleatoriamente revelaram-se muito mais relaxantes do que a música “relaxante”. As pausas em branco que Bernardi considerava irrelevantes, em outras palavras, tornou-se o objeto de estudo mais interessante.

Outra pesquisadora citada no artigo que analisou esta questão foi a bióloga regenerativa da Universidade Duke, Imke Kirste. Em 2013, ela estudava os efeitos dos sons no cérebro de ratos adultos. Como Bernardi, ela pensou no silêncio como um controle que não produziria um efeito. Mas para sua grande surpresa, Kirste descobriu que duas horas de silêncio por dia levaram ao desenvolvimento celular no hipocampo, a região do cérebro relacionada à formação da memória, envolvendo os sentidos. Isso era profundamente intrigante: a ausência total de insumos estava tendo um efeito mais pronunciado do que qualquer tipo de entrada testada.

O crescimento de novas células no cérebro nem sempre tem benefícios para a saúde. Mas, neste caso, Kirste diz que as células pareciam se tornar neurônios funcionais. “Vimos que o silêncio está realmente ajudando as novas células geradas a se diferenciar em neurônios, e se integrar no sistema”.

Imagine, por exemplo, que você está ouvindo uma música que gosta muito quando o rádio de repente desliga. Neurologistas descobriram que se você conhece bem a música, o córtex auditivo do seu cérebro permanece ativo, como se a música ainda estivesse tocando. “O que você está ‘ouvindo’ não está sendo gerado pelo mundo exterior”, diz David Kraemer, que conduziu esses tipos de experimentos em seu laboratório de Dartmouth College. “Você está recuperando uma memória”. Os sons nem sempre são responsáveis pelas sensações, às vezes nossas sensações subjetivas são responsáveis pela ilusão do som.

Alguns cientistas esperam que essas descobertas possam conduzir a tratamentos potenciais para pessoas com distúrbios associados ao abrandamento do crescimento celular no hipocampo, como demência ou depressão. Mas até agora, pelo menos, a neurociência do silêncio parece sugerir isso: para o cérebro, o silêncio faz bem.

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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Sonido fantasma perturba pessoas ao redor do mundo



Zumbido misterioso vem sendo ouvido em todo o mundo

Conhecido como Hum, um constante e monótono som vem sendo constantemente ouvido em diversos lugares, sobretudo na Inglaterra e Escócia.

Mas o que forma o zumbido, e por que só afeta uma pequena porcentagem da população em determinadas áreas, é um mistério, apesar de uma série de investigações científicas.

Relatórios começaram a surgir durante a década de 1950 a partir de pessoas que nunca tinham ouvido nada de anormal até então. De repente, elas eram atormentadas por um zumbido chato de baixa freqüência , latejante ou um estrondo.

Os casos parecem ter vários fatores em comum: Geralmente, o zumbido é apenas ouvido dentro de casa, e é mais forte à noite do que durante o dia. Também é mais comum em ambientes rurais ou suburbanos; relatos do zumbido são raros em áreas urbanas, provavelmente por causa do barulho de fundo constante em cidades populosas.


Quem ouve o Hum?

Apenas cerca de 2% das pessoas que vivem em uma determinada área Hum está propensa a ouvir o som, e a maioria delas tem entre 55 e 70 anos, de acordo com um estudo realizado em 2003 pelo consultor acústico Geoff Leventhall, de Surrey, na Inglaterra.

A maioria das pessoas que ouvem a Hum o descrevem como um som semelhante a um motor diesel em marcha lenta nas proximidades. E o Hum levou praticamente cada um deles a ponto do desespero:
“É um tipo de tortura, às vezes, você só quer gritar,” disse o aposentado Katie Jacques, de Leeds, Inglaterra. 
Leeds é um dos vários lugares da Grã-Bretanha onde o zumbido apareceu recentemente. 
“É pior à noite”, disse Jacques. “É difícil dormir com esse som pulsando no fundo.”
Sendo descartados como malucos, a maioria das pessoas que ouvem o Hum têm uma audição perfeitamente normal. Elas queixam-se de dores de cabeça, náuseas, tonturas, sangramento nasal e distúrbios do sono. Pelo menos um suicídio no Reino Unido foi acusado ao Hum, segundo a BBC.


As zonas Hum

Bristol, na Inglaterra, foi um dos primeiros lugares na Terra onde o Hum foi relatado. Na década de 1970, cerca de 800 pessoas na cidade costeira relataram ter ouvido um som vibrando constantemente, que acabou por ser atribuído a circulação de veículos e fábricas locais trabalhando em turnos de 24 horas.

Outro Hum famoso ocorreu perto Taos, no sul dos Estados Unidos, na primavera de 1991. A equipe de pesquisadores da Universidade do Novo México e outros especialistas regionais foram incapazes de identificar a origem do som.

Windsor, no Canadá, é outro local onde constantemente se ouve o Hum. Pesquisadores da Universidade de Windsor recentemente analisaram o Hum local e tentaram determinar sua causa.
Os pesquisadores também têm investigando o Hum em Bondi, uma área costeira de Sydney, na Austrália, durante vários anos, sem sucesso.


O que causa o Hum?

A maioria dos pesquisadores que investiga o Hum expressa alguma confiança de que o fenômeno seja real, e não resultado de histeria em massa ou extraterrestres transmitindo sinais para a Terra a partir de suas naves espaciais.

Equipamentos industriais são geralmente a primeira fonte de suspeita do zumbido. Em um exemplo, Leventhall foi capaz de traçar o ruído a unidade de aquecimento central de um prédio vizinho em Kokomo, cidade do estado de Indiana, EUA.

Outras fontes suspeitas incluem linhas de alta pressão de gás, linhas de energia elétrica, dispositivos de comunicação sem fio, entre outros. Há alguma especulação de que o zumbido possa ser o resultado da radiação eletromagnética de baixa frequência, audível apenas para algumas pessoas. Fatores ambientais também têm sido responsabilizados, incluindo microssismos muito fracos – tremores de terra de baixa frequência que podem ser gerados pela ação das ondas do mar.

Outras hipóteses, incluindo experimentos militares e comunicações de submarinos, também foram levantadas. Por enquanto, os ouvintes da Hum devem recorrer a dispositivos para reduzir ou eliminar o ruído irritante.

Leventhall, que recomenda que alguns ouvintes façam alguma terapia cognitivo-comportamental para aliviar os sintomas causados ​​pelo zumbido, não está confiante de que o enigma seja resolvido em breve.
“Tem sido um mistério durante 40 anos, então ele pode muito bem continuar a ser um por muito mais tempo”, Leventhall disse à BBC. 
Fonte: LiveScience