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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Acessórios para fotografar e filmar com o iPhone

O iPhone possuí uma boa camera, além do suporte de vários aplicativos para foto, som e imagem, que podem ser baixados e instalados através do iTunes. O que nem todo mundo sabe é que existe uma série de acessórios que podem fazer a diferença nas suas fotos. Selecionei na web alguns acessórios interessantes; que prometem melhorar ainda mais as fotos e vídeos que você faz com seu iPhone, são uns apetrechos bem legais, confira:

Fracton Quattro Cases

Os cases da Factron vão adicionar elegantes combinações de couro e metais ao seu iPhone. São capas elegantes que vão dar um look de máquina fotográfica antiga ao seu telefone celuar Apple. Os cases permitem ainda o encaixe de lentes, vendidas separadamente. Você pode adquirir 5 lentes diferentes, intercambiáveis, para dar efeitos interessantes e um toque profissional às suas fotos.

O case Quattro é confeccionado em duralumínio, (uma liga de alumínio), também usado na indústria aeroespacial. O case é fechado por um conjunto de quatro parafusos de aço inoxidável, um em cada canto. O revestimento, em couro legítimo, está disponível em 15 diferentes cores e texturas. Com o case instalado em seu iPhone você poderá usar o sistema de troca de lente. Você pode mudar a lente dependendo do efeito que deseja dar à sua fotografia. As lentes intercambiáveis estão disponíveis para venda separadamente. Confira direto no site da Fracton: http://www.factron.jp/product/26

iPhone Tripod Holder


Este suporte com tripé é uma das poucas opções disponíveis para iPhone, o preço é baixo (em torno de 10 dólares - nos Estados Unidos) e é ideal para qualquer um que deseja ter um tripé especial para iPhone. O produto promete resistência, montagem simples, durabilidade e fotos sem tremer. O modelo da imagem é para encaixe no iPhone 2G, 3G e 3GS, mas também já está disponível a versão especial para o iPhone 4. O tripé com encaixe para iPhone pode ser encontrado para compra pela internet em: http://www.iphone-tripodholder.com/

Lentes de efeitos especiais USBFever’s

Se você não pode se dar ao luxo de comprar o sistema Quattro - de case com lentes intercambiáveis da Factron - que tem o preço meio salgado e custa algo em torno de 220 dólares, uma opção legal e também mais em conta são as lentes USBFever. As lentes removíveis da USBFever, para telefones celulares, inclui: objetiva, olho de peixe, grande angular, macro e telescópicas. Estas lentes definitivamente não vão transformar seu iPhone em uma máquina digital profissional, entretanto, por algo em torno de 8 a 30 dólares você vai tirar fazer algumas experiências interessantes, se divertir e tirar fotos bem legais. As lentes USBFever podem ser encontradas em: http://usbfever.com/index_ecat.php?cPath=88_211

Owle Bubo

Apesar do preço um pouco salgado - em torno de 170 dólares para o iPhone 4 e 160 para o 3G/3GS - o Owle Bubo é um acessório bastante interessante. Ele transforma o iPhone em uma câmera de vídeo com boa qualidade. O acessório adiciona ao smartphone da Apple uma lente de 37 milímetros, microfone externo, quatro pontos de tripé e um encaixe integrado para adicionar luzes e coisas do gênero. O Owle Bubo têm um design ergonômico e peso adicional que ajuda a melhorar a estabilidade e o controle da câmera.

O Owle Bubo é feito a partir de um pedaço sólido de alumínio, tornando-o praticamente indestrutível. Segundo o fabricante o acessório para filmagem proporciona imagens fantásticas com um melhor contraste de cores, saturação e nitidez do que seria possível apenas com a câmera do iPhone. A lente grande angular de 49 milímetros possuí rosca e aceita diversos filtros, que são vendidos separadamente. Para saber mais sobre este produto acesse: http://www.wantowle.com/

Você também pode comprar seu iPhone, iPad ou acessórios originais através deste link. Não se arrisque comprando em sites que você não conhece, dê um click e confira agora mesmo !!!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Transparência: Por dentro do Wikileaks

por Natália Viana* (Opera Mundi)

Julian Assange
O responsável pelo site Wikileaks
Fui convidada por Julian Assange (foto) e sua equipe para trazer ao público brasileiro os documentos que interessam ao nosso país. Para esse fim, o Wikileaks decidiu elaborar conteúdo próprio também em português, com matérias fresquinhas sobre os documentos da embaixada e consulados norte-americanos no Brasil.

Por trás dessa nova experiência está a vontade de democratizar ainda mais o acesso à informação. O Wikileaks quer ter um canal direto de comunicação com os internautas brasileiros, um dos maiores grupos do mundo, e com os ativistas no Brasil que lutam pela liberdade de imprensa e de informação. Nada mais apropriado para um ano em que a liberdade de informação dominou boa parte da pauta da campanha eleitoral.

Buscando jornalistas independentes, Assange busca furar o cerco de imprensa internacional e da maneira como ela acabada dominando a interpretação que o público vai dar aos documentos. Por isso, além dos cinco grandes jornais estrangeiros, somou-se ao projeto um grupo de jornalistas independentes. Numa próxima etapa, o Wikileaks vai começar a distribuir os documentos para veículos de imprensa e mídia nas mais diversas partes do mundo.

Assange e seu grupo perceberam que a maneira concentrada como as notícias são geradas – no nosso caso, a maior parte das vezes, apenas traduzindo o que as grandes agências escrevem – leva um determinado ângulo a ser reproduzido ao infinito. Não é assim que esses documentos merecem ser tratados: “São a coisa mais importante que eu já vi”, disse ele.

Não foi fácil. O Wikileaks já é conhecido por misturar técnicas de hackers para manter o anonimato das fontes, preservar a segurança das informações e se defender dos inevitáveis ataques virtuais de agências de segurança do mundo todo.

Assange e sua equipe precisam usar mensagens criptografadas e fazer ligações redirecionados para diferentes países que evitam o rastreamento. Os documentos são tão preciosos que qualquer um que tem acesso a eles tem de passar por um rígido controle de segurança. Além disso, Assange está sendo investigado por dois governos e tem um mandado de segurança internacional contra si por crimes sexuais na Suécia. Isso significou que Assange e sua equipe precisam ficar isolados enquanto lidam com o material. Uma verdadeira operação secreta.

Documentos sobre Brasil

No caso brasileiro, os documentos são riquíssimos. São 2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo.

Nas próximas semanas, eles vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo.

O Wikileaks vai publicar muitas dessas histórias a partir do seu próprio julgamento editorial. Também vai se aliar a veículos nacionais para conseguir seu objetivo – espalhar ao máximo essa informação. Assim, o público brasileiro vai ter uma oportunidade única: vai poder ver ao mesmo tempo como a mesma história exclusiva é relatada por um grande jornal e pelo Wikileaks. Além disso, todos os dias os documentos serão liberados no site do Wikileaks. Isso significa que todos os outros veículos e os próprios internautas, bloggers, jornalistas independentes vão poder fazer suas próprias reportagens. Democracia radical – também no jornalismo.

Impressões

A reação desesperada da Casa Branca ao vazamento mostra que os Estados Unidos erraram na sua política mundial – e sabem disso. Hillary Clinton ligou pessoalmente para diversos governos, inclusive o chinês, para pedir desculpas antecipadamente pelo que viria. Para muitos, não explicou direto do que se tratava, para outros narrou as histórias mais cabeludas que podiam constar nos 251 mil telegramas de embaixadas.

Ainda assim, não conseguiu frear o impacto do vazamento. O conteúdo dos telegramas é tão importante que nem o gerenciamento de crise de Washington nem a condenação do lançamento por regimes em todo o mundo – da Austrália ao Irã – vai conseguir reduzir o choque.

Como disse um internauta, Wikileaks é o que acontece quando a superpotência mundial é obrigada a passar por uma revista completa dessas de aeroporto. O que mais surpreende é que se trata de material de rotina, corriqueiro, do leva-e-traz da diplomacia dos EUA. Como diz Assange, eles mostram “como o mundo funciona”.

O Wikileaks tem causado tanto furor porque defende uma ideia simples: toda informação relevante deve ser distribuída. Talvez por isso os governos e poderes atuais não saibam direito como lidar com ele. Assange já foi taxado de espião, terrorista, criminoso. Outro dia, foi chamado até de pedófilo.

Wikileaks e o grupo e colaboradores que se reuniu para essa empreitada acreditam que injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar. E que, com a ajuda da internet, é possível levar a democracia a um patamar nunca imaginado, em que todo e qualquer poder tem de estar preparado para prestar contas sobre seus atos.

O que Assange traz de novo é a defesa radical da transparência. O raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto é que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber. Não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder essa ou aquela informação por considerar que ela “pode gerar insegurança” ou “atrapalhar o andamento das coisas”. A imprensa simplesmente não tem esse direito.

É por isso que, enquanto o Wikileaks é chamado de “irresponsável”, “ativista”, “antiamericano” e Assange é perseguido, os cinco principais jornais do mundo que se associaram ao lançamento do Cablegate continuam sendo vistos como exemplos de bom jornalismo – objetivo, equilibrado, responsável e imparcial. Uma ironia e tanto.

*Natália Viana é jornalista e colaboradora do Opera Mundi

Fonte: Carta Capital: http://www.cartacapital.com.br/internacional/por-dentro-do-wikileaks

Fique por dentro do WikiLeaks com a nossa dica de leitura:


Autor: Pilkington, Ed.; Harding, Luke; Leigh, David
Editora: Best Seller Ltda
Categoria: Literatura Estrangeira / Biografias e Memórias

Em "WikiLeaks: a guerra de Julian Assange contra os segredos de Estado", os jornalistas destrincham o fenômeno WikiLeaks e exploram as muitas peças de um quebra-cabeça que continua a dominar as manchetes mundiais. Eles examinam a cultura da internet que tornou possível a revelação de informações sigilosas e os hackers fanáticos que...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Some things don't have price

"If nature has made any one thing less susceptible than all others of exclusive property, it is the action of the thinking power called an idea, which an individual may exclusively possess as long as he keeps it to himself; but the moment it is divulged, it forces itself into the possession of every one, and the receiver cannot dispossess himself of it. Its peculiar character, too, is that no one possesses the less, because every other possesses the whole of it. He who receives an idea from me, receives instruction himself without lessening mine; as he who lights his taper at mine, receives light without darkening me. That ideas should freely spread from one to another over the globe, for the moral and mutual instruction of man, and improvement of his condition, seems to have been peculiarly and benevolently designed by nature, when she made them, like fire, expansible over all space, without lessening their density in any point, and like the air in which we breathe, move, and have our physical being, incapable of confinement or exclusive appropriation. Inventions then cannot, in nature, be a subject of property." ~Thomas Jefferson (1813)

"Se há uma coisa que a natureza fez que é menos suscetível que todas as outras de propriedade exclusiva, esta coisa é a ação do poder de pensamento que chamamos de idéia... Que as idéias devam se expandir livremente de uma pessoa para outra, por todo o globo, para a instrução moral e mútua do homem, e o avanço de sua condição, parece ter sido particularmente e benevolmente desenhado pela natureza, quando ela as tornou, como o fogo, passíveis de expansão por todo o espaço, sem reduzir a sua densidade em nenhum ponto, e como o ar no qual respiramos, nos movemos e existimos fisicamente, incapazes de confinamento, ou de apropriação exclusiva. Invenções não podem, por natureza, ser objeto de propriedade." ~Thomas Jefferson (1813)

Cited by Lawrence Lessig, The Future of Ideas: the Fate of the Commons in an Connected World – Random House, New York, 2001, p. 94

Como os ricos estão tomando nossa herança comum

via Carta Maior (Carta O BERRO) www.cartamaior.com.br

Hoje 95% do milho plantado nos EUA é de uma única variedade, com desaparecimento da diversidade genética. O livre acesso às composições de Heitor Villalobos será público a partir de 2034. Isto está ajudando a criatividade de quem? Patentes de 20 anos há meio século atrás podiam parecer razoáveis, mas com o ritmo de inovação atual, que sentido fazem? Já são 25 milhões de pessoas que morreram de Aids, e as empresas farmacêuticas proibem os países afetados de produzir o coquetel. Há um imenso enriquecimento no topo da pirâmide, baseado não no que estas pessoas aportaram, mas no fato de se apropriarem de um acúmulo historicamente construído durante sucessivas gerações. O artigo é de Ladislau Dowbor*.

Ladislau Dowbor - Data: 04/11/2010

Apropriação Indébita: como os ricos estão tomando a nossa herança comum
Gar Alperovitz and Lew Daly
Editora Senac, São Paulo 2010, 242 p.

A concentração de renda e a destruição ambiental constinuam sendo os nosso grandes desafios. São facetas diferentes da mesma dinâmica: na prática, estamos destruindo o planeta para a satisfação consumista de uma minoria, e deixando de atender os problemas realmente centrais. Como explicar que, com tantas tecnologias, produtividade e modernidade, estejamos reproduzindo o atraso? Em particular, como a sociedade do conhecimento pode se transformar em vetor de desigualdade?

O prêmio Nobel Kenneth Arrow considera que os autores de “Apropriação indébita: como os ricos etão tomando a nossa herança comum”, Gar Alperovitz e Lew Daly, “se baseiam em fontes impecáveis e as usam com maestria. Todo mundo irá aprender ao ler este livro”. Eu, que não sou nenhum prêmio Nobel, venho aqui contribuir com a minha modesta recomendação, transformando o meu prefácio em instrumento de divulgação. Mania de professor, querer comunicar o entusiasmo de boas leituras. E recomendação a não economistas: os autores deste livro têm suficiente inteligência para não precisar se esconder atrás de equações. A leitura flui.

A quem vai o fruto do nosso trabalho, e em que proporções? É a eterna questão do controle dos nossos processos produtivos. Na era da economia rural, os ricos se apropriavam do fruto do trabalho social, por serem donos da terra. Na era industrial, por serem donos da fábrica. E na era da economia do conhecimento, a propriedade intelectual se apresenta como a grande avenida de acesso a uma posição privilegiada na sociedade. Mas para isso, é preciso restringir o acesso generalizado ao conhecimento, pois se todos tiverem acesso, como se cobrará o pedágio, como se assegurará a vantagem de minorias?

Um argumento chave desta discussão, é naturalmente a legitimidade da posse. De quem é a terra, que permitia as fortunas e o lazer agradável dos senhores feudais? Apropriação na base da força, sem dúvida, legitimada em seguida por uma estrutura de heranças familiares. Uma vez aceito, o sistema funciona, pois na parte de cima da sociedade forma-se uma aliança natural ditada por interesses comuns.

Na fase industrial, um empresário pega um empréstimo no banco – e para isso ele já deve pertencer a um grupo social privilegiado – e monta uma empresa. Da venda dos produtos, e pagando baixos salários, tanto auferirá lucros pessoal como restituirá o empréstimo ao banco. De onde o banco tirou o dinheiro? Da poupança social, sob forma de depósitos, poupança esta que será transformada na fábrica do empresário. Aqui também, vale a solidariedade dos proprietários de meios de produção, e o resultado de um esforço que é social será em boa parte apropriado por uma minoria.

Mudam os sistemas, evoluem as tecnologias, mas não muda o esquema. Na fase atual, da economia do conhecimento, coloca-se o espinhoso problema da legitimidade da posse do conhecimento. A mudança é radical, relativamente aos sistemas anteriores: a terra pertence a um ou a outro, as máquinas têm proprietário, são bens “rivais”. No caso do conhecimento, trata-se de um bem cujo consumo não reduz o estoque. Se transmitimos o conhecimento a alguém, continuamos com ele, não perdemos nada, e como o conhecimento transmitido gera novos conhecimentos, todos ganham. A tendência para a livre circulação do conhecimento para o bem de todos torna-se portanto poderosa.

A apropriação privada de um produto social deve ser justificada. O aporte principal de Alperovitz e de Daly, neste pequeno estudo, é de deixar claro o mecanismo de uma apropriação injusta – Unjust Deserts – que poderíamos explicitar com a expressão mais corrente de apropriação indébita. Ao tornar transparentes estes mecanismos, os autores na realidade estão elaborando uma teoria do valor da economia do conhecimento. A força explicativa do que acontece na sociedade moderna, com isto, torna-se poderosa.

Para dar um exemplo trazido pelo autor, quando a Monsanto adquire controle exclusivo sobre determinada semente, como se a inovação tecnológica fosse um aporte apenas dela, esquece o processo que sustentou estes avanços. “O que eles nunca levam em consideração, é o imenso investimento coletivo que carregou a ciência genética dos seus primeiros passos até o momento em que a empresa toma a sua decisão. Todo o conhecimento biológico, estatístico e de outras áreas sem o qual nenhuma das sementes altamente produtivas e resistentes a denças poderia ter sido desenvolvida – todas as publicações, pesquisas, educação, treinamento e ferramentas técnicas relacionadas sem os quais a aprendizagem e o conhecimento não poderiam ter sido comunicados e fomentados em cada estágio particular de desenvolvimento, e então passados adiante e incorporados, também, por uma força de trabalho de técnicos e cientistas – tudo isto chega à empresa sem custo, um presente do passado(55). Ao apropriar-se do direito sobre o produto final, e ao travar desenvolvimentos paralelos, a empresa canaliza para si gigantescos lucros da totalidade do esforço social, que ela não teve de financiar. Trata-se de um pedágio sobre o esforço dos outros. Unjust Deserts.

Se não é legítimo, pelo menos funciona? A compreensão do caráter particular do conhecimento como fator de produção já é antiga. Uma jóia a este respeito é um texto 1813 de Thomas Jefferson:

Se há uma coisa que a natureza fez que é menos suscetível que todas as outras de propriedade exclusiva, esta coisa é a ação do poder de pensamento que chamamos de idéia... Que as idéias devam se expandir livremente de uma pessoa para outra, por todo o globo, para a instrução moral e mútua do homem, e o avanço de sua condição, parece ter sido particularmente e benevolmente desenhado pela natureza, quando ela as tornou, como o fogo, passíveis de expansão por todo o espaço, sem reduzir a sua densidade em nenhum ponto, e como o ar no qual respiramos, nos movemos e existimos fisicamente, incapazes de confinamento, ou de apropriação exclusiva. Invenções não podem, por natureza, ser objeto de propriedade. (1)

O conhecimento não constitui uma propriedade no mesmo sentido que a de um bem físico. A caneta é minha, faço dela o que quiser. O conhecimento, na medida em que resulta de um esforço social muito amplo, e constitui um bem não rival, obedece a outra lógica, e por isto não é assegurado em permanência, e sim por vinte anos, por exemplo, no caso das patentes, ou quase um século no caso dos copyrights, mas sempre por tempo limitado: a propriedade é assegurada por sua função social – estimular as pessoas a inventarem ou a escreverem – e não por ser um direito natural.

O merecimento é para todos nós um argumento central. Segundo as palavras dos autores, “nada é mais profundamente ancorado em pessoas comuns do que a idéia de que uma pessoa tem direito ao que criou ou ao que os seus esforços produziram”.(96) Mas na realidade, não são propriamente os criadores que são remunerados, e sim os intermediários jurídicos, financeiros e de comunicação comercial que se apropriam do resultado da criatividade, trancando-o em contratos de exclusividade, e fazem fortunas de merecimento duvidoso. Não é a criatividade que é remunerada, e sim a apropriação dos resultados: “Se muito do que temos nos chegou como um presente gratuito de muitas gerações de contribuiçoes históricas, há uma questão profunda relativamente a quanto uma pessoa possa dizer que “ganhou merecidamente” no processo, agora ou no futuro.(97)

As pessoas em geral não se dão conta das limitações. Hoje 95% do milho plantado nos EUA é de uma única variedade, com desaparecimento da diversidade genética, e as ameaças para o futuro são imensas. Teremos livre acesso às obras de Paulo Freire apenas a partir de 2050, 90 anos depois da morte do autor. O livre acesso às composições de Heitor Villalobos será a partir de 2034. Isto está ajudando a criatividade de quem? Patentes de 20 anos há meio século atrás podiam parecer razoáveis, mas com o ritmo de inovação atual, que sentido fazem? Já são 25 milhões de pessoas que morreram de Aids, e as empresas farmacêuticas (o Big Pharma) proibem os países afetados de produzir o coquetel, são donas de intermináveis patentes. Ou seja, há um imenso enriquecimento no topo da pirâmide, baseado não no que estas pessoas aportaram, mas no fato de se apropriarem de um acúmulo historicamente construído durante sucessivas gerações.

Nesta era em que a concentração planetária da riqueza social em poucas mãos está se tornando nsustentável, entender o mecanismo de geração e de apropriação desta riqueza é fundamental. Os autores não são nada extermistas, mas defendem que o acesso aos resultados dos esforços produtivos devam ser minimamente proporcionais aos aportes. “A fonte de longe a mais importante da prosperidade moderna é a riqueza social sob forma de conhecimento acumulado e de tecnologia herdada”, o que significa que uma porção substantiva da presente riqueza e renda deveria ser realocada para todos os membros da sociedade de forma igualitária, ou no mínimo, no sentido de promover maior igualdade.(153)

Um livro curto, muito bem escrito, e sobretudo uma preciosidade teórica, explicitando de maneira clara a deformação generalizada do mecanismo de remuneração, ou de recompensas, que o nosso sistema econômico gerou. Trata-se aqui de um dos melhores livros de economia que já passaram por minhas mãos. Bem documentado mas sempre claro na exposição, fortemente apoiado em termos teóricos, na realidade o livro abre a porta para o que podemos qualificar de teoria do valor, mas não da produção industrial, e sim da economia do conhecimento, o que Daniel Bell qualificou de “knowledge theory of value”. Vale a pena ler!

(1) Citado por Lawrence Lessig, The Future of Ideas: the Fate of the Commons in an Connected World – Random House, New York, 2001, p. 94
(*) Ladislau Dowbor, professor de economia e administração da PUC-SP, é autor de Democracia Econômica e de Da propriedade Intelectual à Sociedade do Conhecimento, disponíveis em http://dowbor.org

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Refrigerante faz mal à saúde, verdade ou mito?



Existe muita crítica aos refrigerantes artificiais circulando o mundo, pela internet. Parte da imprensa e alguns programas de TV, que falam sobre saúde e hábitos saudáveis, também alertam para o abuso no consumo do refri, mostrando que os sucos são muito mais saudáveis. Pode parecer que um copo de refrigerante é algo inocente, que não faz mal algum para a saúde e realmente não acredito que faça, o problema está no abuso.

Bom, por via das dúvidas e mesmo sem acreditar que o refrigerante é um vilão, depois que recebi este e-mail, alertando para os efeitos que o refrigerante causa no organismo, com certeza vou preferir água mineral e sucos naturais.

Entretanto a conclusão que tiro é que um copo de refri não mata ninguém, só que daqui pra frente; além de dar preferência aos sucos naturais, feitos em casa e com frutas frescas, vou maneirar no refri, pois o mal parece estar no abuso e não em tomar um refrigerante gelado vez por outra.

Este é o spam que circula na web:

"Primeiros 10 minutos:


10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo , 100% do recomendado diariamente. Você não vomita imediatamente pelo doce extremo, porque o ácido fosfórico corta o gosto.


20 minutos:


O nível de açúcar em seu sangue estoura, forçando um jorro de insulina. O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura. (É muito para este momento em particular.)


40 minutos:


A absorção de cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sanguínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras.


45 minutos:


O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo. (Fisicamente, funciona como a heroína)


50 minutos:


O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina.


60 minutos:


As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. Você urina. Agora é garantido que irá por para fora cálcio, magnésio e zinco, os quais seus ossos precisariam. Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar. Ficará irritadiço. Você já terá posto para fora tudo que estava no refrigerante, mas não sem antes ter posto para fora, junto, coisas das quais farão falta ao seu organismo.

Pense nisso antes de beber refrigerantes. Se não puder evitá-los (por causarem dependência química), modere sua ingestão! Prefira sucos naturais.

Seu corpo agradece!"

A maior empresa fabricante de refrigerantes do mundo tem conhecimento do texto acima, e diz em seu site oficial que o e-mail é boato, confira: http://www.cocacolabrasil.com.br/boatos_mitos.asp?categoriem conhecimento deste texto ea=42

Não beba só refrigerante,
prefira água e suco natural.
Tome seu refrigerante sossegado, porque gosta e não porque achou a propaganda legal, jamais abuse e sempre de preferência aos produtos naturais. 

Um suco gelado, além de matar a sede e dar prazer, faz muito bem à saúde. Modere em todo alimento industrializado, seja refrigerante ou o que for, o alimento que vai direto da natureza para sua mesa, sem adição de produtos químicos, acredite, é muito mais saudável.

Se você se interessou pelo assunto indico ler - O uso de refrigerantes e a saúde humana

Recomendado para você

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O potencial perigo de destruição de um ditador



"Hitler" - de Ian Kershaw
(Companhia das Letras)
"Hitler" narra a trajetória e analisa o comportamento de uma das figuras mais sinistras e, ao mesmo tempo, intrigantes do século 20. O texto é baseado em vasta documentação acadêmica e no diário - descoberto na década 1990 - de Joseph Goebbels (1897-1945), ministro da propaganda nazista.

A obra foi publicada originalmente em duas partes (1998-2000), mas posteriormente foi condensada em um volume único, como será a versão brasileira, editada pela Companhia das Letras.

Na obra, o responsável pela "biografia definitiva do Führer", Ian Kershaw, alerta para o perigo de subestimar grosseiramente as capacidades do ditador. 

Kershaw é uma das maiores autoridades no assunto, consultor de história da rede BBC e autor de "Dez Decisões que Mudaram o Mundo (1940-1941)" (Companhia das Letras, 2008). O livro foi traduzido para a língua portuguesa por Pedro Maia Soares.

Abaixo, trecho do livro que explica o risco de discorrer sobre a "grandeza histórica" de Hitler:

"A questão da "grandeza histórica" estava usualmente implícita na literatura biográfica convencional, em particular na tradição alemã. A figura de Hitler, cujos atributos pessoais - distintos de sua aura política e seu impacto - eram dificilmente nobres, elevados ou enriquecedores, colocava problemas evidentes para essa tradição. 

Uma maneira de evitá-los era sugerir que Hitler possuía uma forma de "grandeza negativa"; que, embora carecesse da nobreza de caráter e outros atributos que se supunha pertencerem à "grandeza" das figuras históricas, seu impacto sobre a história era inegavelmente imenso, ainda que catastrófico. No entanto, a "grandeza negativa" também pode ter conotações trágicas: empenho poderoso e espantosas realizações pervertidas; grandeza nacional transformada em catástrofe natural.

Parece melhor evitar totalmente a questão da "grandeza" (exceto tentar entender por que tantos contemporâneos viram "grandeza" em Hitler). É uma pista falsa: mal interpretada, sem sentido, irrelevante e potencialmente apologética. É uma interpretação errada porque não foge ao que as teorias dos "grandes homens" fazem: personalizam de modo extremo o processo histórico. Sem sentido, porque toda a noção de grandeza histórica é, em última análise, inútil. 


Baseado num conjunto subjetivo de juízos morais ou até mesmo estéticos, é um conceito ético-filosófico que não leva a nada. Irrelevante porque, independente da resposta à questão da suposta "grandeza" de Hitler ser positiva ou negativa, ela em si mesma não explicaria nada sobre o simples fato de propor a questão não consegue esconder uma certa admiração por Hitler, por mais relutante que seja; e porque, enfim, procurar grandeza em Hitler acarreta o corolário automático de reduzir ao papel de meros figurantes ao lado do "grande homem" aqueles que promovem diretamente seu regime, as instâncias diversas que o sustentam q o povo alemão que lhe deu tanto apoio.

Em vez de tratar da "grandeza histórica", precisamos voltar nossa atenção para outra pergunta, de muito maior importância. Como explicarmos que alguém com tão poucos dons intelectuais e atributos sociais, alguém que não era mais que um recipiente vazio fora de sua vida política, inacessível e impenetrável até mesmo para aqueles que conviviam com ele, incapaz aparentemente de uma amizade genuína, sem a formação que preparava para os altos cargos, sem nem mesmo qualquer experiência de governo antes de se tornar chanceler do Reich, pôde, não obstante, causar um impacto histórico tão imenso, pôde fazer o mundo inteiro segurar a respiração?

A pergunta talvez esteja, ao menos em parte, mal formulada. Antes de mais nada, Hitler não era burro e possuía uma mente afiada que podia recorrer a uma memória formidável. Com sua compreensão de questões, era capaz de impressionar, como era de se esperar, seu círculo de bajuladores, mas também estadistas e diplomatas frios, críticos e experimentados. Seu talento retórico foi evidentemente reconhecido até por seus inimigos políticos. E ele por certo não foi o único líder político do século XX a combinar o que poderíamos considerar deficiências de caráter e superficialidade de desenvolvimento intelectual com habilidade e eficácia política notáveis. É bom evitar a armadilha, em que a maioria de seus contemporâneos caiu, de subestimar grosseiramente suas capacidades.
"

"Hitler"
Autor: Ian Kershaw
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 1024

Fonte: Matéria publicada no Jornal Folha de São Paulo, edição online, em 11/11/2010:

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

15 de Novembro - Proclamação da República

Proclamação da República, 1893,
óleo sobre tela de Benedito Calixto (1853-1927).
Acervo da Pinacoteca Municipal de São Paulo
A Proclamação da República Brasileira(1889) foi um episódio da história do Brasil, ocorrido em 15 de novembro de 1889, que instaurou o regime republicano no Brasil, derrubando a monarquia do Império do Brasil, pondo fim à soberania do Imperador Dom Pedro II.

A Proclamação da República ocorreu no Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, na praça da Aclamação, hoje Praça da República, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, deu um golpe de estado, sem o uso de violência, depondo o Imperador do Brasil, D. Pedro II, e o presidente do Conselho de Ministros do Império, o visconde de Ouro Preto.

Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um "Governo Provisório" republicano. Faziam parte deste "Governo Provisório", organizado na noite de 15 de novembro, o marechal Deodoro da Fonseca como presidente da república e chefe do Governo Provisório, marechal Floriano Peixoto como vice-presidente, e, como ministros, Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Hino da Proclamação da República - Brazilian Republic Anthem



Music: Leopoldo Miguez (1850/1902)
Lyrics: Medeiros e Albuquerque (1867/1934)
São Paulo Symphony Orchestra & Choir
Cond.: John Neschling

Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!

Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!