quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Segurança online :: Golpes no Facebook

As 10 principais iscas para golpes no Facebook

via Olhar Digital - em 27/08/2014 às 10h10

A empresa de segurança Bitdefender emitiu hoje um alerta sobre as 10 principais iscas para golpes de cibercriminosos no Facebook. "Em redes com grande número de usuários, estas postagens aparentemente ingênuas acabam contaminando todo o ambiente", analisa o diretor Eduardo D´Antona.

Confira abaixo as ameaças listadas pela empresa e evite dar atenção a elas:

1 - O falso livro de visitas - Um dos principais posts virais, que já ronda as redes sociais há muito tempo, é o famoso aplicativo para ver quem visitou o seu perfil, em muitos casos prometendo até estatísticas de perfis divididos por sexo. Diferentemente do quase extinto Orkut, o Facebook não oferece esse recurso, portanto, o melhor é não ceder à tentação de baixar aplicativos maliciosos no computador.

2- Não tente mudar a cor de sua página - Outro golpe já bastante conhecido é o que promete a mudança da cor do Facebook por meio de um aplicativo. Na melhor das hipóteses, essa falsa promessa levará o usuário a baixar vários "add-nos" no computador, fazendo com que este passe a enxergar a sua página com outra cor ou estilo. No entanto, como não provém de fontes confiáveis, a atitude mais sensata é resistir à aparente mudança.

3 - O fim do Facebook? - Uma popularíssima circular alerta os usuários para o fim do Facebook ou início das cobranças para a utilização da rede social. Mas é apenas outra isca bastante utilizada pelos cibercriminosos. Tal como o fim do mundo, também é impossível prever quando será o fim do Facebook. E sobre as supostas cobranças, a resposta está no próprio termo na página da rede social. Com essa informação em mente, a orientação é que o usuário simplesmente ignore qualquer mensagem do gênero.

4- Botão "Descurtir" só para desfazer a ação de clicar em "curtir" - A adição de novos botões, tais como os tão esperados "descurtir" (como alternativa ao botão curtir, e não de desfazer a respectiva ação) ou "love", definitivamente, são capazes de despertar a curiosidade dos usuários. Mas, infelizmente, a tradição do facebook parece agradar a maioria dos seguidores, basta lembrar-se das decepções que sucederam a mudança da aparência da timeline. Então, o mais provável é que qualquer notícia sobre tais funções não tenha procedência lícita. Em todo caso, uma breve pesquisa no google pode dirimir a dúvida.

5 - Recuse "presentes" do eBay - Vale-presentes ou brindes legais gratuitos para os primeiros 10 mil participantes realmente parecem irresistíveis, mas dar 10 mil cartões, a US$200 cada, totalizando US$ 2 milhões, não parece uma atitude muito verossímil da parte do e-Bay. Se tal iniciativa fosse real, seria merecedora de ao menos uma manchete nos principais meios de comunicação. Como tal manchete não existiu, então com certeza é uma farsa.

6 - Fuja das mutilações em público - Curtir e compartilhar vídeos com imagens atrozes de animais mutilados e sofrimento de crianças infelizmente são ações comuns no facebook e demais redes sociais. Movimentos sociais e sensibilização de causas são instrumentos poderosos nas mãos de cibercriminosos que conseguem despertar falsas ideias de solidariedade ao disseminarem imagens desse tipo. Felizmente, uma rápida pesquisa online acerca do conteúdo proposto, facilmente poderá ajudar o usuário a distinguir o verdadeiro do falso.

7 - Não tente assistir ao que ninguém consegue - Aquela máxima de que "quanto menos pessoas viram, mais interessante se torna" também é levada em conta para a criação de mensagens maliciosas. Vídeos com a chamada "X porcento de pessoas não conseguiram assistir a esse vídeo por mais de xx segundos" continuam fazendo muito sucesso na rede social. Geralmente, vêm acompanhados de uma imagem pornográfica para atiçar o interesse da vítima. O ideal é manter-se longe dessas pegadinhas.

8 - O perigo mora com as estrelas - Não é de hoje que as celebridades servem de pano de fundo para a disseminação de diversos tipos de campanhas, sejam elas lícitas ou ilícitas. E quando esses nomes vêm atrelados a temas como sexo ou morte, tornam-se ainda mais poderosos. Curiosidade, nesse caso, é o nome da praga que pode fazer com que o usuário coloque sua rede em risco. É melhor dizer NÃO.

9 - Esqueça vídeos íntimos das celebridades - A mesma reposta vale para os vídeos de sexo e imagens nuas dessas mesmas celebridades. Na maioria das vezes, elas vêm acompanhadas de uma solicitação para instalar um arquivo ou uma extensão a fim de que você tenha acesso a arquivos inéditos e não divulgados. Também não é necessário dizer que esses arquivos são apenas truques que comprometerão a segurança dos seus dados.

10 - Atualizações arriscadas - E, por fim, as velhas e falsas atualizações de Java, Flashplayer, navegadores, e afins não acabam até que o usuário instale algo, de preferência algo não autorizado, ou simplesmente um phishing. Se o estrago já estiver feito, basta desinstalar as falsas extensões do navegador. Para ver o passo a passo do Firefox, acesse a página. Ou aqui, no caso do Chrome.

fonte: http://olhardigital.uol.com.br/noticia/43768/43768

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Maconha remédio ou morte?

Maconha pode tanto matar quanto salvar neurônios  ::  THC produz efeitos negativos em células neurais em desenvolvimento, mas também pode ser uma importante aliada no tratamento da doença de Alzheimer

 

O tetraidrocanabiol (THC), composto químico com propriedades psicoativas presente na maconha, tem a capacidade de matar neurônios em desenvolvimento. 

Mas seus efeitos não param por aí: a mesma substância pode salvar células neurais de adultos com a doença Alzheimer. É o que aponta um estudo recente feito pela neurofarmacologista Veronica Campbell da Faculdade Trinity, em Dublin. Ela e outros pesquisadores trataram ratos recém-nascidos e ratos jovens com o THC. 

Em ambos os casos os neurônios das cobaias morreram. Os mesmos efeitos, porém, não foram notados em neurônios retirados de animais adultos.

A maconha – assim como o tabaco e o ópio – causa fortes efeitos no cérebro, pois alguns de seus componentes apresentam semelhança química com substâncias que existem naturalmente no corpo humano, os endocanabinoides. Esses compostos são responsáveis por regular importantes funções cerebrais, controlando sinapses e circuitos neurais que processam o pensamento e a percepção. De acordo com alguns estudos, essas substâncias produzem efeitos no cérebro e também no sistema imune, como regulação do desenvolvimento e auxílio à sobrevivência de neurônios jovens, e ainda o controle da ligação neuronal em circuitos envolvidos nos processos cognitivos e de fixação de memórias. A pesquisadora suspeita que fumar maconha durante um período da vida em que os neurônios estão se desenvolvendo afeta sinais químicos críticos.

O massacre de neurônios jovens causado pelo THC pode explicar os prejuízos na aprendizagem notados em crianças filhas de mulheres que fumaram maconha durante a gravidez. Além disso, pesquisas com adolescentes que abusam da droga mostram danos cerebrais nos circuitos neurais em desenvolvimento. Em cérebros mais velhos, entretanto, o THC parece ter um efeito protetor. As descobertas da pesquisadora indicam que a bioquímica dos neurônios muda com o amadurecimento das células. O papel dos endocanabinoides se altera em diferentes funções e passa a ajudar a sobrevivência de neurônios mais velhos.

Em pacientes com a doença de Alzheimer, o THC pode proteger as células cerebrais contra a morte e reforçar os níveis perdidos do neurotransmissor acetilcolina que, quando reduzidos, contribuem para que a função mental de pacientes seja enfraquecida. A substância também suprime o efeito tóxico da proteína a-beta que, em casos de demência, pode matar neurônios e promover a secreção de um catalisador do crescimento neural, além de diminuir a liberação do glutamato (neurotransmissor excitatório) capaz de matar neurônios em casos de demência. O THC também possui ações antiinflamatórias e antioxidantes que protegem as células neurais do ataque do sistema imune.

Apesar de tantos benefícios a substância pode causar efeitos colaterais indesejados no cérebro. A maior dificuldade para os cientistas é a de isolar os ingredientes benéficos da maconha e desenvolver drogas que possam ser aplicadas em doses apropriadas e específicas para a idade de cada paciente. Veronica descobriu que os efeitos positivos do THC são vistos quando a concentração do composto é menor do que a encontrada na própria planta. “É uma questão de balancear baixas concentrações da substância com uma boa margem de segurança”, explica. Drogas sintéticas similares ao tetraidrocanabiol já estão disponíveis, como o Sativex, que contém THC e outros canabinoides e foi aprovada no Canadá para o tratamento de dores em esclerose múltipla e câncer.

A maconha é uma mistura complexa de compostos químicos com propriedades psicoativas e contém cerca de 60 canabinoides distintos. O desafio é tentar separar quais são importantes para proteger os neurônios, ecoando a visão de outros pesquisadores para esse fato. “Dependendo de como a planta é cultivada, a proporção relativa dos diferentes tipos de canabinoides se altera”, finaliza Verônica





Riscos da maconha são 'subestimados', dizem especialistas  ::  Chance de câncer para usuário diário seria a mesma de quem fuma um maço de cigarros por dia

 

Especialistas alertam que o público perigosamente subestima os riscos de saúde ligados a fumar maconha. A Fundação Britânica do Pulmão (BLF, na sigla em inglês) realizou um levantamento com mil adultos e constatou que um terço erroneamente acredita que a cannabis não prejudica a saúde.

E 88% pensavam incorretamente que cigarros de tabaco seriam mais prejudiciais do que os de maconha -- quando um cigarro de maconha traz os mesmos riscos de um maço de cigarros.

A BLF afirma quer a falta de consciência é "alarmante".

Amplamente utilizado

Os números mais recentes mostram que 30% das pessoas entre 16 e 59 anos de idade na Inglaterra e no País de Gales usaram cannabis em suas vidas.

Um novo relatório do BLF diz que há ligações científicas entre fumar maconha e a ocorrência de tuberculose, bronquite aguda e câncer de pulmão. O uso de cannabis também tem sido associado ao aumento da possibilidade de o usuário desenvolver problemas de saúde mental, como a esquizofrenia.

Parte da razão para isso, dizem os especialistas, é que as pessoas, ao fumar maconha, fazem inalações mais profundas e mantêm a fumaça por mais tempo do que quando fumam cigarros de tabaco. Isso significa que alguém fumando um cigarro de maconha traga quatro vezes mais alcatrão do que com um cigarro de tabaco, e cinco vezes mais monóxido de carbono, diz a BLF.

A pesquisa descobriu que particularmente os jovens desconhecem os riscos.

'Campanha pública'

Quase 40% dos entrevistados com até 35 anos de idade -- a faixa etária mais propensa a ter fumado cannabis -- acreditam que maconha não é prejudicial. No entanto, cada cigarro de cannabis aumenta suas chances de desenvolver câncer de pulmão para o equivalente aos riscos de quem fuma um pacote inteiro de 20 cigarros de tabaco, a BLF advertiu.

A chefe-executiva da BLF, Helena Shovelton, disse: "É alarmante que, enquanto pesquisas continuam a revelar as múltiplas consequências para a saúde do uso de maconha, ainda há uma perigosa falta de sensibilização do público sobre o quão prejudicial esta droga pode ser".

"Este não é um problema de nicho -- a cannabis é uma das drogas recreativas mais utilizadas no Reino Unido, já que quase um terço da população afirma ter provado".

"Precisamos, portanto, de uma campanha de saúde pública -- à semelhança das que têm ajudado a aumentar a conscientização sobre os perigos de se comer alimentos gordurosos ou fumar tabaco -- para finalmente acabar com o mito de que fumar maconha é de algum modo um passatempo seguro.'

O relatório do BLF recomenda a adoção de um programa de educação pública para aumentar a conscientização do impacto de fumar maconha e um maior investimento na pesquisa sobre as consequências para a saúde de seu uso.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Diógenes, a Lanterna e a Internet

Alexandre, "o grande", em plena Ágora, perguntou a Diógenes o que poderia fazer por ele, cidadão tão ilustre. 

Então, olhando para Alexandre, Diógenes disse: "Não me tires o que não me podes dar!" (variante: "deixa-me ao meu sol"). 

Por conta disso foi enviado ao ostracismo. 

O ostracismo era uma punição existente em Atenas, no século V a.C, onde o cidadão, geralmente um político, que ameaçasse a democracia, era votado para ser banido ou exilado, por um período de dez anos.

Diógenes pegou uma lanterna e saiu pelo mundo, a procurar um homem honesto... Perambulou por tudo e todos... não encontrava; até olhar seu reflexo na própria lanterna, foi aí que se deu conta de que aquele homem honesto, que ele tanto procurava, era ele mesmo. 

Encontrei na rede um texto que faz uma bela analogia ao herói da verdade, o anarquista Diógenes, o qual reproduzo abaixo:

A Lanterna De Diógenes


Liberdade é o que internet nos dá. Mas ao terminar um texto recente sobre as maravilhas da Web, escrevi: “...é bom você aproveitar. Isso não deve durar muito mais tempo.” E várias pessoas perguntaram o que eu quis dizer.

Quando eu era garoto, meu pai me deu uma lanterna. Fascinado, eu andava com ela de noite ou de dia, firme no volante. Meu pai então começou a me chamar de Diógenes, referindo-se a Diógenes de Sínope, um filósofo grego que nasceu em torno de 400 antes de Cristo em Sinop, onde hoje é a Turquia. Dizem que Diógenes vagava pelas ruas de Atenas, na Grécia, com uma lanterna procurando “a verdade” ou “um homem honesto”. Diógenes era completamente desligado de bens materiais, vivendo como mendigo dentro de um barril. Dizia que assim era livre. Outro filósofo, Epicteto, escreveu sobre ele:

“Se quiseres que eu te mostre um varão verdadeiramente livre, apresentar-te-ei Diógenes. E de que modo chegou ele a ser livre? Destruindo em si tudo quanto o pudesse tornar presa da escravidão; desligado de tudo, completamente isolado, nada possuía. Dava tudo o que lhe pedissem, mas estava fortemente unido aos deuses e a ninguém era inferior em obediência, respeito e submissão para com a tal soberania. Estava aí a sua liberdade.”.

Diógenes era um anarquista. Quando Alexandre o Grande perguntou o que poderia fazer por ele, ouviu como resposta:

- Sai da frente que você está tapando o sol...

Com sua liberdade, Diógenes incomodava. Afinal, a vida em sociedade apoia-se na supressão das liberdades. Em nome do bem comum, leis e regras nos obrigam a renunciar a nossos desejos. Caso contrário seria o caos, não é?

Mas hoje em dia Diógenes não seria respeitado. Seria um pária, insuportável.

Muito bem. Com o desenvolvimento da sociedade tornamo-nos cada vez mais dependentes de pessoas e sistemas. Dependemos para comer, para morar, para brincar, para amar, para pensar. Ainda pagaremos um imposto para respirar, pode ter certeza.

E no auge dessa loucura surge algo independente: a internet. Uma rede de pessoas, a maior fonte de conhecimento da história da humanidade. Nela podemos navegar para onde quisermos. Podemos escrever nossa opinião e ler a opinião dos outros. Por ser livre, a internet é nossa lanterna de Diógenes: através dela podemos encontrar a verdade.

Mas, como aconteceu com Diógenes, a liberdade da internet incomoda. É perigosa. Enche a cabeça das pessoas de ideias... É preciso, portanto, criar regras. Primeiro as econômicas: para acessar isto ou aquilo, você tem que pagar. Depois as jurídicas: se fizer isto ou aquilo, você pode incorrer em alguma contravenção. E por fim as regras policiais: estamos te vigiando. Sabemos onde você esteve, o que você fez e o que você pensa...

Você sabia que neste exato momento está sendo discutido um projeto de lei que quer colocar “ordem” na internet? A justificativa é excelente: assim poderemos coibir os criminosos. Mas... O projeto de lei 84/99 (Lei Azeredo), que começou apoiado em regras jurídicas, agora incorpora regras policiais, introduzidas pelo Ministério da Justiça. Além de todos os dados de tráfego, como horários de entrada e saída do internauta, os provedores serão obrigados a registrar o nome completo, filiação e número de registro de pessoa física ou jurídica.

Vão saber tudo que você fez.

Daí para controlar o que será publicado e lido, é um nada.

Foi por isso que eu disse “...é bom você aproveitar. Isso não deve durar muito mais tempo.”. Aquele “isso” quer dizer li-ber-da-de.

Fica esperto, meu. Tem gente querendo apagar a lanterna.

domingo, 17 de agosto de 2014

Bullying pode causar traumas permanentes

Quando feito de apelidos e piadinhas, o bullying pode até parecer uma brincadeira. Mas suas conseqüências não são. Segundo a pesquisadora Cleo Fante, ex-presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar (Cemeobes), se mal resolvido, o bullying pode deixar marcas para o resto da vida – tanto nos que o praticam quanto naqueles que dele são vítimas. 

“É um equívoco dizer que o bullying é uma brincadeira e que os alunos o superam sozinhos. Estamos falando de uma forma de violência deliberada”, diz. Mergulhada há cerca de dez anos no tema, Cleo é co-autora do livro Bullying: Perguntas e Respostas e autora de Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas Escolas e Educar para a Paz, recém-adotado pela Secretaria da Educação de São Paulo como manual para a rede estadual paulista. Confira a seguir a entrevista com a especialista.     

O que caracteriza o bullying?

Para que uma ação seja considerada bullying, ela precisa ter certas características: ser repetida contra uma mesma pessoa, apresentar um desequilíbrio de poder que dificulte a defesa da vítima, não possuir razão aparente e contar com atitudes deliberadas e que tragam prejuízo – material, físico, emocional ou de aprendizado. Há estudos sobre bullying entre alunos e professores, porém, o mais conhecido é entre alunos, apenas.

Na sua opinião, as escolas sabem lidar com a questão?

A maneira de lidar com a questão varia muito. Independe da localização e dos recursos da escola. Depende, isso sim, dos valores que propaga. De modo geral, ainda há muito a melhorar, mas pelo menos a percepção social do bullying melhorou nos últimos anos.

O tipo e a localização da escola influem na incidência do fenômeno?

Nas pesquisas que realizei, não vi muita diferença entre escolas pobres e ricas, centro e periferia. Não posso generalizar, dizendo que as escolas públicas têm mais bullying que as particulares. O que se sabe é que as escolas que trabalham valores humanos, que colocam limites, que impõem autoridade aos estudantes, sofrem menos.

Há algum canal de denúncia oficial no país?

Sim, a partir de 2008, o Disque 100 [Disque Denúncia Nacionalde Abuso e Exploração Sexualcontra Crianças e Adolescentes, criado em 1997 pela Associação Brasileira Multidisciplinar de Proteção à Criança e ao Adolescente (Abrapia) e executado desde 2003 pela Secretaria Especial de Direitos Humanos] passou a acolher denúncias de bullying. Foi uma conquista nossa, dos profissionais que desenvolvem um trabalho na área há quase dez anos. Desse trabalho, também são fruto os diversos projetos de lei espalhados pelo país que preveem que as escolas passem a preparar seus funcionários – não apenas professores – para identificar o bullying e para lidar com ele.

O que leva uma criança ou adolescente a praticar o bullying?

Nos estudos com que me envolvi, identificou-se que 80% dos agressores eram vítimas de violência em casa ou na própria escola. Eles reproduziam essa violência. Outras fontes apontadas pelas pesquisas são a permissividade e a falta de imposição de limites para crianças e adolescentes, a ausência de afeto e a influência da mídia, videogames e jogos virtuais. É um equívoco dizerem que bullying é coisa da idade, que com o tempo passa, que é brincadeira ou que os alunos superam sozinhos. Estamos falando de uma forma de violência que é deliberada, intencional, que é tramada, planejada. O bullying não pode ser explicado pela insegurança da adolescência.

Que tipo de trauma o bullying pode gerar às vítimas?

A curto e longo prazo, o bullying interfere na auto-estima, na concentração, na motivação para os estudos, no rendimento escolar e nos males psicossomáticos (diarréia, febre, vômito, dor de estômago e de cabeça) da vítima. A longo prazo, a vítima pode desenvolver transtornos de ansiedade e de alimentação (bulimia, anorexia, bruxismo, alergias, depressão e ideias suicidas). Se não houver intervenção, pode haver efeitos para o resto da vida. A vítima pode ser sempre insegura. Alguns têm resiliência, o poder de resistir e superar situações difíceis, mas outros penam.

E os agressores?

O agressor sofre, de imediato, um distanciamento dos objetivos escolares. Ele passa a ficar o tempo todo planejando o que fazer e se esforçando para manter o jogo de poder com a vítima. Aliás, ele pode ter várias vítimas, isso é o mais comum. O agressor, então, pode sofrer queda no rendimento escolar e até evasão – como ele deixa de aprender, pode ser reprovado e perder a motivação para estudar. A longo prazo, ele pode cair na delinquência e no uso ou tráfico de drogas. Além disso, pode praticar o bullying em outros ambientes, como o trabalho e a família, tendo problemas nas relações profissionais e sociais e até nos relacionamentos afetivos e amorosos – prejudicados pela questão do poder, que tenderá a acompanhar o agressor.

É possível que o bullying tenha algum efeito positivo na vida adulta?
Imagine! Quanto mais cedo uma criança passa por situações de bullying, pior para ela.

sábado, 16 de agosto de 2014

Publicidade, propaganda e apelo sexal. Vale?

Apelo sexual na propaganda pode ser uma faca de dois gumes

 

De olho nos consumidores, as grandes marcas e empresas utilizam vários tipos de apelos na propaganda que vão desde o humor até os sexuais, que podem influenciar a percepção e o comportamento. Tudo vale na hora de persuadi-los a adquirir um determinado produto, seja ele tangível (bem) ou intangível (serviço, ideia, conceito, etc).

Segundo Martin Petroll, Mestre em Administração, com ênfase em Marketing, pelo PPGA/EA/UFRGS e graduado em Administração de Empresas pela UNISINOS, o apelo sexual se tornou uma “arma” para algumas marcas como o caso da Calvin Klein, Duloren, Axe, entre outras, e é cada vez mais explorado.

As propagandas com essa conotação tende aumentar a intenção de compra do produto, mas acaba não gerando uma fidelização, pois atrai esse consumidor por razões irracionais. Por outro lado, quando essas expectativas geradas pela propaganda não são atingidas, pode causar uma decepção em relação ao produto/marca. Outro ponto é o empregado inadequado do apelo sexual, que também pode gerar uma reação negativa.

Um exemplo recente é o caso do jornal israelense Ha’aretz, o mais antigo do país, que causou grande polêmica na mídia. Com o intuito de explicar que a leitura é algo prazeroso, o comercial mostra um casal tendo uma relação sexual e durante o ato, o  homem menciona as qualidades do jornal. Confira:

          

No Brasil, um pouco menos polêmico, mas que também deu o que falar nas redes sociais é a ação da Fiat Brasil. No Dia do Sexo, comemorado no dia 06/09 (sexta-feira), lançou um vídeo que mostrar a traseira do carro Fiat Punto amarelo parado em uma rua que balança e traz a frase: “Hoje tem”. A postagem feita pela marca não apresentou nenhuma cena de nudez, mas bem sugestivo. Veja no Instagram da Fiat (clique aqui)

O apelo sexual na propaganda pode ser uma faca de dois gumes. E você, conhece alguma propaganda interessante com esse teor? Compartilhe com a gente.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Perigo :: É eminente o risco de tempestade solar

Perigo vindo do Sol! É iminente a ameaça de uma tempestade solar sobre a Terra, segundo advertência feita por cientista da Universidade de Bristol…


É iminente a ameaça de uma tempestade solar sobre a Terra, segundo advertência feita pelo cientista da Universidade de Bristol, Ashley Dale, em declarações à revista Physics World publicada pela Sociedade Astronômica dos EUA.

Dale, que vinha trabalhando para identificar os riscos de uma tormenta solar em conjunto com o grupo internacional SolarMAX, garante que é “só uma questão de tempo” que o fenômeno “excepcionalmente violento” acabe atingindo a Terra e destruindo seus sistemas de comunicação e redes de eletricidade.

“Sem eletricidade, as pessoas teriam dificuldade para abastecer os tanques de seus carros, sacar dinheiro do banco e outras atividades imprescindíveis no cotidiano”, disse o cientista. A coisa pode ser pior ainda, pois os sistemas de distribuição de água e de controle dos tráfegos terrestre e aéreo também seriam afetados.

Imagine-se um “bug” provocado por tempestade solar, com a internet fora do ar, os serviços de primeiras necessidades sem energia, os metrôs paralisados… Voltaríamos aos tempos de meados do século passado, buscando as alternativas dos nossos avós.

O fenômeno anunciado, segundo a AAS (sigla da sociedade de astronomia americana), é consequência de violentas erupções na superfície do Sol que vêm acompanhadas das chamadas ejeções de massa corporal, com que as estrelas vermelhas lançam no espaço gigantescas bolhas de plasma e campos magnéticos.

Acompanhe em tempo real a atividade solar: http://soho.nascom.nasa.gov/spaceweather/


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Cocaína causa dano cerebral após 2 anos de uso

Cocaína danifica o cérebro após 2 anos de uso :: Pesquisa da Unifesp, inédita no país, com dependentes e ex-dependentes indica alterações leves após 1 ano de uso


A cocaína provoca alterações irreversíveis no cérebro depois de dois anos de uso contínuo, em média. Em alguns casos, danos leves já aparecem depois de 11 ou 12 meses de consumo.

A memória, a atenção, a concentração, a capacidade de raciocínio abstrato e o sentido de espacialidade são as funções cerebrais mais afetadas pela cocaína aspirada ou cheirada em forma de crack.

A radiografia dos estragos causados pela droga consta de pesquisa realizada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) com 30 dependentes e ex-dependentes. Os pesquisadores utilizaram um tomógrafo computadorizado do tipo Spect, que fotografa o cérebro em atividade. Os voluntários também se submeteram a uma avaliação neuropsicológica.

"As alterações nas funções foram constatadas nos dois tipos de exames", diz o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, coordenador da pesquisa e diretor do Proad (Programa de Orientação e Assistência a Dependentes), do departamento de psiquiatria da Unifesp.

Segundo Silveira, trata-se do primeiro estudo do gênero no Brasil. Nos EUA, há pesquisas com metodologia semelhante, mas com número bem menor de dependentes.

A equipe de pesquisadores -que inclui Marcelo Fernandes, Antonio Barbieri, Eliseu Labigalini e Evelyn Doering- chegou a se surpreender com algumas das constatações. A primeira delas é que o tempo de uso tem mais importância que a quantidade de droga utilizada. Todos os que usaram cocaína por mais de 58 meses apresentaram alterações graves, independentemente da quantidade que usavam.

Outra surpresa: as alterações no cérebro dos dependentes de crack não eram maiores que aquelas encontradas em usuários de cocaína aspirada. Igualmente, os danos não diminuíam nos dependentes que tinham parado de usar 30 dias antes do exame.

Segundo Silveira, as alterações ocorrem por dois mecanismos que são simultâneos. Primeiro, a cocaína provoca uma constrição dos vasos sanguíneos, fazendo com que algumas regiões do cérebro recebam menor quantidade de sangue. Segundo, a vasoconstrição causa microderrames. Com isso, toda a rede de neurônio afetada deixa de funcionar. Por serem alterações relativamente pequenas, elas afetam especialmente as funções intelectuais e abstratas.

As constatações da pesquisa podem beneficiar os dependentes levando-os a se esforçar por interromper o uso da droga, acredita Silveira. Tanto esse estudo como outros realizados nos EUA mostraram que, ao deixar de usar a droga, as alterações se estabilizam, cessando a evolução. Assim, os danos poderiam ser contornados.

Por outro lado, os pesquisadores acham que os resultados devem levar a novas estratégias de tratamento. Por exemplo, um dependente com dificuldade de abstração deverá receber terapia específica, pois assimilará apenas uma parte do que está sendo dito.

Os voluntários do estudo eram todos homens e estavam sendo atendidos pelo Proad. Foram selecionados entre os que não faziam uso de múltiplas drogas nem eram dependentes de álcool.

A maioria deles usava cocaína duas vezes por semana, consumindo em média 4,5 gramas por vez. Um deles chegou a usar 19 gramas numa única ocasião.

Segundo Silveira, o Proad pretende agora repetir os mesmos exames com dependentes de álcool, maconha, Santo Daime e de outras drogas. "Os estudos com os dependentes de cocaína devem continuar", diz Silveira. "Há muitas alterações que ainda precisam ser explicadas."

Dependente tem problema para se localizar no espaço

Uma das funções cerebrais mais afetadas pelo uso da cocaína é a espacialidade, a capacidade de a pessoa se situar tridimensionalmente diante de um objeto ou no interior de algum local. Com a espacialidade alterada, um motorista pode ficar em dúvida se passará ou não por um túnel. Uma pessoa poderá cair da escada ao calcular mal a altura e a distância dos degraus.

"Nunca tinha notado essas alterações tão presentes em nenhum outro tipo de paciente", diz a psicóloga Evelyn Doering, que realizou os longos testes neuropsicológicos com os voluntários.

A espacialidade é uma função que está concentrada na região parietal, que fica na parte de trás e de cima do cérebro. A alteração apareceu quando os pacientes foram convidados a ordenar uma série de cubos seguindo um modelo que estava impresso num papel. "Sempre que apareciam figuras na diagonal, eles se atrapalhavam muito", diz.

Uma certa displicência na execução de algumas tarefas também foi observada em boa parte dos voluntários. Por exemplo, não observavam direito certas ações, depois não conseguiam repeti-las.


Fonte: UNIMED, por AURELIANO BIANCARELLI

sábado, 9 de agosto de 2014

As Drogas, seus efeitos e riscos :: O que fazer?

Anualmente a ONU, através do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) dá ênfase à Campanha Internacional de Prevenção às Drogas. Em Viena, foi lançado o Relatório Mundial de Drogas contendo informações atualizadas do mundo todo sobre consumo, produção e tráfico de drogas




UM GUIA PARA TODOS


Secretaria Nacional Antidrogas

O que são drogas?
São substâncias utilizadas para produzir alterações, mudanças nas sensações, no grau de consciência e no estado emocional. As alterações causadas pelas substâncias variam de acordo com as características da pessoa que as usa, qual droga é utilizada e em que quantidade, o efeito que se espera da droga e as circunstâncias em que é consumida. Geralmente achamos que existem apenas algumas poucas substâncias extremamente perigosas: são essas que chamamos de drogas. Achamos também que drogas são apenas os produtos ilegais como a maconha, a cocaína e o crack. Porém, do ponto de vista da saúde, muitas substâncias legalizadas podem ser igualmente perigosas, como o álcool, que também é considerado uma droga como as demais.

Quais os tipos de drogas que existem e que efeitos elas provocam?
As drogas atuam no cérebro afetando a atividade mental, sendo por essa razão denominadas psicoativas. Basicamente, elas são três tipos:

Drogas que diminuem a atividade mental – também chamadas de depressoras. Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais lenta. Essas drogas diminuem a atenção, a concentração, a tensão emocional e a capacidade intelectual. Exemplos: ansiolíticos (tranquilizantes), álcool, inalantes (cola), narcóticos (morfina)

Drogas que aumentam a atividade mental – são chamadas de estimulantes. Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais acelerada. Exemplos: cafeína, tabaco, anfetamina, cocaína, crack;

Drogas que alteram a percepção – são chamadas de substâncias alucinógenas e provocam distúrbios no funcionamento do cérebro, fazendo com que ele passe a trabalhar de forma desordenada, numa espécie de delírio. Exemplos: LSD, ecstasy, maconha e outras substâncias derivadas de plantas.


AS DROGAS E SEUS EFEITOS:

Drogas que diminuem a atividade mental

Substância
Origem
Conhecida como
Possíveis efeitos
Possíveis efeitos
Ansiolíticos ou tranqüilizantes
Substâncias sintéticas produzidas em laboratórios
Sedativos, calmantes, Valium, Lexotan, Diazepan, Dienpax, Librium, Lorax, Rohypnol, Dalmadorm
Alívio da tensão e da ansiedade, relaxamento muscular, sonolência, fala pastosa, descoordenação dos movimentos, falta de ar.
Em altas doses podem causar queda da pressão arterial.
Quando usadas com álcool, aumentar os seus efeitos, podendo levar a estado de coma.
Em grávidas podem causar mal formação fetal.
Álcool etílico
Obtido a partir de cana-de-açúcar, cereais ou frutas, através de um processo de fermentação ou destilação.
Álcool, “birita”, “mé”, “mel”, “pinga”, “cerva”.
Em pequenas doses: desinibição, euforia, perda da capacidade crítica;
Em doses maiores: sensação de anestesia, sonolência, sedação.
O uso excessivo pode provocar náuseas, vômitos, tremores, suor abundante, dor de cabeça, tontura, liberação da agressividade, diminuição da atenção da capacidade de concentração, bem como dos reflexos, o que aumenta o risco de acidentes.
O uso prolongado pode ocasionar doenças graves como, por exemplo, cirrose no fígado e atrofia (diminuição) cerebral.
Inalantes ou solventes
Substâncias químicas.
Cola de sapateiro, esmalte, benzina, lança-perfume, “loló”, gasolina, acetona, éter, tíner, aguarrás e tintas.
Euforia, sonolência, diminuição da fome, alucinações.
Tosse, coriza, náuseas e vômitos, dores musculares. Visão dupla, fala enrolada, movimentos desordenados e confusão mental.
Em altas doses, pode haver queda da pressão arterial, diminuição da respiração e dos batimentos do coração, podendo levar à morte.
O uso continuado pode causar problemas nos rins e destruição dos neurônios (células do sistema nervoso), podendo levar à atrofia cerebral.
O uso prolongado está frequentemente associado a tentativa de suicídio.
Narcóticos (ópio e seus derivados: heroína, morfina e codeína)
Extraídos da papoula ou produtos sintéticos obtidos em laboratório.
Heroína, morfina e codeína (xaropes de tosse, Belacodid, Tylex, Exilir paregórico, Algafan).
Dolantina, Meperidina e Demerol.
Sonolência, estado de torpor, alívio da dor, sedativo da tosse.
Sensação de leveza e prazer.
Pupilas contraídas.
Pode haver queda da pressão arterial, diminuição da respiração e dos batimentos do coração, podendo levar à morte.
Na abstinência bocejos, suor lacrimejamento, coriza, abundante, dores musculares e abdominais. Febre, pupilas dilatadas e pressão arterial alta.



AS DROGAS E SEUS EFEITOS:


Drogas que aumentam a atividade mental
Anfetaminas
Substâncias sintéticas obtidas em laboratório.
Metanfetamina, “ice”, “bolinha”, “rebite”, “boleta”.
Moderex, Hipofagin, Inibex, Desobesi, Reactivan, Pervertin, Preludin.
Estimulam atividade física e mental, causando inibição do sono e diminuição do cansaço e da fome.
Podem causar taquicardia (aumento dos batimentos do coração), aumento da pressão sanguínea, insônia, ansiedade e agressividade.
Em doses altas podem aparecer distúrbios psicológicos graves como paranóia (sensação de ser perseguido) e alucinações. Alguns casos evoluem para complicações cardíacas e circulatórias (derrame cerebral e infarto do miocárdio), convulsões e coma.
O uso prolongado pode  levar à destruição de tecido cerebral.
Cocaína
Substância extraída da folha de coca, planta encontrada na América do Sul
“Pó”, “brilho”, “crack”, “merla”, pasta-base.
Sensação de poder, excitação e euforia. Estimulam a atividade física e mental, causando inibição do sono e diminuição de cansaço e da fome. O usuário vê o mundo mais brilhante, com mais intensidade.
Pode causar taquicardia, febre, pupilas dilatadas, suor excessivo e aumento da pressão sanguínea.
Podem aparecer insônia, ansiedade, paranóia, sensação de medo ou pânico.
Pode haver irritabilidade e liberação da agressividade.
Em alguns casos podem aparecer complicações cardíacas, circulatórias e cerebrais (derrame cerebral e infarto ao miocárdio).
O uso prolongado pode levar à destruição de tecido cerebral.
Tabaco (nicotina)
Extraído da folha do fumo
Cigarro, charuto e fumo
Estimulante, sensação de prazer.
Reduz o apetite, podendo levar a estados crônicos de anemia.
O uso prolongado causa problemas circulatórios, cardíacos e pulmonares.
O hábito de fumar está frequentemente associado à câncer de pulmão, bexiga e próstata, entre outros.
Aumenta o risco de aborto e de parto prematuro.
Mulheres que fumam durante a gravidez têm, em geral, filhos com peso abaixo do normal.

AS DROGAS E SEUS EFEITOS:

Drogas que produzem distorções da percepção

Maconha
(tetraídocanabinol
Substância extraída da planta Cannabis Sativa
Maconha, haxixe, “baseado”, “fininho”, “marrom”
Excitação seguida de relaxamento, euforia, problemas com o tempo e o espaço, falar em demasia e fome intensa. Palidez, taquicardia, olhos avermelhados, pupilas dilatadas e boca seca.
Prejuízo da atenção e da memória para fatos recentes; algumas pessoas podem apresentar alucinações, sobretudo visuais.
Diminuição dos reflexos, aumentando o risco de acidentes.
Em altas doses, pode haver ansiedade intensa; pânico; quadros psicológicos graves (paranóia).
O uso contínuo prolongado pode levar a uma síndrome amotivacional (desânimo generalizado)
Alucinógenos
Substâncias extraídas de plantas ou produzidas em laboratório
LSD(ÁCIDO LISÉRGICO,”acido”, “selo”, “microponto”),psilocibina (extraída de cogumelos) e mescalina (extraída de cactos).
Efeitos semelhantes aos da maconha, porém mais intensos. Alucinações, delírios, percepção deformada de sons, imagens e do tato.
Podem ocorrer “más viagens”, com ansiedade, pânico ou delírios.
Ecstasy metilenodióxime-tanfetamina
Substância sintética do tipo anfetamina, que produz alucinações.
MDMA, “êxtase”, “pílula do amor”.
Sensação de bem-estar, plenitude e eleveza. Aguçamento dos sentidos.
Aumento da disposição e resistência física, podendo levar à exaustão.
Alucinações, percepção distorcida de sons e imagens.
Aumento de temperatura e desidratação, podendo levar à morte.
Com o uso repetido, tendem a desaparecer as sensações agradáveis, que podem ser substituídas por ansiedade, sensação de medo, pânico e delírios.

O efeito de uma droga é o mesmo para qualquer pessoa?

Não. Os efeitos dependem basicamente de três fatores:

> da droga; do usuário; do meio ambiente.


Cada tipo de droga,tende a produzir efeitos diferentes no organismo. A forma como uma substância é utilizada, assim como a quantidade consumida e o seu grau de pureza também terão influência no efeito.

Cada usuário, com suas características biológicas (físicas) e psicológicas, tende a apresentar reações diversas sob a ação de drogas. O meio ambiente também influencia o tipo de reação que a droga pode produzir. Por exemplo, uma pessoa ansiosa (usuário) que consome grande quantidade de maconha (droga) em um lugar público (meio ambiente) terá grande chance de se sentir perseguido (“paranóia”). Já aquele que consome maconha, quando está tranquilo em casa, com amigos, terá menor probabilidade de apresentar reações desagradáveis.  

DEPENDÊNCIA
O que é dependência?
Dependência é o impulso que leva a pessoa a usar uma droga de forma contínua (sempre) ou periódica (frequentemente) para obter prazer. Alguns indivíduos podem também fazer uso constante de uma droga para aliviar tensões, ansiedade, medos, sensações físicas desagradáveis etc. O dependente caracteriza-se por não conseguir controlar o consumo de drogas, agindo de forma impulsiva e repetitiva.
Para compreendermos melhor, vamos analisar as formas principais em que ela se apresenta: a física e a psicológica.

A dependência física caracteriza-se por sintomas e sinais físicos que aparecem quando o indivíduo para de tomar a droga ou diminui bruscamente o seu uso: é a síndrome de abstinência. Os sinais e sintomas de abstinência dependem do tipo de substância utilizada e aparecem horas ou dias depois que ela foi consumida pela última vez. No caso dos dependentes de álcool,a abstinência pode ocasionar desde um simples tremor nas mãos a náuseas, até um quadro de abstinência grave denominado “delirium tremens”, com risco de morte, em alguns casos.

Já a dependência psicológica corresponde a um estado de mal-estar e desconforto que surge quando o dependente interrompe o uso de uma droga. Os sintomas mais comuns são ansiedade, sensação de vazio, dificuldade de concentração, mas que podem variar de pessoa para pessoa.Com os medicamentos existentes atualmente, a maioria dos casos relacionados à dependência física podem ser tratados. Por outro lado, o que quase sempre faz com que uma pessoa volte a usar drogas é a dependência psicológica, de difícil tratamento e não pode ser resolvida de forma relativamente rápida e simples como a dependência física.

Todo usuário de drogas vai se tornar um dependente?
De maneira geral, as pessoas que experimentam drogas o fazem por curiosidade e as utilizam apenas uma vez ou outra (uso experimental). Muitas passam a usá-las de vem em quando, de maneira esporádica (uso ocasional), apenas um grupo menor passa a usar drogas de forma intensa, em geral quase todos os dias, com conseqüências danosas (dependência).

O grande problema é que não dá para saber, entre as pessoas que começam a usar drogas, quais serão apenas usuários experimentais, ocasionais e quais se tornarão dependentes.

É importante lembrar, porém, que o uso, ainda que experimental, pode vir a produzir muitos danos à saúde da pessoa.

Por que os jovens têm dificuldade de reconhecer que o uso de drogas é nocivo e perigoso?
Em grande parte, isso se deve ao fato de que a maioria dos consumidores de drogas, legais ou ilegais, conhecem muitos usuários ocasionais, mas poucas pessoas (ou nenhuma) que se tornaram dependentes ou tiveram problemas com o uso de drogas. Por outro lado, o prazer momentâneo obtido com a droga e a imaturidade não favorecem maiores preocupações com os riscos.

PREVENÇÃO

Se não é possível acabar com a oferta de drogas, o que pode ser feito?
O importante é realizar um trabalho de prevenção, ou seja, diminuir a motivação que alguém possa vir a ter de usar drogas. Ainda, um trabalho de conscientização, revelando os danos, sociais, físicos e psicológicos, causados pelo uso de drogas.

Como podemos ajudar um jovem a ter uma atitude adequada com relação às drogas?
O que os pais podem fazer é tornar-se exemplo para os filhos. A maneira como os pais lidam com a questão tem muito mais efeito sobre o jovem do que as informações que são dadas.
As crianças e os jovens começam a aprender o que é droga quando observam os adultos em busca de tranqüilizantes ao menor sinal de tensão ou nervosismo. Aprendem também o que é droga quando ouvem seus pais dizerem que precisam de três xícaras de café para se sentirem acordados, ou ainda quando sentem o cheiro de fumaça de cigarros... Além disso, eles aprendem o que é dependência quando observam como seus pais têm dificuldade em controlar diversos tipos de comportamentos, como, por exemplo, comer de modo exagerado, fazer compras sem necessidade, trabalhar excessivamente.
Os adultos têm sempre “boas” formas de justificar esses comportamentos, mas na verdade trata-se de um modelo de comportamento impulsivo e descontrolado. E esses modelos de comportamento podem ser copiados pelos jovens na forma como se relacionam com as drogas.
Esse é o princípio básico de modelo de comportamento dependente que observamos em um imenso número de adultos e pais que, sem a menor consciência do que estão fazendo, “ensinam” aos filhos, alunos e jovens em geral que os problemas podem ser resolvidos, como que por uma passe de mágica, com a ajuda de uma substância.É importante que os jovens compreendam, por meio de nossas atitudes, qual é a atitude adequada em relação às drogas. Esse processo de aprendizagem começa na infância e continua até o final da adolescência.

Quais as razões que levam uma pessoa a usar drogas?
Muitas são as razões que podem levar alguém a usar drogas. Cada pessoa tem seus próprios motivos. Os pais não devem tirar conclusões apressadas se suspeitam ou descobrem se o filho(a) usou ou está usando drogas. É preciso que escutem com muita atenção o que o filho(a)tem a dizer, para compreender o que está acontecendo. Entre os possíveis motivos, destacamos:

*A oportunidade surgiu e o jovem experimentou.
O fato de um jovem experimentar drogas não faz dele um dependente. Porém, mesmo experiências aparentemente inocentes podem resultar em problemas (com a lei, por ex). Um jovem que usou drogas passa a ser tratado muitas vezes como “drogado” por seus pais ou professores.O excesso de preocupação com o uso experimental ,pode tornar-se muito mais perigoso do que o uso de drogas em si.
Diante dessa situação os pais não se devem desesperar. Reagir com agressividade e com violência pode até mesmo empurrar o jovem para o abuso e a dependência de drogas. Os pais devem alerta-lo sobre possíveis riscos e, se possível, conversar francamente sobre o assunto, aproveitando a oportunidade.

*O uso de drogas pode ser visto como excitante e ousado pelos jovens. Cabe aos adultos alertar os jovens sobre os riscos relacionados com o uso de drogas. Assim, quando se falar em riscos, a informação deverá ser objetiva, direta e precisa, caso contrário o efeito poderá até mesmo ser oposto ao desejado. Grande parte dos jovens conhece pessoas que usam maconha e que nunca se interessaram por outras drogas. Para eles, a afirmação de que “a maconha é a porta de entrada...” pode soar mentirosa e, como consequência, deixarão de ouvir os adultos em assuntos realmente importantes. Por outro lado, se o jovem que ouve essa afirmação nunca experimentou drogas e pouco conhece do assunto, ele pode ficar muito curioso, principalmente porque para os adolescentes assumir riscos faz parte do jogo, em que o próprio risco é transformado em desafio.
Por exemplo, alertar os jovens sobre os riscos de se consumir bebida alcoólica e depois sair dirigindo pode ser feito de forma clara, precisa e objetiva. Isso é muito mais educativo do que discursos dramáticos e aterrorizantes sobre os malefícios do álcool. Dizer de outra forma, tentar exagerar os riscos e perigos pode ser um estímulo ao uso de drogas, principalmente para os jovens.

*As drogas podem modificar o que sentimos.
Esse poder de transformação das emoções pode se tornar um grande atrativo, sobretudo para os jovens. A melhor maneira de tentar neutralizar a atração que as drogas exercem seria estimular os jovens a experimentar formas não-químicas de obtenção de prazer. Os “barato” podem ser obtidos através de atividades artísticas, esportivas, etc. Cabe aos adultos tentar conhecer melhor os jovens para estimulá-los a experimentar formas mais criativas de obter prazer e sensações intensas.

*Muitas pessoas acreditam que os jovens acabam consumindo drogas pela influência de colegas e amigos (pressão de grupo). Embora a “pressão do grupo” tenha influência, sabemos que a maioria dos grupos tem um discurso contrário às drogas; mesmo assim, alguns jovens acabam se envolvendo. Mais importante do que estar em acordo com o grupo é estar bem consigo mesmo . Os jovens que dependem muito da aprovação do grupo são justamente aqueles que têm outros tipos de problemas ( ex. sentem-se pouco amados pelos pais, não atraentes etc.)

*O uso de drogas pode ser uma tentativa de amenizar sentimentos de solidão, de inadequação, baixa auto-estima ou falta de confiança .É importante tentar ajudar o jovem a superar as dificuldades sem a necessidade de recorrer às drogas. Os pais devem dar segurança para seus filhos através do afeto. Eles devem se sentir amados, apesar de seus defeitos ou de suas dificuldades.

*Mas não existe uma pressão externa para consumir drogas?
Sim, essa pressão certamente existe. Nossa sociedade tem como um de seus maiores objetivos a felicidade. O grande problema é que tristeza, descontentamento e solidão passam a ser vistos como situações a serem eliminadas, quando, na verdade, elas fazer parte da vida e de ser compreendidas e transformadas. Desde muito cedo, as crianças têm um modelo de felicidade diretamente ligado ao consumismo: o que podemos comprar poderá nos trazer satisfação e felicidade. As propagandas de álcool, cigarro e chocolate veiculam esse modelo, para vender seus produtos. A crença ingênua de que “podemos comprar a felicidade” e de que “tristeza e solidão devem ser evitadas a qualquer preço” constituem o mesmo padrão de relação que os dependentes (consumidores) estabelecem com as drogas (produtos). Nesse sentido, podemos dizer que os “drogados” estão apenas repetindo o modelo de sociedade que lhes oferecemos.
Consumir drogas é uma forma de prazer. Isso não pode ser negado. Devemos ter em mente que existem maneiras de se obter prazer cujo preço a pagar pode ser muito alto.

Existem sinais para identificarmos se alguém está usando drogas?
Com freqüência os pais querem saber quais os sinais que indicam que um jovem esteja usando drogas. Não existe maneira fácil de confirmar a suspeita.
Tentar identificar no jovem sinais ou efeitos das diferentes substâncias só tende a complicar ainda mais as coisas. O clima de desconfiança que se instala nessas situações prejudica muito o relacionamento entre os familiares.
É normal e esperado que os jovens tenham segredos e que dificultem o acesso de outras pessoas da família, sobretudo os pais, questões de sua vida pessoal. Eles tendem também a experimentar situações novas, a assumir atitudes desafiantes e de oposição e até mesmo a apresentar comportamentos característicos de uma adolescência normal. A grande dificuldade dos pais é saber até que ponto essas atitudes e comportamentos estão dentro do esperado ou se já significam que o jovem está passado por problemas mais graves e necessitando de ajuda. O mais importante é que os pais tentem conversar com os filhos. Mesmo que o diálogo se torne tenso e cheio de conflitos, ainda assim é uma via de comunicação . Os pais devem se preocupar mais em ouvir do que em dar conselhos.
Quando o jovem se isola e o acesso se torna impossível, é um sinal de que é necessário procurar ajuda externa.

Deve-se conversar com os filhos sobre o uso de drogas?
Sim, na medida em que eles se mostrarem interessados pelo assunto.
Se o uso de drogas puder ser discutido de forma adequada à idade da criança ou do adolescente, vai deixar de ser algo secreto , perdendo muito de seus atrativos.Qualquer atividade vista como oculta do mundo dos pais e dos professores tende a ser vista pelos jovens como instigante e excitante.
A maioria dos pais tende a conversar com os filhos sobre drogas somente quando surgem problemas e conflitos. Entretanto, torna-se muito mais fácil conversar com os filhos sobre esses problemas e conflitos quando os pais já puderam superar no passado a barreira de falar sobre drogas. É importante também lembrar que conflitos e rebeldia fazem parte da adolescência normal e não indicam necessariamente envolvimento com drogas. Os conflitos dos jovens são necessários para que se tornem adultos, sendo responsabilidade dos pais ensinar seus filhos a lidar com os problemas. Os pais não devem se apavorar com as discussões, mas compreender a raiva e a revolta do jovem e mostrarem-se seguros com relação às suas próprias crenças e valores.

Como deve ser a informação que os pais devem dar a seus filhos a respeito de drogas?
O primeiro grande problema que se apresenta nessas situações é que normalmente os jovens são mais informados a respeito de drogas do que seus pais.
Quando falarem de drogas, os pais devem se basear em substâncias que eles realmente conhecem (por exemplo, álcool ou tranqüilizantes). Os pais em geral têm dificuldade em falar sobre drogas ilegais, mas grande parte das informações a respeito de drogas legalizadas (como álcool e tranquilizantes) tende a ser igualmente válida para as ilegais. Seria aconselhável que os pais pudessem adquirir conhecimentos básicos sobre as principais substâncias de uso e abuso em nosso meio, para que não transmitam informações sem fundamento ou preconceituosas, como são habitualmente veiculadas em jornais, revistas, televisão, etc. Não há problema no fato de os pais admitirem perante os filhos o seu desconhecimento a respeito de drogas, quando for o caso. Não precisam ter conhecimentos detalhados para poder ajudar seus filhos.
Relacionamentos familiares sólidos são mais importantes do que o conhecimento que os pais têm sobre drogas. Se no decorrer de anos de convivência, as relações familiares forem bem constituídas e solidificadas, dificilmente o uso de drogas virá a se tornar um problema. Por outro lado, se a qualidade dos relacionamentos for precária, os pais deverão ficar atentos não apenas aos problemas das drogas mas também a outros aspectos da vida familiar.
Infelizmente, quando isso acontece, os pais nem sempre têm consciência do distanciamento que existe entre eles. É comum nessas circunstâncias os pais terem atitudes autoritárias com os filhos,aumentando mais essa distância.
Com essas dificuldades, os pais devem recorrer a pessoas que possam ajudá-los.

Como os pais devem exercer sua autoridade?
 A maioria das crianças e adolescentes aceita a autoridade dos pais, sobretudo quando no ambiente familiar estão presentes a confiança e o afeto. Porém, à medida que o adolescente vai se desenvolvendo, a autoridade vai sendo transferida para eles mesmos até que se tornem responsáveis por suas próprias ações. Muitos pais têm dificuldades para abrir mão de sua autoridade conforme os filhos crescem, dificultando, assim, que eles possam se tornar responsáveis por si mesmos.
A autoridade dos pais desempenha papel importante no sentido de dar limites, como exigir que os filhos façam as lições de casa, fixar horários para atividades de lazer etc. Isso promove a organização interna do jovem, permitindo que ele possa cuidar de si mesmo à medida que vai se tornando adulto. Mas essa autoridade não deve ser confundida com autoritarismo ou rigidez. Para toda regra deve haver alguma flexibilidade a fim de que o jovem possa ir testando e sentindo seus limites. Por exemplo, se foi fixado um determinado horário para o jovem chegar de uma festa, um pequeno atraso não deve ser punido. Atitudes drásticas como violência ou expulsar de casa, não têm resultados positivos,não devem ser vista como solução para os problemas.

Quando se torna impossível conversar com os filhos, a quem os pais devem procurar?
Grande parte dos jovens é capaz de se abrir quando os pais passam a ouvir mais e falar menos. Mas quando os pais, apesar de tudo, não conseguem mais se comunicar com os filhos, devem recorrer a outras pessoas. Mas quais? Os pais devem procurar alguém que o jovem admire ou respeite. Pode ser um parente, um amigo da família, um professor, médico da família ou um profissional especializado.

O que pode ser feito ao se descobrir que um filho está usando drogas?
Não há uma resposta simples para essa questão. Existem muitas maneiras de se responder à pergunta. Alguns pontos devem ser destacados:
*Existe uma variedade muito grande de drogas.
*Drogas diferentes produzem diferentes efeitos, alguns são perceptíveis, outros não.
*Existem formas mais e menos perigosas de se consumir drogas (por exemplo, injetar é o pior).
*A lei é diferente para cada tipo de droga (é ilegal fumar maconha).
*Cada jovem é uma pessoa diferente e única e podem ser muitas as razões pelas quais alguém se envolve com drogas. Da mesma forma, existem variadas formas de ajudá-lo a interromper ou moderar o uso de drogas.
*Os pais têm maneiras diferentes de lidar com um filho que esteja usando drogas. Embora alguns sejam totalmente contra o uso de qualquer droga, a maioria acha aceitável o uso de bebidas alcoólicas e cigarro.
*Existem várias instituições de ajuda a pessoas com problemas com uso de drogas.   

TRATAMENTO
Dentre as pessoas que usam drogas, quem deve ser tratado?Só aos dependentes de drogas. Da mesma forma que não há sentido em propor tratamento a alguém que usa álcool apenas ocasionalmente, também não devemos falar em tratamento para usuários experimentais ou ocasionais de outras drogas.

O que é diminuição de prejuízos relacionados ao uso de drogas?
“Prejuízos” pode ser entendido como danos, riscos, perigos... Desta forma, diminuição de prejuízos é são medidas dirigidas a pessoas que não conseguem ou não querem parar de consumir drogas. Essa estratégia tem por objetivo reduzir as conseqüências negativas que o uso de drogas pode ocasionar. Um exemplo seriam as campanhas orientando as pessoas a não dirigirem após consumir bebidas alcoólicas. Também os programas de troca de seringas dirigidas a usuários de drogas injetáveis. As usadas são recolhidas e novas são colocadas à disposição. Por meio desses procedimentos ocorre redução importante da infecção pelo vírus da AIDS, assim como de outras doenças contagiosas. Estes programas não induzem as pessoas a utilizar drogas injetáveis.Constituem uma medida de saúde pública para o controle de epidemia mundial de AIDS.

Que tipos de ajuda terapêutica existem para os dependentes?
Existem diversos modelos de ajuda a dependentes de drogas: tratamento médico; terapias cognitivas e comportamentais; psicoterapias; grupos de auto-ajuda (do tipo Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos); comunidades terapêuticas; etc. Em princípio, pode-se dizer que nenhum desses modelos de ajuda consegue dar conta de todos os tipos de dependências e dependentes. É muito difundido o modelo que utiliza ex-dependentes de drogas como agentes “terapêuticos”, já que uma pessoa que passou pelo mesmo problema pode ajudar o dependente a se identificar com ela e compreender melhor seus problemas.
Os especialistas em dependência vêm realizando pesquisas para determinar que tipos de dependentes se beneficiam mais de um ou de outro tipo de  ajuda.
Entretanto, deve-se destacar que as abordagens medicopsicológicas (que associam ao mesmo tempo os recursos da medicina e da psicologia) têm se mostrado mais eficazes na maior parte dos casos.

O que vai ser tratado?
A maioria dos modelos de tratamento foca principalmente a dependência da droga. Embora esse seja realmente o ponto central que leva a pessoa a procurar tratamento, os dependentes frequentemente apresentam outros problemas associados ao uso abusivo de drogas. É muito importante que esses transtornos recebam a devida atenção, pois se não forem também tratados haverá uma grande probabilidade de a pessoa voltar a ser dependente. Por exemplo, dependente de drogas também apresenta depressão (é muito freqüente), deverá receber tratamento não apenas da dependência mas também da depressão,senão provavelmente voltará a usar  drogas novamente.

Quais os transtornos psiquiátricos mais associados às dependências?
A depressão é o transtorno que mais se associa ao abuso e à dependência de drogas. Os outros são o transtorno de ansiedade, o obsessivo-compulsivo, os de personalidade e, mais raramente, alguns tipos de psicoses. Mais recentemente descobriu-se que indivíduos com transtornos neurocognitivos (de aprendizagem ) estão mais propensos a se tornarem dependentes de drogas. Esses podem se manifestar através de problemas de atenção, memória, concentração ou linguagem, entre outros. A grande dificuldade decorre de esses sinais não serem identificados nem pelos familiares nem pela escola, podendo estar presentes desde a mais tenra idade.Exemplificando, muitos jovens considerados preguiçosos, desinteressados ou indisciplinados, na verdade podem apresentar um transtorno específico de aprendizagem ou de atenção. É importante ressaltar que esses transtornos prejudicam profundamente a auto-estima e o desenvolvimento atrasando ou impossibilitando o uso de suas potencialidades.
Se fossem diagnosticados de modo correto, esses distúrbios poderiam ser facilmente tratados, evitando assim conseqüências drásticas.Como exemplo disso, muitos dependentes de drogas que apresentavam transtorno de atenção, quando o problema foi adequadamente tratado, pararam de consumir drogas.

Os dependentes de drogas devem ser internados para tratamento?
Na maior parte dos casos, o tratamento do dependente de drogas não requer internação. Nos raros casos em que é necessária, ela deve ser decidida com base em critérios claros e definidos, estabelecidos por um especialista. A internação de um dependente de drogas sem necessidade pode levar até mesmo a um aumento do consumo. O aumento de consumo após uma internação indevida pode se dar por diversas razões, como sentimentos de revolta de um dependente ainda não suficientemente convencido, da necessidade de ajuda.

UNDCP PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O CONTROLE INTERNACIONAL DE DROGAS

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Droga, conhecida como "#Yaba", devasta juventude tailandesa

Droga sintética conhecida como "yaba" provoca sérios transtornos mentais
do G1, via UNIAD

O preocupante aumento de jovens viciados em metanfetamina, droga que também é consumida pelas donas de casa e profissionais, alarma as autoridades da Tailândia, um dos centros mundiais de distribuição de entorpecentes.

Até um milhão de tailandeses menores de 24 anos admitem ter experimentado drogas, principalmente a metanfetamina, segundo revela um recente estudo realizado pela Universidade da Assunção de Bangcoc.

Os jovens são mais vulneráveis aos efeitos desta droga sintética, conhecida na Tailândia como "yaba" (droga da loucura), que frequentemente causa sérios transtornos mentais, delírios e episódios psicóticos violentos. Um bom número de consumidores deste narcótico é de adolescentes de entre 15 e 16 anos que adquirem uma dose por 300 baht (cerca de R$ 20) nas ruas de Bangcoc, onde se registra 20% do consumo nacional.

Até pouco tempo, na Tailândia a dependência à metanfetamina era um fenômeno quase que exclusivo do setor social de menor poder aquisitivo e entre pessoas marginalizadas, mas agora os viciados também são filhos de famílias ricas, profissionais e donas de casa.

A pesquisa da universidade mostra que 3,7 milhões de tailandeses, 5,6% da população, consumiram entorpecentes ilegais alguma vez em sua vida. Em seu livro "Merchant of Madness" ("Mercadores da Loucura", em tradução livre), os jornalistas Bertil Lintner e Michael Black alertam para o aumento do tráfico de metanfetaminas procedentes de laboratórios clandestinos localizados na vizinha Mianmar (antiga Birmânia) e de sua proliferação em todas as camadas da sociedade tailandesa.

"A pastilha de yaba representa uma ameaça à sociedade maior que a heroína, porque os consumidores não são apenas os viciados tradicionais - habitantes dos subúrbios, delinquentes e marginalizados -, mas universitários, trabalhadores e motoristas", indicam os autores na introdução do livro.

Há algumas semanas, a polícia matou a tiros um homem que, sob os efeitos desta droga sintética, tomou como refém sua esposa e a ameaçou durante várias horas no meio da rua com uma faca. A maioria das metanfetaminas consumidas neste país, com forças de segurança mergulhadas na corrupção, é elaborada em áreas controladas pela guerrilha da minoria étnica wa, no noroeste de Mianmar.

Lintner e Black apontam que a guerrilha do Exército do Estado Unido Wa controla o tráfico de metanfetamina, que suplantou em grande parte o ópio e a heroína que há décadas são produzidos no chamado Triângulo de Ouro, área na qual convergem as porosas fronteiras de Mianmar, Tailândia e Laos. Este lucrativo negócio também contribuiu para o aumento da instabilidade nessa região, principalmente na área do lendário Rio Mekong, uma das principais vias de transporte do sul da China até o Vietnã e que passa por Tailândia, Laos e Camboja.

Em outubro do ano passado, 13 tripulantes de um navio chinês foram assassinados por supostos narcotraficantes durante sua passagem pelo norte da Tailândia e os soldados que encontraram os cadáveres foram detidos depois por sua suposta relação com as quadrilhas de narcotraficantes de metanfetaminas.

Em uma tentativa de varrer as drogas das ruas, o governo do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra empreendeu a polêmica operação "Guerra contra a Droga" entre 2003 e 2005, que terminou com 2,5 mil mortos, muitos deles em execuções extrajudiciais, segundo as denúncias feitas pelos grupos de defesa dos direitos humanos.

Segundo relatório das Nações Unidas, em 2010 foram apreendidos no mundo todo 136 milhões de metanfetaminas, quatro vezes mais que em 2008 - a maior parte na China (58,4 milhões), seguida por Tailândia (50,4 milhões) e Laos (24,5 milhões).

Além do problema de insegurança, não existe uma rede nacional de centros para atender os toxicômanos na Tailândia, onde muitos são tratados em templos como o de Saphan, em Bangcoc, no qual se desenvolvem programas de tratamento em grupo a cargo de monges budistas.

A metanfetamina, sintetizada em 1919 no Japão, é um derivado mais potente da anfetamina que pode ser administrada por via oral, injetável, inalada, fumada ou através das mucosas.

Esta droga sintética produz euforia e alivia a fadiga durante várias horas, mas quando deixa o organismo pode causar transtornos mentais, perda de memória e, com o tempo, patologias graves como a esquizofrenia.

Fonte: http://www.uniad.org.br/interatividade/noticias/item/13974-metanfetamina-causa-estragos-na-juventude-da-tail%C3%A2ndia

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Queremos ser normais ou bem comportados?

Tivemos sorte por não ver visionários como Einstein, Newton e Beethoven em uma sala de aula. Com dificuldade de aprendizado, seriam transformados em bons alunos, diagnosticados e medicados

 
 

Se medicado, Einstein seria um gênio?
“Foco” é a palavra de ordem nas escolas e no mercado de trabalho. Para vencer na vida, a dispersão de atenção para outros interesses além das tarefas do dia a dia é não apenas mal vista: é diagnosticar como um transtorno mental passível de cura. 

De acordo com uma ala da psiquiatria, essa ideia de “transtorno” parte de duas premissas. Uma é semântica. Ela suaviza a ideia de “doença mental” e passa a ser usada como uma espécie de identidade psíquica por meio de nomenclaturas como “TOC”, “TDAH”, “hiperatividade”, “bipolaridade”, “ansiedade” e “transtornos de humor”.

A outra dita que, por trás da desordem, existe uma ordem. Nesta ordem, o estudante estuda e o trabalhador trabalha. Em nome dela nos medicamos. Cada vez mais e, segundo especialistas, sem que sejam levados em conta os impactos, para as crianças e suas famílias, do diagnóstico e da medicação.

Quem analisa os índices de tratamento à base de drogas psicoativas imagina que o planeta enfrenta hoje uma “epidemia” de transtornos mentais. Nos EUA, uma em cada 76 pessoas são hoje consideradas incapacitadas por algum tipo de transtorno – em 1987, este índice era de uma em cada 184 americanos. O número de casos registrados aumentou 35 vezes desde então.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, 46% da população se enquadrariam nos critérios de doenças estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria. Tais diagnósticos criaram um mercado poderoso de medicamentos psicoativos – o que significa medicar tanto pacientes com crises agudas de ansiedade até crianças diagnosticada com grau leve de “hiperatividade” ou “espectro de autismo”, a chamada síndrome de Asperger. Essas crianças precisam manter o “foco” na sala de aula se quiserem ter alguma chance de passar no vestibular.

A pressão sobre elas em um mundo cada vez mais competitivo cria um consumidor fidelizado: a criança que hoje precisa de medicamento para se manter em alerta será, no futuro, o adulto dependente de medicamentos para dormir. Essa pressão, apontam estudos, tem origem na sala de aula, passa pela sala da direção, chega aos pais como advertência e desemboca na sala do psiquiatra, incumbido da missão de enquadrar o sujeito a uma vida sem desordem.

Mas como cada categoria de transtorno mental é construída e delimitada? Quais pressupostos fazem com que determinados comportamentos e/ou estados emocionais sejam considerados normais e outros, não? Quem definiu que uma criança com foco na sala de aula é normal e uma desconcentrada é anormal? Qual é, enfim, a “ordem” que a prática psiquiátrica visa a garantir?

Essas questões serão temas de debates em um ciclo de encontros do Café Filosófico CPFL, sob curadoria do professor livre-docente em Psicopatologia do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Mário Eduardo Costa Pereira, a partir de 8 de agosto. As palestras serão gravadas todas as sextas-feiras ao longo do mês, às 19h, e os interessados de todo o País podem acompanhar as gravações e enviar perguntas ao vivo pelo portal. Além de Costa Pereira, participam do módulo o psiquiatra infanto-juvenil e professor da Uerj Rossano Cabral Lima, o professor da Universidade da Califórnia Naomar Almeida Filho e o psiquiatra da infância e adolescência e consultor do Ministério da Saúde Fernando Ramos.

Se for esta a normalidade que tanto buscamos, o mundo teve sorte por não ver visionários como Bill Gates, Einstein, Newton e Beethoven em uma sala de aula nos dias atuais. Todos eles tinham dificuldade em socialização, comunicação e aprendizado. Sofriam, em algum grau, de espectro de autismo, e seriam facilmente transformados em bons alunos, diagnosticados, tratados e medicados. O mundo perderia quatro gênios, mas ganharia excelentes funcionários-padrão, contentes e domesticados.

Serviço:


O que é transtorno mental?

Palestrante: Mário Eduardo Costa Pereira
Local: Instituto Cpfl Cultura (Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1.632, Chácara Primavera, Campinas – SP);
Data: 8 de agosto de 2014;
Horário: 19h;
Transmissão online pelo cpflcultura.com.br/aovivo;
Entrada gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h. vagas limitadas;
Informações: instituto cpfl  (19) 3756-8000 ou em www.cpflcultura.com.br;