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domingo, 4 de setembro de 2016

O black bloc e a violência


Embora tenham sido transformados pela imprensa numa espécie de Al Qaeda, os manifestantes que fazem uso da tática Black Bloc estão inseridos numa longa tradição de reflexão sobre a forma mais adequada e eficaz de se produzir mudança social por meio do protesto de rua.
Os primeiros Black Blocs eram grupos informais de autodefesa dos movimentos autônomos da Alemanha ocidental nos anos 1980, os Autonomen. As táticas do grupo consistiam na constituição de linhas de frente para enfrentar a repressão policial e na organização de cordões de isolamento para impedir a infiltração de agitadores nas passeatas. O nome Black Bloc, (“der schwazer Block”) era originalmente uma brincadeira que aludia ao fato das manifestações de rua na Alemanha se organizarem por meio de “blocos” como o verde (formado pelos ambientalistas) e o vermelho (por socialistas ligados aos sindicatos).
Nos Estados Unidos, no final dos anos 1990, os Black Blocs ganharam um novo contorno, isto é, foram ressignificados. Um pouco antes, na primeira metade dos anos 1990, pequenos Black Blocs no estilo alemão tinham ocasionalmente aparecido em protestos nos EUA devido à difusão da tática em artigos e livros, como o de George Katsiaficas, antigo aluno de Marcuse.
Mas o Black Bloc ganhou seu contorno atual durante os protestos contra a Organização Mundial do Comércio, em Seattle, em 1999, quando um grupo optou por romper com a tática de bloquear ruas e praticar resistência passiva, na tradição da desobediência civil não violenta de Gandhi e Martin Luther King Jr.
A desobediência civil não violenta tinha se estabelecido como paradigma dos movimentos sociais dos Estados Unidos depois da vitória do movimento pelos direitos civis nos anos 1960. A tática consistia em desobedecer uma lei injusta e não reagir à violência do Estado que tentava defendê-la. Assim, os ativistas do movimento pelos direitos civis desobedeciam as leis que determinavam lugares separados para negros e brancos ocupando com sit-ins restaurantes e outros ambientes segregados. Quando a polícia reprimia com violência esse ato de desobediência pacífica, as imagens divulgas pela imprensa de manifestantes de uma causa justa sofrendo a repressão violenta do Estado geravam indignação da opinião pública que pressionava pelo fim da segregação.
Mas nos anos 1990 havia um sentimento que aquela tática tinha se esgotado porque a desobediência civil não tinha como gerar efeitos políticos sem a cobertura da violência policial pela imprensa. O professor de Antropologia da London School of Economics, David Graeber, um dos ativistas que compuseram o Black Bloc de Seattle relata assim o debate que se deu:
Estratégias gandhianas não tem funcionado historicamente nos Estados Unidos. Na verdade, elas nunca funcionaram em escala massiva desde o movimento pelos direitos civis. Isso, porque os meios de comunicação nos EUA são constitutivamente incapazes de noticiar os atos de repressão policial como "violência" (o movimento pelos direitos civis foi uma exceção porque muitos americanos não viam o sul como parte do mesmo país). Muitos dos jovens que formaram o famoso Black Bloc de Seattle eram na verdade ativistas ambientais que estiveram envolvidos em táticas de subir e se prender em árvores para impedir que fossem derrubadas e que operavam em princípios puramente gandhianos -- apenas para descobrirem em seguida que nos Estados Unidos dos anos 1990, manifestantes não-violentos podiam ser brutalizados, torturados e mesmo mortos sem qualquer objeção relevante da imprensa nacional. Assim, eles mudaram de tática. Nós sabíamos de tudo isso. E decidimos que valia a pena correr o risco.
A crítica que os ativistas do Black Bloc de Seattle fizeram às táticas clássicas de Gandhi não é, no entanto, nova. Ela retoma um debate que já havia ocorrido nos anos 1940 entre o socialista dissidente George Orwell e o próprio Gandhi. Num artigo célebre, Orwell argumenta que o método de resistência passiva gandhiano não podia ser generalizado para circunstâncias nas quais não havia uma imprensa livre e atuante que alimentasse uma opinião pública liberal. Ele ironizava, assim, a recomendação de Gandhi de que os judeus perseguidos pelo nazismo deveriam ter cometido suicídio coletivo para despertar a consciência alemã:
A posição do Gandhi era que os judeus alemães deveriam cometer suicídio coletivo, o que “despertaria o mundo e o povo da Alemanha para a violência de Hilter”. Após a guerra, ele se justificou: os judeus teriam sido mortos de qualquer maneira, então pelo menos eles poderiam ter morrido de maneira significativa. (…) Há motivo para pensar que Gandhi, que nasceu em 1869, não entendeu a natureza do totalitarismo e via tudo mais nos termos de sua própria luta contra o governo britânico. A questão importante não é tanto que os britânicos o tenham tratado com tolerância mas o quanto ele sempre pode atuar publicamente. Como se pode ver na sentença citada acima, ele acreditava num “despertar do mundo” que só é possível se o mundo tem a oportunidade de conhecer o que você está fazendo. É difícil imaginar como os métodos de Gandhi podiam ser aplicados em um país no qual os oponentes do regime desaparecem no meio da noite para nunca mais serem encontrados. Sem uma imprensa livre e o direito à reunião é impossível não apenas apelar para a opinião externa, mas criar um movimento de massas ou mesmo fazer suas intenções serem conhecidas pelo adversário.
Tanto Orwell como os ativistas do Black Bloc de Seattle entendiam que a ausência de uma imprensa livre e atuante impedia que as ações de desobediência não violenta tivessem impacto na opinião pública gerando efeitos políticos. Para enfrentar esse dilema, os ativistas americanos propuseram ressignificar as táticas do Black Bloc alemão concentrando sua ação numa modalidade de desobediência que era a destruição seletiva de propriedade privada. O objetivo era duplo: por um lado, resgatar a atenção dos meios de comunicação de massa; por outro, transmitir por meio dessa ação de destruição de propriedade uma mensagem de oposição à liberalização econômica e aos acordos de livre comércio.
Ao contrário do que normalmente se pensa, essa ação não apenas não é violenta como é predominantemente simbólica. Ela deve ser entendida mais na interface da política com a arte do que da política com o crime. Isso, porque a destruição de propriedade a que se dedica não busca causar dano econômico significativo mas apenas demonstrar simbolicamente a insatisfação com o sistema econômico. Há obviamente uma ilegalidade no procedimento de destruir a vitrine de uma grande empresa, mas é justamente a conjugação de uma arriscada desobediência civil e a ineficácia em causar prejuízo econômico à empresa ou ao governo que confere a essa ação seu sentido expressivo ou estético, num entendimento ampliado. A destruição de propriedade sem outro propósito que o de demonstrar descontentamento simbolizava e apenas simbolizava a ojeriza aos efeitos sociais da liberalização econômica.
Também é preciso salientar que essa tática se inscreve na longa tradição de não violência do movimento social norte-americano. A destruição seletiva de propriedade privada não é feita de maneira arbitrária, mas segue regras pactuadas pelos ativistas: não podem ser alvo pequenos comércios e as ações não podem resultar na agressão a pessoas ou a animais.
Embora não esteja claro em que medida as ações Black Bloc foram capazes de transmitir a mensagem política desejada, elas foram sem dúvida eficazes em capturar a atenção dos meios de comunicação de massa – afinal, tinha se mostrada acertada a intuição dos ativistas de que nada despertaria mais a atenção da grande mídia do que uma desobediência do coração do sistema jurídico que é a proteção da propriedade privada.
O impacto midiático das ações do Black Bloc em Seattle foi tão grande que terminou ofuscando, em parte, a grande construção coletiva que levou tanto às passeatas de massa organizadas pela central sindical AFL-CIO, como aos bloqueios de rua organizados pelos ativistas da Direct Action Network. Esse sucesso em capturar a atenção dos meios de comunicação foi logo percebido por ativistas em todo o mundo e a tática Black Bloc, na sua roupagem americana, logo entrou no repertório dos movimentos sociais, disseminando-se por todo o planeta nos primeiros anos do século XXI.
O rompimento do consenso no movimento social americano em torno das táticas gandhianas suscitou muitos debates e desde o princípio o Black Bloc foi acusado de oportunista, de diversionista, de promotor da violência e de isca da repressão policial. Os calorosos debates do início dos anos 2000 foram resolvidos por meio da ideia da "diversidade de táticas", isto é, da ideia de que as diferentes táticas tinham que conviver, respeitando umas as outras – mais ou menos como o “mundo onde caibam muitos mundos” preconizado pelos zapatistas.
Para esse consenso ser atingido foi necessário que aqueles que advogavam a tática exclusiva de bloqueios e ocupações (sit-ins) não violentos entendessem que os que aderiam à tática Black Bloc também participavam da tradição da não-violência, pois não atacavam pessoas, mas coisas. A partir desse consenso, os protestos de rua passaram a ser divididos em grupos que ocupavam cada um uma parte da cidade, de maneira que pudessem coexistir. Esse mesmo consenso existiu no Brasil no início dos anos 2000 durante os protestos contra a ALCA.
No entanto, na onda de mobilizações globais que começou em 2011, parece que esse aprendizado foi esquecido e os duros ataques aos Black Blocs reapareceram no Occupy Wall Street, na insurreição no Egito, nos protestos na Grécia e também no Brasil. Os ativistas que compunham os Black Blocs foram tratados como arruaceiros inconsequentes, luditas irracionais e bandidos oportunistas. O fato de que os grupos no Brasil em geral tem respeitado os princípios da tática, que inclui não agredir pessoas, nem atacar pequenos comércios não é levado em conta nas acusações de "violentos" e, assim, um ato de desobediência civil (a destruição de propriedade) se torna equivalente à agressão a pessoas.
Enquanto a destruição da vidraça de bancos ganha enorme visibilidade, a repressão da polícia a manifestantes pacíficos segue invisível para a maior parte da grande imprensa. E não é só a agressão a manifestantes que é invisível. Toda a ação abusiva e violenta da polícia nas periferias das grandes cidades não recebe cobertura ou recebe uma cobertura discreta, sem destaque editorial.
A imprensa gasta páginas e mais páginas de jornal e dezenas de minutos de jornalismo televiso para discutir a “violência” contra vidraças enquanto a verdadeira violência contra a vida ganha apenas menções pontuais. Ao chamar a atenção para os bancos, para as grandes marcas e para o estado brasileiro, os manifestantes que fazem uso da tática Black Bloc no Brasil resgatam a atenção dos meios de comunicação e tentam redirecioná-la para o sistema econômico e político que está na gênese da verdadeira violência da nossa sociedade.
São pertinentes as dúvidas se sua mensagem está sendo adequadamente recebida pelo público e se a tática facilita a infiltração de provocadores e afasta simpatizantes da causa. Mas, seja como for, não resta dúvidas de que sua ação não é nem arbitrária, nem irracional.
Os jovens que estão nas ruas merecem o respeito de serem tratados como atores políticos consequentes – e nossa indignação precisa estar orientada para a verdadeira violência, aquela que agride manifestantes pacíficos e faz desaparecer Amarildos. Afinal, vidas devem valer muito mais do que vidraças.
Referências:
Dupuis-Déri, F. Les Black Blocs: la liberté et l'égalité se manifest. Québec: Lux, 2007 [em português: Black Blocs. São Paulo: Veneta, 2014]
Graeber, D. Concerning the Violent Peace-Police: An Open Letter to Chris Hedges. Disponível em: <http://nplusonemag.com/concerning-t...>
Katsiaficas, G. The subversion of politics: european autonomous social movements and the decolonization of everyday life. Nova Jersey: Humanities Press, 1997.
Orwell, G. Reflections on Gandhi. In: A collection of essays. Wiimington: Mariner books, 1970. [em português: Reflexões sobre Gandhi. Dentro da baleia e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2005].

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Brasil, o País do Futuro: "Quem sabe faz a hora, não espera acontecer".



Quem não sabe dar valor ao seu país e cita outros como modelo; como se existisse modelo de país a outros seguirem, sendo que cada um vive de acordo com suas próprias limitações e qualidades que sempre são e sempre serão relativas, se mude, vá morar em outro lugar.


Vivemos em um país livre, no qual todos tem o direito a manifestar opinião, a se expressar livremente, de acordo com a lei, sendo vetado apenas o anonimato.

Quer ajudar a nação brasileira, então ajude, seguindo sempre - é claro - os princípios de ética e moral, a Constituição Federal, as particularidades de cada um e a diversidade particular a cada cidadão, municipalidade, estado e região que forma a República Federativa do Brasil. Estamos no maior país da América Latina, o Futuro já chegou e se o Brasil era o país do futuro, agora é!

Ficar apenas reclamando na Internet não ajuda, atrapalha

Cresce a cada dia o número de pessoas que se manifesta em rede social dizendo estar insatisfeita com a atual conjuntura política, econômica e com os rumos que toma nossa pátria. Sempre me pergunto porque esse povo não se mobiliza e realmente faz acontecer ao invés de ficar apenas na apatia.

As pessoas tem o direito a se manifestar nos espaços públicos, a criar agremiação, partido político, votar, protestar, se fazer ouvir. Pra quem não consegue amplificar a voz reunindo pessoas há alternativa, uma cartolina e uma caneta piloto tem valor irrisório, um megafone de pilha pode ser adquirido por 50 reais, começar um abaixo assinado não custa nada.

É muito confortável criticar usando o computador conectado a Internet como escudo, como esconderijo, mas é ineficaz ao passo que apesar da abrangência e alcance ignora o corpo-a-corpo, o olho-no-olho, o fator humano em pessoa, presencial. 

Movimentos populares

Ser membro de movimento popular também é caminho às pessoas que desejam mudança, que realmente desejam promover revoluções ao invés de apenas fazer barulho. Vejam, por exemplo; o MST, o movimento indígena, os sindicatos, o movimento gay ou o movimento feminista, as seitas neopentecostais, associações de bairro, pelos direitos dos animais, dentre tantas centenas de outras agremiações, se conseguem fazer ser ouvidas mas não se valem apenas da internet como veículo de comunicação.

Gosto de citar as Ocupas; movimento mundial que surgiu em 2011 para criticar o atual modelo econômico, ainda baseado em modelos de gestão do século passado, pedir o fim do cassino global, leia-se bolsa de valores, e a democracia representativa, pedindo democracia direta. O Ocupa Wall Street vingou lá fora, menos sucesso não teve o 12M e 15M na Espanha, a Primavera Árabe e outros ao redor do Planeta. No Brasil não é diferente, surgiu no mesmo ano o Ocupa Rio, Ocupa Sampa, Acampa Sampa, Ocupa Salvador e muitas outras iniciativas semelhantes, em prol dos objetivos comuns acima citados.

O Ocupa Rio conta hoje com mais de 3000 participantes no Facebook e mais de 2000 no Twitter. Realiza atos públicos, protestos, manifestações, mobilizando seus integrantes; seja para defender o objetivo principal de materializar modelo econômico mais solidário e calcado em valores e modelos atualizados, bem como a democracia direta, ou apoiando causas populares como os Índios despejados da Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro, os Índios Guarani-Kaiowá, os moradores do Quilombo Rio dos Macacos na Bahia, comunidades carentes do Rio de Janeiro e até de São Paulo, como no caso do Pinheirinho.

Ativistas de boutique

Quem manifesta opinião, protestando apenas em rede social acaba, ao invés de ajudar efetivamente, apenas banalizando causas nobres. Nesses cidadão e cidadãs podemos notar uma real intenção de ajudar e participar, como no caso dos Guarani-Kaiowá, muita gente colocou em seu sobrenome ou apelido em rede social sobrenome indígena.

Não creio que seja atestado de indigência mental, entretanto é óbvio até à mais modesta inteligência ativista que rede social é fruto da civilização ocidental, capitalista. Os povos da floresta, em sua maioria, não sabem o que é iPhone ou Macintosh. Mas tudo bem, acredito que o ridículo é uma das vertentes confluentes e afluentes dos atuais modelos econômico, democrático e social.

Joseph Brodsky, conhecido poeta russo, nos escreve em um de seus ensaios, "Discurso Inaugural", que os maus sentimentos são os mais comuns na humanidade; portanto, quando a humanidade se aglutina em pequenos grupos, a tendência é a de que os maus sentimentos nos sufoquem a todos. O espaço virtual não traz solução prática, apenas serve como aglutinador, amplificador, no sentido de ter poder para fazer surgirem ideias e mobilização em torno das mesmas.


Falta de ação real

Durante a Rio+20 ficou constatado que alguns países continuam pobres e miseráveis enquanto outros conseguem grandes negócios com europeus, chineses, japoneses e estadunidenses, nações que me arrisco a acusar de que no fundo o querem é meter a mão na Amazônia, que é nossa.

Enquanto a grande maioria acompanhou a conferencia das Nações Unidas apenas pela TV; que é pior que Rede Social, pois é via de mão única, beneficiando apenas o transmissor e seus associados, enquanto o espectador apenas assiste, outros acompanharam e deram seus pitacos pela Internet, principalmente pelas redes sociais.

Tudo bem, melhor poder opinar que ficar apenas passivo ao produto midiático televisivo, mas quem fez a diferença foi o pessoal integrado a Cúpula dos Povos, evento paralelo a Rio+20. Aconteceram várias manifestações populares durante o evento multinacional e os povos se fizeram ouvir. A Cúpula dos Povos culminou em uma passeata com mais de 50 mil manifestantes se fazendo ouvir em um acontecimento que repercutiu amplamente na mídia local e internacional.

Para o país do presente só existe futuro com o povo presente nas ruas

Para obter resultados práticos temos que acreditar no momento dourado pelo qual passa o Brasil. Se o Brasil era o país do futuro essas palavras foram ditas no passado. Vivemos o Brasil do Futuro! Agora, ou nós, do povo, fazemos alguma coisa e nos fazemos ouvir, ou não haverá um futuro para o futuro.

Devemos usufruir plenamente o direito de manifestação e de reunião que nos garante a Constituição Federal, em seu atigo 5º:

IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

E sem medo, pois:

Lei 4.898/65 - Abuso de autoridade: é crime de abuso de autoridade o atentado à liberdade de locomoção (artigo 3º, "a"); ao direito de reunião (artigo 3º, "h"); à incolumidade física do indivíduo (artigo 3º, "i").

Em publicação no Diário do Grande ABC, em 11/08/02, encontrei um resumo perfeito do direito garantido a todos nós brasileiros e brasileiras:

...A Constituição garante que todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente, tratando-se, pois, de direito individual o coligar-se com outras pessoas, para fim lícito.

O direito de reunião é uma manifestação coletiva da liberdade de expressão, exercitada por meio de uma associação transitória de pessoas e tendo por finalidade o intercâmbio de ideias, a defesa de interesses, a publicidade de problemas e de determinadas reivindicações. 

O direito de reunião apresenta-se, ao mesmo tempo, como um direito individual em relação a cada um de seus participantes e um direito coletivo no tocante a seu exercício conjunto.

O direito de reunião, – que incluiu o direito de passeata –, configura-se como um dos princípios basilares de um Estado Democrático, sendo de grande abrangência, pois não se compreenderia a liberdade de reuniões sem que os participantes pudessem discutir, tendo que limitar-se apenas ao direito de ouvir, quando se sabe que o direito de reunião compreende não só o direito de organizá-la e convocá-la, como também o de total participação ativa.

Importante, porém, ressaltar, que os direitos de greve e reunião são relativos, assim como os demais direitos fundamentais, que não podem ser utilizados como verdadeiro escudo protetivo da prática de atividades ilícitas, nem tampouco como argumento para afastamento ou diminuição da responsabilidade civil ou penal por atos ilícitos, sob pena de total consagração ao desrespeito a um verdadeiro Estado de Direito... o exercício razoável dos direitos de greve, reunião e passeata, em respeito aos demais direitos fundamentais consiste em exigência democrática e necessária evolução da Educação de Cidadania, caráter básico, como salientado por Montesquieu, de qualquer Governo Republicano.”

Como cantou Geraldo Vandré

Unindo ativismo virtual e presencial em prol das mudanças que queremos e desejamos. O Brasil está na berlinda! A maioria também é feita pela soma das minorias. Dentro dos modelos de gestão atuais é a colaboração que faz acontecer; enquanto a competição, que outrora podia até ser saudável, hoje divide, gera mal estar, causa rachas, separa a sociedade em times que jogam uns contra os outros para ser vencedor num campeonato que só existe na cartilha dos hipócritas, egoístas, egocêntricos e toda espécie de ralé que se acha melhor que os demais.

A colaboração é a união do povo em torno do objetivo comum que é o de ver o progresso da nação de que fazem parte ativamente, queiram ou não. Todos pagamos impostos, obedecemos leis e somos afetados pelos rumos tomados por nosso país.

Se no passado a sociedade sempre tomou rumo por contágio, contaminação e assimilação entre opiniões, grupos e classes diversas; e, muitas das vezes divergentes, agora creio que apenas pessoas equivocadas, das mais diversas maneiras, afirmam o contrário como modo de afetação ética, é na colaboração, na cooperação que está a força, seja ela individual ou coletiva. A Na Era da Informação o conhecimento é o capital mais valioso, e, este só traz benefício real quando é compartilhado.

“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”!

segunda-feira, 25 de junho de 2012

#OcupaRio :: Os 10 dias de #OCUPAdosPOVOS :: Vídeos



Entre 14 e 23 de junho, a Ocupa dos Povos criou um território livre do controle público e privado da cidade. Um território de experimentação.

Nesses 10 dias, levantamos as barracas tomados de uma indignação que não podia caber na Rio + 20 ou na Cúpula dos Povos.

Ativistas da Ocupa Rio, Ocupa Sampa, Ocupa BH, Ocupa Salvador, Ocupa Porto Alegre, Ocupa Belém, punks, poetas de rua, hippies, índios, ciganos e outros grupos acamparam ao lado da Praça Paris, (http://goo.gl/maps/jU8N) entre o Aterro e o Passeio Público.

Como resultado imediato, pela primeira vez se estabeleceu a rede brasileira de Ocupas, que já está se animando para a próxima data-chave do movimento, o 15 de Outubro. Com um pico de 50 barracas, ocorreram assembléias, grupos de trabalho, debates, discussões, midialivrismo, rodas de música, poesia, café e outros mundos. Deitamos no papelão, fizemos cartazes e sites, desviamos eletricidade, comemos com as mãos, batemos lata, nos pintamos, nos devoramos e nos amamos, e marchamos, ficamos nus, queimamos coisas, queimamos as vaidades e nossos tigres de papel.

Com irresignação, mas sempre inventivos, participamos dos atos na Vila Autódromo e na Marcha dos Povos, além de interrompermos a via expressa do Aterro. Este protesto, — em homenagem à ocupante Marília, atropelada no segundo dia da acampada, — chegou a ser covardemente reprimido com a tropa de choque e o caveirão.

Numa irresolúvel forma de fazer política, a Ocupa dos Povos se fez ouvir. Afirmou a força e a continuidade do movimento Occupy em terras brasileiras. Ao choque de ordem das forças fascistas que desmandam nesta metrópole, a Ocupa dos Povos chocou monstros, subversivos da ordem posta, do bom tom, das identidades comezinhas, — subdesenvolveu-se maravilhosa e perigosa, — e forjou a verve de seu próprio meio ambiente, culturamente rico, saturado de relações sociais, de encontros os mais intensos e intensivos. Uma desorganização não-governamental, uma DONG. Índios da metrópole em meio à miséria e ao deserto de cúpulas, conferências, plenárias, chapas brancas, dos colonizadores e seus cães de capacete. Se o homem veio do deserto, a floresta o seguirá.

via http://www.ocupario.org





VEJA MAIS VÍDEOS EM: http://www.youtube.com/user/occupyrio

sexta-feira, 22 de junho de 2012

#OcupaDosPovos :: Pela união da lutas sociais e independência




Nota de repudio às manobras partidárias contra tradicionais e novos movimentos 
via Occupy Brazil

O povo fica de fora, é manipulado, marcado e enganado enquanto chefes de Estado de todo o mundo, a mando de seus verdadeiros patrões, as corporações e bancos, negociam no Rio Centro o preço das florestas e oceanos; calculando lucros possíveis com ganancia e agindo com mesquinhez na hora de fazer esforços para preservar a saúde da Biosfera e a dignidade humana.

Existe resistência, sim, em toda a Terra, em todo Brasil, na periferia das cidades, nas florestas e no campo. Estamos organizados em assembleias livres, centros acadêmicos ou em formas mais tradicionais como sindicatos e movimentos sociais. Pela internet, ao redor de fogueiras, nas ruas ou em barracões, mesmo separados e diversos, compartilhamos ideais e sonhos de um mundo mais justo, livre e digno para todos.

No entanto, por diversas vezes, a resistência à violência do Capitalismo desumano e ecocida no Brasil tem sido enganada por grupos político-partidários que servem aos interesses dos grandes magnatas do mundo, mas fazem média e mídia com suas antigas bases, enquanto engessam as lutas delas. Prova disso, ao lado de tantos absurdos presenciados na Cúpula dos Povos, foi a manobra feita hoje por grupos “de esquerda” que na verdade estão a serviço do governo e do Capital, que enganaram mais de 500 manifestantes, entre grupos autônomos e representações estudantis não-alinhadas ao governo na manhã do dia 20 de junho.

Conforme articulado amplamente entre diversos grupos e indivíduos que tem acompanhado os debates da Cúpula dos Povos e as manifestações dos últimos dias na Cidade do Rio de Janeiro, hoje foi a data marcada para uma grande marcha saindo da Vila Autódromo até o Rio Centro, sede da conferencia dos chefes de Estado. Estava combinado, articulado entre grupos, que ônibus transportariam manifestantes que estão acampados e alojados em diversos pontos da cidade, como UFRJ e Ocupa dos Povo (#OccupyRioPlus20). Havia sido solicitado que as pessoas interessadas em participar do ato passassem seus nomes às “autoridades”, de modo a poderem passar pelos diversos bloqueios montado na cidade pelo Exército, de modo a chegarem até o ponto de encontro marcado para o início dessa manifestação democrática e constitucional. Tudo isso foi feito, mesmo que não haja nenhuma instrução nesse sentido no artigo 5o da Constituição Federal que versa sobre nossos Direitos Civis.

Vila Autódromo é uma comunidade consolidada e legítima que, como tantas outras no Brasil, está ameaçada pelo interesse de mega-especuladores imobiliários e seus aliados políticos que pretendem desalojar a população para a construção de megaobras olímpicas de necessidade altamente questionáveis. Durante a Rio Mais 20, a comunidade foi escondida com tapumes para que os líderes mundiais não vejam a nossa realidade. Também por isso foi escolhida como ponto de partida para a grande marcha que reúne movimentos de resistência do campo, das cidades e da floresta.

No meio do caminho, a Tropa de Choque apareceu para impedir a manifestação. Mas o revoltante é que antes disso, pessoas que deveriam estar colaborando com o movimento articularam o “furo” de mais de 10 ônibus, para esvaziar o ato, facilitar o trabalho das forças de repressão e, principalmente, evitar o encontro dos diversos grupos de resistência. A estratégia não funcionou completamente, pois muitos dos enganados por articuladores da Cúpula dos Povos conseguiram, mesmo assim se deslocar e se juntar ao movimento.

O episódio não é exceção. Constatamos que nesse momento a luta social vem sido duramente sabotada. É necessário entrarmos numa nova fase histórica de resistência. Apoiamos os movimentos campesinos que lutam por reforma agrária, apoiamos a luta indígena, quilombola, estudantil, operária, a luta por moradia, respeito e dignidade nas periferias do país. Cada grupo ou comunidade, com autonomia, deve buscar horizontalidade e independência em relação a falsos aliados e/ou líderes que jogam nos dois lados.

Nenhum partido, nenhuma central, nenhuma figura personal pode arrogar a si mesmo como depositário da herança de resistência mas que na verdade agem jogando com os dois lados, com privilegio para as classes dominantes. Ninguém tem o direito de tentar manipular ou cooptar a resistência. Pois essa resistência não nasceu há três década, mas há quinhentos anos. É a luta de Zumbi, Chico Mendes, Ganga Zumba, Paulo Freire, Cacique Nísio.

O Brasil começa a acordar. É hora de nos livrarmos de todos os grilhões internos para seguirmos na luta, unidos, todos nós estudantes, indígenas, ciberativistas, trabalhadores rurais, nações indígenas, sem teto. É hora de não nos contentarmos com migalhas. Sabemos que o problema das carências a que muitos de nós humanos estamos submetidos é resultado de má distribuição e da ganancia de uma pequena parcela da população mundial, não de produção.

É hora de voltar combater o latifúndio, que só produz miséria e destruição ambiental. Hora demudar hábitos de consumo para não ser cúmplice da opressão de ninguém. É hora de salvar as matas, rios e aquífero do veneno e da motosserra. É hora de não baixar a cabeça pra ninguém, nem confiar em falsas promessas de nenhum político. É hora ocupar os espaços, nos organizarmos de novas formas e decidirmos por nós mesmos.

As lutas do campo, do Xingu, de Rio Dos Macacos, de Pinheirinho, Vila Autódromo, Santuário dos Pajés, das Universidades Federais e de todos os focos de resistência do Brasil são uma só: a luta dos 99% contra o 1% que tudo controla.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

#OCUPAdosPOVOS :: #OccupyRioplus20





OCUPARIO vai receber todos os companheiros das ocupas do mundo que chegarem na cidade para manifestar junto durante a Cupola dos Povos e a RIo+20. 

Para atender a todos no melhor dos modos pedimos que informem data de chegada e número de visitantes enviando email para ocupario@gmail.com. Receberão as infos e os contatos direto com a OcupaRio. Nos vemos no OcupaRio!

OCUPARIO will welcome all people from occupy’s movements around the world in Rio de Janeiro to manifest together during people’s Summit and Rio+20. To help us best organize receive people, please inform date and numer of visitors to the address ocupario@gmail.com. You will receive infos about organization and local contacts. See you at OcupaRIO!

OCUPARIO invita tutte le occupazioni intorno al mondo a Rio de Janeiro, per manifestare insieme durante la Cupola dei Popoli e la Rio+20. Per otimizzare l’ccoglienza siete pregati di informare a ocupario@gmail.com il giorno di arrivo e il numero dei visitanti. Riceverete informazioni sull’organizzazione e i contatti locali. Vi aspettiamo a OcupaRIO!

OCUPARIO va a recibir a todos los compañer@s ocupas del mundo que llegarán a la ciudad para manifestarse en la Cumbre de los Pueblos y en Rio+20. Para atender a todos del mejor modo pedimos que informen la fecha de llegada y el número de visitantes enviando un e-mail a ocupario@gmail.com. Recibirán la información y los contactos directos con OcupaRio. Nos vemos en OCUPARIO!

OCUPARIO veut recevoir tous les compagnons provenant d’occupations de tout le monde qui viendront à Rio pour prendre part au “Sommet des Peuples” et à Rio+20. Pour qu’on puisse bien vous recevoir on vous en prie de nous informer la date d’arrivée et le nombre de personnes en écrivant a: ocupario@gmail.com. Vous rencontrerez des infos et contacts directement de OcupaRio. On se voit à OcupaRio!



Reunião geral segunda 11/06 – Ocupa dos Povos – Deliberações

Na reunião desta segunda, 11/06, contamos com um grupo bem maior de pessoas, inclusive companheiros de outros ocupas brasileiros e occupy´s internacionais. [Bem-vind@s tod@s!] Tentamos deixar todos a par do que vinha sendo feito nas reuniões anteriores e definir juntos os próximos passos. Tivemos muito dissenso, especialmente relacionado ao GT Infra que divergiu sobre anunciar hoje o local da ocupação ou aguardar o dia desta para fazê-lo, como vinha sendo consenso em reuniões anteriores. Decidimos por manter a segunda opção, por medidas de segurança. Os GTs se reuniram separadamente (Sinergia, Comunicação, Intervenção e Welcome – este último criado hoje na praça para melhorar a comunicação com os companheiros que estão chegando de fora do país) e depois voltamos para a assembleia coletiva e cada GT fez um breve resumo, que tento transpor abaixo (ata copyleft – gentileza complementar):

GT SINERGIA
Está organizando a lista de companheiros do Rio que possam receber companheiros de fora em suas casas. Há muitas pessoas chegando e isso é muito importante e urgente. Por gentileza, todos que puderem contribuir com essa questão, entrar em contato com o GT no link do facebook e/ou aqui na lista Ocupa dos Povos e/ou no email: ocupario@gmail.com.

GT INTERVENÇÃO
> Fará a intervenção que dará início à ocupação. Ela acontecerá dia 14 de junho, 18h30, e terá como PONTO DE ENCONTRO a Praça Paris (mapa aqui), onde nos encontraremos e seguiremos juntos para o local da ocupação. IMPORTANTE LEVAR PARA A INTERVENÇÃO: capa de chuva amarela, lanterna, pisca-´pisca, apitos, latas e, claro, BARRACA! Há um evento da intervenção no facebook.

GTCOM
> Precisa de pessoas disponíveis para compor equipes que atuarão por turnos – tanto na acampada, como nas ações pela cidade e dentro da cúpula dos povos. Também precisamos de conexão 3G para viabilizar o máximo de streamming. Temos modems que precisarão ser ativados (o que envolve grana, disseram R$ 200). Se alguém tiver conexão móvel ou souber maneiras interessantes de disponibilizar, fale com a gente. Temos 3 tendas gazebo para a acampada, 1 projetor, a sementeira (que precisa ter gente cuidando ao longo de toda a ocupação), e estamos registrando os equipamentos que as pessoas já trarão ou podem trazer para o Ocupa: filmadoras, computadores, celulares etc. Alimentaremos os canais principais (site ocupario.org / twiiter @ocuppyrio / Fanpage / Grupo de Discussão / GTs), incentivando que cada atuante no globo repasse às informações aos grupos de interesse.

Encerramos a assembleia com os informes dos GTs e marcando NOSSO PRÓXIMO E DEFINITIVO ENCONTRO PARA A PRÓXIMA QUINTA-FEIRA, DIA 14/06/12, 18H30, NA PRAÇA PARIS. LEVEM SUAS BARRACAS (e tudo o mais!).

OcupaRio (G.A.) Reunion 06/11, deliberations

On monday (06/11) meeting was present a good number of people, inclusive from other occupies from Brasil and around the world [Wellcome to everybody!!]
We related what has gone on in past reunions and activities and defined together next moves.

As a security measure we decided, after a good discussion, that the final camping place we’ll not be revealed till the day of the action and what is going to be divulgated are only meeting points were to concentrate.

After this the working groups (GT) had separated conversations, and then we reunited again for the GTs could report to everybody

GT SINERGIA
(sinergy, created to give logistic and other kind of help to ar friends coming from all over the world):
is organizing a list of people which can give hospitality in their houses, which is quite urget to realixe, given the big number o people is goin go show up in Rio. Please, everybody who is willing to help make contact with the GT via facebook and/or our mailing lists, or by writing to ocupario@gmail.com

GT INTERVENÇÃO (Intervention)
This group is responsable to actuate in the beginning of occupy actions. Has been decided that our occupation will happen on the 14th, the meeting point will be in Praça Paris at 18.30 (look on google map for directions – Praça Paris RIo de janeiro) and from there wi’ll move all together for the final occupation spot. Who can is kindly request to bring a yellow rain cup, flashlights, whistles, something to bit on and make a lot of noise, and naturallu, CAMPING TENTS!! A FB event will be organizes later on, and informed via mail list.

GT COMUNICAÇÃO (communications)
This working group needs people to cover all is activities. A turnation will regulate participation to cover the camp activities and other happenings and actions around the city. We got some equipment, but still need many things (as internet connection for the streaming, for example). Who is going to bring and use video/audio equipment, is kindly request to contact the group to coordinate cover of all activities (FB or mail). The group will be responsable for the main communication channels of OcupaRio (site ocupario.org / twiiter @ocuppyrio / Fanpage / Discussion groups on FB / GTs), and will be stimulating people all around the globe to make informations circulate.

The reunion ended with the decision that next meeting will be directly on Wednesday 06/14/12, 18h30, in PRAÇA PARIS, for the beginning of actions.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Tragédia Grega





Será que o povo não vê que se continuar como está, como vai, não vai!?! Em 20 anos podemos estar como a Grécia, que chegou ao extremo de ter um partido de extrema direita, nazista, com representantes eleitos.

A democracia representativa é financiada por bancos, pelo império da mídia, pelas grandes corporações e as mesmas não se preocupam realmente com um desenvolvimento sustentável, querem apenas atrelar suas marcas a um selo verde para lucrar e mais nada. Forma-se assim uma sociedade ilusória.

Mostram um mundinho açucarado que não existe, ao passo que saqueiam a riqueza comum, que é de todos por direito, manipulando a propositadamente frágil e pouco esclarecida opinião pública. Eles sabem que quem manda não são eles e sim o povo, por isso usam das mais diversas e obscuras estratégias para distrair, dominar e manipular as massas.

Sinceramente espero que as pessoas se liguem no movimento e comecem a se interessar por política e pelo destino da nação, do mundo, para não chegarmos ao ponto que chegou a Grécia, com o povo ateando fogo nas ruas. Acorda Brasil!

Que as pessoas acordem antes que a extrema direita, extremamente careta e impregnada com o ranço da burguesia neoliberal, espumante e ensandecida, dê poder a um partido nazista e vejamos cenas absurdas como esta que foi transmitida ao vivo pela TV grega.


Diário da Liberdade: 'Durante um programa televisivo exibido ao vivo, Ilias Kasidiaris, deputado do fascista 'Amanhecer Dourado', lançou um copo de água sobre umha deputada do Syriza e esbofeteu, por três vezes, uma deputada do Partido Comunista.

Enquanto debatiam sobre a convocatória de novas eleições para 17 de junho na Grécia, num programa da televisão privada desse país, o deputado fascista Ilias Kasidiaris, cujo partido experimentou um expetacular aumento nas últimas eleições, atingindo os 6,9% dos votos, atacou primeiro verbal e depois fisicamente duas deputadas, com as quais mantinha uma discussão política.

Apesar de as imagens serem eloqüentes, o dirigente nazi e ex-militar acusou posteriormente o canal televisivo de "manipular as imagens", emaçando-o polas conseqüências que o incidente poderá ter.

Um mandado de prisão foi expedido contra o agressor, cujo partido está a divulgando impunimente um programa e uma postura abertamente nazista, incluindo perseguiçõess contra imigrantes e homossexuais, assim como ameaças contra comunistas.

Neste caso, o agressor é um militar grego que integrou as forças especiais do país. É de setores especialmente reacionários do exército, ligados à ditadura dos generais, que se nutre o partido "Amanhecer Dourado", que aspira a manter umha importante presença no Parlamento depois das eleições de 17 de junho.'


Imagem: Steve Bell

sexta-feira, 11 de maio de 2012

#12M :: PROGRAMAÇÃO DO 12 MÉIER :: #OcupaRio

12H :: CONCENTRAÇÃO  

12H30 :: OFICINA DE CARTAZES DIGITAIS EM SOFTWARE LIVRE 

14H :: DEBATE COOPERATIVISMO LOCAL E GLOBAL. CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS EM TEMPOS DE CRISE NA ECONOMIA, POLÍTICA, MEIO AMBIENTE E CULTURA 

17H :: GRANDE BINGO DO RIO 

18H :: PROJEÇÃO DE CURTAS E DEBATE COM O CINEASTA MARCELO BICHARA

19H :: SHOWS DE HIP-HOP: FAMÍLIA KAPONNE :: US NEGUIN Q Ñ C KALA :: MR. BREAKE SOUSA :: K-LOT E O BONDE 2 CRIA :: DON ALAN MAROLA :: ANDRÉ ZOVÃO :: DON CAPPUCCINO :: MALÍCIA URBANA CREW :: JHONNY (RL) SILVA :: FÁBIO FINA :: DJ TIKANO CALDERON 

ALÉM DISSO TUDO ESTARÁ ROLANDO TAMBÉM AO LONGO DO DIA CAPOEIRA, DIVERSOS MICRO DEBATES E SHOWS, FEIRA DE TROCAS (LEVE COISAS PARA TROCAR), MICROFONE ABERTO, SURPRESAS, GOIABADA E OUTROS MUNDOS!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Occupy Wall Street renasce no 1º de maio e ataca símbolos do consumo em NY


via operamundi / Efe

Com o fim do rigoroso inverno norte-americano, movimento voltou a ocupar ruas da maior metrópole dos EUA


Apesar de ser o berço do Dia do Trabalho, os Estados Unidos não têm a tradição de baixar as portas do comércio, nem fechar fábricas e escolas, como ocorre em quase todo o mundo. Ontem, porém, os manifestantes do movimento Occupy Wall Street mudaram este cenário, confiantes no lema que disseminam desde o ano passado: “Nós somos os 99% e podemos mudar o mundo”.

Após uma pausa devido ao rigoroso inverno no hemisfério norte, o movimento que protesta contra o sistema financeiro internacional e se espalhou pelo globo em 2011 voltou à ativa neste 1º de maio, com uma manifestação sem precedentes em Nova York.

O recado já havia sido dado, como noticiado no Opera Mundi: não ao consumo, ao trabalho, à escola. E eles cumpriram o que prometeram. Jovens, famílias inteiras com bebês de colo, idosos, mendigos, hipsters e engravatados ocuparam as ruas de Manhattan pacificamente, com guitarras, violões, bandeiras, cartazes, discursos, canções e gritos de protesto no simbólico ‘feriado’.

O movimento, que foi alvo de uma articulada repressão por parte da polícia norte-americana – que evacuou todos os ocupantes de suas bases, proibindo-os de ali voltarem a acampar – renasceu. A iniciativa começou cedo, com a ocupação do Bryan Park, na rua 42 com a 6a Avenida. O Occupy ainda realizou ações pontuais em alguns pontos de comércio e bancos (os vilões da crise americana de 2008, ajudados por Barack Obama para não quebrarem). Cartões-postais, como a ponte de Williamsburg, também foram ocupados.

Por volta das 14h (15h no horário de Brasília), centenas saíram em direção à Union Square, tomando a 5a Avenida, o símbolo-mor do consumismo nova-iorquino. Sempre acompanhados pela polícia, eles respeitaram até a rua 33 o cercadinho humano que os impossibilitava de tomar – literalmente – a avenida. Dado instante, porém, a multidão ficou irrefreável. A polícia perdeu o controle da situação – e a 5a Avenida foi, literalmente, ocupada. A liberdade, contudo, durou pouco, segundos. Centenas de policiais voltaram a cercar alguns manifestantes e prende-los.


Grande parcela dos ‘ocupadores’, entretanto, deu continuidade à caminhada e, por volta das 15h, já dominavam a Union Square, monitorada pelos homens da NYPD (o departamento de polícia de Nova York). “Loucura, era disso que eu estava falando”, dizia uma das manifestantes à amiga que empunhava a bandeira da anarquia, correndo em direção à praça. Lá, os discursos – e reivindicações – se misturavam, chamando atenção para os mais distintos assuntos: aborto, imigração, drogas, direitos de GLBT, cadeirantes. Todos, no fim, desembocavam no mesmo grito: o fim do capitalismo e dos privilégios ao 1% mais rico da população.

Encontro de classes

A professora Suzane, de 65 anos, que se recusou a dar o sobrenome por medo de retaliação, exaltou o Occupy como a “única salvação” para o sistema atual. “O dia de hoje é crucial para a história dos Estados Unidos. A única salvação para todo o mundo é a ocupação em Wall Street. Você tem aqui ricos, pobres, jovens e idosos, fora um monte de gente que não está aqui por medo de perderem seus trabalhos: gente da minha família inclusive. Em 65 anos nunca vi nada igual”, declarou Suzane.

Para a professora, o movimento é, sobretudo, “apolítico”. “Democratas ou republicanos, nós já vimos que nada acontece. A mídia, que deveria dar atenção a isso, é controlada pelo [Rupert] Murdoch, nada é noticiado. Por isso estamos aqui”. O jovem William, de 29 anos, que trabalha como operário em construção (e também se recusou a dar seu sobrenome), atendeu ao clamor do lema do “May Day” e “enforcou” o dia de trabalho para se juntar ao Occupy. Ele ressaltou a importância dos jovens – e da união com as diversas faixas etárias, raças e classes sociais.

William, entretanto, lembrou o medo de um grande número de trabalhadores que poderiam se juntar à causa e não o fazem por preverem represálias. “Eu acredito no Occupy, mas só não sei se ele consegue ser efetivo com esse número que temos aqui manifestando”, disse. A tese de represália – “num mundo cruelmente corporativista”, como pontuou Suzane – faz sentido. Diversos policiais empunhavam câmeras durante o manifesto – e, claro, que com intenções outras que a mera curiosidade ou o puro registro. Se negavam, no entanto, a explicar o uso da máquina.

Rumo ao coração financeiro

efe
Por volta das 16h30, um chamado do palco convocou as milhares de pessoas que ocupavam a Union Square e seus arredores para seguir em marcha ao Zucotti Park, em Wall Street, onde tudo começou. Os manifestantes passaram pela Broadway, interditando uma das principais avenidas de Manhattan, em meio às diversas grifes que pipocam pelo miolo do sofisticado bairro do SoHo. Moradores, turistas e comerciantes, em sua maioria, fotogravam, comentavam, aplaudiam. Outros, fechavam as portas, como uma loja da rede Starbucks.

A nova-iorquina Margie, 61 anos, dava de ombros ao cerco policial e sorria em meio à multidão, já a caminho do coração financeiro da cidade. Dizia-se feliz por participar e interagir com o ato “histórico”. “O que está acontecendo aqui é muito importante. E essa união, especialmente, pode mudar muita coisa. Eu espero que mude”.

Entretanto, nem tudo foram flores. Ainda no caminho, um policial questionado sobre como reagiriam quando os manifestantes chegassem a Wall Street, alterara: “Isso certamente não vai acabar bem”.

A exemplo de outras iniciativas do Occupy, como a caminhada na Ponte do Brooklyn e a marcha do Occupy Times Square, dezenas de manifestantes foram presos. A reportagem presenciou duas detenções, com direito a algemas e camburão. Uma das manifestantes presas, perguntada por alguém da imprensa porque estava sendo detida, limitou-se a responder, quase em silêncio, “porque eu sou contra”.

Próxima parada: Europa (e América do Sul)

Cidades como Paris também fizeram seu grito de resistência no 1o de Maio, mas foi apenas um ‘esquenta’ para a grande rede que irá se propagar em toda a Europa entre 12 a 15 de maio, quando eles prometem reativar a ‘revolução espanhola’ (que dominou as ruas e o Twitter com o hashtag #spanishrevolution no mesmo período do ano passado e que também está nas redes sociais sul-americanas com tags como: #OcupaRio, #12M e #15M, dentre outras...). O Occupy Wall Street, aliás (como o movimento dos ocupas aqui no Brasil), foi inspirado nos “indignados” espanhóis, que agregava o mesmo caldeirão de pessoas para se voltar contra o sistema.

Com o agravante da situação econômica na Europa – ainda pior que nos Estados Unidos –, a Espanha promete ser outra vez o epicentro do movimento. O país, onde uma em cada quatro pessoas está desempregada, vai fazer barulho. “O ‘May Day’ foi histórico e voltou para ficar. Mas a Europa vai queimar”, aposta o médico brasileiro Alexandre Carvalho, um dos idealizadores do Occupy.

sexta-feira, 27 de abril de 2012


Em 25 de Janeiro de 2011, os egípcios foram as ruas, tomaram a Praça Tahrir, e o ditador teve que deixar o poder. Em 15 de Maio, os espanhóis decidiram permanecer na Puerta del Sol, em Madri, depois da enorme manifestação que ganhou as ruas naquele dia. Estes acampamentos expandiram-se em poucos dias a toda a Espanha e, pouco depois, a outras cidades de continentes diferentes.

No dia 27 de Setembro, o Occupy Wall Street se instalou no coração financeiro do mundo, abalou as estruturas políticas dos EUA e inspirou milhares a ocuparem as praças de outra dezenas de cidades ao redor do mundo.

No dia 15 de outubro, milhões de pessoas saíram às ruas em mais de 1000 cidades em todo o planeta, sob o lema "Unidos Por Uma Mudança Global". No Brasil, algumas cidades se mobilizaram e praças públicas foram ocupadas em: São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, dentre outras. Em todas elas, os acampamentos permaneceram por muitas semanas e meses, como espaços políticos de aprendizado, criatividade pulsante, e local privilegiado para experiências únicas de convívio humano.

O 12 de Maio (#12M) será um Dia Internacional de Mobilização, pessoas de todo o mundo tomarão as ruas para gritar contra o sistema capitalista e sua estruturação política que serve única e exclusivamente à manutenção dos interesses dos poderosos. Mais do que isso, mostraremos também que, perante esse sistema que não nos representa, construíremos outro, que contemple nossos sonhos, nossas lutas e nossas aspirações de futuro.

Junte-se a nós! Somos mulheres e homens cansadxs da exploração, da desumanização e da opressão que retira um pedaço de nossa alma e de nossa carne, todos os dias. Já chega!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Decisões coletivas: reunião Ocupa Rio 14.04.12 no MAM




1- Organizou-se um pequeno comitê para manter os canais de informação Ocupa Rio melhor atualizados com as agendas das diferentes iniciativas políticas apartidárias pelas cidades do Rio de janeiro e grande Rio. 

A intenção é enfatizar e promover o entendimento de que o Ocupa Rio não é um grupo, nem um coletivo, mas um espaço de ativismo político independente de partidos, e que se dá no encontro produtivo de movimentos, coletivos e ativistas independentes. 

Pedimos a todos ativistas e artivistas organizados em movimentos ou independentes que também que ajudem a divulgar suas iniciativas, encontros e reuniões, enviando a info sempre ao email ocupario@gmail.com e também como mensagem privada na página http://www.facebook.com/OcupaRio

2- Sobre o chamado Global 12M (12 de Maio) Local, debate, shows e publicação coletiva:

2.1- o local escolhido para as atividades do 12M foi o Largo da Carioca. 

2.2- os presentes se propuseram a organizar um debate Ocupa Rio e shows. 

O tema proposto é sobre o contexto da economia global e de iniciativas de autonomia local (cooperativas ecológicas, cooperativas de consumidores etc) e propostas de cooperação global independente de governos. Alguns nomes, instituições e movimentos foram sugeridos e serão contactados. 

Os interessados em ajudar com indicação e contato de nomes, por favor, enviar a info sempre ao email ocupario@gmail.com e também como mensagem privada na página http://www.facebook.com/OcupaRio

2.3- no 12 de Maio, será lançada publicação coletiva de formato e tamanho livres, de acordo com a colaboração recebida até o sábado dia 28 de abril pelo email ocupario@gmail.com. A publicação será aberta a todos os interessados. 

Favor enviar textos, poesias, quadrinhos e charges (tudo preferencialmente em Preto e Branco) com temas afins ao ativismo político apartidário de nível local ou global. 

Como ativismo político, entenda-se não apenas protestos e queixas sobre governos, mas também todo tipo de iniciativa colaborativa e de estímulo à autonomia das populações, por exemplo, na área de ecologia, educação, de identidade (movimento negro, LGBT, feministas, indígenas, quilombolas, etc), lutas urbanas e rurais por moradia, questões de direitos autorais, questões de patentes de sementes e remédios etc.

Lembre-se: enviar texto, poesia, charge, ou quadrinhos até dia 28 de abril para o email ocupario@gmail.com 

Para chegar ao público que não tem acesso ou costume de ler via computador, a intenção é lançar também em versão impressa no 12M, sem exagero de cópias para evitar o desperdício. Formas para financiamento colaborativo e cooperação com gráfica/impressoras estão sendo levantados. Os interessados em contribuir com impressão, materiais recicláveis e outras colaborações, favor se comunicar pelos canais indicados acima. 

2.4- Foi reforçado que o 12M é de livre participação, e que é desejável que todo tipo de coletivos, movimentos e associações de ativismo político produzam atividades independentes para o 12M e que será fortuito a convergência para o Largo da Carioca. 

Para viabilizar ou facilitar a iniciativa, os que quiserem colaboração e parceria com participantes do comitê de mobilização formado no encontro Ocupa Rio, por favor, contactar via email ocupario@gmail.com e por mensagem privada na página http://www.facebook.com/OcupaRio 

3- Segundo Ciclo de debates Ocupa Teoria: foi feito ata sobre este tema em separado e já está publicada no blog do GT Teoria: http://ocupateoria.wordpress.com/

Fonte: https://www.facebook.com/groups/274554705966670/permalink/281199471968860/ ~acessado em 18/04/2012 as 18h00.

Decisões coletivas: reunião Ocupa Rio 14.04.2012 no vão livre do MAM

Por favor divulguem em suas páginas, grupos e blogues !!!