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domingo, 4 de setembro de 2016

O black bloc e a violência


Embora tenham sido transformados pela imprensa numa espécie de Al Qaeda, os manifestantes que fazem uso da tática Black Bloc estão inseridos numa longa tradição de reflexão sobre a forma mais adequada e eficaz de se produzir mudança social por meio do protesto de rua.
Os primeiros Black Blocs eram grupos informais de autodefesa dos movimentos autônomos da Alemanha ocidental nos anos 1980, os Autonomen. As táticas do grupo consistiam na constituição de linhas de frente para enfrentar a repressão policial e na organização de cordões de isolamento para impedir a infiltração de agitadores nas passeatas. O nome Black Bloc, (“der schwazer Block”) era originalmente uma brincadeira que aludia ao fato das manifestações de rua na Alemanha se organizarem por meio de “blocos” como o verde (formado pelos ambientalistas) e o vermelho (por socialistas ligados aos sindicatos).
Nos Estados Unidos, no final dos anos 1990, os Black Blocs ganharam um novo contorno, isto é, foram ressignificados. Um pouco antes, na primeira metade dos anos 1990, pequenos Black Blocs no estilo alemão tinham ocasionalmente aparecido em protestos nos EUA devido à difusão da tática em artigos e livros, como o de George Katsiaficas, antigo aluno de Marcuse.
Mas o Black Bloc ganhou seu contorno atual durante os protestos contra a Organização Mundial do Comércio, em Seattle, em 1999, quando um grupo optou por romper com a tática de bloquear ruas e praticar resistência passiva, na tradição da desobediência civil não violenta de Gandhi e Martin Luther King Jr.
A desobediência civil não violenta tinha se estabelecido como paradigma dos movimentos sociais dos Estados Unidos depois da vitória do movimento pelos direitos civis nos anos 1960. A tática consistia em desobedecer uma lei injusta e não reagir à violência do Estado que tentava defendê-la. Assim, os ativistas do movimento pelos direitos civis desobedeciam as leis que determinavam lugares separados para negros e brancos ocupando com sit-ins restaurantes e outros ambientes segregados. Quando a polícia reprimia com violência esse ato de desobediência pacífica, as imagens divulgas pela imprensa de manifestantes de uma causa justa sofrendo a repressão violenta do Estado geravam indignação da opinião pública que pressionava pelo fim da segregação.
Mas nos anos 1990 havia um sentimento que aquela tática tinha se esgotado porque a desobediência civil não tinha como gerar efeitos políticos sem a cobertura da violência policial pela imprensa. O professor de Antropologia da London School of Economics, David Graeber, um dos ativistas que compuseram o Black Bloc de Seattle relata assim o debate que se deu:
Estratégias gandhianas não tem funcionado historicamente nos Estados Unidos. Na verdade, elas nunca funcionaram em escala massiva desde o movimento pelos direitos civis. Isso, porque os meios de comunicação nos EUA são constitutivamente incapazes de noticiar os atos de repressão policial como "violência" (o movimento pelos direitos civis foi uma exceção porque muitos americanos não viam o sul como parte do mesmo país). Muitos dos jovens que formaram o famoso Black Bloc de Seattle eram na verdade ativistas ambientais que estiveram envolvidos em táticas de subir e se prender em árvores para impedir que fossem derrubadas e que operavam em princípios puramente gandhianos -- apenas para descobrirem em seguida que nos Estados Unidos dos anos 1990, manifestantes não-violentos podiam ser brutalizados, torturados e mesmo mortos sem qualquer objeção relevante da imprensa nacional. Assim, eles mudaram de tática. Nós sabíamos de tudo isso. E decidimos que valia a pena correr o risco.
A crítica que os ativistas do Black Bloc de Seattle fizeram às táticas clássicas de Gandhi não é, no entanto, nova. Ela retoma um debate que já havia ocorrido nos anos 1940 entre o socialista dissidente George Orwell e o próprio Gandhi. Num artigo célebre, Orwell argumenta que o método de resistência passiva gandhiano não podia ser generalizado para circunstâncias nas quais não havia uma imprensa livre e atuante que alimentasse uma opinião pública liberal. Ele ironizava, assim, a recomendação de Gandhi de que os judeus perseguidos pelo nazismo deveriam ter cometido suicídio coletivo para despertar a consciência alemã:
A posição do Gandhi era que os judeus alemães deveriam cometer suicídio coletivo, o que “despertaria o mundo e o povo da Alemanha para a violência de Hilter”. Após a guerra, ele se justificou: os judeus teriam sido mortos de qualquer maneira, então pelo menos eles poderiam ter morrido de maneira significativa. (…) Há motivo para pensar que Gandhi, que nasceu em 1869, não entendeu a natureza do totalitarismo e via tudo mais nos termos de sua própria luta contra o governo britânico. A questão importante não é tanto que os britânicos o tenham tratado com tolerância mas o quanto ele sempre pode atuar publicamente. Como se pode ver na sentença citada acima, ele acreditava num “despertar do mundo” que só é possível se o mundo tem a oportunidade de conhecer o que você está fazendo. É difícil imaginar como os métodos de Gandhi podiam ser aplicados em um país no qual os oponentes do regime desaparecem no meio da noite para nunca mais serem encontrados. Sem uma imprensa livre e o direito à reunião é impossível não apenas apelar para a opinião externa, mas criar um movimento de massas ou mesmo fazer suas intenções serem conhecidas pelo adversário.
Tanto Orwell como os ativistas do Black Bloc de Seattle entendiam que a ausência de uma imprensa livre e atuante impedia que as ações de desobediência não violenta tivessem impacto na opinião pública gerando efeitos políticos. Para enfrentar esse dilema, os ativistas americanos propuseram ressignificar as táticas do Black Bloc alemão concentrando sua ação numa modalidade de desobediência que era a destruição seletiva de propriedade privada. O objetivo era duplo: por um lado, resgatar a atenção dos meios de comunicação de massa; por outro, transmitir por meio dessa ação de destruição de propriedade uma mensagem de oposição à liberalização econômica e aos acordos de livre comércio.
Ao contrário do que normalmente se pensa, essa ação não apenas não é violenta como é predominantemente simbólica. Ela deve ser entendida mais na interface da política com a arte do que da política com o crime. Isso, porque a destruição de propriedade a que se dedica não busca causar dano econômico significativo mas apenas demonstrar simbolicamente a insatisfação com o sistema econômico. Há obviamente uma ilegalidade no procedimento de destruir a vitrine de uma grande empresa, mas é justamente a conjugação de uma arriscada desobediência civil e a ineficácia em causar prejuízo econômico à empresa ou ao governo que confere a essa ação seu sentido expressivo ou estético, num entendimento ampliado. A destruição de propriedade sem outro propósito que o de demonstrar descontentamento simbolizava e apenas simbolizava a ojeriza aos efeitos sociais da liberalização econômica.
Também é preciso salientar que essa tática se inscreve na longa tradição de não violência do movimento social norte-americano. A destruição seletiva de propriedade privada não é feita de maneira arbitrária, mas segue regras pactuadas pelos ativistas: não podem ser alvo pequenos comércios e as ações não podem resultar na agressão a pessoas ou a animais.
Embora não esteja claro em que medida as ações Black Bloc foram capazes de transmitir a mensagem política desejada, elas foram sem dúvida eficazes em capturar a atenção dos meios de comunicação de massa – afinal, tinha se mostrada acertada a intuição dos ativistas de que nada despertaria mais a atenção da grande mídia do que uma desobediência do coração do sistema jurídico que é a proteção da propriedade privada.
O impacto midiático das ações do Black Bloc em Seattle foi tão grande que terminou ofuscando, em parte, a grande construção coletiva que levou tanto às passeatas de massa organizadas pela central sindical AFL-CIO, como aos bloqueios de rua organizados pelos ativistas da Direct Action Network. Esse sucesso em capturar a atenção dos meios de comunicação foi logo percebido por ativistas em todo o mundo e a tática Black Bloc, na sua roupagem americana, logo entrou no repertório dos movimentos sociais, disseminando-se por todo o planeta nos primeiros anos do século XXI.
O rompimento do consenso no movimento social americano em torno das táticas gandhianas suscitou muitos debates e desde o princípio o Black Bloc foi acusado de oportunista, de diversionista, de promotor da violência e de isca da repressão policial. Os calorosos debates do início dos anos 2000 foram resolvidos por meio da ideia da "diversidade de táticas", isto é, da ideia de que as diferentes táticas tinham que conviver, respeitando umas as outras – mais ou menos como o “mundo onde caibam muitos mundos” preconizado pelos zapatistas.
Para esse consenso ser atingido foi necessário que aqueles que advogavam a tática exclusiva de bloqueios e ocupações (sit-ins) não violentos entendessem que os que aderiam à tática Black Bloc também participavam da tradição da não-violência, pois não atacavam pessoas, mas coisas. A partir desse consenso, os protestos de rua passaram a ser divididos em grupos que ocupavam cada um uma parte da cidade, de maneira que pudessem coexistir. Esse mesmo consenso existiu no Brasil no início dos anos 2000 durante os protestos contra a ALCA.
No entanto, na onda de mobilizações globais que começou em 2011, parece que esse aprendizado foi esquecido e os duros ataques aos Black Blocs reapareceram no Occupy Wall Street, na insurreição no Egito, nos protestos na Grécia e também no Brasil. Os ativistas que compunham os Black Blocs foram tratados como arruaceiros inconsequentes, luditas irracionais e bandidos oportunistas. O fato de que os grupos no Brasil em geral tem respeitado os princípios da tática, que inclui não agredir pessoas, nem atacar pequenos comércios não é levado em conta nas acusações de "violentos" e, assim, um ato de desobediência civil (a destruição de propriedade) se torna equivalente à agressão a pessoas.
Enquanto a destruição da vidraça de bancos ganha enorme visibilidade, a repressão da polícia a manifestantes pacíficos segue invisível para a maior parte da grande imprensa. E não é só a agressão a manifestantes que é invisível. Toda a ação abusiva e violenta da polícia nas periferias das grandes cidades não recebe cobertura ou recebe uma cobertura discreta, sem destaque editorial.
A imprensa gasta páginas e mais páginas de jornal e dezenas de minutos de jornalismo televiso para discutir a “violência” contra vidraças enquanto a verdadeira violência contra a vida ganha apenas menções pontuais. Ao chamar a atenção para os bancos, para as grandes marcas e para o estado brasileiro, os manifestantes que fazem uso da tática Black Bloc no Brasil resgatam a atenção dos meios de comunicação e tentam redirecioná-la para o sistema econômico e político que está na gênese da verdadeira violência da nossa sociedade.
São pertinentes as dúvidas se sua mensagem está sendo adequadamente recebida pelo público e se a tática facilita a infiltração de provocadores e afasta simpatizantes da causa. Mas, seja como for, não resta dúvidas de que sua ação não é nem arbitrária, nem irracional.
Os jovens que estão nas ruas merecem o respeito de serem tratados como atores políticos consequentes – e nossa indignação precisa estar orientada para a verdadeira violência, aquela que agride manifestantes pacíficos e faz desaparecer Amarildos. Afinal, vidas devem valer muito mais do que vidraças.
Referências:
Dupuis-Déri, F. Les Black Blocs: la liberté et l'égalité se manifest. Québec: Lux, 2007 [em português: Black Blocs. São Paulo: Veneta, 2014]
Graeber, D. Concerning the Violent Peace-Police: An Open Letter to Chris Hedges. Disponível em: <http://nplusonemag.com/concerning-t...>
Katsiaficas, G. The subversion of politics: european autonomous social movements and the decolonization of everyday life. Nova Jersey: Humanities Press, 1997.
Orwell, G. Reflections on Gandhi. In: A collection of essays. Wiimington: Mariner books, 1970. [em português: Reflexões sobre Gandhi. Dentro da baleia e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2005].

sábado, 27 de agosto de 2016

Alienação parental faz mal às crianças



Disputa dos pais adoce os filhos


Matéria divulgada no jornal Extra 20/08/2014


Clique na imagem para ampliar



sábado, 20 de agosto de 2016

7 criaturas alienígenas capturadas por câmera




Sete avistamentos, de supostos alienígenas, mais populares na Internet.


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Por quê tenho poucos amigos?



CIÊNCIA EXPLICA PORQUE PESSOAS INTELIGENTES TEM MENOS AMIGOS


Muitos de nós já pensamos sobre o que faz uma vida bem vivida. É estar perto da família e de um monte de amigos? Ser cercado por um punhado seleto de pessoas em sua vida? Você já observou aquela pessoa realmente inteligente em sua vida e os amigos ao seu redor? E a quantidade de amigos que ela tem? As pessoas mais inteligentes preferem menos amigos e aqui está o porquê.

O que faria da maioria das pessoas feliz

Uma nova pesquisa, publicada no British Journal of Psychology, fala sobre o que exatamente define uma vida bem vivida. Acontece que os estilos de vida de nossos antepassados formam a base do que nos faz felizes agora. A pesquisa entrevistou aproximadamente 15.000 pessoas entre as idades de 18 a 28 anos de idade. Os pesquisadores descobriram que as pessoas que vivem em áreas densamente povoadas relataram menos satisfação com a qualidade de sua vida. A próxima conclusão dos entrevistadores sugere que quanto mais interações frequentes com amigos próximos, maior a felicidade autorrelatada.

Pessoas inteligentes são uma exceção

No entanto, existe uma exceção. Para aqueles com quocientes de inteligência mais elevados, essas correlações diminuem drasticamente. “O efeito da densidade populacional na satisfação com a vida era, portanto, mais de duas vezes maior para os indivíduos de baixo QI”. Assim, quanto mais inteligente você é, menos está satisfeito com a vida de se socializar com os amigos com mais frequência. Mas por quê?



Pessoas inteligentes estão focadas em objetivos de longo prazo

As pessoas com QI mais elevado e com a capacidade de usar sua inteligência são menos propensas a gastarem tempo socializando. Por quê? As pessoas inteligentes estão focadas em objetivos de longo prazo. Elas são obrigadas, e talvez um pouco mais orientadas a usarem sua inteligência para criarem algo maior do que elas mesmas.

Por exemplo, pense em alguém que você conhece que foi fazer pós-graduação ou começou seu próprio negócio. Ao perseguir suas ambições e objetivos, essa pessoa teve que minimizar interações sociais. Uma pessoa inteligente, na busca de alcançar algo maior e melhor do que si mesma, pode considerar a interação social como uma distração que a afasta de objetivos a longo prazo, o que, por sua vez, pode afetar seu bem-estar geral.

Ao pensar no longo prazo, o indivíduo mais inteligente prefere ficar em casa e trabalhar por seus sonhos e ambições do que sair em um sábado à noite com alguns amigos. Não é que ele não valoriza a amizade. Mas quando está buscando alcançar a grandeza, julga a socialização como distração.

Como pessoas inteligentes desenvolveram-se de forma distinta durante a evolução do cérebro humano

O cérebro humano evoluiu para atender as demandas do nosso ambiente ancestral na savana. A densidade populacional era baixa e sobrevivíamos com um estilo de vida caçador. Durante estes tempos, ter contato frequente com os amigos ao longo da vida era necessário para a nossa sobrevivência e para posterior reprodução da nossa espécie.

Nos dias de hoje, a nossa vida mudou drasticamente, assim como nossas interações com o outro. As pessoas inteligentes podem ser mais capazes de lidar com os novos desafios que a vida moderna nos lança. Ou seja, têm uma melhor capacidade de resolver problemas evolutivos e mais facilidade em lidar com novas situações.

Quando você é mais esperto, é mais capaz de se adaptar às coisas e tem mais facilidade em fundir suas predisposições ancestrais com o mundo moderno. Viver em uma área de alta população pode ter um efeito menor sobre o seu bem-estar, mas pode ser devido a ser mais capaz de descartar a necessidade de socializar quando está perseguindo seus sonhos e ambições.

Pessoas inteligentes valorizam os relacionamentos de uma maneira diferente

As pessoas inteligentes valorizam amizades e relacionamentos como qualquer outra pessoa, mas tendem a ser mais seletivos sobre a forma como gastam o seu tempo. Não é que eles não valorizam amizades e socialização, é que também valorizam os seus interesses pessoais.
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Transcrito / Tradução de: O Segredo – Fonte: Life Hack


sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A morte, assim como a vida, seriam meras ilusões?



Cientista faz revelação fantástica: ''A morte é apenas uma ilusão: nós continuamos a viver em um universo paralelo''



Por quanto tempo filósofos, cientistas e religiosos têm ponderado o que acontece após a morte? Existe vida após a morte, ou nós simplesmente desaparecemos no grande desconhecido? Há também uma possibilidade de que não existe tal coisa como geralmente definimos como a morte.

Uma nova teoria científica sugere que a morte não é o evento terminal que pensamos. Um tempo atrás, os cientistas relataram que encontraram a primeira evidência de universo paralelo.

Esta descoberta nos leva a um assunto instigante chamado de "Biocentrismo"

Robert Lanza, MD, cientista, teórico e autor de  "O biocentrismo" - Como vida e consciência são as chaves para entender a verdadeira natureza do Universo,  pensa que há muitas razões pelas quais não vamos morrer.

Para ele, a morte não é o fim, como muitos de nós pensamos. Acreditamos que vamos morrer, porque é o que nos foi ensinado, Robert Lanza diz em seu livro.

Será que você continuar a viver em um universo paralelo?

Há muitas experiências científicas que questionam seriamente o termo morte, tal como a conhecemos.

De acordo com a física quântica certas observações não podem ser previstas com certeza. Em vez disso, há uma gama de possíveis observações cada uma com uma probabilidade diferente.


A interpretação "de muitos mundos", afirma que cada uma dessas observações possíveis corresponde a um universo diferente, o que é geralmente chamado de "multiverso".

Robert Lanza tomou estas teorias ainda mais interessantes.

Ele acredita que "há um número infinito de universos, e tudo o que poderia acontecer ocorre em algum universo.


Sua energia nunca morre

A morte não existe em qualquer sentido real nesses cenários. Todos os universos possíveis existem simultaneamente, independentemente do que acontece em qualquer um deles.

Embora corpos individuais estão destinados a auto-destruição, o sentimento vivo - o "Quem sou eu?" - É apenas uma fonte de 20 watts de energia operando no cérebro. Mas esta energia não desaparece com a morte. Uma das mais seguras axiomas da ciência é que a energia nunca morre; ele pode ser criada nem destruída ".
Esta energia pode transcender de um mundo para outro.

A importância da consciência

Considere o princípio da incerteza, um dos aspectos mais famosos e importantes da mecânica quântica. Experimentos confirmam que está integrada no tecido da realidade, mas ela só faz sentido de uma perspectiva biocêntrica.

Se há realmente um mundo lá fora, com partículas saltando ao redor, então devemos ser capazes de medir todas as suas propriedades. Mas nós não podemos. Por que isso deveria importar a uma partícula que você decidir para medir?

A morte pode não ser verdadeira em todos os ...

Considere a experiência da dupla fenda: se um "relógio" uma partícula subatômica ou um pouco de luz passa através das fendas em uma barreira, ela se comporta como uma partícula e cria batidas de aspecto sólido por trás das fendas individuais sobre a barreira final que mede os impactos.

Como uma pequena bala, que logicamente passa através de um ou do outro furo.

Mas se os cientistas não observam a trajetória da partícula, então ela exibe o comportamento de ondas que permitem que ela passe através de ambos os furos, ao mesmo tempo.

Por que a nossa observação pode mudar o que acontece? Resposta: Porque a realidade é um processo que requer a nossa consciência ", diz Lanza.

Você não existiria sem a consciência. Uma das razões para Robert Lanza achar que você não vai morrer, é porque você não é um objeto. Você é um ser especial. De acordo com biocentrismo, nada poderia existir sem consciência. Lembre-se que você não pode ver através do osso que circunda o cérebro.

O espaço e o tempo não são objetos duros, mas as ferramentas de nossa mente usa para tecer tudo junto.

Tudo o que você vê e experimenta agora é um turbilhão de informações que ocorre em sua mente. O espaço e o tempo são simplesmente as ferramentas para colocar tudo junto.

Lanza recorda que a morte não existe em um mundo sem espaço atemporal. Não há distinção entre passado, presente e futuro. É apenas uma ilusão teimosamente persistente.

A imortalidade não significa uma existência perpétua no tempo sem fim, mas reside fora de tempo completamente.

Albert Einstein disse uma vez: "A realidade é meramente uma ilusão, embora muito persistente."

Como podemos dizer o que é real e o que não é? Como podemos saber com certeza que o nosso cérebro não está nos dando a ilusão de um mundo físico?

Fonte: http://interligadonoticias.blogspot.com.br/2016/05/cientista-faz-revelacao-fantastica.html

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terça-feira, 2 de agosto de 2016

Existe um direito fundamental de dispor sobre o próprio corpo?



By George Marmelstein Lima
Juiz Federal e Professor de Direito Constitucional

« Dúvida: Perda da Nacionalidade e Jogadores de Futebol Jurisdição Constitucional e Direitos Fundamentais: o juiz constitucional como agente de proteção da liberdade e de promoção da igualdade »


Como os últimos posts foram bem interativos – e isso robustece o debate – vou prosseguir  nessa mesma linha, apresentando um dos pontos mais tormentosos dentro da idéia de liberdade, que é o direito de dispor sobre o próprio corpo. Já dá pra imaginar os problemas éticos daí decorrentes, sendo a eutanásia talvez o mais conhecido.

A pergunta que faço é: o artigo 13 do Código Civil – “salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes” – é constitucional?

Aqui vai minha opinião, sujeita a críticas e amadurecimento:

O ser humano, por ser um animal com consciência, inteligência, memória e habilidade de comunicação, desenvolveu uma capacidade inata de tomar decisões racionais. É por isso que se diz que a autonomia da vontade ou liberdade de escolha é uma das notas mais importantes da dignidade da pessoa humana.

A autonomia da vontade é a faculdade que o indivíduo possui para tomar decisões na sua esfera particular de acordo com seus próprios interesses e preferências. Isso significa basicamente o reconhecimento de um direito individual de fazer tudo aquilo que se tem vontade, desde que não prejudique os interesses de outras pessoas. Para ser mais claro: cada um deve ser senhor de si, agindo como um ser responsável por suas próprias escolhas, especialmente por aquelas que não interferem na liberdade alheia.

Assim, por exemplo, cabe a cada indivíduo decidir por si mesmo que lugares que deseja freqüentar, qual a religião que deve acreditar, com quais pessoas queira se reunir ou se associar, qual a profissão que deseja seguir, quais os livros que pretende ler, e assim por diante. Daí os diversos direitos de liberdade: de locomoção, de religião, de associação e reunião, de profissão, de expressão etc. Logo, o valor da autonomia de escolha é inestimável, já que inúmeros direitos fundamentais decorrem diretamente desse princípio.


A proteção da autonomia da vontade tem como objetivo conferir ao indivíduo o direito de auto-determinação, ou seja, de determinar autonomamente o seu próprio destino, fazendo escolhas que digam respeito a sua vida e ao seu desenvolvimento humano, como a decisão de casar-se ou não, de ter filhos ou não, de definir sua orientação sexual etc. O outro lado da moeda é justamente a noção de auto-responsabilidade, indicando que cada ser humano deve ser responsável por seus próprios atos.

No campo teórico, um dos principais defensores da autonomia privada foi Stuart Mill, que no livro “Ensaio sobre a Liberdade”, escrito durante o Século XIX, sustentou que sobre si mesmo, sobre seu corpo e sua mente, o indivíduo é soberano.

Dentro dessa lógica, não cabe ao Estado, por exemplo, impedir que uma pessoa ultra-religiosa pratique atos de autoflagelação. Em princípio, pode ser um ato irracional e contrário às convenções sociais, que está certamente violando a integridade física daquele que o pratica. Mas a pessoa que opta por fazer isso acredita firmemente – de forma sincera e autêntica – que a autoflagelação lhe dará um conforto espiritual que compensará, no final das contas, o sacrifício. Logo, é uma escolha que lhe diz respeito, por mais irracional que seja.

Mais um exemplo: um militar que resolva participar de um treinamento de guerra para fazer parte da tropa de elite das forças armadas sabe que passará por inúmeras privações biológicas (fome, frio, calor, sede etc.) e psicológicas, podendo, em alguns casos, chegar até mesmo a sofrer violências físicas. No entanto, ele sabe que, quanto mais rigoroso for o treinamento, melhores serão suas condições de participar de uma guerra e maior será a sua auto-estima e reputação perante os demais membros do grupo social em que ele vive. Logo, caberá a ele sopesar os valores conflitantes e decidir se quer ou não participar do treinamento.

Do mesmo modo, se uma pessoa plenamente capaz resolve colocar um “piercing” ou então fazer uma tatuagem, está no legítimo exercício do direito fundamental de dispor do próprio corpo. Guardadas as devidas proporções, é uma decisão semelhante àquela tomada por uma mulher que aceita se submeter a uma intervenção cirúrgica meramente estética, como o aumento dos seios, por exemplo. Essa mulher certamente sabe dos riscos que está assumindo, sabe que haverá uma violação a sua integridade física, sabe que poderão existir complicações cirúrgicas e sabe que terá imenso sofrimento após a cirurgia. Se ainda assim resolve fazer a plástica, o Estado, em principio, não pode impedir.

Por isso, é de discutível constitucionalidade, pelo menos se interpretado à risca, o artigo 13 do Código Civil: “salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes”. Na verdade, toda pessoa que esteja em pleno gozo de suas faculdades mentais e tenha condições concretas e autênticas de tomar por si próprio as decisões que lhe dizem respeito tem o direito fundamental de dispor do próprio corpo da forma como bem entender, desde que não prejudique o direito de terceiros, não podendo o Estado, ressalvadas algumas situações bem peculiares, interferir no exercício desse direito.

O importante, para verificar a validade do ato, é saber se o exercício da liberdade de escolha está sendo autêntico. Se essa tomada de decisão for sincera, o máximo que o Estado pode fazer é desenvolver mecanismos para que o indivíduo tenha perfeita consciência da conseqüência do seu ato, mas jamais interferir na sua escolha, sobretudo quando a decisão não atingirá a dignidade de outras pessoas.


Fonte: https://direitosfundamentais.net/2008/11/03/existe-um-direito-fundamental-de-dispor-sobre-o-proprio-corpo/

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Butch Cassidy & Sundance Kid "viveram no Brasil"


"Butch Cassidy & Sundance Kid viveram em Curitiba"


Após anos de assaltos a trens e bancos, os famosos bandoleiros Butch Cassidy & Sundance Kid, perseguidos pela polícia americana, resolveram fugir do país. Em 20 de fevereiro de 1901, Butch, Sundance e sua amante Ethel "Etta" Place embarcaram em um navio de Nova York com destino a Buenos Aires, usando nomes falsos. Na Argentina, adotaram os nomes de Henry Place e Santiago Ryan e compraram uma fazenda perto de Cholila, na província de Chubut, no sopé da Cordilheira dos Andes. Moravam em um pequeno rancho feito de troncos, que ainda existe. A edificação foi tombada como patrimônio histórico.

Desde então, pouco se sabe sobre eles. A versão mais corrente é que voltaram à vida criminosa. Após assaltarem alguns bancos, foram perseguidos pela polícia e acabaram fugindo para o Chile e depois para a Bolívia, onde foram mortos pelo exército local. Outros dizem que se tornaram prósperos fazendeiros na Argentina e ali permaneceram. Na Patagônia, dezenas de “túmulos” de Cassidy e Sundance são hoje "verdadeiras" atrações turísticas.

A recente descoberta de uma foto no Museu da Imagem e do Som, em Curitiba, transformou em fábulas todas essas versões. A foto, de 1908, foi tirada pelo fotógrafo Guilherme Gluck, na Lapa. Nela aparece a dupla americana de meliantes, junto com outras figuras suspeitas da região. Cassidy aparece à direita da foto e Sundance à esquera. Ao centro estão dois conhecidos ladrões de gado: os Bragas.

No Paraná, Butch Cassidy assumiu de volta o seu nome real, Robert, mas fingia ter origem inglesa. Passou a chamar-se Robert Withers, mas era conhecido simplesmente por Beto. Sundance Kid, ou Harry Alonzo Longabaugh, adotou o nome de Clovis Overseas.

Atualmente, é fato comprovado que, após fugir da Argentina, a dupla se estabeleceu em Curitiba. Mais tarde, comprou uma fazenda na Lapa e ali dedicou-se à criação de gado. Longabaugh vinha com frequência a Curitiba para tratar de negócios. Tinha uma polpuda conta no Banco Alemão Transatlântico, situado na Rua XV de Novembro. Pode-se imaginar que o fantasioso sobrenome Overseas tenha por inspiração o nome do banco. 


Existe a desconfiança que a dupla tenha assaltado trens da linha da Lapa, mas não há provas. Nesta época, atuavam na região diversas gangues: os malenjambrados Malfits, Los três Gonçalves, os Irmão Bléquis, etc. Por outro lado, os dois americanos exerceram uma benéfica influência econômica no Paraná. Importaram gado longhorn dos Estados Unidos e introduziram a raça na parte sul dos Campos Gerais, conforme mostra outra foto tirada por Gluck.
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Etta Place também não voltou aos EUA, como insistem alguns historiadores. Viveu por um tempo na Lapa, mas separou-se de Sundance e mudou para Curitiba, onde abriu uma loja de chapéus.

Nesta foto da Rua XV, do começo do século XX, aparece tanto o edifício do Banco Alemão Transatlântico, na esquina da Monsenhor Celso, quanto a loja de chapéus de Etta Place.

A americana foi muito amiga do intelectual Dario Vellozo e tornou-se importante membro de sua seita iniciática. Na foto, aparece na frente do templo Neopitagórico junto com outras curitibanas. Etta Place é a segunda do centro para a direita, no grupo feminino. Vellozo, grisalho, centraliza o grupo masculino.

Etta foi sepultada no Cemitério Municipal de Curitiba, próximo ao túmulo de Maria Bueno. O jazigo já não existe. O local onde faleceu Sundance Kid é desconhecido. Alguns dizem que mudou-se para os Campos de Palmas, outros insistem que está enterrado em Pato Branco. Cronistas desta localidade dizem que foi linchado pela população após tentativa de assalto a um banco. Butch Cassidy, por sua vez, foi enterrado no cemitério de Rio Negro, como atesta antiga foto de sua sepultura.