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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Os tentáculos do populismo



O termo populismo é utilizado na política para designar um conjunto de movimentos políticos que se propõe a colocar no centro de toda ação política o povo, enquanto massa de manobra, em oposição aos mecanismos de representação legítimos da democracia representativa. A gênese do populismo no Brasil esta ligada a Revolução de 1930, que derrubou a República e colocou no poder Getulio Vargas, que viria a ser a figura central da política brasileira até seu suicídio em 1954.

A política populista caracteriza-se por uma combinação de plebeísmo, autoritarismo e dominação carismática. Afirma-se através do contato direto entre as massas urbanas e o líder carismático, geralmente sobrepondo-se a intermediação de partidos e corporações. Para ser eleito e governar, o líder populista procura estabelecer um vínculo emocional, não racional, com o povo. Isto implica num sistema de políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio através da conquista da simpatia destas camadas sociais.

Desde suas origens, o populismo foi encarado com desconfiança pelas correntes políticas mais ideológicas, tanto da Esquerda quanto da Direita. Esta última sempre apontou para os aspectos plebeus, as práticas vulgares e as atitudes demagógicas, como concessão irresponsável de benefícios sociais e gastos públicos. A latência de governos populistas costuma deixar latente um caráter reacionário e desmobilizador das benesses populistas, que se contrapõe as lutas organizadas da classe operária e fazem tudo depender da vontade de um caudilho bonapartista.

Na América Latina, o populismo continua a ser um poderoso mecanismo de integração das massas populares à vida política, favorecendo o desenvolvimento econômico e social, mas dentro de uma moldura estritamente burguesa, pois esta integração é sempre subordinada a figura de um líder carismático e autoritário, fragmentando desta forma a identidade do país sujeitado a este tipo de governo.

O populismo encontra representantes tanto na Esquerda quanto na Direita e como exemplo podem ser citados governantes como Vargas, Perón, Hugo Chávez, Evo Morales e Lázaro Cárdenas, líderes que realizaram políticas nacionalistas de substituição de importações, estatização de certas atividades econômicas, imposição de restrições ao capital estrangeiro e concessão de direitos sociais. No entanto, os regimes populistas frequentemente dedicaram-se a repressão policial dos movimentos contrários a seu domínio, quando não realizaram sua ação reformista dentro de um quadro meramente capitalista.

Esta forma de governo acaba enfraquecendo a capacidade de ação política autônoma de grupos contrários ao governo, na medida em que toda ação política é referida à pessoa do líder populista, que se coloca idealmente acima de todas as classes. O populismo não é necessariamente de Esquerda, no sentido de que seu alvo não são apenas as massas destituídas; há políticos populistas de Direita, como, por exemplo Adhemar de Barros e Paulo Maluf, que têm como alvo de sua ação política a exploração das carências dos extratos mais baixos, ou menos organizados, da população urbana, com os quais estabelecem uma relação empática baseada na defesa de políticas autoritárias de "moral e bons costumes" e/ou "Lei e Ordem". O maior representante do populismo de direita no Brasil, até agora, talvez tenha sido o presidente Jânio Quadros.

Exemplo máximo do populismo no Brasil, Getúlio Vargas subiu ao poder através de golpe de Estado nos anos 30, a Era Vargas, ditadura que perdurou de 1930 até 1945, elegendo-se democraticamente presidente em 1951 e governando até suicidar-se em 1954. Apelidado de "pai dos pobres", sua popularidade entre as massas era atribuída a sua liderança carismática e a seu empenho na aprovação de reformas trabalhistas que favoreceram a classe operária. Entretanto, suas medidas apenas minaram o poder dos sindicatos e de seus líderes, tornando-os dependentes do Estado até hoje.

Trocando em miúdos o populismo não está com nada, é insustentável, utiliza-se de métodos retrógrados que ferem a liberdade e os princípios éticos. O populismo é um câncer que se aproveita da fraqueza mental das classes menos instruídas para formar uma estrutura de domínio e poder. O populismo fere a democracia plena, pois ao invés de dar solução a problemas sociais graves, apenas os mitiga, mantendo desta forma sua massa de manobra, o povo, dependente de suas políticas paternais e assistenciais. O populismo me parece mais uma ditadura velada que uma democracia legítima.

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