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quinta-feira, 6 de julho de 2017

Lâmpadas LED vs. Lâmpadas Halógenas




A lâmpada halógena

As lâmpadas dicroicas halógenas possuem filamento de tungstênio, normalmente envolvido por quartzo — diferentemente das lâmpadas comuns, em que o filamento fica livre. Isso significa que o seu processo de iluminação é diferenciado e mais eficiente em comparação a esse tipo de lâmpada.

Quanto às lâmpadas de LED, por sua vez, a diferença reside no fato de que a lâmpada halógena possui uma potência superior e, portanto, gera mais calor. Parte desse calor é jogada para o ambiente, levando a um aumento localizado da temperatura.

Apesar disso, a lâmpada dicroica halógena possui uma iluminação que se assemelha à iluminação natural. Assim, há uma fidelidade muito maior das cores, sendo ideal para quem busca o máximo de representação fiel dos tons.

Esse tipo de lâmpada também tende a ser mais barata e é encontrada mais facilmente, aumentando as possibilidades para o seu uso.



A lâmpada de LED


LED é a sigla para Lightning Emmited Diodes, e essa lâmpada e tem o funcionamento baseado em uma conversão de energia elétrica em energia luminosa através de pequenos chips. Nesse caso, as lâmpadas dicroicas de LED, possuem uma tecnologia mais avançada do que qualquer outra – inclusive as halógenas.

Tanta tecnologia faz com que a lâmpada de LED tenha menor potência mas, também, mais eficiência — ela emite uma quantidade satisfatória de iluminação sem consumir tanta energia elétrica. Como resultado, o uso dessas lâmpadas ajuda a reduzir a conta de luz.

Menos consumo também significa menos calor, e a lâmpada de LED não aumenta a temperatura do ambiente. Por outro lado, a fidelidade das cores é consideravelmente menor em relação às halógenas, já que a iluminação emitida pela LED é bastante esbranquiçada.

Em relação à lâmpada halógena, a lâmpada dicroica LED também possui maior vida útil. Com isso, ela sai ainda mais barata, porque consome menos energia e precisa ser trocada com menor frequência — sendo também, portanto, mais ecológica.




Qual das duas escolher?

Com características muito diferentes entre si, a escolha entre a lâmpada dicroica halógena ou de LED depende da avaliação de alguns fatores. 

Se a cor dos objetos — como quadros e outros itens de arte — for mais importante, a lâmpada halógena é a escolha correta.

Mas se a intenção for reduzir o consumo e a necessidade de trocas, a LED deve ser eleita para seu projeto. Da mesma forma, se a produção de calor for um problema, a LED também deve ser escolhida para evitar que o ambiente fique aquecido devido à iluminação.

No caso de haver a necessidade de uma iluminação indireta e mais natural, a halógena configura-se como a melhor opção.

Quando falamos de lâmpadas dicroicas, as lâmpadas halógenas e de LED aparecem como as duas principais opções. Com diferenças na intensidade da luminosidade, na duração e no consumo, é necessário avaliar o objetivo de cada iluminação para que a escolha correta seja feita, já que a halógena oferece fidelidade de cores e a LED, mais eficiência e economia.


quinta-feira, 16 de março de 2017

Ondas magnetosônicas



Satélites gravam o som do campo magnético da Terra


Os antigos acreditavam que a Terra estava cercada por esferas celestiais, que produziam uma música divina quando se moviam. Vivíamos, por assim dizer, num enorme instrumento musical.

Isso pode soar tolo, mas a ciência moderna nos provou que isso está certo em uma certa medida. 

Os satélites que gravam ondas sonoras que ressoam da magnetosfera da Terra – a bolha magnética que nos protege da radiação espacial – mostram que estamos realmente vivendo dentro de um enorme instrumento musical magnético.


(O som do campo magnético pode ser ouvido nos primeiros segundos do vídeo)

Bem, você já deve ter se perguntado como o satélites conseguiram gravar o som, sendo que no espaço não existe atmosfera. Obviamente, essas ondas não são exatamente o mesmo tipo de ondas sonoras que temos na Terra. O espaço é preenchido com plasma em vez de gás normal: um estado diferente de matéria feita de partículas carregadas.

Interações podem dar origem ao plasma equivalente de ondas sonoras: ondas magnetosônicas. Estas também são ondas de pressão, mas com algum magnetismo acrescentado.

Uma das diferenças entre o instrumento magnético da Terra e os que estamos mais acostumados é como ele muda com o tempo. A magnetosfera está quase sempre mudando – cresce e se encolhe em resposta direta ao vento solar. Podemos até imaginar que isso deve mudar as “notas” da magnetosfera, justamente como um instrumento musical funciona.

O problema é que você não pode simplesmente ouvir como as notas mudam, porque muitas vezes não é possível ter certeza o que desencadeou as ondas detectadas, simplesmente porque não temos satélites colocados em todos os pontos ao longo deste “Instrumento”.

E claro, não podemos realmente ouvir essas ondas magnetosônicas no espaço – os níveis estão muito abaixo do alcance da audição humana. Mas os satélites podem capturar o som e podemos então amplificá-los para torná-los audíveis. [ScienceAlert]

sábado, 7 de janeiro de 2017

07/01/17, há 74 anos morria Nikola Tesla

Há 74 anos morria Nikola Tesla, uma das figuras mais influentes da história da ciência e tecnologia



"Inventor da Modernidade", Nikola Tesla morre pobre e no ostracismo
07-01-1943


Considerado um dos inventores da modernidade, Nikola Tesla morria em um dia como este, no ano de 1943, em Nova York. Nascido em 10 de julho de 1856, em Smiljan, no então império Austríaco (hoje Croácia), ele deixou sua marca nos campos da engenharia mecânica e elétrica.

Tesla ficou conhecido por suas contribuições revolucionárias no campo do electromagnetismo, no fim do século XIX e início do século XX. 

Suas patentes e seu trabalho teórico formam as bases dos modernos sistemas de potência eléctrica em corrente alternada (AC), assim como os sistemas polifásicos de distribuição de energia e o motor AC. Tesla contribuiu em diferentes níveis nas áreas da robótica, controle remoto, radar e ciência computacional, expansão da balística, física nuclear e física teórica.

Em 1884, Tesla se mudou para os EUA, onde obteve fama e se tornou um dos cientistas mais conhecidos do país. Contudo, ele possuía uma personalidade muito excêntrica - com manias e fobias - e também defendia ideias controversas. Acabou no ostracismo e era visto como um cientista louco. 

Também nunca se casou ou se preocupou muito com o seu dinheiro. Morreu pobre, aos 86 anos. Em sua homenagem, no ano de 1960, foi criado o "tesla", uma unidade do Sistema Internacional que mede a densidade do fluxo magnético ou a indução magnética (geralmente conhecida como campo magnético "B"). A cratera Tesla no lado mais distante da Lua e o planeta menor 2244 Tesla foram também nomeados em sua honra.

Imagem: See page for author [Public domain], via Wikimedia Commons
Fonte: History

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Baterias Tesla, para armazenar energia solar




A "Powerwall" da Tesla, apresentada pelo diretor-executivo da empresa na Califórnia - Ringo H.W. Chiu/AP

LA - Pioneira na produção de carros elétricos, a fabricante americana Tesla entrou num novo mercado com o lançamento da Powerwall, uma bateria com capacidade de armazenar e administrar energia solar em residências, empresas e até em companhias de fornecimento de energia. Os kits de baterias de íon-lítio recarregáveis podem ser colocados em garagens e serão vendidos a partir de US$ 3 mil, na opção de 7kWh.

A capacidade de armazenamento resolve uma das principais dificuldades para a expansão do uso da energia solar no mundo: como fazer quando não está sol. As baterias serão conectadas à internet, e será possível colocar até nove baterias juntas, o que permitirá o armazenamento de uma quantidade maior de energia, além de poderem ser administradas remotamente pela Tesla. A Powerwall tem 15 centímetros de espessura, 1,2 metro de altura e 91 centímetros de largura.

GE E SIEMENS TÊM OUTROS PROJETOS

A montadora anunciou a criação da Tesla Energia, que ficará responsável pelos projetos de inovação em energia. O novo produto, que foi inspirado nas baterias usadas nos veículos da Tesla, começará a ser produzido ainda este ano.

— Nosso objetivo é fundamentalmente mudar a maneira como o mundo usa a energia em escala. O objetivo é concluir a transformação da infraestrutura de energia do mundo — afirmou o diretor executivo da empresa, Elon Musk.

A Tesla firmou parceria com a empresa SolarCity Corp para a instalar os kits, mas a função pode ser compartilhada com outras companhias, já que a Tesla deve fechar outros acordos. A expectativa da Tesla é que as baterias se tornem um negócio rentável já a partir do próximo ano, principalmente com a inauguração de uma nova fábrica, em Nevada, nos EUA.

Os equipamentos da Tesla foram desenvolvidos para o uso em diferentes escalas. Para residências, é possível reduzir o uso da energia convencional, seja no caso de uma falha no sistema ou quando a tarifa está cara demais. Para companhias de fornecimento de energia, é possível compensar flutuações no caso de fontes instáveis como solar e eólica. Para as empresas, ajuda a diminuir a demanda da rede elétrica e, assim, o custo da energia.

CLIQUE AQUI E LEIA O ARTIGO NA ÍNTEGRA, EM O GLOBO

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Tecnologia :: Rede elétrica sem fios



Na Universidade de Aveiro, em Portugal, uma tese de mestrado projeta acender uma lâmpada de 60 watts a 3 metros de distância.  


A transmissão de energia sem contatos já não é uma utopia, mas a sua aplicação à vida quotidiana e ao funcionamento de eletrodomésticos sem fios não está no horizonte imediato.

Teoricamente, é admissível todo o tipo de aplicações futuras da transmissão elétrica sem fios, mas a prioridade está a ser dada ao carregamento remoto de telefones celulares e dispositivos eletrônicos do mesmo tipo, segundo investigadores contactados pela Lusa.

De acordo com Nuno Borges Carvalho, docente da Universidade de Aveiro (UA) e investigador do Instituto de Telecomunicações, várias empresas "start-up" nos Estados Unidos estão a trabalhar em projetos para carregar celulares e acender lâmpadas à distância, sem necessidade de fios, mas não passam de protótipos.

Até no Departamento de Eletrônica, Telecomunicações e Informática da UA há uma tese de mestrado em preparação que projeta acender uma lâmpada de 60 watts a uma distância de dois a três metros. O autor planeia ter em Julho um protótipo demonstrável.

Um dos projetos em estudo nos Estados Unidos visa incrustar antenas nas paredes de uma sala para carregar os celulares que se encontram no seu interior, mas um dos problemas que levanta é saber se a frequência necessária é nociva à saúde.

Outra ideia é a criação de pequenas plataformas de formato A4, com bobinas, onde se poderiam colocar dois ou três celulares a carregar por ressonância magnética, sem necessidade de carregadores.

Na perspectiva de Nuno Borges Carvalho, deverá ser possível dentro de dois a três anos carregar celulares, ou MP3, por transmissão de energia sem fios.

Com um pouco mais de tempo, cinco a seis anos, será eventualmente possível concretizar outro cenário em que os norte-americanos estão a pensar: tirar os cabos elétricos do monitor, do teclado e todos os periféricos do PC, acrescentou.

Outro conceito em que estão a trabalhar universidades norte-americanas seria colocar um satélite fora da atmosfera que coletaria energia solar e a enviaria por transferência "wireless" para uma central em Terra, que depois a distribuiria.

A ideia da transmissão de energia sem contacto vem de finais do século XIX, quando o sérvio Nikola Tesla conseguiu pela primeira vez libertar elétrons no ar e enviar energia a alguns metros de distância.

Esse sérvio nascido na Croácia, que emigrou para os Estados Unidos, chegou a pensar que poderia enviar energia para todo o planeta a partir de uma grande torre, mas na altura os poderes económicos e militares estavam mais interessados no envio de informação à distância e sem fios do que no envio de energia.

Curiosamente, é também um jovem físico sérvio da Croácia, Martin Soljacic, que está hoje a dar brado no Massachusetts Institute of Technology (MIT) com protótipos capazes de enviar energia com algumas dezenas de mega-hertz de frequência, a distâncias visíveis, de alguns metros, através de grandes bobinas.

"O princípio é o mesmo de Tesla, ou seja, regular a indutância mútua e atingir uma ressonância entre duas partes do circuito", explicou à Lusa o investigador português de origem búlgara Stanimir Valtchev, do departamento de Engenharia Eletrotécnica da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

As energias de mais alta frequência são mais direcionáveis e com uma antena é possível enviar energia a uma certa distância.

Nos anos 1960, na então União Soviética, foi possível enviar energia de entre 200 e 300 watts, com alta frequência, para um modelo de helicóptero não tripulado a uma distância de 200 metros, recordou este investigador.

Em comparação, um eletrodoméstico normalmente exige kilowatts.

"Quando pensamos que vamos enviar energia à distância temos de olhar para as pessoas que vivem no mesmo espaço, já que uma frequência muito elevada aquece todos os materiais orgânicos que têm alguma água", disse Valtchev.

Por outro lado, para baixas frequências é preciso um campo magnético também bastante forte, que todavia perde intensidade com a distância.

"Não se deve prometer grandes coisas, existem possibilidades, mas não assim são tão grandes", advertiu.

No MIT foi já possível acender uma lâmpada de 100 watts a dez metros de distância, mas para enviar a energia necessária são precisos meios bastante volumosos.

O problema é enviar a energia a essa distância com um rendimento razoável, segundo os investigadores.

Para Beatriz Borges, também investigadora do Instituto de Telecomunicações e docente no Instituto Superior Técnico, o problema é que a transmissão de energia sem contacto é ainda pouco eficiente e, por isso, o seu impacto industrial não é muito grande.

Fonte: TecMundo

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quinta-feira, 17 de março de 2011

Os argumentos contra as usinas nucleares no Brasil

por Heitor Scalambrini Costa (em 13/03/2011)

Os atuais padrões de produção e consumo de energia estão apoiados nas fontes fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), o que gera emissões de poluentes locais, gases de efeito estufa e põem em risco o suprimento a longo prazo do planeta, por serem finitas. É preciso mudar esses padrões, incentivar a economia de energia e estimular o uso das energias renováveis (solar, eólica e biomassa). Nesse sentido, o Brasil apresenta uma condição bastante favorável em relação ao resto do mundo.

Não existe uma fonte de energia que só tenha vantagens. Não há energia sem controvérsia, mas a nuclear, pelo poder destruidor que tem qualquer vazamento de radiação, não deve ser utilizada para produzir eletricidade, ao menos em nosso país, onde existem tantas outras opções.

Fica evidenciado que, desde 2005, a indústria nuclear intensificou seu agressivo lobby em diversos países da região, com forte influência nos setores legislativos e da política energética, tentando impor a implantação de usinas, sob o falso argumento de que a energia nuclear é uma fonte “limpa”, segura e contribui para combater o aquecimento global.

Com a retomada discutível e equivocada do Programa Nuclear Brasileiro, reiniciando as obras de construção de Angra 3, e os planos do Ministério de Minas e Energia de instalar no Nordeste usinas nucleares – a região do Brasil com maior potencial eólico e solar -, nada mais atual que discutir as razões contrárias a instalação de usinas nucleares no território nacional.

A opção nuclear para geração de energia elétrica no Brasil e no Nordeste, em particular, não permite resolver os atuais problemas energéticos, e contribuirá para com outros problemas sem solução à vista.

A seguir são apresentadas, sucintamente, as razões para rejeitar as usinas nucleares, vistas sob os seguintes aspectos:

- segurança energética,
- econômico,
- ambiental,
- social,
- riscos,
- proliferação e militarização nuclear,
- sustentabilidade energética,
- democracia.

Segurança energética

A segurança energética é um fator prioritário para o país e aumentará com a diversificação da matriz energética. Do ponto de vista da produção de energia, segundo a Empresa de Planejamento Energético-EPE, o país tem folga no abastecimento, podendo suprir as necessidades de energia elétrica, com as atuais taxas previstas de crescimento, por mais 5 anos. Portanto é puro oportunismo, criar uma relação direta entre os atuais apagões, que tem ocorrido freqüentemente no país todo, com a necessidade da instalação de usinas nucleares para evitá-los. Como que se os atuais apagões fossem decorrentes do desabastecimento, e novamente repetiríamos 2001/2002. Os defensores desta tecnologia associam enganosamente a instalação das novas usinas nucleares como solução aos apagões, que são ocorrências recorrentes do próprio modelo mercantilista empregado no país.

O fundamento principal para a construção de novas usinas de geração é de que existe uma previsão de crescimento da economia (sem que se questione a natureza do crescimento) e de que, em função disso, há necessidade de se ofertar mais energia para atender a esta demanda, construindo novas usinas.

Projeções do consumo futuro de energia dependem do tipo de desenvolvimento e crescimento econômico que o país terá. Existem vários questionamentos sobre os cálculos oficiais que apontam para taxas extremamente elevadas de expansão do parque elétrico brasileiro para atender a uma pretensa demanda. O que essa previsão esconde é o fato de praticamente 30% da energia elétrica ofertada pelo país é consumida por seis setores industriais: cimento, siderurgia, produção de alumínio, química, o ramo da metalurgia que trabalha com ferro e papel/celulose – 30% somente para seis setores. São exatamente eles que puxam o consumo da energia elétrica para cima, os chamados setores eletro-intensivos. Precisamos urgentemente discutir: energia para que? E para quem?

Temos de fugir dessa idéia míope de discutir qual a melhor fonte. A melhor fonte de energia é aquela que não é consumida. Não consumir energia significa ter uma política de aumento da eficiência energética, situação da qual estamos muito longe ainda. Os resultados oficiais apresentados nesta área são pífios.

No Brasil, o consumo de energia per capita ainda é pequeno e é indispensável que o consumo de energia cresça para promover o desenvolvimento sustentável. No entanto, nada impede que o uso de tecnologias modernas e eficientes sejam introduzidas logo no início do processo de desenvolvimento sustentável, acelerando com isso o uso de tecnologias eficientes (aquecimento solar da água, eletricidade solar, geradores eólicos, geração distribuída,…). Contrapondo assim ao pensamento de que, para haver desenvolvimento, é preciso que ocorram impactos ambientais, devido a geração, transporte e uso da energia.

A conservação de eletricidade reduz o consumo e posterga a necessidade de investimentos em expansão da capacidade instalada, sem comprometer a qualidade dos serviços prestados aos usuários finais. A eficiência energética é, sem dúvida, a maneira mais efetiva de ao mesmo tempo reduzir os custos e os impactos ambientais locais e globais, suportando assim, conjuntamente com as fontes solar, eólica e biomassa; a segurança energética do país.

Aspectos econômicos

Do ponto de vista econômico, o custo de uma central nuclear é enorme, da ordem de R$ 10 bilhões. Geralmente este valor está aquém dos valores finais da obra. Nas planilhas de custos é subestimado (até não levado em conta) os custos de armazenamento dos resíduos, da desmontagem da central após sua vida útil e limpeza de locais contaminados, o reforço da linha elétrica para distribuição, e os serviços de fiscalização e segurança, entre outros. O chamado descomissionamento, representa o custo de desmontagem definitiva e descontaminação das instalações das usinas nucleares após o encerramento das suas operações. É preciso que se tenham garantias absolutas de que esse trabalho será levado a cabo com seriedade, e que as instalações e resíduos das usinas não serão simplesmente abandonados contaminados após o seu fechamento.

Como exemplo do que estamos falando, centrais nucleares que estão sendo planejadas atualmente na Finlândia, já estão custando o dobro do estimado antes do começo da obra. Já nos Estados Unidos, as usinas implantadas entre 1966 e 1986 tiveram, em média, custos 200% acima do previsto.

A história do nuclear mostra que esta sempre foi e continua a ser, mesmo com a nova geração de reatores, uma indústria altamente dependente de subsídios públicos. Isto significa que quem vai pagar a conta da imensa irresponsabilidade de se implantar estas usinas em nosso país, será a população de maneira geral, e em particular os consumidores, que pagarão tarifas cada vez mais caras.

Desde 2005, um dos mais conceituados centros tecnológicos do mundo, o Massachusetts Institute of Technology, tem assegurado que a energia nuclear não é competitiva sem subsídios. À mesma conclusão chegaram estudos publicados pelos jornais The New York Times e The Financial Times. Outro estudo ainda, publicado pela National Geographic Brasil (agosto 2005) aponta na mesma direção. E mais recentemente a revista britânica New Scientist listou argumentos que desfavorecem a energia nuclear: não sobrevive sem subsídios, os custos para pesquisa e desenvolvimento são altíssimos e também são insuportáveis os custos da disposição do lixo nuclear e do descomissionamento dos reatores, assim como a segurança nas usinas.

Para os brasileiros o maior impacto da instalação de usinas nucleares será nas tarifas. De 2001 a 2010, o aumento acumulado das tarifas de energia chegou a 186%, enquanto no mesmo período o IPCA (índice oficial de inflação do governo) acumulou 86%, segundo a Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia Elétrica (Abrace). E projeta que até 2014, o preço da energia subirá mais de 30%. Pagamos uma das mais altas tarifas do mundo, e com tendência de aumento. Sem nenhuma dúvida pode-se afirmar que o uso da eletricidade nuclear irá contribuir ainda mais para a elevação das tarifas de energia elétrica no Brasil.

Para aqueles que afirmam que o Brasil deve manter-se aberto para todas as possibilidades de aproveitamento na geração e oferta de energia elétrica, a médio e longo prazo, o desvio de recursos públicos para a opção nuclear será um verdadeiro obstáculo ao estabelecimento de políticas de incentivo e promoção de energias renováveis no país. O incentivo garantido às usinas nucleares deveria ser direcionado a outras fontes de geração de energia, muito mais seguras e limpas, como a eólica, solar e a biomassa.

O governo brasileiro mostra mais uma vez que está disposto a bancar a construção de grandes empreendimentos contraditórios e de resultados duvidosos, contrariando interesses divergentes que não tem sido considerado e nem incorporado no processo de negociação e decisão.

No caso de Angra III a estimativa de custos da obra, que era de R$ 7,2 bilhões em 2008, pulou para R$ 10,4 bilhões até o final de 2010, de acordo com a Eletronuclear. Isso sem contar os R$ 1,5 bilhão já empregado na construção e os US$ 20 milhões gastos anualmente para a manutenção dos equipamentos adquiridos há mais de 20 anos. Desde 2008, o custo de instalação por kW de Angra 3 subiu 44%, de R$ 5.330/kW para R$ 7.700/kW. Os gastos em usinas nucleares são um sumidouro de recursos públicos, e quem pagará por esta insanidade será o povo brasileiro.

Questão ambiental

Do ponto de vista ambiental é uma meia verdade, afirmações que as centrais nucleares não contribuem para os gases de efeito estufa, e que são “limpas”.

Em operação rotineira, as centrais nucleares pouco agridem o meio ambiente, porém expõem a sociedade ao risco de acidentes que liberam na biosfera produtos de fissão nuclear de alta radioatividade, que podem trazer conseqüências catastróficas a vida. Embora pequeno, tal risco existe, e não pode ser negligenciado. Ademais, essas usinas não resolveram o problema do que fazer com os rejeitos de alta radioatividade, cuja deposição final demanda pesados investimentos. Estima-se que estes rejeitos tenham que ficar isolados durante milhares de anos.

Na geração da eletricidade nuclear a produção de CO2 é muito pequena, mas se levarmos em conta o conjunto de etapas do processo industrial (chamado ciclo do combustível nuclear), que transforma o mineral urânio, desde quando ele é encontrado nas minas em estado natural até sua utilização como combustível dentro de uma usina nuclear é produzido quantidades consideráveis de gases de efeito estufa. Portanto, além das elevadas emissões de carbono, geram resíduos tóxicos altamente radioativos e contribui com agressões ambientais. Além de uma central nuclear consumir elevados volumes de água para sua refrigeração, tendo sua instalação obrigatoriamente ser próxima a grandes recursos hídricos (rios, mares, ….).

Portanto, se levarmos em conta todo o ciclo para preparar o combustível nuclear que será “queimado” nas centrais, pode-se afirmar que esta fonte energética é uma importante fonte de emissões, que são produzidas na prospecção do mineral, na extração e no transporte de urânio, no transporte dos resíduos para processamento ou armazenagem e no futuro descomissionamento.

Vários estudos científicos têm monstrado que o ciclo do urânio é um grande consumidor de energia e um forte emissor de CO2. O estudo americano “Nuclear Power: The Energy Balance” (2005), que compara as emissões de CO2 analisando o ciclo de vida de uma central nuclear e de uma central a gás natural (com uma potência equivalente) chega à conclusão que, no longo termo, com o decréscimo da qualidade das reservas de urânio, a eletricidade nuclear provoca muito mais emissões que o gás natural consumido na termoelétrica.

O cálculo que faz a Oxford Research Group chega a 113 gramas de CO2 por kWh gerado. Isso é aproximadamente o que produz uma central a gás. Portanto, existe um mito, um afã de descartar, cortar e mostrar de maneira parcial a realidade desta fonte de energia.

Já de acordo com a metodologia de Storm e Smith para o cálculo de emissões, o ciclo de geração por fontes nucleares emite de 150 a 400 g CO2/kWh, enquanto o ciclo para geradores eólicos emite de 10 a 50 g CO2/kWh.

Segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) considerando a mineração do urânio, o transporte, o enriquecimento, a posterior desmontagem da usina e o processamento e confinamento dos rejeitos radioativos, esta opção produz entre 30 e 60 gramas de CO2 por kWh gerado.

Verifica-se então grande contradição nos números relacionados as emissões, e que existe uma polêmica e dúvidas sobre a capacidade de emissão de gases de efeito estufa, ao utilizar o urânio para gerar eletricidade. Creio que neste caso o aconselhável seja uma ação preventiva, de não utilização desta fonte de energia.

No caso brasileiro, embora a extração do urânio utilizado pelas usinas ocorra em território nacional, antes ele vai para o Canadá, onde é transformado em gás e, em seguida, para a Europa, onde é enriquecido. Reparem que só nestes deslocamentos, não só existe a emissão de gases proveniente do transporte e do consumo de energia, mas também um grande risco da exposição dos materiais radioativos, ao realizarem viagens intercontinentais.

Aspectos sociais

É comum os defensores da tecnologia nuclear mencionarem com destaque, o impacto revolucionário de um empreendimento de R$ 10 bilhões, pode representar na economia local. Do ponto de vista da empregabilidade e dos ganhos financeiros para o município-estado que abrigar a usina nuclear, há uma falsa retórica de que os investimentos automaticamente favorecerão os moradores do entorno das instalações.

È bom lembrar aos desavisados que os vendedores da usina são responsáveis pelo fornecimento da ilha nuclear, chamada de Nuclear Steam Supply System (NSSS), e pelo layout da planta, o que representa aproximadamente 20% do custo total do capital. Os custos restantes são despendidos na contratação de empresas de engenharia e arquitetura e em fornecedores de sistemas e componentes.

A ausência de companhias com capacidade de projeto, fabricação e prestação de serviços de engenharia na região, ou mesmo no país, acaba exigindo a contratação de empresas do exterior e a realização de importações. Em geral, isso resulta em negociações que consomem tempo, extensões de prazos de entrega, dificuldades com a qualidade, transporte de equipamentos e outros problemas similares. Isso explica porque alguns vendedores de usinas têm procurado expandir suas responsabilidades para 50% ou 60% do orçamento total da obra, a fim de ter maior controle sobre a execução da usina.

Portanto não acreditem nestes benefícios mágicos trazidos “pelo progresso” representado por uma usina nuclear. Como exemplo, a época das obras da usina nuclear de Angra 1 chegou a 11 mil homens trabalhando no período de maior movimentação da obra. Eles trouxeram também suas famílias e isso gerou um contingente humano imenso que a cidade teve que abrigar. Muita gente veio de outros estados. E se instalou o caos urbano sem que a cidade de Angra dos Reis pudesse atender os que chegavam com os serviços básicos. A migração desordenada em grandes obras no país é uma realidade incontestável.

Por outro lado, acreditar que a mão-de-obra utilizada na construção e gerenciamento de uma usina nuclear no Brasil/Nordeste seja mão-de-obra da região, é de que os royalties provenientes da usina serão maciçamente aplicados em ações sociais e ambientais, é a mesma coisa que acreditar em Papai Noel, Saci-Pererê, Mula sem Cabeça e tantas outras figuras do imaginário popular.

Em comparação com a tecnologia eólica ou solar, a energia nuclear cria poucos empregos. Energias renováveis precisam de trabalhadores locais para a construção local e para a manutenção. Os empregos são criados localmente e ficam no local, por isso as comunidades ganham.

Riscos

Atualmente são feitas afirmativas peremptórias de que as usinas nucleares apresentam alto grau de excelência tecnológica, como principal fator de garantia da segurança e o aumento da confiabilidade. Há uma tentativa de tranqüilizar as pessoas, afirmando que a evolução tecnológica dos últimos 30 anos levou as usinas nucleares a se modernizarem e serem praticamente imunes em relação a acidentes. São citadas nos discursos “de perigo zero” as novas usinas que estão em estudos, às chamadas de 4ª geração que utiliza o conceito de “falha para a segurança”.

Nestas usinas, afirmam que quando ocorrem falhas de operação, estas são corrigidas, levando a uma condição mais segura do que a anterior, ou seja, a correção das falhas se dá automaticamente, sem requerer necessariamente a intervenção dos operadores. Como se isto bastasse e fosse suficiente para impedir acidentes. É só verificar e comparar, que mesmo com os enormes avanços tecnológicos da indústria aeronáutica, acidentes ocorrem, como foi o caso do Airbus 330-200 da Air France/AF 477, pérola da indústria aeronáutica no que diz respeito à automatização e segurança.
E mais recentemente terremoto seguido de tsunami que atingiu usinas nucleares no Japão, as mais seguras do mundo. Houve vazamento de radiação (12/03/2011) de um reator do complexo nuclear de Fukushima Daiichi localizado ao norte de Tóquio (250 km), após uma explosão ter arrebentado o telhado da instalação depois do grande terremoto (11/03/2011), com vazamento de radiação. Os efeitos imediatos deste acidente nuclear, anunciados oficialmente foram de 160 pessoas contaminadas pela radiação, e 170.000 retiradas do entorno do reator, com uma área de exclusão que foi aumentando de 3 km, passando a 10 km e atualmente de 20 km de raio em torno do reator acidentado.

Sem dúvida a segurança das usinas nucleares teve avanços importantes, mas, seu relativo controle é suscetível a fatores humanos e da natureza. Não podemos apagar dos arquivos da memória, acidentes nucleares ocorridos nos últimos anos. Em Three Mile Island, na Pensilvânia – Estados Unidos em 1979, e em Chernobyl, na Ucrânia, 1986. Nos dois casos, os acidentes foram causados por falhas que provocaram um superaquecimento no reator, e vazamento de material radioativo para a atmosfera.

Sempre há um risco de contaminação com radiação, independente se a usina nuclear funciona perfeitamente com um bom sistema de segurança. Emissão de isótopos radiativos de césio e estrôncio sempre acontece. Isso é uma contaminação “normal”, conhecida na linguagem internacional como contaminação “standard” das usinas nucleares. Acidentes com vazamento de radioatividade já aconteceram em várias usinas nucleares no mundo. A população sofre mais tarde de doenças graves como leucemia, aumentando o nível de mortandade. Além da contaminação do lençol freático e das terras se tornarem impróprias ao plantio e criação de animais.

E mais: parte do lixo nuclear produzido na usina precisa ser depositado de forma totalmente isolada do meio ambiente em um período de tempo que pode chegar a mais de 240 mil anos. E até agora a tecnologia para garantir isso de forma perfeita ainda não existe.

A radioatividade dos resíduos do urânio processado nas centrais é muito elevada, com graves riscos para a saúde pública durante dezenas a centenas de milhares de anos. Ainda não foi encontrada uma solução satisfatória para o tratamento dos resíduos, hoje armazenados em locais temporários. Este é um pesado legado para as gerações futuras.

Mas, infelizmente, mesmo o controle rigoroso na operação da usina e em todo processo produtivo do elemento combustíve,l não nos livra de outros tipos de risco como roubo de rejeitos radioativos, ataques terrorista, terremotos, falhas humanas e mecânicas. E as conseqüências de um acidente nuclear são desastrosas, afetando a presente e futura geração.

A nova geração de reatores nucleares em construção na Finlândia (Olkiluoto 3) e na França (Flamanville 3), apresentados como a vanguarda do renascimento do nuclear, têm registrado uma série de atrasos, derrapagens orçamentais e problemas técnicos de segurança. Na Finlândia, o prazo de conclusão da central foi adiado por dois anos e os custos de construção quase que duplicaram para um valor de R$ 11,5 bilhões, com várias falhas na construção a implicar potenciais riscos de segurança. Na França, os problemas são semelhantes, tendo já sido mandada parar a construção pela Agência de Segurança Nuclear francesa por vários problemas técnicos de segurança registrados.

Até agora não se tem notícias de que algum acidente em usinas de geração de energia tenha tido proporções semelhantes a Chernobyl e o desastre de Fukushima Daiichi. Ainda que Itaipu fosse destruída, e a maior parte da Argentina fosse por água abaixo, não ficariam seqüelas em gerações sucessivas a exemplo do que ocorreu na Ucrânia e no Japão.

Outro fator de extrema preocupação, descrito no Relatório da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados publicado em 2006, é que o Estado brasileiro está longe de ter a estrutura necessária para garantir a segurança das atividades e instalações nucleares. Nesse documento são apontadas graves falhas na fiscalização e monitoramento do setor nuclear, destacando, entre outros problemas, a duplicidade de funções da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN atua, ao mesmo tempo, como Requerente, Operadora, Prestadora de Serviços, Licenciadora e Fiscalizadora de si própria.

Vale lembrar que, em setembro de 2011, completara 21 anos da contaminação com Césio 137 em Goiânia, que vitimou milhares de pessoas e ficou conhecido como o maior acidente radiológico do mundo.

Proliferação e militarização nuclear

No Brasil, historicamente, a relação entre o uso da energia nuclear para fins energéticos e para fins militares é muito estreita. O Programa Nuclear Brasileiro surgiu durante a ditadura militar e até hoje atende demandas de alguns setores das forças armadas, fascinados pelo poder que a energia nuclear lhes traz. Outros grupos de interesse fazem “lobby”, como setores industriais “preocupados” com o risco de um apagão, grupos de cientistas pelo prestígio e oportunidades de novas pesquisas e pelo comando do processo, os fornecedores de equipamentos e as empreiteiras, por motivos óbvios.

A exportação e a proliferação contínua de tecnologia nuclear aumentam significativamente o risco de proliferação de armas nucleares, existindo o risco de novos Estados se tornarem novas potências nucleares.

Mesmo neste cenário de degradação ambiental e social, a ameaça de nuclearização da América Latina é real, com o Brasil dividindo com a Argentina a liderança nessa corrida. Ambos têm jazidas de urânio significativas, processo de enriquecimento em curso, usinas e minireatores. O Brasil já tem acordo de cooperação com a Venezuela, que firmou acordo com a Rússia para cooperação na produção de equipamentos. Outros países da América do Sul estão discutindo a fonte nuclear como alternativa para suas demandas de energia, como a Bolívia, Equador e Uruguai. O Peru e o Chile que planejam construir usinas nucleares.

A ressurreição do Programa Nuclear Brasileiro é mais um dos indícios da estratégia governamental de tornar o Brasil uma potência atômica. O dinheiro empregado no programa, para a construção e funcionamento de novas usinas núcleoelétricas, permitirá a lubrificação de todas as suas engrenagens. A cada usina que construímos aumentaremos o volume de urânio que produzimos, aumentando assim o saldo com que se espera entrar definitivamente como sócios no Clube Atômico, e para tal é necessário ter a bomba atômica.

Devemos evitar para nosso país problemas de geopolítica que são gerados pelo o ciclo de combustível nuclear, a tal ponto que depois das tensões com a Coréia do Norte, atualmente o Irã está em sério perigo de ter seu território invadido militarmente por estar enriquecendo urânio para geração nuclear.

Abrir mão da energia nuclear significa um importante passo para evitar o perigo de uma nova onda de proliferação nuclear, dada a natureza dual da energia nuclear, que se presta tanto para aplicações pacíficas como militares, sem falar dos problemas físicos de segurança nuclear. Não devemos nos esquecer do que afirmou o físico Robert Oppenheimer, responsável pela construção da primeira bomba atômica, quando visitou o Brasil, em 1953: “Quem disser que existe uma energia atômica para a paz e outra para a guerra, está mentindo”.

Sustentabilidade energética

A atual política energética e ambiental adotada, lamentavelmente tem levado o Brasil a caminhar na contramão do que vem sendo implementado em várias partes do mundo, que tem optado pelo uso de fontes renováveis de energia, não só na geração de energia elétrica, mas também no aquecimento de água solar que evita o consumo de eletricidade nos chuveiros. A noção de sustentabilidade energética descarta a eletricidade de origem nuclear como uma solução sustentável.

Na atual política de expansão da oferta de energia para o país, fica evidente o tratamento especial dado para a construção de mega-hidrelétricas na região Amazônica, de termoelétricas a carvão mineral e óleo combustível e a instalação de usinas nucleares.

Esse gigantismo para megaobras, típico de mentes tecnocráticas e autoritárias, beira a insensatez, pois, dada a atual crise ambiental global, são recomendadas obras menores, que valorizam matrizes energéticas com fontes de energia renováveis, que menos agridem o meio ambiente, e com produção descentralizada.

Se há um país no mundo que goza das melhores oportunidades ecológicas e geopolíticas para ajudar a formular um outro mundo necessário para toda a Humanidade, este país é o nosso. Ele é a potência das águas, possui a maior biodiversidade do planeta, as maiores florestas tropicais, a possibilidade de uma matriz energética menos agressiva ao meio ambiente – à base da água, do vento, do Sol, das marés, das ondas do mar e da biomassa.

Entretanto, ainda não acordamos para isso. E tudo isso nós temos em abundância. Nos fóruns mundiais vive em permanente estado de letargia política, inconsciente, “deitado eternamente em berço esplêndido”. Não despertando para as suas possibilidades e para a sua responsabilidade em face da preservação da Terra e da vida.

Em nosso país existem várias alternativas para aumentar a oferta de energia sem a construção de novas centrais, uma delas é incentivando a eficiência energética. Também são evidentes a abundancia dos recursos renováveis: solar, eólico e da biomassa para a diversificação e complementação da matriz energética. Simplesmente as vantagens comparativas destes energéticos renováveis não são levadas em conta.

Opções energéticas e a eficientização de processos e equipamentos são apresentadas pelos estudiosos da UNICAMP, USP, CHESF, UFPE, que levam em conta as possibilidades de redução da energia na demanda tanto do lado da oferta, como do lado do consumo. Além de apresentarem como fontes renováveis: a energia solar para aquecimento da água e para produção de eletricidade, energia eólica, usinas térmicas a bagaço de cana (bioeletricidade) e restos de produtos agrícolas, e energia das ondas do mar.

Democracia

A indústria nuclear é por sua natureza secreta e sem transparência. Em alguns países, foi criada uma polícia especializada para cuidar dos materiais radioativos contra o roubo pelos “terroristas”. Com este argumento, a indústria nuclear contribui para a diminuição dos direitos democráticos da sociedade, porque cria um “Estado de Segurança”.

A segurança das usinas geradoras e demais instalações nucleares (tratamento e enriquecimento de urânio, fabricação de elementos combustíveis, reprocessamento de combustíveis irradiados, depósitos de rejeitos etc.) implica importantes e custosos aparelhos policiais. Assim, países que optem pelas usinas nucleares em seus sistemas elétricos poderão ser forçados a adotar métodos próprios de Estados policiais.

É fundamental a necessidade de se discutir mais a questão energética. O debate de idéias e o confronto de interesses são instrumentos decisivos na formulação de uma estratégia energética sustentável e democrática. Daí a necessidade de ampliar os espaços de debate, hoje restritos aos gabinetes dos especialistas.

No caso da energia nuclear informações técnicas, econômicas, financeiras, de segurança, relatórios operativos, entre outros documentos são muitas vezes considerados sigilosos e não disponíveis publicamente. Esta fonte de energia acentua o caráter autoritário na condução da política energética no país.

Heitor Scalambrini Costa é professor associado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), Mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Comissariado de Energia Atômica (CEA)-França.  Fonte: http://www.consciencia.net/argumentos-contra-as-usinas-nucleares-no-brasil-nordeste/

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Energia Geotérmica ♨ Usinas Elétricas Geotérmicas

Hoje a grande parte da energia elétrica disponível para consumo é proveniente da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral. A fonte limpa mais utilizada e mundialmente difundida hoje é a energia hidrelétrica, que apesar de limpa requer a construção de barragens, que inundam vastas áreas de terra. A energia eólica, bem como a energia solar, vem se mostrando como saídas ecológicas e sustentáveis para substituição dos combustíveis fósseis, altamente poluentes. O Sol é fonte inesgotável de energia, entretanto o custo das baterias, para armazenamento da energia produzida, é altíssimo. Acho que a energia geotérmica pode ser a solução definitiva. Fonte inesgotável, limpa e não sujeita a intempéries, pode gerar energia 24 horas por dia. Entretanto, antes, alguns problemas precisam ser solucionados.

Nas imagens, usinas geotérmicas em pleno funcionamento na Islândia, mais abaixo na Califórnia.


A energia geotérmica pode ser definida como o calor proveniente do interior da Terra. Devido a necessidade de se obter energia elétrica de uma maneira limpa e em quantidades cada vez maiores, foi desenvolvida uma técnica para aproveitar esse calor na geração de energia elétrica. Para que possamos entender como é aproveitada a energia do calor da Terra devemos primeiramente entender como o nosso planeta é constituído. Como já é sabido por todos, a Terra é formada por grandes placas, que nos mantém isolados do seu interior, no qual encontramos o magma, que consiste basicamente em rochas derretidas a grandes temperaturas.

A primeira tentativa para produzir eletricidade a partir de fontes geotérmicas ocorreu em 1904, em Larderello na região da Toscana, Itália. Contudo, esforços para produzir uma Central para aproveitar tais fontes foram mal sucedidos na época, pois as turbinas utilizadas sofreram rápida deterioração, devido a presença de substâncias químicas contidas no vapor proveniente das profundezas. Porém, em 1913 uma estação de 250 kW foi construída com sucesso durante a Segunda Guerra Mundial, 100 MW estavam sendo produzidos, mas a Central acabou por ser destruída em um bombardeio.

Um campo de gêiseres na Califórnia, em 1970, produza 500 MW de eletricidade. A exploração desse campo foi dramática, pois em 1960 somente 12 MW eram produzidos e em 1963 somente 25 MW. México, Japão, Filipinas, Kenia e Islândia também tem expandido a produção de eletricidade por meio geotérmico. Na Nova Zelândia o campo de gases de Wairakei, nas ilhas do Norte, foram desenvolvidos por volta de 1950. Em 1964, 192 MW estavam a ser produzidos, mas hoje em dia este campo está improdutivo.

Quando não existem gêiseres e as condições são favoráveis, é possível "estimular" o aquecimento da água usando o calor do interior da Terra. Uma experiência realizada em Los Alamos, Califórnia, provou a possibilidade de construção e operacionalidade deste tipo de central de produção de energia elétrica. Em terreno propício foram perfurados dois poços vizinhos, distantes 35 metros lateralmente e 360 metros verticalmente, de modo que eles alcançaram uma camada de rocha quente. Num dos poços é injetada água, ela se aquece na rocha e é expelida pelo outro poço, onde há uma estação geotérmica instalada. A experiência de Los Alamos é apenas um projeto piloto e não gera energia para uso comercial. A previsão de vida útil desse campo geotérmico é de dez anos.

Também é possível perfurar um poço para que ele alcance uma "caldeira" naturalmente formada por um depósito de água aquecido pelo calor terrestre. A partir daí, a energia elétrica é gerada como nos outros casos. Em casos raríssimos pode ser encontrada aquilo a que os cientistas chamam de fonte de "vapor seco", em que a pressão é alta, o suficiente para movimentar as turbinas da Central, com força ideal, sendo assim uma fonte eficiente de geração de eletricidade. Este tipo de fonte de vapor seco pode ser encontrado em locais como Larderello, na Itália e Cerro Prieto, no México.



Algumas vezes podemos conferir o afloramento de fontes de água quente, vindas de zonas profundas e muito quentes da Terra. Essas fontes são chamadas gêiseres. Quando o gêiser apresenta alta pressão e alta temperatura, pode ser aproveitado à geração de eletricidade, praticamente do mesmo modo que numa Central Termelétrica. Nela, a água é aquecida de forma a transformar-se em vapor e movimentar uma turbina, que por sua vez, converte energia mecânica em energia elétrica. Só que no caso de uma central geotérmica que aproveita o gêiser, o aquecimento da água é feito naturalmente.

A forma de energia geotérmica presente nos gêiseres é chamada tecnicamente de "vapor úmido misto", pois junto com o vapor de água encontram-se vários minerais e metais, que acabam por tornar a geração de eletricidade nessas fontes um tanto caras, já que os metais e minerais acabam por corroer as turbinas. Para evitar este processo de corrosão se faz necessário um tratamento adequado dos metais, entretanto deve-se antes ser feito um estudo para avaliar a possível contaminação, por parte destes vapores e metais, nas fontes de água utilizadas pelo homem. A relação custo/benefício deve ser sempre levada em conta.

O manto derretido da Terra é uma fonte de energia virtualmente inesgotável, que poderia representar 10% das necessidades energéticas dos Estados Unidos, por exemplo. Mas questões relacionadas a segurança e ao custo impedem o desenvolvimento da energia geotérmica em larga escala. No entanto, com a possibilidade de uso da nanotecnologia, os pesquisadores planejam testar um jeito mais eficiente de se chegar sem riscos aos depósitos geotérmicos de baixa temperatura. O presidente Barack Obama vem promovendo a energia geotérmica como solução para os Estados Unidos abandonarem de vez o hábito de consumir combustíveis fósseis, o que diminuiria as emissões de gases do efeito estufa.

No Brasil são encontradas apenas fontes de água pouco aquecidas, como em Poços de Caldas e Araxá, Minas Gerais. Lá e em outras localidades são encontradas fontes termais que atingem uma temperatura máxima de 50ºC, temperatura insuficiente à geração de energia,entretanto podem ser cavados poços profundos, para alcançar fontes de energia geotérmica produtivas para geração de eletricidade. Fontes quentes de baixa temperatura, abaixo de 100° C, são mais abundantes e mais próximas da superfície terrestre, o que reduz o risco de as perfurações interceptarem falhas profundas, onde geralmente têm origem os terremotos. A água precisa ser utilizada em conjunto com um trocador de calor, para aquecer líquidos específicos, como alcanos (hidrocarbonetos saturados, como o metano) ou perfluorocarbono, cujos pontos de ebulição são mais baixos. Ao evaporar, essas substâncias liberam energia para movimentar as turbinas. Mas, infelizmente, elas liberam menos energia que a água liberaria nessa transição, o que reduz o rendimento do processo.

Para a energia geotérmica ser aproveitada de maneira limpa, devem ser resolvidas primeiramente algumas questões ambientais. Como anteriormente exposto, quase todos os fluxos de água geotérmicos contém gases dissolvidos, estes gases são enviados à central de geração de energia junto com o vapor de água. De um jeito ou de outro estes gases acabam por subir à atmosfera. A descarga de ambos, vapor de água e CO2, não são significantes na escala apropriada das centrais geotérmicas. Por outro lado, o odor desagradável, a natureza corrosiva, e as propriedades nocivas do H2S são fatores que preocupam. Nos casos onde a concentração de H2S é relativamente baixa, o cheiro de ovo podre do gás causa náuseas. Em concentrações mais altas pode causar sérios problemas de saúde e até a morte por paralisia respiratória. É igualmente importante que haja tratamento adequado da água vinda do interior da Terra, que invariavelmente contém minérios prejudiciais à saúde. A água resultante destas centrais geotérmicas precisaria ser tratada, antes de seu despejo em rios locais, tendo em vista a preservação do ecossistema local.

Outro fator de risco é que quando uma grande quantidade de fluido aquoso é retirada da terra, há sempre a possibilidade de ocorrer um "deslizamento". O mais drástico exemplo de um problema desse tipo numa central geotérmica está em Wairakei, Nova Zelândia. A fenda está em 7,6 metros e está crescendo a uma taxa de 0,4 metros por ano. Acredita-se que o problema pode ser atenuado com reinjeção de água no local. Há ainda o inconveniente da poluição sonora que afligiria toda a população vizinha ao local de instalação da Central. Afinal, para a perfuração do poço é necessário o uso de maquinaria semelhante a usada na perfuração de poços de petróleo, que são conhecidamente barulhentos. Por outro lado estas estações geotérmicas podem ser construídas em áreas inabitadas.


Referências:
Brown, D.W.; Duchane,D.V. (1999). Scientific progress on the Fenton Hill HDR project since 1983 , Geothermics 28(4-5), 591-601.
Allis, R. G. (2000). Review of subsidence at Wairakei Field, New Zealand, Geothermics 29 , 455-478.