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domingo, 7 de junho de 2026

Quando a inteligência artificial começa a criar inteligência artificial

Empresas admitem que sistemas de IA já produzem a maior parte do código utilizado em seu próprio desenvolvimento; no horizonte, a computação quântica promete acelerar ainda mais uma transformação que pode redefinir a relação entre humanidade e tecnologia

Empresas admitem que sistemas de IA já produzem a maior parte do código utilizado em seu próprio desenvolvimento; no horizonte, a computação quântica promete acelerar ainda mais uma transformação que pode redefinir a relação entre humanidade e tecnologia

Em algum lugar dentro de um gigantesco centro de dados, cercado por quilômetros de cabos, servidores e sistemas de resfriamento, uma inteligência artificial trabalha silenciosamente. Ela não está apenas respondendo perguntas, traduzindo textos ou gerando imagens. Está escrevendo código.

Até aí, nada de extraordinário. Milhões de programadores já utilizam ferramentas desse tipo diariamente. O que começa a chamar atenção dos pesquisadores é outra coisa: parte desse código está sendo usada para desenvolver novas versões dos próprios sistemas de inteligência artificial.

A cena, que durante décadas habitou o território da ficção científica, começa a ganhar contornos reais.

Uma reportagem publicada pela revista britânica The Economist revela que a Anthropic, uma das empresas mais avançadas do setor, afirma que mais de 80% do código incorporado aos seus sistemas em maio deste ano foi produzido pelo Claude, seu próprio modelo de inteligência artificial. Antes do lançamento da ferramenta Claude Code, em 2025, esse percentual era considerado residual.

A máquina já está aprendendo a se autoreplicar?

A resposta curta é não. Pelo menos não da forma como os roteiros de cinema costumam imaginar.

Ainda existe supervisão humana, revisão técnica e tomada de decisão por parte dos engenheiros. Porém, a divisão de trabalho mudou profundamente.

Em vez de escrever cada linha de programação manualmente, muitos profissionais passaram a orientar, corrigir e validar o trabalho produzido pela própria inteligência artificial.

O resultado é um ciclo que desperta fascínio e preocupação ao mesmo tempo.

Quanto melhor a IA se torna para programar, mais ela ajuda a desenvolver sistemas avançados. Quanto mais avançados esses sistemas ficam, melhor eles se tornam para programar. O processo cria uma espécie de retroalimentação tecnológica que alguns pesquisadores chamam de "autoaperfeiçoamento recursivo".

A expressão parece técnica, mas a ideia é simples: uma tecnologia contribuindo para acelerar a própria evolução.

Revolução dentro da revolução

Se esse cenário já impressiona por si só, existe um elemento adicional que começa a surgir no horizonte dos laboratórios: a computação quântica. Embora ainda esteja em fase de desenvolvimento, essa tecnologia é vista por muitos especialistas como o próximo grande salto da computação moderna.

Os computadores atuais trabalham com bits que assumem valores de 0 ou 1. Os computadores quânticos utilizam qubits, que podem representar múltiplos estados simultaneamente. Em determinadas tarefas, isso pode permitir cálculos muito mais rápidos do que aqueles realizados pelos supercomputadores mais poderosos da atualidade.

Separadamente, inteligência artificial e computação quântica já representam duas das maiores apostas tecnológicas do século XXI. Juntas, podem produzir algo ainda mais transformador.

Imagine uma inteligência artificial capaz de analisar problemas complexos, criar soluções e testar bilhões de possibilidades em velocidades muito superiores às disponíveis atualmente. É justamente essa combinação que vem alimentando debates cada vez mais intensos em universidades, centros de pesquisa e empresas do setor.

O gargalo pode deixar de ser a inteligência

Durante muito tempo, acreditou-se que o principal obstáculo para a evolução da inteligência artificial estava nos próprios algoritmos. Hoje, muitos especialistas enxergam um quadro diferente. O limite não estaria necessariamente na capacidade dos sistemas de aprender, mas na infraestrutura necessária para mantê-los funcionando: energia elétrica, centros de dados, capacidade computacional e produção de chips avançados.

A computação quântica surge justamente como uma possível ferramenta para reduzir parte dessas limitações. Caso isso aconteça, áreas inteiras da economia poderão ser impactadas simultaneamente.

Novos medicamentos poderão ser desenvolvidos com maior rapidez. Pesquisas climáticas poderão ganhar precisão. Materiais inovadores poderão ser descobertos em períodos menores. Sistemas industriais poderão alcançar níveis inéditos de automação. A velocidade da transformação pode ser tão relevante quanto a transformação em si.

Quem controla a próxima etapa?

A discussão, porém, não é apenas tecnológica. Ela é econômica, política e social. Ao longo da história, praticamente todas as grandes revoluções tecnológicas avançaram mais rápido do que a capacidade dos governos de compreendê-las ou regulamentá-las.

Foi assim com a industrialização. Foi assim com a internet. Foi assim com as redes sociais. Agora surge uma nova pergunta: o que acontece quando uma tecnologia passa a acelerar o desenvolvimento de outras tecnologias?

A questão não envolve apenas produtividade ou inovação. Ela também toca temas como segurança digital, concentração de poder econômico, mercado de trabalho e soberania tecnológica.

Poucas empresas no mundo possuem recursos financeiros e infraestrutura para disputar a liderança nessa corrida. O resultado pode redefinir não apenas mercados, mas também a distribuição global de influência e poder nas próximas décadas.

O debate chegou ao presente

Durante muito tempo, a ideia de máquinas ajudando a criar máquinas parecia distante demais para ser levada a sério fora dos círculos acadêmicos. Hoje, quando empresas admitem que a maior parte do código utilizado em seus próprios sistemas já é produzida por inteligência artificial, o tema deixa de pertencer exclusivamente à ficção científica.

Enquanto Curitiba investe em inovação, cidades inteligentes e digitalização de serviços públicos, uma nova fronteira tecnológica começa a ser desenhada nos laboratórios do mundo. Pela primeira vez na história, sistemas de inteligência artificial participam ativamente da construção de tecnologias que poderão torná-los ainda mais inteligentes.

E no horizonte já desponta uma segunda revolução — a computação quântica — capaz de acelerar esse processo em uma escala que nem mesmo os especialistas conseguem estimar com precisão.

A pergunta que emerge não é mais o que a inteligência artificial consegue fazer hoje. A questão passa a ser outra: o que acontecerá quando ela adquirir ferramentas para evoluir cada vez mais rápido? A resposta ainda não existe. Mas o futuro, ao que tudo indica, já começou a ser escrito. Quem viver, verá.

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terça-feira, 14 de abril de 2026

O Brasil na corrida dos data centers — entre o futuro digital e o custo invisível da energia

Com investimentos bilionários e avanço da inteligência artificial, país se consolida como hub tecnológico — mas pressão sobre recursos naturais já entra no radar

Ronald Stresser Jr Sulpost

O Brasil na corrida dos data centers — entre o futuro digital e o custo invisível da energia. Com investimentos bilionários e avanço da inteligência artificial, país se consolida como hub tecnológico — mas pressão sobre recursos naturais já entra no radar.

O zumbido constante dos servidores não aparece nas cidades. Não faz barulho nas ruas, não ocupa manchetes todos os dias — mas está lá. Em galpões discretos, muitas vezes longe do olhar público, o Brasil começa a sustentar uma nova camada da economia: a infraestrutura invisível da era digital.

Os data centers, antes restritos ao universo técnico, viraram peça-chave de um mundo conectado, automatizado e, agora, acelerado pela inteligência artificial. E o país entrou de vez nessa corrida. Nos bastidores, o movimento é intenso.

Um boom silencioso — e estratégico

O Brasil se posiciona hoje como o principal polo de data centers da América Latina, atraindo investimentos pesados e projetos de larga escala. A combinação é poderosa: energia relativamente barata, matriz majoritariamente renovável e um mercado interno massivo.

Não por acaso, gigantes globais e fundos de infraestrutura estão ampliando presença. A lógica é simples — onde há dados, há poder econômico. E há muitos dados.

A digitalização de serviços, o avanço da computação em nuvem e, sobretudo, a explosão da inteligência artificial criaram uma demanda inédita por processamento. Modelos de IA exigem capacidade computacional contínua, intensa — e cara.

Esse novo ciclo já impacta diretamente o consumo energético. A expansão dos data centers começa a aparecer como vetor relevante na demanda por eletricidade no Brasil.

O outro lado da equação

Mas há um ponto que começa a ganhar densidade no debate — e que o entusiasmo tecnológico tende a suavizar: o custo ambiental dessa infraestrutura.

Hoje, os data centers ainda representam uma fração relativamente pequena do consumo nacional de energia. O problema não é o tamanho atual — é a velocidade de crescimento.

A inteligência artificial mudou a escala do jogo. Treinar e operar modelos avançados exige milhares de processadores funcionando sem pausa — o que já começa a pressionar emissões e cadeias energéticas em escala global.

E não é só energia.

A água — usada principalmente para resfriamento — entra na conta. Em alguns casos, um único data center pode consumir volumes comparáveis ao de pequenas cidades ao longo do ano.

Esse é o ponto de tensão: uma infraestrutura essencial para o futuro digital, mas com impacto físico concreto sobre recursos naturais.

Eficiência ou ilusão?

O setor responde com tecnologia. Sistemas mais modernos reduzem consumo, utilizam circuitos fechados de refrigeração e apostam em energias renováveis. A ideia de “data centers verdes” ganha espaço e investimento.

Mas há um paradoxo difícil de ignorar. Quanto mais eficiente a tecnologia se torna, maior tende a ser a demanda total — impulsionada justamente pelo crescimento do uso. A inteligência artificial melhora a eficiência, mas também multiplica o consumo global.

O Brasil no meio dessa encruzilhada

O país reúne condições raras para liderar esse setor. Energia relativamente competitiva, abundância hídrica e território disponível colocam o Brasil como destino natural para grandes operações. Mas essa vantagem vem com responsabilidade — e riscos.

A expansão dos data centers não é neutra: pressiona redes elétricas, reorganiza territórios e pode gerar disputas por recursos, especialmente em cenários de crise hídrica ou eventos climáticos extremos. Em outras palavras: o futuro digital também ocupa espaço físico.

O que está em jogo

A questão não é frear o avanço — isso simplesmente não está na mesa. A pergunta real é outra: como crescer sem repetir os erros de outras revoluções industriais?

O Brasil tem, talvez, uma janela rara de escolha. Pode se tornar apenas um grande hospedeiro de infraestrutura intensiva — ou liderar um modelo mais equilibrado, onde tecnologia e sustentabilidade caminhem juntas de forma menos retórica e mais concreta.

Porque, no fim, toda nuvem tem também endereço fixo. E consome energia, muita energia.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Uma nova criptografia para a era da computação quântica




Um novo relatório da National Academies diz
que demorará pelo menos uma década
 até
que a computação quântica se torne
 poderosa
o suficiente para quebrar a
 criptografia de
chave pública de hoje,
 mas também pode levar
muito tempo para
 criar um novo sistema de
codificação
 de dados contra hackers.
Especialistas dizem que é hora de criar nova criptografia para a era da computação quântica

- via GeekWire*

Um novo relatório de cientistas da computação estima que leve provavelmente pelo menos uma década antes que as ferramentas de computação quântica se tornem poderosas o suficiente para comprometer o atual sistema de criptografia de chave pública que serve como base para segurança financeira e transações de dados.

Mas também pode levar uma década ou mais para substituir as atuais ferramentas de criptografia por novos protocolos que seriam resfistentes à pirataria quântica, de acordo com o relatório, publicado hoje pelas Academias Nacionais de Ciência, Engenharia e Medicina (EUA).

Portanto, dizem os autores do relatório, é urgente começar a transição para esses protocolos "pós-quânticos" - que podem variar desde o aumento do tamanho das chaves de criptografia até o desenvolvimento de novos sistemas baseados em treliças, como NewHope e Frodo.

O estudo foi patrocinado pelo Gabinete Federal do Diretor de Inteligência Nacional (EUA), e combina com as estratégias políticas estabelecidas em setembro (2018) durante uma cúpula da ciência da informação quântica da Casa Branca. Como o documento de estratégia da Casa Branca, o estudo da National Academies aponta que a ascensão da computação quântica terá profundas implicações para a segurança nacional.

A computação quântica tem sido objeto de estudo acadêmico há mais de uma década, mas, mais recentemente, tornou-se o foco de possíveis aplicativos desenvolvidos por empresas como Microsoft, IBM, Google e Boeing. A D-Wave Systems, uma empresa sediada em Vancouver, Estados Unidos, que atraiu fundos de investimento do bilionário da Amazon Jeff Bezos, já oferece um computador que é capaz de um tipo limitado de computação quântica.

A tecnologia aproveita a natureza difusa dos fenômenos quânticos, nos quais os bits podem representar uns e zeros simultaneamente. Os computadores quânticos seriam mais adequados do que os computadores clássicos para simular fenômenos quânticos, desde as interações químicas em escala atômica até as tendências financeiras.


Os computadores quânticos também poderiam teoricamente filtrar uma ampla gama de permutações, como os fatores potenciais de grandes números primos, muito mais rapidamente do que os computadores clássicos. Isso pode resultar na obsolescência dos atuais esquemas de criptografia de chave pública, que geralmente são baseados em fatoração primária.

O relatório da National Academies, escrito por um comitê de especialistas acadêmicos e do setor, diz que a computação quântica é um campo de interesse estratégico para os Estados Unidos.
"Houve um progresso notável no campo da computação quântica, e o comitê não vê uma razão fundamental para que um computador quântico funcional e grande não possa ser construído em princípio", disse o professor da Universidade de Stanford, Mark Horowitz, presidente do comitê, em um comunicado de imprensa. “No entanto, muitos desafios técnicos ainda precisam ser resolvidos antes de alcançarmos este marco”.
Os maiores desafios incluem a invenção de mecanismos de correção de erros para computadores quânticos e o desenvolvimento de métodos para converter grandes quantidades de dados clássicos em um estado quântico.
É improvável que os computadores quânticos substituam os computadores clássicos, diz o relatório. O curso mais provável é que os dispositivos baseados em quântica seriam usados ​​como aceleradores conectados a computadores mais convencionais.

O relatório observa que outros países, incluindo a China, estão dedicando recursos significativos à pesquisa em computação quântica, e que é imperativo que os Estados Unidos mantenham o ritmo, mesmo que o setor privado não tenha lucro.
"Se os computadores quânticos de curto prazo não forem comercialmente bem-sucedidos, o financiamento do governo pode ser essencial para evitar um declínio significativo na pesquisa e no desenvolvimento da computação quântica", diz o relatório.
Em setembro, a Câmara aprovou uma medida chamada National Quantum Initiative Act (Lei Nacional de Iniciativa Quântica), que reservaria US$ 1,275 bilhão em financiamento de P&D para a computação quântica ao longo de cinco anos. No entanto, o plenário do Senado dos EUA ainda não votou uma legislação paralela.

Os membros do comitê que produziram o relatório da National Acadêmico,  intitulado “Computação Quântica: Progresso e Perspectivas”, incluem Krysta Svore, que lidera o QuArC, o grupo Quantum Architectures and Computation da Microsoft Quantum Research em Redmond, de Washington. O relatório completo pode ser lido online (em inglês).
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Fonte: *por Alan Boyle/GeekWire: "Experts say it’s high time to create new cryptography for quantum computing age" - acessado em 06/12/2018 (tradução livre) - Ilustração: National Academies (EUA)

domingo, 3 de junho de 2018

Cientistas inventam capacitor de fluxo na vida real




O Capacitor de Fluxo no DeLorean da ficção.
Como diria o Dr. Emmett Brown: “Great Scott!”, ou na tradução: “Santo Deus!”. Uma equipe de físicos descobriu como fazer um capacitor de fluxo.

Não, não é uma versão da vida real do que estava na franquia "De Volta para o Futuro" - lembrete: nos filmes, o capacitor de fluxo é o dispositivo movido a plutônio que possibilita a viagem no tempo. 

Embora a versão proposta por esses cientistas não permita que você percorra o tempo, ela pode fazer algo quase tão legal: ajudar a inaugurar a era da computação quântica.

Os físicos australianos e suíços por trás da invenção publicaram sua pesquisa na segunda-feira na revista Physical Review Letters.

O que diabos é esse capacitor de fluxo, afinal? Vamos dissecá-lo. 

Capacitores são dispositivos que armazenam energia e são bastante comuns no mundo da eletrônica. Fluxo, entretanto, é a quantidade de algo que se move em uma determinada área. Assim, em um capacitor de fluxo, as microondas são o algo, e o canal em que elas se movem é um capacitor central.

Ironicamente, enquanto Doc e Marty não precisavam de estradas para onde estavam indo, a melhor analogia de como o capacitor de fluxo dos pesquisadores funcionaria envolve tráfego. 

Na animação, os carros representam sinais de microondas
e a terra que eles circulam é o capacitor. Crédito: PINAVIA
O dispositivo força as microondas a fluírem em apenas uma direção em torno de uma área central, exatamente como os carros em uma rotatória. 

Isso é bastante notável porque quebra algo chamado simetria de inversão de tempo - uma lei teórica da física que afirma que, se você invertesse o tempo, veria o que aconteceu, acontece exatamente ao contrário, como uma imagem espelhada.

Os pesquisadores propõem dois projetos para seu capacitor de fluxo. Um se assemelha ao dispositivo em forma de Y usado nos filmes, mas é muito mais complicado do que "De Volta para o Futuro" fez parecer.

"Nele, 'tubos' de fluxo magnético podem se mover em torno de um capacitor central por um processo conhecido como tunelamento quântico, onde eles superam obstáculos classicamente intransponíveis", disse o físico teórico Jared Cole, um dos pesquisadores por trás da proposta, em um comunicado de imprensa...

O capacitor de fluxo em si pode ser complexo, mas as aplicações são claras. Como o principal autor do artigo, Clemens Mueller, observou no comunicado à imprensa, o dispositivo poderia ajudar os pesquisadores a controlar com precisão os sinais, necessários para o avanço da computação quântica. Também poderia nos ajudar a melhorar a eletrônica que usamos hoje, de smartphones a sistemas de radar.

Então, desculpe, este capacitor de fluxo não lhe dará a habilidade de viajar no tempo para acabar com a forma como seus pais se conheceram. Mas você realmente quer fazer isso de qualquer maneira? Você pode se apagar da existência! Muito mais seguro é deixar a viagem no tempo para a ficção científica e manter nossos olhos no futuro.
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Fonte: futurism.com | Scientists Invented A Real-Life Flux Capacitor (tradução livre) | Referências: Physical Review Letters, FLEET - Imagem: Back to the Future II Delorean Flux Capacitor (Creative Commons) e PINAVIA

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Chip Quântico de Silício promete revolução




A pesquisa da computação quântica deu oficialmente outro grande salto adiante. Pesquisadores anunciaram projeto para chip de computador quântico, de silício, que remove muitos dos obstáculos na computação quântica.

O Dr. Menno Veldhorst e o Prof. Andrew Dzurak
no Centro de Excelência para Computação Quântica
e Tecnologia de Comunicação. Crédito: UNSW
- via Futurism.com*

Pesquisadores de todo o mundo têm trabalhado incessantemente integrando interações quânticas em chips de computador operacionais.

Após mais de três décadas de pesquisa podemos estar prestes a tornar a computação quântica possível.

Recentemente, engenheiros da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW) utilizaram silício para projetar novos chips de computação quântica.

O novo design de chip, publicado na revista Nature Communications, transforma os microprocessadores de silício em sua arquitetura tradicional. Este design usa componentes de semicondutores, que são a base para a maioria dos chips modernos, conhecidos como CMOS (semicondutores de metal-óxido complementar) para realizar cálculos quânticos.

O design foi criado por Andrew Dzurak, diretor da National National Fabrication Facility da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), e o principal autor do documento, Dr. Menno Veldhorst, pesquisador da UNSW quando o trabalho conceitual foi concluído.

"Muitas vezes pensamos em pousar na Lua como a maior maravilha tecnológica da humanidade", disse Dzurak em um comunicado à imprensa. "Mas criando um chip de microprocessador com um bilhão de dispositivos operacionais, integrados para funcionar como uma sinfonia - que você pode carregar no seu bolso! - é uma conquista técnica surpreendente, e uma que revolucionou a vida moderna ".

Quando se trata do futuro e do potencial da computação quântica, continuou Dzurak, "estamos à beira de outro salto tecnológico que pode ser tão profundo e transformador. Mas um projeto de engenharia completo para compreender isso, em um único chip, foi elusivo. Eu acho que o que desenvolvemos na UNSW agora torna isso possível ".



Mais importante ainda, a equipe da UNSW acredita que seu novo projeto de chips quânticos poderia ser manufaturado em uma fábrica de semicondutores moderna - isso significa que não seria necessária uma nova infra-estrutura para criá-los e implementá-los amplamente.

À beira da descoberta

Um dos obstáculos persistentes na computação quântica tem sido a capacidade dos chips de computador. Para um computador quântico funcional, é necessário compactar esses chips com milhões de qubits - bits que operam com o mesmo conceito que os bits binários que executa seu computador, sinalizando 0 ou 1, exceto que um qubit (bit-quântico) pode existir como 0, 1, ou como ambos os estados potenciais ao mesmo tempo. No entanto, até agora foi difícil colocar mais do que algumas dúzias de qubits em um chip.

Este novo design visa superar isso, incorporando elementos tradicionais com design inovador para realizar o que não foi realizado anteriormente.

A equipe usou switches convencionais de transistores de silício, que "ativam" qubits em uma plataforma bidimensional. Eles também usaram um protocolo de seleção grid-based "word" e "bit", que é semelhante ao modo como os bits são selecionados em um sistema tradicional. Mas, Dzurak acrescentou no comunicado à imprensa, "Nosso chip blueprint incorpora um novo tipo de código de correção de erros projetado especificamente para spin qubits e envolve um sofisticado protocolo de operações em milhões de qubits".

Isso marca a primeira tentativa de colocar, em um único chip, todos os circuitos de silício convencionais necessários para ler os milhões de qubits envolvidos na computação quântica.

Então, oficialmente  nós conseguimos a computação quântica? Não exatamente. Este ainda é um projeto novo e os autores reconhecem que provavelmente haverá mais modificações nele, mesmo antes da produção inicial.

Apesar do trabalho que tem de ser feito, este projeto já é uma grande conquista na jornada para a criação de computação quântica acessível. Quando a computação quântica puder ser alcançada e, em seguida, disponibilizada em uma escala maior, publica e comercialmente acessível, a vida como a conhecemos terá potencial para mudar. A computação quântica promete responder algumas das questões hoje impossíveis mais aparentes sobre o nosso universo, ao mesmo tempo em que tornará, ​​através de depuração poderosa, infinitamente mais confiáveis os dispositivos que usamos.

Este projeto é apenas um passo, mas é um passo importante para um futuro quântico.

Referencias: Phys, Nature | Fonte: Futurism (tradução livre)

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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Como será um mundo suprido por computadores quânticos?




Além da ficção científica - Veja como irá parecer um mundo alimentado por Computadores Quânticos 

Em 1935, Albert Einstein colaborou com os físicos Boris Podolsky e Nathan Rosen em um documento desenhado para iluminar as fraquezas da mecânica quântica, um ramo da física focado no muito pequeno. 

Embora o fenômeno do "emaranhamento" fosse tão novo, o termo ainda não havia sido inventado, Einstein não perdeu tempo expressando seu ceticismo, dizendo ser a "ação assustadora à distância" simplesmente impossível.

Quase um século depois, agora temos abundante prova de que o emaranhamento é possível. Na verdade, estamos agora à beira da construção de computadores quânticos que nos permitirão usar o fenômeno para responder algumas das maiores questões da humanidade.


Os Computadores Quânticos manipulam e processam informações de maneira muito diferente daquela utilizada pelos computadores tradicionais. Enquanto um computador comum funciona com bits como alocadores de informação, um computador quântico funciona com bits quânticos (qubits). Enquanto os bits carregam informações em um código binário 0 ou 1, os qubits podem ser 0s e 1s ao mesmo tempo, graças à superposição quântica.

O emaranhamento permite ainda que as partículas sejam manipuladas apesar da distância entre elas - tudo o que acontecer com uma partícula será instantaneamente refletida no outra. As informações podem, portanto, ser enviadas em distâncias maiores muito mais rapidamente do que com os computadores clássicos.


Embora o campo da computação quântica ainda esteja em seus estágios iniciais e extremamente complicados; os pesquisadores fizeram avanços significativos, nos últimos anos, no desenvolvimento dos computadores quânticos hoje em operação. Eles encontraram maneiras de sustentar por mais tempo a vida dos qubits, para aumentar a duração do tempo em que a informação pode ser contida em um sistema quântico. De acordo com especialistas, computadores quânticos funcionais provavelmente estarão disponíveis nas próximas décadas.

"Ninguém mais está dizendo 'jamais'", disse Scott Totzke, executivo-chefe da empresa canadense Isara Corp., ao The Wall Street Journal. "Estamos nos muito, muito primeiros dias, mas estamos bem além do ponto da ficção científica".

Então, o que podemos esperar do futuro da computação quântica?

A vida com computadores Quânticos

Os computadores quânticos serão capazes de realizar cálculos muito mais complicados do que computadores clássicos e, de acordo com William Hurley, presidente do Grupo de Trabalho de Padrões de Computação Quântica do Instituto de Engenheiros Elétricos e Eletrônicos (IEEE), as implicações disso serão tremendas.


Hurley comentou sobre o assunto em um e-mail para o site Futurism:
É minha convicção pessoal de que a computação quântica nos ajudará a entender o dilúvio de dados que nos encontramos criando para resolver alguns problemas muito interessantes. Existem sistemas gerando bilhões de conjuntos de dados por dia, e esses podem ser a solução para alguns problemas críticos que afetam a sociedade, mas não temos possibilidade de começar a [trabalhar] através de [todos os dados]. Para mim, isso é extremamente emocionante.
Em suma, o futuro da computação quântica nos verá resolver algumas das questões mais complexas que o mundo enfrenta hoje e não apenas em campos como física ou ciência.

"Eu acho que há uma grande oportunidade para a computação quântica criar uma disruptura em uma série de indústrias", disse Hurley. "No entanto, acredito que as indústrias financeira, farmacêutica e de segurança verão a maior mudança no menor período de tempo".


Enquanto alguns especialistas advertiram que esse poder poderia ser usado para fins nefastos, Hurley acredita que o bem superará o mal:
Sempre haverá razões para moderar nosso otimismo em torno de qualquer novo avanço tecnológico. Ainda assim, estou incrivelmente entusiasmado com os resultados positivos potenciais da computação quântica. De encontrar novas curas para doenças para ajudar a descobrir novas partículas, acho que esta é a coisa mais excitante em que eu estive em toda a minha carreira. Devemos concentrar nossa energia tanto nos atuais resultados positivos como também nos negativos.
Um novo tipo de internet

As chamadas comunicações quânticas são uma das aplicações mais interessantes planejadas para o futuro da computação quântica.

Pesquisadores da China e em outras partes do mundo começaram a explorar o potencial de construir redes quânticas usando os mesmos princípios que explicam a computação quântica. A criação dessas redes acabaria por abrir a porta para uma internet quântica, um sistema de comunicação mais seguro em que a informação é armazenada e transmitida com criptografia avançada. Essa rede, no entanto, não poderia se realizar verdadeiramente até que os computadores quânticos se tornem escaláveis, o que os leitores do Futurism acham que acontecerá antes de 2050.

Os pesquisadores tem criado computadores quânticos, mas todos eles são muito grandes e só funcionam em ambientes especializados. Portanto, o futuro da computação quântica pode incluir a adoção de alternativas aos sistemas atualmente criados em laboratórios de ponta.

O caminho a seguir pode ser através da criação de chips de computador especializados capazes de funcionar como computadores quânticos, mas sem os componentes de última geração que esses sistemas exigem. A revolução da computação quântica também pode começar com a pessoa média acessando um computador quântico através de um serviço na nuvem, como a IBM e o Google criaram.

"Eu acho que você vai ver a disponibilidade geral de simuladores e emuladores que são úteis nos próximos 24 meses", disse Hurley. Ainda assim, esses sistemas seriam apenas um espaço reservado para o negócio real, que ele vê chegando em um futuro não tão distante: "Eu adoraria ver um computador quântico universal disponível apenas daqui três a cinco anos e eu acredito que isso pode ser possível ".

Autor: Dom Galeon e Kristin Houser
Referências: WSJ, Superposição, Bytes Foss, IEEE Spectrum
Fonte: Futurism - Here’s What a World Powered by Quantum Computers Will Look Like - tradução livre

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

5 processos biológicos que seu corpo está fazendo agora e você nem se dá conta disso



1 – Uma questão de cheiro e gosto

Se você acha que apenas seu rosto tem células receptoras de cheiro e gosto, prepare-se para se surpreender: pesquisas realizadas na última década revelaram que partes do corpo humano como rins, coração, espinha, trato respiratório e até mesmo nossas células sanguíneas têm receptores de cheiro e gosto!

Nos rins, cientistas encontraram receptores de cheiro dentro de um componente conhecido como “mácula densa”. Essa região é a responsável por regular a filtragem do sangue e a produção de urina, mas a presença dessas células relacionadas ao cheiro sugere que nossos rins literalmente cheiram e/ou sentem o gosto do xixi que produzimos, quase como se isso fosse uma análise química, digamos assim.

Outro experimento indicou que nosso sangue também consegue sentir cheiro. Bizarro, não é? Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores colocaram células sanguíneas em uma câmara e adicionaram à mistura um componente de odor. Acredite você ou não, as células sanguíneas se movimentavam em direção ao odor.

E não é apenas o sangue que consegue detectar odores, não! O esperma também parece fazer a mesma coisa! Pesquisas indicam que as células reprodutoras masculinas usam seus receptores de cheiro para chegarem até o óvulo. Pelo visto somos muito mais eficientes do que imaginávamos, hein!

2 – As sinapses

O cérebro é um órgão espetacular que, basicamente, controla tudo o que você faz e, inclusive, o que você é. O órgão é tão complexo que a Ciência está longe de poder dizer que sabe tudo sobre ele e, por isso, cada nova descoberta é digna de comemoração.

Por muito tempo o consenso era de que o cérebro humano tinha 100 bilhões de neurônios. Um estudo mais intenso revelou que esse número é, na verdade, menor: ao que tudo indica, temos “apenas” 86 bilhões de neurônios.

A questão surpreendente no quesito neural não é nem o número dessas células, mas a quantidade de conexão feita entre os neurônios. A essas ligações a Ciência deu o nome de “sinapse”.

A todo o momento seu cérebro está criando novas sinapses, e, se para você fica mais fácil entender a imensidão da coisa usando números, vamos a eles: seu cérebro é capaz de produzir 100 trilhões de sinapses – só para você ter ideia, esse número é equivalente a mil vezes o número de estrelas da Via Láctea.

Se ainda não está fácil entender o poder da máquina que você carrega dentro do seu crânio, saiba que, em 2013, cientistas alemães e japoneses tentaram construir uma máquina que fosse capaz de simular o poder do cérebro humano. Para isso, foram necessários 82.944 processadores e, para arquivarem o mesmo número de informações que o cérebro processa em um segundo, essa máquina levou 40 minutos.

3 – Seu ouvido é um termômetro

Evoluímos para nos adaptarmos melhor ao ambiente que nos cerca e, pelo jeito, até mesmo nossos ouvidos, com o passar do tempo, começaram a adquirir outras funções além da básica, que é escutar.

O formato da orelha humana, com tantas dobraduras, não é apenas uma questão de estilo, mas uma forma que nosso corpo encontrou para conduzir melhor as ondas sonoras à nossa volta, de modo que possamos identificar a direção do som que vem até nós. 


O que muita gente nem faz ideia é que, pelo ouvido, conseguimos escutar a temperatura. Sim, você leu certo: escutar a temperatura.

Esse conceito pode até parecer meio sinestésico demais, mas um experimento feito na Grã-Bretanha comprovou que os participantes conseguiam saber se uma xícara de chá continua a bebida quente ou fria apenas ouvindo o barulho do líquido sendo servido.

Os resultados do teste mostraram que 96% dos voluntários conseguiram apontar com exatidão se o chá estava quente ou frio. Há quem acredite que isso acontece devido a diferenças de viscosidade entre o chá quente e o frio, afinal as moléculas do líquido gelado são menos enérgicas – isso faz com que o chá quente, quando derramado na xícara, produza um barulho mais suave que, sem nem nos darmos conta, conseguimos distinguir graças às nossas orelhas poderosas.

4 – Ácido, ácido, ácido, muito ácido

O processo de digestão envolve uma quantidade absurda de ácido clorídrico que derrete o alimento que você ingere. Esse ácido é extremamente corrosivo – capaz de corroer aço, só para você ter ideia – e, mesmo assim, nós vivemos com esse tipo de substância dentro de nós mesmos. Como será que esse ácido não nos derrete também?

Bem... Na verdade, ele nos derrete, sim. Felizmente, nosso estômago é capaz de se regenerar diversas vezes seguidas – ufa! A verdade é que o estômago é formado por células especiais que secretam uma proteína capaz de nos proteger desse banho de ácido.

Funciona assim: depois que o alimento é digerido, as células estomacais neutralizam o efeito do ácido, transformando-o em um material alcalino. Assim o alimento digerido não passa pelo intestino queimando tudo e seu estômago não derrete.

A bizarrice nessa coisa toda está no fato de que mesmo a melhor proteção estomacal não é capaz de livrar o órgão da corrosão. Doses de ácido clorídrico estão, aos poucos, comendo você por dentro. A cada três dias a membrana que reveste seu estômago é substituída por uma nova, ou seja: a pele do seu estômago é completamente corroída duas vezes por semana e renasce ao fim de cada processo.

5 – Câncer

Você pode manter alguns hábitos saudáveis, como não fumar, praticar atividades físicas e tentar manter uma alimentação balanceada, mas a verdade é que mulheres têm 38% de chances de desenvolver algum tipo de câncer – nos homens, as chances sobem para 43%.

As chances são assim tão altas porque, infelizmente, nosso corpo contribui para o desenvolvimento da doença, que surge quando uma célula é danificada de forma que seu DNA seja alterado e se programe para matá-la. Assustadoramente, isso acontece em uma proporção absurda: cada uma das muitas trilhões de células do seu corpo pode sofrer milhares de lesões por dia. Seu corpo é praticamente uma bomba-relógio.

Biologicamente inteligente que somos, nosso corpo conta com a ajuda de algumas enzimas que fiscalizam o DNA das nossas células, na tentativa de deixá-lo saudável e não autodestrutivo. Essas enzimas conseguem identificar erros celulares e, felizmente, na maioria das vezes, dão conta do recado e reconstituem tudo, antes que essas alterações se transformem em doença.

O fato de que algumas pessoas desenvolvem câncer nos prova que esse sistema de regeneração não é o mais efetivo de todos, mas ainda assim é um alívio sabermos que contamos com ele.