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domingo, 10 de dezembro de 2017

Mandela e Direitos Humanos



“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender.  E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta.”
Sobre Nelson Mandela é bom lembrar que em 11 de fevereiro de 1990 ele era libertado, depois passar 27 anos na prisão. Ele foi importante líder na luta contra o regime de exclusão racial chamado de apartheid adotado em 1948 pelo governo da África do Sul. 

Negros e brancos eram obrigados a viver separados justamente no ano em que, no mês de dezembro, as Nações Unidas instituíram a Declaração Universal dos Direitos Humanos. E a declaração diz em seu artigo segundo: 
“Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”

Mandela liderou diversas manifestações contra o regime de segregação racial sulafricano até que, em 1964, ele foi condenado a prisão perpétua. Isso ocorre no mesmo ano em que no Brasil se inicia a ditadura militar. Da prisão Mandela conseguia manter vivo o desejo de viver negros e brancos viverem com direitos de igualdade em seu país, enquanto que no Brasil o regime militar conseguia calar lideranças contrárias ao regime e mandou muitos para o exílio.

Assim, os dois países vão seguindo seus rumos até que em 1988 o Brasil encerra definitivamente o regime militar com a promulgação da nova constituição. No ano seguinte a África do Sul começa reduzir as imposições do apartheid, permitindo que brancos e negros frequentem prédios públicos. Mandela tem a prisão revogada e é solto em 1990.

No Brasil a  pluralidade, construída por várias raças, culturas, religiões,  deveríamos, pela diversidade de nossa origem, pela convivência entre os diferentes, servir de exemplo para o mundo.

Entretanto, muitas vezes, o preconceito existe e se manifesta pela humilhação imposta àquele que é “diferente”. Outras vezes o preconceito se manifesta pela violência. No momento em que alguém é humilhado, discriminado, agredido devido à sua cor ou à sua crença, ele tem seus direitos constitucionais, seus direitos humanos violados.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo revelou que grande parte dos brasileiros – 87% – admite que há discriminação racial no país, mas apenas 4% da população se considera racista. 

Assim sendo, o racismo no Brasil é camuflado, mas perceptível, pois mantêm as desigualdades sócio-raciais em todos os âmbitos e, nesse sentido, é fundamental debater sobre essa questão em todas as esferas institucionais, desde a família, e principalmente nas escolas, uma vez essa instituição é tida como um dos principais locais formadores de opinião, podendo ser o local que formará o cidadão com consciência política. 

Se a educação foi utilizada para construir preconceitos, ela pode e deve ser utilizada para a desconstrução social do preconceito e da discriminação racial...

- Leia mais no artigo original, na íntegra, com autoria de Regina Maria  Faria Gomes, intitulado: Nelson Mandela – Direitos Humanos e psicologia / Fonte: Psicoviver

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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Concentração é mesmo o X da questão?




Hoje estive lendo um artigo do Sérgio Rodrigues na edição online da revista Veja: 'Concentração dividirá o mundo entre senhores e escravos'. Lá ele afirma que o poder de concentração é que vai definir quem serão os senhores e quem serão os escravos digitais. 

Escrevi meu comentário mas não sei por que não foi aceito, deu erro de postagem através do Facebook - #VejaFail + #FacebookFail - após tentar algumas vezes acabei optando por deixar meu comentário aqui, em forma de postagem, afinal hoje o site da Veja, o seu site, ou o meu, o blog deste ou daquele, todos concorrem em pé de igualdade.

Se em um passado não muito distante a informação valia mais que dinheiro, acredito que hoje vale a mesma coisa. O que vale sim é o capital do conhecimento, este valorizou muito. Desde a Grécia antiga até os dias atuais, assistimos à oscilação da ciência caracterizada por momentos de estabilização e de rupturas. Participamos dessas mudanças quando discorremos sobre questões do racionalismo versus empirismo versus construtivismo ou quando confrontamos ciência antiga com a ciência moderna.

Sinto muito por ainda haver este conceito de hierarquia social, na qual necessariamente precisa haver os que mandam e os que obedecem. Acredito muito mais no trabalho em equipe, onde pode haver alguém pra organizar, mas hierarquicamente falando, todos estão na mesma posição. Não há ninguém melhor ou pior, não há senhores ou escravos.

Acredito sim que a capacidade de concentração é relevante, entretanto, tal qual os suportes de acesso à rede devemos ser multitarefa. Existem estudos que relacionam a hiperatividade com o sucesso online. Se há 10 anos crianças hiperativas eram consideradas problemáticas, hoje se sabe que estas pessoas têm melhor desempenho na internet e na lida com as tecnologias da informação.

Não vejo vantagem em mergulhar na primeira página de um livro e continuar imerso nele até terminar. Vejo sim um diferencial nas pessoas capazes de ler 10 livros ao mesmo tempo, de forma dinâmica. Assimilar conhecimento sem perder tempo e sem ‘criar gordura’. Nossa capacidade de concentração, quando conectados, exige estarmos ligados em vários temas distintos ao mesmo tempo, a várias plataformas e aplicativos simultaneamente.

O escravo digital é o mesmo escravo de sempre, apenas a caverna foi ganhando novas tecnologias, entretanto os cativos continuam os mesmos, desde que Platão os definiu. Qualquer um que fica olhando para uma parede o dia inteiro não pode produzir nada de valor indispensável à humanidade, pode sim produzir para outros cativos, como ele.

Olhar pela janela da vida real e saber processar as informações é tão importante quanto quando falamos da janela virtual, do universo digital. Como a informação está ao alcance de quase todos, precisamos saber usá-la fora do ciberespaço, a informação e o conhecimento tem grande poder de transformação. Estou desde 1995 na Internet e vejo claramente as mudanças que o virtual já provocou no material. A rede mundial está transformando a sociedade em uma velocidade jamais antes registrada. Viramos uma aldeia global.

Hoje todos somos prossumidores, consumimos, mas também produzimos. Se a revolução industrial escravizou, a revolução tecnológica está libertando as pessoas. Vivemos uma revolução (social) dentro de outra revolução (tecnológica), e tudo isto está transformando o mundo e a forma como o vemos.

A verdade, penso, é que nos dias de hoje só é ou se torna escravo quem quer. Ingressamos em uma era na qual, dentro em breve, não mais irão existir senhores nem escravos. Na Era da Informação e do Conhecimento, a tendência é equalização. 

Conectar é ligar e não separar. A sociedade conectada caminha para a consciência coletiva e quem quiser continuar sendo 'senhor de escravos' arrisca ficar no caminho, ser isolado, deixado para trás. Lembre-se que todo input gera um output.

Havendo senhores e escravos o fluxo de informação não flui de maneira natural, não há interatividade plena, isto é lógica. Se é tempo de evoluir, passa da hora de despertar! Na aldeia global não há mais lugar para caciques autoritários, o poder está nas mãos dos índios e de alguns pajés que desejam libertar seus semelhantes da subserviencia e da escravidão mental. 

No mundo conectado em rede o que vale é o conceito de interatividade, um todos e todos um. É UMA aldeia, não várias. Quanto a informação, ela parte de você, do seu vizinho, dos seus contatos nas redes sociais. As barreiras culturais, religiosas e linguísticas estão caindo. Se existe mesmo um Deus, acredito que sim, Ele é o mesmo para todos, independente da religião somos todos irmãos e irmãs, e com certeza foi Ele quem permitiu ao homem criar a internet.

Concordo que concentração é deveras importante, mas precisamos nos concentrar de forma multitarefa, sem perder o foco. O foco você encontra através do conhecimento, e este sim é indispensável. Concentre-se nisso, na busca do conhecimento, coloque no seu alvo o que lhe for útil, que for útil aos que estão próximos de você e estes por sua vez hão de seguir o exemplo.

Crie e não seja egoísta, compartilhe, divulgue. Esta coisa de senhores e escravos, esqueça, deixa para os anos de trevas que a humanidade viveu nos séculos passados. A lógica deve ser usada para o bem pensar direcionado ao que é comum, não para satisfazer desejos de uns poucos. 

O Planeta, e os recursos que ele nos oferece, pertence de forma igual a todos. Deixe os velhos conceitos de poder para os poderosos; que hoje estão tentando se equilibrar numa corda bamba, esticada sobre o abismo da coletividade, isto não é problema nosso e sim deles. 

É hora de romper com paradigmas ultrapassados, preconceitos, tabús e qualquer forma de pensamento reacionário. Desprograme-se, liberte sua mente! Conectados somos UM, juntos podemos tudo, sim, se eles podem nós também podemos!

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Direitos dos Afrodescendentes na América do Sul



A Assembléia Geral da ONU proclamou 2011 como o Ano dos Povos de Descendência Africana

Apesar de que os afrodescendentes representam cerca de 150 milhões de pessoas ou 30% da população da América Latina e do Caribe (de acordo com um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, 2010), eles enfrentam um nível desproporcional de pobreza e exclusão social, agravada pela manifesta discriminação racial.
Citando a necessidade de reforçar as ações nacionais e a cooperação internacional para assegurar que os afrodescendentes possam ter pleno gozo dos direitos econômicos, sociais, culturais, civis e políticos, a Assembléia Geral da ONU proclamou 2011 como o Ano dos Povos de Descendência Africana. Atualmente, estes esforços para aumentar a cooperação e aumentar a conscientização estão sendo conduzidos por diversas instituições e defensores dos direitos humanos individuais em toda a região.
“Minha luta é o combate ao racismo e a discriminação racial”, diz Verónica Villagra, representante do coletivo Mundo Afro, que defende os direitos dos afrouruguaios. “No Uruguai temos progressos inegáveis, mas para manter e melhorar os avanços o trabalho é diário, às vezes com sucesso e muitas vezes sem. Nós integramos o 9,2% de uma população de 3.000.000 habitantes, mas 70% dos afrouruguaios são pobres. Somos historicamente invisíveis. Temos muitos pendentes porque o racismo se transforma e adquire novas formas”, Villagra lamenta. As brechas de 500 anos nos distanciam do resto da sociedade em fatores educacionais, oportunidades de acesso a emprego qualificado e da educação secundária e terciária. O exercício do racismo é tão presente no inconsciente de cada indivíduo, que é muito complexo para torná-los visível e desconstruí-los.
Um centro histórico do comércio transatlântico de escravos, hoje o Brasil tem o maior número de afrodescendentes na região e uma das maiores proporções per capita de população preta e parda. É também um dos países com as maiores disparidades raciais na educação, pobreza e as taxas de alfabetização. “Na experiência vivida pela população brasileira negra, o principal agente da violação dos direitos é o Estado”, explica Lucia Xavier, assistente social e coordenadora da ONG Criola, com sede no Rio de Janeiro, que defende os direitos da mulher negra. “O racismo esta impregnado em todas as instituições públicas. Então uma ação importante que nós realizamos é o acompanhamento legislativo nacional e local”

Ela diz que isto tem que ser acompanhado pela educação, formação e promoção para aumentar a conscientização dos direitos econômicos, sociais e culturais, em particular. “Tem que ser uma marca nossa conjugar estes direitos nas políticas públicas e também tem que ser uma marca nossa buscar o uso de recursos judiciais para estes direitos”, diz Xavier.

Em outros países como o Chile, onde a percentagem de pessoas da descendência africana é relativamente baixa, a visibilidade é o maior desafio, diz John Salgado, representante da ONG Oro Negro e da Aliança das Organizações Afrodescendentes no Chile. “Existe uma invisibilidade da nossa etnia, uma negação do outro”, diz Salgado. “É impossível reconhecer os problemas quando você não vê as pessoas que os estão sofrendo”. Salgado disse que não há dados oficiais sobre o número de afrodescendentes no Chile, mas as estimativas contam cerca de 500 famílias na cidade de Arica. Sua Aliança trabalha para resolver esta falta de dados, insistindo que a pergunta piloto que inclui a variável afro-descendente seja incorporada à versão final do Censo de 2012, pela primeira vez.
A este respeito, em 11 de janeiro a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de apoio a esta iniciativa e menciona explicitamente as demandas desse grupo de “ser reconhecido e não discriminado”. Salgado disse que eles também estão pressionando pelo reconhecimento jurídico da sua etnia como povo ancestral, no Chile. Para celebrar o Ano dos Afrodescendentes, têm também prevista uma série de campanhas de sensibilização sobre as contribuições culturais dos negros do Chile, incluindo uma exposição de arte.
A visibilidade e notoriedade das contribuições dos afrodescendentes são um desafio na América do Sul, mesmo em países onde a sua presença é mais forte, como o Peru, onde tem cerca de 2,5 milhões de pessoas e representam cerca de 10% da população. “Você vê, mas não olha”, disse Oswaldo Bilbao, diretor executivo do Centro de Desenvolvimento Étnico (CEDET), que tem lutado contra a discriminação racial por mais de 20 anos. “Não há nenhuma pergunta no censo sobre a comunidade afroperuana. “Não existem políticas públicas para combater o racismo e a discriminação que nós enfrentamos”. Ele cita um estudo publicado pelo CEDET, que entrevistou cerca de 1.500 peruanos e 88.5% admitiram que existe uma “discriminação muito forte e estrutural contra os afro-peruanos“.
Portanto, Bilbao, disse que sua organização se concentra em ações de sensibilização através da comunicação, educação, investigação e formação, buscando também incluir o tema afro-peruano no currículo escolar. Apóia o desenvolvimento econômico, através de programas artesanais de pequena escala nas comunidades rurais. Eles também criaram uma rede de defesa da cidadania, através do qual as vítimas possam denunciar as violações dos direitos humanos. Além disso, a CEDET tem tido algum sucesso a nível institucional, diz Bilbao, citando a inclusão de um capítulo dedicado às comunidades indígenas e afro-peruanas no Plano Nacional de Direitos Humanos do Peru.
Amerigo Incalcaterra, representante regional para a América do Sul da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, diz que o Escritório Regional apóia ativamente os esforços dos defensores e que a discriminação é um das quatro principais prioridades temáticas. O Escritório Regional apoiou a CEDET na organização de um Seminário Nacional sobre Direitos Humanos para os afroperuanos em Lima, em fevereiro de 2010. Ele também ofereceu treinamento em matéria dos mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas para um Workshop Regional sobre Direitos Humanos das Pessoas de Descendência Africana, que destacou o trabalho do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD), o Grupo de Trabalho sobre as pessoas de Descendência Africana, e o Relator Especial sobre formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata.
O Dia dos Direitos Humanos de 2010 foi dedicado aos defensores dos direitos humanos agindo contra a discriminação, um assunto que a Alta Comissária continuará a destacar ao longo de 2011. No mesmo dia, as Nações Unidas lançaram o Ano Internacional das pessoas de Descendência Africana – 2011. Assista abaixo o vídeo incorporado do You Tube, que integra a postagem original, com relatórios de Lucia Xavier (em português) e Verónica Villagra (em espanhol):
Fonte:
ACNUDH (Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos), Oficina Regional para América del Sur - Imagem: John Salgado / ACNUDH
Pressenza Pressenza International Press Agency Santiago, 2/9/11
Via: Jornal A GAXÉTA: http://www.jornalagaxeta.com.br/materias.php?opt=4&sub=15&mat=1720 

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