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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Aquecimento dos oceanos está ligado as mudanças climáticas




Cientistas desenham novas conexões entre as mudanças climáticas e o aquecimento dos oceanos - Toxicidade decorrente do aumento da temperatura pode colocar a pesca em risco - via Science News*

Estas são as concentrações de oxigênio a 1.000 metros de profundidade na água do oceano moderno.
As cores avermelhadas a amarelas mostram regiões com alto teor de oxigênio. Os tons azuis retratam
regiões com baixo teor de oxigênio, que são potencialmente suscetíveis ao envenenamento por
sulfeto de hidrogênio num mundo em aquecimento (Uli Wortmann/Universidade de Toronto)

Os cientistas da Terra, que exploram como a química dos oceanos evoluiu, encontraram semelhanças entre um evento de 55 milhões de anos atrás e as atuais trajetórias preditas de temperaturas do planeta, com relação a despejo de gás carbônico (CO2) na atmosfera e níveis de oxigênio nos oceanos. À medida que os oceanos aquecem, o oxigênio diminui enquanto o sulfeto de hidrogênio aumenta, tornando os oceanos tóxicos e colocando as espécies marinhas em risco.

Isso já aconteceu uma vez antes e pode acontecer novamente

Esse é o alerta dos cientistas oceânicos da Universidade de Toronto e da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, num estudo publicado recentemente na Science que mostra como um aumento de CO2 na atmosfera da Terra, há mais de 50 milhões de anos, mudou dramaticamente a química dos oceanos do planeta.

Os pesquisadores sugerem que, se as emissões globais de carbono continuam a aumentar, o futuro de muitas espécies de peixes em nossos oceanos pode estar em risco.

"Nosso estudo mostra que o aquecimento global não é apenas a respeito de eventos climáticos extremos, ou verões mais quentes, mas tem o potencial de alterar a estrutura oceânica com consequências desconhecidas para a pesca", disse o professor Uli Wortmann, do Departamento de Ciências da Terra, da Faculdade de Ciências da Terra, co-autor do estudo.

Essa não é a primeira vez que isso acontece

"Nós mostramos que na última vez grandes quantidades de CO2 foram despejadas na atmosfera, não só o planeta ficou quente - no que é conhecido como o Máximo Termal do Paleoceno -, cerca de 55 milhões de anos atrás - mas também a química do oceano mudou de maneira bastante marcante", disse Wortmann. Ele foi acompanhado na pesquisa por Weiqi Yao, estudante de PhD da Universidade da Terra, principal autor do estudo, e Adina Paytan, do Instituto de Ciências Marinhas da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz.

É amplamente aceito que um aumento no CO2 leva ao aquecimento, o que resulta em menos oxigênio em nossos oceanos. 


Menos oxigênio permite que as bactérias que se alimentam de sulfato prosperem, o que produz sulfeto de hidrogênio - uma toxina de amplo espectro que é letal mesmo em pequenas concentrações.

"Isso afetará as espécies de peixes que vivem ou mergulham nas profundezas do oceano", disse Wortmann. "O mais notável seria o impacto em predadores de alto nível, como atuns e baleias, que por sua vez teriam um efeito cascata nas espécies de peixes que vivem nas águas rasas, comercialmente mais relevantes - até 200 metros abaixo do nível do mar -, e aqueles que vivem na profundidade média de aproximadamente 1.000 metros abaixo da superfície do oceano.

"O oceano médio e profundo é a maior e menos explorada parte do nosso planeta, lar de lulas gigantes e estranhos peixes do fundo do mar e também de alguns peixes comercialmente importantes como o Toothfish Patagônico, também conhecido como Robalo Chileno."

O Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM) recebe o nome da fronteira entre dois períodos no passado da Terra. A quantidade de CO2 introduzida na atmosfera durante o período foi similar às trajetórias previstas de CO2 na atmosfera para o ano de 2100, adotado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática das Nações Unidas, se as emissões continuarem a aumentar ao longo do século XXI. Ele é visto como um bom modelo para a atividade de queima de combustíveis fósseis que está ocorrendo atualmente e é intensamente estudado por cientistas no contexto da mudança climática.

No curso de explorar como a química do oceano evoluiu nos últimos 60 milhões de anos, Yao se deparou com alguns dados incomuns - sugeridos em trabalhos anteriores de baixa resolução - os quais Wortmann sugere que a sabedoria convencional poderia considerar defeituosos. Ao perceber que os dados coincidiam com o intervalo PETM, os pesquisadores cavaram mais fundo para obter mais dados e conseguir mostrar que não era apenas um fato, mas um sinal real.

"O aumento das concentrações atmosféricas de CO2 anda de mãos dadas com a perda de oxigênio do oceano, e esta é a primeira demonstração de que a liberação de CO2 da atividade humana pode ser grande o suficiente para transformar partes do oceano em uma bebida tóxica", disse Wortmann.

Embora os pesquisadores não possam dizer quanto tempo levaria para que o aumento do nível de CO2 se torne evidente, eles dizem que a transição será rápida.

"Nosso estudo é outra peça do quebra-cabeças", disse Yao. "Isso destaca um aspecto frequentemente negligenciado no debate sobre as mudanças climáticas globais: o que acontecerá com a pesca marinha num mundo em aquecimento?"
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Fonte: *artigo publicado em Science News, com materiais fornecidos pela Universidade de Toronto (tradução livre) - Imagem: Uli Wortmann/Universidade de Toronto

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Ninguém sabe explicar direito o degelo na Antártida




Os mistérios do gelo: Ninguém sabe explicar muito bem o que está acontecendo na Antártida 

- via expresso.sapo.pt*

Três vezes maior do que a União Européia, a Antártida é em muitos aspetos ainda uma incógnita. Ao contrário do que acontecia no Ártico, tem sempre havido um ligeiro aumento da extensão de gelo marinho. Até que 2016 veio e trouxe um fato alarmante, agravado pelo icebergue histórico que  se soltou este ano. 
“A redução drástica agora notada é anômala e pode significar o início do aquecimento da Antártida. Pode ser um sinal de que o gigante está acordando. Mas isso só saberemos daqui a alguns anos”
Manteve-se adormecida durante décadas, enquanto o Ártico sofria um degelo acelerado em consequência das alterações climáticas. Mas a Antártida não parecia dar os mesmos sinais, ou pelo menos não os dava à mesma velocidade. Em finais do ano passado surgiram até notícias de um arrefecimento na região da Península Antártica durante os últimos 15 anos, contrariando a lógica do que tem vindo a ser frequente nessa área, que desde a década de 1950 registava um aumento médio anual das temperaturas na ordem dos 2,5 graus Celsius. 

Foi de uma das plataformas de gelo daquela península, a Larsen C, que há semanas se desprendeu um dos maiores icebergues da História, com quase 6 mil km quadrados. E onde, uma semana depois, foi possível observar uma outra fenda, ainda pequena e tímida, a desenhar-se rumo ao norte.

Embora a grandeza colossal do bloco de gelo agora à deriva no Mar de Wedell faça soar os alarmes quanto à possibilidade de o aquecimento global estar finalmente afetando o pólo sul, os cientistas hesitam em estabelecer uma ligação direta entre a perda de massa gelada da Larsen C e a doença do planeta. “Perguntar se isto está relacionado com o aquecimento global é como perguntar se o estão também uma tempestade ou uma semana inusual de calor. Sendo processos normais, não é possível dizer se sim ou se não”, afirmou Bryn Hubbard, investigador do Midas, projeto que monitoriza as mudanças climáticas na plataforma Larsen C.

“As plataformas têm uma dinâmica própria: é gelo flutuante que flui do continente em direção ao oceano e que, a partir de uma certa extensão, acaba por se fragmentar”, explica ao Expresso Gonçalo Vieira, coordenador do Programa Polar Português, admitindo que o desprendimento de icebergues — e mesmo o colapso de plataformas, como o da Larsen A em 1995 e o da Larsen B em 2002 — faz parte de processos que, apesar de longos, são cíclicos e inerentes ao sistema daquele continente. “O problema”, sublinha, “é saber se, uma vez colapsada a plataforma, nas condições atuais do planeta, haverá condições para esta se formar de novo”. E tal incerteza é a base para outras interrogações.

A principal está documentada: em 2016, a última primavera austral, registou-se uma redução sem precedentes da extensão de gelo marinho. Trata-se de uma camada de gelo fina, formada à volta do continente a partir da água do mar, que atinge a extensão máxima no inverno e a mínima no verão. 

Entre setembro e novembro de 2016, esse derretimento foi “anômalo”, tanto em extensão como em velocidade, chegando a perder 75 mil km quadrados de gelo por dia, 46% mais rápido do que a taxa média anual de fusão desde 1979. 

O fenômeno verificou-se em “todos os setores da Antártida, sendo maior nos mares de Wedell e de Ross”, especificou John Turner, da British Antarctic Survey e líder da equipe que reuniu estes dados.

Para Gonçalo Vieira, os trabalhos de Turner mostram que a anomalia está associada a uma temperatura do ar mais quente do que o normal no último verão austral, a par da baixa pressão atmosférica e consequente mudança no padrão do vento nos mares de Bellingshausen e de Amundsen, na Antártida Ocidental. “Ao contrário do que acontecia no Ártico, na Antártida tem sempre havido um ligeiro aumento da extensão de gelo marinho. A redução drástica agora notada é anómala e pode significar o início do aquecimento da Antártida. Pode ser um sinal de que o gigante está a acordar e a reagir mais rapidamente às mudanças climáticas. Mas isso só o saberemos daqui a uns anos”, reforça o especialista, que já realizou uma dezena de expedições ao continente gelado.

Três vezes maior do que a União Européia, a Antártida é em muitos aspetos ainda uma incógnita. É mais remota do que o Ártico, de acesso mais difícil e não tem população permanente, fora os milhares de cientistas que recebe anualmente. O seu estudo sistematizou-se em meados dos anos 50, tendo dado um salto em 2007 com o grande investimento que o Ano Polar Internacional trouxe à pesquisa. Hoje sabe-se que foi graças às suas características que o gigante tem conseguido proteger-se do impacto brutal das alterações climáticas noutras partes do globo: a latitude elevada, o fato de ser mais frio, de ter mais gelo — os glaciares chegam a ter 4 km de espessura — e de estar rodeado por um oceano enorme com correntes marinhas e ventos poderosos.

Mas por quanto tempo continuará a dormir? A Antártida Ocidental é já considerada um dos setores mais preocupantes. Não só possui menos gelo do que a Antártida Oriental, como a maioria da sua área continental, onde assentam os glaciares, se encontra abaixo do nível do mar. E isto leva a que o gelo fique à mercê dos efeitos do mar, aumentando a perda de massa para o oceano. Os estudos no glaciar da Ilha de Pine e no glaciar Thwaites mostram resultados “muito preocupantes” a esse nível, especifica Gonçalo Vieira. Quando um membro da sua equipe, Marc Oliva, documentou o arrefecimento da Península Antártica, isso não o deixou menos apreensivo. Quinze anos são quase nada em tempo geológico e o passado já demonstrou que, no que à Antártida diz respeito, é sempre preciso esperar para ver.

☞ Veja na postagem original mais gráficos e uma animação que explica a matéria acima, transcrita do jornal português Expresso.
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Fonte: *Expresso/Portugal: Ninguém sabe explicar muito bem o que está a acontecer na Antártida: os mistérios do gelo/Bruno Oliveira (tradução livre para o português do Brasil)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Doggerland, a Atlântida Britânica e o aumento do nível dos oceanos





A linha vermelha marca o Dogger Bank, que
provavelmente é uma moraína formada no Pleistoceno
Cientistas estudam artefatos de 9 mil anos, encontrados no Mar do Norte, que apontam para a existência de Doggerland, a Atlântida Britânica

Para o prazer de qualquer mudlark moderno - apaixonado por história e arqueologia que escavam a lama do rio Tamisa em busca de relíquias: moedas, peças de cerâmica, artefatos, ou objetos do dia-a-dia de há muitos séculos atrás -, descobriu-se que nas costas do Tamisa encontra-se um notável sítio arqueológico. 

Nos últimos anos, os mudlarks de Londres relataram encontrar todos os diferentes tipos de memorabilia e itens históricos, desde fragmentos de cerâmica romana até sapatos feitos durante a Era Tudor.

O interesse na iniciativa London Mudlarks é que cresceu tanto que uma página do Facebook dedicada a compartilhar itens encontrados do leito do rio Tamisa atingiu quase 30 mil seguidores. No entanto, não são apenas os rios que fazem de peças perdidas da história um grande tesouro. Também são os leitos marinhos; como é o caso do Mar do Norte.

É improvável que fragmentos de cerâmica romana possam ser coletados do mar do Mar do Norte. O que os pescadores relataram encontrar é talvez muito mais espetacular: ossos, ferramentas e outros artefatos, tão antigos que chegam a ter cerca de 9 mil anos de idade. Essas descobertas chamaram a atenção imediata de arqueólogos e paleontologistas britânicos e holandeses, pois provavelmente são evidências da história submersa de Doggerland.

Isto nos leva historicamente à última grande Era do Gelo, que estava chegando ao seu final há cerca de 12 mil anos atrás. Durante esse período, as ilhas britânicas certamente não eram britânicas, nem eram ilhas. 

O mapa da época parecia bastante diferente, já que o continente europeu era interligado à costa leste da Grã-Bretanha. O vasto pedaço de terra que os ligava era composto de muitas colinas, pântanos e florestas densas, e ocupava uma grande parte de onde as águas do Mar do Norte se estendem hoje em dia.

O nome desta área é Doggerland, local habitados por humanos do período mesolítico que lá prosperaram por muitos anos. Essas pessoas pré-históricas eram caçadoras-coletoras e dependiam principalmente da caça e da pesca para sobreviver, mas também tinham a sua disposição: frutas, bagas e frutos secos das florestas.

 Crânio de mamífero lanoso descoberto por pescadores no Mar do Norte, no Museu Celta e Pré-histórico, Irlanda
Autor Omigos CC BY-SA 3.0

A vida por lá deve ter sido boa, até o período de tempo compreendido entre 6.500 aC e 6.200 a.C. quando, segundo os cientistas, Doggerland lentamente começou a render-se ao aumento do nível do mar. Eventualmente, este rico habitat humano primitivo acabou totalmente submerso, no fundo do mar, e os Doggerlanders foram forçados a migrar. Eles acabaram se mudando para áreas que hoje pertencem tanto à Inglaterra quanto à Holanda.

Recentemente, especialistas têm trabalhado em um modelo digital que retrata como Doggerland poderia ter parecido, antes que as inundações a tomassem por completo. Os dados necessários para produzir esse modelo foram amplamente recuperados de empresas que extraem petróleo do Mar do Norte. O modelo produzido projeta uma área de até 18 mil quilômetros quadrados.

Assim como a misteriosa Atlantida, Doggerland não é mais que um habitat da Idade da Pedra, há muito esquecido, cujos restos são ossos deteriorados e artefatos perdidos de seus habitantes que acabam sendo encontrados nas redes dos barcos de pesca. A história dela pode facilmente ser interpretada como uma advertência para os resultados finais do aumento rápido do nível do mar causado pelas mudanças climáticas.


Mapa que mostra a extensão hipotética de Doggerland
(c. 10.000 aC), que forneceu uma ponte terrestre entre
a Grã-Bretanha e a Europa continental
Autor Max Naylor CC BY-SA 3.0
Os especialistas que estudam e pesquisam Doggerland foram rápidos, em conectar os eventos que selaram o destino de seu povo, para nossa própria realidade de mudança climática. À medida que os assentamentos dos Doggerlanders eram alagados eles ficaram sobrecarregados com a água que não parava de subir, até que, eventualmente, o Reino Unido desconectou-se do continente. 

Falando a respeito, é o que a National Geographic descreve, "uma situação semelhante, se as calotas polares continuarem a derreter a um ritmo acelerado, pode afetar hoje os bilhões de pessoas que vivem dentro de uma faixa de 60 quilômetros de um litoral".

Os cientistas ainda precisam analisar amostras de insetos e plantas antigas, DNA de animais, e assim por diante. Uma vez que os estudos científicos abaixo do Mar do Norte forem concluídos, vão fornecer uma imagem mais clara de como a paisagem de Doggerland se parecia, qual vegetação e animais compunham seu ecossistema e, possivelmente, como o povo mesolítico mudou seu habitat.

Em outras palavras, os resultados da pesquisa final fornecerão insights sobre o estilo de vida e a cultura de numerosas gerações de britânicos pré-históricos, que prosperaram em Doggerland, por cerca de 6.000 anos antes da área finalmente ter desaparecido debaixo das águas.

Fonte: The Vintage News | National Geographic (tradução livre)

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quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ciência :: América Latina pode passar por dilúvio em 35 anos



Ciência afirma: América Latina passará por grande dilúvio em menos de 35 anos


Dentro dos próximos 35 anos, os territórios mais povoados do mundo poderão acabar inundados pelo aumento do nível do mar, segundo advertem cientistas russos. O vice-diretor do Instituto de Pesquisa Científica do Ártico e da Antártida, Alexánder Danílov, afirma que o problema mais grave é determinado pela mudança drástica da temperatura mundial. 

“Os cálculos sugerem que a temperatura se estabilizará rapidamente, mas que o nível do oceano mundial continuará crescendo por vários séculos”, acrescenta Danílov. 

Os territórios afetados serão a América Latina, Europa, Estados Unidos e Canadá, onde vive a maior parte da população mundial, mobilizando cerca de 150 milhões de pessoas em busca de refúgio. 

Até 2050, o nível dos oceanos poderá aumentar cinco metros, trazendo consequências catastróficas. “Esses cinco metros de crescimento do oceano são um sinal muito sério. Na realidade, os grandes territórios baixos, onde vive a maior parte da população do planeta, estarão em zonas de inundação”, afirma Natalia Riazánova, a responsável pelo Laboratório de Geoecologia do Instituto Estadual de Relações Internacionais de Moscou. 

Enquanto isso, o último relatório da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA afirma que o ano de 2014 registrou recordes de temperaturas na superfície terrestre. Em pelo menos 20 países, foi o ano mais quente da história já registrado, chegando às mais altas concentrações de gases do efeito estufa. 

Fonte: RT   |  Crédito da foto: Nomad_Soul/Shutterstock  |  Reprodução de: History

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O nível do mar está subindo mais rápido na Antártica

Pesquisadores, da Universidade britânica de Southampton, realizaram um estudo com base no acompanhamento de mais de um milhão de quilômetros quadrados de território antártico e, concluiram que o nível do mar está 2 centímetros mais alto na Antártida do que a média de 6 centímetros observados no resto o planeta.

O estudo foi publicado pela revista "Nature Geoscience"

via EL UNIVERSAL (reprodução sin permisso)
segunda-feira 1 de setembro de 2014 10:06


PARIS: A observação da Antártica nas últimas duas décadas, revela que as geleiras causaram um aumento do nível do mar, nas costas do Continente Gelado, 2 centímetros mais alto do que no resto do planeta, de acordo com um estudo divulgado pela AFP.

Pesquisadores da Universidade britânica de Southampton conduziram o estudo, publicado domingo pela "Nature Geoscience", baseado no monitoramento de mais de um milhão de quilômetros quadrados de território antártico, a partir de satélites de observação da Terra, nos últimos 19 anos.

Os cientistas advertiram que o aumento do nível do mar é 2 centímetros mais alto na Antártida do que a média de 6 centímetros observada no resto do planeta.

A pesquisa foi conduzida em estreita colaboração com pesquisadores do Centro Nacional de Oceanográfico, e Observatório Antártico Britânico.

O derretimento da camada de gelo da Antártida, e do gelo flutuante, ajudou a formar um excesso de 350 gigatoneladas de água doce nos oceanos adjacentes. Isto levou a uma redução da salinidade, verificada nas medições de navios que navegam na região.

"A água doce é menos densa que a salgada e, portanto, em regiões onde há um excesso de água doce é esperado um aumento no nível do mar", disse Craig Rye, que lidera a equipe de pesquisa, em um comunicado.

Além das observações de satélites, os cientistas realizaram simulações de computador sobre o efeito do derretimento de geleiras no Oceano Antártico.

Os resultados da simulação refletem com precisão o que é observado em imagens reais fornecidas por satélites.

"O modelo de computador confirma a nossa teoria, de que o nível do mar que observamos nos dados coletados pelo satélite, são quase inteiramente resultado de uma dessalinização, resultante da fusão do gelo", disse Craig.

De acordo com o especialista, "a interação entre o ar, mar e gelo, nestes mares, é um fator determinante para a estabilidade da casca polar antártica de gelo, e, do nível do mar, bem como outros processos ambientais, tais como a geração de águas profundas da Antártida, que esfriam e renovam uma boa parte das profundezas oceânicas do planeta".