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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Ninguém sabe explicar direito o degelo na Antártida




Os mistérios do gelo: Ninguém sabe explicar muito bem o que está acontecendo na Antártida 

- via expresso.sapo.pt*

Três vezes maior do que a União Européia, a Antártida é em muitos aspetos ainda uma incógnita. Ao contrário do que acontecia no Ártico, tem sempre havido um ligeiro aumento da extensão de gelo marinho. Até que 2016 veio e trouxe um fato alarmante, agravado pelo icebergue histórico que  se soltou este ano. 
“A redução drástica agora notada é anômala e pode significar o início do aquecimento da Antártida. Pode ser um sinal de que o gigante está acordando. Mas isso só saberemos daqui a alguns anos”
Manteve-se adormecida durante décadas, enquanto o Ártico sofria um degelo acelerado em consequência das alterações climáticas. Mas a Antártida não parecia dar os mesmos sinais, ou pelo menos não os dava à mesma velocidade. Em finais do ano passado surgiram até notícias de um arrefecimento na região da Península Antártica durante os últimos 15 anos, contrariando a lógica do que tem vindo a ser frequente nessa área, que desde a década de 1950 registava um aumento médio anual das temperaturas na ordem dos 2,5 graus Celsius. 

Foi de uma das plataformas de gelo daquela península, a Larsen C, que há semanas se desprendeu um dos maiores icebergues da História, com quase 6 mil km quadrados. E onde, uma semana depois, foi possível observar uma outra fenda, ainda pequena e tímida, a desenhar-se rumo ao norte.

Embora a grandeza colossal do bloco de gelo agora à deriva no Mar de Wedell faça soar os alarmes quanto à possibilidade de o aquecimento global estar finalmente afetando o pólo sul, os cientistas hesitam em estabelecer uma ligação direta entre a perda de massa gelada da Larsen C e a doença do planeta. “Perguntar se isto está relacionado com o aquecimento global é como perguntar se o estão também uma tempestade ou uma semana inusual de calor. Sendo processos normais, não é possível dizer se sim ou se não”, afirmou Bryn Hubbard, investigador do Midas, projeto que monitoriza as mudanças climáticas na plataforma Larsen C.

“As plataformas têm uma dinâmica própria: é gelo flutuante que flui do continente em direção ao oceano e que, a partir de uma certa extensão, acaba por se fragmentar”, explica ao Expresso Gonçalo Vieira, coordenador do Programa Polar Português, admitindo que o desprendimento de icebergues — e mesmo o colapso de plataformas, como o da Larsen A em 1995 e o da Larsen B em 2002 — faz parte de processos que, apesar de longos, são cíclicos e inerentes ao sistema daquele continente. “O problema”, sublinha, “é saber se, uma vez colapsada a plataforma, nas condições atuais do planeta, haverá condições para esta se formar de novo”. E tal incerteza é a base para outras interrogações.

A principal está documentada: em 2016, a última primavera austral, registou-se uma redução sem precedentes da extensão de gelo marinho. Trata-se de uma camada de gelo fina, formada à volta do continente a partir da água do mar, que atinge a extensão máxima no inverno e a mínima no verão. 

Entre setembro e novembro de 2016, esse derretimento foi “anômalo”, tanto em extensão como em velocidade, chegando a perder 75 mil km quadrados de gelo por dia, 46% mais rápido do que a taxa média anual de fusão desde 1979. 

O fenômeno verificou-se em “todos os setores da Antártida, sendo maior nos mares de Wedell e de Ross”, especificou John Turner, da British Antarctic Survey e líder da equipe que reuniu estes dados.

Para Gonçalo Vieira, os trabalhos de Turner mostram que a anomalia está associada a uma temperatura do ar mais quente do que o normal no último verão austral, a par da baixa pressão atmosférica e consequente mudança no padrão do vento nos mares de Bellingshausen e de Amundsen, na Antártida Ocidental. “Ao contrário do que acontecia no Ártico, na Antártida tem sempre havido um ligeiro aumento da extensão de gelo marinho. A redução drástica agora notada é anómala e pode significar o início do aquecimento da Antártida. Pode ser um sinal de que o gigante está a acordar e a reagir mais rapidamente às mudanças climáticas. Mas isso só o saberemos daqui a uns anos”, reforça o especialista, que já realizou uma dezena de expedições ao continente gelado.

Três vezes maior do que a União Européia, a Antártida é em muitos aspetos ainda uma incógnita. É mais remota do que o Ártico, de acesso mais difícil e não tem população permanente, fora os milhares de cientistas que recebe anualmente. O seu estudo sistematizou-se em meados dos anos 50, tendo dado um salto em 2007 com o grande investimento que o Ano Polar Internacional trouxe à pesquisa. Hoje sabe-se que foi graças às suas características que o gigante tem conseguido proteger-se do impacto brutal das alterações climáticas noutras partes do globo: a latitude elevada, o fato de ser mais frio, de ter mais gelo — os glaciares chegam a ter 4 km de espessura — e de estar rodeado por um oceano enorme com correntes marinhas e ventos poderosos.

Mas por quanto tempo continuará a dormir? A Antártida Ocidental é já considerada um dos setores mais preocupantes. Não só possui menos gelo do que a Antártida Oriental, como a maioria da sua área continental, onde assentam os glaciares, se encontra abaixo do nível do mar. E isto leva a que o gelo fique à mercê dos efeitos do mar, aumentando a perda de massa para o oceano. Os estudos no glaciar da Ilha de Pine e no glaciar Thwaites mostram resultados “muito preocupantes” a esse nível, especifica Gonçalo Vieira. Quando um membro da sua equipe, Marc Oliva, documentou o arrefecimento da Península Antártica, isso não o deixou menos apreensivo. Quinze anos são quase nada em tempo geológico e o passado já demonstrou que, no que à Antártida diz respeito, é sempre preciso esperar para ver.

☞ Veja na postagem original mais gráficos e uma animação que explica a matéria acima, transcrita do jornal português Expresso.
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Fonte: *Expresso/Portugal: Ninguém sabe explicar muito bem o que está a acontecer na Antártida: os mistérios do gelo/Bruno Oliveira (tradução livre para o português do Brasil)

domingo, 13 de maio de 2018

Antártica, satélite encontra objeto massivo sob a capa de gelo




Cientistas desconcertados por observações bizarras de gigantesca “anomalia” enterrada sob a calota polar. Ela se estende por uma distância de 243 quilômetros de diâmetro e tem uma profundidade máxima de cerca de 848 metros.

Fonte: http://www.thesun.co.uk/ (tradução livre)

Alguns pesquisadores acreditam que são os restos de um grande asteroide verdadeiramente maciço que teria mais do dobro do tamanho da rocha espacial Chicxulub que varreu os dinossauros da face da Terra ao cair próximo à Península do Yucatan, no  Golfo do México, há cerca de 65 milhões de anos.

Se essa explicação for verdadeira, poderia significar que este asteroide assassino causou o evento de extinção Permiano-Triássico que matou 96% das criaturas dos oceanos do planeta e até 70% dos organismos vertebrados que viviam em terra. No entanto, as mentes mais selvagens da Internet criaram suas próprias teorias, com alguns teóricos da conspiração alegando que poderia ser uma enorme base de OVNIs ou um portal para um misterioso submundo chamado a Terra Oca (Inner Earth).

Esta “anomalia de gravidade encontrada na região de Wilkes Land” foi descoberta pela primeira vez em 2006, quando os satélites da NASA detectaram alterações gravitacionais que indicavam a presença de um objeto enorme encontrado no meio de uma cratera de impacto com cerca de 300 milhas (480 km) de largura. Recentemente a internet se iluminou com a discussão das observações misteriosas após a equipe de caça OVNI do Team10 postar um vídeo no YouTube sobre essa anomalia.



“Até hoje, os cientistas não têm ideia ou modo de descobrir exatamente o que está enterrado profundamente sob essa espessa plataforma de gelo”, disse o narrador no vídeo. “Este continente congelado tem estado envolto em um mistério por sua própria conta há décadas“. 

A equipe do Team10 sugeriu que os nazistas construíram bases secretas e subterrâneas na Antártida durante a Segunda Guerra Mundial, que foram projetadas para serem usadas por discos voadores desenvolvidos pelos próprios cientistas nazistas.

Os caçadores de OVNIs acrescentaram: “Há alguma evidência de que isso vem à luz nos últimos anos, que imagens pretendem mostrar várias entradas construídas no lado das montanhas, com um formato ovaloide e em uma altitude muito elevada. “Isso levanta a questão: como você entraria por essas entradas sem algo que pudesse voar e tivesse a mesma forma da abertura no terreno?”

Com o degelo da Antártica, começaram a surgir várias
entradas para o interior do terreno em diferentes locais
Também foi comentado que no final da década de 1940, logo após o fim da segunda guerra mundial, a Marinha dos EUA efetuou uma missão especial com porta aviões, destroieres e cerca de seis mil soldados, chamada de Operação Highjump, para investigar o misterioso continente.

Esta expedição, que os teóricos da conspiração acreditam ter sido uma tentativa de encontrar a entrada para um mundo secreto escondido debaixo da Terra. 

No entanto, o cientista que primeiro avistou a anomalia acredita que é realmente a evidência de uma cratera de impacto de um meteoro ou asteroide maciço.

“Este impacto na região de Wilkes Land é muito maior do que o impacto que matou os dinossauros, e provavelmente teria causado danos catastróficos ao planeta na época”, disse Ralph von Frese, que foi professor de ciências geológicas na Universidade Estadual de Ohio, quando descobriu a existência da “imensa cratera” em 2006.

“Todas as mudanças ambientais que resultariam do impacto teriam criado um ambiente altamente cáustico, que seira realmente difícil de suportar, então faz sentido que a vida quase tenha sido extinta naquela época”.
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Fonte: The Sun | COLD HARD FACTS? Satellite spots MASSIVE object hidden under the frozen wastes of Antarctica (tradução livre) - Imagens: @SecureTeam10 (twitter) 

quinta-feira, 29 de março de 2018

Drones submarinos vão monitorar derretimento do gelo antártico



Cientistas relatam início bem-sucedido de estudo, do gelo marinho antártico, com drones submarinos - Um time de cientistas apoiados pelo co-fundador da Microsoft, Paul Allen, comunicou a implantação bem-sucedida de um trio de drones submarinos para monitorar como as mudanças climáticas afetam as camadas de gelo da Antártida.

Pierre Dutrieux, oceanógrafo do Observatório da Terra Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia,
trabalha em um dos três drones submarinos Seaglider colocados em operação na Antártida Ocidental.

(Foto: Paul G. Allen Philanthropies)

Agora é com os drones.

"Estamos muito satisfeitos com a coleta de dados inicial e o sucesso operacional sem precedentes da missão até agora", disse Spencer Reeder, diretor de clima e energia da Paul G. Allen Philanthropies, em comunicado à imprensa. "É difícil imaginar que já testemunhamos várias incursões Seaglider, totalmente autônomas, de até 140 quilômetros de ida e volta sob a plataforma de gelo."

O projeto está sendo conduzido por pesquisadores da Universidade de Washington e do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, com quase 2 milhões de dólares em financiamento da Allen.

A contribuição de Allen apoiou o desenvolvimento e a implantação dos drones automotores movidos a bateria, conhecidos como Seagliders, bem como uma série de sondas flutuantes. O sistema é projetado para monitorar a vazante e o fluxo do gelo marinho de forma autônoma durante o inverno antártico.

"Este é realmente um uso inovador de tecnologia que abriu novas abordagens de pesquisa para entender a dinâmica dessas camadas costeiras de gelo críticas", disse Reeder.

Os drones e as sondas foram colocados na água em janeiro, com o quebra-gelo sul-coreano Araon, e assumiram suas posições sob a plataforma de gelo Dotson da West Antarctica.

Os cientistas disseram que ficaram satisfeitos em ver como os drones conseguiram navegar pelas fendas na parte de baixo da plataforma de gelo - uma das tarefas importantes, mas arriscadas, que eles terão que fazer por conta própria.

"Começamos este projeto de pesquisa sabendo que era de alto risco", disse Craig Lee, principal oceanógrafo do Laboratório de Física Aplicada da UW. “Adaptar a tecnologia de planadores oceânicos para navegar e amostrar em plataformas de gelo é completamente novo. Esta demonstração bem-sucedida abre caminho para a coleta de medições sustentadas que irão avançar nossa compreensão das interações entre plataformas de gelo oceânico, abordando um desafio chave para a previsão do derretimento das camadas de gelo ”.

Após a implantação, o gelo do mar se instalou, selando os drones sob o gelo até que ele se rompa em novembro.

Por quase nove meses, os drones estarão no modo de semi-hibernação. Durante a maior parte do tempo, eles ficarão a cerca de 80 metros abaixo da superfície para economizar energia da bateria. Todos os meses, um dos Seagliders recebe um alerta para avaliar as condições do oceano ao seu redor - reunindo leituras sobre salinidade, temperatura, conteúdo de oxigênio e outras amostras que antes eram impossíveis de serem coletadas.

Os dados serão armazenados a bordo dos drones, e transmitidos para UW via satélite quando o gelo do mar se rompa o suficiente para deixar os drones virem à superfície. Os pesquisadores não saberão se os Seagliders sobreviveram ao inverno até receberem essas transmissões.

Em uma sessão de perguntas e respostas com a equipe de Paul Allen, o oceanógrafo Pierre Dutrieux, da Universidade de Colúmbia, disse que ficou agradavelmente surpreso com o sucesso até agora, mas não aceita nada como garantido.

"Na minha experiência, sempre que você trabalha em campo, sempre há algo que dá errado, algo que você não planejou, principalmente quando se está operando em um ambiente totalmente novo como esse", disse ele.


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Fonte: Scientists report successful start to undersea drones’ Antarctic sea ice study
           Alan Boyle / GeekWire (tradução livre)


sábado, 3 de dezembro de 2016

Clima :: Rachadura gigante na Antártida




Infelizmente, mais uma má notícia para a Antártida. Os cientistas da NASA fotografaram uma enorme rachadura dentro da plataforma de gelo Larsen, com cerca de 113 km de comprimento, mais de 90 metros de diâmetro e 500 metros de profundidade.
A fenda é semelhante a uma anterior que apareceu na Larsen B, o que fez com que a plataforma de gelo se separasse e se desintegrasse em 2002. Antes desso evento, a Larsen B tinha permanecido inalterada por quase 12.000 anos.

Plataformas de gelo são as partes flutuantes de geleiras na Antártica. Elas não são apenas extensões para o oceano, mas atuam como um apoio crucial para a calota de gelo polar. A maioria do gelo na Antártida não está na água, mas em terra, e sem plataformas de gelo, o gelo continental vai acelerar no oceano e derreter.
A fratura foi fotografada em 10 de novembro como parte da Operação IceBridge, um levantamento aerogeofísico de gelo da Antártida. A pesquisa vem acompanhando a mudança no Pólo Sul devido aos efeitos devastadores do aquecimento global. [IFLS]

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O nível do mar está subindo mais rápido na Antártica

Pesquisadores, da Universidade britânica de Southampton, realizaram um estudo com base no acompanhamento de mais de um milhão de quilômetros quadrados de território antártico e, concluiram que o nível do mar está 2 centímetros mais alto na Antártida do que a média de 6 centímetros observados no resto o planeta.

O estudo foi publicado pela revista "Nature Geoscience"

via EL UNIVERSAL (reprodução sin permisso)
segunda-feira 1 de setembro de 2014 10:06


PARIS: A observação da Antártica nas últimas duas décadas, revela que as geleiras causaram um aumento do nível do mar, nas costas do Continente Gelado, 2 centímetros mais alto do que no resto do planeta, de acordo com um estudo divulgado pela AFP.

Pesquisadores da Universidade britânica de Southampton conduziram o estudo, publicado domingo pela "Nature Geoscience", baseado no monitoramento de mais de um milhão de quilômetros quadrados de território antártico, a partir de satélites de observação da Terra, nos últimos 19 anos.

Os cientistas advertiram que o aumento do nível do mar é 2 centímetros mais alto na Antártida do que a média de 6 centímetros observada no resto do planeta.

A pesquisa foi conduzida em estreita colaboração com pesquisadores do Centro Nacional de Oceanográfico, e Observatório Antártico Britânico.

O derretimento da camada de gelo da Antártida, e do gelo flutuante, ajudou a formar um excesso de 350 gigatoneladas de água doce nos oceanos adjacentes. Isto levou a uma redução da salinidade, verificada nas medições de navios que navegam na região.

"A água doce é menos densa que a salgada e, portanto, em regiões onde há um excesso de água doce é esperado um aumento no nível do mar", disse Craig Rye, que lidera a equipe de pesquisa, em um comunicado.

Além das observações de satélites, os cientistas realizaram simulações de computador sobre o efeito do derretimento de geleiras no Oceano Antártico.

Os resultados da simulação refletem com precisão o que é observado em imagens reais fornecidas por satélites.

"O modelo de computador confirma a nossa teoria, de que o nível do mar que observamos nos dados coletados pelo satélite, são quase inteiramente resultado de uma dessalinização, resultante da fusão do gelo", disse Craig.

De acordo com o especialista, "a interação entre o ar, mar e gelo, nestes mares, é um fator determinante para a estabilidade da casca polar antártica de gelo, e, do nível do mar, bem como outros processos ambientais, tais como a geração de águas profundas da Antártida, que esfriam e renovam uma boa parte das profundezas oceânicas do planeta".