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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Marinheiros pré-históricos podem ser responsáveis ​​por Stonehenge




Marinheiros pré-históricos podem ser responsáveis ​​por Stonehenge e outros monumentos megalíticos - por Yasemin Saplakoglu, redatora da equipe Live Science*

Sol sobre Stonehenge durante o solstício de inverno/simon.wakefield/Flickr(CC BY 2.0)

Stonehenge e estruturas similares de rochas grandes e dispostas em toda a Europa podem ter uma origem comum.

De acordo com um novo estudo publicado na revista Proceedings of National Academy of Sciences, caçadores-coletores no noroeste da França podem ter criado esses megálitos há cerca de 7 mil anos e espalhado-os por toda a Europa.

Pensava-se anteriormente que os megálitos se originaram no Oriente Médio, mas hoje em dia, de acordo com a revista Science, cada vez mais antropólogos concordam que eles foram inventados independentemente em vários lugares da Europa.

Neste novo estudo, Bettina Schulz Paulsson, uma arqueóloga da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, pesquisou através da literatura para encontrar dados de radiocarbono (um método que revela idades de rochas e estruturas) para mais de 2.400 sítios em toda a Europa. Ela observou megálitos, sepulturas pré-megalíticas, e qualquer informação que pudesse encontrar sobre como as rochas foram trabalhadas e os costumes das mãos que os criaram.

Ela descobriu que os primeiros megálitos da Europa se originaram no noroeste da França por volta de 4700 a.C. Esta região também é o único local megalítico conhecido que também contém locais de sepulturas que datam de 5000 a.C., o que pode indicar que tais megálitos se originaram lá, escreveu Paulsson no artigo da revista.

Cerca de 400 anos depois desses primeiros megálitos, em 4300 a.C., estruturas semelhantes começaram a surgir nas costas do sul da França, do Mediterrâneo, da Península Ibérica e de outras áreas. O próprio Stonehenge provavelmente foi criado por volta de 2400 a.C.

Como essas estruturas geralmente aparecem perto da costa, Paulsson acredita que a ideia de megálitos poderia ter sido disseminada por marinheiros na época, segundo a Science. Na verdade, o interesse dos arquitetos pelo mar é gravado em marcas de cachalotes e vida marinha nos primeiros megálitos do noroeste da França.

Enquanto alguns pesquisadores concordam com as descobertas, outros dizem que é difícil descartar a possibilidade de que pessoas de várias regiões tenham inventado esses megálitos independentemente, ou que outra região tenha megálitos anteriores, ainda de acordo com a Science.
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Fonte: tradução de artigo escrito por Yasemin Saplakoglu, para o site "Live Science": Prehistoric Sailors May Be Responsible for Stonehenge, Other Megaliths - Imagem: Sol sobre Stonehenge durante o solstício de inverno/simon.wakefield/Flickr (CC BY 2.0)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Há mais de 23.000 anos Brasil abrigou “primeiros americanos”

Abrigo de rocha brasileiro, em Santa Elina, no Mato Grosso, prova que humanos habitaram as Américas há 23.000 anos atrás - por Bruce Fenton*


Foto: Augusto Pesoa (CC BY-SA 3.0)

Acredita-se usualmente que os “primeiros americanos” sejam migrantes do leste asiático que cruzaram o Estreito de Bering há 15 mil anos, membros da Cultura Clóvis (uma referência à sua tecnologia de ferramentas de pedra). Um pequeno número de pesquisadores sugeriu que um grupo anterior de migrantes, da cultura solutreana da Europa, chegou à América do Norte um par de milênios antes desses colonos de Clóvis, numa hipótese que foi muito disputada por acadêmicos.

Agora parece que os pesquisadores que favorecem tanto os modelos Clóvis como Solutreano entenderam tudo errado e agora apoiam a afirmação de que os “primeiros americanos” devem ser uma população misteriosa que viveu no Brasil há mais de 23.000 anos.

Arqueólogos associados ao Museu Nacional de História Natural de Paris confirmaram recentemente que os ornamentos ósseos descobertos em camadas de solo no abrigo rochoso de Santa Elina, no estado do Mato Grosso, datam de pelo menos 23.120 anos de idade. Os cientistas discutiram suas descobertas em um artigo intitulado “Centro de Povoação da América do Sul: O Sítio do Pleistoceno Superior de Santa Elina”, publicado no jornal de arqueologia da Universidade de Cambridge, Antiquity (8 de agosto de 2017).

O abrigo rochoso de Santa Elina, no Brasil Central, abriga extraordinárias artes rupestres e evidências de longa ocupação pelos primeiros americanos. A ocupação do local é datada de vários períodos diferentes, sugerindo que grupos de caçadores-coletores só viviam no local quando a caça era favorecida pelo clima na região. Os períodos irregulares de ocupação se espalharam pelo Pleistoceno Superior e Holoceno tardio.

Escavações realizadas no abrigo rochoso de Santa Elina entre 1984 e 2004 exploraram três camadas de sedimentos contendo restos de fogueiras, artefatos de pedra e ossos associados à extinta espécie de preguiça gigante Glossotherium. Várias das placas ósseas da pele da preguiça haviam sido transformadas em ornamentos de algum tipo pelos humanos ali residentes. Os entalhes e furos adicionados podem ter permitido que essas placas fossem usadas no corpo.

A Glossotherium, como outras preguiças terrestres gigantes, era um herbívoro. Ele tinha 13 pés de comprimento e pesava 2.210 libras. Teria sido um dos maiores herbívoros da América do Sul. Esta espécie foi extinta há cerca de 12.000 anos.



Representação artística da preguiça gigante Glossotherium robustum (Bruce Horsfall; R. Bruce Horsfall/1913)

Os cientistas utilizaram três métodos de datação separados para investigar amostras de carvão vegetal, sedimentos e ossos de preguiça. As datas reveladas colocam com segurança as pessoas no sítio de Santa Elina há mais de 23.120 anos. Grupos humanos abandonaram o local depois de um curto período, mas grupos posteriores utilizaram o abrigo novamente entre 10.120 e 2.000 anos atrás.

Por muitos anos, arqueólogos vem trabalhando em locais de ocupação humana em todo o Brasil e produziram evidências de uma colonização extremamente precoce dessa região sul-americana. As primeiras datas associadas a projetos de pesquisa arqueológica brasileira sugerem talvez 50.000 anos de ocupação. Estas datas muito iniciais para a colonização inicial do continente permanecem altamente controversas.

As novas datas de Santa Elina erodem ainda mais o entendimento consensual de que os primeiros humanos modernos alcançaram as Américas ao atravessarem a ponte terrestre entre o nordeste da Ásia e a América do Norte há 15.000 anos. O abrigo de rochas fica a milhares de quilômetros do local de entrada - dos humanos nas Américas - anteriormente proposto.

Santa Elina não apenas está localizada longe dos locais mais antigos de Clóvis, como também está a mais de 1.600 quilômetros da costa brasileira em uma região de florestas densas. Este parece ser um improvável primeiro ponto de entrada, já que é lógico suspeitar que os humanos viveram inicialmente ao longo do litoral antes de se mudarem para o interior brasileiro há 23.000 anos atrás. Isso parece oferecer mais apoio às alegações de que os humanos modernos estavam no Brasil muito antes mesmo deste período inicial.

A opinião está dividida sobre de onde esses primeiros americanos provavelmente vieram. Alguns suspeitam que eles vieram da África Ocidental em jangadas, outros sugerem que eles eram oceânicos que usavam canoas para se mover ao longo da Costa Antártica antes de chegar à Terra do Fogo, um grupo de ilhas situado embaixo da América do Sul.
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Bruce R. Fenton é pesquisador da evolução humana e das antigas migrações hominínicas, com foco especial na ascensão do primeiro "Homo sapiens". Fenton é o autor do livro de ciência pop "O êxodo esquecido: A teoria da evolução humana em África", bem como escritor convidado regular para várias revistas on-line. Seus interesses de pesquisa o levaram a todos os seis continentes habitados, a ser apresentado no UK Telegraph e a atuar como líder de expedições para o Science Chanel. Ele é um membro atual da Palaeoanthropology Society e da Scientific and Medical Network. (tradução livre)

sábado, 15 de setembro de 2018

Pirâmide gigantesca é descoberta na China




Cidade ancestral chinesa contém pirâmide gigantesca, que agora está sendo escavada e estudada por arqueólogos - Vintage News*

Província de Shaanxi, China. (Foto de Till Niermann/CC BY SA 3.0)

Notícias recentes da China nos falam da descoberta de uma enorme pirâmide escalonada. Ele teria ao menos 230 metros de altura e media 59 acres em sua base.

A imponente estrutura da pirâmide situava-se no coração de uma cidade há muito tempo perdida, que abrangia uma área de 988 acres, tornando-a uma das maiores do mundo em sua época.

Segundo a Antiquity, revista que divulgou a notícia em agosto de 2018, a cidade e a pirâmide eram evidentemente um importante centro de poder na época - cerca de 4.000 anos atrás.

Olhos e símbolos antropomórficos que adornam a pirâmide foram interpretados como algo que poderia ter designado o status especial da estrutura em termos religiosos e econômicos. Remanescentes de extensos muros de pedra e muralhas atestam que a cidade era capaz de se defender.

Esses relatos vêm depois de vários anos de escavações nas ruínas de Shimao, localizadas na província de Shaanxi, no norte da China. Os arqueólogos estão cientes do local desde a sua descoberta em meados da década de 1970, cujo nome original é desconhecido e até agora se tinha pouca ideia de sua importância.

Anteriormente, supunha-se que os remanescentes de pedra neolítica eram o que restava de uma pequena cidade ligada à Grande Muralha da China. Mas a cidade de Shimao é anterior à Grande Muralha, construída num período entre 2.700 à 4.000 anos atrás.

Outro aspecto estranho é a localização da cidade, que tem sido tradicionalmente considerada como estando na periferia da antiga civilização chinesa. Por que houve um centro tão próspero nas planícies centrais da China em uma época tão antiga?

Segundo a equipe de arqueologia, a cidade teria florescido por cerca de cinco séculos, com a vida centrada em torno da pirâmide. Tendo em mente o vasto território ocupado por Shimao, a cidade também teria alcançado uma alta classificação na lista dos maiores assentamentos da antiguidade.

A pirâmide é composta de 11 degraus apoiados em pedra. Quem governou a cidade teve o privilégio de viver na parte mais alta dela - uma grande praça onde foram encontrados restos de um palácio.



A figura acima mostra imagens da pirâmide de degraus. a) parte dos contrafortes de pedra do segundo e terceiro
degraus da pirâmide; b) símbolos dos olhos que decoram a pirâmide c) uma vista dos contrafortes sob a escavação;
d) uma visão geral da pirâmide antes da escavação. (Crédito: Zhouyong Sun e Jing Shao)

Pesquisadores descreveram o palácio do estudo como sendo feito de terra batida, pilares de madeira, com um telhado coberto de telhas. Mais ruínas incluem os de um reservatório colossal de água e sobras da antiga vida cotidiana.

Enquanto a pirâmide abrigava as elites de Shimao, escreveram os pesquisadores, parte de seu espaço era reservado também para a produção de artes e ofícios.

As teorias de que os ocupantes de Shimao podem ter reinado sobre suas adjacências também são discutidas. Arqueólogos localizaram “seis poços contendo cabeças humanas decapitadas” ao redor do complexo. A origem dos restos humanos foi atribuída a Zhukaigou, outro sítio arqueológico localizado ao norte de Shimao.

O estudo sugere que o povo de Zhukaigou poderia ter sido capturado em épocas em que Shimao se expandiu, de acordo com a análise morfológica realizada no âmbito da pesquisa, conforme relatado pela Live Science.

Quais achados e aspectos mais intrigantes nos falam do poder e prestígio desta cidade antiga? 

Artefatos de jade esculpidos foram encontrados em vazios entre blocos de pedra que compõem as numerosas estruturas ao redor de Shimao. Também foi encontrada uma muralha, que agora está no jogo para receber o título de mais antiga da China, com cerca de 4.000 anos de idade.

Sem mencionar como a pirâmide estava segura com toda a sua proteção de muros de pedra, parapeitos e baluartes refinados perto da entrada do portão principal. O tráfego através das entradas deve ter sido fortemente controlado. Tudo sobre o design da pirâmide implica que as regras para entrar eram rígidas. Nem todo mundo teria sido convidado para participar de qualquer um dos rituais importantes ou encontros políticos realizados na área da praça no topo.

A própria altura da pirâmide é imponente o suficiente. Até as pessoas que ocupavam as residências mais remotas da região poderiam vê-la.

Como os pesquisadores observam, antigamente a pirâmide "poderia muito bem ter fornecido uma lembrança constante e esmagadora, para a população de Shimao, do poder das elites dominantes que residem em cima dela - um exemplo concreto da 'pirâmide social'".

Então, de repente, tudo o que sabíamos sobre a antiga civilização chinesa parece minado. Quais eram seus “centros” e quais eram suas “periferias”? Qual era o nome real de Shimao e quem eram as pessoas que levaram a cidade a prosperar? Somos levados a pensar por algum tempo.
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Fonte:  *por Stefan Andrews, um escritor freelancer e colaborador regular do The Vintage News. Ele é graduado em Literatura. Ele também administra o blog This City Knows - checagem de fontes/edição, por pem (tradução livre) - Imagens:  Till Niermann/Wikimedia Commons - Zhouyong Sun e Jing Shao (divulgação)

terça-feira, 17 de julho de 2018

Trecho da "Odisseia" é encontrado em uma pilha de entulho




O mais antigo trecho conhecido da "Odisseia" foi encontrado na Grécia, em uma pilha de entulho - por Nancy Bilyeau*

Mosaico romano antigo representando uma cena marítima, da Odisseia, com Ulisses

O poema épico de Homero, Odisseia, escrito nos tempos antigos, é considerado um dos maiores trabalhos literários do mundo. Você pode supor que as versões físicas do poema já se foram há muito tempo, mas, notavelmente, os arqueólogos da Grécia encontraram 13 versos da Odisseia esculpidos em uma tabuinha de argila datando de algum tempo entre 675 e 725 a.C.

A tábua foi descoberta perto das ruínas do Templo de Zeus após três anos de escavação nas ruínas da antiga cidade de Olímpia, na península grega do Peloponeso. A laje de terracota de 13 linhas foi encontrada "em uma pilha de telhas e tijolos, pedras e outros restos do período romano", segundo a LiveScience.

Olympia é famosa como o local dos antigos Jogos Olímpicos.


A placa é uma "grande exposição arqueológica, epigráfica, literária e histórica", disse o Ministério da Cultura da Grécia. A Odisseia pode ter sido originalmente escrita anteriormente ao século VIII a.C. Foi transmitida em tradição oral antes que esta tabuinha fosse inscrita. Outros meios também foram encontrados para registrá-la através dos séculos.

A Odisseia tem 12.109 linhas de poesia contando a história de Ulisses, rei de Ítaca. Ele levou 10 anos para voltar da Guerra de Tróia para sua esposa e família.

As 19 linhas que foram encontradas são da parte em que Ulisses chega a sua casa e encontra seu antigo servo leal, Eumaeus, que não o reconhece. No poema, apenas seu fiel cão sabe quem ele é a princípio. Sua identidade é reconhecida quando sua criada Eurycleia, lavando os pés de Ulisses, encontra uma cicatriz queda qual se lembra.


A placa de argila com uma inscrição gravada que mostra 13 versos da Odisseia de Homero.
(Foto: EPA/Ministério da Cultura da Grécia)

Com a ajuda de seu filho, Telêmaco, Ulisses assassina os pretendentes que estão assediando sua esposa, Penélope. Ela temia que ele estivesse morto, mas mesmo assim não queria se casar novamente.

Uma equipe de pesquisadores do Instituto Helênico de Ciência Política, do Instituto Arqueológico Alemão e as Universidades de Darmstadt, Tübingen e Frankfurt am Mainz também encontraram outras relíquias, as mais notáveis ​​desde o início da Era do Bronze das Cíclades.

Curiosamente, o Metropolitan Museum of Art tem um fragmento de papiro em sua coleção com linhas da Odisseia.

“Este é o primeiro fragmento ptolemaico da Odisseia já descoberto”, diz a exposição do Metropolitan. “Ele contém três linhas do Livro 20 que não aparecem no texto padrão preservado hoje e é um testemunho físico do fato de que as variações locais dessa famosa obra existiam no século III a.C.”

A exposição também diz: “O repositório mais importante dos textos homéricos no mundo helenístico foi a biblioteca de Alexandria, no Egito, a primeira biblioteca pública abrangente já construída, fundada pelos reis ptolemaicos no início do terceiro século a.C. Como Homero era um poeta por excelência, seu trabalho era central para as coleções da biblioteca, que continha cópias dos poemas homéricos de muitas cidades diferentes, incluindo Chios, Argos e Sinope.”

Quem foi Homero? 


Busto de Homero, no British Museum.
Embora ele tenha tido um grande impacto na cultura ocidental, muito pouco é conhecido. Acredita-se que tenha nascido em algum momento entre os séculos XII e VIII a.C., na costa da Ásia Menor. 

Alguns estudiosos acreditam que Homero era um homem, outros que as histórias em "A Ilíada" e "A Odisseia" foram criadas por um grupo.

Histórias dos feitos e tragédias da Guerra de Tróia, a batalha por Helena de Tróia, continuam a nos fascinar até hoje, com novos filmes e séries de TV sendo lançados o tempo todo. 

Na história, Ulisses é o grego que surge com a idéia do Cavalo de Tróia, usado-o para se infiltrar em Tróia e derrotar seus inimigos.

Os historiadores acreditam que algum tipo de guerra ocorreu, uma que Homero embelezou. Provavelmente havia uma expedição grega para Tróia, agora em Hisarlik, na Turquia. Mas quão grande a guerra, e quanto tempo durou, ninguém sabe.
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Fonte: Tradução livre de Vintage News. *Nancy Bilyeau, ex-editora da Entertainment Weekly, Rolling Stone e InStyle, escreveu uma trilogia de thrillers históricos para a Touchstone Books. Para mais informações, acesse www.nancybilyeau.com.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Tecnologia 3D pode decifrar mensagens em rochas do Neolítico



Misteriosas mensagens gravadas em rochas na Escócia, há 5.000 anos atrás, podem em breve ser descodificadas usando escaneamento 3D


Cerca de 6.000 rochas que exibem gravações distintivas de "copo e anéis", juntamente com outras gravuras antigas, pontilham a paisagem da Grã-Bretanha, com pelo menos um terço encontrado na Escócia. Arqueólogos já ofereceram várias explicações sobre o significado desses símbolos estranhos. Alguns disseram que os antigos os inscreveram para cerimônias rituais. Outros acreditam que as esculturas serviram muito mais propósitos práticos, que possivelmente seriam marcadores territoriais, em antigas rotas comerciais, ou mapearam as estrelas no céu.

No entanto, nas palavras de George Currie, um arqueólogo amador que descobriu algumas das 670 esculturas de rochas na Escócia, "muitas têm simbolismo que remonta a milhares de anos e sabemos pouco sobre por que eles foram criados".

Um porta-voz da Historic Environment Scotland (HES) observou que "o propósito e o significado da arte na rocha, para comunidades pré-históricas e mais recentes, são mal compreendidos". Em 2016, a HES recebeu 807 mil libras (cerca de US$ 1,1 milhão de dólares) do Conselho de Pesquisa de Artes e Humanidades, para realizar um projeto de cinco anos para restabelecer esse link perdido com o passado pré-histórico da Escócia.

Marcas de copo e anéis. Fonte: Historic Environment Scotland
Talvez nunca possamos descobrir os significados completos das gravuras, mas o projeto, que faz uso de scanners 3D, buscará respostas documentando e analisando um grande número de exemplos de escultura em rocha. Um resultado é esperado provavelmente até 2021: um banco de dados com modelos 2D e 3D de algumas das pedras decoradas será criado, e talvez surjam também algumas teorias.

A Universidade de Edimburgo e a Escola de Arte de Glasgow estão envolvidas nas atividades do projeto, e o escaneamento deverá revelar novas conexões entre os símbolos, anteriormente esquecidos, e as esculturas na rocha. Alguns estão dizendo que voltam aos dias do Neolítico.

Currie também foi convidado a participar das atividades. Durante um período de mais de uma década, ele conseguiu descobrir, fotografar e localizar por GPS 670 rochas únicas. Enquanto copos e anéis estão entre os símbolos mais recorrentes em todas, existem outras que aparecem com freqüência, como formas de ferradura ou algumas que relembram pegadas humanas.


Rocha com marcas de copos e anéis, 
em Achnabreck.
Fonte: Historic Environment Scotland
Em declarações ao Mail Online, Currie, que vem de Dundee, disse que "a idéia é cobrir toda a Escócia para gravar toda a arte rupestre em 3D sempre que possível". No entanto, ele observa, existem certos desafios, como, por exemplo, o equipamento de varredura será trazido até alguns dos locais de interesse. Nem todas as rochas repousam em terrenos de fácil acesso.

Potencialmente, o projeto poderia responder a muitas outras questões, como por que as pessoas revisitavam as rochas, inscrevendo novos símbolos sobre rochas que já tinham gravuras. Enquanto isso, novas descobertas ainda estão sendo encontradas nas escavações de rochas, com uma grande descoberta de um exemplo anteriormente não registrado, relatado pelos repórteres da BBC Scotland Highlands and Islans, em 2014.

Arqueólogos tropeçaram em uma nova arte na rocha, com gravuras de copos e anéis, enquanto tentavam relocar uma rocha no condado de Ross-shire. Ao examinar a rocha, a equipe ficou deslumbrada ao encontrar marcas correspondentes também do outro lado da pedra. A descoberta contou como rara.


As marcas de copos e anéis
sobrevivem em grande número
na Escócia e ofereceram uma
 grande variedade de significados.
Autor: Rept0n1x, CC BY-SA 3.0
Embora a Grã-Bretanha seja o foco do interesse em esculturas de copos e anéis, esses símbolos não são encontrados exclusivamente na ilha. 

Diferentes de um lugar para o outro, exemplos foram documentados no exterior, sendo muitos localizados na Irlanda e na Escandinávia, sendo exemplo, Hartola, na Finlândia, onde os pesquisadores apontam que as marcas do copo são notavelmente mais amplas em comparação com as escocesas. 

Mais pode ser visto na região italiana do Piemonte, na Suíça, na Sardenha e em Israel. Formas similares também podem ser encontradas mais longe, como no Gabão e na Austrália.

A pesquisa atual que está sendo realizada na Escócia, e que está ativa desde janeiro de 2017, esperamos que um dia desencadeie interesse internacional. 

Um maior esforço na criação de um banco de dados global, poderia nos fornecer uma compreensão mais profunda, do estranho trabalho de arte de nossos antepassados, ​​dispostos sobre rochas de regiões selvagens.

Fonte: https://www.thevintagenews.com/2018/01/23/mystery-messages/ (tradução livre)


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Doggerland, a Atlântida Britânica e o aumento do nível dos oceanos





A linha vermelha marca o Dogger Bank, que
provavelmente é uma moraína formada no Pleistoceno
Cientistas estudam artefatos de 9 mil anos, encontrados no Mar do Norte, que apontam para a existência de Doggerland, a Atlântida Britânica

Para o prazer de qualquer mudlark moderno - apaixonado por história e arqueologia que escavam a lama do rio Tamisa em busca de relíquias: moedas, peças de cerâmica, artefatos, ou objetos do dia-a-dia de há muitos séculos atrás -, descobriu-se que nas costas do Tamisa encontra-se um notável sítio arqueológico. 

Nos últimos anos, os mudlarks de Londres relataram encontrar todos os diferentes tipos de memorabilia e itens históricos, desde fragmentos de cerâmica romana até sapatos feitos durante a Era Tudor.

O interesse na iniciativa London Mudlarks é que cresceu tanto que uma página do Facebook dedicada a compartilhar itens encontrados do leito do rio Tamisa atingiu quase 30 mil seguidores. No entanto, não são apenas os rios que fazem de peças perdidas da história um grande tesouro. Também são os leitos marinhos; como é o caso do Mar do Norte.

É improvável que fragmentos de cerâmica romana possam ser coletados do mar do Mar do Norte. O que os pescadores relataram encontrar é talvez muito mais espetacular: ossos, ferramentas e outros artefatos, tão antigos que chegam a ter cerca de 9 mil anos de idade. Essas descobertas chamaram a atenção imediata de arqueólogos e paleontologistas britânicos e holandeses, pois provavelmente são evidências da história submersa de Doggerland.

Isto nos leva historicamente à última grande Era do Gelo, que estava chegando ao seu final há cerca de 12 mil anos atrás. Durante esse período, as ilhas britânicas certamente não eram britânicas, nem eram ilhas. 

O mapa da época parecia bastante diferente, já que o continente europeu era interligado à costa leste da Grã-Bretanha. O vasto pedaço de terra que os ligava era composto de muitas colinas, pântanos e florestas densas, e ocupava uma grande parte de onde as águas do Mar do Norte se estendem hoje em dia.

O nome desta área é Doggerland, local habitados por humanos do período mesolítico que lá prosperaram por muitos anos. Essas pessoas pré-históricas eram caçadoras-coletoras e dependiam principalmente da caça e da pesca para sobreviver, mas também tinham a sua disposição: frutas, bagas e frutos secos das florestas.

 Crânio de mamífero lanoso descoberto por pescadores no Mar do Norte, no Museu Celta e Pré-histórico, Irlanda
Autor Omigos CC BY-SA 3.0

A vida por lá deve ter sido boa, até o período de tempo compreendido entre 6.500 aC e 6.200 a.C. quando, segundo os cientistas, Doggerland lentamente começou a render-se ao aumento do nível do mar. Eventualmente, este rico habitat humano primitivo acabou totalmente submerso, no fundo do mar, e os Doggerlanders foram forçados a migrar. Eles acabaram se mudando para áreas que hoje pertencem tanto à Inglaterra quanto à Holanda.

Recentemente, especialistas têm trabalhado em um modelo digital que retrata como Doggerland poderia ter parecido, antes que as inundações a tomassem por completo. Os dados necessários para produzir esse modelo foram amplamente recuperados de empresas que extraem petróleo do Mar do Norte. O modelo produzido projeta uma área de até 18 mil quilômetros quadrados.

Assim como a misteriosa Atlantida, Doggerland não é mais que um habitat da Idade da Pedra, há muito esquecido, cujos restos são ossos deteriorados e artefatos perdidos de seus habitantes que acabam sendo encontrados nas redes dos barcos de pesca. A história dela pode facilmente ser interpretada como uma advertência para os resultados finais do aumento rápido do nível do mar causado pelas mudanças climáticas.


Mapa que mostra a extensão hipotética de Doggerland
(c. 10.000 aC), que forneceu uma ponte terrestre entre
a Grã-Bretanha e a Europa continental
Autor Max Naylor CC BY-SA 3.0
Os especialistas que estudam e pesquisam Doggerland foram rápidos, em conectar os eventos que selaram o destino de seu povo, para nossa própria realidade de mudança climática. À medida que os assentamentos dos Doggerlanders eram alagados eles ficaram sobrecarregados com a água que não parava de subir, até que, eventualmente, o Reino Unido desconectou-se do continente. 

Falando a respeito, é o que a National Geographic descreve, "uma situação semelhante, se as calotas polares continuarem a derreter a um ritmo acelerado, pode afetar hoje os bilhões de pessoas que vivem dentro de uma faixa de 60 quilômetros de um litoral".

Os cientistas ainda precisam analisar amostras de insetos e plantas antigas, DNA de animais, e assim por diante. Uma vez que os estudos científicos abaixo do Mar do Norte forem concluídos, vão fornecer uma imagem mais clara de como a paisagem de Doggerland se parecia, qual vegetação e animais compunham seu ecossistema e, possivelmente, como o povo mesolítico mudou seu habitat.

Em outras palavras, os resultados da pesquisa final fornecerão insights sobre o estilo de vida e a cultura de numerosas gerações de britânicos pré-históricos, que prosperaram em Doggerland, por cerca de 6.000 anos antes da área finalmente ter desaparecido debaixo das águas.

Fonte: The Vintage News | National Geographic (tradução livre)

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Grileiros de terra ameaçam geoglifos de Palpa e Nazca





A Orca, o novo geoglifo de Palpa e Nazca que surpreende o mundo após sua restauração - O impressionante patrimônio cultural foi recuperado pelos arqueólogos, mas corre risco por causa de grileiros de terra, que cercaram a área e impedem o acesso aos turistas.

Os achados arqueológicos nos pampas de Nazca e Palpa continuam a surpreender o mundo e não que esta iconografia seja nova. Desta vez se trata da recuperação de um enorme geoglifo que representa uma orca, um cetáceo que faz parte da cultura Nazca. Após 50 anos de sua descoberta, o estado peruano conseguiu recuperar o geoglífo de La Orca, que está desenhado ao lado de uma colina fora de Palpa, em Ica.

A Orca é um dos desenhos mais enigmáticos e antigos do circuito Palpa-Nazca. O cetáceo que vive em todos os mares do mundo, é conhecido como a "baleia assassina" por sua ferocidade e grande tamanho. Mas, no antigo Peru, os Nazca consideraram que se tratava de uma divindade ligada ao mar e ela também foi representada em sua delicada escultura de cerâmica.

A cultura Nazca considerou a orca como
uma divindade ligada ao mar e
representada em suas finas esculturas em cerâmica
O geoglifo da orca foi fotografado no início dos anos 60, do século passado, e já era considerado desaparecido até que foi novamente identificado. A baleia assassina mede 60 metros e foi recuperada pela equipe de arqueólogos do escritório descentralizado de Cultura Ica, liderada por Johny Isla.

"Ao contrário das linhas de Nazca, o geoglifo de Orca é desenhado ao lado de uma colina, o que indica que é um dos primeiros geoglifos da região", diz Isla e reconhece que "existem outros geoglifos deste tempo em Palpa, algo que quase não ocorre em Nazca, onde a maioria das linhas e geoglifos são desenhados em áreas planas ".

Deve-se salientar que este sítio arqueológico está em risco por causa dos grileiros de terra presentes na área, eles cercaram o território para restringir o acesso e tomar posse do local. Uma vez que o consideram uma "posse" eles impedem o acesso ao sítio e que este se torne uma potencial atração turística para a região de Ica.

O desenho gigantesco que foi gravado na encosta de uma colina localizada nos arredores de Palpa, na região de Ica, conhecida por ser o lugar onde viveu e estudou - essa cultura impressionante - a arqueóloga Maria Reiche.

[Fonte: Tiempo26 | Dados: República | Imagem da capa: San Telmo Exposition, Wikipedia]

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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Inscrições de 15.000 anos encontradas no Egito



Uma equipe de arqueólogos do Ministério de Antiguidades do Egito localizou representações pré-históricas no sítio de Wadi Abu Subeira, localizado na zona de deserto oriental (a aproximadamente 15Km de Asuan). Segundo afirma um comunicado do ministério calcula-se que a descoberta tenha perto de 15.000 anos de idade.



O Dr. Mustafá Waziri, Secretário Geral do Conselho Supremo de Antiguidades, anunciou que as representações estão gravadas em rocha de arenito e mostram uma grande diversidade de animais selvagens, como: hipopótamos, toros selvagens, girafas, burros, gazelas, etc. Também foram localizados indícios de talhas destinadas à produção de ferramentas e instrumentos de pedra.

Nasr Salam, responsável pelo Ministério de Antiguidadades de Asuan e Nubia, explica que os recém descobertos escritos são raros no Egito. Podem ser encontrados em sítios como Al-Qarta e Abu Tanqura, ao norte da zona de Kom Ombo, o que ajuda na datação das inscrições descobertas em Wadi Abu Suberia.

Além desta última descoberta, em Wadi Abu Suberia já foram localizados outros 10 locais com representações pré-históricas. As investigações na localidade estão distantes de ser concluídas e acredita-se que é factível de se encontrarem muitas outras surpresas.

Fonte: egiptologia.com

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