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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Regra da minoria: Cientistas descobrem ponto de inflexão para a propagação de idéias



Crédito:SCNARC/Rensselaer Polytechnic Institute
Na visualização, vemos o ponto de inflexão em que a opinião da minoria [mostrada em vermelho] transforma-se rapidamente opinião da maioria. Com o tempo, a opinião da minoria cresce. Uma vez que a opinião da minoria chega a 10% da população, a rede muda rapidamente, como a opinião da minoria, assumindo o controle da opinião da maioria original [mostrado em verde].

Cientistas do Rensselaer Polytechnic Institute descobriram que quando apenas 10 por cento da população tem uma crença inabalável, sua crença será sempre tomada pela maioria da sociedade. Os cientistas, que são membros do Social Cognitive Networks Academic Research Center (SCNARC) no Rensselaer, utilizaram métodos computacionais e analíticos para descobrir o ponto de inflexão em que uma crença da minoria torna-se a opinião da maioria. A descoberta tem implicações para o estudo e influencia das interações sociais, que vão desde a disseminação de inovações até o movimento de ideais políticos.

"Quando o número de formadores de opinião está abaixo de 10 por cento, não há progresso visível na propagação de idéias. Seria literalmente como pegar a quantidade de tempo comparável à idade do universo para este tamanho de grupo alcançar a maioria", disse o Diretor do SCNARC Boleslaw Szymanski, o Claire e Roland Schmitt, Professor Emérito da Rensselaer. "Uma vez que esse número cresce acima de 10 por cento, a idéia se espalha como fogo."

Como exemplo, os acontecimentos em curso na Tunísia e Egito parecem apresentar um processo semelhante, de acordo com Szymanski. "Nesses países, os ditadores que estavam no poder por décadas foram subitamente derrubados em apenas algumas semanas."

Os resultados foram publicados em 22 de julho de 2011, na a revista Physical Review E, em um artigo intitulado "Consenso social através da influencia das minorias comprometidas."

Um aspecto importante da descoberta é que o percentual de formadores de opinião, necessário para mudar opinião da maioria, não se altera significativamente, independentemente do tipo de rede na qual os detentores da opinião estão trabalhando. Em outras palavras, o percentual de formadores de opinião, requeridos para influenciar uma sociedade, permanece em aproximadamente 10%, independentemente de como ou onde começa essa opinião e de como ela se espalha na sociedade.

Para chegar a esta conclusão os cientistas desenvolveram modelos de computador, de vários tipos de rede social. Uma das redes tinha cada pessoa conectada a todas as outras pessoas na rede. 


O segundo modelo incluiu alguns indivíduos que estavam conectados a um grande número de pessoas, tornando-os distribuidores de opinião ou líderes. O modelo final deu a cada pessoa, no modelo, aproximadamente o mesmo número de conexões. O estado inicial de cada um dos modelos foi um mar de titulares de visão tradicional. Cada um destes indivíduos tinha uma visão, mas também, muito importante, de mente aberta para outras visões.

Uma vez que as redes foram construídas, os cientistas "salpicaram" alguns verdadeiros crentes em cada uma das redes. Essas pessoas se mostraram completamente definidas em suas visões e inabaláveis em modificar essas crenças. Como os verdadeiros crentes começaram a conversar com aqueles que possuíam o sistema de crenças tradicionais, as marés, de forma gradual e depois muito abruptamente, começaram a mudar.

"No geral, as pessoas não gostam de ter uma opinião impopular e estão sempre buscando, tentando chegar a um consenso localmente. Montamos essa dinamica em cada um de nossos modelos", disse Sameet Sreenivasan, Pesquisador Associado ao SCNARC, autor e correspondente da publicação. Para conseguir isso, cada um dos indivíduos nos modelos "falaram" uns aos outros sobre sua opinião. Se o ouvinte tiver as mesmas opiniões que o narrador, isto reforça a crença do ouvinte. Se a opinião for diferente, o ouvinte considera, mas é levado a falar com outra pessoa. Se essa outra pessoa também tem esta nova crença, o ouvinte passa a adotar essa crença.

"Como os agentes de mudança começam a convencer mais e mais pessoas, a situação começa a mudar", disse Sreenivasan. "As pessoas começam primeiramente a questionar suas próprias visões e, em seguida, adotar a visão completamente nova, espalhando-a ainda mais. Se os verdadeiros crentes influenciam apenas seus vizinhos, eles não podem mudar nada dentro de um sistema maior, como vimos, com percentagens inferiores a 10%."

A pesquisa tem amplas implicações para a compreensão de como a opinião se espalha. "Há claramente situações em que isso ajuda a saber como disseminar eficiente alguma opinião ou como suprimir alguma opinião em desenvolvimento", afirma o professor associado de Física, e co-autor do artigo, Korniss Gyorgy. "Alguns exemplos podem ser a necessidade de convencer rapidamente a evacuar uma cidade antes de um furacão, ou divulgar novas informações sobre a prevenção de uma doença numa vila rural."

Os pesquisadores agora estão procurando parceiros no ambito das ciencias sociais, e outros campos, para comparar seus modelos computacionais com exemplos históricos. Eles também estão observando para estudar como o percentual pode ser mudado, quando inserido em um modelo onde a sociedade é polarizada. Em vez de simplesmente manter uma visão tradicional, a sociedade pode ter dois pontos de vista opostos. Um exemplo dessa polarização seria Democratas contra Republicanos.

Fonte: Internet: PHSORG.COM: http://www.physorg.com/news/2011-07-minority-scientists-ideas.html - acessado em 8/08/2011 - tradução 'sin permisso'

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O que a física quantica e a música tem em comum?




Misturando física quântica com música eletrônica

O que o Centro Europeu de Investigação Nuclear (Cern, na sigla em inglês) e a música eletrônica têm em comum? A edição deste ano do festival austríaco Ars Electronica.

Os organizadores do evento anual de artes digitais iniciado em 1979 decidiram neste ano dedicá-lo ao ambicioso projeto transnacional, famoso por seu gigantesco acelerador de partículas, construído na Suíça.

Sob o título "Origens - Como tudo começa", além de música, entre 31 de agosto e 6 de setembro, o Ars Electronica deste ano vai promover palestras com cientistas e artistas, exibir filmes e animações e obras de arte relacionadas ao tema.

Um dos pontos altos, para quem gosta de música eletrônica, vai ser o show da noite de domingo, dia 4/9.

De instalações musicais, como o "heptapiano robótico" do austríaco Winfried Ritsch, e a Chambre des Maschines, de Nicolas Bernier e Martin Messier, até orquestras tocando Bruckner e Edgar Varèse, o evento almeja ir da origem até o ponto atual da música eletrônica.

A parceria do Cern também marca o início do papel de mecenas da instituição de pesquisa.

A partir de agora, ele vai dar o seu selo de aprovação a até dois projetos de artes por ano, desde, claro, que tenham inspiração na física quântica.

Fonte: Internet: http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/planeta_clima/2011/08/misturando_fisica_quantica_com.shtml - acessado em 05/08/2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Diga não ao AI-5 Digital!




via Avaaz

Caros amigos de todo o Brasil,
Na semana que vem, o Congresso poderá votar um projeto de lei que restringiria radicalmente a liberdade da internet no Brasil, criminalizando atividades on-line cotidianas tais como compartilhar músicas e restringir práticas essenciais para blogs. Temos apenas seis dias para barrar a votação.

A pressão da opinião pública derrotou um ataque contra a liberdade da internet em 2009 e nós podemos fazer isso de novo! O projeto de lei tramita neste momento em três comissões da Câmara dos Deputados e esses políticos estão observando atentamente a reação da opinião pública nos dias que antecedem à grande votação. Agora é nossa chance de lançar um protesto nacional e forçá-los a proteger as liberdades da internet.

O Brasil tem mais de 75 milhões de internautas e se nos unirmos nossas vozes poderão ser ensurdecedoras. Envie uma mensagem agora mesmo às lideranças das comissões de Constituição e Justiça, Ciência e Tecnologia e Segurança Pública e depois divulgue a campanha entre seus amigos e familiares em todo o Brasil:


O projeto de lei do deputado Azeredo sobre a internet supostamente teria o objetivo de nos proteger contra fraudadores e hackers. Porém, como alguém que faz uma cirurgia com uma motosserra, as normas excessivamente cautelosas impostas pelo projeto de lei trariam altíssimos custos sem de fato cumprir seu objetivo. Em vez de capturar os verdadeiros criminosos, elas penalizariam todos nós. Por esse motivo, até mesmo o importante site anti-pedofilia, o SaferNet é contra o PL Azeredo.

Se esse projeto de lei for aprovado, nossa privacidade e liberdade de expressão, criação e acesso on-line ficarão gravemente limitadas. Pior que isso, os provedores de internet que mantêm informações detalhadas sobre nosso histórico de navegação na internet passarão a ser “policiais virtuais” monitorando os usuários a todo momento.

O projeto de lei tem circulado em Brasília por mais de uma década, e a pressão da opinião pública já o derrotou antes. Em 2009, uma consulta pública sobre o “Marco Civil da Internet” barrou o andamento do projeto. Mas alguns meses atrás, o deputado Azeredo tentou apressar a aprovação no Congresso, usando os ataques de crackers aos sites do governo como desculpa. Um novo Congresso e uma maior conscientização sobre as amplas implicações do projeto de lei significam que nossas vozes poderão fazer a diferença. Envie agora mesmo uma mensagem às lideranças na Câmara:


Infelizmente, o PL Azeredo não é a única lei desse tipo. Em todo o mundo, na Índia, Turquia, Estados Unidos e outros países, a liberdade da internet está sob ataque promovido por iniciativas similares. Mas os membros da Avaaz nesses países estão se mobilizando. Vamos fazer a nossa parte neste movimento popular global em defesa da web barrando o PL Azeredo.

Com esperança,

Emma, David, Ricken, Maria Paz, Giulia, Rewan e a equipe da Avaaz

FONTES:

Petição do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, instituição parceira da Avaaz:

Liberdade de internautas no Brasil pode estar com os dias contados (Portal Imprensa):

Entenda o que é o marco civil da internet (UOL):

'AI-5 digital' volta a circular no Congresso (Rede Brasil Atual):

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Bíblia: História ou Mito?




por Jeffrey Small, autor de 'The Breath of God'
post traduido por Ronald S Stresser Jr - sin permiso - de HUFFPOST RELIGION

Quando você ouve a palavra "mito" associado à Bíblia, qual é o primeiro pensamento que vem à sua mente?

Muitos usam o termo "mito" num sentido pejorativo, para dar significado de que as histórias descritas não são factualmente verdadeiras. Outros definem o mito nos contos não-históricos, que contém uma mensagem moral. Ambas estas definições perdem na riqueza do termo. Mitologia é uma forma de literatura que expressa verdades fundamentais, de uma forma que o discurso ordinário é inadequado à descrição.

As histórias que compõem os mitos são muitas vezes ancoradas em uma realidade histórica, mas isso não precisa ser assim. A mitologia acrescenta uma riqueza de detalhes e uma concretude à linguagem metafórica. A leitura de histórias bíblicas, como mitologia, me dá a liberdade de compreender o seu significado subjacente, de uma maneira diferente,de uma maneira que eu nunca fiz quando eu era ensinado quando criança, que essas histórias eram factualmente verdadeiras.

Por que a maioria dos estudiosos modernos rejeita a leitura da Bíblia como história, e muito menos como um fato literal?

1. Em uma era de ciência e tecnologia, muito da Bíblia é simplesmente, hoje, inacreditável à mente, e deixa as pessoas distantes das mensagens subjacentes. Do ponto de vista científico, muitos dos "fatos" da Bíblia estão simplesmente errados. Um dos muitos exemplos: de acordo com Gênesis, o universo tem um pouco mais de 6.000 anos de idade. Segundo a física, o Big Bang ocorreu 13,7 bilhões de anos atrás.

2. Muitas das histórias também são cientificamente impossíveis, como o conto de Josué fazer o sol parar de se mover no céu. Esta história assume - como era o pensamento então - que a Terra era plana e era o centro do universo. Nós simplesmente sabemos que isso é falso. Segundo, para o sol parar significaria a terra deixar de girar sobre seu eixo - um evento que destruiria o planeta.

3. Para muitas das histórias de milagres, existem explicações naturais. Os autores destas histórias vividas numa época em que as pessoas acreditavam que os eclipses solares eram presságios divinos, a doença era castigo divino, e que a doença mental era causada por possessão demoníaca. No caso de Jesus, a cura era uma parte importante de seu ministério. No entanto, hoje podemos encontrar curandeiros no Haiti, praticantes do voodoo e de bruxaria na África tribal. Muitos desses curandeiros modernos tem fé de que os pacientes são realmente curados por estas práticas. Os médicos chamam isso de efeito placebo, um efeito tão poderoso que as drogas devem ser submetidas a experimentos de duplo cego.

4. Algumas das histórias mitológicas na Bíblia não são originais, mas foram emprestados de outras tradições. O Épico de Gilgamesh - um poema sumério detalhando a criação do universo, que antecede os escritos do Gênesis por muitos séculos - contém uma história cujo enredo, e pontos de inundação, são quase idênticos a história de Noé.

5. As outras religiões do mundo também contem histórias ricas em mitologia e histórias que soam - para nós - fantásticas. Em que base podem os cristãos afirmar que essas histórias de milagre são legítimas, que não são vôos da fantasia deles? A mitologia em torno de Buda, que viveu 500 anos antes de Jesus, inclui contos de como ele curou os doentes, andou sobre a água, e voou através do ar. Seu nascimento foi predito por um espírito (um elefante branco, em vez do anjo Gabriel), que entrou no ventre de sua mãe! 


Com o seu nascimento, sábios previram que ele iria se tornar um grande líder religioso. Os estudiosos do século XX, Mircea Eliade e Joseph Campbell, escreveram que estes arquétipos e mitos religiosos são encontrados em diferentes culturas, histórias e religiões. Exemplos incluem a Árvore Cósmica, o nascimento virginal e a ressurreição.

6. A própria Bíblia está cheia de inconsistências. Como pode ser um documento histórico preciso, quando vários livros contradizem uns aos outros? Aqui fala Bart Ehrman, professor de Estudos Religiosos da UNC (University of North Carolina):

"Basta pegarmos a morte de Jesus. Em que dia Jesus morreu, e a que hora do dia? Ele morreu no dia antes da refeição da Páscoa, foi comido, como João diz explicitamente, ou ele morreu depois de ser comido, como Marcos explicitamente diz? Ele morreu ao meio-dia, como em João, ou às 9 horas, como em Marcos? Jesus a carregou a cruz o caminho todo, ele mesmo, ou Simão de Cirene carregou a cruz? Depende do evangelho que você lê. Os dois ladrões zombaram Jesus na cruz ou apenas um deles zombou e o outro veio em sua defesa? Depende do evangelho que você lê. Será que o véu do templo se rasgou ao meio antes de Jesus morrer ou depois que ele morreu? Depende do evangelho que você lê ... Ou levando em conta a ressurreição. Quem foi ao sepulcro no terceiro dia? Foi Maria sozinha ou era Maria com outras mulheres? Se fosse Maria com outras mulheres, como muitas outras mulheres estavam lá, quais eram elas, e quais eram seus nomes? Foi a pedra removida antes de chegarem lá ou não? O que elas viram no sepulcro? Elas viram um homem, viram dois homens, ou viram um anjo? Depende qual depoimento você lê."

7. Ler a Bíblia como um relato histórico literal, de eventos do passado, vai além dos limites do poder dessas histórias. Em vez de expressar verdades universais, uma interpretação literal limita as ações de Deus para determinados eventos na história. As ações de Deus no mundo se tornam finitas, limitado a certos eventos históricos: como o mestre de xadrez fazendo movimentos individuais em um tabuleiro de xadrez congelado no tempo dois mil anos atrás. Lendo estas mesmas histórias mitologicamente, no entanto, podemos resgatar suas qualidades universais.

8. Uma leitura literal da Bíblia aliena-se demais de nossa sociedade. As histórias foram escritas em uma época diferente, com visões diferentes sobre justiça social - uma época em que a escravidão era legítima, uma idade em que a discriminação de gênero, raça, etnia e orientação sexual era a norma. Muitas vezes por causa desta história, a Bíblia é usada para justificar a intolerância hoje.

Ler a Bíblia como mitologia não é um conceito novo. Dois dos Padres da Igreja primitiva, Orígenes (185-254 d.C) e Agostinho (354-430 d.C), interpretam a Genesis metaforicamente, rejeitando as interpretações literais. No início do século 20, o teólogo alemão Rudolf Bultmann defendeu uma "desmistificação" do Novo Testamento, por muitas das razões enumeradas acima. Ao contrário, o movimento em muitos círculos fundamentalistas hoje é para ler a Bíblia como inerrante (uma forma extrema de literalismo, no qual cada palavra da Bíblia é vista como verdadeira), um desenvolvimento tardio do século 19, como uma resposta ao desgaste na historicidade das histórias, desde o Iluminismo.

Temo que a insistência em uma leitura literal ou histórica da Bíblia acabará por levar à irrelevancia do cristianismo na nossa sociedade. Rompendo os grilhões de ter que acreditar na historicidade da Bíblia, somos livres para interpretar as histórias como um testemunho da experiência religiosa, de pessoas de uma época diferente - um testemunho que comunica um significado sobre suas experiências da Última Realidade, de Deus. Entendo que as suas experiencias do fundamento divino, em suas vidas, foram interpretados através da lente de uma visão pré-moderna do mundo, e minhas próprias experiências religiosas assumirão uma forma diferente da de hoje.

domingo, 31 de julho de 2011

Podemos estar perto de reviver a crise de 1930

Professor de Economia em Princeton e Prêmio Nobel 2008
via Adital

"Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, o que está ocorrendo agora é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que alimentou a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o "impulso" que a economia precisava".

***

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Esta é uma época interessante, e digo isso no pior sentido da palavra. Agora mesmo estamos vivendo, não uma, mas duas crises iminentes, cada uma delas capaz de provocar um desastre mundial. Nos EUA, os fanáticos de direita do Congresso podem bloquear um necessário aumento do teto da dívida, o que possivelmente provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Enquanto isso, se o plano que os chefes de Estado europeus acabam de pactuar não conseguir acalmar os mercados, poderemos ter um efeito dominó por todo o sul da Europa, o que também provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais.

Somente podemos esperar que os políticos em Washington e Bruxelas consigam driblar essas ameaças. Mas há um problema: ainda que consigamos evitar uma catástrofe imediata, os acordos que vêm sendo firmados dos dois lados do Atlântico vão piorar a crise econômica com quase toda certeza.

De fato, os responsáveis políticos parecem decididos a perpetuar o que está sendo chamado de Depressão Menor, o prolongado período de desemprego elevado que começou com a Grande Recessão de 2007-2009 e que continua até o dia de hoje, mais de dois anos depois de que a recessão, supostamente, chegou ao fim.

Falemos um momento sobre por que nossas economias estão (ainda) tão deprimidas. A grande bolha imobiliária da década passada, que foi um fenômeno tanto estadunidense quanto europeu, esteve acompanhada por um enorme aumento da dívida familiar. Quando a bolha estourou, a construção de residências desabou, assim como o gasto dos consumidores na medida em que as famílias sobrecarregadas de dívidas faziam cortes.

Ainda assim, tudo poderia ter ido bem se outros importantes atores econômicos tivessem aumentado seu gasto e preenchido o buraco deixado pela crise imobiliária e pelo retrocesso no consumo. Mas ninguém fez isso. As empresas que dispõem de capital não viram motivos para investi-lo em um momento no qual a demanda dos consumidores estava em queda.

Os governos tampouco fizeram muito para ajudar. Alguns deles – os dos países mais débeis da Europa e os governos estaduais e locais dos EUA – viram-se obrigados a cortar drasticamente os gastos diante da queda da receita. E os comedidos esforços dos governos mais fortes – incluindo aí o plano de estímulo de Obama – apenas conseguiram, no melhor dos casos, compensar essa austeridade forçada.

De modo que temos hoje economias deprimidas. O que propõem fazer a respeito os responsáveis políticos? Menos que nada. A desaparição do desemprego da retórica política da elite e sua substituição pelo pânico do déficit tem verdadeiramente chamado a atenção. Não é uma resposta à opinião pública. Em uma sondagem recente da CBS News/The New York Times, 53% dos cidadãos mencionava a economia e o emprego como os problemas mais importantes que enfrentamos, enquanto que somente 7% mencionava o déficit. Tampouco é uma resposta à pressão do mercado. As taxas de juro da dívida dos EUA seguem perto de seus mínimos históricos.

Mas as conversações em Washington e Bruxelas só tratam de corte de gastos públicos (e talvez de alta de impostos, ou seja, revisões). Isso é claramente certo no caso das diversas propostas que estão sendo cogitadas para resolver a crise do teto da dívida nos EUA. Mas é basicamente igual ao que ocorre na Europa.

Na quinta-feira, os "chefes de Estado e de Governo da zona euro e as instituições da UE” – esta expressão, por si só, dá uma ideia da confusão que se tornou o sistema de governo europeu – publicaram sua grande declaração. Não era tranquilizadora. Para começar, é difícil acreditar que a complexa engenharia financeira que a declaração propõe possa realmente resolver a crise grega, para não falar da crise europeia em geral.

Mas mesmo que pudesse, o que ocorreria depois? A declaração pede drásticas reduções do déficit "em todos os países salvo naqueles com um programa” que deve entrar em vigor "antes de 2013 o mais tardar”. Dado que esses países "com um programa” se veem obrigados a observar uma estrita austeridade fiscal, isso equivale a um plano para que toda a Europa reduza drasticamente o gasto ao mesmo tempo. E não há nada nos dados europeus que indique que o setor privado esteja disposto a carregar o piano em menos de dois anos.

Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, isso é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que tornou grande a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o impulso que a economia precisava.

Mencionei que o Banco Central Europeu – ainda que, felizmente, não a Federal Reserve – parece decidido a piorar ainda mais as coisas aumentando as taxas de juros?

Há uma antiga expressão, atribuída a diferentes pessoas, que sempre me vem à mente quando observo a política pública: "Você não sabe, meu filho, com que pouca sabedoria se governa o mundo”. Agora, essa falta de sabedoria se apresenta plenamente, quando as elites políticas de ambos os lados do Atlântico arruínam a resposta ao trauma econômico fechando os olhos para as lições da história. E a Depressão Menor continua.

[Tradução: Katarina Peixoto / Sin Permiso]

terça-feira, 26 de julho de 2011

Curiosidades de um País de Loucos




por José Paulo Grasso*, terça, 26 de julho de 2011 às 14:55

José Paulo Grasso
Coordenador do Movimento Acorda Rio
Um motorista do Senado ganha mais para dirigir um automóvel do que um oficial da Marinha para pilotar uma fragata !

Um ascensorista da Câmara Federal ganha mais para servir os elevadores da casa do que um oficial da Força Aérea que pilota um Mirage.

Um diretor que é responsável pela garagem do Senado ganha mais que um oficial-general do Exército que comanda uma Região Militar ou uma grande fração do Exército.

Um diretor sem diretoria do Senado, cujo título é só para justificar o salário, ganha o dobro do que ganha um professor universitário federal concursado, com mestrado, doutorado e prestígio internacional.

Um assessor de 3º nível de um deputado, que também tem esse título para justificar seus ganhos, mas que não passa de um "aspone" ou um mero estafeta de correspondências, ganha mais que um cientista-pesquisador da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, com muitos anos de formado, que dedica o seu tempo buscando curas e vacinas para salvar vidas.

O SUS paga a um médico, por uma cirurgia cardíaca com abertura de peito, a importância de R$ 70,00, equivalente ao que uma diarista cobra para fazer a faxina num apartamento de dois quartos.

PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM CHOQUE DE MORALIDADE NOS TRÊS PODERES DA UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS, ACABANDO COM OS

OPORTUNISMOS E CABIDES DE EMPREGO.

OS RESULTADOS NÃO JUSTIFICAM O ATUAL NÚMERO DE SENADORES, DEPUTADOS FEDERAIS, ESTADUAIS E VEREADORES.

TEMOS QUE DAR FIM A ESSES "CURRAIS" ELEITORAIS, QUE TRANSFORMARAM O BRASIL NUMA OLIGARQUIA SEM ESCRÚPULOS, ONDE OS NEGÓCIOS PÚBLICOS SÃO GERIDOS PELA “BRASILIENSE COSA NOSTRA”

O PAÍS DO FUTURO JAMAIS CHEGARÁ A ELE SEM QUE HAJA RESPONSABILIDADE SOCIAL E COM OS GASTOS PÚBLICOS.

JÁ PERDEMOS A CAPACIDADE DE NOS INDIGNAR. PORÉM, O PIOR É ACEITARMOS ESSAS COISAS, COMO SE TIVESSE QUE SER ASSIM MESMO, OU QUE NADA TEM MAIS JEITO.

VALE A PENA TENTAR.

PARTICIPE DESTE ATO DE REPULSA.

REPASSE! NÃO SEJA OMISSO.

* José Paulo da Rocha Grasso é estudioso das áreas de turismo, economia e estatística – no Brasil e no mundo - empreendedor, dono de pousada no balneário de Búzios (RJ) criador e coordenador do Movimento Acorda Rio e Projeto Rio-Zeppelin.

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sábado, 23 de julho de 2011

O Último Discurso de 'O Grande Ditador'

Texto e filme de Charlie Chaplin - clique aqui para comprar o filme em formato DVD original...


O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.  A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.  O avião e o rádio nos aproximaram muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.  Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram ao povo há de retornar. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.  Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão!  Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.  Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade!  No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa.  Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.  É pela promessa de tais coisas que desalmados tem subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganancia, ao ódio e à prepotência.  Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia vamos nos unir...
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"Desculpe! Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar - se possível - judeus, o gentio ... negros ... brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem... 

Levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.

A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

O avião e o rádio nos aproximaram muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.

Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram ao povo há de retornar. E assim, enquanto morrem os homens,
a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão!

Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.

Soldados! Não batalheis pela escravidão! lutai pela liberdade!

No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou um grupo de homens, mas dos homens todos! Estás em vós! Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela ... de fazê-la uma aventura maravilhosa.

Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados tem subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganancia, ao ódio e à prepotência.

Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia vamos nos unir.

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Levanta os olhos Hannah ! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Levanta os olhos, ...!

Ergue os olhos!"

Charlie Chaplin "Discurso à Humanidade"