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terça-feira, 13 de março de 2018

Templários podem ter chegado a América antes de Colombo




Desde que surgiram em 1118 com o objetivo de pretensamente “proteger os peregrinos cristãos” viajando para a Terra Santa, os Templários tornaram-se famosos pela lenda e o mistério que os rodeia. Um mito que começou quando, logo após dois séculos de existência, o grupo foi perseguido e aniquilado devido à inveja que seu poder e riqueza despertaram em monarcas, nobreza e clérigos. No entanto, e embora uma boa parte das coisas que são ditas sobre eles são meras invenções, seus cavaleiros deixaram na história alguns mistérios que, até hoje, confundem os especialistas. 

Até hoje, desconhece-se o que aconteceu com eles - ABC

Um deles aconteceu em 13 de outubro de 1307 quando – perseguido e ameaçado pelo rei da França Philip IV– muitos desses monges guerreiros tiveram que fugir em uma dúzia de navios desde o seu porto de La Rochelle (na França) para evitar serem capturados. Aquela marinha, que saiu para o Atlântico, estampando a Cruz Vermelha da Ordem do Templo em suas velas, desapareceu sem deixar vestígios nas águas ou em terra e, no momento, o seu paradeiro ainda hoje é desconhecido. Até acredita-se que eles conseguiram chegar às Américas antes mesmo de Colombo.

O nascimento da Ordem do Templo

Houve um tempo, muito antes de se tornar popular devido a lendas e rumores, nos quais os guerreiros e monges templários não eram mais do que um punhado de (10) cavaleiros dispostos a defender os interesses dos peregrinos na Terra Santa. O século XII era naquele tempo, uma época em que Jerusalém – a cidade “sagrada” em que Cristo foi crucificado e ressuscitou – estava nas mãos dos muçulmanos (uma crença que também a considerava sagrada). 

No entanto, para os cristãos, esse fato não representou um problema maior que o da honra, já que os seguidores de Muhammad (Maomé) geralmente, eles não estabeleceram limites para os peregrinos de outras religiões no momento de acessar a cidade e adorar suas divindades. No entanto, essa atmosfera de calma aparente mudou, pois tornou-se mais difícil para os europeus alcançar o atual Israel devido à expansão dos turcos Seljuk. E, muitas vezes, eles não perderam a oportunidade de roubar e matar muitos viajantes católicos em peregrinação para levar seus bens. E tudo isso, além disso, arrebatando regiões aos reinos que professaram a fé em Cristo.


Esta série de razões, bem como outras pontuações (tanto territoriais como políticas) foram o que levou o Papa Urbano II a declarar a Primeira Cruzada em 1095 para recuperar o controle sobre a “Terra Santa”. Assim, motivados pela aventura e com a finalidade de fazer prevalecer sua religião sobre aqueles que chamaram de “infiéis”, centenas de cavaleiros começaram a se reunir em gigantescas unidades militares para irem a Jerusalém e recuperar a cidade por bravos guerreiros. 

Um desejo que se materializou em 15 de julho de 1099 quando um exército cruzado formado por um núcleo central de cavaleiros pesados (mais de 4.000 haviam deixado a Europa), acompanhados por tantos soldados de infantaria (combatentes à pé), tomaram à espada na mão a cidade “santa”.  

Militarmente falando, o plano funcionou perfeitamente, mas – para sua consternação – os cruzados logo ganharam o ódio da população muçulmana local que foi dizimada.

E a verdade é que havia razões para isso, porque – desejosos de vingança como estavam – os cruzados cometeram todo tipo de barbaridades quando entraram na cidade. A maioria, relacionada ao assassinato e ao saque em massa. Isso causou todos os tipos de problemas para os cruzados cristãos que se estabeleceram na área depois que seus camaradas armados partiram, sem um exército para se defender contra as agressões sarracenas, centenas de cristãos foram perseguidos e aniquilados pelos muçulmanos.  “As legiões dos fiéis voltaram para suas casas novamente após o massacre, deixando de enfrentar grandes problemas  dos seus irmãos que se haviam assentado e que sofriam perseguições cruas das quais fizeram uma descrição terrível” afirma o popularizador histórico Víctor Cordero García em seu trabalho « História Real da Ordem do Templo: do século XII até hoje ».

Na tentativa de defender os peregrinos dos ataques contínuos que sofriam, vários grupos de soldados que moravam em Jerusalém tomaram as armas contra os “infiéis”. Um deles, composto por nove cavaleiros Templários, reuniu-se em 1118 para proteger as estradas e a vida dos viajantes cristãos contra o assédio muçulmano. Este seria o germe da futura Ordem do Templo. Até hoje, a História ainda lembra o nome de seus dois primeiros líderes. 

O primeiro foi Hugo de Payens (futuro primeiro grande mestre da ordem). O segundo foi Godfrey de Saint-Ademar. “Naquela época, reinava o rei cristão Baldwin, que ofereceu uma calorosa recepção aos “pobres soldados de Cristo”, […] como se chamavam. Eles passaram nove anos na Terra Santa, alojados em uma parte do palácio, que o rei lhes deu, logo acima do antigo Templo de Salomão (daí o nome dos Cavaleiros do Templo)”, explica o pesquisador Rogelio Uvalle em seu livro « História completa da Ordem do Templo ».

A ascensão e queda dos Templários


Hugo de Payens, criador da Ordem do Templo - Wikimedia
Em anos posteriores, Payens fez dos templários uma das instituições mais importantes da Europa à época. Através de várias viagens à Europa, ele obteve financiamento e, é claro, outros soldados se juntaram às fileiras da ordem. No entanto, foi em 1139 que ele alcançou a expansão definitiva desse grupo ao obter várias vantagens fiscais. “Além das generosas doações a partir do qual a ordem se beneficiaria, uma série de privilégios ratificados por bulas papais também foram concedidos [a Igreja] concedeu aos templários uma autonomia formal e real em relação aos bispos, ficando assim sujeitos apenas à autoridade direta do Papa. Tampouco estavam sujeitos à jurisdição civil e eclesiástica ordinária. […] Eles também podiam coletar e receber dinheiro de maneiras diferentes, incluindo o direito de receber o ebolus, as esmolas das igrejas, uma vez por ano”, explica o divulgador histórico José Luis Hernández Garvi em seu trabalho « Os cruzados da Reinos da Península Ibérica » (editado por Edaf).

Finalmente, e como este autor salienta, eles também receberam o privilégio de construir igrejas e castelos onde eles julgassem apropriado e sem ter que pedir permissão de autoridades civis ou eclesiásticas. Embora possam parecer vantagens sem importância excessiva à primeira vista, todos eles fizeram essa ordem acumular enormes somas de riquezas e propriedades em toda a Palestina, em Jerusalém e na Europa. Isso também foi favorecido pela imensa riqueza e posses de todos os cavalheiros que entraram para fazer parte do grupo e, finalmente, pelo dinheiro que ganhavam ao negociar com o excedente das fazendas e plantações que estavam administrando (as Encomendas) acumulando ano após ano. 

Tudo isso significava que, no século XIII, a Ordem do Templo tinha um autêntico império econômico. Na verdade, em cerca do ano de 1250, e de acordo com Uvalle- tinha cerca de 9.000 fazendas e casas de campo, um exército de 30.000 homens (sem contar escudeiros, servos e artesãos), mais de cinqüenta castelos, e sua própria frota de navios  e eram os primeiros na banca internacional.

Tamanha era a riqueza da Ordem dos Cavaleiros Templários, que alguns reis como Filipe IV da França tomaram vultosos empréstimos da Ordem e tornaram-se seus devedores. Uma aparente vantagem que acabou virando contra a própria Ordem. E por isso, cansado o monarca do grande poder militar e econômico que estavam acumulando os “pobres cavaleiros de Cristo” (bem como da quantidade de ouro que lhes devia), decidiu iniciar uma perseguição contra eles em 1307. “Felipe IV, o Belo, considerou que a idéia original de recuperar os lugares sagrados para o cristianismo era desatualizada, dada a disseminação do islamismo no Oriente naquele momento. Além disso, ele tinha uma dívida enorme com os templários. É por isso que ele ordenou sua dissolução e começou uma operação policial contra eles, acusando-os falsamente de blasfêmia, heresia, sodomia…”, explica María Lara Martínez , escritora, professora da UDIMA, Primeiro Prêmio Nacional de Fim de Licenciado em História e autor de « Eclaves Templários » (editado por Edaf ).

Mas Filipe sabia disso, sem apoio religioso, não conseguia acabar com esse disciplinado e poderoso grupo de cavaleiros monges guerreiros.  “Quando o papa acabou de morrer, ele procurou um cardeal que fosse covarde e propenso a obedecer às suas decisões. Ele encontrou a figura no arcebispo de Bordéus. Nos tempos contemporâneos, como no cristianismo primitivo, a eleição do sucessor de São Pedro foi deixada em “mãos” do Espírito Santo, na Idade Média e Modernidade,  havia muitos interesses em torno da cadeira do papa de Roma. Assim, o soberano francês conseguiu transformá-lo em pontífice, como o papa Clemente V, e começar com ele o ataque orquestrado contra os Templários “, acrescenta o especialista. Sete verões depois, em 1314, esta dupla infame e cruel suprimiu a ordem e determinou que todas as suas propriedades seriam transferidas para o tesouro francês de Filipe IV, o Belo. 

Posteriormente, mais de 15 mil cavaleiros da Ordem foram presos. Por sua parte, o Grande Mestre Jacques de Molay foi preso, interrogado e queimado vivo na frente da Catedral de Notre Dame, em Paris, com a equipe do grupo. Foi assim que, após 200 anos de promoção e riqueza, a Ordem dos Cavaleiros Templários “aparentemente” foi liquidada por um golpe severo na Ordem do Templo.

O mistério da frota perdida


María Lara, autora de « Enclaves Templarios », em
frente à igreja de Santa María la Real de Sangüesa
(Navarra) - M.L.
Independentemente das lendas, o que é possível saber é que – à medida que seu poder de compra aumentava – o Templo adquiriu uma série de navios e criou a maior frota marítima do Mediterrâneo em seu tempo, com os quais fazer viagens e transportes de materiais e peregrinos da Europa para a Terra Santa. Por outro lado, também é sabido que o grupo usou esses navios para transportar e negociar com o excedente da produção de suas fazendas. Isto é determinado pela Dra. Lara Martínez, que diz que ao longo dos anos os monges-guerreiros estabeleceram uma série de rotas marítimas que partiam de vários portos europeus. 

“O objetivo desses navios era o comércio e a guerra. Os templários controlavam as comunicações porque, como estudiosos, aprenderam as chaves da navegação das rotas marítimas dos fenícios (descobertas nas ruínas do Templo de Salomão em Jerusálem). Eles tinham uma armada grande ancorando nos portos do Mediterrâneo e do Oceano Atlântico (na parte francesa, em La Rochelle). Esta visão de longa distância do orbe, juntamente com a capacidade logística, proporcionou supremacia se considerarmos que, naquela época, os mortais comuns consideravam que no Estreito de Gibraltar havia as Colunas de Hércules, isto é, que não havia mais terra além daquele ponto”, Conclui a autora.

Sempre de acordo com Maria Lara, os Templários conseguiram conquistar os portos de Flandres, da Itália, da França, de Portugal e do norte da Europa. Alguns dos mais famosos foram La Rochelle (seu centro nervoso no Atlântico) e os de Marselha e Collioure no Mediterrâneo. Por sua vez, esses monges-guerreiros costumavam estudar os enclaves em que seus navios chegaram de forma extremamente profunda, quando chegou a hora de salvá-los se fossem atacados. “O porto de La Rochelle, por exemplo, era protegido por 35 Encomendas Templárias, num raio de 150 quilômetros, mais uma casa provincial na própria vila”, completa a especialista em Templários.

Mas… Quando eles começaram a formar esta frota naval? De acordo com autores como o pesquisador histórico Juan G. Atienza em seus muitos livros sobre o assunto, a Ordem do Templo começou a adquirir navios algumas décadas depois de alcançar seus privilégios papais. Isto é denotado pelo fato de que os templários ofereceram ao próprio rei inglês Ricardo Coração de Leão seus navios para voltar para casa depois de terminar a cruzada que ele realizou contra os muçulmanos em 1191 (em que, por sinal, não conseguiu reconquistar Jerusalém aos inimigos da Cristianismo). Algo parecido aconteceu com Jaime I, o Conquistador, a quem esses monges guerreiros, fortemente militarizados ofereceram os navios que eles tinham atracados em Barcelona e Collioure para  começar a ajudar a reconquista da Terra Santa.

Mercadorias de todos os tipos, peregrinos, que a frota transportava ficou ativa até 1307. Naquele ano, quando a perseguição da Ordem do Templo começou, os navios (13, de acordo com a maioria das fontes, 18 de acordo com outras), tiveram que levantar velas e sair do porto francês de La Rochelle perante as autoridades francesas prendendo seus capitães e passageiros. Naquele dia marcou o início de um grande mistério porque, embora a história nos diga que os navios deixaram a França sob a bandeira da Ordem, é desconhecido onde eles aportaram, ainda nos dias atuais, tamanho o mistério que cerca o assunto.

“Quando, em 13 de outubro de 1307 (uma sexta-feira), Felipe IV desencadeou a perseguição à Ordem do Templo na França, a frota escapou do monarca, abarrotadas com o tesouro da Ordem e nunca mais se ouviu falar algo sobre esses navios carregados com o tesouro templário. É um fato desconhecido que alimenta o halo misterioso dos Cavaleiros Templários. Não se sabe se foi dispersa pelas águas, se se reagrupou em outro porto … Foi apostado a hipótese de que fugiu do mar Mediterrâneo, indo para um destino escondido, conhecido apenas pelos altos iniciados da Ordem, em busca de segurança e asilo político, mas onde?”, completa indagando Maria Lara.

Onde a frota naval dos Cavaleiros Templários aportou?


Jacques de Molay
O último Grande Mestre da Ordem do Templo
- ABC
O desaparecimento desta frota errante fez que dezenas de teorias proliferassem ao longo das décadas e séculos nos lugares onde os cavaleiros da ordem poderiam ter aportado em busca de refúgio. O mesmo acontece com a sua preciosa carga. Na verdade, alguns amantes da conspiração são favoráveis ​​a que, nesses navios, os templários carregaram um grande tesouro acumulado durante décadas para salvá-lo das garras de Filipe IV, que ao tomar as instalações da Ordem dos Cavaleiros Templários em Paris e na França, não encontrou uma mísera moeda de prata, o que frustrou completamente os seus planos. 

Algumas fontes até se atrevem a dizer que o mesmo Grande Mestre Jacques de Molay estava escondido nesses navios e que ele só foi capturado quando retornou à Europa para comandar uma missão secreta e desconhecida. De qualquer forma, o único que se sabe é que o exército escapou depois de ser advertido (provavelmente pelo Vaticano ou seus agentes desde dentro do tribunal francês) do que aconteceria. As regiões para as quais, alegadamente, teriam vindo, são as seguintes:

1 - Portugal

É uma das possibilidades mais lógicas e aceitas porque a Coroa portuguesa sempre manteve – em geral – boas relações com a Ordem do Templo. Até então, no país português, a Reconquista já havia chegado ao fim, um fato que poderia ter ajudado os Templários a se dedicar mais à erudição do que às armas. “Eles poderiam ser encontrados na base da Ordem de Cristo”, explica Lara. Por sua vez, marinheiros portugueses como Vasco de Gama, Cabral e Cristovão Colombo conseguiram aproveitar o tesouro da sabedoria templária para suas descobertas nas costas africanas.

Isso explicaria o fato de que, no início do século XV, o Grande Mestre desta Ordem, o Infante Don Enrique o Navegante, investiu os lucros da Ordem de Cristo na exploração marítima. O papa Calixto III concedeu-lhes jurisdição eclesiástica em todos os territórios “desde os  promontórios de Bojador e de Nam, através de toda a Guiné e até a fronteira do sul, sem interrupção até os índios (na Índia)”, de acordo com bula papal Inter-Caetera (1456) . E, como o autor afirma, os templários eram alunos de todos os ramos do conhecimento, incluindo as artes navais, e tinham conhecimento de todas as rotas de navegação dos antigos fenícios, daí a influência na escola de navegação de Sagres.

2 - Escócia

“É possível que os templarios também chegaram à Escócia. Nesse caso, eles teriam encurralado em Argyll e lá eles teriam descarregado mercadorias em Kilmory ou Castle Suite”, enfatiza o autor. Neste caso, alguns pesquisadores como Ernesto Frers indicam que os cavaleiros da Ordem entraram em contato com o famoso líder escocês Robert Bruce, que – como eles – haviam sido excomungados por sua rebelião. “Ele recebeu generosamente os Templários, que por sua vez ofereceram sua colaboração na campanha contra a Inglaterra e seus aliados locais”, completa o autor.

3 - Sicília

A terceira possibilidade é uma das mais plausíveis e, curiosamente, uma das menos comentadas. Ela afirma que os navios templários foram para as costas da Sicília, no sul da Itália. Esta região foi conquistada em torno do século XI por Roger de Guiscard, um cavaleiro normando cujas relações com o papado (assim como as de seus sucessores) eram controversas às vezes. Nas palavras de Frers, uma das bandeiras que esta linhagem usou em seus navios foi posteriormente adotada pelos Cavaleiros da Ordem do Templo, para que sua chegada à região pudesse se materializar após a fuga de La Rochelle.

4 - América

A última das teorias – bem como a maioria dos “conspiradores” – é a que afirma que os navios da Ordem do Templo atravessaram o Atlântico e chegaram às costas americanas. Tudo isso, quase 100 anos antes de Colombo. 

“A lenda diz que, quando os conquistadores espanhóis chegaram à Península de Yucatán, ouviram que alguns homens brancos e de barba já haviam estado lá e tinham dado conhecimento aos nativos. Outra hipótese afirma que, de acordo com o testemunho de religiosos que acompanharam Colombo, os nativos não ficaram surpresos ao ver as cruzes dos guerreiros porque eles já os conheciam.  Além disso, as culturas pré-hispânicas assumiram a idéia de que 'chegaria um dia em que os grandes homens brancos vestidos de metal virão por mar e mudarão nossas vidas para melhor'.  Finalmente, também é sabido que os maias adoraram Kukulkan, um deus branco e barbudo. Confirmação incomum porque esta cultura foi composta de homens sem cabelos por genética e adaptação ao meio ambiente”, acrescenta María Lara.
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Fonte: por: Manuel P. Villatoro / ABC HISTORIA (via/tradução: thoth3126 - rep.)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O Pálido Ponto Azul, por Carl Sagan

A foto "The Pale Blue Dot",
tirada a seis bilhões de quilômetros da Terra,
pela Voyager 1, em 6 de junho de 1990.
Crédito: NASA
A imagem ao lado foi enviada à Terra pela sonda Voyager 1, em 1990. Vista a seis bilhões de quilômetros, a Terra é um minúsculo ponto (a mancha azulada-branca que se encontra aproximadamente no meio da faixa marrom) perdida na vastidão do espaço profundo.

Na fotografia, o tamanho aparente da Terra é menor do que um pixel; o planeta aparece como um pequeno ponto na imensidão do espaço, no meio de um raio solar captado pela lente da câmera. A Voyager 1, que tinha completado sua missão principal e estava deixando o Sistema Solar, recebeu comandos da NASA para virar sua câmera e tirar uma última fotografia da Terra em meio a vastidão espacial, a pedido do astrônomo e escritor Carl Sagan.

A imagem faz parte de uma série de imagens do Sistema Solar denominada Retrato de Família. Devido a essa foto, Carl Sagan criou o livro "Pálido Ponto Azul" em 1994. Vale a pena ver um tributo ao eterno Carl Sagan e uma conscientização sobre onde nós estamos:



"A espaçonave estava bem longe de casa. Eu pensei que seria uma boa idéia, logo depois de Saturno, fazer ela dar uma ultima olhada em direção de casa.

De saturno, a Terra apareceria muito pequena para a Voyager apanhar qualquer detalhe, nosso planeta seria apenas um ponto de luz, um "pixel" solitário, dificilmente distinguível de muitos outros pontos de luz que a Voyager avistaria: Planetas vizinhos, sóis distantes. Mas justamente por causa dessa imprecisão de nosso mundo assim revelado valeria a pena ter tal fotografia.

Já havia sido bem entendido por cientistas e filósofos da antiguidade clássica, que a Terra era um mero ponto de luz em um vasto cosmos circundante, mas ninguém jamais a tinha visto assim. Aqui estava nossa primeira chance, e talvez a nossa última nas próximas décadas.

Então, aqui está - um mosaico quadriculado estendido em cima dos planetas, e um fundo pontilhado de estrelas distantes. Por causa do reflexo da luz do sol na espaçonave, a Terra parece estar apoiada em um raio de sol. Como se houvesse alguma importância especial para esse pequeno mundo, mas é apenas um acidente de geometria e ótica. Não há nenhum sinal de humanos nessa foto. Nem nossas modificações da superfície da Terra, nem nossas maquinas, nem nós mesmos. Desse ponto de vista, nossa obsessão com nacionalismo não aparece em evidencia. Nós somos muito pequenos. Na escala dos mundos, humanos são irrelevantes, uma fina película de vida num obscuro e solitário torrão de rocha e metal.

Considere novamente esse ponto. É aqui. É nosso lar. Somos nós. Nele, todos que você ama, todos que você conhece, todos de quem você já ouviu falar, todo ser humano que já existiu, viveram suas vidas. A totalidade de nossas alegrias e sofrimentos, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas, cada caçador e saqueador, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e plebeu, cada casal apaixonado, cada mãe e pai, cada crianças esperançosas, inventores e exploradores, cada educador, cada político corrupto, cada "superstar", cada "lidere supremo", cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali, em um grão de poeira suspenso em um raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pense nas infindáveis crueldades infringidas pelos habitantes de um canto desse pixel, nos quase imperceptíveis habitantes de um outro canto, o quão frequentemente seus mal-entendidos, o quanto sua ânsia por se matarem, e o quão fervorosamente eles se odeiam. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, em sua gloria e triunfo, eles pudessem se tornar os mestres momentâneos de uma fração de um ponto. Nossas atitudes, nossa imaginaria auto-importancia, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, é desafiada por esse pálido ponto de luz.

Nosso planeta é um espécime solitário na grande e envolvente escuridão cósmica. Na nossa obscuridade, em toda essa vastidão, não ha nenhum indicio que ajuda possa vir de outro lugar para nos salvar de nos mesmos. A Terra é o único mundo conhecido até agora que sustenta vida. Não ha lugar nenhum, pelo menos no futuro próximo, no qual nossa espécie possa migrar. Visitar, talvez, se estabelecer, ainda não. Goste ou não, por enquanto, a terra é onde estamos estabelecidos.

Foi dito que a astronomia é uma experiência que traz humildade e constrói o caráter. Talvez, não haja melhor demonstração das tolices e vaidades humanas que essa imagem distante do nosso pequeno mundo. Ela enfatiza nossa responsabilidade de tratarmos melhor uns aos outros, e de preservar e estimar o único lar que nós conhecemos... o pálido ponto azul." 

Carl Sagan: em palestra proferida na Universidade de Cornell (13/10/1994)
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Fonte: http://www.planetary.org/explore/space-topics/earth/pale-blue-dot.html (edição e tradução livre)
Bibliografia: Livro "Pálido Ponto Azul" (Português), por Carl Sagan 



quinta-feira, 23 de março de 2017

A ditadura perfeita terá as aparências da democracia e os escravos terão amor à sua escravidão

Admirável mundo novo: até quando uma ficção?



"Admirável mundo novo: a proximidade cada vez maior das ficções com o mundo real. Nosso destino se assemelhará à distopia de Aldous Huxley? Um dos critérios de caracterizar um livro como “clássico” baseia-se no fato de suas ideias nunca envelhecerem. Admirável Mundo Novo, escrito por Aldous Huxley em 1932, é um deles. Suas mensagens mantém-se atuais, assim como outros clássicos de autores contemporâneos, como 1984, A Revolta de Atlas e A Revolução dos Bichos.

O livro narra uma sociedade planejada e construída para o bem coletivo. Uma sociedade que molda as pessoas desde antes de seu nascimento e por toda sua infância, com o objetivo de definir antecipadamente seus papéis internos determinados pelas suas castas sociais.

Essa moldagem resulta em uma conformação mental generalizada de seus direitos e deveres, garantindo ao controle estatal a manutenção da ordem social, sem quaisquer ameaças de protestos. É um resultado clássico onde a personalidade não é própria, individual, mas uma personalidade representante de um coletivo.

Não há liberdade de pensamento. Não há estímulos para se pensar diferente. A ojeriza à literatura, disponibilizada apenas para determinadas castas, é construída através de condicionamento das crianças através de choques elétricos cada vez que tocam nos livros (lembra muito o proselitismo recente contra o hábito de leitura por um ex-presidente, uma de suas grandes contribuições para a atual idiocracia que vivemos).

Um leve pensamento crítico, manifestado por um dos protagonistas, é motivo de chacota e ameaças concretas, assim como ocorre hoje nos casos de tentativa de censura e desqualificações sem argumentos promovidos pelo JEG*. A falta deste pensamento crítico na distopia de Huxley é uma das perdas da condição de humanidade dos cidadãos. O admirável mundo novo não seria tão admirável assim.


Uma das defesas dos ideólogos dessa sociedade é a proclamação da felicidade geral. Mas como uma ideia da felicidade pode ser construída sob os pilares da mentira? A droga “soma”, distribuída pelo governo, mantém a população despreocupada e feliz, reprimindo o pensamento independente e compelindo as pessoas a aceitarem e acreditarem na realidade existente.

Pensamentos independentes seriam ameaças extremas à manutenção da sociedade. Quanto tempo falta para criarmos um índice de felicidade em nosso país? Qual seria a nota dada para este índice pelo Cypher, do filme Matrix, que dizia que a ignorância pode ser uma benção?

A inexistência de responsabilidade pelas suas escolhas também pode ser uma benção. No admirável mundo novo de Huxley não havia necessidade de preocupações, pois as ações eram dirigidas para a eliminação do imprevisível da vida social e para o hedonismo. Liberdades sexuais e a inexistência da instituição familiar propiciavam o alardeamento da ideia de que o mundo onde se vive é perfeito, uma utopia.

Você não é você. Você é uma classe, um coletivo, uma raça, uma minoria. O Brasil pontuações extremas nesse tema, na medida que negros, LGBTs, índios e companhia já não podem pensar por si próprios como ser humano, mas sim como pertencente a uma casta. Joaquim Barbosa que o diga, após ser difamado pela mídia chapa branca porque seu julgamento pessoal “deu as costas” para sua “raça”, como se nisso houvesse algum sentido**. E quando não houver mais excluídos, o processo de criação ocorre novamente.

O livro, entretanto, deixa um viés de que o desenvolvimento tecnológico pode ser usado para calar a liberdade. Entendo porém, que é justamente a tecnologia que está, aos poucos, nos libertando das ideologias nocivas incorporadas na nossa mente através da Revolução Gramsciana, em função desse grande canal de comunicação mundial denominado internet.

Sem ele, governos e grupos econômicos vivendo em simbiose - dependendo do local tendendo ao comensalismo ou parasitismo, já teriam dado passos mais largos para a construção dessa sociedade coletivizada. O que não impediu, entretanto, que nosso país tenha regredido várias casas nos últimos anos. Precisamos acordar logo! E tornar o mundo novo, futuro, realmente admirável."
A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão. – Aldous Huxley
*JEG: Jornalismo da Esgotosfera Governista
** Decidiu aposentar-se precocemente da presidência do STF em funções de ameaças que vinha recebendo


Huxley, Aldous

Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. 

Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. 

Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade, e que idolatra Henry Ford.

Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. 

Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários. 

Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos.



        

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

'As Dores do Mundo', de Arthur Schopenhauer

"Wheel of Life", 1940

"A miséria, que alastra por este mundo, protesta demasiado alto contra a hipótese de uma obra perfeita devida a um ser absolutamente sábio, absolutamente bom, e também todo-poderoso; e, de outra parte, a imperfeição evidente e mesmo a burlesca caricatura do mais acabado dos fenômenos da criação, o homem, são de uma evidência demasiado sensível.

Há aí uma dissonância que se não pode resolver. As dores e as misérias são, pelo contrário, outras tantas provas em apoio, quando consideramos o mundo como a obra da nossa própria culpa, e portanto como uma coisa que não podia ser melhor. Ao passo que na primeira hipótese, a miséria do mundo se torna uma acusação amarga contra o criador e dá margem aos sarcasmos, no segundo caso aparece como uma acusação contra o nosso ser e a nossa vontade, bem própria para nos humilhar.

Conduz-nos a este profundo pensamento que viemos ao mundo já viciados como os filhos de pais gastos pelos desregramentos, e que se a nossa existência é de tal modo miserável, e tem por desenlace a morte, é porque temos continuamente essa culpa a expiar. De um modo geral não há nada mais certo: é a pesada culpa do mundo que causa os grandes e inúmeros sofrimentos a que somos votados; e entendemos esta relação no sentido metafísico e não no físico e empírico."

Imagem: Obra de Jean Delville — "Wheel of Life", 1940.

Adquira cultura, leia "As Dores do Mundo", de Schopenhauer

Arthur Schopenhauer: As Dores do Mundo

'As dores do mundo' apresenta uma série de reflexões sobre a existência, propondo uma nova forma de se pensar a dor e a felicidade. Temas como o amor, a morte, a arte, a moral, a religião, a política, o homem e a sociedade ilustram a teoria exposta por Schopenhauer na presente obra. Indicada a todos os estudiosos e pensadores da conduta humana, quer ligados às áreas da própria filosofia, da sociologia, da religião, como a profissionais de toda e qualquer área em que se faça necessário o entendimento dos meandros que constituem a base do comportamento humano. O filósofo traz reflexões sobre a existência, cuja finalidade, segundo ele, seria a própria dor, constituindo-se o mundo num lugar de expiação.

Para Schopenhauer, faz-se necessário refutar as premissas estabelecidas pelos sistemas metafísicos que entendem o mal como algo negativo. Pois, do seu ponto de vista, ao contrário do bem, o mal é que deve ser considerado positivo, uma vez que somente ele se faz, de fato, sentir.

O autor tece aqui suas considerações fundamentando-se na teoria de que 'O bem, a felicidade, a satisfação são negativos porque não fazem senão suprimir um desejo e terminar um desgosto (...), em geral, achamos as alegrias abaixo da nossa expectativa, ao passo que as dores a excedem sobremaneira'.



segunda-feira, 12 de setembro de 2016

52 MITOS POP - MENTIRAS E VERDADES



O homem pousou na Lua ou foi uma superprodução de Hollywood? Livro desvenda mitos pop


O jornalista Pablo Miyazawa se dedica a dissecar as mentiras e verdades do mundo da música e do cinema no livro “52 Mitos Pop - Mentiras e Verdades nos Boatos do Mundo do Entretenimento

A mágica começa quando o leão dos estúdios cinematográficos da Metro Goldwyn Mayer emite o terceiro rugido. É aí que se deve apertar o play, ou colocar a agulha, no início do disco “The Dark Side of The Moon” para se conhecer o mistério: o Pink Floyd compôs compasso por compasso de sua obra de 1973 para ser a trilha sonora do filme “O Mágico de Oz”, de 1939. Quando se vê o filme ouvindo o disco, um está milagrosamente casado com o outro. As batidas do coração do Homem de Lata são ouvidas no final da música Eclipse e a cena do furacão que leva a casa de Dorothy é envolvida pelo clima de “The Great Gig in the Sky”. Mito ou verdade?

Dia 2 de janeiro de 2008. O ator Heath Ledger é encontrado morto nu, entre remédios jogados na cama de seu apartamento em Nova York. O culpado: Coringa. Sim, o personagem interpretado por ele em “Batman - O Cavaleiro das Trevas” com uma das mais aterrorizantes entregas da história do cinema teria ficado em seu ser, perturbador, demoníaco. Os 30 dias em que Ledger passou trancado em um quarto testando vozes e expressões para chegar ao resultado perfeito quebraram os limites entre ator e personagem, fazendo com que o segundo devorasse o primeiro. O provável suicídio de Ledger seria a fuga de seu algoz. Fato ou imaginação?

Poltergeist, 1982. Cinco meses depois da estreia do filme dirigido por Tobe Hooper, a atriz Dominique Dunne, que interpretava a garota Dana, morreu estrangulada pelo ex-namorado. Até então, um crime isolado. Um tempo depois, três outras baixas, por doença: os atores Julian Beck, Will Sampson e a atriz Heather O’Rourke, que partiu aos 12 anos depois de estrelar o filme com seis. Em meio a outras mortes, uma chocou os sobreviventes: Lou Perryman, o Pugsley, foi assassinado a machadadas. Mas o mais improvável ocorreu com Richard Lawson, o personagem Ryan: um acidente de avião matou 27 pessoas e apenas uma sobreviveu. Quem? Richard Lawson. Onde os céticos veem coincidência, os mitólogos apontam a maldição. E levantam uma teoria sustentada há 34 anos. Os espíritos de Poltergeist não deixaram os atores em paz. Acredite se quiser.


Mitos flutuam no ar, mentiras têm pernas curtas. Histórias são alimentadas em cadeia, boatos são destroçados pelo vento. Mas mitos são mitos, nem sempre verdades. O jornalista Pablo Miyazawa entra em portais do tempo para dissecá-los e contextualizá-los sem cair nas tentações de confrontá-los no livro “52 Mitos Pop - Mentiras e Verdades nos Boatos do Mundo do Entretenimento”.

Homem na Lua

A cada episódio surge uma intriga do universo cultural, sobretudo de quem viveu sua adolescência nos anos 1980. Os atores Bruce Lee e seu filho, Brandon, teriam sido assassinados pela máfia chinesa depois de se negarem a fazerem “negócios” com os criminosos? Tom & Jerry teriam sido criados para espelharem os dois lados da Segunda Guerra Mundial: Tom representando os tommies (como se chamavam os soldados britânicos) e Jerry, os jerries, apelido dos alemães? Teria o diretor Quentin Tarantino planejado fazer todos os seus filmes interligando uns aos outros? E o diretor Stanley Kubrick? Seria ele o pai de todas as teorias conspiratórias ao filmar a fictícia chegada do homem à Lua, em 1969, fazendo com que o mundo acreditasse na conquista norte-americana?

Miyazawa não dá respostas definitivas, mas se posiciona e ajuda o curioso a fazer suas escolhas. “Seria pretensão demais querer responder a algumas questões históricas, como a que se faz sobre a chegada do homem à Lua. Meu trabalho foi expor todos os lados”, diz ele, próximo ao assunto desde que se tornou jornalista, em 1996, e começou a fazer curiosidade virar notícia. Sua teoria sem conspiração é sobre o fato de os grandes mitos terem surgido nos anos 1980, a década que inventou a adolescência. “As pessoas que viveram a juventude nos anos 1980 são mais nostálgicas. Seus pais, jovens nos 70, não se divertiam em um País que sofria com a ditadura militar. O entretenimento quase não existia.”


http://acesse.vc/s/dab2fd14

sábado, 20 de agosto de 2011

Dica de leitura: "É rindo que se aprende"

Dica de leitura... comunicação, expressão e diversão garantida! e o pulso ainda pulsa...


Você vai encontrar Marcelo Tas metido nas mais diferentes atividades ligadas à arte de expressar, na maioria das vezes levando o humor e a irreverência para diferentes canais, como televisão, rádio, jornal e internet. Ou simplesmente em cima de um palco. Nessa mistura multimeios, ele exerce múltiplos papéis: jornalista, ator, documentarista, apresentador, desenvolvedor de software...

Durante a conversa que serviu de base para este livro, ele foi montando o quebra-cabeça de sua história para revelar como o prazer de aprender orientou sua vida e quais foram os personagens que o influenciaram nesse aprendizado. Assim, entre tantas experiências e atividades diferentes que viveu, o foco aqui é mostrar como Marcelo Tas está na vanguarda de um campo novo: a mistura da comunicação com a educação.

O livro vai agradar a quem gosta de experiências ligadas à comunicação. Mas também àqueles que se interessam por usar a comunicação para educar. E vai agradar especialmente a quem gosta de ouvir histórias sobre o encanto de aprender. Este livro é, em síntese, uma aula de como se ensina e se aprende rindo.

Gilberto Dimenstein

Por suas reportagens sobre temas sociais e suas experiências em projetos educacionais, Gilberto Dimenstein foi apontado pela revista Época em 2007 como umas das cem figuras mais influentes do país.

ISBN: 9788561773205
IDIOMA: Português
ENCADERNAÇÃO: Brochura
FORMATO: 16 x 23
PÁGINAS: 128
ANO DE EDIÇÃO: 2011
EDIÇÃO: 1ª

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Ócio Criativo - Download do Livro

Esqueça o trabalho formal, inove e viva feliz e melhor!

Porque a maioria das pessoas não consegue melhorar o nível de vida com sua profissão? E por que não são felizes com aquilo que fazem profissionalmente?

A resposta pode estar na forma pelo qual a maioria empresas e pessoas são gerenciadas, isto é, por um modelo de negócio do início do século 20, na qual as pessoas não se sentem à vontade. As pessoas precisam de um novo ambiente onde possam ser felizes e produtivas.


Domenico de Masi em seu livro "ÓCIO CRIATIVO*" mostra como chegar lá.

Domenico de Masi ganhou notoriedade mundial ao divulgar sua teoria sobre o poder criativo do ócio. Segundo ele, as pessoas devem aprender a ocupar o seu tempo livre com atividades que tragam prazer e agreguem valor. Para falar da teoria de Domenico é preciso destacá-lo do rol dos alarmistas do futuro ou do fim do emprego. Sua visão e teoria buscam realçar o que temos de melhor: a capacidade de criação e inovação.

Para o autor, estamos vivendo uma nova ordem econômica em que as pessoas irão viver mais devido a avanços tecnológicos e científicos, prolongando a vida das pessoas. Porém temos que mudar, porque ainda trabalhamos e vivemos da mesma forma que 100 anos atrás. O trabalho, hoje, segundo Domenico, nos leva para uma reavaliação sobre a localização, pois não precisaremos estar no local físico da empresa para executarmos atividades produtivas. Hoje há empresas deixando seus empregados trabalhando em casa, no conceito "Home Office".


Na educação, há necessidades de mudanças, pois a escola atual prepara as pessoas para o mercado de trabalho no modelo da sociedade industrial. Temos ainda muito que fazer nas áreas de ensino e aprendizagem, saindo do formato tradicional para um modelo espacial e virtual.

Nós só iremos atingir um nível melhor de bem estar e felicidade quando entendermos e nos darmos o luxo de ter nas atividades criativas o nosso maior tempo gasto, nas quais trabalho formal e tempo livre convivam bem e se confundam.

Para atingir esse grau, devemos passar por um processo de mudanças comportamentais, culturais e políticas. O autor fala que o Brasil é o país que está mais preparado no mundo, pois temos algumas das maiores qualidades para a mudança: sensualidade, espontaneidade, alegria e hospitalidade.

Conclusão

A proposta do ócio criativo como uma ferramenta para o aprimoramento pessoal fora do trabalho é uma das mais belas teorias já produzidas, cuja efetivação é possível, pois cada vez mais nos deparamos com a necessidade de compor o nosso conhecimento e desenvolvimento pessoal com atividades que agreguem valor, prazer e qualidade de vida, pois como diz Domenico - "A criatividade não é só idéias, é unir fantasias com concretizações". Saber o que fazer com o tempo livre é construir um mundo novo no qual exercitaremos o corpo e a mente, reencontraremos os amigos, a família e reinventaremos a coletividade. Domenico mostrou a saída, - "Tornar o ócio uma atividade produtiva".

(*) DE MASI, DOMENICO. O Ócio Criativo. Entrevista a Maria Serena Palieri. Tradução de Léa Manzi. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.

Fontedo Texto : Lauro Jorge Prado - Série Gestão Pessoal